Em ilustrada:

Lembra quando…: a POPLOAD entrevistou a Mallu Magalhães pela primeira vez? Em 2008?

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Como é legal revirar os nosso arquivos e encontrar este tipo de pérola! Como você já sabe, às quintas-feiras, a Popload se aproveita do #tbt, aquela popular hashtag do Instagram, para fuçar pautas antigas, matérias que se perderam na nossa versão impressa ou em outras casas (literalmente), etc. Nessas, já recuperamos um bate-papo não muito convencional com o Morrissey, em 2012, uma entrevista com a musa Debbie Harry, antes mesmo do anúncio do Blondie no Popload Festival, a primeira entrevista dos Strokes para o Brasil e até aquele dia em que o Liam Gallagher decidiu pegar no meu pé. Memories…

O flashback de hoje também é muito especial porque traz uma outra atração do Popload Festival, em sua primeira capa de jornal da vida. Talvez a sua primeira entrevista da vida. Mallu Magalhães, aos 15 anos de idade e zero músicas lançadas, ainda na fase “Tchubaruba”, entre uma cover de Bob Dylan e um show do Vanguart. Mallu começava a despontar na cena indie-do-indie paulistano, mas no MySpace, ela já era um “hit”. Ao lado dela, também estrelavam a matéria outras promessas da época, como Stephanie Toth e Pop Armada.

O perfil dessa pequena cena indie-teen foi publicado na edição do dia 30 de janeiro de 2008 na na Ilustrada, caderno cultural do jornal Folha de São Paulo.

Mallu Magalhaes tbt

Escola de rock

Cantoras como Stephanie Toth, 16, e Mallu Magalhães, 15, movimentam a cena indie teen do país, fazendo músicas e shows mesmo sem ter idade para ir a festas

LÚCIO RIBEIRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A histórica frase roqueira “The Kids Are Alright” (as crianças estão bem), do The Who, nunca fez tanto sentido na música independente brasileira. Um bando de adolescentes de São Paulo, muitos sem idade para ir a shows e festas nem muito tempo para compor e tocar fora do período de aulas, está balançando o indie rock. A maioria deles, à custa de algumas músicas no MySpace e nenhum plano próximo de lançar um disco tradicional.

A cantora paulistana Stephanie Toth tem 16 anos e aprendeu a tocar aos… 15. Ganhou um violão no Natal de 2006, mas não quis ter aulas para aprender o instrumento. “Aprendi lendo partitura na internet. Em escola eles iam ensinar músicas que não me interessam”, diz. Menos de um ano depois, estava na finalíssima de concurso de bandas novas da Cultura Inglesa, tocando música própria (em inglês) e uma cover do difícil compositor americano Elliott Smith, morto há mais de quatro anos, quando Stephanie tinha entre 11 e 12. Onde conheceu Elliott Smith? “Não sei por que, mas gosto de caras de Omaha [cidade de Nebraska, EUA, de onde vem o Bright Eyes, outro herói indie da garota]. Não lembro onde ouvi Elliott Smith pela primeira vez. Deve ter sido na Last FM [rádio da internet] ou em algum blog”, diz ela. Stephanie já estuda convites para tocar na noite paulistana, mesmo só tendo feito duas apresentações diante de um público na vida -ambas no festival da Cultura Inglesa.

Parceria on-line

Stephanie tem um fiel parceiro musical, Pedro F., garoto de Belo Horizonte que toca guitarra e faz backing vocal em duas músicas dela. Stephanie nunca viu Pedro pessoalmente. São amigos da internet: ela manda músicas para ele; ele devolve com a guitarra base; ela envia de volta com alterações; ele bota a segunda voz. E está pronta. Tudo sem que nenhum dos dois saia de seu quarto, cada qual em sua cidade. As (quatro) músicas de Stephanie chamaram a atenção de Eduardo Ramos, produtor da cena independente e ex-empresário do Cansei de Ser Sexy. Ramos levou Stephanie a um estúdio, mas sem pretensões de cooptá-la para seu selo, o Slag Records. “Ofereci o estúdio para possibilitar uma qualidade melhor de gravação para suas músicas. Mas as canções são dela, não sei se quer lançar em disco. Nem se é o caminho a seguir. Acho que ela tem que colocar as músicas no MySpace e ver o que rola”, defende Ramos.

Também de São Paulo e também cantora, Mallu Magalhães é ainda mais nova que Stephanie. Acabou de fazer 15 anos. E, em vez de festa de debutante, pediu seu presente em dinheiro -para pagar um estúdio e gravar músicas para seu MySpace. Com o dinheiro, gravou quatro. Suas músicas são em inglês perfeito e em português. Faz interpretações ainda de bandas como Belle & Sebastian e Fratellis, além de interpretar uma cover nada convencional do músico Johnny Cash. No último final de semana, ela soube que uma de suas músicas tocou numa rádio comercial de São Paulo. Foi “Tchubaruba”, uma espécie de mini-hit que já a levou a ser destaque em não poucos blogs e sites.

Mallu está escalada para participar de um programa da MTV, no próximo dia 6. No dia seguinte, se apresenta em lugar de “gente grande” em São Paulo, o clube Milo. Mais cedo que o normal, às 23h. É que as aulas dela já vão ter começado. Na agenda de Mallu, que em dezembro já tocou no Clash (!) abrindo para o Vanguart (!!), constam ainda shows no Studio SP, nos dias 15 e 22, no horário “mirim” das 22h30. O grupo indie Vanguart, novo por si só, é farol da novíssima geração.

“Juventude pensante”

“Todas as gerações têm sua juventude pensante”, diz o músico e DJ Kid Vinil, pesquisador de bandas novas desde a época do… vinil. “Fico impressionado por já termos uma geração pós-Vanguart e por uma menina como a Mallu buscar referências em um músico tão distante dela quanto o Johnny Cash.” A reinvenção do indie rock também passa pelas mãos de “veteranos”. Raul, 17, Cris, 18, e Gui, 19, formam o Pop Armada, trio punk pop feito há um ano, desde que seus integrantes desencanaram de tocar hardcore. Seus 15 nanossegundos de fama vieram rápido. No fim de 2007, enviaram um MP3 para o site da Motorola e foram escolhidos para tocar no festival Motomix, abrindo para a banda americana Eagles of Death Metal. Como parte do prêmio, a música, “The Apple Anthem”, ainda ganhou remixagem em Nova York. Se vão lançar um CD com a música? “Talvez. Vamos botar no MySpace primeiro”, diz Gui.

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Se vocês me permitem esticar este #tbt um pouco mais, nestes links dá para ver a Mallu em ação em sua primeira session para uma ‘rádio’. ~No caso~, a da própria Popload, que na época, também há dez anos, era um programa semanal chamado POPLOADED que eu apresentava ao lado do reverendo Fabio Massari. Mallu mandou, em vídeo, as já citadas homenagens ao Bob Dylan (“Folsom Prison Blues”) e ao Vanguart. Clica aí!
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Ilustrada, da Folha de SP, cita Stones em todos os seus títulos de capa. Há uma semana. Até em texto sobre teatro

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* Quando na terça-feira da semana passada, dia 16, saiu uma reportagem sobre o encontro do cineasta Tim Burton com seu ídolo declarado, o brasileiro Zé do Caixão, a Ilustrada botava em sua capa o título “Simpatia pelo Demônio”, uma chamada das mais apropriadas. Nascia assim, no caderno de cultura da Folha de S.Paulo, uma sequência de uma semana homenageando com os títulos da seção a vinda da lendária banda The Rolling Stones ao país, para shows da turnê Olé.

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“Sympathy for the Devil” no original de Jagger e Richards foi sucedida no dia seguinte, quarta, 17, por “Emotional Rescue”. O título “Resgate Emocional”, na Ilustrada, servia para ancorar com letras garrafais a capa do dia, sobre a ideia de a família do famoso cineasta Luis Sergio Person, morto há 40 anos, realizar uma mostra com seus filmes.

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A brincadeira esperta continuou. Na quinta, 18, outro clássico da banda inglesa emprestou seu título para a capa da editoria de cultura da Folha: “Gimme Shelter” virou “Me Dê Abrigo”, sobre a estreia nos cinemas do filme “O Quarto de Jack”, que tem uma das favoritas ao Oscar de melhor atriz.

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Na sexta, 19, de uma polêmica de uma mostra internacional de teatro, cujo pivô era uma peça acusada de texto racista, veio o título de “Sem Expectativas”, traduzindo fielmente o título de música dos Stones do álbum “Beggars Banquet”, de 1968.

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Aí chegamos ao sábado, com reportagem sobre o lançamento no Brasil de livro de Marita Lorenz, ex-amante de Fidel e espiã da CIA, que na capa da Ilustrada apareceu com o título “Infiltrada”, que remete a “Undercover”, aqui um nome de álbum, dos anos 80, que carregava a musicaça “Undercover of the Night”, na época considerada uma música “diferente”, do grupo.

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Domingo estreava a nova temporada do seriado “Girls”, de Lena Dunham, e a Ilustrada tascou um “Algumas Garotas”, para brincar com o clássico “Some Girls”, música e álbum de 1978 da banda britânica. Na época, foi o disco mais vendido dos Stones nos EUA.

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Ontem, segunda 22, “Sal da Terra” foi o título de texto sobre Mostra na Pinacoteca, cujo sub-título explicava que o evento revelava como artistas forjaram a iconografia do continente americano, dos trópicos às geleiras. “Salt of Earth”, dos Stones, é outra música do álbum “Beggars Banquet”, de 1968, conhecida por ter seu primeiro verso cantado pelo guitarrista Keith Richards, não por Mick Jagger.

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Hoje a Ilustrada traz como título de capa o seguinte: “O Tempo Está do Meu lado”, citando outro clássico stoniano, “Time Is on My Side”, para falar de escritora carioca (Martha Batalha) rejeitada por editoras brasileiras, mas celebrada no exterior. Ela finalmente vai ter livro lançado no Brasil.

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Amanhã, o caderno culturete da Folha fecha as homenagens aos Rolling Stones com chave de ouro. É o dia do primeiro show da banda de Jagger na capital paulista. E o título será “É SÓ ROCK’N’ROLL (MAS EU GOSTO)”. Catapóf. Não precisa de explicações, né?

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