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Versões de partir o coração: James Blake faz a Billie Eilish ao piano; Destroyer presta homenagem ao Lou Reed no Brooklyn

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Uma das coisas mais legais do pop é quando um artista presta homenagem a outro assim do nada. E foi o que rolou nos últimos dias envolvendo quatro nomes que curtimos bastante.

O genial James Blake resolveu se sentar ao piano para fazer uma cover lindíssima de “When The Party’s Over”, que ele diz ser uma de suas canções favoritas e “ridiculamente boa” de Billie Eilish.

Em outra ponta, o excêntrico e não menos talentoso Dan Bejar resolveu lembrar o gigante Lou Reed em um show do Destroyer no Brooklyn, nesse final de semana, ao entoar no palco a linda “Ecstasy”.

Os dois registros, um profissional e outro de galera, podem ser conferidos abaixo.

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Apenas: Iggy Pop recita poema de Lou Reed em novo e hipnotizante vídeo

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O gigante Iggy Pop soltou um vídeo daqueles que entram em nossa alma para “We Are The People”, que está em seu disco “Free”, e nada mais é do que o poema feito pelo Lou Reed em 1970, recitado pelo seu velho amigo.

O vídeo hipnotizante conta com a direção de Simon Taylor e mostra Iggy Pop praticamente encarando quem o assiste. Coisa linda.

“Free”, o disco, foi lançado em setembro do ano passado e receberá um trato especial e limitado com uma nova versão em vinil, numerada, com capa diferente feita pelo artista Maurizio Cattelan. O lançamento será sábado agora, dia 7 de março, em um evento aberto ao público na galeria Perrotin, em Nova York.

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Ao som de “Perfect Day”, do Lou Reed, Karen O e Danger Mouse chegam para acalmar nossos corações

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Dupla acidental que acabou se formando de um jeito delicioso, a cantora estilosa Karen O e o produtor bamba Danger Mouse lançaram em março deste ano o disco/projeto colaborativo Lux Prima, que resultou em 9 canções inéditas.

Na época, a vocalista do Yeah Yeah Yeahs disse que sabia que a parceria daria certo. “Depois de fazer música pelos últimos 20 anos, ao entrar nesse disco com o Danger Mouse eu sabia de duas coisas: uma é que o espírito de colaboração entre nós dois seria algo muito puro; a outra, é que quando mais eu vivo, menos as coisas são claras para mim. Quando você cria a partir de um lugar ‘borrado’, você consegue ir mais longe do que já esteve. Acho que nós dois estamos animados para ir tão longe”.

Essa sintonia pode ser vista, além do álbum, nas raras apresentações que o duo tem feito. A mais recente delas foi em uma session para a cool SiriusXM, onde a dupla mandou até uma cover de “Perfect Day”, canção clássica do gênio Lou Reed, lançada originalmente em 1972 no segundo disco solo do saudoso músico, e revivida nos anos 90 como uma das faixas essenciais da trilha do filme “Trainspotting”.

Quem é assinante da SiriusXM pode ouvir mais canções da session. A rádio disponibilizou em suas redes, de graça, a releitura para “Perfect Day”, que pode ser ouvida abaixo.

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Vinyl “rouba” outro artista da Popload, destrói o rock progressivo e mostra show lindo do “Velvet Underground”

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* Entrou domingo à noite no looping de exibições o segundo episódio da ótima série Vinyl, dramatização dirigida por Martin Scorsese e idealizada por Mick Fucking Jagger sobre uma das combinações espaço/tempo mais eletrizantes da história do rock: a Nova York de 1973. Está ali, em ebulição, o resquício das revoluções dos anos 60, a chegada do hard rock britânico nos EUA, a encheção e esgotamento inevitável do rock progressivo, o nascimento do punk, da disco, do hip hop, tudo sob o olhar de um dono de gravadora chapadão, com questões familiares e filosóficas a resolver entre uma carreira e outra de cocaína, um filme e outro do Bruce Lee, uma zoada em alemães de ricos conglomerados que querem comprar seu negócio. Esse é o resumo “rápido” do espírito de “Vinyl”.

No segundo programa da série, a bonequinha Natalie Prass, destaque da nova música do Popload Festival de 2015, encarnou a frágil Karen Carpenter, vocal e bateria do extrafamoso Carpenters, duo que fazia com o irmão Richard, lançou uns 350 singles de sucesso e naquele “fatídico” ano de 1973 estourou mundialmente também com a conhecidérima “Yesterday Once More”, uma das músicas mais tocadas em rádios FM como Alfa e Antena 1 na história. Em “Vinyl”, Natalie apenas dá a cara a Karen (veja foto abaixo). A voz, interpretando a música, é da distinta cantora folk pop Aimee Mann.

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As incríveis citações musicais e as reinterpretações de nomes históricos com artistas de hoje são a marca do seriado. Logo no começo deste segundo episódio, o Velvet Underground “aparece” tocando, com a musa Nico e tudo. Nos é contado que o casal principal do seriado, o chefão Richie Finestra (Bobby Cannavale) e a lindona Devon (Olivia Wilde) se conheceram anos antes, mais precisamente em 1967, em um show do grupo de Lou Reed, produzido pelo artista Andy Warhol. A passagem é incrível e temos em vídeo, abaixo. Quem faz o papel de Lou Reed no Velvet Underground recriado é o ex-baterista do indie The Drums, o rapaz Connor Hanwick. Mas a voz que canta a climática “Venus in Furs” e a sensacional “Run Run Run”, ambas do histórico disco “The Velvet Underground & Nico”, o mitológico disco da banana cuja capa é um desenho de Andy Warhol, é do nosso amigo Julian Casablancas, dos Strokes. Julian Strokes e Connor Drums são de Nova York.

Neste episódio 2 de “Vinyl” surge forte o esgotamento da cena progressiva viagenzística colossal e rebuscada, que iria verter anos depois, na Inglaterra e nos EUA, na levada simples, cru e energética do punk. Isso é transpirado por “Vinyl”. Em uma sequência uma atrás da outra, Richie se vê tendo uma epifania, prefere usar uma camiseta do Black Sabbath a uma do Pink Floyd, diz que o rock precisa de energia e manda esquecer Yes e a porra do Emerson, Lake and Palmer, quebra um disco do Jethro Tull, demite um funcionário e manda o cara não se esquecer de levar o pôster do Jefferson Airplane com ele. Um massacre.

“Rock’n’roll é rápido, sujo e ‘smash into your head'”, clama Richie. “Tem que ser a canção que te faz cantarolar, te faz lembrar dela na manhã seguinte. Faz ligar para a rádio que tocou para perguntar que música era aquela. Faz arrepiar os pelos do corpo. Faz dançar, foder ou dar uma bica na bunda de alguém”.

No capítulo de ontem, reaparece em cena a banda punk do filho do Mick Jagger, James, outro que já apareceu por aqui para tocar em Popload Gig (o do James Murphy). Jagger Jr. é o vocalista da Nasty Bits (foto abaixo), banda desbocada em teste para ver se é contratada pela gravadora de Richie. O Nasty Bits, na real, usa músicas feitas por Lee Ranaldo, ex-guitarrista do Sonic Youth. Em “Vinyl”, a banda por trás de James Jagger é formada pelos caras da indie Beach Fossils, do Brooklyn.

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Tem muito mais referências em “Vinyl” que um simples post pode comportar. Quem é o menino que faz o Jerry Lee Lewis naquele inserto de “Breathless”?

Ah, quer ouvir como ficou os Carpenters em “Vinyl”, com a Aimee Mann?

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Quando Bowie encontrou Lou Reed. E quando Lou Reed não encontrou o Bowie

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Um pouco mais de Bowie & seus amigos, sim? Falamos há pouco como ele “resgatou” Iggy Pop da lama e ajudou o amigo a fazer um dos discos mais importantes do rock. Além de Iggy, Bowie chegou a fazer parcerias com vários artistas, sendo Mick Jagger, Queen e Lou Reed apenas alguns exemplos, er, básicos.

Destacamos esta última mais pela história deliciosa que levou ao (quase) encontro de Bowie e Reed que pela parceria musical em si.

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A anedota, digamos, foi contada pelo próprio Bowie em uma entrevista a Neil Strauss, no livro Everyone Loves You When You’re Dead – Journeys into Fame and Madness, que contém mais de 200 entrevistas realizadas pelo jornalista e escritor. Nele, Strauss destaca os melhores trechos de centenas de conversas com artistas da música, incluindo aí as circunstâncias e o contexto em quais elas aconteceram.

Abaixo, Bowie descreve seu primeiro grande encontro com seu então ídolo Lou Reed. Ou quase:

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>> O detalhe é que em uma nota de rodapé no livro, Neil Strauss ressalta que nem John Cale o Bowie deve ter encontrado, já que ele também havia deixado a banda na ocasião. De qualquer maneira, tivemos um final feliz. No ano seguinte, Bowie iria produzir “Transformer”, segundo disco solo de Lou Reed.

>> Lou Reed faleceu em outubro de 2013. Na época, Bowie publicou a foto que ilustra este post na home com a mensagem “Ele era um mestre”. Mais fotos da dupla abaixo.

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Lou+Reed,+Mick+Jagger+and+David+Bowie+hanging+out+together+at+Café+Royale,+1973+(3)

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