Em joão gilberto:

Pesquisador bota nas redes pôsteres criados para shows históricos de artistas brasileiros. De Cartola a Secos & Molhados. De Gil no exílio à Bossa Nova em NYC

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* A gente gosta muito deste tema: pôster de show. O diretor de arte publicitária Renan Valadares publicou em seu perfil no Twitter, o @renanvaladares, uma thread com seu trabalho de pesquisa de shows históricos envolvendo artistas e bandas famosas brasileiros, para imaginar seus pôsteres de divulgação.

De pôster do show do Cartola em 1978 até o do concerto de lançamento do lendário álbum “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos, em 1972, em Salvador (né?), passando por Secos & Molhados no Maracanã-74, com historinha de cada um deles, só tem coisa linda, marcante, que vira emblemática nas mãos do diretor.

E, acompanhando cada cartaz, a história do show que ele ilustra.

Dá uma olhada abaixo na pesquisa criativa do Renan em dez pôsteres. A thread não acabou e ele promete mais pôsteres, à medida que vão aparecendo. Renan inclusive tem recheado seu Instagram com esses cartazes raros.

1. Jorge Ben e Trio Mocotó no Japão. 1972
O Trio Mocotó era a banda do Jorge Ben em excursões internacionais. Neste, do Japão, a marca Phillips patrocinou e resolveu registrar em disco, lançando-o apenas só no Japão. Pensa o quanto esse álbum ao vivo é raro hoje.

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2. Bossa Nova no Carnegie Hall em NY. 1962
Com “Chega de Saudade”, de João Gilberto, bombando nos EUA, a gravadora Audio Fidelity pegou a nova safra de artistas tipo Tom Jobim, Sérgio Mendes e outros e a levou para um show temático “Bossa Nova” no Carnegie Hall, em NYC. O resto é história.

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3. Único registro ao vivo do Cartola. 1978
Cartola lançou seu primeiro disco em 1974, aos 66 anos. Quatro anos depois tem-se o que seria seu primeiro registro e único ao vivo, divulgado com o cartaz abaixo, segundo a pesquisa de Renan Valadares.

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4. Caetano e Gil no último show antes do exílio em Londres. 1969
Último show da dupla, no auge, antes de partir para fora do país, para fugir de ameaças da ditadura militar. O show acabou gravado e acabou virando um disco de áudio ruim, mas um grande documento histórico.

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5. Lançamento do LP Elis & Tom em São Paulo. 1974
A história desse show é maravilhosa. Em 1974, Elis Regina completou dez anos de gravadora, a Philips, e ganhou de presente “o disco que quisesse fazer”. Pediu Tom Jobim como parceiro e juntos foram gravar em Los Angeles, com banda. Tom odiou aquela “eletricidade” toda dos instrumentos, mas acabou convencido. Virou um disco histórico e que vendeu bem. O pôster é do lançamento dele em SP.

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6. João Gilberto, Caetano Veloso e Gal Gosta na TV Tupi. 1971
A convite de João Gilberto, Caetano, exilado em Londres, escapou para o Brasil para um show armado em especial para a TV Tupi. Esse do cartaz abaixo. O encontro de baianos rendeu 1h30 de programa e até renderia um álbum, mas João Gilberto, perfeccionista, não gostou da qualidade da gravação. E barrou. Recentemente, o pesquisador Pedro Fontes encontrou esse especial em fita K7, restaurou seu áudio e botou na internet (@marginal_men).

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7. Show de lançamento de “Acabou Chorare” dos Novos Baianos em Salvador. 1972
Considerado um dos principais discos brasileiros de todos os tempos, foi apresentado de surpresa em Salvador, de 1972, tornando pública ali a nova fase da banda, que havia inserido rock, bandolim etc em seu samba. Até aquela apresentação, ninguém tinha pista disso.

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8. Primeira vez que Tim Maia apresentou uma música da fase Racional. 1974
Foi na inauguração do Teatro Bandeirantes que Tim Maia marcou sua virada religiosa, vestindo branco em shows e entrando em seita, o que renderia naquele momento de sua carreira os famosos dois volumes dos álbuns “Racional”. Nesse show, registrado no pôster abaixo, foi a primeira vez que ele tocou uma música dessa época.

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9. Gilberto Gil & Gal Costa em Londres. 1971
Durante seu exílio, Gil marcou um show na Universidade de Londres. Gal Costa, em visita na cidade, embarcou junto na apresentação, que foi gravada sem que os dois soubessem. Cerca de 40 anos depois, o pesquisador Marcelo Fróes encontrou as fitas e as transformou em disco, lançado em 2014.

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10. Secos & Molhados lotando um Maracanãzinho. 1974
O surpreendente fenômeno da música brasileira, de visual espalhafatoso e com o rock como guia, lançou seu primeiro disco em 1993 e, de shows em lugares menores, acabou no ano seguinte fazendo uma temporada no Maracanãzinho, com 50 mil pessoas em média para vê-los a cada show. Um destes virou disco.

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POPNOTAS: Arcade Fire para esfriar o mundo, o já grande Bartees Strange, Caetano quando João Gilberto mandou chamar e good vibes para a Laerte

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– Antes da volta definitiva do exílio em Londres em 1972, Caetano Veloso chegou a visitar o Brasil em 1971 por duas vezes. Uma visita tensa no aniversário de 40 anos de casamento de seus pais e uma segunda viagem a pedido de João Gilberto. Ele queria Caetano na gravação de um especial para a TV Tupi. Nunca lançado oficialmente, o material do programa, que teve Gal Costa se juntando aos músicos, já tinha algumas partes disponíveis espalhadas pela internet, mas um longo trecho inédito do áudio desse especial agora está no ar pela primeira vez. Quem dá mais detalhes dessa história e mostra os áudios é o jornalista GG Albuquerque.

– A gente curte os programas de entrevistas americanos como se fossem a velha MTV, por isso trazemos tantas apresentações musicais deles aqui na Popload. Louvar os novos sons através da velha televisão chega a ser engraçado nos tempos de YouTube, mas está valendo. Tudo isso para dizer que gostamos bem, por aqui, no caso, de “Boomer”, de Bartees Strange, músico inglês que cresceu no Oklahoma mas é radicado em Washington DC. Uma mistura geográfica pouco usual tanto quanto sua música, de elementos do rap e do indie rock que descambam em um refrão com toques emo e um perfume de jazz. Bartees Strange, que aparece em foto na home da Popload, já andou pintando em listas de melhores de 2020 logo com seu primeiro álbum, “Live Forever”, lançado em outubro. Acredite: o cara é bom. A gente viu ele nesta semana no “Late Night” do Seth Meyers e aplaudiu.

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– Agora às 11h da manhã, em streaming ao vivo, Win Butler e Régine, o casal master do Arcade Fire, vão participar do evento “Make Earth Cool Again”, com “cool” no sentido de fazer a Terra ser bacana de novo apesar dos governantes estúpidos que a destroem e “cool” também no sentido de ser gelada novamente onde ela tem que ser gelada. O evento, anual, traz cientistas, experts e galera da música e do cinema direto de uma base da região polar do Ártico, Arctic Basecamp (@ArcticBasecamp), para lembrar ao mundo a urgência de se lutar contra as mudanças climáticas. O evento é apresentado pelo grande ator e comediante Rainn Wilson, da série “The Office”. O lema do “Make Earth Cool Again” é “O que acontece no Ártico NÃO fica no Ártico”. Para quem quiser ver, vai passar aqui.

– E nosso desejo de pronta recuperação a Laerte Coutinho. A cartunista já tinha relatado que estava com covid-19 havia alguns dias. Nesta terça-feira, a família dela avisou pelo Twitter que ela está internada desde o dia 21 e entrou na UTI na segunda-feira após uma piora de seu quadro. Toda a força para nossa gênia.

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Azealia Banks cantando bossa nova. É o que temos para hoje…

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Thank you São Paulo. I loved every single second of our time together. I can't wait to be back again. With love – AB

Uma foto publicada por Azealia Banks (@azealiabanks) em

A complicada Azealia Banks esteve recentemente no Brasil para um show em São Paulo e parece ter se maravilhado com o nosso país, como mostra uma das fotos publicadas por ela no Instagram, reproduzida acima.

A passagem dela por aqui a marcou tanto que ela resolveu fazer uma cover de “Chega de Saudade”, clássico da bossa nova escrito por Tom Jobim e Vinícius de Moraes, e que ficou famoso na voz de João Gilberto em seu disco de estreia.

A releitura, feita em arranjo acústico, é a primeira gravação de Azealia após a mixtape Slay-Z, lançada no início do ano.

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