Em i bet you look good on the dancefloor:

Nandi Bushell, 11 anos, ataca os Arctic Monkeys. Com a ajuda de um arctic monkey

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* O toque estava dado nas redes nos últimos dias. A garota-prodígio Nandi Bushell. a maior menor baterista (na real, multiinstrumentista), 11 aninhos, andou postando fotos junto a Matt Helders, o baterista dos Arctic Monkeys. A gente sabia o que estava por vir. Mas, de fato, não como viria.

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Bem, começou a aparecer. Ontem Nandi publicou a primeira parte do que seria a “The Matt Helders Jam Session – Part 1 – Arctic Monkeys – I Bet You Look Good on the Dance Floor”, com Helders na bateria e ela na guitarra emulando o maior hit, o primeiro de muitos, que a banda de Sheffield botou na cena inglesa lá por meados dos anos 00.

É espetacular ver o que ela faz quando se tem 11 anos de idade, na guitarra, sendo que a menina ficou mundialmente famosa na bateria.

Essa “I Bet You Look Good on the Dance Floor”, com Matt Helders na bateria, ficou totalmente dela. Não tem vocal. Só Nandi Bushell fazendo, em uma só guitarra, o que o Arctic Monkeys faz com duas.

Até a famosa frase do vídeo, a “declaração” de Alex Turner “Don’t Believe the Hype” do primeiro vídeo do Arctic Monkeys prestes a estourar, aparece de modo espontaneamente puro no mundo da menina fenômeno de 11 anos: “É ‘Believe the Hype’ ou ‘Don’t Believe the Hype”, ela pergunta a Matt Helders, que responde o correto. Muito bom.

Estamos ansiosamente esperando a parte 2.

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“I Bet You Look Good on the Dancefloor”, 15 anos. Como o primeiro single do Arctic Monkeys mudou o indie

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* No sábado, 17 de outubro, completou-se 15 anos do lançamento do primeiro single da banda inglesa Arctic Monkeys, a sensacional “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, talvez até hoje a mais marcante música do grupo de Sheffield.

Considerada a “resposta britânica” a “Last Nite”, dos Strokes, a canção do Arctic Monkeys, lançada naquele 2005 agitado na música inglesa dentro do novo rock, chocou diversas esferas da música e se tornou revolucionária ao seu tempo por ser vorazmente downloadada de graça na internet ao mesmo tempo que vendeu muitas cópias físicas (40 mil), tanto que em sua semana de estreia “I Bet You Look Good on the Dancefloor” chegaria ao primeiro lugar de singles da parada do Reino Unido, na lista de 23 de outubro.

Para um fã true do Arctic Monkeys da época, a música até já era conhecida, numa outra qualidade de produção. “Bet You Look Good on the Dancefloor”, sem o “I” que depois faria parte do nome oficial da canção, estava na coletânea de demos “Beneath the Boardwalk”, que já circulava pelo underground britânico desde 2004.

Três meses depois de seu lançamento oficial como primeiro single da banda, e muito por causa do tumulto musical causado por “Dancefloor”, o primeiro álbum do Artic Monkeys, “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”, sairia às lojas para se tornar o disco de estreia que mais vendeu na primeira semana no chart inglês. E o disco que ganharia o Mercury Prize daquele 2006.

Toda essa bagunça que o primeiro single da banda de Alex Turner causou no novo rock ajudou inclusive o iTunes, a plataforma de música da Apple, lançada no ano anterior, 2004, a se firmar na indústria musical inglesa.

“I Bet You Look Good on the Dancefloor”, assim, vendeu tudo o que podia em cópia física e em cópia digital, apesar de ser amplamente devorada nos downloads ilegais, ainda na era do iPod.

A letra da música é uma azaração de clube entre o cara e a menina que fica bonita na pista de dança, coisa bem inglesa da época. Traduz o sentimento do menino num momento não estar nem aí com o flerte e no segundo seguinte estar desesperado pela menina. Descrever de modo bem simples e direto um acontecimento normal da garotada numa noite inglesa, sem muita poesia, era uma marca das letras de Alex Turner. Seu estilo, focado na letra de “I Bet You Look Good on the Dancefloor” era considerado a perfeita síntese do que era ser jovem, impetuoso, inquieto, sem grana, puto com a vida, ao mesmo tempo nem aí com nada do moleque britânico daquela época.

É marcante lembrar também o vídeo oficial da música, uma espécie de cartão de visitas do Arctic Monkeys ao mundo. Todo mundo da banda com cara de bebê gravando num estúdio com uma pequena plateia, tudo registrado por três câmeras antigas alugadas, que serviram a um seriado dos anos 80. Alex Turner se aproxima do microfone e diz “Nós somos o Arctic Monkeys e esta é ‘I Bet You Look Good on the Dancefloor’. Não acredite no hype”. E a porradaria come, veloz, perfeita.

A música é tão importante e longeva para os ingleses que seis anos depois, em 2012, ela estaria sendo apresentada na abertura da Olimpíada de Londres.

Parabéns, “I Bet You Look Good on the Dancefloor”. Você está uma adolescente debutante linda.

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O show da BBC do Arctic Monkeys. Com “I Bet You Look Good on the Dancefloor”

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* Bom. A produção de posts do Arctic Monkeys está imparável, mas fazer o quê?

Semana passada o Arctic Monkeys, aquela banda lá, foi tocar ao vivo na BBC tocar ao vivo no… “Live at BBC”, que passa no canal de TV BBC 2. O áudio foi ao ar quinta mesmo na rádio, o dia da apresentação, dentro do programa de mesmo nome da fofura Annie Mac, da Radio 1. Na TV, passou no dia seguinte.

Em meio à bombástica tour de seu polêmico novo álbum que muitos não acham tão bombástico quanto os outros, o grupo de Alex Turner tocou na BBC músicas novas e uma versão cool adulta, digamos, de seu hino que quebrou-a-porra-toda “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, de lá de 2006.

O disco, “Tranquility Base Hotel & Casino”, é polêmico e a performance dele em vendas também é polêmica, olhando o tempo que vivemos. É apenas o vinil mais rapidamente vendido, número 1 masterbammm, dos últimos 25 anos.

Fui comprar o vinil na enorme Rough Trade e estava esgotado. Fui numa outra loja, não tinha. Na terceira tinha as duas últimas cópias do disco. Comprei as duas, no impulso.

Sobre a performance, postamos ela aqui embaixo, tanto o programa todo com entrevistinha quanto o primeiro hit deles. Veja rápido porque a BBC está tirando tudo do ar. Daí a galera bota de novo. Daí a BBC vai e…

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Arctic Monkeys e os 10 anos de uma certa revolução musical. Que até hoje está em curso!

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AM em sua primeira capa da NME, duas semanas após o lançamento do primeiro single

Já perdi a conta de quanta coisa legal faz “dez anos” em 2015. E olha que ainda teve os dez anos daqueeeele TIM Festival, comemorados ontem (aquele que trouxe ao Brasil um lineup “fraco”, com apenas: Wilco, Strokes, Arcade Fire, Kings of Leon entre outros).

Em 2005 também saiu o primeiro single da então quase que desconhecida banda de Sheffield que tinha quatro garotos espinhudos na formação e chamava Arctic Monkeys. Banda surgida pós-loucura Libertines, Strokes e White Stripes, quando a gente achava que a “salvação do rock” estava nas mãos dessa trinca que unia Julian Casablancas, Jack White e Pete Doherty. E daí, do nada (mesmo), aparecem esses moleques (mesmo) do interior da Inglaterra.

Hoje, lendo um texto do jornal britânico “The Guardian” sobre os 10 anos exatos do lançamento de “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, achei o título forçadíssimo. Ele diz, em tradução minha: “Como o single de estreia do Arctic Monkeys derrubou a indústria da música e ‘matou a NME'”.

Na matéria, a jornalista Laura Snapes fala com Conor McNicholas, editor da NME na época. McNicholas diz que a grande diferença da NME e de um jornal qualquer que cobrisse música era que a NME sabia do que estava falando. Ela sabia o valor (e as consequências) de bandas como Strokes e Libertines para a música. Até que chegou o Arctic Monkeys e atropelou todo mundo e deixou até a revista mais antenada da Inglaterra comendo poeira.

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Arctic Monkeys em 2005…

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… em em 2015.

>> Corta para a Popload.

Por achar essa chamada um pouco exagerada demais, fui buscar em nossos arquivos o primeiro texto meu sobre a banda, e destaco aqui o segundo, uma semana e meia depois do lançamento. Em 4 de novembro de 2005, o foco do texto, ainda no jornal “Folha de São Paulo” e em forma de coluna, era exatamente o mesmo: a bagunça virtual criada pelo Arctic Monkeys e onde isso iria parar.

Onde parou a gente meio que sabe, mas, na época, até MP3 eu tive que explicar o que era (lembrando que se tratava de uma coluna em jornal físico, desses de papel, lembram?). O texto começava assim:

“Toda semana tem um assunto novo sobre a revolução musical na era digital. Aí, na semana seguinte, o tal assunto novo fica velho porque um outro mais novo apareceu. Embarca aí, que eu vou contar a última, porque, até meu e-mail aparecer lá embaixo, já deve ser notícia com validade vencida. “MP3? Eu amo MP3! É com ele que eu posso encher meu iPod de músicas legais”, é o que acha o baterista do Arctic Monkeys, a banda-sensação da Inglaterra. MP3 é a música comprimida em arquivo, inventada por cientistas alemães em 1997. O Arctic Monkeys é grupo de quatro moleques amigos de escola de Sheffield, Inglaterra, que vem provocando programas de rádio e artigos de jornais na Europa, por causa desse negócio de MP3, internet e essas coisas que devem dar um nó na cabeça dos caras do Metallica, que mandaram prender o inventor do Napster sem saber que estavam dando um tiro no pé.”

“Esse negócio de MP3”, somado ao sucesso absurdo da banda dentro do MySpace (eu também explicava o que era isso na matéria – “um Orkut para quem gosta de música”), aos amigos que espalhavam os CDs da banda pela cidade e dentro de ônibus, subiam os arquivos nos blogs e fóruns de discussão… tudo isso fez quem com Alex Turner, da noite para o dia, assinasse com a gravadora indie Domino (que havia recém-lançado Franz Ferdinand). Ainda segundo o “Guardian”, logo no primeiro show dos AM no Reading Festival, todos os fãs sabiam cantar as músicas da banda. “E ninguém precisou fazer absolutamente nada”, lembra McNicholas.

O primeiro disco, Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, lançado em 2006, bateu o recorde de vendas de um disco de estreia na Grã-Bretanha, perdendo o posto depois para Leona Lewis em 2007 e Susan Boyle em 2009.

Em meu texto, eu mencionava algo parecido (nas devidas proporções, obviamente) que acontecia por aqui:

“Enquanto isso, no Brasil, uma gravadora virtual, a Peligro, importa o tal single-bomba do Arctic Monkeys e passa a vender HOJE por aqui, a preço camarada estimado de R$ 12. Isso no mesmo período em que o Cansei de Ser Sexy, banda que se fez na internet, lança seu primeiro disco dando de bônus um CD virgem, para ser “queimado” com suas músicas e distribuído a amigos.”

Na verdade, 2005 não parecia tão longe assim e foram tantos os exemplos de “sucesso na web” depois disso (Lilly Allen seguiu a mesma receita, Mallu Magalhães também) que esquecemos quem liderou a onda. Mas foi o Arctic Monkeys, que, usando as palavras do Guardian, “provou na prática que oferecer música de graça não era suicídio”, muito pelo contrário.

Irônico pensar que exatamente dez anos depois (e mais de 60 depois de sua primeira edição), a NME também passou a ser de graça. Em 2005, eu concluía:

“Coisas que dá para saber: em 2004, cerca de 6 milhões de músicas “sofreram” download no mundo. Em 2005, até setembro, o número chegava a 7 milhões.
Coisas que não dá para saber: onde isso vai parar e quais serão as dimensões do impacto desta revolução musical, que ainda está em pleno curso.”

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“Parece que o jogo virou, não é mesmo?

Continuo sem saber onde isso vai parar, mas eis onde estamos e onde eu também nunca imaginei estar: * aquele papel da NME (e incluo o da Popload aqui também) de descobrir banda novas e de bombá-las é agora de apps de música e de serviços como –quem diria– uma RÁDIO online como a Beats 1, da Apple. * O Spotify e outros serviços de streaming possibilitam que você ouça qualquer álbum a qualquer hora, de graça. * Nem resenhas, nem o crítico parecem importar mais: ninguém precisa disso para saber o que ouvir, de onde uma banda vem, quem é a próxima grande salvação da semana. * E agora ainda tem Facebook, Twitter, Snapchat, Instagram, Vimeo, Periscope… e inúmeras redes sociais que eu nem cheguei a conhecer e que espalham conteúdo organicamente ou não, musical ou não, mas que conseguem atingir milhões de pessoas simultaneamente. * Pensei nisso na quinta-feira passada. Estava no Audio Club vendo a passagem de som do Iggy Pop. O empresário dele, serião e de olho na galera, não permitia fotos e muito menos vídeos. Abordava todo mundo, um a um, pedindo que a equipe presente desligasse os celulares. Nem cinco minutos depois da passagem de som acabar, eu recebo no meu Whatsapp um vídeo da passagem de som que eu acabava de ver, vindo de um amigo de Minas Gerais. Dez anos depois, eu ainda me espanto com esse tipo de coisa. E não vejo a hora de voltar a este texto em 2025, juro.

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