Em Little Electric Chicken Heart:

CENA – Ana Frango Elétrico cria vídeo de afeto de meia hora com “Caspa”

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* Olha a CENA do Rio de Janeiro aí outra vez. Agora representada pelo novo lançamento da musa internacional carioca Ana Frango Elétrico, no que o encadeamento dessas palavras aí escrita têm de mais bonito e doido.

A princípio, você pensa, não tem nada demais. Frango está lançando o lyric vídeo, nem é o vídeo oficial, de uma música sua de 2019, nem é assim uma novidade.

Mas nããããão!

No caso, a música em questão é o sambinha “Caspa”, faixa de dois minutos e pouco do ótimo álbum “Little Electric Chicken Heart” e cuja parte do “lyric” diz apenas o seguinte “Minha cabeça neva/ De nervoso, agonia ou aflição/ E se eu gosto de alguém/ E sinto paixão/ Eu adoeço do coração”. Diz muito com tão pouco. Mas é isso.

Só que aí a Ana Frango Elétrico tem a ideia de espichar a música para um vídeo de MEIA HORA com essa mesma letra pá-pum e a melhor marchinha, em looping, que você vai dançar no Carnaval do ano que vem, em MAIO. Tudo muito Rio de Janeiro de hoje, CENA que talvez não saiba ter muito da vanguarda paulistana dos anos 80, uma que tira a MPB da zona de conforto e estica e puxa estilos e referências para todos os lados. Ana Frango é muito gênia.

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A cantora também tem tentáculos visuais, além dos vocais. “Caspa”, o lyric vídeo, é feito em parceria com o artista visual Pedro Sodré, da banda Rosa Bege. Porque os agitos culturais do Rio de Janeiro hoje é assim.

“Durante a quarentena, imaginando possibilidades de expansão e de redução do universo do meu trabalho, me veio a ideia de chamar o Pedro para pensar comigo e explorar essa relação entre tecnologia, plasticidade e movimento. Esse primeiro clipe-experiência dura 30 minutos, com a intenção de criar um espaço virtual de afeto, um lugar de cicatrização / uma caixinha-de-música”, Frango explica o vídeo. Porque Ana Frango Elétrico é assim.

Essa coisa da expansão do lyric vídeo de “Caspa” foi feita a partir de uma síntese de elementos do projeto gráfico do Caio Paiva, que fez a arte do disco “Little Electric Chicken Heart”. Com isso, Pedro Sodré estruturou a “criação de sistemas que permitem ao usuário delinear, a partir da densidade sonora e visual, afetos sutis e situações aurais”. Caio Paiva é o vocalista e guitarrista da banda Ovo ou Bicho, destacada na Popload ontem com post, hoje no Top 50. Porque a Popload é assim.

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* As fotos de Ana Frango Elétrico deste post, aqui e na home da Popload, são de Hick Duarte.

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CENA – A gente viu e curtiu – Ana Frango Elétrico em São Paulo

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* Ainda curtindo as vibes do lançamento de seu segundo disco, “Little Electric Chicken Heart”, a festejada cantora carioca Ana Frango Elétrico, de 21 anos, mostrou o álbum ao vivo pela primeira vez em São Paulo na última sexta-feira, no SESC da Avenida Paulista. A Popload estava lá, com os olhos e ouvidos da Lina Andreosi, nossa colaboradora novinha.

Nesta semana, indo parar em lugars impensáveis, o disco novo de Ana Frango recebeu uma crítica no Youtube do famoso vlogger nerd americano Anthony Fantano (foto acima). A nota, incrível, foi um honroso “8”.

Sobre a apresentação de São Paulo, nossa Andreosi achou o seguinte:

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Na última sexta-feira, Ana Frango Elétrico fez o show de lançamento de seu segundo álbum, “Little Electric Chicken Heart”, em apresentação para o público em pé no Sesc Avenida Paulista, o que deu muito espaço à plateia para dançar e cantar junto com as melodias envolventes da cantora.

Com banda completa, incluindo um trio de sopros, a carioca apresentou suas novas criações com toda a energia empenhada na gravação do disco, que se desenvolve em cima de letras carregadas de aliterações e rimas psicodélicas. As letras muitas vezes levam a caminhos não tão usuais, e Ana Frango Elétrico as canta com uma voz que no álbum faz duvidar que possa ser tão modular e afinada ao mesmo tempo, mas que ao vivo encanta como uma peça de arte moderna, que você não entende completamente mas sabe que é algo incrível.

As melodias completam o pouco espaço entre o público, unindo a todos sob uma atmosfera espacial que carrega o espectador desavisado por uma viagem dançante e faz esquecer que, ali, estávamos em plena Av. Paulista em 2019. É fato que ninguém presente ficou parado por um momento, todos dançavam e cantavam junto com Ana Frango Elétrico, em uma apresentação que se encaixaria tão bem nos anos 70, 80 ou 90 quanto se encaixou naquela sexta-feira paulistana.

Com todo o domínio sobre o público, Ana Frango Elétrico e sua guitarra, tão elétrica quanto ela, foram acompanhadas por um coro constante, desde as músicas recentes como “Tem Certeza?”, até em clássicos, como “Farelos”, de seu álbum de estréia, “Mormaço Queima”, de um ano atrás. O que mais impressiona é o caminho quase numa corda bamba que a sua música segue, andando nas pontas dos pés ente uma cacofonia de rock e fortes referências clássicas da MPB.

Ana Frango Elétrico faz parte da onda maravilhosa de girl rock que parecia ter sido esquecida nos anos 90, mas que hoje se aflora novamente com nomes que amamos, como Courtney Barnett e Brvnks. E é praticamente impossível evitar uma comparação de Ana Frango Elétrico a uma jovem Rita Lee, com seus maneirismos e voz, a jovem artista traz aos palcos motes tão necessários para os dias de hoje quanto foram aqueles que foram consagrados nos anos 70.

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