Em isabel lenza:

Top 50 da CENA – GIO, muito prazer em “conhecer”, fatura o topo do Top. E o Brasil novo da Lupe de Lupe pega o segundo lugar, em semana movimentada e cheia de mudanças

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* Uma semana de artistas tão queridos por nós lançando coisas especiais é uma semana e tanto. Mais uma vez chegamos com o top 5 totalmente renovado e com essa característica peculiar: nada de novatos desta vez. Apenas uma turma mais experiente experimentando novos projetos, novos nomes ou mesmo mandando um álbum com o ~polêmico~ título de “Lula”…

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1 – GIO – “Nebulosa” (Estreia)

O baiano ex-Giovani Cidreira chega bem alto por aqui com a bonitaça e recém-lançada “Nebulosa”, canção sua com a conterrânea Jadsa no rolê. “Nebulosa” chega dentro de um projeto que Cidreira está iniciando, que envolve um novo álbum, uma websérie que acontece nesta quarta e até uma mudança de nome para GIO, já adotado por aqui e nome com o qual ele já assinava outros trabalhos. “Nebulosa”, que vai estar no álbum “Nebulosa Baby”, a sair em junho, ainda traz a marca da não convencionalidade sonora que marca o ex-Cidreira, mas com um ar moderno e em voga com um pop meio melancólico e para cima ao mesmo tempo. Esta semana é dele.

2 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (Estreia)

Esperta, achamos, a sacada dos mineiros da Lupe de Lupe de nomear seu novo álbum, uma reflexão sobre o Brasil, de “Lula”. Que personagem da nossa história consegue reunir nosso melhor e nossas contradições? Ao nomear cada música como uma cidade, neste disco que acaba de ser lançado, a banda percorre este país como o ex-presidente percorreu algumas vezes atrás não só de respostas, mas de questões. Por que no Brasil tem moleques tocando pensando som em uma formatação gringa que é a banda punk, guitarra, baixo e bateria? E quanto eles produzem um som que só poderia ser brasileiro? Isso para ficar em uma das muitas questões. Um disco irregular, mas muito bom quando é bom, que é para ser absorvido devagar. Até porque ele é um tanto longo para os padrões atuais, quase uma hora. Mas vale prestar atenção quando artistas tão atentos e cuidadosos preparam algo com essa ambição.

3 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (Estreia)
Em 2017, o trio se reuniu em torno de letras de Nuno Ramos, que por sua vez foi inspirado em uma obra de Camus para os “Sambas do Absurdo”. E agora Campos&Marçal&Amabis voltam com “Sambas do Absurdo II”, a partir deste single que tem letra de Rómulo Froes e indica que no álbum não teremos a ideia do primeiro disco com músicas com o mesmo título. Atenção para os próximos passos do trio e também pelo álbum solo da Juçara, que já está prometido para breve. Turma muito boa.

4 – Zé Manoel – “Como?” (Estreia)
Não é segredo o quanto amamos o som do Zé Manoel e em especial seu disco mais recente, “Do Meu Coração Nu”. Quando esse álbum ganha para sua edição em LP uma faixa extra, é bem lógico que provavelmente a gente passe a amar essa faixa tanto quanto todas do álbum. E foi o que rolou. Em “Como?”, Zé regrava uma composição do gaúcho Luís Vagner conhecida na voz do pernambucano Paulo Diniz. Belíssima versão. Nos ganhou facinho.

5 – Os Amantes – “Linda” (Estreia)
Promete esse grupo formado pelos paraenses Jaloo e a dupla da Strobo (Arthur Kunz e Léo Chermont). Com um lançamento pontual lá em 2019, eles estão de volta de olho no primeiro álbum. Já são dois singles, “Batismo” e “Linda”, a mais recente e dona de um balanço e potência que não estranhe se ela furar a bolha mais alternativa e alcançar novelas e demais programas de televisão. A gente fica na torcida para essa música ser grande, do tamanho dela.

6 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (1)
Em seu sexto diário de bordo, uma série de músicas onde Rashid opta por longos textos sem refrões para dar uma situada na sua vida pessoal e ao seu redor, de seu bairro a todo o seu país. A mira está, principalmente, na escalada de violência recente vista na atuação do governo na pandemia e em outras frentes. “Porque esse governo de morte foi o atalho pra bandeira ficar vermelha/ Do sangue do povo”, versa Rashid, que ainda conta aqui com o apoio do músico Chico César. São 5 minutos só de punchlines certeiras.

7 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (2)
Um música outonal com verão no título. Uma música que parece triste, mas não é, com uma letra que parece amargurada, mas não é. A cantora paulistana Isabel Lenza a considera “debochada”, para alguém que quer o perdão dela, mas não faz nada para merecê-lo. E é assim que começamos a conhecer “Véspera”, futuro segundo álbum de Lenza, quatro anos após a sua estreia.

8 – Rodrigo Amarante – “Maré” (3)
Em sua segunda aventura solo, o hermano mais atirado na carreira reaparece em “Maré”, com uma sonoridade ensolarada que lembra os verões iluminados de seu projeto Little Joy, um aspecto que ele deixou meio de canto em seu primeiro disco sozinho. No papo da música, reflexões “sobre como o desejo, nossos sonhos e pesadelos moldam nosso destino, a graça e o terror disso”. A maré que leva é a maré que traz, ele canta. Quem sabe se a gente não sonhar melhor, agir melhor, as coisas não mudam?

9 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (4)
Dos nossos rappers mais atentos, Rincon se atualiza em um som que tem toque de funk e fala de moto. Ele está de olho em uma tendência forte no funk atual que é o “consciente”, que não aborda tanto sexo, mas fala de superação, encarar problemas sociais e outros dilemas das quebradas brasileiras, aproximando o gênero do rap, uma união antiga que ficou de lado por uns tempos, mas vem sendo retomada. Rincon está ajudando nessa ponte.

10 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (5)
A nova canção de Saulo Duarte com participação de Luedji nos vocais e metais certeiros da turma do Bixiga 70 é uma inspirada mensagem de que a mudança, um novo dia e toda energia para ele está em nós. Que esperança e força só podem partir de dentro de nós. É desse nascer do sol que ele canta aqui, após identificar em pequenos detalhes mensagens poderosas que lhe trazem saudade, ancestralidade, africanidade e verdade.

11 – Anitta – “Girl from Rio” (6)
12 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (7)
13 – Lupe de Lupe – “Coromandel” (8)
14 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (9)
15 – Salma e Mac – “Amiga” (10)
16 – Yung Buda – “Digimon” (11)
17 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (12)
18 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (13)
19 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (14)
20 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (15)
21 – FEBEM – “Crime” (16)
22 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (17)
23 – Boogarins – “Supernova” (18)
24 – Moons – “Love Hurts” (19)
25 – BaianaSystem – “Brasiliana” (20)
26 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (21)
27 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (22)
28 – Jair Naves – “Vai” (23)
29 – FEBEM – “México” (24)
30 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (25)
31 – Carmem Red Light – “Faith No More” (26)
32 – Jadsa – “Olho de Vidro” (27)
33 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (28)
34 – Yannick Hara – “Raça Humana” (30)
35 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (31)
36 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (34)
37 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (36)
38 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (37)
39 – FBC – “Gameleira” (38)
40 – Mbé – “Aos Meus” (40)
41 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (41)
42 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (42)
43 – Djonga – “Eu” (43)
44 – LEALL – “Pedro Bala” (44)
45 – Filipe Ret – “F* F* M*” (45)
46 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (46)
47 – Ale Sater – “Peu” (47)
48 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
49 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do GIO (ex-Giovani Cidreira).
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – A hora e a vez de Rashid falar. Isabel Lenza trazendo o verão no outono. Rodrigo Amarante e o leva-e-traz da maré. É esse o top, puxando outras 47 outras belezas

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* Semana de responsa na CENA brasileira (como se alguma outra não fosse, na fase atual…). Ainda que a gente não tenha revirado muito a nossa lista, estamos vindo com cinco novidades que tomam todo o espaço do top 5, em uma luta árdua pelo primeiro lugar. Tem rap pesado, som que parece triste e não é, um novo balanço de um velho hermano, o aceno do Rincon para o “funk de moto” e uma belíssima reflexão de força de um rapaz da bela Belem do Pará. Aproveitamos para deixar um salve muito grande para o grande Cassiano. Obrigado por muito.

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1 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (Estreia)
Em seu sexto diário de bordo, uma série de músicas onde Rashid opta por longos textos sem refrões para dar uma situada na sua vida pessoal e ao seu redor, de seu bairro a todo o seu país. A mira está, principalmente, na escalada de violência recente vista na atuação do governo na pandemia e em outras frentes. “Porque esse governo de morte foi o atalho pra bandeira ficar vermelha/ Do sangue do povo”, versa Rashid, que ainda conta aqui com o apoio do músico Chico César. São 5 minutos só de punchlines certeiras.

2 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (Estreia)
Um música outonal com verão no título, uma música que parece triste mas não é, com uma letra que parece amargurada, mas não é. A cantora paulistana Isabel Lenza a considera “debochada”, para alguém que quer o perdão dela, mas não faz nada para merecê-lo. E é assim que começamos a conhecer “Véspera”, segundo álbum de Lenza, quatro anos após a sua estreia.

3 – Rodrigo Amarante – “Maré” (Estreia)
Em sua segunda aventura solo, o hermano mais atirado na carreira reaparece em “Maré”, com uma sonoridade ensolarada que lembra os verões iluminados de seu projeto Little Joy, um aspecto que ele deixou meio de canto em seu primeiro disco sozinho. No papo da música, reflexões “sobre como o desejo, nossos sonhos e pesadelos moldam nosso destino, a graça e o terror disso”. A maré que leva é a maré que traz, ele canta. Quem sabe se a gente não sonhar melhor, agir melhor, as coisas não mudam?

4 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (Estreia)
Dos nossos rappers mais atentos, Rincon se atualiza em um som que tem toque de funk e fala de moto. Ele está de olho em uma tendência forte no funk atual que é o “consciente”, que não aborda tanto sexo, mas fala de superação, encarar problemas sociais e outros dilemas das quebradas brasileiras, aproximando o gênero do rap, uma união antiga que ficou de lado por uns tempos, mas vem sendo retomada. Rincon está ajudando nessa ponte.

5 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (Estreia)
A nova canção de Saulo Duarte com participação de Luedji nos vocais e metais certeiros da turma do Bixiga 70 é uma inspirada mensagem de que a mudança, um novo dia e toda energia para ele está em nós. Que esperança e força só podem partir de dentro de nós. É desse nascer do sol que ele canta aqui, após identificar em pequenos detalhes mensagens poderosas que lhe trazem saudade, ancestralidade, africanidade e verdade.

6 – Anitta – “Girl from Rio” (1)
A esta altura talvez tudo já tenha sido dito sobre a música da Anitta. Mas tem um lance em a gente destacar alto ela aqui e ter citado ela no top 10 Gringo. Na lista gringa ressaltamos a sacada em conquistar o mundo. Aqui, nosso olhar é sobre a CENA brasileira. Anitta pensa em multidões, sabe que seus passos ressoam mais do que o dos demais. E em “Girl from Rio” dá seu pitaco na discussão que ronda o funk ser ou não uma música tão sofisticada quanto os outros estilos, o que nos traz de volta à discussão do Grammy+Cardy B. Por isso a provocação em se apropriar da nossa bossa nova mais popular da história. A própria bossa nova, que passou por um longo processo de elitização que a deixou muito mais branca do que é de fato, é um exemplo do que o racismo e elitismo no Brasil dão conta de fazer com a nossa cultura. Ela ser uma arma dessa mesma elite contra o funk é a prova disso. Nada mais justo que a Anitta pegar e dizer: “Ei, esse Tom Jobim é meu, na real”. Ainda que a música talvez tem suas questões problemáticas no discurso e no próprio vídeo, que vende uma sociabilidade que está em cheque no Brasil contaminado atual, a provocação está lá e é bem válida. Este som já nasceu clássico.

7 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (2)
Deu muito certa a união de Bertoni com a cantora fora-da-curva Giovanna Moraes. Amigos pelas redes sociais inicialmente, aqui eles parecem parceiros das antigas, tal a conexão nas vozes e na letra – que é dela, mas soa muito verdadeira na voz dele. A música, muuuuito bonita e bem construída, ainda ganha pontos pelos diferentes climas que consegue criar, chegando até a ficar bem abstrata antes de voltar ao “normal” – como um nó que se desfaz para ser refeito.

8 – Lupe de Lupe – “Coromandel” (3)
A banda mineira Lupe de Lupe adotou um jeito curioso de divulgar seu novo álbum. Cada single tem como destaque um membro da banda na voz. Logo, são cinco singles que antecedem a chegada do novo álbum, “Trator”, logo mais. Esse mais recente single, o último também, coloca no vocal o baterista da banda, Cícero Nogueira, em uma letra escrachada e que nos leva até um dos solos mais divertidos do ano. Que barulheira boa. O Pavement ou o Weezer do começo ficariam orgulhosos, desde que eles não ligassem para a letra.

9 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (4)
Astronauta Pinguim, Clegue França, Laura Wrona e Júpiter Apple formaram a The Apple Sound, a banda paulistana de Jupiter. Talvez você nunca tenha ouvido falar, porque esse quarteto durou apenas três shows em 2009. “Cerebral Sex”, único registro deles em estúdio, foi revelada pelo diretor de vídeos André Peniche, amigo do músico gaúcho, que já tinha ajudado na descoberta do disco solo perdido dele.

10 – Salma e Mac – “Amiga” (5)
O casal da famosa banda goiana Carne Doce se apresenta agora de maneira intimista, dupla voz e violão. A ideia dos dois é apresentar as canções que compõem juntos na forma como surgem, com a suavidade íntima que depois viraria barulhinho bom na banda. Se nesse caldo vem novidades ainda não está claro, por agora resgataram a já linda amiga, lançada em 2016 no disco “Princesa”, com a promessa de vir mais por aí. E logo.

11 – Yung Buda – “Digimon” (6)
12 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (7)
13 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (8)
14 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (9)
15 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (10)
16 – FEBEM – “Crime” (11)
17 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (12)
18 – Boogarins – “Supernova” (13)
19 – Moons – “Love Hurts” (14)
20 – BaianaSystem – “Brasiliana” (15)
21 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (16)
22 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (17)
23 – Jair Naves – “Vai” (18)
24 – FEBEM – “México” (19)
25 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (20)
26 – Carmem Red Light – “Faith No More” (21)
27 – Jadsa – “Olho de Vidro” (22)
28 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (23)
29 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (24)
30 – Yannick Hara – “Raça Humana” (25)
31 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (26)
32 – Uana – “Mapa Astral” (27)
33 – Mayí – “Sedenta” (28)
34 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (29)
35 – Jadsa – “Sem Edição” (30)
36 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (31)
37 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (32)
38 – FBC – “Gameleira” (33)
39 – Rico Dalasam – “Última Vez” (34)
40 – Mbé – “Aos Meus” (37)
41 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (37)
42 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (39)
43 – Djonga – “Eu” (40)
44 – LEALL – “Pedro Bala” (41)
45 – Filipe Ret – “F* F* M*” (43)
46 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (44)
47 – Ale Sater – “Peu” (46)
48 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
49 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do Rashid.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – O verão imenso de Isabel Lenza. Cantora paulistana volta com ótimo single, que anuncia álbum novo

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* Que sol bonito abriu na cena brasileira com a chegada do primeiro single do segundo álbum da cantora Isabel Lenza. Embora estejamos no outono, Lenza lança a bela “Imenso Verão”, música cheia de texturas que abre os caminhos para “Véspera”, seu segundo disco, a ser lançado ainda em agosto. O primeiro álbum da cantora, “Ouro”, saiu em 2017, há quase quatro anos.

“Imenso Verão”, essa música outonal, parece triste mas não é. Tem até “chalalás”!!! Sua letra parece amargurada, mas não é. Isabel Lenza a considera “debochada”, para alguém que quer o perdão dela mas não faz nada para merecê-lo.

Parece uma melodia simples, mas se engana quem passar por “Imenso Verão” achando isso. Isabel, uma ex-poploader, tocou até guitarra japonesa rara nela (da marca Teisco, da década de 60). E o grande produtor mineiro Leonardo Marques, que abriu seu estúdio Ilha do Corvo, em BH, para Bel armar sua volta, trouxe outros instrumentos à canção, como Wurlitzer, Mellotrons, Auto-Harp, o teclado Yamanha PS20 do começo dos anos 80.

capa IMENSO VERÃO

“Imenso Verão”, ensolaradíssima ainda que tenha um aparente clima soturno de “música do Twin Peaks”, está longe de ser uma canção comum. Ela é imensa. Como esse novo verão de Isabel Lenza.

“Cuidado que vai esfriar
Vai esfriar
Bem quando eu estiver
Em pleno verão
Serei um imenso verão
Serei um imenso verão
Só pra me vingar
Serei um imenso verão
Uuuuu….

***

* A foto de Isabel Lenza que ilustra a chamada para este post, na home da Popload, é de Gabriela Batista.

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CENA – O despertar de Isabel Lenza. Ouça o single “Isso É Castigo”

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* A provocante “Isso É Castigo”, single que a nova cantora Isabel Lenza desabrocha na Popload hoje, é isto mesmo: provocante. É quase um axé, quase paraense, embora ela seja de SP e as músicas de seu primeiro disco, “Ouro”, que será lançado agora em 6 de outubro, vá por outros caminhos. Ou por vários outros caminhos. E essa guitarrinha “Nile Rodgers de Belém”, que faz Lenza parecer dançar enquanto canta, pode até destoar do “guia Popload de estilo” (?!?), mas dialoga forte com uma facção da boa cena paulistana de indie-axé-guitarrada, digamos, de nível Holger e Cupin, e não esconde uma cantora segura e de voz tão séria quanto gostosa para uma estreia.

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Nova cantora mas nem tão nova compositora, Isabel Lenza, que num passado nem tão longe fez música em parceria com o já tarimbado Marcelo Jeneci, tem em “Isso É Castigo” a segunda amostra de “Ouro”, o disco. O primeiro single, o algo dramático “Cinematográfico”, canção perto de uma MPB que você enxerga em grupos como o excelente Carne Doce goiano, menos indie “gritado”, mais climático conduzido por uma excelente banda (psicodelia urbana causando sensações e botando guitarra em seu lugar, bateria em seu lugar, baixo em seu lugar), foi lançado uma semana atrás. Banda essa que faz cama para, em sua primeira música, a voz delicada da cantora pedir um certo socorro etéreo: “Me leva para longe num resgate cinematográfico / portal fantástico… Meu rosto está cansado de esperar / já não sou eu aqui”.

Segundo a ficha técnica entregue e colocando os pingos nos “is” da produção nada “amadora” de suas músicas, em seu disco de estreia Isabel está bem acompanhada por Fabio Pinczowski na produção, e os premiados Gustavo Lenza, seu irmão, na mixagem, com masterização de Felipe Tichauer, ambos donos de alguns Grammy. “Ouro”, o álbum, foi gravado no Estúdio Minduca por Bruno Buarque e Delão.

A banda, ou superbanda, que segura o som para Isabel Lenza cantar, tem Pedro Sá (guitarras), Bruno Buarque (bateria e percussão), Marcelo Dworecki (baixo) e Mauricio Fleury (teclados).

Aqui você ouve “Cinematográfico”. E depois, em primeira mão, “Isso É Castigo”.

ou aqui:

Com esses dois cartões de visita do álbum de estreia, Isabel Lenza já pede passagem para o grande time de mulheres boas que tomou de assalto todas as variantes da música independente brasileira. Resta aguardar agora, para daqui a pouco, o disco cheio.

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