Em jonathan ferr:

Top 50 da CENA – O primeiro lugar do ranking é uma música que não deveria ter sido feita. Francisco, el Hombre bota a primavera no top. Tagore bota sua dose de psicodelia no pódio

1 - cenatopo19

* Uma nota rápida na abertura de hoje. O primeiro lugar desta semana não deveria existir. É isso que temos a dizer, a gente detalha isso no texto da primeira posição.

criolotopquadrada

1 – Criolo – “Cleane” (Estreia)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda.

2 – Francisco, el Hombre – “Nada Conterá a Primavera” (Estreia)
Ainda sobre resistência, a nova música da banda Francisco, El Hombre conta de uma força invisível que não pode ser quebrada nem pelo tempos mais complicados da sociedade. Como é o verso que um certo político falou uma vez? Ainda que cortem umas flores aqui e ali, nada contém a primavera. Se a gente entendeu esta música, o recado é esse.

3 – Tagore – “Maya” (Estreia)
É impossível não pensar na psicodelia australiana, mas, conhecendo também a psicodelia brasileira, ambas estão bem representadas neste terceiro álbum de Tagore Suassuna, que capricha em letras rasgadas, aquelas que se entregam no sentimento, sabe? Embora ele verse que dá trabalho disfarçar a saudade da amada, nas letras ele faz questão zero de camuflar qualquer vergonha.

4 – Juçara Marçal – “Crash” (12)
A gente resolveu trazer a Juçara de novo ao alto do ranking porque é nesta semana que ela solta seu novo álbum, “Delta Estácio Blues”. E é neste disco que está este impressionante rap de Rodrigo Ogi em interpretação absurda de Juçara. Rap do ano.

5 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (Estreia)
Bonito o encontro de Bemti com Fernanda Takai e a sutil participação de Hélio Flanders, do Vanguart, no trompete. Uma história de amor que resista ao fim do mundo é uma grande história de amor, não? A letra é uma parceria de Bemti com Roberta Campos.

6 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (1)
Primeira mostra do primeiro álbum de inéditas em quase dez anos, “Anjos Tronchos” revela um Caetano atento a seu tempo. E mais ligado em tecnologia do que poderíamos imaginar que estivesse um homem que não tem celular. Uma de suas canções-tese, onde expõe seu pensamento crítico, este som bate na questão de quantos algoritmos estão moldando nossas cabeças. Caetano pondera aqui sobre o aspecto perverso da tecnologia, que colaborou na ascensão de um neofascismo, mas também aspectos positivos, como a Billie Eilish, que “faz tudo do seu quarto com o irmão”. Até a questão do sexo virtual não escapa de sua rica observação.

7 – Marissol Mwaba – “Marte” (2)
Em parceria com o trio Tuyo e com a superguitarrista Mônica Agena, Marissol lançou mais um excelente single. Marte de Marissol é mais que o planeta vermelho. É um lugar onde ela encontra afeto. Preste atenção nela. De single em single a cantora vai provando que não chamou atenção de nomes como Chico César e Fióti por acaso. Voz talentosíssima.

8 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (3)
É impressionante o álbum “Quintal dos Prettos”, trabalho ao vivo da dupla Prettos, formada por Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, da zona leste de São Paulo. Com uma microfonação pouco usual, indireta, sem colar na voz ou nos instrumentos, eles conseguiram recriar a sensação de ir a uma roda de samba em disco, uma missão e tanta. Público e músicos viram uma coisa só nesse método da gravação e é como se você estivesse na plateia, com o som levemente abafado pela quantidade de pessoas em volta da roda.

9 – Liniker – “Mel” (4)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar por aqui, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

10 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” e “Sombra” (5)
Forte o encontro dos rappers Joca e Sain com o pianista Jonathan Ferr e a produça de Beno e Theo Zagrae. Ao pensar em sombra e água fresca, uma combinação dez, a sacada é que quando elas operam em separado a sombra ganha novo sentido. As duas músicas, então, funcionam como uma só. Sacada esperta.

11 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (6)
12 – brvnks – “happy together” (7)
13 – Vanguart – “Lá Está” (8)
14 – Papisa e Haēma – “Fortuna” (9)
15 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (10)
16 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (11)
17 – Juçara Marçal – “Crash” (12)
18 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (13)
19 – Alice Caymmi – “Serpente” (14)
20 – Coruja BC1 – “Tarot” (15)
21 – Curumin – “Púrpuras” (16)
22 – Nelson D – “Toy Boy” (17)
23 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (18)
24 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (19)
25 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (22)
26 – Marina Sena – “Me Toca” (23)
27 – Majur – Ogunté (24)
28 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (25)
29 – Papangu – “Ave-Bala” (26)
30 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (27)
31 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (29)
32 – GIO – “Sangue Negro” (30)
33 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (31)
34 – Rodrigo Amarante – “Maré” (32)
35 – Amaro Freitas – “Sankofa” (34)
36 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (35)
37 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (36)
38 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (37)
39 – Jadsa – “Mergulho” (38)
40 – FEBEM – “Crime” (39)
41 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (40)
42 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (41)
43 – Boogarins – “Supernova” (42)
44 – BaianaSystem – “Brasiliana” (43)
45 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (44)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (45)
47 – Mbé – “Aos Meus” (46)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (47)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (28)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper e cantor Criolo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Chegou este dia. Caetano liderando um ranking da Popload. E tem até samba no nosso pódio

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* Caetano Veloso. Sim, Caetano Veloso straight to the top no nosso top 50 da CENA. A busca por novidades da música brasileira, prática constante nossa, pode vir de um autor tão clássico como é Caetano. Não tem estranheza nisso. Afinal, ele está escrevendo a partir do nosso tempo e, veja só, com uma atualidade que muito artista novo corre atrás de alcançar, mas que é tarefa das mais difíceis. Pensa só: ele fez uma supermúsica sobre algoritmos e tecnologia, mas nem tem um celular. A capacidade de ler o mundo de algumas pessoas é uma coisa e tanto, né?

caetanotopquadrado

1 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (Estreia)
Primeira mostra do primeiro álbum de inéditas em quase dez anos, “Anjos Tronchos” revela um Caetano atento a seu tempo. E mais ligado em tecnologia do que poderíamos imaginar que estivesse um homem que não tem celular. Uma de suas canções-tese, onde expõe seu pensamento crítico, este som bate na questão de quantos algoritmos estão moldando nossas cabeças. Caetano pondera aqui sobre o aspecto perverso da tecnologia, que colaborou na ascensão de um neofascismo, mas também aspectos positivos, como a Billie Eilish, que “faz tudo do seu quarto com o irmão”. Até a questão do sexo virtual não escapa de sua rica observação.

2 – Marissol Mwaba – “Marte” (Estreia)
Em parceria com o trio Tuyo e com a superguitarrista Mônica Agena, Marissol lançou mais um excelente single. Marte de Marissol é mais que o planeta vermelho. É um lugar onde ela encontra afeto. Preste atenção nela. De single em single a cantora vai provando que não chamou atenção de nomes como Chico Cesár e Fióti por acaso. Voz talentosíssima.

3 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (Estreia)
É impressionante o álbum “Quintal dos Prettos”, trabalho ao vivo da dupla Prettos, formada por Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, da zona leste de São Paulo. Com uma microfonação pouco usual, indireta, sem colar na voz ou nos instrumentos, eles conseguiram recriar a sensação de ir a uma roda de samba em disco, uma missão e tanta. Público e músicos viram uma coisa só nesse método da gravação e é como se você estivesse na plateia, com o som levemente abafado pela quantidade de pessoas em volta da roda.

4 – Liniker – “Mel” (1)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar por aqui, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

5 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” e “Sombra” (Estreia)
Forte o encontro dos rappers Joca e Sain com o pianista Jonathan Ferr e a produça de Beno e Theo Zagrae. Ao pensar em sombra e água fresca, uma combinação dez, a sacada é que quando elas operam em separado a sombra ganha novo sentido. As duas músicas, então, funcionam como uma só. Sacada esperta.

6 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (Estreia)
Jup do Bairro em um som da Fresno é aquele meme do “começo do sonho/deu tudo certo”. Ela já tinha deixado todas as dicas que ama a banda por aí, em covers e vídeo. Esse excelente feat está dentro do projeto INVentário, a novidade da Fresno que já detalhamos em um papo com a banda, veja aqui.

7 – brvnks – “happy together” (Estreia)
Que saudade que a gente estava da brvnks. E, neste novo single, a delicada “hapyy together”, ela acena com muuuuuitas mudanças e promete um novo álbum direcionando sua guitarra a algo mais pop. Queremos.

6 – Vanguart – “Lá Está” (Estreia)
Agora um trio, o Vanguart abriu espaço para Fernanda Kostchak, violinista da banda há quase dez anos, arriscar uma composição e vocal, até aqui (quase) sempre divididos apenas por Hélio Flanders e Reginaldo Lincoln. Saldo: queremos saber mais desse lado da Fernanda que a gente não conhecia. Escutar sua voz no álbum foi uma boa surpresa. Das coisas boas de ouvir um disco sem spoiler – ou você acha que disco não tem spoiler?

9 – Papisa e Haēma – “Fortuna” (Estreia)
Muito bonita a parceria da Papisa com a dupla portuguesa Haēma, formada por Susana Nunes e Diana Cangueiro. Essa união veio da proposta do pesquisador musical português André Gomes, interessado em juntar artistas dos dois países. Como Papisa contou para nossos parceiros do “Scream & Yell”, a música “tem um pouco de caos e incômodo e a sensação de libertação do que nos aprisiona, indo mais pro centro das coisas, pro que é essencial”.

10 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (2)
Em “Nordeste Futurista”, Luana, que é da Paraíba, chega arrepiando em propor muitas conexões sonoras de ritmos da região com a música eletrônica. Melhor que o verbo “propor”, dá para dizer que Luana realiza com sucesso tipo uma cientista essa mistura para conseguir construir algo novo. Um diálogo criativo em ritmo, sons e na letras, que abordam a questão LGBTQI+.

11 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (3)
12 – Juçara Marçal – “Crash” (4)
13 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (5)
14 – Alice Caymmi – “Serpente” (6)
15 – Coruja BC1 – “Tarot” (7)
16 – Curumin – “Púrpuras” (8)
17 – Nelson D – “Toy Boy” (9)
18 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (10)
19 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (11)
20 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (12)
21 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (13)
22 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (14)
23 – Marina Sena – “Me Toca” (15)
24 – Majur – Ogunté (16)
25 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (18)
26 – Papangu – “Ave-Bala” (19)
27 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (20)
28 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (21)
29 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (23)
30 – GIO – “Sangue Negro” (24)
31 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (26)
32 – Rodrigo Amarante – “Maré” (27)
33 – Criolo – “Fellini” (28)
34 – Amaro Freitas – “Sankofa” (29)
35 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (30)
36 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (32)
37 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (33)
38 – Jadsa – “Mergulho” (35)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, Caetano Veloso.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Edgar troca o topo com a Tuyo. Giovanna Moraes segue no baile. Supervão deixa tudo ácido

1 - cenatopo19

* A gente avisou que isso ia rolar. Semana passada a dobradinha do topo foi Tuyo e Edgar, que lançaram dois álbuns grandiosos da nossa CENA. Desta vez é Edgar e Tuyo. Simplesmente porque não paramos de escutar essa dupla – de discos tão diferentes e com uma mesma energia e recado, é só buscar que acha. Mas lógico que a semana teve outros lançamentos e a gente mais uma vez conseguiu reunir as novidades que mais nos interessaram – em uma semana bem experimental da nossa parte, digamos.

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1 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (Estreia)
Semana passada ele ficou em segundo e agora é hora de celebrar o topo do pódio. Resolvemos destacar um outro som desta vez, a excelente “A Procissão dos Clones”, que é interessante pelo ritmo que Edgar opta em jogar os versos, sem grandes variações melódicas, como um mantra só que sem a repetição de palavras – seria um antimantra? Por aqui Edgar despeja seu pedido para que resolvemos tomar alguma atitude frente a destruição de tudo que nos cerca. Vamos escolher uma cela maior ou destruir essa prisão?

“Um desastre ecológico
É a última opção
Pro ser humano perceber quão metódico
Virou a obsessão de expandir a sua jaula
Ao invés de fugir do zoológico
Não troque a sua cela
Por outra cela mais bonita”

2 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (Estreia)
Ainda estamos apaixonados pelo disco da Tuyo e resolvemos destacar outra música. Semana passada foi “O Jeito É Ir Embora”. Nesta semana é a experimental “Toda Vez Que Eu Chego em Casa”, uma colaboração com o ótimo Jonathan Ferr que constrói uma longa e deliciosa track que passeia por simples dois versos. Sentimentos de aconchego e de um certo desnorteamento se encontram por aqui. Sabe aquele papo de “me perdi tentando me encontrar”?

3 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (3)
“Baile de Máscaras” é uma das ótimas músicas do disco “III”, algo entre um EP e um álbum (miniálbum?) que a cantora e multiinstrumentista e atriz de vídeo e editora de vídeo lançou em março. Agora a canção surge em versão single com direito a uma música inédita e a versão instrumental, um jeito de oferecer um novo olhar complementar para a gravação. Retomada de proposta interessante para single, perdida nos tempos de streaming. Fora o vídeo, lindaço.

4 – Supervão – “Amiga Online” (Estreia)
A excelentíssima banda gaúcha Supervão, que derivou da psicodelia para a eletrônica nervosa atual, outras viagens, segue nessa toada neste delicioso acid house pendendo muito ao techno às vezes. Eles juram que a música tem uma estrutura indie ali, nos vocais e nas guitarras. A gente está procurando há uma semana esses traços. Vamos escutar mais uma vez para ver se rola.

5 – Djonga – “Easy Money” (Estreia)
Ainda que tenha recém-lançado um disco, Djonga acerta neste single de uma inédita que parece uma boa tiração de onda com o sucesso que não cabia no conceito do álbum – lançar singles logo após um álbum todo parece ser uma tendência no rap nacional, não sabemos o motivo. Uma música divertida para tempos complicados, aqui Djonga celebra consciente de que essa vitória é só um capítulo de um plano maior em sua cabeça, até porque o sucesso não é um bom medidor dessas conquistas, dado que é passageiro.

6 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (Estreia)
Grande caçador das batidas perfeitas, o beatmaker, DJ, instrumentista e engenheiro de som Master San reúne em “Soul Quantize” 34 faixas inéditas trabalhadas em cima de bases de hip hop. As construções em cima de pedaços reconhecíveis de outros sons pede uma imersão. É um prazer tentar adivinhar de onde vem cada elemento. Que de vez em quando tem algumas pistas bem curiosas. Ou precisamos contar de onde ele pega alguns sons de “Intergalatica”?

7 – CESRV – “Soundbwoy Champion” (Estreia)
E, por falar em caçadores das batida perfeita, temos nosso querido Cesinha em sua contínua busca. Neste EP, um dos nossos beatmakers mais presentes no Top 50 da CENA investiga um pouco do UK Garage, uma de suas linhas de pesquisa. Em quase meia hora, CESRV arquiteta quase um doutorado no assunto.

8 – Taco de Golfe – “Pessoa Que Fala” (Estreia)
Por aqui o trio instrumental formado por Alexandre Damasceno e Gabriel Galvão segue sua loucuragem instrumental. No Bandcamp a música veio acompanhada de um código misterioso. A gente colocou a mensagem cifrada em um site que lê código morse e veio a palavra “Memorando”. Será que é alguma dica?

9 – Jonathan Ferr – “Amor” (4)
Chamou nossa atenção a participação do Jonathan no disco da Tuyo e fomos ver o que ele andava fazendo. E não é que ele lançou um disco ao mesmo tempo que a banda parceira? Um senhor álbum, diga-se, quase todo instrumental e ao piano, chamado “Cura”. Uma obra belíssima para escutar de ponta a ponta, dada a profunda conexão entre cada faixa. Pode ser um pouco desafiante se dedicar a um disco mais experimental assim, mas acredite na gente. Vale cada segundo.

10 – Jadsa – “Mergulho” (5)
A gente já celebrou tanto o álbum “Olho de Vidro” da Jadsa por aqui, mas sempre é bom reforçar nosso gosto por esse trabalho da guitarrista baiana. Agora que ela lançou um vídeo para este som que abre o disco, a gente achou a desculpa perfeita para trazer ela de volta às primeiras colocações do nosso Top 50.

11 – Mulungu – “A Boiar” (6)
12 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (7)
13 – Bonifrate – “Rei Lagarto” (8)
14 – GIO – “Nebulosa” (9)
15 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (10)
16 – BK – “Dinheiro, Poder, Respeito” (11)
17 – Jomoro e Karina Buhr – “Saudades de Lá” (12)
18 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (13)
19 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (14)
20 – Zé Manoel – “Como?” (15)
21 – Os Amantes – “Linda” (16)
22 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (17)
23 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (18)
24 – Rodrigo Amarante – “Maré” (19)
25 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (20)
26 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (21)
27 – Anitta – “Girl from Rio” (22)
28 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (23)
29 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (24)
30 – Salma e Mac – “Amiga” (25)
31 – Yung Buda – “Digimon” (26)
32 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (27)
33 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (28)
34 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (29)
35 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (30)
36 – FEBEM – “Crime” (31)
37 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (32)
38 – Boogarins – “Supernova” (33)
39 – Moons – “Love Hurts” (34)
40 – BaianaSystem – “Brasiliana” (35)
41 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (36)
42 – Jair Naves – “Vai” (37)
43 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (38)
44 – Yannick Hara – “Raça Humana” (40)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (41)
46 – FBC – “Gameleira” (42)
47 – Mbé – “Aos Meus” (43)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (44)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (46)
50 – Ale Sater – “Peu” (47)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do rapper paulista Edgar.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Supersemana da música brasileira nova no nosso ranking, estrelando Tuyo, Edgar, Jonathan Ferr, Giovanna Moraes, Jadsa…

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* Que difícil escolher o primeiro lugar desta semana. Tuyo, Edgar e Jonathan Ferr lançaram discos que merecem o primeiro lugar. Caiu no colo da Tuyo desta vez, mas acho que vamos ter que dar um jeito de premiar os nossos outros colegas, que lançaram trabalhos tão bons quantos. Vamos observar – até porque, como pontua Edgar, todos esses trabalhos são daqueles que merecem repetidas audições. Pressa para quê? Aqui não é áudio de Whatsapp para acelerar as coisas.

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1 – Tuyo – “O Jeito É Ir Embora” (Estreia)
Este álbum novo do trio paranaense Tuyo consegue realizar a complicada missão do famigerado “segundo álbum”, por qual muitos grupos não passam. Em uma reflexão sobre crescimento estampada nas letras, a banda não tem medo de ampliar sua proposta sonora em uma transição bem feita – nem brusca demais, nem lenta demais. Essa coragem na proposta talvez esteja até na letra desta candidata a hit que pode ser tanto sobre desmanchar um relacionamento fracassado quanto sobre abandonar ideias que estão nos empacando. Discão.

2 – Edgar – “Mentes Mirabolantes” (Estreia)
Na metáfora que escolheu para explicar o álbum, Edgar comparou seu novo disco à maniçoba, um prato do Norte do Brasil que leva dias para ficar pronto. Ou seja, é preciso muito cozimento para que todas as ideias de “Ultraleve” batam na mente do ouvinte. Por aqui, enquanto o preparo não rola, já que não escutamos todas as vezes suficientes para captar o disco por inteiro, fica a impressão de que Edgar mantém sua capacidade dar alertas necessários e de correr de sensos comuns e respostas fáceis. Segue imprevisível. Para o nosso Top, pegamos a magnífica “Mentes Mirabolantes”. O universo brilhante da cabeça do Edgar em sua mais perfeita forma.

3 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (Estreia)
“Baile de Máscaras” é uma das ótimas músicas do disco “III”, algo entre um EP e um álbum (miniálbum?) que a cantora e multiinstrumentista e atriz de vídeo e editora de vídeo lançou em março. Agora a canção surge em versão single com direito a uma música inédita e a versão instrumental, um jeito de oferecer um novo olhar complementar para a gravação. Retomada de proposta interessante para single, perdida nos tempos de streaming. Fora o vídeo, lindaço.

4 – Jonathan Ferr – “Amor” (Estreia)
Chamou nossa atenção a participação do Jonathan no disco da Tuyo e fomos ver o que ele andava fazendo. E não é que ele lançou um disco ao mesmo tempo que a banda parceira? Um senhor álbum, diga-se, quase todo instrumental e ao piano, chamado “Cura”. Uma obra belíssima para escutar de ponta a ponta, dada a profunda conexão entre cada faixa. Pode ser um pouco desafiante se dedicar a um disco mais experimental assim, mas acredite na gente. Vale cada segundo.

5 – Jadsa – “Mergulho” (Estreia)
A gente já celebrou tanto o álbum “Olho de Vidro” da Jadsa por aqui, mas sempre é bom reforçar nosso gosto por esse trabalho da guitarrista baiana. Agora que ela lançou um vídeo para este som que abre o disco, a gente achou a desculpa perfeita para trazer ela de volta às primeiras colocações do nosso Top 50.

6 – Mulungu – “A Boiar” (1)
Demorou, mas saiu o primeiro álbum da banda guitar-zen nordestina Mulungu – um trio de dois recifenses e um potiguar. Sem colocar em cheque a originalidade da banda, dá para dizer que os meninos pegam muito do caminho desbravado pelo Boogarins, uma música brasileira e muito universal e de letras caprichadas. Por aqui, reflexões sobre autocuidado – muito na brisa da onda de indie mental health que a gente comenta direto por aqui.

7 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (2)
Escrever e pensar sobre música é legal, lógico, é nosso trabalho, oras. Mas é muito bom também quando o artista faz questão de traduzir em algumas palavras suas ideias sobre suas músicas. Além de facilitar nossa missão, ajuda a decodificar e a convidar a prestar atenção em alguns detalhes que só eles sabem onde estão. Mas toda essa volta para puxar aqui a ideia que a própria Jup do Bairro dá sobre seu novo single: “Acredito que esta faixa é uma de minhas composições mais viscerais (literalmente). É uma viagem filosófica ao meu corpo e como o entendo. Entre dores e delícias, como podemos projetar o futuro se o presente é incerto?”.

8 – Bonifrate – “Rei Lagarto” (3)
Bonifrate que sumiu ou a gente que marcou bobeira? Seja lá qual for a resposta envolvendo o ex-Supercordas, é bom escutar sua nova música, uma produção solitária, analógica e filosófica, cujo combo dá toda uma textura e clima únicos à canção. Tudo indica que vem um novo álbum solo por aí. E pelo mesmo selo gringo que cuida de nomes como Boogarins, Wry e Carabobina. Saudamos a volta do Bonifrate com um top 3, que ele merece.

9 – GIO – “Nebulosa” (4)
O baiano ex-Giovani Cidreira segue bem por aqui com a bonitaça “Nebulosa”, canção sua com a conterrânea Jadsa no rolê. “Nebulosa” chega dentro de um projeto que Cidreira iniciou, que envolve um novo álbum, uma websérie no Youtube deles e até uma mudança de nome para GIO, já adotado por aqui e batismo com o qual ele já assinava outros trabalhos. “Nebulosa”, que vai estar no álbum “Nebulosa Baby”, a sair agora em junho, ainda traz a marca da não convencionalidade sonora que marca o ex-Cidreira, mas com um ar moderno e em voga com um pop meio melancólico e para cima ao mesmo tempo.

10 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (5)
Esperta, achamos, a sacada dos mineiros da Lupe de Lupe de renomear no último minuto seu novo álbum, uma reflexão sobre o Brasil, de “Lula”. Que personagem da nossa história consegue reunir nosso melhor e nossas maiores contradições? Ao nomear cada música como uma cidade, neste disco que acaba de ser lançado, a banda percorre este país como o ex-presidente percorreu algumas vezes atrás não só de respostas, mas de questões. Por que no Brasil tem moleques tocando pensando som em uma formatação gringa que é a banda punk, guitarra, baixo e bateria? E quanto eles produzem um som que só poderia ser brasileiro? Isso para ficar em uma das muitas questões. Um disco irregular, mas muito bom quando é bom, que é para ser absorvido devagar. Até porque ele é um tanto longo para os padrões atuais, quase uma hora. Mas vale prestar atenção quando artistas tão atentos e cuidadosos preparam algo com essa ambição.

11 – BK – “Dinheiro, Poder, Respeito” (6)
12 – Jomoro e Karina Buhr – “Saudades de Lá” (7)
13 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (8)
14 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (9)
15 – Zé Manoel – “Como?” (10)
16 – Os Amantes – “Linda” (11)
17 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (12)
18 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (13)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (14)
20 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (15)
21 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (16)
22 – Anitta – “Girl from Rio” (17)
23 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (18)
24 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (19)
25 – Salma e Mac – “Amiga” (20)
26 – Yung Buda – “Digimon” (21)
27 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (22)
28 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (23)
29 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (24)
30 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (25)
31 – FEBEM – “Crime” (26)
32 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (27)
33 – Boogarins – “Supernova” (28)
34 – Moons – “Love Hurts” (29)
35 – BaianaSystem – “Brasiliana” (30)
36 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (31)
37 – Jair Naves – “Vai” (33)
38 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (34)
39 – Carmem Red Light – “Faith No More” (35)
40 – Yannick Hara – “Raça Humana” (36)
41 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (37)
42 – FBC – “Gameleira” (40)
43 – Mbé – “Aos Meus” (41)
44 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (43)
45 – Djonga – “Eu” (44)
46 – LEALL – “Pedro Bala” (45)
47 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (46)
48 – Ale Sater – “Peu” (47)
49 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
50 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do trio paranaense Tuyo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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