Em juçara marçal:

Top 50 da CENA – Adivinha o primeiro lugar? Juçara Marçal de novo. Marina Sena cola em segundo. Criolo não sai mais do pódio. Nunca mais

1 - cenatopo19

* Parece que a turma da música brasileira respeitou o feriadão e pouca coisa apareceu por aí. Ou é a gente que quis um pouco de folga e relaxou? Fica a dúvida. Em todo caso, seria difícil alguém tirar o pódio dela, Juçara Marçal. Outra história que a gente conta nesta edição é das volta dos shows presenciais. Você já voltou a ver show por aí?

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1 – Juçara Marçal – “Ladra” (Estreia)
Mais uma vez Juçara no topo desta nossa listinha semanal. É que o disco da cantora carioca continua no nosso play diário e a gente vai tentando pegar mais coisas que estão ali num dos álbuns do ano. Mas o destaque, por ora, vai para “Ladra”, que vem muito para comentar mais uma vez o quanto a intérprete Juçara compõe e informa no seu canto. Ainda que melodia e letra sejam de Tulipa, é de Juçara a manha de conseguir apresentar um vocal que lembra bastante as coisas da Tulipa. Alguém desavisado pode até pensar: É a Tulipa? É e não é. Uma habilidade que Juçara chega a repetir com alguns compositores do disco, como Ogi e Tantão, com seu grave recriado através de efeitos. Terceira semana no topo do pódio. Você já deu a devida moral a “Delta Estácio Blues”? Por favor, hein.

2 – Marina Sena – “Pelejei” (Estreia)
“Pelejei” não é uma novidade da semana, mas a novidade é que Marina Sena por estes dias fez um show presencial – um dos primeiros que parte dessa dupla de autores foi em quase um ano e tanto de pandemia. E foi um bom show com uma boa vibe, ainda que em formação contida: base, guitarra e Marina. Mas a energia para cima do álbum está no palco. E vai ser umas começar a ver os discos do ano que não tiveram chance em um ambiente sonoro. Faz a diferença na experiência de sacar um álbum. Então vamos acabar trazendo coisa para o ranking. Ainda que não seja exatamente coisa nova.

3 – Criolo – “Cleane” (3)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda. Pegou primeiro lugar semana passada. E pela segunda vez não rolou de tirar do pódio, pois gigante.

4 – Felipe S – “Violento Monumento” (Estreia)
O acerto de Felipe começa já no forte título que chama atenção. Difícil não lembrar os violentos monumentos pelas cidades, seja em nomes de avenidas ou em homenagens a facínoras. Nesta canção de seu novo álbum solo, “Espelho”, talvez Felipe esteja falando disso, mas também cantando sobre uma violência que escapa do sentido mais batido. Uma violência que está nas minúcias.

5 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (Estreia)
Das mais bonitas do repertório do Skank, a letra que Nando Reis fez após o término com Marisa Monte coube bem no jeitão do Terno Rei de conduzir música. Ou melhor: aquele “rock pra dormir”, como a gente descobriu no papo da banda como Samuel na live especial promovida pela Balaclava. Durma com uma “Resposta” dessa.

6 – Francisco, el Hombre – “Olha a Chuva” (3)
Quem achou o primeiro single do novo álbum da Francisco, El Hombre muito reflexivo e ficou com saudade de uma quebradeira da banda pode se preparar para dançar com este segundo single. A banda agita em uma parceira suingada com Dona Onete. Isso mesmo que você leu.

7 – Taxidermia – “Lava” (4)
Novo single do duo Taxidermia, formado por Jadsa e João Milet Meirelles, “Lava” é um som dedicado a Obaluaê, orixá da cura. Nesta canção, que tem participação do onipresente Kiko Dinucci na guitarra, a dupla ensaia seu segundo trabalho, após o EP Vol.1, lançado no ano passado. A gente viu por aí um papo sobre OUTROVOLUME. Será?

8 – The Baggios – “Barra Pesada” (5)
Para o novo álbum, a banda sergipana Baggios promete um tanto de Nordeste e um tanto de África. Neste quarto single que adianta o trabalho, a banda recebe as participações superespeciais de Cátia de França e Chico César em uma faixa que reflete a desigualdade que Julio, vocalista da banda, viu em Barra Grande, entre os trabalhadores locais e turistas.

9 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (6)
O paraense Felipe Cordeiro chega bem neste single brincando com os amplos sentidos da palavra “Flecha”, que fere e informa. É um momento urgente no Brasil para a proteção da população nativa, da Amazônia e de nossa história. A “Flecha” de Felipe tenta nos reconectar com o que interessa.

10 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (7)
Caramba, não imaginava que ia rolar uma emoção tão forte ao dar play em uma inédita da Rita após quase dez anos de silêncio da cantora musa eterna que estava aposentada dos palcos. Rita soa forte nesta canção em inglês e francês que vem muito inspirada em um recente projeto que remixou suas músicas para a pista. Ela e Roberto tiveram auxílio do DJ e produtor Gui Borato para ajudar a dar mais molho nas ideias eletrônicas da dupla. Ficou meio Chic, meio Daft Punk tentando ser Chic, mas na real é a Rita Lee Jones, nossa hitmaker de maior habilidade.

11 – Pedro Sá – “Maior” (8)
12 – Tagore – “Maya” (9)
13 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (10)
14 – Giovanna Moraes/ Natália Noronha/ Cris Botarelli – “O Escape É Seu Olhar” (11)
15 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (12)
16 – Marissol Mwaba – “Marte” (13)
17 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (14)
18 – Liniker – “Mel” (15)
19 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (16)
20 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (17)
21 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (19)
22 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (21)
23 – Coruja BC1 – “Tarot” (22)
24 – Nelson D – “Toy Boy” (23)
25 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (24)
26 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (25)
27 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (26)
28 – Majur – Ogunté (28)
29 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (29)
30 – Papangu – “Ave-Bala” (30)
31 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (31)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (32)
33 – GIO – “Sangue Negro” (33)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
40 – Jadsa – “Mergulho” (40)
41 – FEBEM – “Crime” (41)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Juçara Marçal não larga o topo. Criolo não larga o pódio. Francisco, el Hombre descola uma vaga com ajuda da Dona Onete

1 - cenatopo19

* Bom, incontestável nosso primeiro lugar desta semana. A gente já dedicou uma resenha a Juçara Marçal e agora ela alcança de novo o topo do nosso top 50. E temos outras boas novidades na CENA. Tem mais Francisco, El Hombre, tem a Jadsa com o Taxidermia, tem os Baggios preparando novo álbum e tem também o Felipe Cordeiro com um belo single. E tem ela, Rita Lee, que saiu da aposentadoria para uma faixa para lá de dançante.

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1 – Juçara Marçal – “Corpus Christi” (Estreia)
A gente fez um textinho todo só para exaltar o novo álbum da Juçara. Mas cabe mais algumas palavrinhas, especialmente para elogiar este som onde Juçara, Douglas Germano e Kiko Dinucci constroem das mais delicadas músicas sobre aproveitar um feriado. Mais especificamente um no litoral sul de São Paulo com macarrão, Uno e trânsito no caminho, lógico. A riqueza de detalhes de cada cena somada àquela tristezinha que bate na hora de voltar ao batente são de emocionar.

2 – Criolo – “Cleane” (1)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda. Pegou primeiro lugar semana passada. Não rolou de tirar do pódio, pois gigante.

3 – Francisco, el Hombre – “Olha a Chuva” (Estreia)
Quem achou o primeiro single do novo álbum da Francisco, El Hombre muito reflexivo e ficou com saudade de uma quebradeira da banda pode se preparar para dançar com este segundo single. A banda agita em uma parceira suingada com Dona Onete. Isso mesmo que você leu.

4 – Taxidermia – “Lava” (Estreia)
Novo single do duo Taxidermia, formado por Jadsa e João Milet Meirelles, “Lava” é um som dedicado a Obaluaê, orixá da cura. Nesta canção, que tem participação do onipresente Kiko Dinucci na guitarra, a dupla ensaia seu segundo trabalho, após o EP Vol.1, lançado no ano passado. A gente viu por aí um papo sobre OUTROVOLUME. Será?

5 – The Baggios – “Barra Pesada” (Estreia)
Para o novo álbum, a banda sergipana Baggios promete um tanto de Nordeste e um tanto de África. Neste quarto single que adianta o trabalho, a banda recebe as participações superespeciais de Cátia de França e Chico César em uma faixa que reflete a desigualdade que Julio, vocalista da banda, viu em Barra Grande, entre os trabalhadores locais e turistas.

6 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (Estreia)
O paraense Felipe Cordeiro chega bem neste single brincando com os amplos sentidos da palavra “Flecha”, que fere e informa. É um momento urgente no Brasil para a proteção da população nativa, da Amazônia e de nossa história. A “Flecha” de Felipe tenta nos reconectar com o que interessa.

7 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (Estreia)
Caramba, não imaginava que ia rolar uma emoção tão forte ao dar play em uma inédita da Rita após quase dez anos de silêncio da cantora musa eterna que estava aposentada dos palcos. Rita soa forte nesta canção em inglês e francês que vem muito inspirada em um recente projeto que remixou suas músicas para a pista. Ela e Roberto tiveram auxílio do DJ e produtor Gui Borato para ajudar a dar mais molho nas ideias eletrônicas da dupla. Ficou meio Chic, meio Daft Punk tentando ser Chic, mas na real é a Rita Lee Jones, nossa hitmaker de maior habilidade.

8 – Pedro Sá – “Maior” (Estreia)
Bonita a primeira amostra solo de Pedro Sá. “Maior” estará em seu primeiro álbum despregado das estrelas. Ele, que já acompanhou tantas (Caetano, Bethânia, Gal, para ficar em três nomes apenas), conduz aqui sozinho na guitarra e na voz uma declaração de amor daquelas – repare que a música abre só com “Você é/ O grande amor da minha vida”). A canção lembra muito alguns momentos da trilogia “Cê” do Caetano, o que talvez ajude a entender o papel de Pedro na banda.

9 – Tagore – “Maya” (3)
É impossível não pensar na psicodelia australiana, mas, conhecendo também a psicodelia brasileira, ambas estão bem representadas neste terceiro álbum de Tagore Suassuna, que capricha em letras rasgadas. Aquelas que se entregam ao sentimento, sabe? Embora ele verse que dá trabalho disfarçar a saudade da amada, nas letras ele faz questão zero de camuflar qualquer vergonha.

10 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (5)
Bonito o encontro de Bemti com Fernanda Takai e a sutil participação de Hélio Flanders, do Vanguart, no trompete. Uma história de amor que resista ao fim do mundo é uma grande história de amor, não? A letra é uma parceria de Bemti com Roberta Campos.

11 – Giovanna Moraes/ Natália Noronha/ Cris Botarelli – “O Escape É Seu Olhar” (Estreia)
12 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (6)
13 – Marissol Mwaba – “Marte” (7)
14 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (8)
15 – Liniker – “Mel” (9)
16 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (10)
17 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (11)
18 – brvnks – “happy together” (12)
19 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (15)
20 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (13)
21 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (16)
22 – Coruja BC1 – “Tarot” (20)
23 – Nelson D – “Toy Boy” (22)
24 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (23)
25 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (24)
26 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (25)
27 – Marina Sena – “Me Toca” (26)
28 – Majur – Ogunté (27)
29 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (28)
30 – Papangu – “Ave-Bala” (29)
31 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (30)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (31)
33 – GIO – “Sangue Negro” (32)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (33)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (34)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (35)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (36)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (37)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (38)
40 – Jadsa – “Mergulho” (39)
41 – FEBEM – “Crime” (40)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (41)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (42)
44 – Boogarins – “Supernova” (43)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (44)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Juçara Marçal cria um mundo sem fronteiras sonoras em “Delta Estácio Blues”

1 - cenatopo19

* Quais são as fronteiras da música? Por que elas existem? A pergunta é tanto para ouvintes quando para fazedores dessa música.

Pegue o rap brasileiro, por exemplo. Criação das margens da cidade em direção ao centro, levou tempo para ser reconhecido com o devido valor. Mano Brown, talvez seu maior autor, ainda não é reconhecido por muitos como talvez o maior escritor de seu tempo – e nessa nem estamos falando só de rap. Uma fronteira social, uma distância geográfica. Enquanto autor, Mano Brown escutou críticas quando não fez um disco de rap em seu primeiro trabalho solo. Por que ele não pode fazer outro som?

Assim como Brown tem mais quem trabalhe para derrubar esses muros e encurtar essas distâncias. Em 2004, Juçara Marçal estava junto com o grupo vocal feminino Vésper nos cuidados de um álbum dedicado a autores paulistas. Tinha Adoniran, tinha Rita Lee e ela fez questão de incluir Mano Brown e Edi Rock com um clássico recente: a potente “Negro Drama”, de 2002. Se estamos falando de música paulista, como não ter um rap dos Racionais? Juçara já se fazia a pergunta que abre este texto.

E parece sempre voltar a ela a cada trabalho, em sua carreira de cantora cada vez mais autora, como gosta de dizer. E talvez dê para dizer que essa pergunta dita parte da missão de “Delta Estácio Blues”, seu recém-lançado segundo álbum solo que habilidosamente em sua construção tira o referencial sonoro imediato de tudo e deixa o ouvinte sem saber onde está. Mas é rap? Aquela voz é da Juçara? Isso aqui é samba? Não há um ponte definida nem mesmo entre este e o trabalho anterior de Juçara, “Encarnado” (2014).

Repare na voz. Juçara traz diversas. Pelo álbum, ela pode ser Rodrigo Ogi (autor de “Crash”), pode ser Tulipa Ruiz (autora de “Ladra”) ou pode ser Tantão (autor de “Oi, Cat”). Repare nos gêneros, como reparou o crítico GG Albuquerque, ao notar que “Crash”, que é um rap, se revela como samba, sutilmente. Repare nos timbres e falhe em adivinhar o que é o que na engenharia eletrônica tocada por Juçara ao lado de um fiel amigo, Kiko Dinucci, produtor do álbum.

Muito da linguagem de “Delta Estácio Blues” vem de álbum de rap: no caso, de “Atrocity Exhibition”, de Danny Brown, com suas bases completamente distantes de qualquer convenção.

“Ficamos impactados com aquilo”, conta Juçara. E nessa vontade de pensar outro som veio a ideia de ter bases que não trouxessem cadências harmônicas para que ela e Kiko pudessem brincar com outras possibilidades. “Uma aventura que a gente não sabia onde ia dar.”

Cada ouvinte que dê conta de descobrir onde ela chegou. A gente que não vai se arriscar. Mas a cada audição tudo faz mais sentido. Não há fronteiras no mundo de Juçara Marçal. E este nos parece um mundo melhor.

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Top 50 da CENA – O primeiro lugar do ranking é uma música que não deveria ter sido feita. Francisco, el Hombre bota a primavera no top. Tagore bota sua dose de psicodelia no pódio

1 - cenatopo19

* Uma nota rápida na abertura de hoje. O primeiro lugar desta semana não deveria existir. É isso que temos a dizer, a gente detalha isso no texto da primeira posição.

criolotopquadrada

1 – Criolo – “Cleane” (Estreia)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda.

2 – Francisco, el Hombre – “Nada Conterá a Primavera” (Estreia)
Ainda sobre resistência, a nova música da banda Francisco, El Hombre conta de uma força invisível que não pode ser quebrada nem pelo tempos mais complicados da sociedade. Como é o verso que um certo político falou uma vez? Ainda que cortem umas flores aqui e ali, nada contém a primavera. Se a gente entendeu esta música, o recado é esse.

3 – Tagore – “Maya” (Estreia)
É impossível não pensar na psicodelia australiana, mas, conhecendo também a psicodelia brasileira, ambas estão bem representadas neste terceiro álbum de Tagore Suassuna, que capricha em letras rasgadas, aquelas que se entregam no sentimento, sabe? Embora ele verse que dá trabalho disfarçar a saudade da amada, nas letras ele faz questão zero de camuflar qualquer vergonha.

4 – Juçara Marçal – “Crash” (12)
A gente resolveu trazer a Juçara de novo ao alto do ranking porque é nesta semana que ela solta seu novo álbum, “Delta Estácio Blues”. E é neste disco que está este impressionante rap de Rodrigo Ogi em interpretação absurda de Juçara. Rap do ano.

5 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (Estreia)
Bonito o encontro de Bemti com Fernanda Takai e a sutil participação de Hélio Flanders, do Vanguart, no trompete. Uma história de amor que resista ao fim do mundo é uma grande história de amor, não? A letra é uma parceria de Bemti com Roberta Campos.

6 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (1)
Primeira mostra do primeiro álbum de inéditas em quase dez anos, “Anjos Tronchos” revela um Caetano atento a seu tempo. E mais ligado em tecnologia do que poderíamos imaginar que estivesse um homem que não tem celular. Uma de suas canções-tese, onde expõe seu pensamento crítico, este som bate na questão de quantos algoritmos estão moldando nossas cabeças. Caetano pondera aqui sobre o aspecto perverso da tecnologia, que colaborou na ascensão de um neofascismo, mas também aspectos positivos, como a Billie Eilish, que “faz tudo do seu quarto com o irmão”. Até a questão do sexo virtual não escapa de sua rica observação.

7 – Marissol Mwaba – “Marte” (2)
Em parceria com o trio Tuyo e com a superguitarrista Mônica Agena, Marissol lançou mais um excelente single. Marte de Marissol é mais que o planeta vermelho. É um lugar onde ela encontra afeto. Preste atenção nela. De single em single a cantora vai provando que não chamou atenção de nomes como Chico César e Fióti por acaso. Voz talentosíssima.

8 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (3)
É impressionante o álbum “Quintal dos Prettos”, trabalho ao vivo da dupla Prettos, formada por Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, da zona leste de São Paulo. Com uma microfonação pouco usual, indireta, sem colar na voz ou nos instrumentos, eles conseguiram recriar a sensação de ir a uma roda de samba em disco, uma missão e tanta. Público e músicos viram uma coisa só nesse método da gravação e é como se você estivesse na plateia, com o som levemente abafado pela quantidade de pessoas em volta da roda.

9 – Liniker – “Mel” (4)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar por aqui, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

10 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” e “Sombra” (5)
Forte o encontro dos rappers Joca e Sain com o pianista Jonathan Ferr e a produça de Beno e Theo Zagrae. Ao pensar em sombra e água fresca, uma combinação dez, a sacada é que quando elas operam em separado a sombra ganha novo sentido. As duas músicas, então, funcionam como uma só. Sacada esperta.

11 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (6)
12 – brvnks – “happy together” (7)
13 – Vanguart – “Lá Está” (8)
14 – Papisa e Haēma – “Fortuna” (9)
15 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (10)
16 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (11)
17 – Juçara Marçal – “Crash” (12)
18 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (13)
19 – Alice Caymmi – “Serpente” (14)
20 – Coruja BC1 – “Tarot” (15)
21 – Curumin – “Púrpuras” (16)
22 – Nelson D – “Toy Boy” (17)
23 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (18)
24 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (19)
25 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (22)
26 – Marina Sena – “Me Toca” (23)
27 – Majur – Ogunté (24)
28 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (25)
29 – Papangu – “Ave-Bala” (26)
30 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (27)
31 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (29)
32 – GIO – “Sangue Negro” (30)
33 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (31)
34 – Rodrigo Amarante – “Maré” (32)
35 – Amaro Freitas – “Sankofa” (34)
36 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (35)
37 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (36)
38 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (37)
39 – Jadsa – “Mergulho” (38)
40 – FEBEM – “Crime” (39)
41 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (40)
42 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (41)
43 – Boogarins – “Supernova” (42)
44 – BaianaSystem – “Brasiliana” (43)
45 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (44)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (45)
47 – Mbé – “Aos Meus” (46)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (47)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (28)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper e cantor Criolo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Liniker vai ao topo até improvisando (ou por isso mesmo). Luana Flores traz suas conexões ao pódio. Sophia Chablau não perde tempo e fica em terceiro

1 - cenatopo19

* Que semana quente, não só na temperatura. Quase que a gente troca todos os dez primeiros do nosso top, mas resolvemos ser conversadores. Mantivemos alguns sons, mas a maioria é novidade. Complicado mesmo foi decidir quem ficava em primeiro, parecia um grande empate técnico. E meio que é assim mesmo. Como a gente gosta de contar, o Top 50 é só uma desculpa para a gente falar das músicas que nos agradam. E fazer a nossa playlist, para escutar (e entender) “o todo”. Do primeiro ao 50ª lugar, para nós, não tem erro.

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1 – Liniker – “Mel” (Estreia)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar em primeiro lugar, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

2 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (Estreia)
Em “Nordeste Futurista”, Luana, que é da Paraíba, chega arrepiando em propor muitas conexões sonoras de ritmos da região com a música eletrônica. Melhor que o verbo “propor”, dá para dizer que Luana realiza com sucesso tipo uma cientista essa mistura para conseguir construir algo novo. Um diálogo criativo em ritmo, sons e na letras, que abordam a questão LGBTQI+.

3 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (Estreia)
Entre Pavement e Ana Frango Elétrico, Sophia e sua turma fazem tudo certo aqui. A cadência, depois a intensidade, a voz, a letra, o clima e o clímax. A música já tem um tempo e talvez até a gente já tenha falado dela aqui, mas retomamos porque a banda acabou de lançar um vídeo maravilhoso deste som que coloca os sentidos visuais para dialogar com a poesia da letra. Que galera nova boa.

4 – Juçara Marçal – “Crash” (1)
Uau. Que pancada quase literal é este novo single da Juçara Marçal. Com letra do rapper Rodrigo Ogi e produção de seu superparceiro Kiko Dinucci, Juçara chega estraçalhando com aqueles que querem com ferro ferir. Além da letra certeira e sua interpretação para lá de inspirada, sonoramente este single aponta que o álbum “Delta Estácio Blues” vai trazer novos elementos para sua rica discografia, onde o experimentalismo mais de banda embarca em uma experimentação eletrônica. Na ansiedade, falamos em disco do ano. Vamos ver.

5 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (Estreia)
Conhecido das batalhas de rimas há alguns anos, Cesar MC estreia em álbum com feats poderosos de Djonga e Emicida, que chegam em versos que facilmente caberiam em discos seus, pesadões. Com boas linhas e mirando na farsa da meritocracia e o peso do racismo estrutural, o rapper faz bem a difícil transição das batalhas de improviso para as linhas que viram canções.

6 – Alice Caymmi – “Serpente” (Estreia)
Chega forte o novo single da Alice Caymmi, que tem produção dela e da talentosíssima Vivian Kuczynski. A parceria dessa dupla é um porradão em termos de som. Na letra, mais pancada, com Alice reivindicando contar a história de um amor que não andava dando muito certo. “Se eu amei um dia é problema meu/ A verdadeira história/ Quem conta sou eu.”

7 – Coruja BC1 – “Tarot” (Estreia)
Single novo do rapper Coruja BC1 deixa todo mundo bem ansioso para o álbum que ele prepara. Dizem por aí que está pesado. Dos muitos bons versos, chama atenção a autocrítica que ele faz a uma visão antiga de mundo que tinha: “Já quis tá cinco anos à frente, desculpa o que eu vou dizer/ Hoje eu quero só viver o presente sem pressa de envelhecer”.

8 – Curumin – “Púrpuras” (Estreia)
Que saudade que estávamos do Curumin. Bom saber que ele está de volta com este super-single, que chega totalmente apaixonado. Aquele clima sabe? Aquela ansiedade de dar uma ligadinha ou receber aquela ligação. A composição é parceria braba dele com Vitor Hugo (do Bloco Lua Vai), Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção e a rapper Nellê.

9 – Nelson D – “Toy Boy” (2)
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

10 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (3)
Rei Lacoste é dos nomes mais inventivos da CENA de Salvador. Artista que estudou cinema antes de embarcar na música, ele escolhe o trap como elemento de sua exploração artística. Um pé no pop e outro pé em Glauber Rocha, sacou? Já no título deste som você já vê a brincadeira. Tutorial vem dos tutoriais da internet. E aprender a ser amado é uma bela inversão já que é mais fácil imaginar por aí um tutorial de como amar ou conquistar alguém e tal. Lacoste aprontou aqui.

11 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (14)
12 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (11)
13 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (4)
14 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (5)
15 – Marina Sena – “Me Toca” (6)
16 – Majur – Ogunté (7)
17 – Fresno – “6h43 (Nem Liga Guria)” (8)
18 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (9)
19 – Papangu – “Ave-Bala” (10)
20 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (11)
21 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (12)
22 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (13)
23 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (20)
24 – GIO – “Sangue Negro” (21)
25 – Tuyo – “Turvo” (22)
26 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (23)
27 – Rodrigo Amarante – “Maré” (27)
28 – Criolo – “Fellini” (28)
29 – Amaro Freitas – “Sankofa” (29)
30 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (30)
31 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (31)
32 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (32)
33 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (33)
34 – Jonathan Ferr – “Amor” (34)
35 – Jadsa – “Mergulho” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
38 – Yung Buda – “Digimon” (40)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Liniker.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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