Em king gizzard & the lizard wizard:

Popnotas: Cardi B ataca o funk de SP, agora. King Gizzard e essa história estranha de shows presenciais. Green Day legal no bônus. E eles… os Greta Van Fleet

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– A conexão da Cardi B com o Brasil, após usar um trecho de um remix funk de um som seu no Grammy, ganha mais um capítulo. Esperamos que não ganhe também mais uma polêmica “boba”. A rapper novaiorquina (foto na home da Popload) postou em seu Twitter uma imagem onde escutava a música “Surtada” da cantora e dançarina de funk paulista Tati Zaqui com Dadá Boladão e OIK acompanhado da seguinte mensagem: “Quero fazer esta música em espanhol. Eu amo esta música”. Será que vai rolar mesmo? Tem brasileiro que pode ficar nervoso.

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– Os punks jovem-guarda-da-velha-guarda californiana Green Day celebram os 25 anos de “Insomniac”, seu quarto álbum, o primeiro após a explosão mundial de “Dookie” (1994), com um relançamento que já está pelas plataformas de streaming. O bônus são algumas músicas inéditas de um show em Praga gravado durante a turnê do álbum em 1996, numa época em que uma apresentação do Green Day era mais divertida.

– A banda americana ledzeppeliniana Greta Van Fleet é sempre um ponto polêmico. Mas quem curte eles já pode ficar na expectativa pelo seu novo álbum, que saí no dia 16 de abril. Quem não curte também, para falar mal hehe. “The Battle at Garden’s Gate” é o teste do segundo disco para o grupo. E pela quarta música que eles adiantaram, a balada “Broken Bells”, esse disco deve manter o debate sobre eles – esses caras estão renovando o rock ou repetindo a mesma coisa de sempre? A gente vem com a nossa opinião uma outra hora, mas não brigue por aí por causa dos Van Fleet.

– Já comentamos por aqui que na Austrália tem existido aquele negócio que chamamos de shows presenciais. Banda tocando, público vendo, todos no mesmo lugar. Tame Impala fez um desses e os malucos do King Gizzard and the Lizard Wizard também conseguiram e registraram uma apresentação que rolou em fevereiro. Dá uma inveja e tanto, mas é bom saber que existe um mundo possível quando a pandemia é combatida sem vacilos.

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Top 10 Gringo: Nick Cave pega o primeiro lugar. Óbvio. Julien Baker, Wolf Alice e Tigercub são destaques também. Tem até Notorious B.I.G. e Billie Eilish no ranking

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* Em semana de lançamentos parrudos, temos pelo menos dois álbuns que vão estar em qualquer lista de melhores do ano de respeito. E alguns outros álbuns que vão estar certamente em listas mais alternativas. Teve ainda alguns singles bem interessantes saindo.
Também aproveitamos que semana passada a gente abriu espaço para homenagear o Daft Punk e fazemos aqui, desta vez, uma saudação ao grande (dscp!) B.I.G., por conta de seu documentário, lançado nesta terça na Netflix.
Com o tempo vamos entendendo a missão do Top 10. Começou só com as novidades, agora se torna algo mais voltado às músicas que importaram na semana. De um jeito ou de outro: nossa playlist segue excelente.

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1 – Nick Cave – “Carnage”
Vamos admitir. A gente ainda não consegue desenvolver em palavras os efeitos de um disco novo do Nick Cave. Não tem uma semana o lançamento, e a construção dele pede um outro ritmo de entrega à escuta. Pense. Um trabalho escrito e gravado durante a pandemia, com o parceiro de tantas Warren Ellis, que começa com os versos: “There are some people trying to find out who/There are some people trying to find out why/There are some people who aren’t trying to find anything/But that kingdom in the sky”. Nick Cave trabalha em outro patamar, como a gente gosta de dizer aqui no Brasil. Botar ele em qual lugar deste ranking que não o primeiro?
2 – Julien Baker – “Faith Healer”
A expectativa boa que tínhamos quanto ao álbum de banda da Julien Baker se cumpriu. Que discão da cantora e multiinstrumentista . Nossa favorita segue, no entanto, uma que já conhecíamos enquanto single. “Fath Healer” é um tratado sobre vícios que vai além da questão do vício em drogas e avança sobre a questão do escapismo, que alguns encontram na política, na religião. Formas de lidar com a dor que talvez evitem a cura da própria dor quando confiamos em pessoas não muito bem intencionadas. Um musicão que prima na dinâmica, uma habilidade que já existia na obra de guitarra e voz de Julien, mas que está amplificada agora que ela é acompanhada por uma banda que pode dar mais corpo a suas ideias.
3 – Wolf Alice – “The Last Man on Earth”
Que bom é termos de volta o Wolf Alice. A banda inglesa da Ellie Rowsell chegou ainda quieta, quase, com este single para anunciar que vem aí o terceiro álbum. “Blue Weekend” vai ser lançado no dia 11 de junho e já estamos reservando alguns lugares para suas canções, aqui neste humilde ranking. “The Last Man on Earth”, a música, tem sequência dramática até entrar numa sinfonia à lá Beatles no final. E vale sacar o vídeo da música, simples na ideia e execução, mas ainda assim maravilhoso.
4 – Tigercub – “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)”
Banda inglesa de Brighton que sempre parece que vai “acontecer” mas não deslancha, a Tigercub tem a chance de decolar agora com seu segundo álbum. Para puxar “As Blue as Indigo”, o disco, a ótima “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)” até começa meio Alt-J brincando com os silêncios, mas depois descamba num Muse heavy metal bem bom.
5 – King Gizzard & The Lizzard Wizard -“If Not Now, Then When?”
Quem já leu sobre os australianos do King Gizzard & The Lizzard Wizard por aqui já viu a gente comentando o quanto eles gostam de lançar álbuns. 2021 já tem um disco deles para chamar de seu (e pode esperar outro). “L.W.” é como uma continuação de “K.G.”, lançado ano passado – ambos fazem parte de uma trilogia chamada “Explorations into Microtonal Tuning” que começou no disco “Flying Microtonal Banana”, de 2017. Confuso? Quer entender melhor o que é microtonalidade? Recomendamos que você de um google em “microtonalidade e Tom Zé”. É sério. Esta “If Not Now, Then When?”, que abre o álbum, parece um ensaio antes de a gravação começar. Mas na verdade o disco já tinha começado sim.
6 – Cloud Nothings – “Oslo”
Há dez anos dando uma surra de guitarras sem concessões, o quarteto de Ohio que já atingiu status de cult balanceia entre ser fiel a seu som vibrante ao mesmo tempo que não oferece nada de novo. Gosta? Beleza. Não curte? Saia da frente. Porque eles vão passar. Com Steve Albini e tudo na produção de seu oitavo disco.
7 – Maximo Park – “Why Must a Building Burn?”
Maximo Park mostrou que não perdeu (totalmente) o fôlego dos seus bons tempos lááá de 2006 e soltou um disco caprichado, “Nature Always Win” é bem bom. Na canção que destacamos, espaço para uma homenagem dupla. Primeiro às vítimas do incêndio na torre Grenfell, em Londres, em 2017, uma tragédia que custou a vida de 72 pessoas. A segunda é a um colega da banda que foi assassinado no ataque terrorista à casa de shows francesa Bataclan, dois anos antes.
8 – Real Estate – “Half a Human”
Tem uma coisa especial em “Half a Human” que vai além da canção em si. Quando a música dá sinais de que está acabando, sendo ali “apenas” uma doce canção do Real Estate, a banda entra em um transe que vai esticando o instrumental dela até um fade out meio fake que logo é resolvido em mais música em um longo crescendo. O que nos devolve ao tema inicial da música. Aula de narrativa indie.
9 – Notorious B.I.G. – “Mo Money Mo Problems”
Que documentário é “Biggie: I Got a Story to Tell”, um regaste ao que interessa do artista, sem tanta atenção às polêmicas de sempre, no filme bem mais humano. Uma coletânea lançada junto ao doc, que resgata seu principais hits, lembrou a gente da maravilha que é “Mo Money Mo Problems”. Talvez um dos grandes exemplos do poder de um sample. Ou você ainda consegue canta “I’m Coming Out”, da Diana Ross, sem pensar em Notorious B.I.G.?
10 – Billie Eilish – “ilomilo”
Ainda sobre documentários, tem que ver o filme sobre a Billie Eilish. A versão ao vivo de “ilomilo” é um convite e tanto. Mas a gente escreveu um texto também para te convencer sobre o filme. Que peso para cima desta menina, que contraataca a pressão absurda do estrelato com músicas viscerais boas. Falamos aqui das vísceras dela mesmo.

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* A imagem que ilustra este post é de Nick Cave e seu parça eterno, Warren Ellis.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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POPLOAD NOW – Cinco novos lançamentos que você não pode perder, estrelando The Cribs, Phoebe Bridgers, Wry, King of the Stone Age e King Gizzard

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* Nas sextas-feiras, dia oficial de lançamento de álbuns, singles e vídeos, geralmente sai uma batelada de novidades por todos os lados do planeta. E a Popload sempre bota a mão nessa cumbuca sem fim de coisas novas, para “curar” para você alguns dos mais relevantes “produtos” fresquinhos dessa fornada de lançamentos. E, já que somos a “cura”, por assim dizer, escolhemos cinco dessas novidades imperdíveis para você ter assunto num call com as amiguinhas e amiguinhos.

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** DISCO NOVO DO CRIBS
Como a gente adoraaaaava a banda de irmãos The Cribs, inglesa. Não que eles tenham acabado, veja bem. Trio importante no novo rock nos anos 2000 com seu garage pop, os brothers Jarman já viveram até a loucura de ter em sua formação, por um período mas ainda assim de modo oficial, o guitarrista Johnny Marr, ex-Smiths.

O problema é que, dos seus sete álbuns lançados desde 2004, apenas os três primeiros eram, digamos, consistentes. Mas vamos dar essa chance para o Cribs porque eles merecem. E porque hoje saiu seu oitavo disco “Night Network”, gravado em Los Angeles e tals. Estamos ouvindo aqui, deglutindo aqui. Mas, só para dizer uma opinião de quem tem ouvido há mais tempo, certamente, a a “NME” aponta como o melhor disco do Cribs nos últimos dez anos. E deu todas as cinco estrelas possíveis como nota. Vamos ouvir?

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** PHOEBE BRIDGERS RELÊ A SI MESMO
A cantora americana Phoebe Bridgers, que já deu pinta por aqui nesta semana, está lançando (ou seria relançando?) hoje o “Copycat Killer EP”, que nada mais é do que um EP com 4 músicas do seu segundo incrível e sensibilíssimo álbum de 2020, “Punisher”, que saiu em junho.
Coisas da pandemia. Lança o disco, não tem show para mostrar ao vivo, no máximo poucas lives e vídeos e programas de TV, refaz o disco, lança para movimentar a carreira.
Este EP conta com a colaboração do multiinstrumentista Rob Moose, que já trabalhou com artistas como Bon Iver, Alabama Shakes e Perfume Genius entre outros, além de fazer os arranjos de “Punisher”.
E, claro, seja de que forma for, é sempre bom ouvir a Phoebe Bridgers.

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** VÍDEO NOVO TENSO DO WRY
Dá um nervosinho o vídeo novo lindão da banda sorocabana Wry, velha de guerra sempre com ideias novas. O grupo de Mario Bros, pedreiro do indie BR, lançou o disco mezzo português mezzo inglês faz pouco tempo e gastamos umas linhas falando dele por aqui, porque curtimos bem.

No embalo, agora lançam o vídeo para a bela “I Feel Invisible”, o assunto desta parte do post. Ele, o vídeo, envolve dança e uma arma que fica aparecendo aqui e ali, sempre dando a pinta que uma hora alguém vai usá-la.

Em ação, o dançarino convidado Lucas Fernandes interpreta o clima à beira de um ataque de nervos em performance junto a um móvel de uma sala, uma alegoria da arte em tempos de enclausuramento pandêmico e os efeitos psíquicos que isso pode trazer. A dança de Fernandes, com interações pontuais dramáticas da banda, é incrível e magnética. Quase não dá para tirar o olho. Um misto de da conta do Twitter “Funkeiros dançando ao som de rock” (eu gosto demais) com Christine & The Queens, levando em consideração que é uma sala de Sorocaba.

Grande conteúdo, como é mais moderno dizer. Sonoro e visual.

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** GIOVANNA MORAES, UMA KING OF THE STONE AGE
A gente já falou aqui, a cantora e multiinstrumentista Giovanna Moraes, rising star dessa simbióse indie-MPB anglo-brasileira, tendência cada vez mais atual de uma cena global que já teve só bandas cantando em inglês em cima de som só de características gringas. Não sei se você me entendeu, mas imagina algo na linha “pense global aja local” aplicado à CENA.

Para combater sua inquietude criativa e um turbilhão interno represado por não poder fazer shows com suas músicas, Giovanna pegou algumas canções de seu segundo álbum, lançado em junho, e as regravou num esquema session ao vivo, com bandaça a suportando, aumentando o som, roqueirizando na caruda. E funcionou. Virou um EP “Rockin’ Gringa”, que foi lançado na sexta-passada.

A cereja do bolo rocker de Giovanna é a ideia de, como última faixa, botar uma cover de mina para a banda de machos alfas Queens of the Stone Age. A homenagem lindamente transgressora é para o hit “No One Knows”. Agora, graças a Giovanna Moraes, “everybody knows”. Toma esta, Josh!

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** KING GIZZARD & THE LIZARD WIZARD
Se tem banda que curte lançar um álbum, essa com certeza é a australiano King Gizzard & The Lizzard Wizard. Geralmente eles soltam uns dois (mínimo) por ano, isso desde sua formação, em 2010. Tipo hoje, quando eles estão lançando dois NO MESMO DIA.

Por isso, para facilitar sua vida, hoje damos a letra dos lançamentos de “K.G.” e “Live in San Francisco ’16”, além do vídeo de “Intrasport”, single mais recente de “K.G.”, que já mostrou anteriormente músicas como a surreal “Automation”.

Sobre o ao vivo em São Francisco, o disco foi gravado num show realizado em 2016 no The Independent, casa de shows americana que desde o começo dos anos 2000 sedia desde bandas emergentes a headliners de peso como Sonic Youth e sei lá, Green Day.

O show você pode assistir por tempo limitado no link abaixo por apenas 5 doletas.

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

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