Em Liam Gallagher:

Blur ganha outra batalha contra o Oasis, desta vez no futebol. Chelsea, campeão da Champions League e time do Damon Albarn, zoa rival com as letras dos Gallagher

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* A cultura pop britânica é maravilhosa. Ainda mais associada ao futebol. A final do maior torneio de clubes do planeta, a europeia UEFA Champions League, aconteceu sábado passado com dois times ingleses como protagonistas: o Chelsea e o Manchester City.

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Assim que os dois finalistas foram conhecidos, apressadamente os britânicos já polarizaram a disputa, trazendo para o campo musical. Virou o time do Oasis contra o time do Blur. O Manchester City é o notório time dos irmãos Gallagher, Noel e Liam, que se odeiam mas são unidos pelo amor declarado constantemente pelo mesmo clube. Do lado do Blur, o vocalista Damon Albarn, que também é do Gorillaz, é um famoso torcedor do Chelsea.

No ano passado, os rivais do britpop Blur e Oasis comemoraram 25 anos da famooooosa batalha que aconteceu em agosto de 1995, quando as bandas, no auge de suas popularidades e da popularidade do movimento, lançaram um single no mesmo dia: “Roll with It”, no caso do Oasis, “Country House”, pelo Blur. Está tudo contado aqui.

Mas o negócio é que foi algo que dois grupos de porte grande dificilmente fazia: botar nas lojas singles e álbum no mesmo dia que o outro. Aí virou guerra. Das bandas, dos fãs, das vendagens. E, neste caso específico, o Blur ganhou.

E ganhou de novo no último sábado, desta vez no futebol, 26 anos depois então da batalha do britpop.

A partida decisiva entre Man City x Chelsea, do sábado, foi disputada em jogo único no Porto, em Portugal. E o mais-ou-menos azarão Chelsea fez 1 x 0 no timaço do supertécnico Guardiola.

DETALHE: como você pode ver aí embaixo, tanto Noel e Liam Gallagher como Damon Albarn viajaram a Portugal para ver a finalíssima da Champions League. No caso dos irmãos do Oasis, foram separados, claro.

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DETALHE 2: O Man City do Guardiola e do Noel/Liam vem ganhando títulos ultimamente e toda vez as canções do Oasis são cantadas no vestiário. Principalmente “Wonderwall”. Na última conquista da poderosa liga inglesa, faz uns dez dias, Guardiola fez um vídeo cantando o hino “Don’t Look Back in Anger” todo felizão e talvez um pouquinho alcoolizado haha. Quando Pep Guardiola chegou do Bayern de Munique para assumir o Manchester City em 2016, o time inglês preparou uma grande apresentação em que, para os jornalistas, Noel Gallagher recepcionou o treinador, com uma grande entrevista aberta.

DETALHE 3: Um dos times de Londres mais odiados pelos ingleses por conta de ser de um bairro rico, “de playboy”, o Chelsea é também um dos mais queridos por conta de seu passado musical. Foi o berço do punk inglês nos anos 70, quando nasceu dentro da loja da estilista Vivienne Westwood, a “loja dos Sex Pistols”, e era a banda dos integrantes do mitológico The Clash, que fizeram o seminal disco “London Calling” num estúdio numa das ruas perto do estádio do Chelsea.
Essa coisa playboy x galera da classe trabalhadora alimentou muito o britpop, porque o Blur foi montado em escola de arte e o Oasis, por moleques de rua de Manchester.

Enfim, o Chelsea ganhou a finalzaça da Champions League do City. Ou seja, o Blur ganhou mais essa do Oasis. E a zoeira da conta do Chelsea nas redes com memes que trazem letras da banda rival rolou forte. E maravilhosa.

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Top 10 Gringo – De emocionar: mulheres e guitarras nos três primeiros lugares. É o melhor Top 10 do ano sim ou certeza?

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* Semana “violenta” na música internacional. Até faltou espaço no ranking para tantas canções novas e “novas” que selecionamos. Tivemos que deixar coisas boas de fora. Uma semana de músicas fortes, mas tanto que resolvemos premiar uma garota que conseguiu fazer uma poesia leve e incluiu até uma risada no título da música – um jeito de mostrar outros caminhos e possibilidades. Sem invalidar, lógico, o trabalho de ninguém, nenhuma tendência de época. Apenas chamando a atenção para outras vertentes. Tanto que quase o resto do Top 10 segue por esses pontos mais sensíveis e delicados, cada um com seu tema, abordagem, motivações. E repare nas primeiras posições: só a mulherada. Aliás, quase todas as 10 posições são delas. E, no fim, dá nossa parte, optamos até em fazer uma graça irônica com o mala/querido do Noel “ex-Oasis” Gallagher, um dos músicos mais importantes dos anos 90 para cá. Mas birreeeeento.

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1 – Faye Webster – “I Know I’m Funny haha”
Estamos de cara com a habilidade desta jovem guitarrista de Atlanta de apenas 23 em conseguir construir imagens tão poéticas, despretensiosas e bonitas. Cenas de amor em locais tão improváveis. É um dom de observar e se permitir ser tão leve. Em contraste com uma linha indie que prefere tocar em temas delicados de maneiras mais cruas, várias delas por aqui e com sua importância, fica a sugestão de Faye de anotar um riso que seja no título da música. Perfeita.

2 – Olivia Rodrigo – “Brutal”
Quem esperaria de uma atual estrela da Disney um dos hinos de revolta adolescente de 2021? Com seu pop de arrastar multidões, é uma surpresa que Olivia comece seu álbum de estreia com guitarras e aos berros: “And I’m so sick of seventeen/ Where’s my fucking teenage dream?/ If someone tells me one more time/ Enjoy your youth, I’m gonna cry”. Frustração sem meias palavras em uma música sem redenção. Soou autentico. Fora que é o melhor começo de guitarra de uma música desde “What’s the Frequency, Keneth”, do REM. Ok… Efeito de linguagem. Mas sabemos que você vai entender. Perfeita 2.

3 – The Linda Lindas – “Racist, Sexist Boys”
É um barato acompanhar a ascensão da banda californiana The Linda Lindas, uma banda punk formada por garotas na faixa dos 14 anos. Elas arrebentam no filme “Moxie!” e voltaram a bombar com este petardo punk direcionado a um garoto que fez comentários racistas à baterista da banda, hoje com 10 anos. Agora elas estão sendo elogiadas por nomes como Tom Morello, Thurston Moore, além de já serem parças de longa data da Kathleen Hanna. Estouro. Lançando música ao vivo com recadinho. Vestindo camisetas do Bikini Kill. E está tudo certo. Perfeitas 3.

4 – Lil Nas X – “Sun Goes Down”
Nosso chapa Lil Nas X continua arrepiando ao saber abordar como poucos suas dores em relação ao racismo e homofobia em sua novas canções. Por aqui ele conta como foi enfrentar isso ainda criança, completamente deslocado do mundo sem entender por que criticavam tanto ele. Seriam seus lábios grandes ou as pessoas estavam lendo seus “pensamentos gays”? Quem achou que seu primeiro hit “Old Town Road” era uma tiração passageira, se liga que Lil Nas X desponta para ficar entre os grandes. Rapidinho.

5 – Chai – “Nobody Knows We Are Fun”
O mundo global não para de nos maravilhar, tipo esta Chai, banda de garotas de Nagoya, Japão, quatro cantoras e dançarinas e que tocam também. Assinadas com o lendário selo Sub Pop, colaboradoras do Gorillaz e fãs do nosso CSS. Pensa em tudo isso. Soltaram o disco novo agora, o terceiro álbum, “Wink”. Entre as muitas delícias deste electroindie bubblegum delas a gente sacou “Nobody Knows We Are Fun”, mas podiam ser várias outras.

6 – Lucy Dacus – “VBS”
Lucy Dacus segue apresentando aos poucos seu próximo disco e mantém a habilidade de juntar muitos assuntos em um som só. Aqui comenta tanto sobre a presença da religião imposta na sua infância/adolescência e faz um comentário sobre seu primeiro namoro, um metaleiro que ela encontra justamente em um desses acampamentos religiosos.

7 – Tigercub – “Funeral”
Estamos sentido que o “grunge inglês”, conceito que porcamente, confessamos, costumamos aprisionar o Tigercub, vai virar. Sem disco novo desde 2016, este segundo álbum que vem em breve promete. Um dos guitarristas do Pearl Jam até mandou um tweet oferecendo seu selo à banda. Meio de brincadeira, meio dando um toque de aprovação.

8 – Lana Del Rey – “Wildflower Wildfire”
Revoltada com a repercussão do seu recém-lançado álbum e com um novo disco na manga, Lana talvez há tempos não tenha soado tão sincera em uma canção sobre suas relações familiares e com a imprensa. Bem interessante e bonita esta música, Laninha. Somos fãs, não tem muito o que fazer aqui.

9 – Sharon Van Etten e Angel Olsen – “Like I Used To”
Daquela série de parcerias que sempre sonhamos e que não pareciam possíveis. Do nada, Sharon e Angel estão reunidas em um belo single que veio sem muito aviso prévio e sem pistas de que a dupla possa fazer mais juntas, no futuro. Lógico que todo mundo já está cobrando álbum, turnê e tudo mais. Digamos que ornou bonito este duo.

10 – Liam Gallagher – “Wonderwall”
Noel, você anda chatão, hein? Falar mal de “Wonderwall” a esta hora? De birra, a gente que deu seu single aqui semana passada vai de Liam nesta, que você também não cansa de esnobar, e a belíssima releitura acústica que ele fez para a “inacabada” Wonderwall em uma sessão para o Spotify. Sabemos ser birrentos também.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora americana Faye Webster.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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POPCAST – As 1001 histórias do Rock in Rio de 2001 – 20 anos. A melhor edição da história?

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* 2001 já ia ser um ano por si só espetacular, com a chacoalhada de garagem que bandas como Strokes e White Stripes ia dar na cena musical do planeta. Mas naquele ano, antes da explosão, no final de janeiro, teve a terceira edição do Rock in Rio 2001.

Muita gente, talvez como a gente, considera essa a melhor edição de um festival por tudo o que ocorreu nele. Em cima do palco e fora dele.

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E, na edição do Popcast, o podcast da Popload, eu, @lucioribeiro, e minha parceira Isadora Almeida (@almeidadora) lembramos as aaaaaaltas histórias do acidental e acidentado festival carioca neste ano em particular. O RiR 2001 comemorou 20 anos agora em janeiro.

Sem querer dar muito spoiler, ajudou o fato de eu estar imerso no festival e fora dele naquelas duas semanas de janeiro, trabalhando na cobertura do evento pela Folha de S.Paulo.

Causos de Oasis, Neil Young, Silvinho Blau Blau, Queens of the Stone Age, Britney Spears, Carlinhos Brown, Cássia Eller, REM, Chili Peppers (e não Head Rót) foram destaque no Popcast, que ainda teve o famoso pódio das principais músicas da semana, minhas e da Isa, fora o pitaco sobre a CENA nacional.

E fora, claro, a playlist que este podcast gera.

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* O Popcast desta semana foi uma homenagem à grande Sophie. R.i.p.
** A foto que ilustra a chamada para este post na home da Popload é de Nick Oliveri, o baixista da banda Queens of the Stone Age, que tocou pelado no Rock in Rio 2001. E foi preso ainda no palco. E alegou, na delegacia: “Mas no Carnaval, aqui no Rio, todo mundo não fica pelado?”.

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POPNOTAS – Weezer e as canções tristes favoritas. Noel furando o olho do Liam. As Palberta. Playboi Carti botando fogo no Jimmy Fallon

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Palberta. Já escutou? O trio formado por Nina Ryser, Ani Ivry-Block e Lily Konigsberg ganhou uma matéria simpática no “New York Times” e chamou nossa atenção. Sendo um trio de baixo, guitarra e baterias, as meninas de NYC se revezam nos instrumentos a todo o momento e fazem um som bem interessante. Se as palavras lo-fi, noise e harmonias vocais pop te agradam, só vai. Ah, elas soltaram disco novo agorinha, “Palberta5000”. 16 faixas que correm em 30 e poucos minutos.

– O Liam até pede, tadinho. Mas o Noel, marrentão, nem dá bola. Se o Oasis em si não volta, o Gallagher mais velho avisou em um podcast que vai lançar um disco só com músicas antigas da grande banda do britpop que nunca foram gravadas, ou pelo menos nunca foram mostradas para ninguém. E sem o Liam na história. Essas “canções perdidas” do Oasis estão sendo revisitadas por Noel neste tempo ocioso da pandemia e vão formar um álbum de 14 faixas. Noel vai regravar tudo. E não usar os velhos registros puro e simples. “Algumas dessas músicas são bem old-school. Vou regravá-las agora sem mexer em nada, na mesma vibe.”

– Enquanto a Casa Natura Musical não pode voltar a realizar seus shows, eles preparam uma série de lives de papos bem intimistas entre artistas. A série “Afetos” trará conversas entre Linn da Quebrada e Jup do Bairro (28/1), Mc Tha e Malka Julieta (4/2), Luedji Luna e Conceição Evaristo (11/2) e Zeca Baleiro e Juliana Linhares (18/2) no perfil da casa no Instagram (@casanaturamusical), sempre à partir das 19h.

– Quem não perde um Popnotas sabe que a gente está acompanhando de perto um dos fenômenos do ano: Playboi Carti. Álbum novo elogiado, vendas/streamings bombando. Desta vez ele estrelou o “Tonight Show”, do Jimmy Fallon, o late night mais importante dos EUA (para a música), para uma apresentação de “Slay3r”. Numa apresentação num galpão, com fogo, escada no meio e músicos com máscara. Ornou bem tudo. Inclusive um “Noel Gallagher” sentado ali no cenário, fazendo tipo.

– As canções favoritas do Weezer são as tristes, canta River Cuomo em “My Favorite Songs”, o primeiro single a sair do próximo álbum, “OK Human”, o 14º da banda, que sai semana que vem. “OK Human” é o primeiro dos dois discos que o veterano grupo indie pop de Los Angeles vai lançar neste ano. “Van Weezer”, o 15º, está programado para chegar aos streamings no dia 7 de maio. Parece que a diferença dos dois discos é que “OK Human” teve seus instrumentos de cordas gravados no mítico estúdio de Abbey Road, na Inglaterra. “Para o som soar bem excêntrico”, disse Cuomo em uma live no ano passado. Excentricidade é um dos fortes do Weezer. “My Favorite Songs” vem com um vídeo fofinho, bem Weezer. Envolve celular e basquete.

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Liam solta o vídeo novo em homenagem ao John Lennon. Imagine isso!

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* Falando no Liam, o cara vai lá e lança o vídeo dessa prag… música linda de Natal que não é de Natal etc. “All You’re Dreaming of”, que depois do dia 26 deste mês nós vamos odiar com todas as forças, mas que agora compõem o momentum da vida de todo mundo, que é a chegada do Natal num ano desgraçado.

Comentando sobre o vídeo, uma coisa a dizer é que gostamos bem da camisa dele. Ainda existe aquela marca fashion que ele tinha?

Fora isso tem neve, uma galera tocando instrumentos de sopro, o passarinho, a janela da esperança com uma mensagem no final, é p&b, tem velas, Liam aparecendo em dose tripla, uns fantasmas, que mais? Piano tocando sozinho já mencionamos? Neva dentro da casa, uma loucura.

O vídeo sai hoje, exatamente dia do aniversário de morte do ex-beatle John Lennon, o ídolo de Liam e nome de um de seus filhos. Está cheio de referências no vídeo de “All You’re Dreaming of” ao vídeo de “Imagine”, de Lennon. Da frase na janela (no spoiler) à andada de costas pelo jardim numa névoa gelada.

Liam é gigante, after all.

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