Em kendrick lamar:

Top 10 Gringo – O rock domina o Top 10: um oferecimento de Halsey (!), Indigo de Souza (!!), Rina Sawayama (!!!) e… Kanye West (!!!!)

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* Já que tem textão ali no nosso décimo lugar, vamos direto ao ponto. Semana cheia de bons lançamentos, incluindo o polêmico “Donda”, do Kanye West, que a gente discute mais lá embaixo. Será que ele merece estar no topo da lista semana que vem? As músicas prestam? As participações especiais danificam seu trabalho? A conversa está aberta.

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1 – Halsey – “Easier than Lying”
É o ano do rock. E talvez um discos mais interessantes de rock do ano seja essa investida da californiana Halsey. Com produção de Trent NIN Reznor and Atticus Ross, ela escreve um disco todo sobre, em suas palavras, “as alegrias e horrores da gravidez e do parto”. E que momento é “Easier than Lying”, um som provavelmente sobre um homem bem péssimo. Que baixo é esse?

2 – Baby Keem, Kendrick Lamar – “Family Ties”
Daqui a pouco a gente fala do Kanye West, mas outro que gosta de mistério é o Kendrick Lamar, que faz suspense sobre seus próximos passos, talvez esteja até criando um altergo, mas aparece bem nesta faixa do seu primo Baby Keem, que por acaso, também está presente no polêmico Donda.

3 – Gorillaz – “Jimmy Jimmy”
Em um EP surpresa, “Meanwhile EP”, o Gorillaz oficializa três bons sons que já andavam rolando ao vivo. Nossa predileta é a dançante “Jimmy Jimmy”. Este pequeno álbum é uma homenagem ao carnaval cancelado de Nothing Hill por conta da pandemia. No Spotify, a banda fez até uma “mixtape” com outros sons dançantes, procurem por Gorillaz Carnival.

4 – Indigo de Souza – “Way Out”
E por falar em volta do rock… Atenção nessa garota da Carolina do Norte que também fez um superdisco inventivo dentro do gênero, bem escrito, bem tocado e barulhento e meio lo-fi – do jeito que gostamos.

5 – Big Red Machine – “Hoping Then”
A parceria de Aaron Dessner (National) e Justin Vernon (Bon Iver) é brilhante. Além das participações especiais que estrelam este segundo álbum da dupla, entre elas Taylor Swift e Sharon van Etten, eles também brilham sozinhos, como nesta bela “Hoping Then”.

6 – Turnstile – “Alien Love Call”
Semana passada a gente já tinha falado do caso da banda de metal que vai se lançar pelo shoegaze. Dessa vez a história é o grupo de hardcore que se arrisca por gêneros mais delicados – ainda que pese a mão quando ache necessário. Essa com participação do Blood Orange é uma daquelas que quem nunca escutou o Turnstile vai pensar: banda de hardcore?

7 – Feng Suave – “Tomb for Rockets”
A leve psicodelia minimalista dos holandeses do Feng Suave é daquelas de passar boas tardes curtindo uma brisa. É um Tame Impala bem menos (bem menos mesmo) aditivado, saca, e que escutou mais soul music.

8 – Chvrches – “How Not to Drown (feat. Robert Smith)”
Uau. Robert Smith colou no rolê dos escoceses do Chvrches. E a gente teve a moral de escutar a vocalista Lauren Mayberry sobre isso. Se liga que história incrível. “Acho que para o meu eu adolescente ainda não caiu a ficha, porque todos nós sempre fomos grandes fãs, nossa música é muito inspirada no Cure, sempre tivemos camisetas e tal… Meu manager soube que ele estaria gravando um novo album e decidiu entrar em contato com seu representante, para que, sei lá, de repente, se ele fosse estar em turnê, poder abrir algum show do Cure, ou algo assim. Mas acontece que Robert não tem um manager e aí um dia ele simplesmente apareceu e disse ‘Hey, vi que vocês estavam me procurando’”. Ouve o resultado.

9 – Rina Sawayama – “Enter Sandman”
Uau de novo. Segue a leva de covers do álbum preto do Metallica. E Rina chega com talvez a mais inventiva versão até aqui. Um misto de rock modernoso com direito a samples e um toque dance que respeita o clássico original. E a risada malvada do James vira um riso bem-humorado da Rina.

10 – Kanye West – “Jail”
Que treta resenhar esse cara. Seja lá o que pense politicamente em termos de Trump/Biden ou ele mesmo para presidente, dá para dizer fácil que Kayne construiu até aqui uma obra que celebra a criatividade e liberdade. Ele talvez seja um dos grandes compositores e produtores de sua geração. Só que a arte do polemista pode dar ruim às vezes. Em uma primeira escutada, no longo “Donda”, a coisa soa confusa pela primeira vez em sua discografia. Aliás, seria esse mesmo a versão aprovada por West? Ou é a gente que não está alcançando sua genialidade? Ele escreveu que a gravadora soltou o álbum sem sua autorização. Ainda que várias músicas soem incríveis, avançadas, com seu tino musical em alta, algo parece fora de compasso. Especialmente a participação especial sem qualquer contexto de Marilyn Manson. Qual sua razão? Não fica explicado e só soa ofensivo com as mulheres que denunciaram seus abusos. Mesmo DaBaby, que pediu desculpas pelas bobagens que disse e alega ter aprendido a lição, também pode ser contestado. Ao mesmo tempo, é um disco que termina com um pedido de liberdade para alguém em prisão perpétua. Algo que não se vê todo dia. Uma ideia nada conversadora. Confuso? Complexo? Temos um disco para ser discutido por meses. Eu disse que era um treta. E nem conseguimos elogiar a ótima “Jail”, que tem Jay Z arrebentando e tudo mais. Fora que também é um… rock!

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* A imagem que ilustra este post é da Halsey.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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POPLOAD NOW: Os nove álbuns blockbusters que vão abalar nosso 2021, estrelando Drake, Foo Fighters, Lorde, Frank Ocean, Adele…

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* A gente gosta aqui de elencar os discos indies que estamos desesperados para que saiam logo, mas não podemos deixar de listar os blockbusters também, né? Que vão dar um agito gigantesco na cena, ainda que no paralelo das nossas vidas. E dar um agito, sim, a este site, por que não? E aos nossos festivais quando tudo passar, por que não? E outros por que nãos.

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** DRAKEJaneiro – O mega-rapper canadense Drake anunciou no ano passado o lançamento de “Certified Lover Boy”, junto com o primeiro single intitulado “Laugh Now Cry Later”, que a princípio trouxe um trailer seguido de um vídeo de alto orçamento. Quem sabe no futuro não vemos Drake estrelando um longa-metragem também?
O disco tem data de lançamento em “janeiro”, como colocamos aí em cima, sem dia anunciado. Ou seja, a qualquer momento, páááá!!!

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** FOO FIGHTERS5 de Fevereiro – “Medicine at Midnight” é o nome do próximo álbum do genial Foo Fighters, que já fez circular o bom single “Shame Shame”, inclusive estreando a música ao vivo no famoso programa Saturday Night Live, no final de semana seguinte às eleições americanas. No Réveillon, a banda liberou mais uma faixa, “No Son of Mine”. Em declaração, o líder Dave Grohl disse que o disco é “repleto de ‘hinos'”, e comparou-o a “Let’s Dance” de David Bowie. Ousado.

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** LANA DEL REY19 de março – Falamos muito no post anterior, mas tínhamos que colocar aqui também. O sucessor de “Norman Fucking Rockwell” tem o nome de “Chemtrails Over the Country Club”, sabemos já de dois singles, conhecemos a capa lindona, o tracklist que inclui uma música chamada “Wild at Heart” e outra “Dark but Just a Game” e que ele chega a nós no dia 19 de março. Ai, ai.

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** FRANK OCEANsem data – Já se passaram mais de quatro anos desde seu último lançamento, “Blonde”, mas recentemente Ocean voltou com a Beats 1 Blonded Radio, programa de rádio online em que também apresentou duas músicas suas inéditas, “DHL” e “In My Room”, e depois mais duas, “Cayendo” e “Dear April”.
Desde então, sabemos que o cantor planejava o lançamento de um disco de 7″ que ele mesmo cancelou. O que se espera é que para ainda neste ano o rapper traga mais conteúdo inédito. Ou seja, seu álbum novo finalmente.

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** KENDRICK LAMARsem data – Confirmado em praticamente todos os festivais giga mundo afora, isso num mundo pré-COVID, era esperado a esta altura que tivéssemos algo novo de Kendrick Lamar. Mas aí veio a pandemia…
Em 2018, Lamar se dedicou à trilha sonora do filmaço “Black Panther”, e recentemente deu as caras numa faixa do novo disco de Busta Rhymes.
O que sabemos por enquanto, é que ele está trabalhando em algo novo e, segundo palavras dele sobre demorar tanto: “Eu passo o ano inteiro apenas pensando em como vou executar um novo som, não posso fazer a mesma coisa indefinidamente. Eu preciso de algo para me animar.”
Torcendo para que ele fique bem animadinho. Porque estão dizendo mesmo nos bastidores da indústria que o disco novo de KL está bem pronto.

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** LORDEsem data – Em 2019, quando Lorde se preparava para gravar o sucessor do incrível “Melodrama”, ela foi pega de surpresa pela morte do seu cachorrinho, o que a fez adiar o processo. Porém, em maio do ano passado, a cantora e compositora apareceu para contar que está sim trabalhando em novo material, junto com o produtor dourado Jack Antonoff, à distância, obviamente, devido à pandemia.
Enquanto isso, Lorde (foto da chamada na home) lançou no fim do ano aquele livro de fotos de viagem da sua visita à Islândia, como te contamos aqui.
Mas, Lorde baby, queremos ouvir mais de você. Não ler, exatamente.

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** PHOENIXsem data – Ano passado fomos pegos de surpresa (ou mais ou menos) quando Phoenix lançou a ótima “Identical”, música que faz parte da trilha sonora do filme “On The Rocks”, dirigido por Sofia Coppola, esposa de Thomas Mars, vocalista e líder da banda francesa.
A faixa trouxe saudade do dançante “Ti Amo”, álbum de 2017, e desde então o grupo só lançou um livro, em 2019, chamado “Phoenix: Liberté, Égalité, Phoenix!”. Mas, segundo Mars, podemos esperar que “Identical” esteja no próximo álbum em breve, que deve ter o mesmo espírito animado.

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** RIHANNAsem data – Bom, depois de seu último lançamento, “ANTI”, láááá em 2016, de Riri só temos notícia quando se trata de seu império de beleza Fenty Beauty. E, ano após ano, os fãs querem mais que iluminador que brilha na Lua, Querem saber se, afinal, Rihanna voltará aos palcos e à música.
Em entrevista recente, a artista-empresária disse que a quarentena tem ajudado a aflorar seu lado criativo e que, para este ano, ela gostaria de levar sua marca e sua música para outro patamar.
Em março passado, Rihanna nos deu um gostinho, colaborando em uma faixa do rapper PARTYNEXTDOOR, “Believe It”. Manda mais, Rihanna, que está pouco. Mesmo.

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** ADELEsem data – Ela está mais linda, mais loira e fez o mundo dar uma respirada funda quando foi anunciada no programa “Saturday Night Live”, como host, em outubro do ano passado. Iria ela mostrar alguma canção nova ou adiantar novidades sobre o novo disco, o sucessor de “25”, que ela lançou há mais de seis anos? Mas quá! Mas no fim deixou um recadinho no Instagram, bem de leve, na ocasião do SNL, que o próximo álbum sai, sim, agora em 2021. Ok, então.

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

O que a gente aprendeu com o Lollapalooza 2019. E como isso pode afetar o futuro do festival. E, claro, os principais shows deste ano

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* Massacre para as pernas, quantidade cavalar de informação que é difícil de processar toda, superexposição visual e de sentidos, chuva, raios e sol, 246 mil pessoas represadas em 3 dias para ver 70 atrações, cheia de pulseiras diferentes no braço, subindo e descendo morros e contornando grades, com internet razoavelmente funcionando para gerar a maior quantidade de selfies e fotos de galera da história brasileira, povo chegando de van vip, uber ou trem para desfrutar de todas as áreas oferecidas: a comum, o lounge vip, a vip master e a vip da vip master. Impacto de marcas patrocinadores a cada passo, na roda gigante ou com pacotes de salgadinhos gigantes andando entre o público.
Lá se foi mais um Lollapalooza.

Mais do que uma aventura de se prostrar em frente a palcos para ver shows, ou sentar no sofá para análises profundas em som pastel e clima zero, o Lollapalooza levantou questões sobre o estado de coisas da música atual. Sem pretensão de desfilar aqui verdades verdadeiras sobre o que está acontecendo, porque vai saber o que está acontecendo na música, a gente vai aqui roçar em algumas QUESTÕES provocadas pelo Lollapalooza 2019.

Tipo assim: o Lollapalooza passou, o achismo passou, o gostei-não-gostei passou e, à medida que os shows tendem a esfriar na memória, algumas percepções mais reais começam a esquentar na cachola e podem render ainda muito debate em mesa de bar roqueiro, na lanchonete cool que toca música indie, enquanto você e seus amigos esperam a vez de cantar pop em karaokê ou no Twitter, que centraliza tudo. 

Algumas dessas questões parecem mais evidentes. Se o funk cabe ou não no Lollapalooza é uma delas e parece bem respondida: sim, cabe. E isso veio no meio do surpreendente (para o bem) show do Post Malone, com a bombástica participação do MC Kevin O Chris. Só reforçou o que a participação do MC Bin Laden no show do Major Lazer em 2016 evidenciou: sim, o funk cabe se o festival seguir apostando que sua fórmula é abrigar o que de melhor o pop tiver no momento. A discussão antes da edição brasileira do Lollapalooza era sobre termos o nosso funk representado nas edições estrangeiras do festival e não por aqui. O papo seguirá após o festival, evidentemente, e deve ficar forte próximo das confirmações do line-up do ano que vem. Talvez não tenha mais para onde correr.

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Nessa conta, qual será o futuro de bandas de rock dentro do festival? O Greta Van Fleet entregou um show que convenceu o público enquanto dividiu opiniões de “críticos especializados” e do público do sofá. Claramente tinha a “energia” do rock ali. A banda, ainda que emule um Led Zeppelin descarado, sem o punch e o estilo do grupo lendário porém cumprindo um papel de reboot clássico para novas gerações, segura bem um show diante de um público já gigante, o deles. Mas daí a pensar que o GVF pode ocupar a posição de headliner no futuro parece uma pergunta sem resposta ainda, o que eles ajudam a responder é que o festival ainda tem sede (e reza) por grandes bandas de rock: uma chave onde estão desde bandas mais velhas, pense em Foo Fighters e Pearl Jam, e bandas nem tão novas assim mais, caso do Arctic Monkeys e do The Killers, por exemplo. Você acha um absurdo aparecer um Strokes no topo da lista de 2020, como já apareceu em alguns festivais de fora neste ano, mesmo com a banda sem fazer algo relevante desde, sei lá, o terceiro disco, há mais de dez anos?

Difícil pensar em alguma novidade do rock que arraste uma multidão. Isso, pelo menos, ainda com um som “duvidoso”, ou polêmico, o Greta Van Fleet conseguiu. É claramente uma “banda de festival” já.

Mas voltemos a falar do pop. Esse conceito por si só já muito pulverizado que ficou ainda mais diluído na programação apontando para muitos lados. Parece que não resta nenhuma dúvida de que Sam Smith, Post Malone e Twenty One Pilots possam ser headliners láááá na frente. Até a “pequena” Jorja Smith parece uma estrela ascendente pela fofura que foi a apresentação dela. Goste-se ou não das músicas dessa galera citada, cada um na sua, esses nomes impressionaram no quesito “arrasto de grande público com todo mundo cantando tudo”. Principalmente o último, o Twenty One Pilots, que não é nenhuma novidade mas carrega um frescor de “banda do futuro”. O duo já está gigante, acima de seus parâmetros, nos EUA e na Inglaterra. É a segunda banda do line-up do Reading Festival deste ano do nobre segundo dia, o sábado (abaixo apenas, adivinhe, do Post Malone). E está na primeira linha do gigantesco Lollapalooza de Chicago, a matriz. Colado a megastars como Ariana Grande e Childish Gambino. Uma análise de projeção desta que estamos fazendo para o Twenty One Pilots poderia ser construída, há uns anos e guardadas as pegadas e os estilos, para o Cage The Elephant, por exemplo, que é legal, tem um show intenso e foi trazido ao Brasil pela primeira vez pelas mãos de Dave Grohl. Mas não sei se chegarão mais onde poderiam. Ou prometiam.

Iza e Troye Sivan, por sua vez, já saem do festival com jeito de que podem ocupar posição grande numa próxima vez. Até de principal atração do palco Onix, o segundo maior do Lolla, por exemplo. A primeira se o festival quiser ousar. O segundo por sua vocação enorme de ser bem mais que um músico.

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A questão do indie no Lollapalooza talvez seja a que levanta mais dúvidas quando pensamos nas próximas edições. O Arctic Monkeys provou que segue no jogo, mas apontou para uma sonoridade que não é a mesma que fez o público deles no Brasil ficar enorme, à medida que a banda “envelheceu”. é linda, ainda, mas talvez a curva para baixo tenha chegado. Por outro lado, Kings of Leon, que surpreendente nem fez um show ruim, só pareceu cansado, sem grandes novidades e com pouco fôlego para tomar o lugar que hoje é de grupos clássicos como, de novo, Pearl Jam, Foo Fighters e outros sobreviventes de quando o rock vinha da grande indústria da música, que quase não existe mais. Ou existe sim, mas com nova acepção de “grande”. Por vários motivos, a geração do download encara questões inéditas na indústria. São as primeiras bandas que envelhecem sem apoio massivo do rádio, para ficar em um exemplo. O repertório deles será suficiente para lidar só com nostalgia? Interpol foi lindo, mas quem precisa mais de Interpol olhando-se para o dia de hoje?

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* Sobre alguns shows dos quais queremos falar umas coisas:
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#KendrickLamar

Melhor show do festival? Talvez alguém discorde, mas pelo menos é fato que Kendrick Lamar veio ao Brasil em seu melhor momento na carreira até agora – não duvidamos que seu próximo disco e turnê sejam seu novo melhor momento. Em um show que vai direto ao ponto enfileirando hits e favoritas dos fãs, destaque para roupagem nova que a banda, em especial o baterista, dá para as músicas ao vivo. Quem estava perto do palco tremeu com os graves. Os graves foram um dos “personagens principais” do show do Kendrick, além do próprio e ao lado dos conceitos chinenes do telão, que foram o fio condutor da apresentação. Inclusive os interlúdios, que poderiam esfriar o clima do show com seus pequenos filmes, funcionam muito bem ao dar o tom do humor e do clima que Kendrick Lamar pretende dar a sua apresentação. Se for para reclamar de alguma coisa, algo difícil, talvez seja a opção por tocar músicas onde ele faz a participação especial, ou feat., como você preferir chamar. Trocaríamos qualquer uma dessas por “i”, por exemplo, que deve soar ótima com banda e tudo. Não fez falta, em todo caso. 

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#ArcticMonkeys

Melhor show do festival? É meio impossível falar de Arctic Monkeys no Lollapalooza Brasil sem tecer comparações a sua última visita ao festival – lá em 2012, como headliners da primeira edição. À época, estavam em turnê com o “relativamente fraco” disco “Suck It and See”, mas o vocalista Alex Turner impressionava pela transformação visual que estava tendo: não era mais o nerdão indie de cabelo comprido e cara de mau; tinha virado um greaser meio Elvis, meio James Dean, com jeitão de sedutor. Sua atitude também havia mudado, agora quase parecendo um frontman de verdade, com atitude e presença de palco. De lá para cá, sete anos depois, a transformação está completa: Alex Turner é um frontman completo, digno de ser headliner de festival, já perfeitamente apropriado de seu estilo visual e comandando uma plateia por 1h45 de show. A banda está até mais, argh, adulta. E maior, com dois ou três músicos de apoio que aparecem para encorpar o show, durante toda sua duração.

Alex toca piano desta vez, até para acomodar as canções do mais recente disco. O setlist teve cinco músicas dele, o polêmico “Tranquility Base Hotel and Casino”, ótimo para alguns e intragável para outros. Mas ainda favoreceu bastante o famosinho “AM”, de 2013. No geral, houve um bom equilíbrio entre material recente e antigo, com poucos pontos mornos (a jam após “505”) e poucas ausências óbvias (“The View From the Afternoon”).

A evolução da banda em si ficou óbvia nas músicas mais pesadas: “Brianstorm”, “Library Pictures”, “Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair” e “Pretty Visitors”, eram apenas “legais” em 2012, mas soaram absolutamente destruidoras desta vez, aproveitando todo o poder de distorção e volume que o som tinha a oferecer. Já nos momentos mais melódicos, Alex Turner se deslocou com confiança pelo palco, sem guitarra, facilmente encantando o público (vale dizer) em boa parte feminino. Em um momento, parou à frente de um dos gigantes telões laterais, olhou para trás e deu de cara com seu próprio rosto ampliado. A reação dele foi um “susto”, quase fofo, brevemente humanizando a sua imagem de galã. Se foi uma reação genuína ou ensaiada, não saberemos; mas para o efeito do show, deu certo. E pensar que, lá em novembro de 2011, talvez questionássemos, nesses exercícios de prever o futuro, se o Arctic Monkeys poderia mesmo ser headliner de um festival como o Lollapalooza num país como o Brasil. Né?

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#The1975

Dois anos atrás, quando o The 1975 tocou no palco Ônix às 5 horas da tarde, comentamos aqui na Popload que o show parecia um Michael Jackson sem hooks, ou um The Weeknd sem subversividade — mas que tinham um visual bacana no telão. Agora, em 2019, The 1975 novamente tocou no palco Ônix às 5 horas da tarde, e percebemos que erramos um pouco. A banda é, na verdade, um Sandy & Junior sem graça e moderninho que, de alguma maneira, captou a atenção do público indie – mas continua tendo um telão bacana. Telão esse que, na última música, mostrou frases contendo críticas (supostamente) feitas à banda, como “genuinely laughable”, “lacking the wow factor” e “vacuous arena synth pop”. A ideia, imaginamos, era mostrar que a banda superou as críticas. Virou a “maior banda pequena” da Inglaterra, por causa do disco bem produzidão que lançaram no ano passado. O problema é que as velhas críticas continuam fazendo sentido. A mais coerente é a que aponta que o 1975 parece “banda da Disney”, nos hits, desses que a galera que acompanha a música inglesa desde o britpop costuma ouvir enquanto bota seus filhos pequenos para ver filminho ou desenho e sossegar. Ok, pode ser um choque geracional destes que sempre acontecem. Conhecemos “pessoas confiáveis” que gostam de 1975. Mas enfim.

Bem ao fim, no telão, os dizeres: “ROCK AND ROLL IS DEAD, GOD BLESS THE 1975”. O que uma coisa tem a ver com a outra?

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#St.Vincent

Dentre os vários artistas que retornam ao Lollapalooza Brasil após alguns anos, St. Vincent (ou Annie Clark, como preferir) deve ser a que mais alterou seu show entre visitas. Em 2015 ela veio acompanhada de uma banda completa, trazendo seu disco epônimo (o mais “rock” de sua carreira), e foi espetacular. Para a turnê de seu disco mais recente (e mais pop), “Masseduction”, St. Vincent experimentou dois formatos ao vivo: um com banda de apoio, e outro sem. Aqui, para nós, veio o segundo. Clark ficou sozinha ao palco, cantando e tocando guitarra, com a parte instrumental das músicas vindo de uma gravação. Isso resultou numa atmosfera menos orgânica para a apresentação, ok. Mas mesmo assim não há como reclamar muito além disso. St. Vincent consegue carregar o show sozinha, seja pela sua voz fantástica, pela suas habilidades na guitarra (muitas guitarras, e que ela as projetou e fabricou), ou por seu aspecto visual. O telão ao fundo, que muitas vezes mostrou vídeos relativamente toscos, era mais uma distração. O público reagiu bem à sequência inicial de cinco músicas do disco mais recente, mas ficou mais receptivo com as 5 antigas que vieram logo em seguida. Aliás, vale mencionar: todas essas vieram em versões remixadas, significantemente diferentes das originais, mas ainda identificáveis e boas. Para fechar, uma curta versão a capella de “New York” em homenagem a São Paulo, incluindo as palavras “Rua Augusta” e “Filha da mãe”, logo seguida pela música normal. Volte sempre, Annie Clark.

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#BringMetheHorizon

O primeiro show completo após a paralisação das chuvas do sábado, o BMTH pareceu tocar exatamente o que os fãs queriam, e surpreender o público que estava apenas de passagem. A banda de metalcore (que agora pende mais para um pop rock) tocou com confiança absoluta do início ao fim, independentemente de estarem escalados entre Snow Patrol e Lenny Kravitz em um festival indie. Quando tocam suas músicas mais pesadas, é como um Linkin Park melhorado. Quando tocam as mais pop, é apenas meio ruim. Você pode até não gostar muito do som dos caras, mas é difícil não se contagiar pela atmosfera do show, que alterna entre gente fazendo mosh e cantando apaixonadamente letras melosas. Seria, digamos, 60% guilty pleasure e 40% vergonha alheia, mas 100% valendo a pena assistir, mesmo que um pequeno trecho. Também destacamos aqui o português do vocalista Oliver Sykes, que é casado com uma brasileira, e interagiu quase o tempo todo em nosso idioma. No meio da música “Happy Song”, quando já haviam dois mosh pits de tamanho considerável na plateia, pediu: “Eu preciso mosh pits, não um, não dois, eu preciso três mosh pits. Tranquilo?” E conseguiu.

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#OsBrasileiros

Aqui não cabe a cascata dos Tribalistas. É outra parada.
A pulsante cena independente da música brasileira, e aqui entra de indie instrumental a cantora pop porque a cena é DIVERSA, começa a cavar não só importantes espaços no line-up como atenção idem no geral. Isso já vem acontecendo há algumas edições, mas neste ano elas parecem mais bem cuidadas. Dos brazucas que a gente viu (sim, perdemos uma galera boa), teve o seguinte:

Se teve uma banda que teve sorte no Lollapalooza, essa foi a paulistana E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Tocar 11h55 do último dia de festival é um horário um pouco ingrato para uma banda de rock instrumental (a primeira banda instrumental a tocar no Lolla BR) fazer sua estreia num palco gigante. E ainda rolava a tensão vai-chover-não-vai, mas a idolatria dos fãs do Twenty One Pilots, que fecharia o palco Onix no domingo e desde cedo quis cavar um espaço perto da grade, ajudou a encorpar o público do show dos brasileiros, também com consideráveis fãs presentes para seu tamanho. Ainda sobre os “novos fãs” conquistados pelo EATNMPTD, rolou até gritinhos histéricos tipo: “Tocam muito!”, “Lindos”, “Joga a baqueta para mim”. A banda indie instrumental, à medida que via seu som preencher um palco daqueles, pareciam à vontade por estar ali. Ornou.

A Iza é um monumento no palco. Tocando no menor dos quatro stages, ela parecia não acreditar no tanto de gente que colou em seu show e estava cantando tudo. Além do hit “Pesadão”, que contou com a participação do Marcelo Falcão, a Iza ainda teve tempo de colocar covers tipo “Bad Romance”, da Lady Gaga, e “What’s My Name”, da Rihanna. Rolou até um Natiruts, para a mistura pop se completar. Destaque também para os bailarinos dela, bem entrosados com ela e que parecem não querer sair do palco mesmo quando o show acaba.

A Luiza Lian parecia uma sereia futurista minimalista com um look rosa, pode classificar assim? Acompanhada apenas pelo músico multibanda Charles Txier e um telão com projeções psicodélicas apropriadas para colorir a ocasião, ela fez dos shows mais bonitos do domingo, com um setlist que contemplou as músicas de seu último álbum, “Azul Moderno”. A Luiza é uma artista que consegue navegar e se apropriar de muitos ritmos nacionais. No Lolla, foi o momento de entender a cantora como uma nova princesa do “indie brasilidades”.

O rapper carioca BK bombou a parada, cedão, no palco principal. Foi ao mesmo tempo um show de festa e protesto, sem perder a toada. BK e os meninos do Bloco Sete, que sempre participam de seus shows, são do selo Pirâmide Perdida, que traz basicamente os expoentes do rap BR. Um acerto do festival em abrir uma porta para essa galera. O rapper Luccas Carlos subiu ao palco no fim do show pra se divertir junto dos amigos. Na plateia toda galera do novo rap, como Tassia Reis, Sain e Djonga, acompanhando tudo, empolgados. Irmandade representada. Bloc party particular. Tudo muito certo.

A banda goiana Brvnks teve um pouco do mesmo fator sorte na sexta feira, já que pegou o bonde público do Arctic Monkeys, que chegou cedo para guardar lugar. O show foi um derrame de “indie true”, rápido e às vezes divertido que a gente ama desde os grupos femininos dos anos 90, aqui representado com fofura-punk pela vocalista Bruna, a Brvnks herself. O momento mais tocante foi quando ela se emocionou ao cantar “Fred”, novo single da banda, que é uma homenagem a amigo que faleceu não tem muito tempo. Já “Tristinha”, apesar do nome, animou principalmente as meninas que estavam no público esperando os Monkeys e tipo angariou uma forte representação feminina ao show, espelho do que rola muito na cena. Som bom e engajado saiu dessa apresentação da Brvnks, pequena mas cheia de grandes intenções. Tipo a Letrux, em seu (para variar) showzão no domingo. A mulher é dona do palco, dona dos palcos todos. Cantando, dançando, protestando contra o próprio festival, contra o governo, em nome das mulheres. No palco, seu ótimo álbum “Em Noite de Climão” ganha em peso e força. Mérito da banda que a acompanha, mérito todo dela de encorporar uma artista sem aliviar para nenhum lado. Porque fazer arte, mesmo, ainda mais num país zoado como o Brasil, é isso. E quando você tem músicas boas e um show bom…

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COBERTURA POPLOAD – Lúcio Ribeiro, Fernando Scockzynski Filho, Vinícius Felix e Isadora Almeida (textos). Fabrício Viana e Rodolfo Yuzo (fotos e vídeos).

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Cursinho Popload! Aula de hoje: “Para gostar de KENDRICK LAMAR”

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Eu não chequei, mas acho difícil que alguém nesta edição do Lollapalooza seja tão reconhecido quanto Kendrick Lamar. Nem vou ver os números de cada, mas sabendo que só ele deve ter um Pulitzer, isso já é o bastante. Eu quero lembrar ainda que ele tem alguns Grammys e uma indicação ao Oscar.

O reconhecimento também vem do público. Em termos de Spotify, Kendrick é um dos três artistas que estarão no festival que tem uma música pelo menos com mais de 1 bilhão de plays na plataforma.

O mesmo acontece pela crítica. Desde 2012 mais ou menos, sempre quando ele lança um álbum tem alguém para falar que é o disco do ano. Certo, é um chute meu isso aí, mas não acho que estou errado.

Inclusive, podemos começar nossa aula por esse detalhe. Dividir a obra do rapper em playlists é um pouco errado e acho que até ele deve concordar com isso. Kendrick Lamar faz álbuns que precisam ser ouvidos do começo ao fim, com atenção na história, nos detalhes. Não é por acaso que a edição especial do “DAMN” é o mesmo disco só com a tracklist invertida. Esse detalhe transforma a narrativa.

Talvez o caminho mais certo para ensinar você a gostar de Kendrick Lamar seja te indicar o álbum mais fácil dele e assim por diante. Mas seguimos com o método de uma playlist para iniciantes, uma para ouvintes intermediários e uma para ouvintes avançados.

Então, por mais que sua obra seja centrada nos álbuns, até que se encaixa bem na nossa divisão aqui porque Kendrick consegue ao longo de sua discografia ser pop para quem nunca ouviu rap, ser excelente para fãs de rap em uma linha tradicional e ser inovador a ponto de levar o gênero para novos limites.

Escolha a playlist mais adequada para você e uma boa aula!

*** Uma colaboração do jornalista Vinicius Felix* para a Popload. Vale lembrar que ele está lá no Twitter (@ViniciusFeIix) para ouvir sugestões e reclamações, seja dos iniciantes que encontrarem dificuldades ou dos alunos mais experientes! Vai lá. ***

Iniciante

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Como eu falei na introdução, aqui está o lado mais pop do Kendrick Lamar. Porém, como todo gênio da música, ele consegue que músicas relativamente difíceis sejam muito populares. Só pensar em “HUMBLE.”, sua música mais tocada no Spotify. Ele não suavizou para ser mais aceito, muito pelo contrário. Mas muito mesmo.

Intermediário

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Aqui já vamos ter algumas músicas do Kendrick Lamar que não são propriamente difíceis de gostar, mas são um pouco mais desafiantes para quem não manja muito de rap. Com um pouco de dedicação, logo você saca as variações todas de faixas como “Backseat Freestyle” ou “ELEMENT.”.

Avançado

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Certo, agora a playlist não busca facilitar, não. Temos mais sons baseados em jazz do que na playlist anterior, temos alguns sons que nos discos funcionam como interlúdios e temos faixas longas, faixas bem longas mesmo. São os momentos onde o Kendrick realmente vai levar sua música para territórios ainda pouco explorados:

*Vinicius Felix é jornalista, tem obsessão por playlists e é o responsável pelo podcast Telefonemas.

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Kendrick Lamar e Lady Gaga estão entre os finalistas de melhor canção original no Oscar. Thom Yorke não…

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A Academia do Oscar revelou no final da manhã desta terça-feira os finalistas em todas as categorias da premiação deste ano, que acontecerá dia 24 de fevereiro, nos Estados Unidos.

Uma das categorias que mais desperta expectativa, a de “Melhor Canção Original”, colocou entre os indicados finais o bamba Kendrick Lamar com “All the Stars”, do filme Black Panther, que conta também com a colaboração de SZA.

Outro destaque da categoria, o que não é muita novidade, é “Shallow”, a parceria melodramática de Lady Gaga e Bradley Cooper, uma das canções marcantes do filme “A Star Is Born”. Entre os compositores está o produtor Mark Ronson.

Quem ficou de fora da lista final foi Mr. Thom Yorke, do Radiohead. Ele concorria com “Suspirium”, da trilha do remake de “Suspiria”, toda curada pelo britânico. Ele estava entre os pré-indicados. Não foi desta vez, Thom.

Confira os indicados – Best Original Song:

– “Shallow” ,A Star Is Born, written by Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando and Andrew Wyatt
Performed by Lady Gaga and Bradley Cooper

– “All the Stars” ,Black Panther, written by Kendrick Lamar, Al Shux, Sounwave, SZA and Anthony Tiffith
Performed by Kendrick Lamar and SZA

– “The Place Where Lost Things Go”, Mary Poppins Returns, written by Marc Shaiman and Scott Wittman
Performed by Emily Blunt and Lin-Manuel Miranda

– “I’ll Fight” ,RBG, written by Diane Warren
Performed by Jennifer Hudson

– “When a Cowboy Trades His Spurs for Wings”, The Ballad of Buster Scruggs, written by Willie Watson
Performed by Tim Blake Nelson

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