Em kamasi washington:

Saiba o que presta no disco de covers do “Black Album” do Metallica

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* Na nossa modeeesta opinião, né?

“The Metallica Blacklist”, álbum que reúne 53 versões de diversos artistas para canções do “Black Album” do Metallica – cujo original acabou de completar 30 anos e ganhou uma versão de luxo nesta sexta-feira -, tem uma missão nobre. Seu lucro vai todo para instituições de caridade – uma administrada pelo próprio Metallica e outras tantas indicadas por cada artista que participa do álbum.

Sobre o disco em si, musicalmente, o resultado não nos parece tão satisfatório assim, além de “curioso” e “variado”. Por mais que faltem critérios para avaliar um disco de covers, porque a pegada crítica aqui é outra, pensa o grande número de covers das mesmas músicas que estão pelas quatro horas de disco.

Das 12 canções que estão no “Black Album”, mais de dez artistas escolheram fazer uma versão da mesma “Nothing Else Matters. Enquanto isso, “Of Wolf and Man”, que é um relativo sucesso, só ganhou uma releitura. Também pesa que alguns artistas só tentem reproduzir a versão original ou optem por lugares-comum em releituras.

A gente deu uma rasante pelo disco e separou aqui as faixas que parecem mais interessantes numa primeira escutada, poupando um pouco de seu tempo. Vai direto nas nossas indicações que a experiência fica um pouco melhor. Não porque a gente que escolheu o caminho. É porque uma boa triagem ajuda, mesmo.

** “My Friend of Misery” – Kamasi Washington
Falar em inventividade é falar do Kamasi, que amplica bem os horizontes na sua releitura. A bateria deste som é de deixar o Lars com um pouquinho de inveja.

** “The God That Failed” – Idles
A gente gosta do Idles, então nesta escolha perdoamos um pouquinho qualquer problema, é compreensivo. Mas no fim é uma boa versão mesmo e, porque os ingleses pelo menos tentaram escolher uma menos óbvia, já ganham uns pontos.

** “Sad but True” – St. Vincent
Além de dar um toque todo seu no clima da música, sempre é bom escutar uma de nossas guitarristas prediletas solando. So-lan-do. Ela reconstrói aqui o solo clássico do Kirk de um jeito tããão foda quanto o original. Que os fãs die-hard do Metallica não nos leve a mal.

** “Hollier than Thou” – OFF!
Sumidos, a banda hardcore californiana OFF!, do Keith Morris, reaparece dando energia punk real para este som. É das horas mais bate-cabeça do álbum.

** “Through the Never” – Tomi Owó
Ao pegar uma música menos conhecida do disco, Tomi conseguiu transformar a música quase em 100% sua. Alguém que não curte tanto Metallica nunca adivinharia que essa é deles.

** “The Unforgiven” – Flatbush Zombies e Dj Scratch
A versão talvez mais bem-humorada do disco. Criando um beat em cima da original, a banda de hip hop de Nova York, encorpada pelo DJ Scratch, toca o riff da música e um sample ri desse fato. Coisas da sabedoria do rap.

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Top 10 Gringo – Beabadoobee pede licença e senta no topo. Kamasi Washington não se importa. Mas James Blake parece incomodado (inclusive com o Finneas). Que “top”este Top!

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* Não olhamos as datas de aniversário da galera que a faz a música que a gente gosta, mas daqui parece um listão só de artistas novos – uns bem novatos, com um single, outros jovens ainda mesmo que não seja no papel, como James Blake ou Kamasi Washington. Ou alguns que já se sentem mais velhos ainda que não sejam, como a Lorde. Mas, em resumo, uma semana de boas músicas com essa feliz coincidência. A base vem forte. Dá uma olhada na nossa playlist, para ver. E rumo às 300 músicas listadas.

beabadoobeetopquadrada

1 – Beabadoobee – “Cologne”
A bateria lembra um tanto “Song 2”, do Blur, no começo, numa pegada mais desacelerada porque não estamos mais nos anos 90. Mas talvez seja só impressão nossa. A sequência entrega um pop feminino sueco tipo Cardigans no vocal, indie pôs-grunge americano de mulheres em uns barulhinhos no meio e algo de britpop temperando. Além de ser da turma que está devolvendo a guitarra ao pop, Beabadoobee escreve bem demais. Em uma música sobre sexo e se sentir bonita, ela abre espaço para uma metalinguagem esperta: “Odeio o tema dessa música”, canta em certo momento, entregando um pouco da sua timidez apesar da escrita sincera.

2 – Kamasi Washington – “Sun Kissed Child”
Parte de um EP criado pelo site The Undefeated com vários artistas, Kamasi entrega esta bela track de deliciosos oito minutos. Ainda que seja nosso trabalho escrever umas linhas sobre a música, Kamasi é daqueles que gosta de tornar nosso trabalho totalmente dispensável. Seu som transborda por linhas criativas em cada instrumento, pelo vocais incríveis de Dwight Trible e Patrice Quinn. E não é que até conseguimos escrever algo? Vale uma atenção na bateria, tocada pelo irmão do Thundercat, Ronald Bruner Jr.

3 – James Blake – “Say What You Will”
Em uma música sobre se aceitar e não ficar se comparando com os outros, Blake ainda cria um vídeo já com ares de clássico – onde seu personagem, um James Blake fracassado, sofre com inveja do Finneas, sim, ele mesmo, aquele irmão da Billie Eilish. Começa a ansiedade pelo novo disco inglês, uma das participações especiais é da SZA. Dificilmente Blake erra em algo.

4 – Wet Leg – “Chaise Lounge”
Considere os fatores: duo feminino britânico + Domino Records + uma única música lançada que já é hit + mixagem de um cara que já lidou com os Arctic Monkeys + postura cool + letra bem humorada + vídeo incrível. Believe the hype.

5 – Lorde – “Stoned at the Nail Salon”
Acredite. Aos 24 anos, Lorde escreve sobre estar envelhecendo e ter que pegar – seja lá o que isso signifique. Esse papo de CRINGE a atingiu em cheio mesmo, não é? Brincadeiras à parte, este som, que ainda tem Clairo e Phoebe Bridgers nos backings para ser o momento reflexivo do novo e aguardado álbum da neozelandesa, é, digamos, profundo.

6 – Tops – “Party Again”
Alerta de gatilho. A música das canadenses do Tops lança a pergunta: quando vamos festejar de novo? Ainda que não seja sobre pandemia, mas sim sobre ter saudade de uma pessoa que só vemos em festas, fica esse duplo sentido para nós. E fica a música boa também.

7 – She Drew the Gun – “Class War”
Na sua bio no Twitter, Louisa Roach, a dona do She Drew the Gun, se define como trabalhadora, socialista, feminista e mãe. Natural que um de seus sons denuncie a luta de classes, aquele motor da história, segundo um famoso escritor barbudo. Manja? Enquanto rycos surfam para fora do planeta, uns milhões não têm o que comer. Como definiu outro velhinho, a guerra de classes não só existe como está sendo promovida por bilionários. E eles estão vencendo.

8 – Lil Nas X – “Industry Baby”
Sabe aquela música para exprimir uma vitória pessoal? Emendando hit atrás de hit, Lil Nas X tira uma para celebrar e dar cacetada em boomers, haters e vacilões em geral. Ele é a indústria. E o Baby.

9 – Alexis Marshall – “Open Mouth”
Trampo experimental nota dez do líder da banda de metal industrial Daughters. Vamos expressar melhor: trampo experimental que está dentro de um trampão experimental bem maior, lançado em forma de álbum. Experimental por experimental, aqui a coisa é um tanto quanto mais abstrata, aparentemente. É o exato contraponto do pop pelo pop. Escolha suas armas. E ouse ouvir o novo disco solo do nosso daughters.

10 – The Linda Lindas – “Oh”
Se no skate na Olímpiada as meninas de 13 anos deram um show na turma mais velha, dá para dizer que as Linda Lindas são o equivalente dessa jovem galera na música. Esse quarteto de punk latino-asiático dá um show em muita banda de rock por aí. Som 1-2-3-4 na cara e uma letra esperta sobre aquela nossa paranoia em falar besteira e se arrepender. Ou ficar quieto (e se arrepender também).

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* A imagem que ilustra este post é da cantora filipina-britânica Beabadoobee.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Kamasi Washington bota seu jazz-punk para tocar hoje, em São Paulo, pertinho do Paul. Quer ingressos?

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* Em terra de Paul, quem tem Kamasi Washington é privilegiado. Não longe do Allianz Parque, onde sir Paul McCartney estará fazendo seu segundo e sempre afetuoso show de Beatles, Wings, solo, obladis e obladás, o Audio Club, dez minutos a pé, estará recebendo o inovador músico Kamazi Washington, saxofonista que está ajudando a colocar um novo jazz híbrido nas fuças da música independente, quase pop. E isso é sério.

O músico, que mescla seus dois únicos discos (mais um incensado EP) no setlist coeso tanto quanto a banda que o acompanha, se apresentou no Rio e em Porto Alegre nestes últimos dias, para um Circo Voador (foto acima) e um Opinião lotados, respectivamente.

Hoje é a vez de São Paulo ver o cara que faz uma apresentação de jazz parecer um show punk, dado o envolvimento hipnótico dele com a plateia que o vê, nessa ótima mistura de estações musicais, estilos e conceitos.

** UM PAR DE INGRESSOS GRÁTIS? TEMOS! – Em um sorteio relâmpago, a Popload e o Queremos!, a produtora da turnê de Washington no Brasil, tem um par de entradas para quem quiser concorrer a ele, através do lucio@uol.com.br. É só escrever Kamasi Washington na linha de assunto e esperar até umas 16h, que eu aviso a pessoa que ganhou pelo mesmo email. Vamos hoje?

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