Em joy division:

O bom truque do Peter Hook em uma noite quente de São Paulo

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* Talvez um dos únicos caras da história da música que pode se dar o luxo de aplicar o truque na música, o baixista Peter Hook fez um excelente show ontem à noite no lotadaço e festivo Cine Joia, na Liberdade, em São Paulo. Pendendo entre uma banda cover de luxo, um karaokê bizarro cujas canções você canta com a maior familiaridade porque esteve lá as construindo e uma ótima aula de história (aqui no sentido da matéria, mesmo), o britânico tocou nesta terça por 2h40 exatamente uma semana depois que seus ex-amigos de um passado mais bem formado, o New Order em si, também deu show _ e milagrosamente um show absurdo _ na capital paulistana.

Peter Hook, por não ter sido um “mero baixista”, carrega uma licença poética de aprontar barraco, montar uma banda de moleques (The Light) que inclui seu filho e sair por aí excursionando pelo mundo “apenas” porque ajudou a fundar duas das mais importantes bandas da música inglesa: o pós-punk no future Joy Division e o em seguida indie-pop-dance-eletrônico New Order, duas instituições tão iguais e tão diferentes com um caminhão de hits marcantes que dava para abastecer umas dez bandas novas de sucessos para se manter em tour mundial por anos e anos.

Hook fez do baixo uma guitarra líder na época áurea das duas bandas e continua fazendo hoje em dia. Porque era isso mesmo: no Joy Division e no New Order, seu instrumento era tão importante quanto a guitarra. Ele impunhava isso, as músicas impunhavam isso, o ritmo das bandas era ditado por seu baixo.

Hoje, se em seus show erra em muitos vocais ou condições dos hits mais eletrônicos, ele acerta quando o bacana é remeter as memórias exatamente para o comecinho dos anos 80, terreno familiar a ele e para a maioria dos fãs presentes ao Joia, que esgotaram os ingressos da noite.

Por exemplo, peguemos o clássico dos clássicos “Blue Monday”, uma das músicas de pista mais importantes da face da Terra. A versão que o New Order toca em seus shows dos últimos anos é uma versão playba tipo remix de FM. O hit está ali embaixo, lindo. Mas a “roupa moderna” dá uma cara mais coxa ao hino do New Order. Já Hook vai no básico e certeiro. Assume a música com seu baixo explodindo logo após a inicial e espetacular introdução eletrônica que marca “Blue Monday”, desde 1983, quando foi lançada. Hook roots. Pontaço para ele.

Seu show teve malucas 2h40 de duração, mais ou menos, dividido em duas partes. A primeira, New Order. A segunda, Joy Division. Brilhou no que tinha que brilhar, escorregou um pouco em momentos em que a música pedia o vocal de Bernard Sumner ou Ian Curtis sem ter muito jeito. Ou a cozinha original do New Order/JD.

Dedicou a música mais triste do universo, “Atmosphere”, do Joy Division, à Chapecoense. Depois emendou, aos gritos da galera de “Vamo, Vamo, Chapêêê” o massacrante hit “Love Will Tears Us Apart”. E foi embora sastisfeito com o truque bem dado. O público também.

Abaixo um videozinho de Hook tocando a übermaravilhosa “Thieves Like Us”, que o New Order não tem tocado ao vivo. Isso não é uma reclamação, Bernie!!! Haha.

** A foto que ilustra este post é do instagram da brother sister Claudia Assef (@clauassef), do Music Non Stop. A da home é da galera do Peter Hook, mesmo.

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Há 35 anos, Ian Curtis perdia seu próprio controle…

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Há exatos 35 anos, a música perdia um dos gênios mais perturbados que já pisaram na Terra. Ian Curtis, vocalista e compositor do Joy Division, dava fim em sua própria vida ao se enforcar na cozinha da casa de sua mulher em Macclesfield, região metropolitana de Manchester.

Na época com apenas 23 anos, Ian era epilético e sofria de depressão profunda. O cantor passava por diversos problemas pessoais, entre eles um divórcio conturbado com sua ex-esposa e um caso extra-conjugal com a jornalista belga Annik Honoré, que morreu ano passado. Meses antes, Ian foi internado em um hospital de Manchester após sofrer uma overdose provocada por ingerir excesso de medicamentos controlados que ele tomava devido ao seu quadro epilético.

A morte de Ian chocou o mundo da música, já que o Joy Division embarcaria dias depois para sua primeira turnê na América do Norte e era considerada a principal banda alternativa da época.

Para relembrar e entender um pouco a complicada história de Ian Curtis, a Popload separou 10 registros que explicam bem (ou ao menos tentam) a genialidade destrutiva e perturbadora de um dos maiores nomes da história do rock.

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1 – Em 20 de setembro de 1978, o Joy Division fazia sua apresentação ao vivo na TV, no canal Granada.

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2 – O disco “Still”, lançado em outubro de 1981, traz algumas raridades, sobras de estúdio e a gravação completa do último show da banda, em Birmingham, no dia 2 de maio de 1980, duas semanas antes da morte de Ian. O show começa no minuto 38:00 do vídeo.

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3 – Lançado em 2007, “Control” é um dos melhores e mais conceituados filmes biográficos do rock. Com direção de Anton Corbijn, que era fotógrafo da banda, a obra conta todos os passos de Ian desde antes do Joy Division até sua morte. O cantor e compositor foi interpretado de forma brilhante pelo ator Sam Riley.

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4 – Um compilado de quase 12 minutos mostra a “dança da epilepsia”, como ficaram famosos os passos e movimentos desconexos e imprevisíveis do tímido cantor no palco. Curtis de fato era epilético e chegou a passar mal algumas vezes durante shows do grupo. Nem mesmo seus companheiros de banda tinham certeza se ele estava só dançando ou, de repente, tendo um ataque.

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5 – Uma das performances mais lembradas do quarteto foi no programa Something Else, da BBC, em setembro de 1979. Ian morreria oito meses depois. É do programa a famosa performance de “She’s Lost Control”, com Ian e seu olhar perdido mesclando momentos de introspecção e agressividade.

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Pôster do último show do Joy Division, em 2/5/80 na cidade de Birmigham. Duas semanas mais tarde, Ian se matou

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6 – “Unknown Pleasures” é um dos discos mais pontuais da história do rock. Lançado em 1979, ainda é tendência e referência para novas bandas. E também virou estampa de camisa pop hoje em dia.

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7 – As sessions mais famosas do grupo de Manchester foram para o lendário John Peel, na BBC. O Joy Division se apresentou no programa duas vezes no ano de 1979, em 21 de janeiro e 26 de novembro daquele ano.

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8 – Trilha sonora da morte: quando se enforcou, Ian deixou em sua vitrola o disco “The Idiot”, de Iggy Pop.

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9 – Ian assistiu “Stroszek”, filme do cineasta alemão Werner Herzog, momentos antes de sua morte. O longa conta a história de um músico de rua alcoólatra tentando iniciar uma nova vida ao lado de uma prostituta que ele conhece logo após sair da prisão.

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10 – Para entender um pouco mais a amplitude de Ian e o Joy Division, um documentário com mais de 100 minutos de duração revisitando a história do grupo. Legendado em português.

* RIP Ian.

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Manchester é aqui. Inky tocando Joy Division. Aldo tocando New Order

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* Oh, Manchester. So much to answer for…

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* Duas coisas sobre a incrível cidade do norte da Inglaterra. Primeiro que teve Manchester City x Barcelona hoje, pela Champions League. Mas o City perdeu…

Outra que a terra do United e do Inspiral Carpets vai ser homenageada no próximo dia 6 de março, quando no Cine Joia acontece a balada Simbiose. A festa se faz temática, esta edição sobre Manchester, uma das cidades mais musicais do planeta desde sempre.

Além do som manchesteriano a sair dos DJs e de um filme “surpresa” que vai passar na casa de shows/cinema, dois pequenos-grandes grupos da cena indie paulistana vão prestar sua homenagem a dois grandes-grandes grupos da cena indie de Manchester do pós-punk. O Aldo (abaixo) vai tocar músicas do New Order entre as suas próprias. E a Inky (acima) vai eletronizar o som do soturno Joy Division.

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** PROMO DE INGRESSOS E CDS –
A Popload contribui para sua ida a “Manchester”, no Cine Joia. Três pares de ingressos e três duplas de CDs (o primeiro do Aldo, o primeiro da Inky) vão para três sorteados, que concorrerem às entradas da balada Simbiose através do email lucio@uol.com.br
Se estiver a fim, be my guest.

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A treta do New Order: “Twitter will tear us apart!”

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* Ou “Love will tweet us apart”. Ou “Hate will…” Ok, parei.

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Nem sou de colocar esse tipo de coisa aqui na Popload, mas… O rock, não é novidade, tem brigas sangrentas entre ex-amigos, rusgas que não cicratizam, nem na hora de se juntar para ganhar um dinheiro numa das famosas “voltas à ativa”. Você vê os Smiths, por exemplo. Ou, em outro caso, em que todos estão na ativa, porém separados, você vê o New Order e o ex-baixista Peter Hook.

Peter Hook, um dos baixistas mais importantes do rock, ex-Joy Division e um dos fundadores do New Order, é tretado feio com Bernard Sumner, seu antigo parceiro nas duas bandas. Um fala mal do outro publicamente, já faz tempo, desde 2007, quando o New Order acabou mais uma vez. Depois resolveram continuar sem Hook, que só destila mágoas a cada movimento do NO.

Hoje, via Twitter, por conta de uma revitalização da conta da banda Joy Division pelos caras do New Order, Peter Hook, que anda fazendo shows em “homenagem” ao Joy Division a despeito dos ex-companheiros, ficou putão e:

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Joy Division renasce com Iggy Pop + New Order, em Nova York

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Se por um lado o seminal The Stooges resolveu seguir sua vida com o Ariel Pink como vocalista, o grande Iggy Pop segue em outras frentes. O veterano cantor participou do tradicional Tibet House Benefit Concert, que acontece pela 24ª vez, em Nova York. Só que a participação de Iggy veio em caráter especial.

Ele se juntou ao New Order, banda que é uma das atrações do Lollapalooza Brasil mês que vem (domingo, 06/04, às 20h30), e cantou três faixas, duas delas do Joy Division, a banda precursora do New Order, que tinha o perturbado gênio Ian Curtis nos vocais.

Iggy segurou em sua famosa voz dois clássicos da banda de Manchester: “Love Will Tear Us Apart” e “Transmission”. Sobrou tempo para tocar uma raridade da discografia do New Order, “Californian Grass”, nunca tocada ao vivo antes.

Ficou classudo.

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