Em liana padilha:

CENA – Já que o mundo está em pane, o NoPorn lança a trilha do caos. Ouça e veja “Circuit Break”

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* Substituição na instituição clubística de pista NoPorn. Saiu Luca, entrou Lucas. A mestre-de-cerimônia do duo continua a mesma, thankyouverymuch. A incrível Liana Padilha, que “fala música” sobre batidas eletrônicas, segue trazendo um frescor estiloso de narrativa que cabe num livro de poesia, numa falação de ouvido numa noite na pista de dança, num microfone, numa música do NoPorn.

O NoPorn, de Liana e agora Lucas Freire, banda que influenciou de Cansei de Ser Sexy a Letrux, enquanto Luca Lauri segue afastado para estudar, lança nesta sexta-feira o bombástico novo single, “Circuit Break”, outra das trilhas sonoras perfeitas para este mundo covidado, de enclausuramentos ou riscos. Deu pane no mundo.

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“Seu mundo vai acabar”, fala-canta Liana, na faixa que tem um vídeo que promove um caos visual que representa bem a música e 2020 em si, que foi dirigido pelos artistas cariocas Duda Casoni e Anthonio Andreazza, do estúdio Duto. É um recorte e cole de imagens de notíciários antigos e novos, de incêndios do MAM nos anos 70 e do Museu Nacional, há dois anos. A atualidade fica por conta de imagens do Black Lives Matter americano e os protestos LGBTQIA+ poloneses. Porrada.

“Circuit Break”, a música, também vai às plataformas à meia-noite desta sexta em uma versão remix exatamente do DJ e produtor Luca Lauri, o elemento ausente da atual formação do NoPorn.

Comece pelo impacto do vídeo. Aguarde pelo duplo impacto do áudio. NoPorn é coisa muito séria.

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Popload Live: hoje, 17h, no Stories da @poploadmusic, conversa e música com Liana Padilha

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* Liana Padilha, a convidada de hoje da Popload Live, 5h da tarde no @poploadmusic, é peça importante numa pequena revolução da noite paulistana chamada Xingu. Xingu foi tipo o Barcelona espanhol: mais que um clube. E durou só dois anos, de 2002 a 2004.

Foi um clube, incubadora de DJs importantes para o que havia vindo de importante para as pistas e o que iria se formar para a cena dance da cidade, seja qual fosse seu estilo. E, se a cultura LGBTQIA+ tem hoje bastante visibilidade, foi graças aos preciosos tijolinhos que o Xingu botou nesse “wall”. Com a Liana metida nos rolês.

Do Xingu também nasceu o NoPorn, incrível duo de música eletrônica que influenciou de Cansei de Ser Sexy a Letrux, principalmente pelo jeito poético de Liana cantar (falar) suas músicas. O grupo, formado por ela e o excelente produtor-DJ Luca Lauri, lançou um excelente álbum em 2016 depois de muito tempo inativo, “Boca”, e voltou a hibernar. Parece que vai ter novidades em 2011.

No papo já já com a Popload, no @poploadmusic, 18h, Liana vai “falar música” e falar sobre o Xingu, NoPorn e sobre o tintapreta, coletivo de arte, literatura e música comandado por Liana. E sobre todas as novidades que estão por vir. Atente.

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A live da Popload foi criada para proporcionar, em tempos de clausura (ou semiclausura), papo e performance com pessoas legais da nossa música. Inclusive… tocando música.

Já rolou por aqui conversa e som com Flavio FingerFingerrr, André Aldo, Eduardo Apeles, Vivian Kuczynski, Lucas Fresno, Rita Papisa Oliva, Ale Sater, do Terno Rei, Bianca e Rodrigo do Leela, Lucas da Glue Trip, Fefel do Boogarins, Duda Brack, Clarice Falcão, Gabriela Deptuski, do My Magical Glowing Lens, Jay Horsth, do Young Lights, Salma & Macloys, do Carne Doce, a trinca Naíra, Érica e Caro, do sexteto Mulamba, João Erbetta, do Los Pirata, o Popoto, da banda Raça, a Sara Não Tem Nome, o produtor paulistano CESRV, o internacional Sessa, o cheio-de-histórias-incríveis Supla, a multimídia Lia Paris, o rapper afrojaponês-andróide Yannick Hara, a guitarrista e cantora Brvnks, o professor Frank Jorge, o brit-paulistano Charly Coombes, Tim Bernardes de O Terno, Mario Bross, do Wry, a diva Ava Rocha, o produtor mashapeiro Raphael Bertazzi, com o engenheiro de som e beatmaker Master San, com o músico mineiro André MOONS, com o enigmático cantor Gevard DuLove, com o músico, agora escritor e eterno VJ Luiz Thunderbird, Tatá Aeroplano, com o Pata, do Holger, com o mineiro JP, Jair Naves, Zé Antônio (dos Pin Ups), com o graaaande Clemente, do Inocentes, com a Giovanna Moraes, com Marcelo Perdido, com o Chico Bernardes, com Mário Arruda, do Supervão, o electroindígena Nelson D, a Larissa Conforto (Àiyé), o Vovô Bebê, o Gustavo Bertoni, do Scalene, Julio The Baggios, o grande Chico César, o rapper Hiran, a multiartista Jup do Bairro, Eduardo Porto (do ATR), o pernambucano Tagore, a baiana Jadsa, o gaúcho Erick Endres, o lendário cantor Odair José, o músico Thiago Nassif, a cantora e guitarrista Fernanda Takai, o cantor baiano Giovani Cidreira, o rapper mineiro Flavio Renegado, o guitarrista Gabriel Thomaz (Autoramas), a cantora e taróloga Ella, o gateiro Pedro Pastoriz (Mustache & Os Apaches), o grande Samuel Rosa, do Skank, o piauiense Valciãn Calixto, o “cigano” Juliano Abramovay, Gabriel Serapicos (Compositor Fantasma), Vallada (Viratempo), o veterano Marco Polo (da histórica banda pernambucana Ave Sangria), o músico agitador Otto Dardenne, o rapper Xis, o saxofonista Anderson Quevedo, a cantora Anne Jezini, de Manaus, a cantora paraense Mai, o pernambucano Jáder, do Mulungu, o sergipano Bruno Del Rey, a mineira Luiza Brina, a gaúcha-baiana Alfamor, o músico Paulo Antonio (Otito), o gaúcho Gabrre, a baiana-alemã Nana e o “ambientalista” Leveze e o garoto nada esquecido Chuck Hipolitho.

Tudo regado a som ao vivo, adaptado, rearranjado, diferente, tecnicamente perdoadíssimo.
Já teve DJ set, do ótimo Willian Mexicano, com a digníssima diva pop Pabllo Vittar participando animada. E a do Lúcio Morais, do Database. Do Trepanado, da Selvagem. Do Lúcio Caramori. Do Paulão, do Garagem. Do gaúcho hard-funk Fredi Chernobyl. Do Fetusborg, que virou uma residência mensal de hip hop. Da incrível dupla electroflorestal Xaxim. Dá ótima DJ Kysia, de Fortaleza.

Já teve conversa sobre a história da CENA brasileira com um dos personagens principais dela desde sempre, o agitador Fabrício Nobre. Já teve papo de jornalismo musical com Pedro Antunes, editor da “Rolling Stone”, também conhecido como o inventor do programa “Tem um Gato na Minha Vitrola”. Já conversamos com Bruno Natal, do podcast Resumido, Thiago Ney, da newsletter MargeM, dois instrumentos ~modernos~ vitais para entender o mundo hoje. Falamos também com Ronaldo Lemos, o maior especialista em internet no Brasil e ex-curador do Tim Festival. Com o jornalista-boleiro Mauro Beting, que tem uma série de serviços prestados à música. Com a jornalista, escritora, DJ e agitadora Claudia Assef. Com Alexandre Matias, o inventor do Trabalho Sujo. Com o conhecidíssimo Zeca Camargo. Com o importante produtor Marcelo Damaso, do festival Se Rasgum (Pará). Com o renomado jornalista Álvaro Pereira Júnior. Com o podcaster Vinícius Felix. Com o correspondente de cinema em Los Angeles Rodrigo Salem. Com o empresário indie Fernando Dotta. E com a produtora Monique Dardenne.

A ideia da live é que ela, diária ou quase, não necessariamente tenha um horário padrão para rolar, mas até que tem razoavelmente acontecido às 17h, 18h.
A gente avisa aqui e nas redes o horário certo do dia.

Então, hoje, às 5 da tarde, no Stories do @poploadmusic, conversa e música com Liana Padilha.

E lembrando que as Lives passaram a ficar disponíveis no igtv da conta do Popload Music, para outras revisitações ou mesmo para ver pela primeira vez. Escolha sua opção, mas veja.

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CENA – Boca na boca, pau na mão. Veja o vídeo novo do NoPorn

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* Se você ainda não morreu de tanto ouvir o disco da dupla brasileira NoPorn, lançado sexta-feira, electroindiesexyfashion, ou simplesmente poesia eletrônica para pistas, duas (outras) boas notícias.

Primeiro que Luca Lauri e Liana Padilha lançam hoje, e você vê por aqui agora, o vídeo da deliciosa “Boca”, faixa que abre o excelente “Boca”, o álbum do NoPorn. Dirigido por Lipp Sant’angelo, o vídeo traz os modelos Karen Tribess e Bernardo Branco no papel das bocas (e mãos (e além)). Chic.

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Segundo que o NoPorn fará neste próximo sábado, no novíssimo clube Jerome, em São Paulo, um pocket show de lançamento do disco, que incluirá ainda DJ sets de Luca Lauri, Marina Dias e Márcio Vermelho. Chic 2.

É bom ver essa volta do duo NoPorn, com os olhos cheios de sexo. Os deles e os nossos.

Veja o vídeo de “Boca”, do NoPorn.

* A imagem de still da home da Popload é de Pri Vilariño.

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CENA – A volta do incrível Noporn, com disco novo. Quem estiver de pau duro, vem

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* Luca Lauri e Liana Padilha eram DJs de um dos mais icônicos e atmosféricos clubes paulistanos do começo dos anos 2000, o Xingu. O electroclash bombava desde a meca musical do momento, a cidade de Nova York (Strokes, LCD Soundsystem, Rapture, Radio 4, Yeah Yeah Yeahs, Liars, todos surgindo), e sua reverberação por aqui se dava num clubinho metido a espaço de arte ou em um espaço de arte metido a clubinho ali na região do baixo (bem baixo) Augusta.

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O Xingu continha o exagero fashion e era niilista ao mesmo tempo, sem deixar de ser, no final, transgressor, para os modernos, para a cena, para a cidade. E, numa de suas noites, em cima de um som saído das picapes comandadas por Luca, um excelente “curador de pista”, Liana pegou um microfone e começou a falar sobre as batidas, fazer uma espécie do que veio a ser conhecido como “projeto de poesia eletrônica”. Nascia o NoPorn.

Quando a onda do electroclash deu em outras ondas, o NoPorn, em 2006, lançou um primeiro disco, que bombou na cena clubber e deu aura de cultuado ao projeto. Eletrônico fino com letras que envolvia sexo, a noite paulistana, glamour fashion. E as tacinhas de champanhe como drink oficial dessas pistas. Produzido pelo conhecido Dudu Marote e até com Edgard Scandurra nas guitarras, em algumas faixas, o disco falou alto para as figuras desse circuito. A cena noturna começava a ter um outro referencial: o clube Vegas. E músicas como “Xingu” e principalmente “Baile das Peruas” foi trilha sonora de um momento ímpar.

Mas tudo passou.

Hoje, dez anos depois, a grande surpresa. Com um inqualificável som eletrônico muito melhor e mais elaborado de Luca Lauri e ainda tendo a voz deliciosa de Liana declamando frases e contando histórias de amor, sexo e noite de um jeito ainda mais envolvente, o NoPorn volta a mexer forte com o velho ideário clubber, mas agora também com o dance, o pop e, por que não, o indie, e lança “Boca”, o seu segundo álbum. Segundo Lauri, o disco foi gestado com um trabalho de quase um ano entre Rio (onde Liana mora) e São Paulo.

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“Boca” está cheio de participações especiais. A faixa-título, que abre o disco, tem Arthur Braganti, músico da banda indie Séculos Apaixonados, tocando teclado. A excelente “Fumaça” traz letras do fashionista e DJ Jackson Araujo e base e vocais do internacional duo brasileiro Tetine. A linda-de-morrer “Tanto” tem os teclados do músico Ian Cosky no teclado, de Curitiba. Na new wave “Leite”, quem contribui é Thiago Pethit, com letras do artista plástico e compositor Regis Fadel.

O ritmo do disco é excelente. Vai do passado ao futuro dos sons eletrônicos sem medo de experimentar, rebuscar. É Fischerspooner, mas também é Nicolas Jaar. Você lembra de Miss Kitchen, mas não deixa de sentir Black Madonna. A canção “Leite” cita PJ Harvey.

Não tem uma letra deste disco novo do NoPorn que não envolva, que não se queira saber como a história começa e como vai terminar. Algumas parecem um mantra.

Se você olhar pelo lado de que quem canta (fala) é a Liana, essa narração feminina de histórias da noite está fortemente ligada à CENA de hoje, do chamado (e às vezes banalizado) empoderamento da mulher, dialogando com outras damas fortes da cena nacional, como Ava Rocha ou a Salma Jô (Carne Doce). Se você olhar além, dialoga até com o Liniker!!

O título deste post está longe de querer quebrar essa liga, porque a frase pode ter vários significados. Assim, ó:

“Gang Bang” começa com “Cama cheia de glitter, cabeça oca, coração acelerado”. O que vai ser narrado ali é como um pós-balada levou a um sexo em grupo aparentemente sem ser combinado. Meio sem controle. Meio querendo, meio se perguntando se é isso mesmo. “Outros desejos. Um beijo, dois beijos, três beijos. Seis mãos em torno do meu corpo. Pernas, línguas diferentes. Sonhos levemente desmanchados. Espaços nunca antes ocupados, espaços novos. Gang bang. Quem estiver de pau duro, vem.”

Disco do ano?

Abaixo, ouça “Tanto”, uma das melhores dentre as várias boas do disco. Depois, um teaser do vídeo de “Boca”, que será lançado semana que vem. Na sequênia, o vídeo todo de “Maiô da Mulher Maravilha”. Por fim, altamente recomendável, ouça o álbum todo via Spotify.