Em las vegas:

A vida é bela. Show todo do Duran Duran no festival de Las Vegas

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* Existe uma Las Vegas lado B muito legal, que um dia já foi lado A, e está sendo redescoberta pela galera local e visitantes que já não acha mais engraçado ter aquela região dos hotéis descomunais com shopping centers que simulam Paris e Veneza e baseia sua estrutura nas jogatinas famosas. Ali no meio do deserto de Nevada tem uma área downtown velha e decrépita que ainda abriga os neóns da época do Elvis Presley que está virando um centro de arte urbana grande. E os lugares antes perigosos, quebradas desérticas, passaram a receber como frequentadores e até moradores artistas, músicos, nova gastronomia, novos clubes, nova vida. E festivais bacanas, como o Life Is Beautiful, no meio da rua.

Fui à edição do ano passado, incrível tanto nos shows quanto nos visuais gerais, em paredes gigantes do lado de fora ou em ambientes internos, em salinhas com lojas de discos ou pequenas galerias. Fora os vários palcos. Fora os vários shows.

Eis que o Life Is Beautiful Festival 2015 aconteceu no último final de semana. Entre sexta e domingo, de Steve Wonder e Kendrick Lamar a Best Coast e Future Islands, um monte de bandas e artistas marcaram presença no line-up diverso e divertido.

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Abaixo, temos o concerto inteiro da veterana banda inglesa Duran Duran, por exemplo, um dos top shows do festival. Mais de 35 anos de carreira, pensa. Foi tipo 1h20 de clássicos e músicas novas. Assim:

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There goes our hero. Foo Fighters em Las Vegas

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* Popload em Las Vegas. Calma que os posts sobre o Life Is Beautiful estão acabando, haha.

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* Fazia nove anos que o Foo Fighters não tocava em Las Vegas. Dave Grohl tinha jurado que não ia tocar mais na cidade, por causa de “unclear” más experiências passadas com o próprio FF e o Nirvana, pelo que entendi. Mas o curador do festival Life Is Beautiful fez Grohl ver que desta vez tudo seria diferente. E, parece, foi.

Os velhos discursos roqueiros de Grohl estavam lá. Os maneirismos também. Show do Foo Fighters, com exceção de alguma ou outra música nova, é tudo igual. Mas ainda é um show do Foo Fighters.

Das quase duas horas de apresentação, alguém fez uma esperta seleção de “melhores momentos” em meia hora. Acho que está tudo no vídeo abaixo. Inclusive o Foo Fighters tocando Stones e Queen.


** A Popload esteve em Las Vegas a convite do Las Vegas Convention & Visitors Authority.

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Arctic Monkeys em Las Vegas. Brasil, get on your dancing shoes!!

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* Popload no Life Is Beautiful Festival.

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* Tem um fenômeno algo bizarro que acontece com o Arctic Monkeys. Banda de cinco discos poderosos, é o tipo de show que você fica mais extasiado com as novas músicas do que com os velhos hits, aquele single que vendeu absurdo e tocou muito no rádio, por exemplo. Bom, pelo menos esse é o meu caso.

O quarteto britânico se apresentou em Las Vegas imediatamente antes de o Foo Fighters se apresentar como grande atração. Eu poderia apostar que, num olhômetro sem compromisso, tinha mais gente para ver a banda inglesa do que a volta do grupão americano, que está chegando com disco novo e havia tempos não tocava em Las Vegas. Mas, como em Las Vegas você aposta muito e quase sempre perde, vai saber…

O show do Arctic Monkeys no cool Life Is Beautiful foi na medida do festival: cool. Banda que já está perto do fim da exaustiva turnê do discaço “AM”, do ano passado, o grupo comandado pelo dândi Alex Turner apresentou com gás, sem preguiça, sem ser protocolar. Notei até umas firulas “a mais” nos solos dos dois grandes guitarristas da banda, meio que arriscando, se divertindo. Tipo par perfeito das guitarras, na linha Strokes, Pixies, Parquet Courts (haha).

O Alex Turner, veja bem, devia estar se sentindo em casa em Las Vegas. Não sei se foi a quantidade de vezes que ele penteava o topete e o desarrumava em seguida, mas ele estava parecendo o Elvis, haha. E longe de estar em fase decadente.

Abaixo, duas performances do Arctic Monkeys em Las Vegas, ambas para músicas do “AM”. A primeira com “Arabella” e a segunda, “Knee Socks”.

O grupo se apresenta em São Paulo e Rio agora no meio de novembro, dias 14 e 15, respectivamente. Se prepare para o Alex. Não vai ser fácil.

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Alt-J no Life Is Beautiful Festival. Climão em Las Vegas

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* Popload em Las Vegas, Nevada.

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Talvez seja a fumaça densa, a luz superbaixa e colorida piscando na cara, o clima em torno do quarteto inglês Alt-J que faz seu show tão intenso, como o visto no festival Life Is Beautiful sábado passado. Tive que perder o finalzinho do show cool do Lionel Richie para pegar a banda britânica mais “diferente” dos últimos anos, acho que desde o… The XX.

Por conta desse “sacrifício” era bom mesmo que a apresentação do Alt-J fosse pelo menos incrível. Mas foi bem além.

Ainda estou tentando entender o show deles. Em 2012 eu os vi no Sasquatch Festival, perto de Seattle, meio que por acidente. Conhecia pouco deles, gostava de duas músicas e pretendia ver “um pouquinho da apresentação deles”, enquanto o show de uma banda (não me lembro agora qual) que eu queria muito ver não começava. Acabei vendo o Alt-J todo, naquela ocasião, porque não conseguia desgrudar meus olhos da banda.

No Life Is Beautiful festival, sábado passado, o Alt-J já era titular na minha preferência. Não precisava muito esforço para me prender. Eu já era, sou, fã da banda.

Mas, de novo, teve algo que eu não conseguia entender. Quatro caras parados, cada um com seu instrumento, cada um na sua, parecendo que um independe do que o outro está tocando. Mas que a sonoridade junta, como banda, faz todo o sentido. O show do Alt-J tem muito movimento, mesmo com eles parados, com a música “devagar”, mais conceitual do que envolventemente dançável. Mas a vontade era de pular, de dar mosh ao som dos caras. Como pode?

Pode porque a música do Alt-J é especial. E ao vivo ela é, digamos, mais eletrizante que em disco. Seja do álbum de estreia ou deste recém-lançado “This Is All Yours”, é uma pérola ao vivo atrás da outra. Silêncios são trabalhados. A voz do Joe Newman é trabalhada. A bateria deslocada é trabalhada. E o resultado é sempre um suspiro arrancado com entusiasmo da plateia ao final de cada canção executada.

Que banda incrível para ser vista ao vivo. Esperemos que o papo quente deles no Lollapalooza Brasil 2015 seja confirmado, mesmo. De preferência no menor dos palcos, no melhor dos horários (fim de tarde?). Porque daí você já tem pelo menos um show obrigatório para ver em Interlagos.

Abaixo, alguns vídeos de galera (meu incluso) da apresentação do Alt-J no festival de Downtown Las Vegas. Talvez não passe necessariamente O CLIMA que falei no primeiro parágrafo deste post, e que torna o concerto tão especial. Mas a música da banda inglesa está toda ali. O que não é pouca coisa.

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Hello!!!! Lionel Richie no Life Is Beautiful

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* Popload em Las Vegas.

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* Se você pergunta o que um velho crooner famosão como o Lionel Richie está fazendo no meio de uma escalação que tem atrações gigantes do hip hop (Kanye West, Outkast), dois meganomes indies (Arctic Monkeys, Foo Fighters) e um astro da eletrônica (Skrillex), o próprio cantor de 65 anos também tem a mesma dúvida. Ele mesmo levantou a questão no meio de seu show no festival Life Is Beautiful, no sábado.

“Ok. Me chamaram e eu vim. E daqui de cima eu enxergo três públicos diferentes interessados em me ver”, falou, do palco, o músico de um certo soft rock misturado a soul e R&B que foi rei dos bailinhos nos anos 70, das FMs nos 80, vendeu mais de 100 milhões de discos na carreira e hoje, a esta altura, tem sido convidado para tocar para a molecada em festivais americanos modernos como este evento “jovem” de Las Vegas.

“Vejo alguns que vieram me ver por causa dos tempos dos Commodores. Outro grupo que está aqui por conta de músicas como ‘Hello’ e ‘All Night Long’. E tem um outro perfil de público que eu ainda tento entender por que eu consigo agradá-lo. São os que me abordam nas ruas às vezes para dizer: ‘Eu conheço suas músicas de tanto que minha mãe e meu pai botam para tocar na minha casa’.”

Em ação, ao vivo, cantando, tocando piano, contando histórias, Lionel Richie faz um show encantador para os fãs de qualquer idade. Obviamente, sua apresentação é recheada de hits “a noite inteira”, desculpe o trocadilho. Tudo interpretado igualzinho aos discos de 25, 30 anos atrás. Não tem erro.

* LIONEL EXPRESS – Richie realmente talvez seja o grande nome do festival. Os três modelos de camisetas que estampam sua cara (post passado) vendem que nem água nas barracas de merchandise. E tem o “Lionel Express”, um grupo de garotas que percorrem dançando as ruas do festival, seguindo um rapaz carregando grandes caixas acústicas em um carrinho de mão que tocam sem parar músicas como “All Night Long” e “Dancing on the Ceiling”, atraindo os passantes e formando uma espécie de Bonde do Lionel. E um monte de gente entra na dança, nem que seja por um minuto. Gênio.

** A Popload esteve em Las Vegas a convite do Las Vegas Convention & Visitors Authority.

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