Em jorge benjor:

Especial Bananada 2016 – os sete dias que abalaram o indie nacional

>>

aldo

* Queimando tudo até a última ponta, o festival Bananada aconteceu durante uma semana cheia em Goiânia, botando em sua 18ª edição a música independente para funcionar de segunda a domingo passados, da pequena Sara Não Tem Nome ao enorme Jorge Ben, em clubinho, bar, palcão, teatro e shopping center. Foi extremamente bem organizado, bem montado, bem conduzido. Foi politizado, foi alto astral, teve rock pesado, mpb fofinha, rap, eletrônica, Jorge Benjor e Planet Hemp.;

Um dos festivais mais robustos do calendário indie nacional, com 75 atrações e cujo epicentro eram os dois palcos do belo Centro Cultural Oscar Niemeyer, a Popload revela alguns de seus principais momentos, sob o olhar do site parceiro A Gambiarra, de Goiânia, que nos conectou com a movimentação toda produzida pelos produtivos produtores da Construtora Música e Cultura de uma das cidades mais agitadas e prolíficas hoje da cena brasileira.

Confira o especial Bananada 2016, um retrato das noites mais fortes do festival, de sexta a domingo. Mas, antes, a Mahmundi, que se apresentou na segunda-feira, na abertura do festival.


***

mahmundi
A carioca Marcela Mahmundi fez no Bananada, logo na noite de abertura, o show de lançamento de seu delicado/suingado primeiro disco, digamos, que leva seu nome. Relatos que peguei da apresentação da multiinstrumenta apontam que, ao vivo, o pop oitentista da moça, com baruilhos cool enxertados, foi muito classe


***

**
********** SEXTA-FEIRA **

** Sara Não Tem Nome
A noite de sexta, quando o festival ficou gigante partindo para o final de semana, começou com o show da menina do interior de Minas Gerais, Sara Não Tem Nome. O concerto, realizado no Palco Casa do Mancha, uma reprodução goiana do importante não-palco da Casa do Mancha paulistana, reuniu algumas pessoas entre a praça de alimentação e as lojinhas do festival. Mesmo com timidez, som abafado e instrumentos mais altos que sua voz, Sara conseguiu se sair bem. Ela conseguiu entregar um show simples e mostrou que sabe usar sua guitarra para construir seu som indie folk, que funciona tanto se apresentado aos mineiros ou em Vancouver, no Canadá. Aqui, no caso, foi para goianos ver.
A banda encerrou sua apresentação no Bananada com a faixa “Omega III”.



**

** Bike
O primeiro show dos grandes palcos foi o da banda goiana psicodélica Bike, que começou o show mesmo com poucas pessoas, mas mostrou que estava ali para levar a galera para outras galáxias. Eles resolveram usar no Bananada a mesma roupa do vídeo de “Enigma do Dente Falso”, que lembra o uniforme de astronautas. A banda transitou entre faixas mais chill e outras um pouco mais pendendo ao hard rock, uma marca do indie goiano. Formada por um conjunto de cordas expert de suas guitarras e um baixo, eles ainda aproveitaram para criticar a situação política do Brasil e se posicionaram contra retrocesso político que o país está passando.



**

** Yonatan Gat (Israel/EUA)
Um dos grandes momentos da sexta do festival aconteceu quando um pequeno palco foi montado no meio da galera com apenas três instrumentos (guitarra, baixo e bateria) e três focos de luzes coloridas. Logo depois o guitarrista, compositor e improvisador de punk rock Yonatan Gat. Considerado o melhor guitarrista de Nova York em 2013 pelo guia cultural “The Village Voice”, Gat comandou uma incrível performance de improviso na mesma altura do público.

**

** Carne Doce com participação de Ava Rocha
Os goianos do Carne Doce eram um dos grandes esperados na sexta-feira e a ótima vocalista Salma Jô (foto acima) conseguiu entregar um show lindo, levando seu som psicodélico abrasileirado, sua Tropicália moderna para o palco do Bananada. A voz absoluta de Salma ecoou por todo o festival e tomou a atenção de todos, cantando já pequenos clássicos da banda e até o sucesso carnavalesco “Baile de Favela”. Além disso tudo, ela chamou a grande Ava Rocha para se juntar a ela na parte final do show, para tudo ficar ainda mais bonito.

**

jorge

** Jorge Ben Jor
Carioca de Madureira, criado no Catumbi, Jorge Ben Jor queria ser jogador de futebol e até chegou a integrar o time infanto-juvenil do Flamengo, mas chegou. Mas ali, no Bananada, a megaatração entrou no palco mostrando o que realmente veio fazer neste mundo: música. Não teve uma pessoa em todo a extensa área do festival que não deixou o que estava fazendo para ir ver o show de Jorge Ben. A apresentação começou tranquila e leve, mas logo foi embalada pelos grandes sucessos do cantor. O que mais impressionou no show foi que ele mais parecia um regente de uma orquestra, conduzindo todos os outros instrumentistas. Impecável.

**
********** SÁBADO **

** Felipe Cordeiro
Viva o estilo kitsch! Felipe Cordeiro trouxe do Pará aquele tipo de exagero musical bonito de se ver. Não é novidade para ninguém que a musicalidade do norte do Brasil tem uma enorme representatividade hoje em dia, e Felipe consegue deixar tudo ainda mais emblemático.
Ele é aquele tipo de artista que anima qualquer espaço, com sonoridade que mistura o tradicionalesco paraense com a modernidade latina representada pela cúmbia, zouk, reggaeton, bachata, cacicó. Uma farra.

**

** Silva
O capixaba dispensa apresentações. Silva se firma como um dos melhores artistas do atual pop brasileiro, um sopro de inteligência num cenário que ainda carece bastante de autenticidade. Como frisou Carlos Eduardo Miranda, uma espécie de “apresentador do Bananada” assim como era o lendário John Peel no lendário Reading Festival da Inglaterra, durante a apresentação de Silva ele consegue arriscar. As músicas do álbum Júpiter foram as mais aguardadas pelo seu já sólido número de fãs, que responderam imediatamente a qualquer primeiro acorde do músico, cantando junto. A atmosfera da apresentação ficou completa com o show de luzes. E, mesmo que um pouco calado, Silva consegue chamar todas as atenções ao palco e mostrar carisma. Um artista e ponto.

**

**

liniker

** Liniker
A força de Liniker é notável assim que ele entra no palco. O que dizer de um show que já começa com a plateia gritando “Não vai ter Temer”? Pelo jeito, os minutos comandados por Liniker representaram o grito engasgado de muitos brasileiros descontentes com os novos rumos que o país está tomando. Cultura, arte, representatividade, tudo estava ali, nas entrelinhas. E, segundo vimos no festival, a partir de Liniker, já que vai ter mesmo golpe, vai também ter resistência. Um manifesto cultural com recados diretos do que é considerado a bola da vez da música brasileira, ainda pequeno mas com uma voz bem forte. Veja a performance dele em “Zero”:

**

** Omulu, Cohen, Mau Mau e Noise
Para fechar a noite de sábado, a veia eletrônica dominou os últimos shows, tendo início com Omulu e terminando com o trio de DJs Cohen, Mau Mau e Noise em apresentação conjunta. Quem resistiu até o final do Bananada na noite do sábado, já na madrugada de domingo, viu a capital do indie hard rock se render à energia das batidas destes quatro nomes. Foi a primeira vez que a organização do Bananada deu tamanho destaque a DJs, e pela resposta, vai continuar assim nas próximas edições.

**
********** DOMINGO **

** The Helio Sequence
Um dos grandes destaques da noite de encerramento, logo no início, foi o duo norte-americano The Helio Sequence. Marcando a primeira passagem pelo Brasil, Brandon Summers e Benjamin Weikel mostraram maturidade e técnica em cima do palco A Construtora. Também pudera: a dupla possui seis discos de estúdio lançados e um currículo de shows de dar inveja. Na ativa desde 1999, o duo da Sub Pop não só provou que o tempo de estrada refinou seu indie rock como ainda mandou um “Fuck Temer” no show. Arrastou grande público para vê-los.

**
** Autoramas
Do começo ao fim, Gabriel, Érika, Melvin e Fred mostraram fôlego e conseguiram animar o público na Esplanada como poucos. Vale muito a pena destacar ainda mais a presença feminina de Érika na banda, que suaviza ao mesmo tempo em que mostra força. A banda carioca já é conhecida nacional e internacionalmente, o que gera familiaridade. No entanto, assistir à performance do quarteto em cima de um palco é sempre energizante, renovador.

**
** Fingerfingerrr
Nosso White Stripes paulistano (cóf), a banda mais bem vestida do indie nacional, tocou cedo no palco Casa do Mancha, no meio da muvuca de lojinhas e praça de alimentação. Começaram a toda, som violento, causando uma estranheza na galera, mas logo chamaram o público para tomar uísque (!). Convidaram o próprio Mancha para tocar baixo no encerramento do show, que era também o encerramento da programação da réplica da pequena grande casa paulistana.

**

**

aldo2

** Aldo The Band
Show proibido para menores, o paulistano Aldo The Band, um dos shows mais bacanas do rock (?) eletrônico (?) nacional sacudiu o Bananada, em seu horário. Estima-se que tinha 5 mil pessoas para ver a bagunça sonora espetacular do Aldo. Uma banda “estranha” para a noite, composta de atrações de rock (inclusive o Planet Hemp, que está beeeeeem rock na real). Cenas de nudez explícita marcaram o final da apresentação, para resumir a vibe do que foi o Aldo no Bananada. Acima, uma foto liberada pela censura.

**
** Hellbenders
O Bananada 2016 marcou o retorno do Hellbenders a sua cidade natal. Os goianienses atingiram um patamar na música nacional e internacional que é de admirar. Quem já conhecia o som da banda estava sentindo que tudo ocorria em um habitat natural. E mais: o grupo levou toda sua experiência para o palco, mesclando canções clássicas do começo da carreira com as do novo disco de estúdio, “Peyote”, que foi lançado no começo deste mês. E tudo fez muito sentido. Showzão.

**

** Planet Hemp
De longe o show que mais reuniu público no Bananada 2016, que não se deixou abater por conta do atraso de mais de uma hora, a atração mais aguardada da noite chegou fazendo barulho e colocando o público para cantar e dançar. Mesmo quem não curtia muito o som de D2 e cia acabou sendo contagiado pelo som pareceu bem animado. No que pese o vai-não vai do histórico grupo, o afastamento de shows e incertezas de futuro, uma banda forte, coesa e sempre energética. Que final para o Bananada.

** Todas as fotos deste post e da home da Popload são de Ariel Martini, do I Hate Flash, especial para o Skol Music, patrocinador oficial do Bananada. A imagem que abre o post é de show do Aldo The Band, vista do palco. Na home, Liniker.

>>

De Mahmundi a Planet Hemp, Bananada Festival 2016 sacode Goiânia (e a cena indie brasileira)

>>

Untitled-8

* A partir de hoje e até domingo, um dos principais festivais do calendário independente brasileiro bagunça a capital sertaneja espalhando por casas de espetáculo, clubes, estúdios, pubs, shopping center, teatro, em formato de shows grandes e pequenos, showcases de selo e até “palco importado”, uma série de shows que conecta várias das expressões sonoras da cena indie nacional.

Sara Não Tem Nome (Minas Gerais), Liniker (São Paulo), os locais Carne Doce, Bang Bang Babies e Hellbenders, o gaúcho Frank Jorge, os cariocas Supercordas e Autoramas, o protoindie Killing Chainsaw, os “internacionais” Aldo e Fingerfingerrr, o capixaba Silva, o gringo The Helio Sequence, DJs peso pesados como Mau Mau, Renato Cohen e Anderson Noise, o gringo The Helio Sequence e os muito conhecidos Planet Hemp e Jorge Benjor, entre vários outros, traçam em uma semana corrida o panorama musical do país em agito goiano com padrão internacional, até porque o Bananada, agora em 2016, leva sua marca para a Espanha, Portugal e Inglaterra.

As conexões são muitas. O Bananada, produzido pela esperta A Construtora, junta metal com eletrônica, nova mpb e indie velho, soul music e punk. Importa para o festival a Casa do Mancha, importantíssimo reduto paulistano para shows pequenos com curadoria grande. Transforma-se em vitrine com showcases como o do selo Balaclava. E prepara seu vôos internacionais com bandas e conceito em parceria com outro relevante festival indie nacional, o DoSol, do Rio Grande do Norte.

A programação completa do Bananada, com datas e locais, está aqui.

Untitled-7

Hoje um dos destaques é a apresentação da Mahmundi às 21h, no Teatro Sesi. A multi-instrumentista e cantora carioca Marcela Vale, a Mahmundi, acaba de lançar seu primeiro disco, homônimo, via Skol Music, dentro da estampa Stereomono, o mesmo que edita no Brasil o Boogarins e o Jaloo.

Já há algum tempo encantando a cena indie com velha nova MPB de alguma pegada eletrônica, Mahmundi em seu disco dèbut está com um som mais “clean”, quase pop, mais ensolarado que synth desta vez, gostosinho para tocar em uma rádio brasileira mais moderninha, se rádio assim existisse no país.

O disco, que vem resgatar um “eterno verão” carioca que remete aos anos 80 e que ao vivo pode até ter nuances do “eterno inverno” sonoro na linha do britânico James Blake, bem anos 2010, existe por enquanto apenas digital. Mas cópias em vinil são prometidas para logo.

Larga hoje, e bem, o Bananada 2016.

>>