Em jup do bairro:

Top 50 da CENA – Chegou este dia. Caetano liderando um ranking da Popload. E tem até samba no nosso pódio

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* Caetano Veloso. Sim, Caetano Veloso straight to the top no nosso top 50 da CENA. A busca por novidades da música brasileira, prática constante nossa, pode vir de um autor tão clássico como é Caetano. Não tem estranheza nisso. Afinal, ele está escrevendo a partir do nosso tempo e, veja só, com uma atualidade que muito artista novo corre atrás de alcançar, mas que é tarefa das mais difíceis. Pensa só: ele fez uma supermúsica sobre algoritmos e tecnologia, mas nem tem um celular. A capacidade de ler o mundo de algumas pessoas é uma coisa e tanto, né?

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1 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (Estreia)
Primeira mostra do primeiro álbum de inéditas em quase dez anos, “Anjos Tronchos” revela um Caetano atento a seu tempo. E mais ligado em tecnologia do que poderíamos imaginar que estivesse um homem que não tem celular. Uma de suas canções-tese, onde expõe seu pensamento crítico, este som bate na questão de quantos algoritmos estão moldando nossas cabeças. Caetano pondera aqui sobre o aspecto perverso da tecnologia, que colaborou na ascensão de um neofascismo, mas também aspectos positivos, como a Billie Eilish, que “faz tudo do seu quarto com o irmão”. Até a questão do sexo virtual não escapa de sua rica observação.

2 – Marissol Mwaba – “Marte” (Estreia)
Em parceria com o trio Tuyo e com a superguitarrista Mônica Agena, Marissol lançou mais um excelente single. Marte de Marissol é mais que o planeta vermelho. É um lugar onde ela encontra afeto. Preste atenção nela. De single em single a cantora vai provando que não chamou atenção de nomes como Chico Cesár e Fióti por acaso. Voz talentosíssima.

3 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (Estreia)
É impressionante o álbum “Quintal dos Prettos”, trabalho ao vivo da dupla Prettos, formada por Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, da zona leste de São Paulo. Com uma microfonação pouco usual, indireta, sem colar na voz ou nos instrumentos, eles conseguiram recriar a sensação de ir a uma roda de samba em disco, uma missão e tanta. Público e músicos viram uma coisa só nesse método da gravação e é como se você estivesse na plateia, com o som levemente abafado pela quantidade de pessoas em volta da roda.

4 – Liniker – “Mel” (1)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar por aqui, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

5 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” e “Sombra” (Estreia)
Forte o encontro dos rappers Joca e Sain com o pianista Jonathan Ferr e a produça de Beno e Theo Zagrae. Ao pensar em sombra e água fresca, uma combinação dez, a sacada é que quando elas operam em separado a sombra ganha novo sentido. As duas músicas, então, funcionam como uma só. Sacada esperta.

6 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (Estreia)
Jup do Bairro em um som da Fresno é aquele meme do “começo do sonho/deu tudo certo”. Ela já tinha deixado todas as dicas que ama a banda por aí, em covers e vídeo. Esse excelente feat está dentro do projeto INVentário, a novidade da Fresno que já detalhamos em um papo com a banda, veja aqui.

7 – brvnks – “happy together” (Estreia)
Que saudade que a gente estava da brvnks. E, neste novo single, a delicada “hapyy together”, ela acena com muuuuuitas mudanças e promete um novo álbum direcionando sua guitarra a algo mais pop. Queremos.

6 – Vanguart – “Lá Está” (Estreia)
Agora um trio, o Vanguart abriu espaço para Fernanda Kostchak, violinista da banda há quase dez anos, arriscar uma composição e vocal, até aqui (quase) sempre divididos apenas por Hélio Flanders e Reginaldo Lincoln. Saldo: queremos saber mais desse lado da Fernanda que a gente não conhecia. Escutar sua voz no álbum foi uma boa surpresa. Das coisas boas de ouvir um disco sem spoiler – ou você acha que disco não tem spoiler?

9 – Papisa e Haēma – “Fortuna” (Estreia)
Muito bonita a parceria da Papisa com a dupla portuguesa Haēma, formada por Susana Nunes e Diana Cangueiro. Essa união veio da proposta do pesquisador musical português André Gomes, interessado em juntar artistas dos dois países. Como Papisa contou para nossos parceiros do “Scream & Yell”, a música “tem um pouco de caos e incômodo e a sensação de libertação do que nos aprisiona, indo mais pro centro das coisas, pro que é essencial”.

10 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (2)
Em “Nordeste Futurista”, Luana, que é da Paraíba, chega arrepiando em propor muitas conexões sonoras de ritmos da região com a música eletrônica. Melhor que o verbo “propor”, dá para dizer que Luana realiza com sucesso tipo uma cientista essa mistura para conseguir construir algo novo. Um diálogo criativo em ritmo, sons e na letras, que abordam a questão LGBTQI+.

11 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (3)
12 – Juçara Marçal – “Crash” (4)
13 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (5)
14 – Alice Caymmi – “Serpente” (6)
15 – Coruja BC1 – “Tarot” (7)
16 – Curumin – “Púrpuras” (8)
17 – Nelson D – “Toy Boy” (9)
18 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (10)
19 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (11)
20 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (12)
21 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (13)
22 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (14)
23 – Marina Sena – “Me Toca” (15)
24 – Majur – Ogunté (16)
25 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (18)
26 – Papangu – “Ave-Bala” (19)
27 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (20)
28 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (21)
29 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (23)
30 – GIO – “Sangue Negro” (24)
31 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (26)
32 – Rodrigo Amarante – “Maré” (27)
33 – Criolo – “Fellini” (28)
34 – Amaro Freitas – “Sankofa” (29)
35 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (30)
36 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (32)
37 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (33)
38 – Jadsa – “Mergulho” (35)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, Caetano Veloso.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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GIO, ex-Giovani Cidreira, reúne “quase” a CENA toda em seu novo disco solo

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* Ainda que nas plataformas de streaming a gente siga achando ele por Giovani Cidreira, sabemos que seu nome agora ele é GIO. E GIO lançou seu aguardado segundo álbum solo. “Nebulosa Baby” é mais uma parceria do baiano de Salvador com Benke Ferraz, guitarrista do Boogarins nas vezes de produtor, ele que já tinha colaborado com GIO nos EPs “MixStake”, solo, e “Mano*Mago”, encontro de GIO com Mahal Pita.

Gio - Nebulosa Baby

Antes de qualquer outra palavra sobre “Nebulosa Baby”, vale ressaltar a primeira coisa que deixa a gente de cara neste disco, da capa acima. As participações do álbum são quase que uma retrospectiva dos nomes que mais elogiamos no Top 50 da CENA desde sua criação. Saca só a lista: Alice Caymmi, Jadsa, Luiza Lian, Josyara, Jup do Bairro, Ava Rocha, Dinho do Boogarins, Maglore, Obinrin Trio e Luê. Sério, tá mais fácil pensar quem ficou de fora. Concorreu aí com o Kanye West, quem consegue a melhor lista de feats. da história.

Mas exagero nosso à parte, a bela obra vem acompanhada ainda de um parte visual, elaborada por GIO com Edvaldo Raw, cineasta de Salvador – essa luxuoso adendo imagético não traz o álbum completo, mas parte da produção em 14 minutos de uma história que busca “uma manifestação diversa e expandida da realidade”. E olha, está tudo lindão. Se liga:

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* A foto de GIO, que ilustra a chamada deste post na home da Popload, é de Alex Oliveira.

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Top 50 da CENA – Supersemana da música brasileira nova no nosso ranking, estrelando Tuyo, Edgar, Jonathan Ferr, Giovanna Moraes, Jadsa…

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* Que difícil escolher o primeiro lugar desta semana. Tuyo, Edgar e Jonathan Ferr lançaram discos que merecem o primeiro lugar. Caiu no colo da Tuyo desta vez, mas acho que vamos ter que dar um jeito de premiar os nossos outros colegas, que lançaram trabalhos tão bons quantos. Vamos observar – até porque, como pontua Edgar, todos esses trabalhos são daqueles que merecem repetidas audições. Pressa para quê? Aqui não é áudio de Whatsapp para acelerar as coisas.

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1 – Tuyo – “O Jeito É Ir Embora” (Estreia)
Este álbum novo do trio paranaense Tuyo consegue realizar a complicada missão do famigerado “segundo álbum”, por qual muitos grupos não passam. Em uma reflexão sobre crescimento estampada nas letras, a banda não tem medo de ampliar sua proposta sonora em uma transição bem feita – nem brusca demais, nem lenta demais. Essa coragem na proposta talvez esteja até na letra desta candidata a hit que pode ser tanto sobre desmanchar um relacionamento fracassado quanto sobre abandonar ideias que estão nos empacando. Discão.

2 – Edgar – “Mentes Mirabolantes” (Estreia)
Na metáfora que escolheu para explicar o álbum, Edgar comparou seu novo disco à maniçoba, um prato do Norte do Brasil que leva dias para ficar pronto. Ou seja, é preciso muito cozimento para que todas as ideias de “Ultraleve” batam na mente do ouvinte. Por aqui, enquanto o preparo não rola, já que não escutamos todas as vezes suficientes para captar o disco por inteiro, fica a impressão de que Edgar mantém sua capacidade dar alertas necessários e de correr de sensos comuns e respostas fáceis. Segue imprevisível. Para o nosso Top, pegamos a magnífica “Mentes Mirabolantes”. O universo brilhante da cabeça do Edgar em sua mais perfeita forma.

3 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (Estreia)
“Baile de Máscaras” é uma das ótimas músicas do disco “III”, algo entre um EP e um álbum (miniálbum?) que a cantora e multiinstrumentista e atriz de vídeo e editora de vídeo lançou em março. Agora a canção surge em versão single com direito a uma música inédita e a versão instrumental, um jeito de oferecer um novo olhar complementar para a gravação. Retomada de proposta interessante para single, perdida nos tempos de streaming. Fora o vídeo, lindaço.

4 – Jonathan Ferr – “Amor” (Estreia)
Chamou nossa atenção a participação do Jonathan no disco da Tuyo e fomos ver o que ele andava fazendo. E não é que ele lançou um disco ao mesmo tempo que a banda parceira? Um senhor álbum, diga-se, quase todo instrumental e ao piano, chamado “Cura”. Uma obra belíssima para escutar de ponta a ponta, dada a profunda conexão entre cada faixa. Pode ser um pouco desafiante se dedicar a um disco mais experimental assim, mas acredite na gente. Vale cada segundo.

5 – Jadsa – “Mergulho” (Estreia)
A gente já celebrou tanto o álbum “Olho de Vidro” da Jadsa por aqui, mas sempre é bom reforçar nosso gosto por esse trabalho da guitarrista baiana. Agora que ela lançou um vídeo para este som que abre o disco, a gente achou a desculpa perfeita para trazer ela de volta às primeiras colocações do nosso Top 50.

6 – Mulungu – “A Boiar” (1)
Demorou, mas saiu o primeiro álbum da banda guitar-zen nordestina Mulungu – um trio de dois recifenses e um potiguar. Sem colocar em cheque a originalidade da banda, dá para dizer que os meninos pegam muito do caminho desbravado pelo Boogarins, uma música brasileira e muito universal e de letras caprichadas. Por aqui, reflexões sobre autocuidado – muito na brisa da onda de indie mental health que a gente comenta direto por aqui.

7 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (2)
Escrever e pensar sobre música é legal, lógico, é nosso trabalho, oras. Mas é muito bom também quando o artista faz questão de traduzir em algumas palavras suas ideias sobre suas músicas. Além de facilitar nossa missão, ajuda a decodificar e a convidar a prestar atenção em alguns detalhes que só eles sabem onde estão. Mas toda essa volta para puxar aqui a ideia que a própria Jup do Bairro dá sobre seu novo single: “Acredito que esta faixa é uma de minhas composições mais viscerais (literalmente). É uma viagem filosófica ao meu corpo e como o entendo. Entre dores e delícias, como podemos projetar o futuro se o presente é incerto?”.

8 – Bonifrate – “Rei Lagarto” (3)
Bonifrate que sumiu ou a gente que marcou bobeira? Seja lá qual for a resposta envolvendo o ex-Supercordas, é bom escutar sua nova música, uma produção solitária, analógica e filosófica, cujo combo dá toda uma textura e clima únicos à canção. Tudo indica que vem um novo álbum solo por aí. E pelo mesmo selo gringo que cuida de nomes como Boogarins, Wry e Carabobina. Saudamos a volta do Bonifrate com um top 3, que ele merece.

9 – GIO – “Nebulosa” (4)
O baiano ex-Giovani Cidreira segue bem por aqui com a bonitaça “Nebulosa”, canção sua com a conterrânea Jadsa no rolê. “Nebulosa” chega dentro de um projeto que Cidreira iniciou, que envolve um novo álbum, uma websérie no Youtube deles e até uma mudança de nome para GIO, já adotado por aqui e batismo com o qual ele já assinava outros trabalhos. “Nebulosa”, que vai estar no álbum “Nebulosa Baby”, a sair agora em junho, ainda traz a marca da não convencionalidade sonora que marca o ex-Cidreira, mas com um ar moderno e em voga com um pop meio melancólico e para cima ao mesmo tempo.

10 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (5)
Esperta, achamos, a sacada dos mineiros da Lupe de Lupe de renomear no último minuto seu novo álbum, uma reflexão sobre o Brasil, de “Lula”. Que personagem da nossa história consegue reunir nosso melhor e nossas maiores contradições? Ao nomear cada música como uma cidade, neste disco que acaba de ser lançado, a banda percorre este país como o ex-presidente percorreu algumas vezes atrás não só de respostas, mas de questões. Por que no Brasil tem moleques tocando pensando som em uma formatação gringa que é a banda punk, guitarra, baixo e bateria? E quanto eles produzem um som que só poderia ser brasileiro? Isso para ficar em uma das muitas questões. Um disco irregular, mas muito bom quando é bom, que é para ser absorvido devagar. Até porque ele é um tanto longo para os padrões atuais, quase uma hora. Mas vale prestar atenção quando artistas tão atentos e cuidadosos preparam algo com essa ambição.

11 – BK – “Dinheiro, Poder, Respeito” (6)
12 – Jomoro e Karina Buhr – “Saudades de Lá” (7)
13 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (8)
14 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (9)
15 – Zé Manoel – “Como?” (10)
16 – Os Amantes – “Linda” (11)
17 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (12)
18 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (13)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (14)
20 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (15)
21 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (16)
22 – Anitta – “Girl from Rio” (17)
23 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (18)
24 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (19)
25 – Salma e Mac – “Amiga” (20)
26 – Yung Buda – “Digimon” (21)
27 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (22)
28 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (23)
29 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (24)
30 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (25)
31 – FEBEM – “Crime” (26)
32 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (27)
33 – Boogarins – “Supernova” (28)
34 – Moons – “Love Hurts” (29)
35 – BaianaSystem – “Brasiliana” (30)
36 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (31)
37 – Jair Naves – “Vai” (33)
38 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (34)
39 – Carmem Red Light – “Faith No More” (35)
40 – Yannick Hara – “Raça Humana” (36)
41 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (37)
42 – FBC – “Gameleira” (40)
43 – Mbé – “Aos Meus” (41)
44 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (43)
45 – Djonga – “Eu” (44)
46 – LEALL – “Pedro Bala” (45)
47 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (46)
48 – Ale Sater – “Peu” (47)
49 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
50 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do trio paranaense Tuyo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Jup do Bairro aparece em 2021. Com uma inédita e um filme dela. Ouça e veja “Sinfonia do Corpo”

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* As poderosas também choram, sentem frio e sentem fome. É o caso da incrível multiartista paulistana Jup do Bairro em seu novo single, a inédita “Sinfonia do Corpo”, produzido pela badass Badsista, com várias direções da própria Jup e que vem acompanhado de um curta-metragem-videoclíptico bonito de tão tocante, onde Jup do Bairro alterna o momento cantora e o momento discursivo, facetas diferentes mas que se encontram de sua voz ímpar e única.

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“Sinfonia do Corpo” (capa do single abaixo) é a primeira canção nova que Jup apresenta não só em 2021 mas desde que lançou seu maravilhoso EP de estreia no ano passado, o “Corpo Sem Juízo”.

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Tanto lá como cá, Jup do Bairro, artista travesti (e negra, gorda e periférica thankyouverymuch), ainda está às voltas com seu corpo, o do passado e o do presente. E, ela vai explicar abaixo, do futuro também. “Era um espaço vazio, quase nada se encontrava ali” é a frase que abre o single novo, para já dar uma ideia do que está por vir.

“Acredito que essa faixa é uma de minhas composições mais viscerais (literalmente). É uma viagem filosófica ao meu corpo e como o entendo. Entre dores e delícias, como podemos projetar o futuro se o presente é incerto? Como continuar caminhando mesmo com tanta dificuldade? Se existe morte em vida, podemos encontrar vida na morte? Eu não sei. Gravei essa voz no fim do ano passado, em um único rec e não quis gravar novamente. Sinto minha voz emocionada quando ouvi de fato o que eu estava falando. Vocês me conheceram por fora, agora quero me expor por dentro”, relata Jup sobre a letra de “Sinfonia do Corpo”.

O vídeo-curta de “Sinfonia do Corpo” mostra Jup se montando como drag queen, nos apresentando à Sonya 3000000. Segundo a artista, Sonya é “uma artista sonhadora, humilde e muito talentosa. Acorda cedo e passa o dia se arrumando para a sua apresentação online, em que não entra ninguém. Eu já senti isso, às vezes ainda sinto. As artistas independentes passam por um turbilhão de situações que as frustram: a falta de apoio, verba, estrutura… e mesmo assim, se maqueiam, se vestem e preparam o melhor de si”.

Ouça e também veja “Sinfonia do Corpo”, de Jup do Bairro, abaixo. Detalhe para uma camiseta da Fresno no varal da Sonya/Jup, daquelas alegorias improváveis legais.

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Top 50 da CENA: O indie-mental health alcança solo brasileiro e vem pesado ao nosso ranking. Primeiro lugar: “Terapia”. Segundo: “Antidepressivos”

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* A CENA brasileira parece conectada a uma tendência que já observamos lá fora: a indie-mental health. Se quiser ler mais sobre esse movimento (já consideramos um) vale dar uma lida neste post que publicamos na Semiload, umas semanas atrás. As duas primeiras posições da nossa parada desta semana abordam o assunto de modo explícito já no título. E talvez, até o Ale Sater, em seu olhar ao seu interior, possa ser colocado nessa turma. Sinais dos nossos tempos. Estamos trancafiados, as coisas não estão simples lá fora. Cantar sobre isso, que já vinha ganhando força nos últimos anos, aflorou na pandemia e hoje em dia é uma forma de terapia coletiva. A gente acredita que isso possa ser bom, já que só uma maior interação e comunicação sobre esses papos pode ajudar todos nós a lidarmos com isso. Música sempre é uma terapia. Que aborde isso, então. E vai dar tudo certo no fim.

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1 – Luna França – “Terapia”(Estreia)
O lindo segundo single da cantora entre muitas-outras-coisas Luna França aterrissa de bico nesta onda forte da música nova, aqui e lá, que é o indie-mental health, do qual temos falado bastante na Popload. Na canção, ela descreve um sentimento feio, em suas palavras, ou seja, faz terapia em tempo real mesmo. “Escrevi essa letra como se estivesse escrevendo um diário e refletindo sobre essa sensação de posse que é real e até bem comum. A gente não quer ver a pessoa triste, mas também não quer ver mais feliz que a gente.” Forte. Como é a canção em si.

2 – Yannick Hara -“Antidepressivos”(Estreia)
Ainda no campo da mental health, Yannick Hara aborda por aqui outro aspecto da questão: o abuso de remédios como uma forma de afastar toda e qualquer dor (inclusive a da alma), uma forma de camuflar alguns problemas. O clima do som pega um tanto de The Cure nos momentos mais sombrios, uma vibe ointentista, céu nublado e um frio lá fora. E um frio mais doído lá dentro.

3 – Ale Sater – “Nós” (Estreia)
“Nós”, com seus dedilhados grandiosos de violão acústico, afastam Ale Sater do clima urbano do som do Terno Rei e o leva, sozinho, para o interior. Talvez o seu próprio interior, onde ele tenha que lidar com fantasmas em tom nostálgico, algo longe do romantismo urgente que embalou “Violeta, o mais recente e bem-sucedido álbum do Terno Rei, de 2019.

4 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (1)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”, que perdurou duas semanas no primeiro lugar deste ranking da CENA. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

5 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (2)
Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

6 – Winter – “Violet Blue” (3)
Se no Top 10 Gringo demos destaque ao Jevon, um inglês que é quase brasileiro, vamos dar atenção aqui para a Winter, projeto de Samira Winter, curitibana que vive na Califórnia, nos EUA – e é quase mais deles que nossa. É que a gente não deixa. “Violet Blue” é uma viagem deliciosa pela voz de Winter e por uma guitarra que parece se desintegrar e se recompor em uma distorção amalucada.

7 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (4)
A gente já conversou por aqui sobre esse grupo novo e esperto que saiu de um TCC – todos estudavam produção e a banda extrapolou o curso. Tem este single deles aqui que deixamos passar em 2020, mas agora escutamos e amamos demais.

8 – Tagore – “Tatu” (5)
No ano passado, falamos aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco”, você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.

9 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (Estreia)
A banda mineira de dream pop Kill Moves consegue transformar Belo Horizonte, 2020, em Slough, Inglaterra, anos 90. Sabe aquele casamento entre barulheira e melodias quase adocicadas? Rola por aqui. “Perfect Pitch” merece sua atenção pelos diversos momentos que cria – do noise inicial, momentos mais melódicos e um break percussivo.

10 – DJ Grace Kelly – “PPK” (Estreia)
A DJ baiana Grace Kelly, que vive na frenética Berlim, manda aqui uma “ode às sapatonas e bissexuais” que vai muito além do que essas três letras podem significar”, em sua palavras. A música é um batidão funky dentro da house que não perde o fôlego em pouco mais de 3 minutos de som. A faixa faz parte do EP “Dengo”, a ser lançado em breve

11 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (6)
12 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (7)
13 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (8)
14 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (9)
15 – Edgar – “Prêmio Nobel” (10)
16 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (11)
17 – BK – “Mudando o Jogo” (12)
18 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (13)
19 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (14)
20 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (15)
21 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (16)
22 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (17)
23 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (18)
24 – Kamau – “Nada… De novo” (19)
25 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (20)
26 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (21)
27 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (22)
28 – MC Carol – “Levanta Mina” (23)
29 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (25)
30 – Criolo – “Fellini” (28)
31 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (29)
32 – Wry – “Absoluta Incerteza” (32)
33 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (33)
34 – YMA – “White Peacock” (34)
35 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (35)
36 – Luedji Luna – “Chororô” (36)
37 – Black Alien – “Chuck Berry” (37)
38 – Vovô Bebê – “Bolha” (38)
39 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (39)
40 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (40)
41 – Liniker – “Psiu” (41)
42 – Tuyo – “Sonho da Lay” (42)
43 – KL Jay – “Território Inimigo” (43)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (46)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (47)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (48)
49 – Don L – “Kelefeeling” (49)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Luna França.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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