Em idles:

Idles leva a doce Sharon Van Etten para um rolê testosterônico. Ouça a cover de “Peace Signs”

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* Chega a comover o choque de gênero que é a cover de “Peace Signs”, música da cantora indie-folk americana de letras confessionais e sensíveis Sharon van Etten, feita pela explosiva banda punk inglesa Indles. Todos os envolvidos, prediletos da casa.

Van Etten vai relançar seu segundo álbum, o incrível “Epic”, em uma versão comemorativa de seus 10 anos. O disco saiu em setembro de 2010.

A cover da banda de Bristol vai ser uma das atrações do álbum da cantora americana, que vai ser duplo e terá também versões de gente absurda como Fiona Apple e Courtney Barnett. Até a Big Red Machine, o projeto de Aaron Dessner (The National) e Justin Vernon (Bon Iver) vai contribuir.

O “Epic Ten” vai sair digital em 15 de abril e ganhará vinil em junho. Nos dias 16 e 17 de abril Sharon Van Etten organizará um evento especial em streaming, em que passará um documentário sobre o disco “Epic” e fará performances ao vivo da música do precioso álbum.

Aqui, sua doce voz sendo substituída pelos gritos da caverna do vocalista do Idles, Joe Talbot. Fora o jorro de guitarras que a cover despeja sobre o folk de Sharon.

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TOP 10 Gringo: que ranking é este? Arlo Parks, FKA Twigs, Madlib, Tune-Yards, Idles e ela: Sophie. 2021 agora começou

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* Uma semana de alegrias e tristezas no mundo musical. É um prazer ver a Arlo Parks brilhar em sua estreia e uma dor saber que não teremos mais o brilhantismo da SOPHIE por aí. Nessa enxurrada de emoções, muitas boas músicas foram lançadas. Um dos TOP 10 mais simples de se pensar desde que começamos nossa missão semanal de toda terça-feira trazer aquela playlist do que anda rolando lá fora para facilitar sua vida. O mais complicado foi conferir certa ordem a tantas canções boas.

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1 – Arlo Parks – “Hurt”
Complicado mesmo foi decidir qual a nossa melhor música do reluzente álbum de estreia de inglesa Arlo Parks. “Collapse in Sunbeams” é maravilhoso e fez valer o hype. Sim, acredite nele. Uma vez com essa dúvida, vamos destacar “Hurt”. Bela na composição, no toque, nos timbres – que som de bateria é esse? – e na letra. Não dá para saber exatamente o que aflige o personagem da canção – Depressão? Vício? -, mas Arlo avisa: essa dor não dura para sempre.
2 – Madlib – “One For Quartabê/Right Now”
Arquiteto. Mago. Mestre. Produtor, DJ, rapper, Madlib é dos grandes. Seu novo álbum “Sound Ancestors” respeita essa história. É um disco de beatmaker com começo, meio e fim. A ideia veio do produtor Four Tet, que sugeriu a Madlib um disco onde seus beats fossem o centro de tudo, sem participações especiais. A voz do álbum é a voz que Madlib consegue colocar em suas construções sofisticadas. Nessa bela festa, um som é dedicado ao Quartabê, conjunto brasileiro formado por Maria Beraldo, Joana Queiroz, Chicão e Mariá Portugal. E nesta que vamos!
3 – FKA Twigs – “Don’t Judge Me”
“Don’t Judge Me” tem tudo o que a FKA Twigs pode oferecer de bom: sua voz angelical absurda, hip hop, trip hop, participações importantes, como a do rapper Headie One e o produtor Fred Again, conexões da mais moderna música black e tudo mais. Estamos superansiosos pelo seu novo álbum. Twigs andou falando que seu terceiro disco vem aí com o maior número de colaborações que ela já teve.
4 – Tune-Yards – “Hold Yourself”
Vem aí disco novo da californiana Tune Yards, a parceria musical do casal Merrill Garbus e Nate Brenner. Além do som bom e vibrante deste single, vale dar um destaque à letra que toca no ponto da dificuldade de todos em superar suas questões a partir de uma reflexão que muitos não se dão conta: “Seus pais também são filhos”.
5 – Idles – “Carcinogenic”
Falar da classe trabalhadora, defender os direitos básicos, criticar a desigualdade social. “Carcinogenic” é um dos protestos mais diretos do Idles, aquele papo reto que não deixa dúvidas. No vídeo desse som, a militância da banda vai as ruas para defender as casas independentes de show, que tanto sofreram com a pandemia, são responsáveis pela existência do Idles e que precisam sobreviver a esta complicada crise.
6 – Weezer – “Screens”
“OK Human” é o álbum de piano e cordas do Weezer. Embora a proposta soe rebuscada, as canções ainda carregam a essência de sempre da banda para o bem e para o mal. Felizmente o saldo aqui parece mais positivo em um punhado de canções. “Screens” capta a obsessão de todos por telas e as implicações sofridas deste mal do século. Musicalmente lembra a clássica “Hash Pipe”. Repara.
7 – Jade Bird – “Headstar”
Enquanto prepara o sucessor de seu primeiro álbum, lançado em 2019, a inglesa Jade Bird resolveu sacudir um pouco as coisas com uma música direta ao ponto sobre relacionamentos e aquela falta de comunicação que impede que eles simplesmente comecem. Uma música leve com aquele refrão para berrar junto, sabe?
8 – Bartees Strange – “Boomer”
Bartees Strange é um músico inglês que cresceu no Oklahoma mas é radicado em Washington DC. A mistura geográfica é também musical. Seu som reúne elementos do rap e do indie rock com toques emo e um perfume de jazz de um jeito que nunca vimos antes. Sério. Ouça o primeiro álbum do garoto, “Live Forever”.
9 – Goat Girl – “Badibaba”
“Badibaba” é a música indie mais torta deste ano. Parece uma coisa, mas termina outra. Urgente você dar uma olhada no que esse quarteto de garotas inglesas andam aprontando em seu segundo álbum.
10 – SOPHIE – “Immaterial”
A perda de SOPHIE foi um baque. Ela tinha apenas 34 anos. Por isso a gente relembra aqui, como homenagem, um de seus grandes sons, a penúltima faixa de seu único álbum, “Oil of Every Pearl’s Un-Insides”. Esta faixa é uma pequena mostra de sua capacidade de aglutinar, em uma música experimental, uma enxurrada de elementos pop. Uma mistura para embaralhar a cabeça e trazer questões. Como é possível que tantas melodias reconhecíveis de outros lugares soem tão originais ao mesmo tempo? É uma pergunta que cabe dentro da canção de SOPHIE, mas que pensando bem também faz sentindo no universo das canções pop. Trabalho genial.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora inglesa Arlo Parks.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, mas sempre deixa todas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Idles faz vídeo em cinco clubes diferentes para chamar a atenção para a importância das casas de shows

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* Falar da classe trabalhadora, defender os direitos básicos, criticar a desigualdade social. Não é mais uma militância qualquer, é uma letra de post-punk, é o incrível Idles falando bonito em “Carcinogenic”.

2020 não foi um ano fácil para ninguém, especialmente para o setor do entretenimento, que se viu limitadíssimo na hora de tentar se readequar à nova realidade, e muito pior ainda em países que enfrentaram (alguns ainda enfrentam) o temido lockdown. E para ajudar a enfrentar a crise, várias bandas tem chamado a atenção para esta questão, eis o caso do Idles.

No vídeo-manifesto da ótima música de seu mais recente álbum, “Ultra Mono”, lançado em setembro, a banda toca em cinco clubes diferentes de Bristol, cidade natal dos caras. No caso cada um em um clube (afinal, distanciamento social, né?) que foi importante para eles.

E sobre isso, a respeito da situação dos clubes independentes, eles também querem falar em uma live do Instagram deles que acontece amanhã, sábado, às 16h de Brasília, 7pm na Inglaterra. Vai rolar um AMA (“Me pergunte o que quiser”, de “ask me anything”), para contar a importância desses clubes independentes e como eles foram cruciais para que a banda chegasse onde está.

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Tom Morello, Idles, Flea, Warpaint e… Dado Villa-Lobos. Todos juntos no disco-tributo à lendária Gang of Four

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* Estava quase botando o selo da CENA aqui, mas deixa.

No dia 14 de maio será lançada uma coletânea de vinil duplo em tributo à grande Gang of Four, importante banda inglesa do punk e principalmente pós-punk inglês dos anos 70 que botou a galera de moicano, botas Doc Martens e roupas rasgadas a dançar funk e dub.

O disco era para ter saído no ano passado, como parte das comemorações dos 40 anos do gigantesco álbum “Entertainment!”, o disco de estreia do Gang of Four lançado no final de 1979. Mas o grande guitarrista Andy Gill morreu em fevereiro, cedo demais (64 anos), e engavetou o projeto, que vem à luz agora com o nome “The Problem of Leisure: A Celebration of Andy Gill and Gang of Four”. As homenagens agora são duas.

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Um grande número de artistas conhecidos participarão da compilação, obviamente tocando, cada um a seu modo, as marcantes músicas do Gang of Four. Tom Morello, Serj Tankian (System of a Down), Flea e Frusciante (Chili Peppers), os grupos Idles, Warpaint e Dandy Warhols, a eterna musa La Roux e o veterano Gary Numan estão na coletânea.

Tem um músico também que conhecemos bem por aqui. O guitarrista Dado Villa-Lobos, ex-Legião Urbana, comparecerá em um dos discos para tocar uma cover de “Return the Gift”, do disco “Entertainment!”.

O envolvimento de Dado Villa-Lobos num tributo à banda inglesa dos anos 70 é muito menos bizarro do que parece ser. Em 2012, Andy Gill veio ao Brasil especialmente para participar do “MTV ao Vivo – Tributo à Legião Urbana”, tocando duas músicas, uma da Legião Urbana e outra de sua banda, influência descarada do famoso grupo brasileiro, a ponto de sempre apontarem as referências sonoras da Legião Urbana muito… digamos… escancaradas demais.

O guitarrista brasileiro já disse em entrevista que os barulhinhos que produziu em “Ainda É Cedo”, da Legião, bebe bastante no jeito de tocar de Andy Gill, mais que em The Edge, do U2, outro nome muito lembrado nas influências do começo da banda de Brasília.

O rock brasileiro dos anos 80 amava Gang of Four. O grupo paulistano Titãs, por exemplo, copiou “como homenagem” um trecho do refrão da letra do hino “Damaged Goods” (Your kiss so sweet/ Your sweat so sour/ Sometimes I’m thinking that I love you/ But I know it’s only lust), dos ingleses, em “Corações e Mentes” (O teu beijo é tão doce/ O teu suor é tão salgado/ Às vezes acho que te amo/ Às vezes acho que é só sexo).

A compilação “The Problem of Leisure: A Celebration of Andy Gill and Gang of Four” vai ser construída assim:

disco 1

IDLES – Damaged Goods (UK)
Tom Morello & Serj Tankian – Natural’s Not in It (USA)
Helmet – In the Ditch (USA)
3D* x Gang of Four feat. Nova Twins – Where the Nightingale Sings (UK)
Hotei – To Hell With Poverty (Japan)
Gary Numan – Love Like Anthrax (UK)
Gail Ann Dorsey – We Live as We Dream, Alone (USA)
Herbert Grönemeyer feat. Alex Silva – I Love a Man in a Uniform (Germany)
LoneLady – Not Great Men (UK)
JJ Sterry – 5.45 (UK)

disco 2
La Roux – Damaged Goods (UK)
Everything Everything – Natural’s Not in It (UK)
Dado Villa-Lobos – Return the Gift (Brazil)
The Dandy Warhols – What We All Want (USA)
Warpaint – Paralysed (USA)
Flea & John Frusciante – Not Great Men (USA)
The Sounds – I Love a Man in a Uniform (Sweden)
Hardcore Raver in Tears – Last Mile** (China)
Killing Joke x Gang of Four – Forever Starts Now (Killing Joke Dub) (UK)
Sekar Melati – Not Great Men (live version) (Japan)

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E tem o vídeo da faixa que junta Tom Morello e Serj Tankian, que postamos aqui lá atrás.

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Idles solta vídeo novo perturbador para a melhor música do “Ultra Mono”. Consegue ver inteiro? Reconhece a mensagem?

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* Bom, pelo menos eu vi pulando as partes. Mas saquei a mensagem.

O grupo inglês post-punk Idles soltou mais um single-vídeo para seu grande terceiro álbum, “Ultra Mono”, lançado em setembro de 2020. Quem ganhou visual desta vez foi a poderosa “Reigns”, música em que a guitarra parece uma metralhadora.

Vídeozinho fofo-macabro-fofo-macabro, intercala momentos de lazer da família classe média vendo TV e comendo pipoca com lances horríves do mundo animal, em que animais trucidam outros.

Tudo certo, acha! Passa no Discovery e no Animal Planet. Mas o recado está dado.

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O Idles também reforçou seu merch lançando uma camiseta nova, com o nome da banda em cima de uma foto linda da princesa Diana, tão em voga ultimamente. Embaixo da imagem: “The Queen Is Dead”.

O Idles começou 2020 bem afiado.

Captura de Tela 2021-01-12 às 1.07.51 PM

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