Em jadsa:

Top 50 da CENA – Supersemana da música brasileira nova no nosso ranking, estrelando Tuyo, Edgar, Jonathan Ferr, Giovanna Moraes, Jadsa…

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* Que difícil escolher o primeiro lugar desta semana. Tuyo, Edgar e Jonathan Ferr lançaram discos que merecem o primeiro lugar. Caiu no colo da Tuyo desta vez, mas acho que vamos ter que dar um jeito de premiar os nossos outros colegas, que lançaram trabalhos tão bons quantos. Vamos observar – até porque, como pontua Edgar, todos esses trabalhos são daqueles que merecem repetidas audições. Pressa para quê? Aqui não é áudio de Whatsapp para acelerar as coisas.

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1 – Tuyo – “O Jeito É Ir Embora” (Estreia)
Este álbum novo do trio paranaense Tuyo consegue realizar a complicada missão do famigerado “segundo álbum”, por qual muitos grupos não passam. Em uma reflexão sobre crescimento estampada nas letras, a banda não tem medo de ampliar sua proposta sonora em uma transição bem feita – nem brusca demais, nem lenta demais. Essa coragem na proposta talvez esteja até na letra desta candidata a hit que pode ser tanto sobre desmanchar um relacionamento fracassado quanto sobre abandonar ideias que estão nos empacando. Discão.

2 – Edgar – “Mentes Mirabolantes” (Estreia)
Na metáfora que escolheu para explicar o álbum, Edgar comparou seu novo disco à maniçoba, um prato do Norte do Brasil que leva dias para ficar pronto. Ou seja, é preciso muito cozimento para que todas as ideias de “Ultraleve” batam na mente do ouvinte. Por aqui, enquanto o preparo não rola, já que não escutamos todas as vezes suficientes para captar o disco por inteiro, fica a impressão de que Edgar mantém sua capacidade dar alertas necessários e de correr de sensos comuns e respostas fáceis. Segue imprevisível. Para o nosso Top, pegamos a magnífica “Mentes Mirabolantes”. O universo brilhante da cabeça do Edgar em sua mais perfeita forma.

3 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (Estreia)
“Baile de Máscaras” é uma das ótimas músicas do disco “III”, algo entre um EP e um álbum (miniálbum?) que a cantora e multiinstrumentista e atriz de vídeo e editora de vídeo lançou em março. Agora a canção surge em versão single com direito a uma música inédita e a versão instrumental, um jeito de oferecer um novo olhar complementar para a gravação. Retomada de proposta interessante para single, perdida nos tempos de streaming. Fora o vídeo, lindaço.

4 – Jonathan Ferr – “Amor” (Estreia)
Chamou nossa atenção a participação do Jonathan no disco da Tuyo e fomos ver o que ele andava fazendo. E não é que ele lançou um disco ao mesmo tempo que a banda parceira? Um senhor álbum, diga-se, quase todo instrumental e ao piano, chamado “Cura”. Uma obra belíssima para escutar de ponta a ponta, dada a profunda conexão entre cada faixa. Pode ser um pouco desafiante se dedicar a um disco mais experimental assim, mas acredite na gente. Vale cada segundo.

5 – Jadsa – “Mergulho” (Estreia)
A gente já celebrou tanto o álbum “Olho de Vidro” da Jadsa por aqui, mas sempre é bom reforçar nosso gosto por esse trabalho da guitarrista baiana. Agora que ela lançou um vídeo para este som que abre o disco, a gente achou a desculpa perfeita para trazer ela de volta às primeiras colocações do nosso Top 50.

6 – Mulungu – “A Boiar” (1)
Demorou, mas saiu o primeiro álbum da banda guitar-zen nordestina Mulungu – um trio de dois recifenses e um potiguar. Sem colocar em cheque a originalidade da banda, dá para dizer que os meninos pegam muito do caminho desbravado pelo Boogarins, uma música brasileira e muito universal e de letras caprichadas. Por aqui, reflexões sobre autocuidado – muito na brisa da onda de indie mental health que a gente comenta direto por aqui.

7 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (2)
Escrever e pensar sobre música é legal, lógico, é nosso trabalho, oras. Mas é muito bom também quando o artista faz questão de traduzir em algumas palavras suas ideias sobre suas músicas. Além de facilitar nossa missão, ajuda a decodificar e a convidar a prestar atenção em alguns detalhes que só eles sabem onde estão. Mas toda essa volta para puxar aqui a ideia que a própria Jup do Bairro dá sobre seu novo single: “Acredito que esta faixa é uma de minhas composições mais viscerais (literalmente). É uma viagem filosófica ao meu corpo e como o entendo. Entre dores e delícias, como podemos projetar o futuro se o presente é incerto?”.

8 – Bonifrate – “Rei Lagarto” (3)
Bonifrate que sumiu ou a gente que marcou bobeira? Seja lá qual for a resposta envolvendo o ex-Supercordas, é bom escutar sua nova música, uma produção solitária, analógica e filosófica, cujo combo dá toda uma textura e clima únicos à canção. Tudo indica que vem um novo álbum solo por aí. E pelo mesmo selo gringo que cuida de nomes como Boogarins, Wry e Carabobina. Saudamos a volta do Bonifrate com um top 3, que ele merece.

9 – GIO – “Nebulosa” (4)
O baiano ex-Giovani Cidreira segue bem por aqui com a bonitaça “Nebulosa”, canção sua com a conterrânea Jadsa no rolê. “Nebulosa” chega dentro de um projeto que Cidreira iniciou, que envolve um novo álbum, uma websérie no Youtube deles e até uma mudança de nome para GIO, já adotado por aqui e batismo com o qual ele já assinava outros trabalhos. “Nebulosa”, que vai estar no álbum “Nebulosa Baby”, a sair agora em junho, ainda traz a marca da não convencionalidade sonora que marca o ex-Cidreira, mas com um ar moderno e em voga com um pop meio melancólico e para cima ao mesmo tempo.

10 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (5)
Esperta, achamos, a sacada dos mineiros da Lupe de Lupe de renomear no último minuto seu novo álbum, uma reflexão sobre o Brasil, de “Lula”. Que personagem da nossa história consegue reunir nosso melhor e nossas maiores contradições? Ao nomear cada música como uma cidade, neste disco que acaba de ser lançado, a banda percorre este país como o ex-presidente percorreu algumas vezes atrás não só de respostas, mas de questões. Por que no Brasil tem moleques tocando pensando som em uma formatação gringa que é a banda punk, guitarra, baixo e bateria? E quanto eles produzem um som que só poderia ser brasileiro? Isso para ficar em uma das muitas questões. Um disco irregular, mas muito bom quando é bom, que é para ser absorvido devagar. Até porque ele é um tanto longo para os padrões atuais, quase uma hora. Mas vale prestar atenção quando artistas tão atentos e cuidadosos preparam algo com essa ambição.

11 – BK – “Dinheiro, Poder, Respeito” (6)
12 – Jomoro e Karina Buhr – “Saudades de Lá” (7)
13 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (8)
14 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (9)
15 – Zé Manoel – “Como?” (10)
16 – Os Amantes – “Linda” (11)
17 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (12)
18 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (13)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (14)
20 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (15)
21 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (16)
22 – Anitta – “Girl from Rio” (17)
23 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (18)
24 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (19)
25 – Salma e Mac – “Amiga” (20)
26 – Yung Buda – “Digimon” (21)
27 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (22)
28 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (23)
29 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (24)
30 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (25)
31 – FEBEM – “Crime” (26)
32 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (27)
33 – Boogarins – “Supernova” (28)
34 – Moons – “Love Hurts” (29)
35 – BaianaSystem – “Brasiliana” (30)
36 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (31)
37 – Jair Naves – “Vai” (33)
38 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (34)
39 – Carmem Red Light – “Faith No More” (35)
40 – Yannick Hara – “Raça Humana” (36)
41 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (37)
42 – FBC – “Gameleira” (40)
43 – Mbé – “Aos Meus” (41)
44 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (43)
45 – Djonga – “Eu” (44)
46 – LEALL – “Pedro Bala” (45)
47 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (46)
48 – Ale Sater – “Peu” (47)
49 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
50 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do trio paranaense Tuyo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Popnotas – Quem faturou o livro do Fábio Massari. Noel Gallagher vacinado meio a contra-gosto. O Coachella bancando sua edição 2022. E o vídeo da Jadsa

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– Vamos começar o Popnotas de hoje com prêmios. Saíram os vencedores do nosso sorteio de dois exemplares de “84 – O Álbum Inglês”, o incrível novo livro do camarada Fabio Massari, não por acaso conhecido como “Reverendo”, com muitos serviços prestados ao que ele mesmo sempre chamou de “bons sons”. “84 – O Álbum Inglês” é uma caprichadíssima publicação da Terreno Estranho, editora que salva a lavoura indie com livros musicais diversos. “84 – O Álbum Inglês”, azulzão, capa dura, vai para as seguintes pessoas que concorreram no sorteio da Popload: Luiz Pazini, de Florianópolis, e Marta Isaac, de Goiânia.

– Ainda que o nosso amigo Noel Gallagher tenha mantido uns papos bem estranhos relativos à pandemia, de comentários contrários ao uso de máscaras e até pelo direito de não se tomar vacina, lembrando que o fascismo começa assim (!!!), ele finalmente resolveu tomar sua primeira dose da vacina da Oxford, a Astrazeneca. De acordo com o próprio ex-Oasis em uma entrevista, seu médico fez o seguinte (e ótimo) comentário: “Se você não tomar, você é um idiota”. Que bom, Noel. Ou a gente ia precisar continuar te zoando por aqui?

– E segue a retomada dos eventos musicais pelos Estados Unidos. A da vez é a volta do gigante Coachella Festival. Após ser adiado em 2020, remarcado para 2021 e cancelado este ano, lá em abril, a promessa do festival é acontecer em 2022 na sua data clássica, em abril mesmo nos finais de semana de 15-17 e 22-24. As atrações ainda não foram divulgadas, se é que já estão fechadas. Mas é o Coachella, né? Quem estiver interessado, as vendas começam nesta semana, no famoso “escuro”. Vale lembrar que Frank Ocean, Rage Against the Machine e Travis Scott estavam entre os headlines da edição original cancelada.

CENA – Criado e produzido à distância, como parte do projeto “Trilha Visual” do Sesc Interlagos, “Mergulho” é o novo vídeo da cantora e guitarrista baiana Jadsa, a dona de um dos nossos discos prediletos da CENA no ano. Em stop-motion, Jadsa desenha uma guitarra em cartolina que vai se misturando a outros desenhos em sua própria atuação em animações que se unem às fotos de Alile Dara Onawale, fotógrafa de Salvador, dona de um trabalho bem lindo. Dá uma sacada aqui. E veja o vídeo.

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CENA – Giovani Cidreira lança single novo bonitaço, que puxa websérie e novo álbum. E pode chamá-lo agora de GIO

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* O cantor e instrumentista baiano Giovani Cidreira, nosso The Weeknd tem vezes, como esta agora, está lançando hoje seu mais novo single, a bonitaça “Nebulosa”, com a conterrânea Jadsa no rolê, que está saindo pelo selo Risco.

“Nebulosa” chega dentro de um projeto que Cidreira está iniciando e que vai envolver, ainda, sua mudança de nome. A partir de agora ele assina GIO. Dando sequência, na semana que vem estreia uma websérie de cinco episódios que o cantor vai botar em seu Youtube, para contar sua história de construção de vida no famoso bairro Valéria, na periferia profunda de Salvador, e suas ancestralidades.

Daí, no dia 17 de junho, chega o disco cheio de GIO, seu primeiro álbum visual, chamado “Nebulosa Baby”, seu segundo álbum com seu nome (ou novo nome), feito em parceria com o músico e produtor Benke Ferraz, do Boogarins.

Foto Alex Oliveira (2)

“Nebulosa”, o single, que traz a marca da não convencionalidade sonora que marca o ex-Giovani Cidreira, tem autoria dividida com Jadsa, que ainda empresta sua voz, e apresenta Filipe Castro na percussão. Está nela o vocal bastante mexido de GIO, além de suas “sujeirinhas” eletrônicas dentro de suas canções quase melancólicas, o que o linka com a história do Weeknd brasileiro, de músicas muitas vezes tristes que ainda assim trazem um “up” pela sonoridade.

Ou seja. Sai Giovani Cidreira, entra GIO. E o jogo continua ganho.

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* As fotos de GIO, deste post e a da home, são de Alex Oliveira.

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Top 50 da CENA – FEBEM lidera o ranking (de novo), Aquino e a Orquestra Invisível devolve a leveza ao top 3 e o Boogarins não larga de ser lindo. E podia ser Moons, NoPorn e Jair Naves que estaria tudo bem

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* No episódio desta semana do TOP 50 da CENA, a gente ainda mostra uma certa obsessão pelo disco novo do rapper FEBEM e volta a premiá-lo com o topo usando mais uma faixa do seu grande álbum “Jovem OG”. Voltamos também a se espantar com as conexões indies que andam deixando paulistas com cara de carioca e vice-versa. Voltamos novamente a nos derreter pelo Boogarins e seu trabalho de sobras onde sobram tesouros a serem garimpados. Mas, olha só, também desbravamos novos territórios, já que não gostamos de ficar na mesma, não.

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1 – FEBEM – “Crime” (Estreia)
Quantos jovens estariam encarcerados no Brasil se lidássemos com a questão das drogas de uma maneira mais inteligente que o combate violento que extermina parte da nossa juventude, especialmente periférica e negra? Quando FEBEM comenta “Dizem que cometemos crime” ele pensa essa perspectiva ao sentir que sua existência é criminalizada – por isso que ele começa o refrão com os versos “Uns finge, outros vive o crime”. Como responder a uma violência dessas desde o berço? “Na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir.”

2 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (Estreia)
Cara, o que acontece no Rio de Janeiro que a CENA local não para de dar bons frutos, hein? E o mais doido é que é tudo um som meio estranho que lembra muito coisas paulistanas. Um Rio mais da cidade do que da praia. Um Rio mais cinza. Mais de falar do que (se) mostrar. Nessas entra o som desse trio tijucano que consegue aliar uma longa narrativa de solidão com um dos refrões mais melancólicos e bonitos do ano.

3 – Boogarins – “Supernova” (4)
No disco de sobras e sonhos do Boogarins, eis uma música que poderia estar fácil em um dos álbuns oficiais dos meninos. Talvez caiba numa lista de melhores deles? É muito? “Supernova” é bonitaça demais, por onde se olhe. Na letra, na dinâmica que vai se alterando sutilmente pelos versos, na voz suave do Dinho. E na mensagem da música: “Se tudo está pronto, que resta eu inventar? O novo é qualquer lugar”.

4 – Moons – “Love Hurts” (Estreia)
Mal lançaram um bom EP, os mineiros do Moons resolveram soltar um single que é dos melhores trabalhos da banda. A gente imagina aqui um Jeff Buckley pirando nesse som superclimático que vai crescendo, ali numa das montanhas próximas a Belo Horizonte, onde nem um café quentinho vai aplacar essa ferida de amor.

5 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (Estreia)
O mítico electrosexy duo NoPorn adaptado aos novos tempos. Instituição das melhores festas paulistanas, a dupla hoje formada por Liana Padilha e Lucas Freire leva a pista para outro lugar, um mais íntimo, seu quarto, nosso quarto, de quem estiver disposto a aceitar o convite charmoso do duo enquanto pandemias e lockdowns ou meio-lockdowns perdurar. Sabe a onda de cantar falando, Florence Shaw? Dá uma ligada na Liana.

6 – Jair Naves – “Vai” (Estreia)
Na dolorida e talvez de amplos sentidos “Vai”, Jair consegue reunir um som que soa quase “estragado” – tanto que faz a gente checar se o computador não está travando – com talvez o que seja uma de suas canções mais “certinhas”, com a melodia vocal e instrumental se encaixando docemente. Bonito. E a gente fica na dúvida, aqui. Será que ele está mesmo comentando um relacionamento aí?

7 – FEBEM – “México” (1)
Se na música lá de cima FEBEM comenta a dualidade da palavra “crime” no Brasil, “México” tem a esperta sacada em inverter um lugar comum do rap – em linhas gerais, não temos um rapper versando sobre o crime, mas o inverso. Ou quase, já que o final da música adiciona um mistério sobre o narrador e nubla as ideias. Para pegar o filme completo, só escutando o disco todo. O que não é nenhum trabalho, acredite.

8 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (2)
Mais algumas conexões da CENA carioca atual com a CENA paulistana de outrora, tudo junto e misturado e fazendo o maior sentido. Mas aqui no sentido contrário da coisa, já que temos uma banda de paulistas, herdeiros do grupo Rumo, soando muito como os novos cariocas que soam como paulistas do grupo Rumo, para completar o interessante rolê geográfico-temporal. Entende?

9 – Carmem Red Light – “Faith No More” (Estreia)
Carmem Red Light, artista trans brasileira radicada na Europa há mais de 20 anos, mexe com muitas coisas em seu neste single. Ela, que nasceu em Cajazeiras, no interior da Paraíba, e hoje é cidadã londrina, assume um lado “Marilyn Manson encontra David Bowie” e ainda mexe com religião e sexualidade. O som é soturno? Sim, mas por que não seria, dadas as circunstâncias todas?

10 – Jadsa – “Olho de Vidro” (3)
Quantas semanas de Jadsa já no Top 10?

11 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (8)
12 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (5)
13 – Yannick Hara – “Raça Humana” (6)
14 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (7)
15 – Uana – “Mapa Astral” (9)
16 – Mayí – “Sedenta” (10)
17 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (11)
18 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (12)
19 – Jadsa – “Sem Edição” (13)
20 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (14)
21 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (15)
22 – FBC – “Gameleira” (16)
23 – Rico Dalasam – “Última Vez” (17)
24 – YMA – “White Peacock” (18)
25 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (19)
26 – Mbé – “Aos Meus” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (21)
28 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (22)
29 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (23)
30 – Jadsa – “Lian” (24)
31 – Djonga – “Eu” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (26)
33 – LEALL – “Pedro Bala” (27)
34 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (29)
35 – Filipe Ret – “F* F* M*” (30)
36 – Jadsa – “Raio de Sol” (31)
37 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (32)
38 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (33)
39 – Ale Sater – “Peu” (34)
40 – Jupiter Apple – “AJ1” (35)
41 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (36)
42 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (37)
43 – Rohmanelli – “Viúvo” (38)
44 – Boogarins -“Far and Safe” (39)
45 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (40)
46 – Monna Brutal – “Neurose” (41)
47 – Luna França – “Terapia” (42)
48 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (43)
49 – Ale Sater – “Nós” (44)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda carioca Aquino e a Orquestra Invisível.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Jadsa segue 100%. Ou seria 10%? Hierofante Púrpura vem na cola com sua complexidade simples. E o BaianaSystem belisca o 3º lugar com um frevo

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* Nesta semana tem história no Top 50 da CENA. Só que se a gente contar aqui o que é, logo de cara, vai ser um spoiler tão grande que vai dar uma estragada no andamento, então leia as novidades todas para decifrar esse mistério – um tanto dele está no título, é verdade. Mas vai descendo para entender melhor.

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1 – Jadsa – “Olho de Vidro” (Estreia)
A gente gostou desse hábito de repetir os vencedores de uma semana na outra. E, sejamos honestos, o disco da Jadsa merece mesmo essa celebração. Com essa citação aqui, ela se torna talvez a artista com mais menções no top 50 ao mesmo tempo. São cinco, ou seja, dez por cento da lista é Jadsa. Brinca com esta baiana, brinca.

2 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (Estreia)
O Hierofante Púrpura, digamos adepto de uma certa psicodelia indie rural, não é e nunca foi uma banda simples, embora essa “Tbm Sou Hipster” até pareça enganosamente uma música “normal”. É tipo uma trombada de Beastie Boys com MF Doom aprontando algazarras em cima de um sample em loop de um disco da Tropicália. Brinca com estes paulistas, brinca.

3 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (Estreia)
Que bonita jornada o BaianaSystem inventou neste quarto disco. A obra em três atos se encerra com uma versão frevo da música que abriu o rolê lá no primeiro ato, a excelente “Reza Forte”. Aqui com a participação de Thiago França, a banda retoma o tema em uma citação instrumental que deixa o viajante mergulhado em memórias do disco que acabou de escutar.

4 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (2)
Outro disco de camadas, umas claras de primeira ouvida e outras que vêm de encontro a você conforme o tempo de saboreá-lo vai se intensificando, é “III”, lançamento recente da multiartista paulistana Giovanna Moraes. Aqui, uma sagacidade sua foi premiada. Os Boogarins deram a sopa de largar um instrumental em seu álbum de sobras e a Giovanna foi lá e meteu uma letra sua. Agora a música é bem dela.

5 – Jadsa – “Sem Edição” (1)
“Sem Edição” é um som que mostra a capacidade de Jadsa de colocar muitas perspectivas na mesma conversa. Por aqui, Gal e Tulipa Ruiz interagem de igual para igual enquanto a música vem em forma de um mantra que cresce e acelera, uma brincadeira em um jazz que orgulharia João Gilberto e Itamar Assumpção, o grande homenageado do álbum.

6 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (3)
Potente o encontro da banda indie paulistana com a produção da carioca Ana Frango Elétrico. Nada a ver, mas tuuuudo a ver. É especial o quanto no momento mais pop da música o instrumental fica ainda ainda mais doido. Talvez seja isso que estamos precisando. E logo mais tem o disco cheio, esse sim estamos precisando.

7 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (Estreia)
Que sacada do Thiago em colocar a bela voz do Zé Manoel para cantar um refrão destes: “Quando a gente sair daqui/ Eu não quero ter que lembrar/ Dos dias que as lágrimas regaram dores/Que o tempo não vai conseguir apagar”. No rap, uma ideia forte sobre suas potências tão invisibilizada pelo racismo.

8 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (Estreia)
Este trabalho da pernambucana Luna Vitrolira é um bom capítulo de um gênero às vezes deixado de lado por aqui, que é o spoken word. Vale dar uma sacada pela qualidade do texto de Luna e pela experiência em aplicar muito bem suas escritas em diversos gêneros musicais.

9 – FBC – “Gameleira” (4)
O rapper mineiro Fabiano Soares, o FBC, impressiona com sua consciência fora dos padrões sobre o rolê todo. Consciência do hip hop em si, do cotidiano (seu e nosso), da política e da comunicação nas redes. Deste seu novo EP, produzido pelo VHOOR, a gente destaca, entre tantos bons momentos, esse hip hop atabacado de reflexão sobre tradições, tanto na letra quanto no beat.

10 – Rico Dalasam – “Última Vez” (5)
Este é o terceiro som do novo álbum do Rico Dalasam que a gente coloca aqui no top 50. Já abordamos uma das canções mais políticas do disco, a mais radiofônica e agora uma mais sobre relacionamento interracial, onde um lado não assume o outro, em um dos desdobramentos que seguem sendo abordados em outras músicas, como “Brailler” e “Mudou Como?”.

11 – YMA – “White Peacock” (6)
12 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (7)
13 – Mbé – “Aos Meus” (8)
14 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (9)
15 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (10)
16 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (11)
17 – Jadsa – “Lian” (12)
18 – Djonga – “Eu” (13)
19 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (14)
20 – LEALL – “Pedro Bala” (15)
21 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (16)
22 – Felipe Ret – “F* F* M*” (17)
23 – Jadsa – “Raio de Sol” (18)
24 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (19)
25 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (20)
26 – Ale Sater – “Peu” (21)
27 – Jupiter Apple – “AJ1” (22)
28 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (23)
29 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (24)
30 – Rohmanelli – “Viúvo” (25)
31 – Boogarins -“Far and Safe” (26)
32 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (27)
33 – Monna Brutal – “Neurose” (28)
34 – Luna França – “Terapia” (29)
35 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (30)
36 – Ale Sater – “Nós” (31)
37 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (32)
38 – Sessa – “Grandeza” (33)
39 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (34)
40 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (35)
41 – Winter – “Violet Blue” (36)
42 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (37)
43 – Tagore – “Tatu” (38)
44 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (39)
45 – DJ Grace Kelly – “PPK” (40)
46 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (41)
47 – Edgar – “Prêmio Nobel” (42)
48 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (43)
49 – BK – “Mudando o Jogo” (44)
50 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora e guitarrista baiana Jadsa.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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