Em liniker:

Top 50 da CENA – O primeiro lugar do ranking é uma música que não deveria ter sido feita. Francisco, el Hombre bota a primavera no top. Tagore bota sua dose de psicodelia no pódio

1 - cenatopo19

* Uma nota rápida na abertura de hoje. O primeiro lugar desta semana não deveria existir. É isso que temos a dizer, a gente detalha isso no texto da primeira posição.

criolotopquadrada

1 – Criolo – “Cleane” (Estreia)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda.

2 – Francisco, el Hombre – “Nada Conterá a Primavera” (Estreia)
Ainda sobre resistência, a nova música da banda Francisco, El Hombre conta de uma força invisível que não pode ser quebrada nem pelo tempos mais complicados da sociedade. Como é o verso que um certo político falou uma vez? Ainda que cortem umas flores aqui e ali, nada contém a primavera. Se a gente entendeu esta música, o recado é esse.

3 – Tagore – “Maya” (Estreia)
É impossível não pensar na psicodelia australiana, mas, conhecendo também a psicodelia brasileira, ambas estão bem representadas neste terceiro álbum de Tagore Suassuna, que capricha em letras rasgadas, aquelas que se entregam no sentimento, sabe? Embora ele verse que dá trabalho disfarçar a saudade da amada, nas letras ele faz questão zero de camuflar qualquer vergonha.

4 – Juçara Marçal – “Crash” (12)
A gente resolveu trazer a Juçara de novo ao alto do ranking porque é nesta semana que ela solta seu novo álbum, “Delta Estácio Blues”. E é neste disco que está este impressionante rap de Rodrigo Ogi em interpretação absurda de Juçara. Rap do ano.

5 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (Estreia)
Bonito o encontro de Bemti com Fernanda Takai e a sutil participação de Hélio Flanders, do Vanguart, no trompete. Uma história de amor que resista ao fim do mundo é uma grande história de amor, não? A letra é uma parceria de Bemti com Roberta Campos.

6 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (1)
Primeira mostra do primeiro álbum de inéditas em quase dez anos, “Anjos Tronchos” revela um Caetano atento a seu tempo. E mais ligado em tecnologia do que poderíamos imaginar que estivesse um homem que não tem celular. Uma de suas canções-tese, onde expõe seu pensamento crítico, este som bate na questão de quantos algoritmos estão moldando nossas cabeças. Caetano pondera aqui sobre o aspecto perverso da tecnologia, que colaborou na ascensão de um neofascismo, mas também aspectos positivos, como a Billie Eilish, que “faz tudo do seu quarto com o irmão”. Até a questão do sexo virtual não escapa de sua rica observação.

7 – Marissol Mwaba – “Marte” (2)
Em parceria com o trio Tuyo e com a superguitarrista Mônica Agena, Marissol lançou mais um excelente single. Marte de Marissol é mais que o planeta vermelho. É um lugar onde ela encontra afeto. Preste atenção nela. De single em single a cantora vai provando que não chamou atenção de nomes como Chico César e Fióti por acaso. Voz talentosíssima.

8 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (3)
É impressionante o álbum “Quintal dos Prettos”, trabalho ao vivo da dupla Prettos, formada por Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, da zona leste de São Paulo. Com uma microfonação pouco usual, indireta, sem colar na voz ou nos instrumentos, eles conseguiram recriar a sensação de ir a uma roda de samba em disco, uma missão e tanta. Público e músicos viram uma coisa só nesse método da gravação e é como se você estivesse na plateia, com o som levemente abafado pela quantidade de pessoas em volta da roda.

9 – Liniker – “Mel” (4)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar por aqui, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

10 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” e “Sombra” (5)
Forte o encontro dos rappers Joca e Sain com o pianista Jonathan Ferr e a produça de Beno e Theo Zagrae. Ao pensar em sombra e água fresca, uma combinação dez, a sacada é que quando elas operam em separado a sombra ganha novo sentido. As duas músicas, então, funcionam como uma só. Sacada esperta.

11 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (6)
12 – brvnks – “happy together” (7)
13 – Vanguart – “Lá Está” (8)
14 – Papisa e Haēma – “Fortuna” (9)
15 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (10)
16 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (11)
17 – Juçara Marçal – “Crash” (12)
18 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (13)
19 – Alice Caymmi – “Serpente” (14)
20 – Coruja BC1 – “Tarot” (15)
21 – Curumin – “Púrpuras” (16)
22 – Nelson D – “Toy Boy” (17)
23 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (18)
24 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (19)
25 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (22)
26 – Marina Sena – “Me Toca” (23)
27 – Majur – Ogunté (24)
28 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (25)
29 – Papangu – “Ave-Bala” (26)
30 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (27)
31 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (29)
32 – GIO – “Sangue Negro” (30)
33 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (31)
34 – Rodrigo Amarante – “Maré” (32)
35 – Amaro Freitas – “Sankofa” (34)
36 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (35)
37 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (36)
38 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (37)
39 – Jadsa – “Mergulho” (38)
40 – FEBEM – “Crime” (39)
41 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (40)
42 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (41)
43 – Boogarins – “Supernova” (42)
44 – BaianaSystem – “Brasiliana” (43)
45 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (44)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (45)
47 – Mbé – “Aos Meus” (46)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (47)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (28)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper e cantor Criolo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Chegou este dia. Caetano liderando um ranking da Popload. E tem até samba no nosso pódio

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* Caetano Veloso. Sim, Caetano Veloso straight to the top no nosso top 50 da CENA. A busca por novidades da música brasileira, prática constante nossa, pode vir de um autor tão clássico como é Caetano. Não tem estranheza nisso. Afinal, ele está escrevendo a partir do nosso tempo e, veja só, com uma atualidade que muito artista novo corre atrás de alcançar, mas que é tarefa das mais difíceis. Pensa só: ele fez uma supermúsica sobre algoritmos e tecnologia, mas nem tem um celular. A capacidade de ler o mundo de algumas pessoas é uma coisa e tanto, né?

caetanotopquadrado

1 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (Estreia)
Primeira mostra do primeiro álbum de inéditas em quase dez anos, “Anjos Tronchos” revela um Caetano atento a seu tempo. E mais ligado em tecnologia do que poderíamos imaginar que estivesse um homem que não tem celular. Uma de suas canções-tese, onde expõe seu pensamento crítico, este som bate na questão de quantos algoritmos estão moldando nossas cabeças. Caetano pondera aqui sobre o aspecto perverso da tecnologia, que colaborou na ascensão de um neofascismo, mas também aspectos positivos, como a Billie Eilish, que “faz tudo do seu quarto com o irmão”. Até a questão do sexo virtual não escapa de sua rica observação.

2 – Marissol Mwaba – “Marte” (Estreia)
Em parceria com o trio Tuyo e com a superguitarrista Mônica Agena, Marissol lançou mais um excelente single. Marte de Marissol é mais que o planeta vermelho. É um lugar onde ela encontra afeto. Preste atenção nela. De single em single a cantora vai provando que não chamou atenção de nomes como Chico Cesár e Fióti por acaso. Voz talentosíssima.

3 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (Estreia)
É impressionante o álbum “Quintal dos Prettos”, trabalho ao vivo da dupla Prettos, formada por Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira, da zona leste de São Paulo. Com uma microfonação pouco usual, indireta, sem colar na voz ou nos instrumentos, eles conseguiram recriar a sensação de ir a uma roda de samba em disco, uma missão e tanta. Público e músicos viram uma coisa só nesse método da gravação e é como se você estivesse na plateia, com o som levemente abafado pela quantidade de pessoas em volta da roda.

4 – Liniker – “Mel” (1)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar por aqui, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

5 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” e “Sombra” (Estreia)
Forte o encontro dos rappers Joca e Sain com o pianista Jonathan Ferr e a produça de Beno e Theo Zagrae. Ao pensar em sombra e água fresca, uma combinação dez, a sacada é que quando elas operam em separado a sombra ganha novo sentido. As duas músicas, então, funcionam como uma só. Sacada esperta.

6 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (Estreia)
Jup do Bairro em um som da Fresno é aquele meme do “começo do sonho/deu tudo certo”. Ela já tinha deixado todas as dicas que ama a banda por aí, em covers e vídeo. Esse excelente feat está dentro do projeto INVentário, a novidade da Fresno que já detalhamos em um papo com a banda, veja aqui.

7 – brvnks – “happy together” (Estreia)
Que saudade que a gente estava da brvnks. E, neste novo single, a delicada “hapyy together”, ela acena com muuuuuitas mudanças e promete um novo álbum direcionando sua guitarra a algo mais pop. Queremos.

6 – Vanguart – “Lá Está” (Estreia)
Agora um trio, o Vanguart abriu espaço para Fernanda Kostchak, violinista da banda há quase dez anos, arriscar uma composição e vocal, até aqui (quase) sempre divididos apenas por Hélio Flanders e Reginaldo Lincoln. Saldo: queremos saber mais desse lado da Fernanda que a gente não conhecia. Escutar sua voz no álbum foi uma boa surpresa. Das coisas boas de ouvir um disco sem spoiler – ou você acha que disco não tem spoiler?

9 – Papisa e Haēma – “Fortuna” (Estreia)
Muito bonita a parceria da Papisa com a dupla portuguesa Haēma, formada por Susana Nunes e Diana Cangueiro. Essa união veio da proposta do pesquisador musical português André Gomes, interessado em juntar artistas dos dois países. Como Papisa contou para nossos parceiros do “Scream & Yell”, a música “tem um pouco de caos e incômodo e a sensação de libertação do que nos aprisiona, indo mais pro centro das coisas, pro que é essencial”.

10 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (2)
Em “Nordeste Futurista”, Luana, que é da Paraíba, chega arrepiando em propor muitas conexões sonoras de ritmos da região com a música eletrônica. Melhor que o verbo “propor”, dá para dizer que Luana realiza com sucesso tipo uma cientista essa mistura para conseguir construir algo novo. Um diálogo criativo em ritmo, sons e na letras, que abordam a questão LGBTQI+.

11 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (3)
12 – Juçara Marçal – “Crash” (4)
13 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (5)
14 – Alice Caymmi – “Serpente” (6)
15 – Coruja BC1 – “Tarot” (7)
16 – Curumin – “Púrpuras” (8)
17 – Nelson D – “Toy Boy” (9)
18 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (10)
19 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (11)
20 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (12)
21 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (13)
22 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (14)
23 – Marina Sena – “Me Toca” (15)
24 – Majur – Ogunté (16)
25 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (18)
26 – Papangu – “Ave-Bala” (19)
27 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (20)
28 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (21)
29 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (23)
30 – GIO – “Sangue Negro” (24)
31 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (26)
32 – Rodrigo Amarante – “Maré” (27)
33 – Criolo – “Fellini” (28)
34 – Amaro Freitas – “Sankofa” (29)
35 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (30)
36 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (32)
37 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (33)
38 – Jadsa – “Mergulho” (35)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, Caetano Veloso.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Liniker vai ao topo até improvisando (ou por isso mesmo). Luana Flores traz suas conexões ao pódio. Sophia Chablau não perde tempo e fica em terceiro

1 - cenatopo19

* Que semana quente, não só na temperatura. Quase que a gente troca todos os dez primeiros do nosso top, mas resolvemos ser conversadores. Mantivemos alguns sons, mas a maioria é novidade. Complicado mesmo foi decidir quem ficava em primeiro, parecia um grande empate técnico. E meio que é assim mesmo. Como a gente gosta de contar, o Top 50 é só uma desculpa para a gente falar das músicas que nos agradam. E fazer a nossa playlist, para escutar (e entender) “o todo”. Do primeiro ao 50ª lugar, para nós, não tem erro.

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1 – Liniker – “Mel” (Estreia)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar em primeiro lugar, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

2 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (Estreia)
Em “Nordeste Futurista”, Luana, que é da Paraíba, chega arrepiando em propor muitas conexões sonoras de ritmos da região com a música eletrônica. Melhor que o verbo “propor”, dá para dizer que Luana realiza com sucesso tipo uma cientista essa mistura para conseguir construir algo novo. Um diálogo criativo em ritmo, sons e na letras, que abordam a questão LGBTQI+.

3 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (Estreia)
Entre Pavement e Ana Frango Elétrico, Sophia e sua turma fazem tudo certo aqui. A cadência, depois a intensidade, a voz, a letra, o clima e o clímax. A música já tem um tempo e talvez até a gente já tenha falado dela aqui, mas retomamos porque a banda acabou de lançar um vídeo maravilhoso deste som que coloca os sentidos visuais para dialogar com a poesia da letra. Que galera nova boa.

4 – Juçara Marçal – “Crash” (1)
Uau. Que pancada quase literal é este novo single da Juçara Marçal. Com letra do rapper Rodrigo Ogi e produção de seu superparceiro Kiko Dinucci, Juçara chega estraçalhando com aqueles que querem com ferro ferir. Além da letra certeira e sua interpretação para lá de inspirada, sonoramente este single aponta que o álbum “Delta Estácio Blues” vai trazer novos elementos para sua rica discografia, onde o experimentalismo mais de banda embarca em uma experimentação eletrônica. Na ansiedade, falamos em disco do ano. Vamos ver.

5 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (Estreia)
Conhecido das batalhas de rimas há alguns anos, Cesar MC estreia em álbum com feats poderosos de Djonga e Emicida, que chegam em versos que facilmente caberiam em discos seus, pesadões. Com boas linhas e mirando na farsa da meritocracia e o peso do racismo estrutural, o rapper faz bem a difícil transição das batalhas de improviso para as linhas que viram canções.

6 – Alice Caymmi – “Serpente” (Estreia)
Chega forte o novo single da Alice Caymmi, que tem produção dela e da talentosíssima Vivian Kuczynski. A parceria dessa dupla é um porradão em termos de som. Na letra, mais pancada, com Alice reivindicando contar a história de um amor que não andava dando muito certo. “Se eu amei um dia é problema meu/ A verdadeira história/ Quem conta sou eu.”

7 – Coruja BC1 – “Tarot” (Estreia)
Single novo do rapper Coruja BC1 deixa todo mundo bem ansioso para o álbum que ele prepara. Dizem por aí que está pesado. Dos muitos bons versos, chama atenção a autocrítica que ele faz a uma visão antiga de mundo que tinha: “Já quis tá cinco anos à frente, desculpa o que eu vou dizer/ Hoje eu quero só viver o presente sem pressa de envelhecer”.

8 – Curumin – “Púrpuras” (Estreia)
Que saudade que estávamos do Curumin. Bom saber que ele está de volta com este super-single, que chega totalmente apaixonado. Aquele clima sabe? Aquela ansiedade de dar uma ligadinha ou receber aquela ligação. A composição é parceria braba dele com Vitor Hugo (do Bloco Lua Vai), Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção e a rapper Nellê.

9 – Nelson D – “Toy Boy” (2)
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

10 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (3)
Rei Lacoste é dos nomes mais inventivos da CENA de Salvador. Artista que estudou cinema antes de embarcar na música, ele escolhe o trap como elemento de sua exploração artística. Um pé no pop e outro pé em Glauber Rocha, sacou? Já no título deste som você já vê a brincadeira. Tutorial vem dos tutoriais da internet. E aprender a ser amado é uma bela inversão já que é mais fácil imaginar por aí um tutorial de como amar ou conquistar alguém e tal. Lacoste aprontou aqui.

11 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (14)
12 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (11)
13 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (4)
14 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (5)
15 – Marina Sena – “Me Toca” (6)
16 – Majur – Ogunté (7)
17 – Fresno – “6h43 (Nem Liga Guria)” (8)
18 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (9)
19 – Papangu – “Ave-Bala” (10)
20 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (11)
21 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (12)
22 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (13)
23 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (20)
24 – GIO – “Sangue Negro” (21)
25 – Tuyo – “Turvo” (22)
26 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (23)
27 – Rodrigo Amarante – “Maré” (27)
28 – Criolo – “Fellini” (28)
29 – Amaro Freitas – “Sankofa” (29)
30 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (30)
31 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (31)
32 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (32)
33 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (33)
34 – Jonathan Ferr – “Amor” (34)
35 – Jadsa – “Mergulho” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
38 – Yung Buda – “Digimon” (40)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Liniker.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 da CENA: Edgar toca um funk bem alto e vai para o primeiro lugar. E chama toda a galera do funk. Por exemplo: o Marabu

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* Nosso primeiro lugar ordena: toca um funk bem alto. O segundo lugar respeita e manda uma ideia e tanto: um álbum de funk conceitual brilhante. E estamos comentando só o inicio de mais um Top 50 caprichado. Esta semana, especialmente, com muito rap de várias épocas e lugares. Que lindo isso!

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1 – Edgar – “Também Quero Diversão” (Estreia)
Lá vem o melhor disco do ano que vem. Edgar. “Miga. Cansei de explicar que este país tá uma guerra e não uma festa, que entre um mundo e outro somos um portal…”. Repare. Edgar parece falar de um futuro distópico, uma ficção científica absurda inventada. Mas nada pode ser tão real como seu discurso musical. Cada linha de suas letras é de uma riqueza simples natural e absurda. E um tapa na cara. Na cara de quem tem que ser. “Toco um funk bem altoooo!”
2 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (Estreia)
Se o assunto é um funk bem alto, solte aí o som do Marabu. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”, um álbum conceitual. Um disco que passeia por misturas do funk com outros ritmos durante uma longa noite lá no Jardim Ângela, quebrada de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.
3 – Black Alien – “Chuck Berry” (1)
Ah, a força das rimas de Black Alien. Ou conhece alguém que aproveita mais os sons das palavras que esse homem? “Mais que o covid, foi o que eu vi de covarde.” A construção engenhosa de Gustavo se faz mais uma vez aqui. Um rap sobre o rock. Era só o que nos faltava. Não falta mais. Incrível.
4 – Hot e Oreia – “Domingo/Presença” (2)
Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Abdias do Nascimento, Leonardo da Vinci, Caetano Veloso, Nelson Ned, “Bacurau”. Tudo solto assim parecem pontos desconexos demais? Então, dá uma olhada no novo vídeo do Hot e Oreia e tudo fará sentido. Daquele jeitão Hot e Oreia de fazer sentido, lógico. Incrível 2.
5 – Sabotage e MC Hariel  – “Monstro Invisível” (Inédita)
Tudo bem que os versos de Sabotagem não são inéditos no som produzido por DJ Kalfani com participação especial de MC Hariel, em mais um passo na reconexão firme do rap com o funk. Vale o resgate e o lembrete do poder imortal do poeta do Canão. Se o mundo segue igual, voltemos ao começo.
6 – Luedji Luna – “Chororô” (4)
Resolvemos mudar de música mas não tirar a cantora baiana do nosso top 10 dentro do Top 50, porque este disco dela… A gente diz aqui, um álbum que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Escolhemos “Choroô” como poderíamos ter pego qualquer outra. Aqui, repare, as coisas mais simples, como esta música, ficam lindas no jeito Luedji de ser. Que rica essa menina.
7 – The Baggios – “Mantrayam” (Estreia)
The Baggios em uma brisa mais psicodélica? Música longa, três partes, mudanças. Curtimos bem, hein. Mais um nome que já entra na categoria “vem álbum novo bom em 2021”.
8 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (3)
O fã de quadrinhos Emicida replicou a Marvel e mandou uma inédita nos pós-créditos de seu documentário “É Tudo Pra Ontem”, lançado pela Netflix. A faixa é uma reflexão a partir dos tempos de pandemia com Gil lendo um texto presente no livro de Aílton Krenak, “A Vida Não É Útil”, sobre o retorno do Criador à Terra em um passeio um tanto quando frustrante. Não saia antes de o filme acabar. Incrível.
9 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (Estreia)
Um dos homens que mais sabe tirar um som de guitarra neste país ataca de novo. Alguém já mandou este som para o Lulu Santos? Acho que ele vai curtir. Odair José?
10 – WillsBife, Don L – “Por Minha Conta” (Estreia)
Inédita do Don L. é inédita do Don L. Beat do Nave, é beat do Nave. E a produção do WillsBife é das boas. Vale reparar no álbum completo, que acabou de ganhar uma versão deluxe com todas as instrumentais e inéditas, esta inclusa.
11 – Chuck Hipolitho – “Tem Cheiro de Espírito Adolescente” (5)
12 – Vovô Bebê – “Bolha” (6)
13 – Adriano Cintra – “Grow Apart” (7)
14 – Zé Manoel – “História Antiga” (8)
15 – Luana Flores – “Reza” (9)
16 – Anne Jezini – “Faz Escuro Mas Eu Canto” (10)
17 – Liniker – “Psiu” (11)
18 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (12)
19 – Tuyo – “Sonho da Lay” (13)
20 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Pra Dois” (14)
21 – Rodrigo Alarcon – “Na Frente” (15)
22 – Khalil – “De Cara Pro Vento” (17)
23 – TARDA – “Ninguém por Enquanto” (18)
24 – Luna França – “Minha Cabeça” (20)
25 – Silva – “Passou Passou” (22)
26 – Carabobina – “Pra Variar” (24)
27 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (25)
28 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (28)
29 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
30 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (30)
31 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
32 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
33 – BK – “Movimento” (33)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (40)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
42 – Don L – “Kelefeeling” (42)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
48 – Jhony MC – F.A.B. (48)
49 – Djonga – “Procuro Alguém (16)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do duo mineiro de rap Hot e Oreia.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA: Black Alien, Hot e Oreia, Emicida. É o rap nacional varrendo o pódio

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* Semana importantíssima para o hip hop nacional. Black Alien chegou com single novo/ vídeo novo, Hot e Oreia juntaram dois sons em um só no vídeo, novo, e o Emicida lançou um filme que entra lindo no repertório dos grandes documentários do país sobre música – embora seja sobre bem mais que música.
Numericamente, uma semana devagar de lançamentos. Mas que peso. Se toda semana fosse assim… Se bem que a música brasileira tem jogado pesado toda semana. Quem acompanha aqui sabe do que estamos falando. Esta CENA é quente. Pega fogo, cabarééé!!!

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1 – Black Alien – “Chuck Berry” (Estreia)
Ah, a força das rimas de Black Alien. Ou conhece alguém que aproveita mais os sons das palavras que esse homem? “Mais que o covid, foi o que eu vi de covarde”. A construção engenhosa de Gustavo se faz mais uma vez aqui. Um rap sobre o rock. Era só o que nos faltava. Não falta mais. Incrível.
2 – Hot & Oreia – “Domingo/Presença” (Estreia)
Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Abdias do Nascimento, Leonardo da Vinci, Caetano Veloso, Nelson Ned, “Bacurau”. Tudo solto assim parecem pontos desconexos demais? Então, dá uma olhada no novo vídeo do Hot e Oreia e tudo fará sentido. Daquele jeitão Hot e Oreia de fazer sentido, lógico. Incrível 2.
3 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (Estreia)
O fã de quadrinhos Emicida replicou a Marvel e mandou uma inédita nos pós-créditos de seu documentário “É Tudo Pra Ontem”, lançado pela Netflix. A faixa é uma reflexão a partir dos tempos de pandemia com Gil lendo um texto presente no livro de Aílton Krenak, “A Vida Não É Útil”, sobre o retorno do Criador à Terra em um passeio um tanto quando frustrante. Não saia antes de o filme acabar. Incrível 3.
4 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (8)
Sempre apaixonados pelo disco novo da Luedji, lançado já faz um tempo e que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Ain’t I a Woman”, uma das muitas boas faixas, e que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
5 – Chuck Hipolitho – “Tem Cheiro de Espírito Adolescente” (1)
Como o nome escancara de saída, aqui Chuck paga um tributo louco ao Nirvana e sua principal canção, a espetacular “Smells Like Teen Spirit”, mas de um jeito diferente e buscando um… hum… espírito representativo atual. De trazer para agora uma zona de conforto lá de trás, mas com jeitão 2020 (já viu o vídeo?). De toda forma, a canção é um expurgo necessário, um agradecimento ao passado, que vem mais do coração do que da mente. Talvez por isso emocione. Tanto.
6 – Vovô Bebê – “Bolha” (2)
Grande elemento da bombada CENA carioca atual e uma prova de que a vanguarda paulistana dos anos 80 não morreu, o senhor guri Vovô Bebê, persona de Pedro Carneiro, dá os primeiros sinais de um novo disco. Segue bem boa a proposta dele. E de toda a cena do Rio. Estamos muito de olho. E de ouvidos.
7 – Adriano Cintra – “Grow Apart” (3)
Parte de um EP que experimenta sonoridades que tocariam em um rádio mental de 2008, Adriano prova de novo a preciosa mão que tem para o pop. A gente já sabia, mas não cansamos de redescobrir. Escolhemos esta, mas poderíamos ter pego qualquer outra do disquinho.
8 – Zé Manoel – “História Antiga” (4)
A delicadeza do piano e voz do pernambucano Zé Manoel por aqui lamentam uma história antiga de uma civilização mais antiga ainda que por acaso é a nossa atual. As lembranças de hoje, dolorosas, estão no passado porque Zé fala a partir de um futuro imaginado e construído pelo povo negro e indígena, onde a justiça se dá no Brasil. Uma construção sútil e para lá de utópica, mas poderosa. Se é mais fácil imaginar o fim dos tempos que a construção de um mundo realmente mais justo, Zé resolve escapar do conformismo. Parece pouco, dado que só é uma canção, mas quem disse que canções não mudam o mundo?
9 – Luana Flores – “Reza” (10)
Quem promete bombar em 2021? Luana Flores, anote este nome. Made in Paraíba. Enquanto ainda não é o ano que vem, pega esta faixa que ela lançou em parceria com outro nome que você já deveria ter no seu radar, a excelente Jéssica Caitano. E imagina um mundo melhor para depois deste mês, porque todos merecemos.
10 – Anne Jezini – “Faz Escuro Mas Eu Canto” (7)
No sombrio Brasil de 2020, Anne recupera um poema que virou canção em outros tempos também terríveis, no caso, a ditadura no Brasil. Em clima moderno, Anne refaz o caminho que já foi percorrido pela voz de Nara Leão. Missão para poucos, mas ela deu conta bem demais aqui.
11 – Liniker – “Psiu” (5)
12 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (6)
13 – Tuyo – “Sonho da Lay” (9)
14 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Pra Dois” (Estreia)
15 – Rodrigo Alarcon – “Na Frente” (12)
16 – Carne Doce – “Garoto (Radio Edit)” (13)
17 – Khalil – “De Cara Pro Vento” (15)
18 – TARDA – “Ninguém por Enquanto” (16)
19 – Criaturas – “Omalola” (19)
20 – Luna França – “Minha Cabeça” (20)
21 – Chico Bernardes – “Em Seu Lugar” (21)
22 – Silva – “Passou Passou” (22)
23 – Giovanna Moraes – “Singularidade” (17)
24 – Carabobina – “Pra Variar” (24)
25 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (25)
26 – Kiko Dinucci – “Habitual” (26)
27 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (27)
28 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (28)
29 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
30 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (30)
31 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
32 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
33 – BK – “Movimento” (33)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (40)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
42 – Don L – “Kelefeeling” (42)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
48 – Jhony MC – F.A.B. (48)
49 – Djonga – “Procuro Alguém (16)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do duo mineiro de rap Hot e Oreia.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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