Em James Jagger:

Vinyl “rouba” outro artista da Popload, destrói o rock progressivo e mostra show lindo do “Velvet Underground”

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* Entrou domingo à noite no looping de exibições o segundo episódio da ótima série Vinyl, dramatização dirigida por Martin Scorsese e idealizada por Mick Fucking Jagger sobre uma das combinações espaço/tempo mais eletrizantes da história do rock: a Nova York de 1973. Está ali, em ebulição, o resquício das revoluções dos anos 60, a chegada do hard rock britânico nos EUA, a encheção e esgotamento inevitável do rock progressivo, o nascimento do punk, da disco, do hip hop, tudo sob o olhar de um dono de gravadora chapadão, com questões familiares e filosóficas a resolver entre uma carreira e outra de cocaína, um filme e outro do Bruce Lee, uma zoada em alemães de ricos conglomerados que querem comprar seu negócio. Esse é o resumo “rápido” do espírito de “Vinyl”.

No segundo programa da série, a bonequinha Natalie Prass, destaque da nova música do Popload Festival de 2015, encarnou a frágil Karen Carpenter, vocal e bateria do extrafamoso Carpenters, duo que fazia com o irmão Richard, lançou uns 350 singles de sucesso e naquele “fatídico” ano de 1973 estourou mundialmente também com a conhecidérima “Yesterday Once More”, uma das músicas mais tocadas em rádios FM como Alfa e Antena 1 na história. Em “Vinyl”, Natalie apenas dá a cara a Karen (veja foto abaixo). A voz, interpretando a música, é da distinta cantora folk pop Aimee Mann.

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As incríveis citações musicais e as reinterpretações de nomes históricos com artistas de hoje são a marca do seriado. Logo no começo deste segundo episódio, o Velvet Underground “aparece” tocando, com a musa Nico e tudo. Nos é contado que o casal principal do seriado, o chefão Richie Finestra (Bobby Cannavale) e a lindona Devon (Olivia Wilde) se conheceram anos antes, mais precisamente em 1967, em um show do grupo de Lou Reed, produzido pelo artista Andy Warhol. A passagem é incrível e temos em vídeo, abaixo. Quem faz o papel de Lou Reed no Velvet Underground recriado é o ex-baterista do indie The Drums, o rapaz Connor Hanwick. Mas a voz que canta a climática “Venus in Furs” e a sensacional “Run Run Run”, ambas do histórico disco “The Velvet Underground & Nico”, o mitológico disco da banana cuja capa é um desenho de Andy Warhol, é do nosso amigo Julian Casablancas, dos Strokes. Julian Strokes e Connor Drums são de Nova York.

Neste episódio 2 de “Vinyl” surge forte o esgotamento da cena progressiva viagenzística colossal e rebuscada, que iria verter anos depois, na Inglaterra e nos EUA, na levada simples, cru e energética do punk. Isso é transpirado por “Vinyl”. Em uma sequência uma atrás da outra, Richie se vê tendo uma epifania, prefere usar uma camiseta do Black Sabbath a uma do Pink Floyd, diz que o rock precisa de energia e manda esquecer Yes e a porra do Emerson, Lake and Palmer, quebra um disco do Jethro Tull, demite um funcionário e manda o cara não se esquecer de levar o pôster do Jefferson Airplane com ele. Um massacre.

“Rock’n’roll é rápido, sujo e ‘smash into your head'”, clama Richie. “Tem que ser a canção que te faz cantarolar, te faz lembrar dela na manhã seguinte. Faz ligar para a rádio que tocou para perguntar que música era aquela. Faz arrepiar os pelos do corpo. Faz dançar, foder ou dar uma bica na bunda de alguém”.

No capítulo de ontem, reaparece em cena a banda punk do filho do Mick Jagger, James, outro que já apareceu por aqui para tocar em Popload Gig (o do James Murphy). Jagger Jr. é o vocalista da Nasty Bits (foto abaixo), banda desbocada em teste para ver se é contratada pela gravadora de Richie. O Nasty Bits, na real, usa músicas feitas por Lee Ranaldo, ex-guitarrista do Sonic Youth. Em “Vinyl”, a banda por trás de James Jagger é formada pelos caras da indie Beach Fossils, do Brooklyn.

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Tem muito mais referências em “Vinyl” que um simples post pode comportar. Quem é o menino que faz o Jerry Lee Lewis naquele inserto de “Breathless”?

Ah, quer ouvir como ficou os Carpenters em “Vinyl”, com a Aimee Mann?

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Há cinco anos, James Murphy fazia o último show do LCD Soundsystem em São Paulo. E James Jagger, hoje em “Vinyl”, fazia o seu primeiro

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Nem parece, mas já faz um pouco mais de cinco anos que James Murphy anunciou que sua banda, a espetacular LCD Soundsystem, iria se aposentar, lááá em fevereiro de 2011. Ou como a imprensa mundial prefere, “iria entrar em hiato por tempo indeterminado”. Depois do anúncio, a banda cumpriu sua agenda de shows que TCHANAAAM, inclua o Popload Gig em São Paulo (além de um show no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre). Em abril, o LCD faria o último show “ever” (quase) no Madison Square Garden, em Nova York, disponível inteirinho aqui.

O “quase” está ali porque esse “hiato”, como a gente sabe, está prestes a acabar com a volta do grupo aos palcos em esquema gigantesco no festival Coachella deste ano, na Califórnia.

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Murphy durante apresentação no Popload Gig #5

Fazendo bom uso da tal #tbt, ou, da “throwback Thursday”, a hashtag bombada das quintas-feiras nas redes sociais que permite um ~flashback~ de memórias recentes, resgatamos aquela noite de 18 de fevereiro de 2011, quando o LCD lotou a Warehouse (ex-Pacha), em São Paulo, para a quinta edição do Popload Gig. Além do grupo nova-iorquino, completavam o lineup da edição a banda inglesa Turbogeist, a dupla carioca The Twelves e a então novíssima banda paulistana Inky — e um James Murphy empolgado, que acabou fechando a festa nas picapes:

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O que pouca gente se lembra é de que o Turbogeist, a banda inglesa que se apresentou antes do LCD Soundsystem, é liderada por um outro James, o Jagger, filho do “Mick”. ‘Jimmy Jagger’ se apresentava pela primeira vez no país de seu irmão mais novo, veja bem. Falamos dele ainda nesta semana, neste post sobre a já bombada série da HBO “Vinyl”, que estreou no domingo e que tem como um dos criadores o Jagger-pai. Nela, Jagger-filho interpreta um personagem inspirado no lendário punk Richard Hell, baixista da banda Television. Abaixo, Jagger como o punk Hell e Jagger como frontman de sua própria banda “powerpunk”, em São Paulo.

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>> Mais fotos e vídeos dos dois James, Murphy & Jagger, em ação:

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*fotos por (No)Mondays!