Em Lizzo:

Podcast TNT/Popload – A resistência feminina na música de hoje, das Big Joanie a Saffiyah Khan

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* Em julho último, em post oferecido pelo TNT Energy Drink, a Popload montou um especial de resistência para a Popload Radio. Na ocasião, falamos sobre e fizemos um programa que apontava como grandes nomes do rock sobreviviam ao tempo.

Agora a gente bota para rolar, aqui em post e em um podcast especial para a Popload Radio também com oferecimento da TNT, outro tipo de resistência que sempre existiu e nunca esteve em tamanha evidência como hoje: A RESISTÊNCIA FEMININA.

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A Popload escolheu cinco exemplos da nova geração de música feita por mulheres que ilustram perfeitamente o que acontece no pop atual em relação à pulso firme contra o machismo e música boa acompanhando a postura: o trio punk inglês Big Joanie, a guitarrista australiana Courtney Barnett, a empoderadíssima cantora americana Lizzo, a rapper faz-tudo inglesa Little Simz (atração do Popload Festival \o/ ) e a revolucionária Saffiyah Khan ativista que, “só por isso”, virou parte integrante do grande grupo britânico The Specials.

Um bloco deste especial de resistência feminina traz ainda, para uma entrevista sobre o tema, Isabela Yu e Heloísca Cleaver, editoras da “Revista Balaclava”, publicação associada ao selo Balaclava, duas mulheres que tocam sozinhas uma revista sobre rock independente no Brasil. Praticamente uma revista independente dentro de um selo independente, porque se não fosse por elas, pelo corre delas, a revista não existiria.

O podcast “Resistência Fminina na Música” vai ser colocado na Popload Radio, rádio deste blog, durante esta semana e por diversos horários.

Entra hoje às 23h e com várias reprises programadas. Anote:
– amanhã, terça, 16h
– quarta, 21h
– quinta, 11h
– sexta, 20h
– sábado, 12h
– domingo, 18h

** A Popload Radio pode ser ouvida em aplicativos. Tem app para iPhone e para celulares do sistema Android. Pode ser ouvida por aqui mesmo, neste site, na barra principal acima. Também é alcançada no Facebook da Popload/Popload Gig, no item “Popload Radio”, na barra à esquerda.
 E está disponível no TuneIn, a plataforma americana de streaming ao vivo, que tem milhares de rádios cadastradas.

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O pop se prepara para ter uma nova rainha. É a Lizzo, de Detroit, e ela canta pra c******!

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* Caramba!

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O mundo pop tem se rendido cada vez mais à Lizzo, cantora e rapper norte-americana nascida em Detroit, 31 anos, que tem levantando a bandeira de temas delicados como o racismo e a gordofobia em suas gravações/apresentações.

Lizzo nasceu em Detroit, tem 31 anos e está bombando com seu terceiro disco, “Cuz I Love You”. Dona de uma voz potente e uma simpatia só, ela já tem na lista de fãs nomes como Rihanna, já abriu shows da Florence and the Machine, tocou no Coachella deste ano. Surgiu como jurada convidada no RuPaul’s Drag Race. A menina só cresce na carreira.

Seu grante hit, “Truth Hurts”, é atualmente a segunda música mais tocada em plataformas de streaming nos Estados Unidos, o que lhe garante como a melhor mulher negra e rapper em 2019.

Recentemente, ela soltou um vídeo para o single “Tempo”, em cia da famosíssima e veterana Missy Elliott. Ela também está no trailer do filme Hustlers ao lado de nomes como Jeniffer Lopez, Cardi B e Constance Wu.

Mas falamos isso tudo da garota de Detroit para contar que ela esteve recentemente no Tiny Desk Concert, o projeto de sessions intimistas da NPR, onde arrasou cantando justamente “Truth Hurts” e ainda “Cuz I Love You” e “Juice”. Veja e ouça, apenas.

Estamos preparados para a Lizzo?

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Brrrrrrrrrrrrr!! A bombástica Lizzo segue provocando fenômenos. O da música número 1 hoje nos EUA e o do vídeo com a Missy Elliott

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* “Tempo”, faixa do disco explosivo “Cuz I Love You”, lançado em abril, o terceiro álbum da estelar cantora americana Lizzo mas o seu primeiro grande sucesso fora dos meandros do hip hop, ganhou vídeo hoje, recebendo status de novo single lançado.

Tanto música quanto vídeo têm a presença ilustríssima de Missy Elliott, histórica rapper e produtora do hip hop americano, de enormes serviços prestados e uma das primeiras a realmente fincar a bandeira feminina no universo do rap.

Uma das grandes revelações de 2019, mesmo estando em seu terceiro álbum ( que entrou logo em sexto nas paradas da “Billboard”, quando saiu), a “texana” Lizzo (está baseada em Houston) fez um dos shows mais comentados do comentadíssimo Glastonbury 2019, tanto pela desinibição com seu corpão “fora dos padrões” quanto por sua indefectível tocada de flauta, sim flauta, como na incrível “Juice”, talvez seu maior sucesso. Embora…

Bem nesta sexta-feira de lançamento do vídeo de “Tempo”, chega a notícia que uma outra música de Lizzo, que nem é “Juice”, foi parar no primeiro lugar de mais tocada das rádios americanas. A inesperada “Truth Hurts”, lançada em 2017 e portanto nem está no disco “Cuz I Love You”, mas pegou carona no calor que o álbum provocou no pop americano.

“Truth Hurts”, que conta os probleminhas de Lizzo com um ex do sexo masculino, é uma daquelas músicas de sucessos acidentais, as chamadas “sleeper hit”, que viraliza do nada (ou do quase nada) e pega a planejada indústria da música de surpresa.

Veja abaixo, então, o chacoalhante vídeo oficial de “Tempo”, com participação da deusa Missy Elliott, e a performance bomber de Lizzo em “Truth Hurts”, vestida de noiva, no recente Glastonbury Festival inglês.

Que mulher!

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Especial Popload: Uma nova resistência feminina na música.

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* Este post é oferecido por TNT Energy Drink

Na história do rock e da música pop em geral, entre Sister Rosetta Tharpe empunhar uma guitarra e o solo de flauta da Lizzo, basicamente, as mulheres sempre precisaram fazer o dobro, triplo, muito mais que os homens para não terem suas vozes apagadas, ignoradas muitas vezes. A mesma história que encontramos nas mais diferentes áreas, veja o futebol ou o mercado de trabalho, por exemplo.

É por conta dessa cota extra de trabalho que praticamente todas são símbolos de resistência só de conseguirem subir no palco. Mesmo que não toquem no assunto, mesmo que não tragam um discurso direto contra tudo que as mulheres enfrentam, do machismo à violência ou à pressão estética, entre outras frentes.

Para não cometer muitas injustiças resolvemos listar aqui exemplos de resistência da nova geração gringa. Exemplos esses que mostram como as mulheres em vários campos da música defendem diferentes bandeiras. Todas importantes e todas merecedoras de muita atenção.

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Big Joanie

Stephanie Phillips, Estella Adeyeri e Chardine Taylor-Stone são as integrantes deste trio punk que tem uma ótima definição para o som que fazem: “The Ronettes filtrado através do DIY dos anos 80 e das riot grrrls com uma pitada de dashikis” (a camiseta colorida do oeste africano que virou símbolo de resistência para os afro americanos). No palco, elas formam uma linha de frente, literalmente, por colocarem a baterista lá na frente. Entre as principais questões que a banda enfrenta está serem aceitas como punks que são. “Eles vêem três mulheres negras no palco e acham que estamos fazendo R&B”, disse a baterista Chardine Taylor-Stone em uma entrevista.

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Foto de Ellie Smith

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Courtney Barnett

Quantos homens com guitarra na mão, pouca preocupação com o visual, com um vocal mais desleixado que técnico e que cantavam sobre a vida comum fizeram história na música? Quantas mulheres? A comparação é desproporcional. Para as mulheres fica reservado um espaço melhor quando elas cantam muito, são performáticas e se vestem de maneira única, entre outros requisitos. Courtney Barnett é, entre várias mulheres do passado e do presente, um dos símbolos da quebra desse limite imposto, como escreveu a especialista Blair Williams em um texto de 2015. Ter sua obra desrespeitada e alvo de críticas machistas, especialmente na internet, rendeu, por exemplo, a música “Nameless, Faceless”, onde ela lamenta os odiosos e ainda aborda sentimentos que só as mulheres podem entender profundamente, como o medo de andar em rua escura e solitária em uma simples volta para casa.

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Foto de Pooneh Ghana

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Lizzo

A apresentação de “Juice” que a Lizzo fez no MTV Movies & TV Awards de 2019 é histórica. O mesmo vale para a apresentação dela no BET Awards. No universo que tanto julgou (e ainda julga) o peso e a forma das cantoras pop, ela pôs abaixo o que qualquer gordofóbico tenha a dizer. Imagina se, por conta de tanto preconceitos com corpos que não obedeçam padrões, nós fôssemos afastados do talento, da musicalidade absurda, do fôlego e da beleza que é uma apresentação da Lizzo? A gordofobia expressa em coisas aparentemente sutis como a moda, quando não oferece opções para todos os tamanhos, ou o humor, quando faz graça com o peso de alguém, acaba com a autoestima de muitos. A Lizzo é uma mulher que poderia ter deixado de se expressar por conta dessa pressão toda. Hoje ela é o apoio de muitas!

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Foto de Pari Dukovic

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Little Simz

Para ter reconhecimento na música você precisa de talento, mas isso é só parte da história. É preciso conhecer o jogo. E, mesmo com a revolução da internet, parte do jogo envolve gravadoras e administração de negócios. Não ter um apoio nessa área exige trabalhar mais e correr o risco de ficar de canto entre os grandes da indústria, ao mesmo tempo que oferece liberdade criativa e até pagamentos mais justos. Ter o próprio selo foi a escolha de Little Simz, que começou postando suas músicas direto na internet, teve que gravar sozinha por muito tempo, até ser dona do próprio negócio e comandar parcerias com empresas maiores que poderiam fazer o meio de campo de distribuição e outras tarefas que um selo independente não dá conta. A recompensa agora é sua liberdade artística e praticamente o mesmo acesso a tudo o que tem alguém que assinou com uma grande gravadora.

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Foto de Jack Bridgland

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Saffiyah Khan

Saffiyah tem uma história um pouco diferente dos outros exemplos de resistência que falamos aqui. Ela não trabalha com música como ofício, mas está em turnê com a banda The Specials. Uma história que começa quando ela foi fotografada com a camiseta da banda enquanto era cercada por homens ligados a um grupo que defende pautas racistas, homofóbicas e islamofóbicas. Diante de tamanha violência, Saffiyah sorria na foto que viralizou. O Specials convidou ela para ver um show da banda, mas foram além e Saffiyah aparece no novo disco do grupo na faixa “10 Commandments” (“10 Mandamentos”), que revisa uma letra muito machista de Prince Buster, cara que influenciou o Specials. Aqui, em tradução livre, saem alguns versos absurdos da música original (“Não cometerás adultério/ Pois o mundo não vai me culpar se eu cometer um assassinato) e entram os mandamentos de Saffiyah: “Você não deve dizer a uma garota que ela merecia/ porque a saia dela era muito curta”.

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Foto de Ben Bentley

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