Em James Blake:

Top 10 Gringo – Amyl and the Sniffers traz o punk ao topo. St. Etienne devolve a delicadeza ao ranking. E Little Simz dá indícios de que nunca vai sair do pódio

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* Nesta semana nem teve muita coisa, em volume de novas músicas. Foi meio que Amyl and The Sniffers e mais nove, para efeito do nosso Top 10. A gente está louco por conta do punk rock dessa banda australiana e consegue dar um novo fôlego até para solos de guitarra, veja você. Porque a maravilhosa banda inglesa St. Etienne lançou disco novo, e isso sempre é um evento, é então Amyl, St Etienne mais oito. E, já que a gente tinha que manter a Little Simz, nosso primeiro lugar da semana passada, uma vez que estamos falando de um dos álbuns do ano, é Amyl, St. Etienne e Little Simz mais sete. E temos dito!

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1 – Amyl and The Sniffers – “Choices”
A gente esperava muito dessa banda australiana e dá para dizer com segurança que as expectativas foram superadas. Superálbum esse “Comfort to Me”. “Choices”, com sua letra onde Amy reivindica seu corpo, sua opiniões e escolhas sem que ninguém meta o bedelho, é uma porrada que lembra, sem brincadeira, os melhores momentos de Queens of the Stone Age e até, pega esta ousadia, Sex Pistols. Tudo junto e misturado.

2 – Saint Etienne – “Pond House”
Aqui a viagem é outra. Os ingleses do Saint Etienne estão por aí desde os anos 90 lançando disco com uma boa frequência de álbuns, sendo referência do indie de forte levada eletrônica experimental, mais dançante, e representando a ala dos jornalistas de música que sabem lidar com música. Seu novo álbum, o beeeelo “I’ve Been Trying To Tell You”, dá sinais de que tudo segue muito bem para eles.

3 – Little Simz – “Introvert”
E seguimos chapados com o melhor álbum do ano. Ou, pelo menos, um dos três melhores já imaginando nossa listinha de dezembro. Mas é isso: Drake e Ye, desistam. O novo disco da inglesa Little Simz é no mínimo o melhor disco de rap do ano até aqui. A gente falou disso semana passada e nesta semana valorizamos a faixa “Introvert”, talvez a mais grandiosa do álbum pela letra e pela técnica absurda que Simz apresenta em seu flow. Em sua longa letra, ela reflete sobre as contradições de lutar por sua arte em um mundo tão caótico. No relato de uma guerra interna e externa, ela se pergunta se seu trabalho vai para o caminho certo ou qual o sentido do sucesso. Ela chega até a citar Amy Winehouse, uma mulher que sofreu com as consequências mais nefastas do mundo artístico. E a questão feminina se apresenta forte justamente ao fim da canção, quando ela dando a senha para a faixa seguinte, a poderosa “Woman”.

4 – James Blake – “Famous Last Words”
O querido produtor inglês segue divulgando aos poucos os singles que vão compor “Friends That Break Your Heart”, o disco que ficou para outubro. A novidade da vez é aquele Blake clássico que amamos: voz lindíssima, aquele alcance que ele tem, pequenos toques eletrônicos e uma letra derramada na sofrência cool, em que você não está bem, mas quer dançar.

5 – Park Hye Jin – “Let’s Sings Let’s Dance”
É muito interessante o trampo da sul-coreana Park Hye Jin. Ela produz aquele som eletrônio meio house, meio lo-fi meio hipnótico – neste som é impossível não pensar em Chemical Brothers e seus loopings. Ainda que não seja muuuuito nossa praia esse gênero, caramba, que praia boa é esta?

6 – Lana Del Rey – “Arcadia”
No vídeo desta linda baladaça, Lana aparece com um anjo. Um anjo de Los Angeles, coisa que ela já mostrou diversas vezes que é mesmo em todos os significados disso. E que aqui, som e imagem toda amarelada, nos faz viajar no que Lana tem de melhor: nos transportar para além da música, como se estivéssemos, nós e ela, num filme triste. Difícil Lana errar.

7 – Sleigh Bells – “Locust Laced”
A gente já falou tanto do Sleigh Bells por aqui na Popload. Mas tanto. Você não tem ideia. E é bom ver o quanto essa dupla de Nova York se mantém firme mesmo após alguns anos meio quietinha na cena. “Locust Laced” é barulhenta, claro, com guitarrras dignas de um som heavy metal que alterna com trechos que poderiam estar em um som pop de estádio da Gwen Stefani.

8 – Big Thief – “Certainty”
Neste belo single que o querido quarteto Nova York soltou é impossível não pensar que seria uma música que caberia num disco da The Band. Ou mesmo, olha a ousadia mais uma vez, em um Dylan em suas fases mais country.

9 – Remi Wolf – “Photo Id”
Uma matéria da “Harpers Bazaar” americana afirma que a jovem Remi Wolf está reescrevendo as regras da música pop. Bom, se Nile Rodgers já ficou de cara com ela, quem somos nós? E, em tempos em que o pop anda mais soturno pique Billie Eilish, parece que é o espaço ideal para Remi jogar um colorido mais alegre ali na conta. A versão de “Photo Id”, seu maior hit até aqui, com Dominic Fike em um disco de remixes de sua curta obra, é a dica do que vem em breve com a estreia dela em seu primeiro álbum cheio, “Juno”. Fique atento.

10 – The Vaccines – “Wanderlust”
Talvez os Vaccines já tenham inspirado mais entusiasmo da nossa parte, mas não dá para dizer que eles fizeram um disco ruim. No site “Album of the Year”, onde muitos usuários detonaram o disco, alguém escreveu que esta canção é das mais pegajosas e a gente concorda. E das mais originais também, cheia de partes e andamentos diferentes. Só por ela e umas duas outras, o disco nem merece ser tão detonado assim, vai.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora australiana Amy Taylor, da Amyl and the Sniffers.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix

James Blake segura o álbum por um mês, mas em compensação solta suas últimas palavras, em novo single

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* O incrível produtor, músico e cantor britânico James Blake ia soltar seu novo trabalho, o álbum “Friends That Break Your Heart”, sucessor do marcante “Assume”, de 2019, na sexta-feira passada, dia 10. O lançamento pulou para 8 de outubro.

Mas pelo menos ele resolveu soltar um novo single, o terceiro, para a faixa “Famous Last Words”. Depois de revelar as novas “Life Is Not the Same” e “Say What You Will”, do disco, James Blake agora bota suas eletronicidades cool nesta maneiríssima “Famous Last Words”, que você não entende se é triste ou quer ouvir ela no repeat em dias inspirados. Sua voz absurda ajuda.

“Friends That Break Your Heart”, o disco, terá colaboração de uma galera boa, na linha SZA, Monica Martin, JID e SwaVay. Promete. O single anterior a este, “Say What You Will”, bem bacana também, trouxe o vídeo em que Blake atua, numa treta de inveja simulada (ou não) com outro produtor, amigo seu: o Finneas, irmão da Billie.

Aguardemos o vídeo desta nova “Famous Last Words”:

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Top 10 Gringo – Parquet Courts chegou e levou. Deafheaven e Blossoms cravam pódio. Playlist do ano ultrapassa 300 músicas

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* Um top 10 simpático. No título do anunciado novo álbum do Parquet Courts, no título de uma música do Villagers e na nossa escolha de uma música do polêmico disco novo da Lordes – será que a gente gostou desse disco? Ainda está em debate. Mas além da nossa obsessão em achar algum padrão nas nossas escolhas, a real é que o único sentido mesmo usado é o da qualidade nas canções que rendem a melhor playlist possível. O que nos leva a crer que estamos próximos da resposta que a humanidade mais procura. Qual o sentido da vida? Seria o da melhor lista de músicas? Por esta semana, pelo menos, estamos satisfeitos com isso.

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1 – Parquet Courts – “Walking at a Downtown Pace”
Parece interessante o conceito por trás do novo álbum do Parquet Courts. Não é que ele pode ser tocado em uma festa, ele foi inspirado pela própria festa, sacou? É uma outra perspectiva de experimentação com sons mais dançantes e psicodélicos. Experimentação esta armada por uma das bandas mais rock de hoje. Aguardamos ansiosos por “Sympathy for Life”. Somos fãs declarados.

2 – Deafheaven – “Shellstar”
Os norte-americanos do Deafheaven são de difícil classificação. Considerados “post-black metal”, a banda da Califórnia sempre flertou também com guitarras mais “limpas”, na linha shoegaze (!). Seu novo álbum abraça ainda mais essa vertente e suaviza relativamente o grupo. Pode ser um daqueles passos que tornam a banda gigante, talvez até afaste alguns fãs enquanto conquista outros milhões, por serem tão pegajosas as novas músicas – e até barulhentas para ouvidos mais sensíveis. O Deaftheaven estabelece, de novo, a boa confusão.

3 – Blossoms – “Care for”
Muito impressionante esse “disco dance de casamento” produzido pelos nossos ingleses queridinhos do Blossoms. Um bom indício de que o quarto álbum da banda deve honrar o sucesso do terceiro disco, lançado no ano passado e um estouro que chegou a colocar os caras no primeiro lugar das paradas inglesas. Meninos bons.

4 – Villagers – “So Simpatico”
Esse grupo folk irlandês nos ganhou com essa, vamos lá, tão simpática canção. São sete minutos deliciosos de camadas, vocais e solos de sax viajantes, nesta música do recém-lançado novo álbum desta banda de Dublin. Por tudo o que envolve, alguém precisa que avisar a Isadora, nossa colega de Popcast. Se é que ela já não sabe…

5 – Lorde – “Secrets from a Girl (Who’s Seen It All)”
Será que gostamos ou não do disco novo da Lorde? Ou, numa outra colocação, será que entendemos o novo álbum? Enquanto a dúvida permanece, dá para dizer que esta é uma das mais simpáticas músicas do disco com seu texto esperto. Não fica claro se Lorde está dando dicas sobre aproveitar a si mesmo, ter amor próprio, para uma menina mais nova ou para si mesma, ou tudo isso ao mesmo tempo. E ainda rola uma participação especial da sueca Robyn, que deixa tudo muito chique.

6 – Big Boi e Sleep Brown- “The Big Sleep Is Over”
Big Boi do Outkast e Sleep Brown, um dos produtores de vários álbuns da banda, se reuniram em um duo e planejam um álbum para logo mais. Dos singles já adiantados, esse som com fortes toques de dancehall é sem dúvida um dos mais chapados dessa nossa lista, basta ver as referências a maconha no vídeo da música. Peace!

7 – Ministry – “Search and Destroy”
Uma das bandas mais underground de todos os tempos, o respeitabilííssimo Ministry, de Al Jourgensen, está preparando disco novo e chegou com um respeitoso cover de um clássico dos Stooges. Mas no jeito Ministry de ser. Respeitoso com a banda protopunk e com a história do Ministry também. Tudo no lugar.

8 – Future Islands – “Peach”
Futures Islands sempre é bom. E eles continuam bem… bem… Future Islands neste single, a primeira inédita da banda no ano. Um lançamento que parece ser mais um aquecimento da turnê que vem por aí do que aquecimento de um novo disco, até porque “As Long As You Are”, 2020, segue quente. A música fala sobre se manter firme, um dia de cada vez. A gente não sabe se eles está falando de vício, de depressão, de pandemia, mas é um recado que cabe em todas as situações.

9 – James Blake – “Life Is Not the Same”
Uma sofrência daquelas, ainda que nas águas da eletrônica cool. Um amor que vai embora e deixa o outro perdidaço, despedaçado. No jeito James Black de produzir músicas, isso deve doer mais ainda.

10 – The Cribs – “Swinging tt Shadows”
O trio inglês Cribs inicia uma série de lançamentos de músicas que ficaram de fora do seu álbum mais recente, “Night Network (2020)”, mais umas novidades. A ideia é soltar singles com lados B e tudo, bem à moda antiga. A música em si é um Cribs clássico. Não dá para dizer que isso é ruim.

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* A imagem que ilustra este post é do guitarrista Austin Brown, do Parquet Courts.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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James Blake invejoso lança novo single, bota Finneas no vídeo e anuncia novo álbum para setembro

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* O distinto produtor e músico inglês James Blake, depois de nos “ameaçar” recentemente com poucas notícias de seu novo álbum, resolveu engrossar a expectativa, soltando detalhes dele, tipo capa impactante e tracklist significativo (risos!), além de single-vídeo de música nova e anúncio de turnê ainda neste ano.

“Friends That Break You Heart” é o singular nome de seu próximo trabalho, que provocou dele dias atrás um post no Twitter e Instagram dizendo “Mamãe, o disco está pronto”. O novo

O novo álbum, que chega para suceder o beeeelo “Assume Form”, de 2019, sai no dia 10 de setembro. E a partir de hoje podemos ouvir e ver o single “Say What You Will”, que tem um convidado especial estrelando o vídeo: o Finneas, o também badalado produtor e músico americano, irmão da Billie Eilish, grande ejetor da carreira da menina, e amigo de Blake.

“Say What You Will” tem um quê amargo, dá a impressão. Além de sua cadência triste, ela no vídeo mostra o “ator Blake” incomodadíssimo com o sucesso do “ator Finneas”, como se estivesse numa “batalha de ídolos”. Chega a ser angustiante assistir para ver onde vai dar, haha.

Blake explica mais ou menos assim a música: “Ela fala de encontrar uma paz sobre quem você é e onde você está, não importando quão bem estão as outras pessoas em comparação a você”.

O vídeo termina com a frase com o marcante líder político americano Theodore Roosevelt, que governou os EUA por oito anos no comecinho do século 20: “A comparação rouba a alegria”.

Seja lá para quem ou o quê James Blake esteja filosofando com seu novo single, e sabe-se lá para quem é o recado do título do álbum, está aqui “Say What You Will”. E o tracklist de nomes sugestivos de “Friends That Break You Heart”, depois dela.

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* O tracklist
1 Famous Last Words
2 Life Is Not the Same
3 Coming Back [ft. SZA]
4 Funeral
5 Frozen [ft. J.I.D and SwaVay]
6 I’m So Blessed You’re Mine
7 Foot Forward
8 Show Me [ft. Monica Martin]
9 Say What You Will
10 Lost Angel Nights
11 Friends That Break Your Heart
12 If I’m Insecure

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Popnotas – O talvez disco do James Blake. O EP final do Gustavo Bertoni. A música nova da SZA, só no Youtube. E a Janelle Monáe com os Obama

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– “Mamãe, eu fiz um álbum.” Sim, foi desse jeitão que o inglês James Blake anunciou no Instagram que está com novidades musicais prontas para lançar. E só! Nenhum detalhe de título, datas ou arte. Nada. Vai que ele nem lança, né? Blake revelou seu álbum mais recente em 2019, “Assume Form”, além de dois EP, um de covers e um de inéditas chamado “Before”. Solta logo, Jay!

CENA – Por falar em EP, quem está com um novo é o Gustavo Bertoni. A gente cobriu por aqui seus singles mais recentes, “Ricochet” e “Old Ghosts, New Skin”, que estão em “A More Translucent Haze”, disquinho que saiu há alguns dias trazendo ainda duas inéditas, “Moon Bath” e “River Dry”. Na concepção de Gustavo, esse EP é o epilogo de sua carreira solo até aqui, fora do Scalene, seu plano A – com ideias ainda do seu álbum solo mais recente, mas também com rascunhos do que podem ser seus próximos passos. A produção musical do EP é de Lucas Mayer em três sons, exceto “Old Ghosts”. que é assinada pelo Apeles.

– Em uma live no YouTube, a cantora SZA (foto na home) lançou uma nova música, que segue inédita nas plataformas de streaming. “Shirt” já rondava a cabeça dos fãs desde que a mossa soul-R&B do Missouri deu uma prévia deste som online. A SZA não lança um novo álbum desde 2017, ainda que tenha adiantando alguns singles no ano passado. Agora em 2021 ela apareceu em uma participação no álbum da Doja Cat e na trilha sonora do novo “Space Jam”. E também tem a promessa de que em breve sai um música dela dela com Kevin Parker, do Tame Impala, e o superprodutor Mark Ronson. Pensa…

– E outra que andava meio quieta, com uma coisinha aqui e ali só, é a cantora, rapper, atriz e produtora Janelle Monáe, que não lança álbum desde 2018, mas entre singles seus e músicas para trilhas sonoras vai movimentando o rolê. Seu single mais recente é “Power”, feito para para o soundtrack do filme da série “We The People”, da Netflix, que no Brasil vai sair com o nome de “Lições de Cidadania” e estreia neste domingo e tem na produção o casal Barack e Michelle Obama. Em um episódio, Janelle vai aparecer cantando.