Em jeremy corbyn:

JEROMANIA: a música inglesa provoca o maior público do Glastonbury para escutar um… político

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A maior plateia do Glastonbury… ever? Crédito: The Guardian

Nada de Liam Gallagher, Foo Fighters (Foo Who?) ou The National. A grande atração do Glastonbury no sábado, no palco prin-ci-pal, foi um político de 68 anos. Temos acompanhado com certo interesse e muita curiosidade a transformação de Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista inglês, em celebridade onipresente no mundo da música (e das artes em geral).

Em um post de segunda-feira, vimos como Corbyn conseguiu virar uma campanha tida como fracassada (nas pesquisas) em um sucesso de público, crítica, tweets, memes e parcerias com uma popularidade sem precedentes na história política do Reino Unido. Os ingleses acharam o seu ‘Obama’ e, nos últimos meses, a “Jeromania” tomou conta da Inglaterra. Os millennials usaram as redes sociais, a NME estampou a cara dele na capa, bandas indies apoiaram o candidato publicamente, a cena grime espalhou uma hashtag própria (#Grime4Corbyn), inventaram um hino para ele, criaram seus apelidos (Jez, Jezza, Corbs, Corbz e por aí vai), fizeram pôsteres e camisetas e, na prática, fizeram também a sua parte: o Partido Conservador da atual primeira-ministra Theresa May perdeu a maioria parlamentar.

Após ter cancelado a sua participação no Glastonbury do ano passado, depois do resultado do Brexit ter sido anunciado, Corbyn voltou ao Glasto deste ano promovido ao palco principal. Dizem, foi a maior plateia desde o show do Rolling Stones em 2013.

Ele foi convidado pelo próprio Michael Eavis, idealizador do festival que o levou até o palco pessoalmente, para fazer um discurso de pouco mais de dez minutos antes da apresentação do duo de hip-hop Run The Jewels, às 16h. “RUN THE JEZ”:

Run The Jez ( @danmedhurst) #glastonbury #runthejewels #jeremycorbyn

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A expectativa para a chegada de Corbyn já começou na quinta, dia em que os portões abriram: faixas, bandeiras, escultura de areia (!), leggings (!), máscaras e camisetas com alguma alusão a ele podiam ser vistas nas fotos e vídeos postados nas redes sociais e nos sites de música. Na tenda onde rolava a Silent Disco, aquela festa estranha com gente esquisita dançando no silêncio a música que só eles conseguem ouvir nos fones, o DJ tocou logo “Seven Nation Army”, agora um hino-Corbyn. Deu nisso:

Durante o show do Radiohead (do RADIOHEAD!), a mesma coisa. Thom Yorke foi um dos músicos mais presentes na campanha, implorando que os jovens fossem votar. No show, repetiu a frase “Strong and Stable” (mote do partido conservador) várias vezes e chegou a mandar um recado direto para a primeira-ministra: “Até mais, Theresa. Feche a porta quando sair”. Ao ouvir a plateia fazendo o “Ooooooh Jeremy Coooooorbyn”, Yorke deu uma ajudazinha (em falsete!):

Antes do discurso de hoje, Corbyn ajudou a servir cerveja em uma das barracas e fez aquele desfile típico na política tirando fotos, prometendo ajudar isso e aquilo. Na legenda esperta, “Beers For The Many” (“For the many, Not for the few” é seu slogan):

No palco enquanto esperava para entrar e era apresentado por Michael Eavis como “o herói do momento”, uma plateia gigantesca (a maior do festival desde quinta-feira e dizem, a maior dos últimos tempos, batendo também a da Dolly Parton em 2014 e da Adele em 2016) cantava o hino com o seu nome (e Brad Pitt e Johnny Depp espiavam do backstage). A cena se repetiu logo ao final do “show”:

E, comprovando que o bolo de gente NÃO estava lá pelo Run The Jewels, logo que Corbyn deixou o palco, a multidão resolveu se espalhar, causando um congestionamento entre os palcos.

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Enquanto isso, o Kaiser Chiefs, em um palco ao lado, decidiu passar o discurso de Corbyn no telão. Os que não curtiram foram logo apelidados de… “Glastontories” (de “Tory”, partido de May) 😉
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Durante a tarde de hoje, o inglês Stormzy também puxou o ‘hino’ da plateia grime
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NO INSTAGRAM

As zoeiras com o “Corbs” também já dominam as redes, claro, principalmente aquelas que zoam a sua “unanimidade musical”. Aqui, grandes nomes da música relembram os melhores momentos do político no festival:

Music royalty remember #JeremyCorbyn's finest Glastonbury moments… #Glastonbury2017

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Legging ALERT!
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#corbyn #leggings

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JC DJ
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A camiseta mais vista no Glastonbury
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Glastonbury outfit day 3 #glastonbury2017 #glasto2017 #guyliner #corbyn #saturday #outfit #outfitoftheday

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We know where it's at today ✌✌#glasto2017 #corbyn #ohjeremycorbyn #glastonbury

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Um hit…
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#glasto #corbyn

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Corbs in the crowd #VO5xNMEfestivals

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Jeromania!
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NO TWITTER

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Abaixo, Corbyn tocando e cantando como um… “headliner””
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*A foto da home é da NME

** Para entender o que está acontecendo, leia a nossa introdução à #Jeromania aqui.

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Popload Política – Como Jeremy Corbyn, líder do partido trabalhista britânico, virou a esperança da música inglesa e a principal atração do festival Glastonbury

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Corbyn_Hope

Jeremy Corbyn: A esperança do grime, do indie, do rock, dos hipsters e do baile todo…

Never Mind the Politics!

Em tempos de Brexit, Trump, Temer e outras mazelas políticas, foi interessante observar a reviravolta “popular” (beeem entre aspas) das últimas eleições legislativas britânicas, quando o Reino Unido escolheu seus representantes no Parlamento. Com o resultado da eleição pró-Brexit embaixo do braço e certa de que conseguiria mais poder e assentos na casa, a primeira-ministra Theresa May antecipou a eleição geral em três anos. Apenas. Ela só não contava com a sua queda de popularidade (e com dois ataques terroristas durante a campanha) e muito menos com o status inesperado de pop star do oponente Jeremy Corbyn.

E o que a gente tem a ver com isso?

Bem, primeiramente, é sempre bom saber o que rola pelo mundo. E, ao mesmo tempo, deu um certo alívio saber que em algum lugar as coisas começam a voltar aos eixos, ou quase. Assim como aconteceu em São Paulo, durante as eleições Haddad x Doria, e nos EUA, entre Hillary x Trump, houve no Reino Unido uma campanha em massa de artistas, músicos, bandas e universitários em todas as redes sociais possíveis a favor de um governo, digamos, “de esquerda”, ou, mais “liberal”. Mas a “bolha”, como vocês gostam de dizer, não reverberou nas urnas daqui nem das americanas e o resultado já sabemos bem. NÉ?!?!?!

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UK e seu Obama

No Reino Unido, depois de uma campanha quase que totalmente feita no boca-a-boca também pela veia artística local de bandas, atores e millennials em geral, a dúvida se essa militância online serviria para alguma coisa voltou à tona. E, por lá, ela surtiu efeito: a durona May venceu, mas seu partido perdeu a maioria parlamentar, enquanto a popularidade de Corbyn, líder do Partido Trabalhista britânico, só faz aumentar. Corbyn virou, do dia para a noite, um ídolo pop. Sem exagero. De capa da NME a hino com “Seven Nation Army”, passando pelo Glastonbury deste ano, que acontece nesta semana, só dá ele.

Com uma campanha low profile em redes sociais (mais ou menos oito mil reais contra os mais de quatro milhões gastos pelo Partido Conservador nas redes), seus vídeos relativamente baratos impactaram mais de dez milhões de usuários únicos no Facebook. Mas foi com a ajuda da parte artística inglesa que seu nome entrou na boca dos jovens entre 18 e 24 anos que, sem a obrigação de votar, nem pensavam em sair de casa para isso. Mas saíram e fizeram a sua parte, em participação inédita. Além do resultado surpreendente (as pesquisas indicavam maioria esmagadora conservadora), as eleições tiveram um recorde de mulheres eleitas para o parlamento (32%!). Nós acompanhamos de perto e reunimos alguns trechos interessantes da ascensão desse “novo” personagem que, como tudo na Inglaterra, envolve muita música. E Blur e Oasis, claro.

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Corbyn, ídolo da cena Grime | Crédito: Jordan Basset

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Thom Yorke, Adele, MIA, James Blake e mais uma quantidade absurda de bandas imploraram para os jovens levantarem a bunda do sofá e irem lá apoiar quem merecia. Até uma hashtag foi criada pela cena grime local: #Grime4Corbyn
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Lilly Allen chegou a prometer uma demo inédita se os eleitores mandassem algum tipo de prova de que ao menos se registraram para votar:
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Matt Healy, do 1975, prometeu NUDES:
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JME, um dos maiores representantes do grime inglês ao lado do irmão Skepta, propagou a tal hasthag e entrevistou Corbyn para a revista iD:
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Corbyn retribuiu o apoio, prometeu ajudar a #CENA e as casas de shows e ganhou ainda mais popularidade, além de arrastar Kate Nash e Ellie, do Wolf Alice, para a campanha:
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Mentirosa, Mentirosa! A música “Liar Liar GE2017”, feita pela banda de ska Captain SKA para desmascarar a Primeira Ministra, já tem quase três milhões de views no YouTube (e contando…). A faixa, cujo refrão pegajoso diz “She’s a liar liar!”, traz trechos de discursos de Theresa May e chegou ao quarto lugar das paradas britânicas na semana da eleição, além de ter sido a música mais vendida na loja do iTunes e da Amazon Music. A sensação-do-verão:
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Enquanto isso, um dia antes das eleições, Corbyn estrelava a capa da NME e da revista Kerrang!:
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NME_Corbyn

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Como tudo na Inglaterra, seja o assunto comida, política, meio-ambiente ou religião, uma das perguntas feitas pela NME na matéria de capa envolvia, claro, Oasis x Blur. Corbyn chegou a cogitar que se respondesse perderia eleitores, mas, mesmo assim, escolheu… OASIS. Pena que o Liam, sendo Liam, disse que certamente votaria no Partido Trabalhista, mas que não se envolve muito com política e não sabia muita coisa sobre o Corbyn (“nem sobre a outra lá”). Sério. No 03:09:
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Time for Heroes: para completar, Corbyn-star participou de um show do Libertines durante o Wirral Festival se “apresentando” para mais de 20 mil pessoas que lotavam o estádio de Prenton Park. E a recepção foi assim, você vai reconhecer esse ~hino~:
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Aconteceu. Claro que o grito de guerra entoado a cada aparição do político-hype só podia ser… “Seven Nation Army”, do White Stripes. Oooooh Jeremy Cooooorbyn. Não sei nem o que dizer, mas o (jornal inglês) The Guardian conseguiu resumir bem:
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Para encerrar, Corbyn será atração do festival Glastonbury deste ano, neste sábado, no palco prin-ci-pal, abrindo para o duo de rap (politizado) Run the Jewels. S I M. Ele já estava no lineup (hehe) do ano passado, mas cancelou a participação após o resultado da votação do Brexit. Neste ano, promovido ao palco principal, e com toda essa legião estrelada de fãs acima, Corbyn conseguiu ‘ticar’ todas as caixinhas do status: celebridade cool da música. Ele não precisa de mais nada (só de mais votos, na próxima). O fundador do Glasto, o dono-da-p•rra-toda Michael Eavis, no alto de seus 81 anos, levará Corbyn pessoalmente até o palco.

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