Em idles:

Noel Gallagher, IDLES, Biffy Clyro… Um pouco do que rolou no Isle Of Wight Festival neste final de semana

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Foto: Dyan Roberts

Foto: Dyan Roberts

Neste final de semana, rolou na Inglaterra o tradicional Isle Of Wight Festival, evento que fez grande sucesso no fim dos anos 60, retornou em 2002 e acontece anualmente desde então nos arredores de Newport.

Mesclando música nova e especialmente música velha, o festival reuniu nomes consagrados da música britânica “recente”, como Noel Gallagher e Richard Ashcroft, nomes “novos” como Miles Kane e Biffy Clyro e muito novos como o Idles, berrando “I fucking love you” para um público majoritariamente acima dos 30 anos. Haha.

Abaixo, alguns vídeos disponibilizados pela própria organização do IOW, entre eles o James (lembra?), a Lilly Allen e até o Rick Astley.

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IDLES invade a América com duas armas potentes: shows esgotados com o Fontaines D.C. e música nova

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Uma das maiores e melhores bandas pequenas do mundo, junto com o Fontaines D.C., o IDLES se prepara para uma extensa turnê pelos Estados Unidos a partir de amanhã. Todos os 15 shows do rolê estão esgotados. E as duas bandas estarão juntas.

Para comemorar essa invasão à terra do Trump, o grupo punk de Bristol soltou hoje a faixa “Mercedes Marxist”, até então inédita. Ela foi extraída das sessions do discaço “Joy as an Act of Resistance”, lançado ano passado.

Depois desta tour nos EUA, que começa nesta quarta em Albany e termina dia 28 de maio em Seattle, o IDLES fará um circuito de festivais pela Europa, incluindo o All Points East, Isle of Wight e Glastonbury, na Inglaterra, e ainda os franceses Main Square Festival, Eurockéennes e o Lowlands (Holanda).

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2019 é o ano do grupo punk inglês Idles. E o que isso tem a ver com a crise da imigração e o Brexit

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* Toda rádio inglesa (decente) que eu tenho ouvido e em todo lugar de escritas indie britânicas (decentes) que eu leio, tem o quinteto Idles envolvido em programações e temas gerais. Mais precisamente desde que os caras lançaram no ano passado seu segundo álbum, de nome lindo, o “Joy as an Act of Resistance”. Mais precisamente ainda, desde que a porrada maravilhosa “Danny Nedelko”, um dos singles do novo disco, foi mais bem assimilado e “pegou”.

Sou fã do primeiro disco deles, de 2017, e sempre achei o Idles primo-irmão dessa onda bacana de punk novo que sacode um lado sujo do indie inglês desde que o indelével Slaves perguntou em música o que estava acontecendo com Londres, que andava meio morta de homens e ideias.

E há tempos estou para postar o novo disco do Idles, mas nunca havia conseguido parar para a devida compreensão do que representa hoje, para a cena jovem inglesa, a banda do ótimo Joe Talbot. Daí os caras foram indicados para o Brit Awards 2019, que acontece em menos de um mês, agora em fevereiro. E, neste último final de semana, ouvi em três rádios indie americanas diferentes (vou poupar você do parênteses “decentes” nessa). Tive que tomar vergonha na cara.

A coisa é mesmo séria porque, primeiro, Idles é muito fora da curva. Do vocalista aos guitarristas ao baterista ao baixista. Da postura ao vivo aos vídeos absurdamente caprichados que fazem. Das letras de amor e desamor (tudo normal até aqui) até os tratos políticos que mexem com a Inglaterra (no particular) e a Europa: refugiados e Brexit.

Johnny Rotten xingava a rainha lá atrás. Joe Talbot hoje bota o dedo na ferida no caso dos imigrantes refugiados que botou a Europa em crise nesta década.

É o caso da canção “Danny Nedelko”, um dos singles de “Resistance” lançado no meio do ano passado e que já bomba (palavra exata) para além da Inglaterra. Sonoramente, parece uma música que poderia ser colocada, em tempo e espaço, junto aos hits quebra-tudo de Sex Pistols, Clash e Buzzcocks, lá em 77/78. A música, energética até a medula, virou o cartão-de-visitas do Idles. Fala do amigo imigrante deles, o Danny Nedelko do título, carinha ucraniano ele mesmo vocalista de uma bandinha punk da mesma cena que o Idles. “Danny Nedelko”, numa esfera mais profunda que apenas uma musiquinha punk inglesa, está virando o posicionamento jovem britânico na questão imigratória, que passa pela polêmica da saída ou não do Reino Unido da zona do Euro. Enfim, treta forte.

Detalhe. Danny ele-mesmo é estrela do vídeo oficial da música, lançado no ano passado. E a música ainda cita Freddy Mercury, do Queen, um caso de imigrante (nasceu em Zanzibar, um arquipélago no leste africano).

“My blood brother is an immigrant
A beautiful immigrant

My blood brother’s Freddie Mercury
A Nigerian mother of three

He’s made of bones, he’s made of blood
He’s made of flesh, he’s made of love
He’s made of you, he’s made of me
Unity

Fear leads to panic, panic leads to pain
Pain leads to anger, anger leads to hate
Yeah, yeah, yeah, yeah, ah, ah, ah, ah
Yeah, yeah, yeah, yeah, ah, ah, ah, ah
Danny Nedelko”

Abaixo, dois momentos recentes de “Danny Nedelko”. Primeiro em performance ao vivo do Idles, agora em dezembro, no famoso Le Bataclan, em Paris, palco de atentado macabro em 2015. A outra é uma session daquelas para a incrível rádio KEXP, de Seattle, feita em outubro mas publicada na internet no finalzinho de novembro.

Melhor parte da música para cantar junto:

“The D, the A, the N, the N, the Y
The N, the E, the D, the E, the L
The K, the O, the C, the O, the M
The M, the U, the N, the I, the T
The Y, the S, the O, the F, the U
The C, the K, the Y, the O and the U
And you, and you, and you”

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