Em little quail:

CENA – “Geração Baré-Cola”. Documentário da cena de Brasília dos anos 90 é lançado agora em outubro

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* O que houve na cena musical de Brasília entre Legião Urbana e Raimundos? Segundo o bem bom documentário “Geração Baré-Cola – Usuário de Rock”, uma frutífera cena underground cheia de bandas e energia que íam muito além da estética roqueira dos nomes famosos da região construiu uma história lembrada forte pelos indies locais, mas desconhecida por muitos fora do DF, em sua abrangência, força e tamanho. E é aí que o registro, que será lançado em DVD em breve, com uma exibição no próximo dia 19 no Cine Drive-in de BSB) e do qual a Popload teve acesso, se torna tão importante.

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O documentário, dirigido pelo fotógrafo Patrick Grosner, é retratado através de filmes em VHS de apresentações ao vivo, demos de bandas, fotos, cartazes de shows e entrevistas com 29 grupos que viveram de perto a época entre 1980 e 1994 na capital do Distrito Federal. Tudo isso começou ainda na faculdade de cinema de Patrick e foi evoluindo e tomando forma quando ele resolveu direcionar para um período pouco falado da história cultural do lugar.

E foi a partir dos rascunhos iniciais desse mapeamento que o diretor chegou a um detalhamento rico da cena construída no pós-agito de Legião, Plebe Rude, Capital Inicial (aquele) etc., contada com bastantes detalhes e retratada pelos próprios músicos da época, quase 40 convidados ao total. O doc é praticamente guiado, ainda, por Gabriel Thomaz, hoje e há muito tempo do Autoramas mas que ali na efervescência daquele final dos 80 e meados dos 90 pilotou o importante Little Quail & The Mad Birds. Portanto, uma testemunha ocular do que aconteceu em Brasília na época.

Para além de Gabriel (acima) e com depoimentos de Rodolfo ex-Raimundos (abaixo) e muitos outros, “Geração Baré-Cola” usa um refrigerante bagaceiro e famoso daqueles tempos e mostra a cara de uma cena pouco conhecida, mas cheia de nomes que foram além do rock comercial da época para explorar outros gêneros e estilos, dando origem a um movimento fora da curva do que se conheceu nas rádios.

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Rock alternativo, metal, hip hop reggae, rockabilly e hardcore foram algumas da veias dessas bandas que forjaram o rock de Brasília anos 90. Entre os nomes, Detrito Federal/BSB-H, DFC, Os Cabeloduro, Dungeon, Filhos de Menguele, Os Alices e Restless são alguns dos que compõem o time de que dá origem ao registro que está sendo produzido para sair junto com a exibição especial do filme e pode ser comprado no site do documentário.

A versão em DVD/BluRay do documentário ainda conta com uma série de materiais extras, entre eles histórias e depoimentos que não entraram nas filmagens oficiais, 12 videos da época e galeria de fotos de shows e eventos direto dos anos 90. Um presente para quem quer saber mais sobre a história de um dos pilares da cultura independente no Brasil, talvez mais importante que a passada. Quem há de discordar?

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Enquanto isso, em Brasília… Little Quail e Galinha Preta

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* O fuzuê foi ontem. Mas não foi no festival da Cultura Inglesa. Não foi em São Paulo, mas sim em Brasília. No mesmo horário em que os paulistanos agitavam e eram agitados no show do Franz Ferdinand no Parque, o povo de Brasília se dividia em dois grandes eventos no início da noite de ontem: noventa por cento da cidade tentava entrar no CCBB para ver e ouvir o rapper Criolo, com filas de carros se estendendo por dois quilômetros a partir do centro cultural, e dez por cento se aventurando no Eixo Monumental, onde o Little Quail, banda do undeground brasiliense da década de 90, fazia a sua “Primeira Reunião Anual”. A Popload mandou o emissário brasiliense Eduardo Palandi no segundo evento. A foto lá em cima traz o Gabriel Autoramas na sua versão Little Quail e de lá embaixo tem o Frango Kaos, do Galinha Preta. As imagens são de Bruno Bernardes.

Diz o Palandi:
“Só essa história de ‘reunião anual’ já seria inóspita o bastante, mas uma das cinco bandas que abriu pros caras fez um grande show. Do lado de fora do Museu Nacional, o Galinha Preta, grupo de hardcore da Ceilândia (cidade-satélite mais barra pesada de Brasília) tocou o terror, desafiando o som ruim e a galera de preto que não quis saber do Criolo.

Capitaneado pelo vocalista Frango (!!!), o Galinha Preta não tinha nada em seu repertório que levasse mais de um minuto e meio para ser tocado, e os nomes das músicas já são metade de suas letras: ‘Saco Plástico (É a Nova Bomba Nuclear)’, ‘Roubaram Meu Rim’, ‘Vai Trabalhar, Vagabundo’, ‘Devo e Não Nego’. Foi um show das antigas: roda de pogo, moicanos dando cascudos em desavisados, briga entre duas punkettes, todo mundo de preto. Não teve para mais ninguém, apesar do DFC ter mandado bem (e emocionado com “Molecada 666″ no bis) e da irreverência do Little Quail ter feito todo mundo ir dormir satisfeito.”

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