Em isabel lenza:

Top 50 da CENA – O rap e o metal comandam nosso ranking, puxadas pelas gêmeas Tasha e Tracie e pelo grupo Papangu. A Isabel Lenza completa o pódio oferecendo equilíbrio

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* Rap e rock juntos. Não é “Judgement Night”, disco clássico do filme clássico que reuniu nomes dos dois gêneros lá nos anos 90. São os nossos dois primeiros lugares desta semana – um recorte deste 2021 ainda muito loko que também traz outras boas novidades em clima mais MPB, clima pop e até cyberpunk. A CENA brasileira é ampla, geral e irrestrita. A gente não cansa de dizer isso por aqui. Assim como não cansamos de avisar que a nossa playlist é o jeito mais eficaz de se atualizar sobre a CENA. Já segue ela?

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1 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (Estreia)
Quem tá ligado no mundo da moda já conhece as gêmeas paulistanas Tasha e Tracie há um tempo. Elas ficaram famosas pelo blog “Expensive Shit”, onde ensinavam a se vestir bem sem gastar muita grana. No blog, elas também davam seu show de conhecimento com uma pesquisa sobre arte, cultura e som. Elas não rimavam quando apareceram pela primeira vez, mas eram do rap. Foi um toque do mestre Kl Jay que acertou esse detalhe. Ele as alertou que na cultura hip hop todos podem fazer a arte que quiserem. E elas resolverem investir nas rimas. E que belo investimento. Seu primeiro álbum, o recém-lançado “Diretoria”, é arrasador. E, no pique, são 22 minutos de ideia boa atrás de ideia boa. “Igual nós vocês quer viver/ Mas igual nós ‘cês não quer morrer”, “Nasci com a boca que elas compra”, “Pra ter o que você tem só precisa de um paicpague/ Pra fazer como eu faço; muita vivência de base”. São só alguns exemplos das boas linhas. A gente escolheu “Lui Lui” aqui no top, mas poderia qualquer um dos outros sons.

2 – Papangu – “Ave-Bala” (Estreia)
Muito interessante o som metaleiro e progressivo dessa banda de João Pessoa, Paraíba. A gente que nem é tão versada nesse ramo sabe pelo menos reconhecer algo muito bem-feito – e tem um rolê conceitual muito bem construído ali, com referências à literatura brasileira, ao imaginário nordestino e ainda carrega um papo político sobre relações sociais e com a natureza que corre por fora da narrativa mais explícita da banda. Preste atenção nesses caras.

3 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (Estreia)
No belo disco conceitual de Isabel Lenza sobre se descontruir e reconstruir após um relacionamento complicado, um dos momentos bonitos é a afirmação de saber que você é seu lugar, responsável por seus atos e por sua felicidade. Uma resolução que permite que a personagem volte a amar a si e outros na sequência. Uma boa lição, cantada dentro de uma atmosfera confiante e acolhedora, o que serve como mais uma arma de enfrentamento de situações delicadas. Boa, Lenza.

4 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (1)
Em “Macumba 2.0”, álbum recém-lançado, o músico piauiense Valciãn Calixto dá uma aula sobre as religiões de matriz africana buscando desmistificar conceitos errados criados com a intenção de desarticular e criminalizar sua prática. Neste som, Exu é comtemplado e explicado por Valciãn em um forró que mantém sua pesquisa sonora avançando sobre o indie e experimentações lo-fi. Se isso não é uma riqueza sonora brasileira por onde quer que se olhe, não sabemos mais o que é. Valciãn é o nosso Sufjan Stevens do Nordeste, fala que não.

5 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (Estreia)
Jade em seu primeiro single por uma gravadora grande mantém sua busca por um pop esperto. E chega mirando nos aproveitadores, que sugam sua confiança, seu trabalho e sua fama. Falam que amam, não amam nada.

6 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (2)
Não que a gente entenda tudo, mas é um barato a viagem experimental do carioca Cadu Tenório. Em “Are You Okay” temos uma porção de músicas longas que vão se construindo e desconstruindo em loops, ruídos, colagens. E, pensando melhor, será que tem algo mesmo para ser entendido? É sentir, talvez, o verbo mais apropriado.

7 – 1LUM3 – “Lovecrime” (3)
A voz da 1LUM3 segue sendo uma das mais bonitas da CENA e aqui ela capricha em boas letras e nas produças certeiras – é pop, mas não tem muito cara de pop, saca? “Lovecrime” é daquelas que nascem com cara de hit, um som sobre amores que já se despedaçaram e seguem nas nossas mentes.

8 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (4)
Aqui Letrux nos apresenta mais uma música que ela escreveu há muito tempo e nunca tinha gravado. Talvez essa seja uma de 2007 e 2008 e já revela um pouco do que ela faria mais para a frente. Dá uma sensação engraçada ver letras de uma Letrux que não existe mais sendo cantadas pela Letrux de hoje. Como isso chama não sabemos, mas tem uma sensação aí.

9 – Mariá Portugal – “Cheio/Vazio” (5)
E, por falar em música esquisitinha, que delícia essa experimentação da Mariá Portugal. A baterista/compositora que já tocou com vários grandes nomes da MPB, além de ser parte do sensacional Quartabê, faz uma música que chega a ser tradicional até seus dois minutos – dali em diante as formas e tempo parecem se dissolver e voltar e sumirem de novo. Difícil descrever. Este single fará parte de seu novo álbum, “Erosão”.

10 – Yannick Hara e VNDROID – “Incêndio Doloso” (Estreia)
Single feito de maneira urgente, essa dupla cyberpunk reflete sobre o recente incêndio que levou uma parte do acervo da nossa cinemateca. Música enquanto denúncia e registro das consequências da atual gestão do país.

11 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (6)
12 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (7)
13 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (8)
14 – GIO – “Sangue Negro” (9)
15 – Tuyo – “Turvo” (10)
16 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (11)
17 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (13)
18 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (14)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (17)
20 – Tagore – “Capricorniana” (18)
21 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (19)
22 – Criolo – “Fellini” (20)
23 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
24 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
25 – Nill – “Singular” (23)
26 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
27 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, os irmãs rappers Tasha e Tracie.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Isabel Lenza canta sua reinvenção em “Véspera”. Segundo álbum é lançado hoje

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* E já está por aí o novo álbum da cantora paulistana Isabel Lenza. Todo feito em Belo Horizonte ao lado do produtor Leonardo Marques, de longo currículo de serviços prestados à música independente mineira/brasileira (Transmissor, ex-Diesel, colaborador da banda Maglore), “Véspera” é “o que antecede com a força do que é. Como uma tarde ensolarada que nutri antes do espetáculo da noite de lua cheia”, nas palavras da própria Bel.

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Composto todo por ela, a não ser uma parceria sua com o guitarrista Régis Damasceno (Cidadão Instigado) em “Colados”, este seu segundo álbum é formado por canções que a cantora escreveu quase sempre guiada por sua voz e por seu violão de nylon.

Esse processo bem particular se estendeu na parceria com Marques. É a dupla que toca tudo ao longo das nove faixas do disco. “Léo, além de produzir, gravou, tocou, mixou e masterizou o disco”, conta. E isso porque a junção deles, inicialmente, era para um single, apenas. Mas acabou rendendo um álbum todo. E um disco, de certa maneira, conceitual.

“Com elas [as canções], broto com vitalidade neste novo momento solar, mirando mais no agora e no que está por vir, realizando que eu sou meu lugar de acolhimento e também de potência.”

O álbum começa com “Imenso Verão”, que vem com um papo sobre se reconstruir após um relacionamento que deve ter terminado mal – “O seu pior ainda paira aqui/ O pior do pior”, canta Isabel Lenza. A narrativa dessa personagem parece seguir em “Eu Sou Meu Lugar”, onde ela busca equilíbrio e paz em si mesmo. “Brisa fresca pela estrada/ Semblante tranquilo pra recomeçar”, canta, com direito a um belo banjo no arranjo.

Essa estrada de recuperação e reconhecimento chega ao auge em “Tudo o Que Você Não Vê”, uma música sobre a percepção da presença de uma força feminina que rege o universo. Recuperada, a personagem parece avançar pela alegria. Encontra otimismo em “O Melhor Só Pode Estar por Vir” e determinação em “Pra Hoje”, que fala de se cuidar para ser feliz

E essa alegria parece ajudar a cantora a encontrar uma nova paixão ou um caso daqueles que chegam a gerar ansiedade em “Colados”. Amor que volta a ser tema em “Livres Buscando Amor”, sobre um relacionamento tranquilo e saudável e quente e livre, saca? Bem distante daquele truncado relacionamento do começo do álbum. A jornada de liberdade parece completa. Da solidão para o encontro consigo mesma e agora para relacionamento mais feliz com outros.

No fim do álbum, após um longa jornada por si mesma, a realidade do mundo externo aparece em “Janeiro, 2020”. Ainda que pré-pandemia, Isabel Lenza nota um verão frio que não está muito correto – e hoje sabemos que não estaria mesmo, não é? A crise climática, pandemia, uma loucura toda enquanto ainda tentamos nos entender. Duas missões que correm juntas e estão cantada e muito bem em “Véspera”. Que acerto, Isabel.

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* As fotos de Isabel Lenza usadas neste post são de Gabriela Batista.

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TOP 50 da CENA – Pabllo brilha no topo (do mundo). Gêmeos do R&B segue a onda. Rapper Nill estreia no pódio

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* Na semana em que a Pabllo Vittar resolveu sacudir as estruturas sulistas do pop brasileiro e começou a mostrar ao pop mundial o valor do som do Norte do Brasil, nem precisamos matutar muito para encontrar nosso primeiro lugar. Lógico que a CENA não facilitou. 2DE1 lançou talvez a melhor música que o duo (em um) já fez na carreira, Nill chegou com uma mixtape espetacular e a Ana Frango ainda divulga seu disco de 2019 na maior calma, na maior contundência. E isso tudo é só uma parte da nossa lista de melhores da semana. Pensa na playlist que vai dar.

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1 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (Estreia)
Ao optar em reler clássicos do tecnobrega e do forró que foram a trilha de sua adolescência em um contexto que respeita os gêneros e ainda absorve elementos da música pop atual, Pabllo enriquece sua já boa mistura e aproxima seu trabalho das experiências de hyperpop tocadas por artistas como Sophie e Charlie XCX. É uma inversão inteligente do senso comum que ronda o pop nacional. Em vez de deixar o pop mundial informar a música brasileira, aqui a música brasileira informa o pop do planeta. Não é um movimento simples, não. O Primavera Sound vai ver só.

2 – 2DE1 – “Emersão” (Estreia)
Emersão, segundo um dicionário online, é tanto o movimento de um corpo que sai de um fluido no qual estava mergulhado quanto a reaparição de um astro que eclipsara. Significativo que esse seja o som de uma retomada após um relativo silêncio. E, bom, basta reparar na letra para sacar que a intenção dos gêmeos Fernando e Felipe Soares passa por uma aceitação de si mesmo e de assumir uma luta para alterar os aspectos que estão danificando o universo ao redor.

3 – Nill – “Singular” (Estreia)
Participação da Ana Frango Elétrico, sample do Paramore. Que som que o Nill lançou aqui para abordar as questões e inseguranças de dentro da sua mente. E a faixa é tão curtinha que pede por uns três replays a cada “escutada”.

4 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (Estreia)
E, por falar na Ana, um elogio a ela aqui por soltar um vídeo para um som seu do “distante” 2019. Esse jeito de trabalhar um álbum em slow motion é um ajuda e tanto para nós, jornalista, sobrecarregados por tanta coisa a escutar. Mirem-se no exemplo.

5 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (Estreia)
Bom o passeio dos mascarados Mineiros da Lua neste segundo álbum, que consegue juntar psicodelia, rap, música eletrônica. Em “Armadilha”, por exemplo, tem uma estrutura interessante: estrofe + sessão instrumental + estrofe + sessão instrumental em que a música vai se quebrando. Refrão é para os fracos.

6 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (Estreia)
Uma música que homenageia Ava Rocha já mereceria todo destaque, mesmo que não fosse lá muito inspirada. Não é o caso aqui, lógico. Iara capricha em criativos versos para homenagear sua amiga. “Sua cara vira tela, mas a luz é dela” é uma bela tradução da força única da Ava.

7 – Bonifrate – “Cara de Pano” (Estreia)
Bonifrate segue explorando seus tecladinho. Aqui a jovem guarda manda um alô na faixa mais pop, entre os singles lançados até aqui, de “Corisco”, seu novo álbum, que chega logo mais.

8 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (Estreia)
No aquecimento do seu novo álbum, “Véspera”, a cantora paulistana lança seu melhor single. Uma linda reflexão sobre a força feminina que rege o universo, aquilo tudo que a gente não vê. Por que será? A letra é complementar à delicada música que vai envolvendo a gente ao longo da escuta com pequenos detalhes, pequenas informações, aquilo tudo que a gente não percebe até ouvir a música um monte de vezes. E então dá aquele sorriso, satisfeita.

9 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (1)
Olha o time. Composição de Romulo, Gui Held e Jards Macalé com letra de Nuno Ramos em homenagem a Jards – repare que alguns versos são apropriados de canções do Macau -, “Baby Infeliz” acabou rejeitada pelo próprio homenageado. Para que a canção não entrasse em um limbo, Romulo resolveu resgatá-la em seus dois novos álbuns de repertórios iguais e sonoridades bem diferentes – “Aquele Nenhum” (voz e violão) e “Ó Nois” (colagens). E não é que o Jards, quando escutou a música de novo, já na leitura do Romulo, perguntou por que ele, Romulo, não tinha oferecido a ele, Jards, gravar a canção? Perdeu um musicão, Jards. Mas achamos que o Romulo te empresta ela de novo, sim.

10 – Nelson D – “Algo Em Processo” (2)
Brasileiro de tribo indígena da Amazônia criado na Itália, Nelson D é a mais nova contratação de um dos nossos selos prediletos neste país, o Balaclava. E é de casa nova que ele dá sequência ao seu futurismo indígena já testado no disco do ano passado, “Em Sua Própria Terra”. A primeira canção dessa leva é um tratado sobre amizade. “Dedico essa musica a todas as pessoas que tiveram sorte de ter uma amizade importante nos momentos mais difíceis”, escreveu Nelson em suas redes. E nós tivemos sorte de ter uma música assim de tantos referenciais e sotaques na nossa CENA.

11 – Ella from the Sea – “Lonely” (3)
12 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (4)
13 – GIO – “Joias” (5)
14 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (6)
15 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (7)
16 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (8)
17 – Bonifrate – “Casiopeia” (9)
18 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (10)
19 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (11)
20 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (12)
21 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (13)
22 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (14)
23 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (15)
24 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (16)
25 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (17)
26 – Supervão – “Amiga Online” (18)
27 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (19)
28 – Jonathan Ferr – “Amor” (22)
29 – Jadsa – “Mergulho” (23)
30 – Mulungu – “A Boiar” (24)
31 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (26)
33 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (27)
34 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (28)
35 – Zé Manoel – “Como?” (29)
36 – Os Amantes – “Linda” (30)
37 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (31)
38 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (32)
39 – Salma e Mac – “Amiga” (33)
40 – Yung Buda – “Digimon” (34)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (37)
42 – FEBEM – “Crime” (38)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (39)
44 – Boogarins – “Supernova” (40)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (42)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (44)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é da cantora Pabllo Vittar.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Cena mineira amplia seus belos horizontes: hoje tem Coquetel Molotov MG; Mineiros da Lua e Teach Me Tiger lançam discos novos

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* Todos os caminhos da CENA brasileira, nos últimos dias, têm nos levado a Belo Horizonte, em particular à sempre interessante movimentação sonora mineira. Sendo nos lançamentos locais ou nos intercâmbios com cenas de outros lugares, seja com artistas ou eventos, dá para dizer sem medo de errar que a cena de BH anda mais forte que o time do Atlético-MG. A gente consegue provar.

1. Hoje e amanhã acontece a exibição na internet da edição mineira do festival pernambucano Coquetel Molotov, parceria cultural criativa de duas das cenas mais legais da CENA. Entende a salada cultural? Ela faz sentido. O Coquetel Molotov MG, em sua segunda empreitada por lá, tem parceria com a Quente, produtora de muitos agitos importantes de BH responsável pela produção e filmagem do festival. O evento vem em formato de série audiovisual e foi gravado no magnífico Inhotim, o famoso museuzão a céu aberto. Obviamente, joga a luz nesta cena mineira da qual estamos falando. Amanda Chang (foto da home), Bernardo Bauer, Best Duo, Marina Sena e Joca são algumas das atrações. Os episódios deste Coquetel Molotov mineiro serão mostrados, então, nesta terça e quarta, sempre às 19h, aqui embaixo. Ou, com todas as informações complementares, aqui.

2. Uma das atrações do Coquetel Molotov MG, acima, é o músico Bernardo Bauer, que momentaneamente largou o baixo da banda Moons para continuar sua carreira solo neste evento virtual. A caminho de seu segundo álbum sozinho, terceiro se contarmos o EP de 2017 (depois veio o disco cheio “Pássaro-Cão”, de 2019), Bernardo vai revelar no CM-MG as inéditas “Te Ver dormir” e “Te Ver andar”. Quer dizer, pelo menos a “Te Ver Dormir” dá para ver aqui embaixo. Mas, antes, ele fala para nós sobre a música nova: “Acho que ela fala por si própria. É bem literal. A Rosa, minha filha, nasceu no dia 23 de fevereiro de 2020. Quinze dias depois a gente entrou neste buraco em que ainda nos encontramos. Os primeiros meses da vida dela a gente passou no sítio, lembro de sentir muito medo – eu ainda não estava acostumado com essa vida de isolamento (é impressionante como a gente se acostuma com tudo né?). Lembro que ver aquela neném perfeita dormindo um soninho na roça me arrepiava, eram doses cavalares de esperança e eu vivi muitos dias ali, como se o mundo não estivesse se acabando. Aí um dia eu peguei o violão e escrevi essa música assim, de supetão, sem pensar muito, foram as primeiras palavras que vieram na cabeça. Como se fosse um retrato daquele momento.”

3. A espertíssima banda Mineiros da Lua acabou de lançar seu novo álbum, o segundo da jovem carreira dos jovens músicos de BH, chamado “Memórias do Mundo Real”. Pelo nome dá para sacar que o disco, uma coqueteleira de estilo a ver com a voracidade de informações da galera nova, que vai da psicodelia mineira ao rap e eletrônico, tem a ver com o aprisionamento imposto pela pandemia. Se tem um caso em que o isolamento social fez bem, foi no esmero sonoro dos Mineiros da Lua. O primeiro álbum foi “Queda”, de 2019, que rendeu altas expectativas para este segundo trabalho, que não nos decepciona tanto no som quanto em todos os conceitos empregados pelos quatro rapazes de BH: Diego Dutra (baixista), Elias Sadala e Haroldo Bontempo (nas guitarras) e Jovi Depiné (baterista). Principalmente o conceito visual deles, que usam máscaras tanto com uma alegoria de liberdade como em defesa de máscaras de proteção nestes tempos de covid-19.

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4. Assunto de vários posts anteriores aqui, a cantora paulistana Isabel Lenza foi a BH construir seu segundo álbum, “Véspera”, que sai em agosto. Foi total gravado no estúdio Ilha do Corvo, na capital mineira, sob a batuta do produtor Leonardo Marques, responsável por enfeitar as sonoridades de 80% da cena mineira. Fora que Leo Marques acabou contribuindo com seus vários talentos de músico nas canções da paulistana. O que era só para ser uma viagem de produção de um single, fez Lenza não deixar BH enquanto o disco inteiro não estivesse pronto.

5. Outra banda que acaba de lançar novo disco, seu segundo, é o electroindie Teach Me Tiger, grupo bem mineiro liderado pelo guitarrista Yannick Falassi (belga) e a vocalista e tecladista Chris Martins (paulistana). O álbum acaba de chegar às plataformas e pode ser ouvido aqui.

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Popnotas CENA – Tudo o que a Isabel Lenza vê e canta. Bonifrate solta o último single. Ana Frango Elétrico e o vídeo de cinema. E a session incrível do Carabobina

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– A cantora paulistana Isabel Lenza lançou o segundo single de seu segundo álbum. A música se chama “Tudo o Que Você Não Vê” e vai estar em “Véspera”, o disco cheio, que sai em agosto, mais precisamente no dia 19. Tal qual o primeiro single, o belo “Imenso Verão”, este novo tem Lenza nos vocais e tocando violão, acompanhada de Leonardo Marques no baixo e pilotando outras sonoridades. “Véspera” foi todo gravado, produzido, mixado e masterizado por Leonardo Marques no estúdio Ilha do Corvo, em Belo Horizonte. Outro acerto de seu disco novo, “Tudo o Que Você Não Vê”, segundo Isabel Lenza, é a força feminina que rege o universo. “Ela está ao redor, por dentro e entre. Atravessa as dimensões e os tempos. De toada envolvente, sussurra ao pé do ouvido todo o seu poder e alcance. A base musical do refrão nasceu em uma fogueira rodeada por mulheres, depois de um dia em que todas nós vivenciamos um plantio de ervas medicinais em sistema agroflorestal, que recupera o solo. Cura e pulso de vida foram, então, o berço da música”, explicou.

– Outro que voltou em franca produção é o conhecido músico carioca Bonifrate, um dos fundadores da mais que conhecida banda indie Supercordas, que parou suas atividades. Mas temos Bonifrate solando em singles, até que chegará seu próximo disco, “Corisco”, que será lançado agora em julho digitalmente e em vinil pelo selo americano OAR, lar dos representantes da CENA Boogarins, Carabobina e Wry. Depois de “Rei Lagarto” e “Casiopeia”, dois dos mais interessantes singles, Bonifrate revela agora outro, “Cara de Pano”, o último antes de o álbum novo chegar. Se este single novo com cara de jovem guarda é bom? Óbvio! Vem acompanhado por um vídeo lyric bilíngue em que Bonifrate atua com, adivinha, uma cara de pano.

* Ainda pelos lados cariocas, CENA atual absurda, temos o vídeo novo de Ana Frango Elétrico para “Promessas e Provisões”, ainda música de seu excelente primeiro disco, o algo internacional “Little Electric Chicken Heart”, lançado há quase dois anos. A música, que tem Tim Bernardes tocando órgão e fazendo um “uuuuuuuus” ao fundo, tem aquele cheiro gostoso de vanguarda paulistana anos 80, mania interessantíssima da esperta cena indie do Rio de hoje. O negócio deste vídeo de agora da música de 2019 é que ele tem direção artsy, montagem e fotografia de Paula Gaitán, artista plástica, fotógrafa e cineasta colombiana, viúva de Glauber Rocha e mãe da cantora Ava Rocha. Ana Frango não é fraca.

– Depois de lançar o ótimo disco de estreia homônimo em novembro do ano passado, finalmente o duo Carabobina (foto na home) dá literalmente as caras com uma apresentação ao vivo, ainda que online. A dupla, formada pelo casal Raphael Vaz e Alejandra Luciani, ele o Fefel do Boogarins, ela engenheira de som venezuelana, gravou um vídeo de meia hora de seu som deliciosamente torto, ora eletrônico, ora psicodélico, ora electropsicodélico, com Alejandra cantando muitas, Raphael cantando algumas, tudo gravado na Fauhaus, espaço de imersão artística de SP, proprio para bandas de barulhinhos bons como o Carabobina. A session ainda guarda uma música inédita no final. Sente a brisa.

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