Em luedji luna:

Top 50 da CENA – Juçara Marçal agarra o topo lindamente. Nelson D só sobe. E Rei Lagarto pede lugar no pódio

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* Nada mais apropriado para o momento do que um recado tiro certo da Juçara Marçal. “Venham com fé conferir/ A derrota de quem com ferro feriu.” Precisa de mais alguma coisa? É nosso primeiro lugar incontestável nesta semana. Que ainda tem Nelson D subindo no ranking e direto de Salvador uma supermúsica de amor de Luedji Luna e as invencionices de Rei Lacoste. Tá bonito!

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1 – Juçara Marçal – “Crash” (Estreia)
Uau. Que pancada quase literal é este novo single da Juçara Marçal. Com letra do rapper Rodrigo Ogi e produção de seu superparceiro Kiko Dinucci, Juçara chega estraçalhando com aqueles que querem com ferro ferir. Além da letra certeira e sua interpretação para lá de inspirada, sonoramente este single aponta que o álbum “Delta Estácio Blues” vai trazer novos elementos para sua rica discografia, onde o experimentalismo mais de banda embarca em uma experimentação eletrônica. Na ansiedade, falamos em disco do ano. Vamos ver.

2 – Nelson D – “Toy Boy” (2)
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

3 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (Estreia)
Rei Lacoste é dos nomes mais inventivos da CENA de Salvador. Artista que estudou cinema antes de embarcar na música, ele escolhe o trap como elemento de sua exploração artística. Um pé no pop e outro pé em Glauber Rocha, sacou? Já no título deste som você já vê a brincadeira. Tutorial vem dos tutoriais da internet. E aprender a ser amado é uma bela inversão já que é mais fácil imaginar por aí um tutorial de como amar ou conquistar alguém e tal. Lacoste aprontou aqui.

4 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (Estreia)
As pessoas cobraram de Luedji uma música sobre seu filhote, o pequeno Dayo. Ela demorou, mas entregou a tal faixa, com participação do marido Zudzilla e produção na parceria pesada de Nave Beatz e Feijuca, dois excelentes nomes que já trabalharam com Emicida, Rael, Fióti e Rodrigo Ogi. É daquelas músicas para deixar todo mundo feliz, sorriso no rosto pela felicidade alheia. Um sentimento que o brasileiro parece querer deixar de canto e que a gente precisa retomar. Felicidade. Geral.

5 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (1)
Com larga experiência musical em apenas 17 anos de idade, Bebé Salvego apresenta em sua estreia em álbum uma originalidade e criatividade impressionantes. Entre as melhores músicas do disco, se destaca esta que ela escreveu, tocou e produziu praticamente sozinha, muito por incentivo dos seus produtores, entre eles Sérgio Machado, um dos melhores bateristas da CENA e que um dos trabalhos do álbum foi transformar Bebé em compositora. Veio dele o desafio de que ela fizesse um som sozinha de tudo. Olha, capaz que Bebé aposente todos os produtores no álbum seguinte. Brincadeira à parte, a mina de Piracicaba arrebenta.

6 – Marina Sena – “Me Toca” (3)
Por algum vacilo a gente já nao botou esta “Me Toca” aqui, em altos lugares. Mas ficamos vendo de longe esse hit da mineira Marina Sena, ex-Rosa Neon, abrir os caminhos para sua empolgante estreia solo, o disco “De Primeira”. De primeira, são vários potencias hits ali. Mas aproveitamos para fazer justiça ao primeiro enquanto já vemos alguns outros destaques surgindo (“Voltei Pra Mim” e “Pelejei” são superacertos e já estão cavando seus lugares no nosso ranking semanal).

7 – Majur – Ogunté (4)
Nesta bonita música com participação de Luedji Luna, a também baiana Majur homenageia Ogunté, “que é o nome da minha Iemanjá”, ela explica. Uma canção que fala sobre acreditar em algo que te potencialize, te dê segurança e força. Majur comenta que a mensagem vale para qualquer expressão de espiritualidade – uma mensagem para tempos de tanta intolerância religiosa.

8 – Fresno – “6h43 (Nem Liga Guria)” (Estreia)
“Inventário” será uma mixtape de material inédito que a Fresno tem guardado por aí. Mas a banda não está só jogando para o público coisa que estavam na gaveta. Eles estão dando para o trabalho uma cara de músicas completas, como se fosse para um disco mesmo. Caso dessa faixa que já tinha saído pelo projeto solo de Lucas, “Visconde”. Não é aquela canção que só tinha no Soundcloud e agora foi posta no Spotify de qualquer jeito. É uma versão completamente nova.

9 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (6)
Quem tá ligado no mundo da moda já conhece as gêmeas paulistanas Tasha e Tracie há um tempo. Elas ficaram famosas pelo blog “Expensive Shit”, onde ensinavam a se vestir bem sem gastar muita grana. No blog, elas também davam seu show de conhecimento com uma pesquisa sobre arte, cultura e som. Elas não rimavam quando apareceram pela primeira vez, mas eram do rap. Foi um toque do mestre racional Kl Jay que acertou esse detalhe. Ele as alertou que na cultura hip hop todos podem fazer a arte que quiserem. E elas resolverem investir nas rimas. E que belo investimento. Seu primeiro álbum, o recém-lançado “Diretoria”, é arrasador. E, no pique, são 22 minutos de ideia boa atrás de ideia boa. “Igual nós vocês quer viver/ Mas igual nós ‘cês não quer morrer”, “Nasci com a boca que elas compra”, “Pra ter o que você tem só precisa de um paicpague/ Pra fazer como eu faço; muita vivência de base”. São só alguns exemplos das boas linhas. A gente escolheu “Lui Lui” aqui no ranking, mas poderia ser qualquer um dos outros sons.

10 – Papangu – “Ave-Bala” (7)
Muito interessante o som metaleiro e progressivo dessa banda de João Pessoa, Paraíba. A gente que nem é tão versada nesse ramo sabe pelo menos reconhecer algo muito bem-feito – e tem um rolê conceitual muito bem construído ali, com referências à literatura brasileira, ao imaginário nordestino e ainda carrega um papo político sobre relações sociais e com a natureza que corre por fora da narrativa mais explícita da banda. Preste atenção nesses caras.

11 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (8)
12 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (10)
13 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (11)
14 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (12)
15 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (13)
16 – Giovanna Moraes – “Maluco Beleza” (9)
17 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (14)
18 – 1LUM3 – “Lovecrime” (15)
19 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (16)
20 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (17)
21 – GIO – “Sangue Negro” (18)
22 – Tuyo – “Turvo” (19)
23 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (20)
24 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (21)
25 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (22)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Rodrigo Amarante – “Maré” (23)
28 – Criolo – “Fellini” (22)
29 – Amaro Freitas – “Sankofa” (23)
30 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
31 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
32 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
33 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
34 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
35 – Jadsa – “Mergulho” (34)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
38 – Yung Buda – “Digimon” (40)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Luedji Luna e Zudizilla celebram o filho, Dayo, na nova “Ameixa”

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* Músicas que festejam filhos são um clássico do pop. Sem investigar muito, lembramos aqui de duas pérolas: “Beautiful Boy”, do John Lennon, e a incrível “Isn’t She Lovely”, do Stevie Wonder. O casal Luedji Luna e Zudizilla sentiu a mesma necessidade de fazer uma canção para Dayo, seu filho, que completa seu primeiro aninho. E daí nasceu “Ameixa”, a canção, sobre a fruta favorita dele.

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Na verdade, Luedji foi até cobrada pela música, mas resolveu escrever ela em seu tempo: “No início da maternidade as pessoas me perguntavam muito se havia feito uma canção para ele, se meu novo disco era sobre maternidade, mas até então não havia feito nada nesse sentido. ‘Ameixa’ nasce também para atender essa expectativa do público. Como a cantora ainda não fez uma música para o filho? Vai ser a primeira de muitas”.

A canção é de Luedji com Marissol Mwaba. O rapper Zudizilla participa com suas rimas, lógico. Na produção, outra dupla de peso: Nave Beatz (Karol Conká, Emicida, Marcelo D2) e Júlio Fejuca (Emicida, Rael, Fióti, Xênia França). O vídeo foi dirigido por Joyce Prado.

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* A imagem do casal e do filho que ilustra a chamada para este post na home da Popload é de Helena Salomão.

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Top 50 da CENA – GIO, muito prazer em “conhecer”, fatura o topo do Top. E o Brasil novo da Lupe de Lupe pega o segundo lugar, em semana movimentada e cheia de mudanças

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* Uma semana de artistas tão queridos por nós lançando coisas especiais é uma semana e tanto. Mais uma vez chegamos com o top 5 totalmente renovado e com essa característica peculiar: nada de novatos desta vez. Apenas uma turma mais experiente experimentando novos projetos, novos nomes ou mesmo mandando um álbum com o ~polêmico~ título de “Lula”…

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1 – GIO – “Nebulosa” (Estreia)

O baiano ex-Giovani Cidreira chega bem alto por aqui com a bonitaça e recém-lançada “Nebulosa”, canção sua com a conterrânea Jadsa no rolê. “Nebulosa” chega dentro de um projeto que Cidreira está iniciando, que envolve um novo álbum, uma websérie que acontece nesta quarta e até uma mudança de nome para GIO, já adotado por aqui e nome com o qual ele já assinava outros trabalhos. “Nebulosa”, que vai estar no álbum “Nebulosa Baby”, a sair em junho, ainda traz a marca da não convencionalidade sonora que marca o ex-Cidreira, mas com um ar moderno e em voga com um pop meio melancólico e para cima ao mesmo tempo. Esta semana é dele.

2 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (Estreia)

Esperta, achamos, a sacada dos mineiros da Lupe de Lupe de nomear seu novo álbum, uma reflexão sobre o Brasil, de “Lula”. Que personagem da nossa história consegue reunir nosso melhor e nossas contradições? Ao nomear cada música como uma cidade, neste disco que acaba de ser lançado, a banda percorre este país como o ex-presidente percorreu algumas vezes atrás não só de respostas, mas de questões. Por que no Brasil tem moleques tocando pensando som em uma formatação gringa que é a banda punk, guitarra, baixo e bateria? E quanto eles produzem um som que só poderia ser brasileiro? Isso para ficar em uma das muitas questões. Um disco irregular, mas muito bom quando é bom, que é para ser absorvido devagar. Até porque ele é um tanto longo para os padrões atuais, quase uma hora. Mas vale prestar atenção quando artistas tão atentos e cuidadosos preparam algo com essa ambição.

3 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (Estreia)
Em 2017, o trio se reuniu em torno de letras de Nuno Ramos, que por sua vez foi inspirado em uma obra de Camus para os “Sambas do Absurdo”. E agora Campos&Marçal&Amabis voltam com “Sambas do Absurdo II”, a partir deste single que tem letra de Rómulo Froes e indica que no álbum não teremos a ideia do primeiro disco com músicas com o mesmo título. Atenção para os próximos passos do trio e também pelo álbum solo da Juçara, que já está prometido para breve. Turma muito boa.

4 – Zé Manoel – “Como?” (Estreia)
Não é segredo o quanto amamos o som do Zé Manoel e em especial seu disco mais recente, “Do Meu Coração Nu”. Quando esse álbum ganha para sua edição em LP uma faixa extra, é bem lógico que provavelmente a gente passe a amar essa faixa tanto quanto todas do álbum. E foi o que rolou. Em “Como?”, Zé regrava uma composição do gaúcho Luís Vagner conhecida na voz do pernambucano Paulo Diniz. Belíssima versão. Nos ganhou facinho.

5 – Os Amantes – “Linda” (Estreia)
Promete esse grupo formado pelos paraenses Jaloo e a dupla da Strobo (Arthur Kunz e Léo Chermont). Com um lançamento pontual lá em 2019, eles estão de volta de olho no primeiro álbum. Já são dois singles, “Batismo” e “Linda”, a mais recente e dona de um balanço e potência que não estranhe se ela furar a bolha mais alternativa e alcançar novelas e demais programas de televisão. A gente fica na torcida para essa música ser grande, do tamanho dela.

6 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (1)
Em seu sexto diário de bordo, uma série de músicas onde Rashid opta por longos textos sem refrões para dar uma situada na sua vida pessoal e ao seu redor, de seu bairro a todo o seu país. A mira está, principalmente, na escalada de violência recente vista na atuação do governo na pandemia e em outras frentes. “Porque esse governo de morte foi o atalho pra bandeira ficar vermelha/ Do sangue do povo”, versa Rashid, que ainda conta aqui com o apoio do músico Chico César. São 5 minutos só de punchlines certeiras.

7 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (2)
Um música outonal com verão no título. Uma música que parece triste, mas não é, com uma letra que parece amargurada, mas não é. A cantora paulistana Isabel Lenza a considera “debochada”, para alguém que quer o perdão dela, mas não faz nada para merecê-lo. E é assim que começamos a conhecer “Véspera”, futuro segundo álbum de Lenza, quatro anos após a sua estreia.

8 – Rodrigo Amarante – “Maré” (3)
Em sua segunda aventura solo, o hermano mais atirado na carreira reaparece em “Maré”, com uma sonoridade ensolarada que lembra os verões iluminados de seu projeto Little Joy, um aspecto que ele deixou meio de canto em seu primeiro disco sozinho. No papo da música, reflexões “sobre como o desejo, nossos sonhos e pesadelos moldam nosso destino, a graça e o terror disso”. A maré que leva é a maré que traz, ele canta. Quem sabe se a gente não sonhar melhor, agir melhor, as coisas não mudam?

9 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (4)
Dos nossos rappers mais atentos, Rincon se atualiza em um som que tem toque de funk e fala de moto. Ele está de olho em uma tendência forte no funk atual que é o “consciente”, que não aborda tanto sexo, mas fala de superação, encarar problemas sociais e outros dilemas das quebradas brasileiras, aproximando o gênero do rap, uma união antiga que ficou de lado por uns tempos, mas vem sendo retomada. Rincon está ajudando nessa ponte.

10 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (5)
A nova canção de Saulo Duarte com participação de Luedji nos vocais e metais certeiros da turma do Bixiga 70 é uma inspirada mensagem de que a mudança, um novo dia e toda energia para ele está em nós. Que esperança e força só podem partir de dentro de nós. É desse nascer do sol que ele canta aqui, após identificar em pequenos detalhes mensagens poderosas que lhe trazem saudade, ancestralidade, africanidade e verdade.

11 – Anitta – “Girl from Rio” (6)
12 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (7)
13 – Lupe de Lupe – “Coromandel” (8)
14 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (9)
15 – Salma e Mac – “Amiga” (10)
16 – Yung Buda – “Digimon” (11)
17 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (12)
18 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (13)
19 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (14)
20 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (15)
21 – FEBEM – “Crime” (16)
22 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (17)
23 – Boogarins – “Supernova” (18)
24 – Moons – “Love Hurts” (19)
25 – BaianaSystem – “Brasiliana” (20)
26 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (21)
27 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (22)
28 – Jair Naves – “Vai” (23)
29 – FEBEM – “México” (24)
30 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (25)
31 – Carmem Red Light – “Faith No More” (26)
32 – Jadsa – “Olho de Vidro” (27)
33 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (28)
34 – Yannick Hara – “Raça Humana” (30)
35 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (31)
36 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (34)
37 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (36)
38 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (37)
39 – FBC – “Gameleira” (38)
40 – Mbé – “Aos Meus” (40)
41 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (41)
42 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (42)
43 – Djonga – “Eu” (43)
44 – LEALL – “Pedro Bala” (44)
45 – Filipe Ret – “F* F* M*” (45)
46 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (46)
47 – Ale Sater – “Peu” (47)
48 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
49 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do GIO (ex-Giovani Cidreira).
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – A hora e a vez de Rashid falar. Isabel Lenza trazendo o verão no outono. Rodrigo Amarante e o leva-e-traz da maré. É esse o top, puxando outras 47 outras belezas

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* Semana de responsa na CENA brasileira (como se alguma outra não fosse, na fase atual…). Ainda que a gente não tenha revirado muito a nossa lista, estamos vindo com cinco novidades que tomam todo o espaço do top 5, em uma luta árdua pelo primeiro lugar. Tem rap pesado, som que parece triste e não é, um novo balanço de um velho hermano, o aceno do Rincon para o “funk de moto” e uma belíssima reflexão de força de um rapaz da bela Belem do Pará. Aproveitamos para deixar um salve muito grande para o grande Cassiano. Obrigado por muito.

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1 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (Estreia)
Em seu sexto diário de bordo, uma série de músicas onde Rashid opta por longos textos sem refrões para dar uma situada na sua vida pessoal e ao seu redor, de seu bairro a todo o seu país. A mira está, principalmente, na escalada de violência recente vista na atuação do governo na pandemia e em outras frentes. “Porque esse governo de morte foi o atalho pra bandeira ficar vermelha/ Do sangue do povo”, versa Rashid, que ainda conta aqui com o apoio do músico Chico César. São 5 minutos só de punchlines certeiras.

2 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (Estreia)
Um música outonal com verão no título, uma música que parece triste mas não é, com uma letra que parece amargurada, mas não é. A cantora paulistana Isabel Lenza a considera “debochada”, para alguém que quer o perdão dela, mas não faz nada para merecê-lo. E é assim que começamos a conhecer “Véspera”, segundo álbum de Lenza, quatro anos após a sua estreia.

3 – Rodrigo Amarante – “Maré” (Estreia)
Em sua segunda aventura solo, o hermano mais atirado na carreira reaparece em “Maré”, com uma sonoridade ensolarada que lembra os verões iluminados de seu projeto Little Joy, um aspecto que ele deixou meio de canto em seu primeiro disco sozinho. No papo da música, reflexões “sobre como o desejo, nossos sonhos e pesadelos moldam nosso destino, a graça e o terror disso”. A maré que leva é a maré que traz, ele canta. Quem sabe se a gente não sonhar melhor, agir melhor, as coisas não mudam?

4 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (Estreia)
Dos nossos rappers mais atentos, Rincon se atualiza em um som que tem toque de funk e fala de moto. Ele está de olho em uma tendência forte no funk atual que é o “consciente”, que não aborda tanto sexo, mas fala de superação, encarar problemas sociais e outros dilemas das quebradas brasileiras, aproximando o gênero do rap, uma união antiga que ficou de lado por uns tempos, mas vem sendo retomada. Rincon está ajudando nessa ponte.

5 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (Estreia)
A nova canção de Saulo Duarte com participação de Luedji nos vocais e metais certeiros da turma do Bixiga 70 é uma inspirada mensagem de que a mudança, um novo dia e toda energia para ele está em nós. Que esperança e força só podem partir de dentro de nós. É desse nascer do sol que ele canta aqui, após identificar em pequenos detalhes mensagens poderosas que lhe trazem saudade, ancestralidade, africanidade e verdade.

6 – Anitta – “Girl from Rio” (1)
A esta altura talvez tudo já tenha sido dito sobre a música da Anitta. Mas tem um lance em a gente destacar alto ela aqui e ter citado ela no top 10 Gringo. Na lista gringa ressaltamos a sacada em conquistar o mundo. Aqui, nosso olhar é sobre a CENA brasileira. Anitta pensa em multidões, sabe que seus passos ressoam mais do que o dos demais. E em “Girl from Rio” dá seu pitaco na discussão que ronda o funk ser ou não uma música tão sofisticada quanto os outros estilos, o que nos traz de volta à discussão do Grammy+Cardy B. Por isso a provocação em se apropriar da nossa bossa nova mais popular da história. A própria bossa nova, que passou por um longo processo de elitização que a deixou muito mais branca do que é de fato, é um exemplo do que o racismo e elitismo no Brasil dão conta de fazer com a nossa cultura. Ela ser uma arma dessa mesma elite contra o funk é a prova disso. Nada mais justo que a Anitta pegar e dizer: “Ei, esse Tom Jobim é meu, na real”. Ainda que a música talvez tem suas questões problemáticas no discurso e no próprio vídeo, que vende uma sociabilidade que está em cheque no Brasil contaminado atual, a provocação está lá e é bem válida. Este som já nasceu clássico.

7 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (2)
Deu muito certa a união de Bertoni com a cantora fora-da-curva Giovanna Moraes. Amigos pelas redes sociais inicialmente, aqui eles parecem parceiros das antigas, tal a conexão nas vozes e na letra – que é dela, mas soa muito verdadeira na voz dele. A música, muuuuito bonita e bem construída, ainda ganha pontos pelos diferentes climas que consegue criar, chegando até a ficar bem abstrata antes de voltar ao “normal” – como um nó que se desfaz para ser refeito.

8 – Lupe de Lupe – “Coromandel” (3)
A banda mineira Lupe de Lupe adotou um jeito curioso de divulgar seu novo álbum. Cada single tem como destaque um membro da banda na voz. Logo, são cinco singles que antecedem a chegada do novo álbum, “Trator”, logo mais. Esse mais recente single, o último também, coloca no vocal o baterista da banda, Cícero Nogueira, em uma letra escrachada e que nos leva até um dos solos mais divertidos do ano. Que barulheira boa. O Pavement ou o Weezer do começo ficariam orgulhosos, desde que eles não ligassem para a letra.

9 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (4)
Astronauta Pinguim, Clegue França, Laura Wrona e Júpiter Apple formaram a The Apple Sound, a banda paulistana de Jupiter. Talvez você nunca tenha ouvido falar, porque esse quarteto durou apenas três shows em 2009. “Cerebral Sex”, único registro deles em estúdio, foi revelada pelo diretor de vídeos André Peniche, amigo do músico gaúcho, que já tinha ajudado na descoberta do disco solo perdido dele.

10 – Salma e Mac – “Amiga” (5)
O casal da famosa banda goiana Carne Doce se apresenta agora de maneira intimista, dupla voz e violão. A ideia dos dois é apresentar as canções que compõem juntos na forma como surgem, com a suavidade íntima que depois viraria barulhinho bom na banda. Se nesse caldo vem novidades ainda não está claro, por agora resgataram a já linda amiga, lançada em 2016 no disco “Princesa”, com a promessa de vir mais por aí. E logo.

11 – Yung Buda – “Digimon” (6)
12 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (7)
13 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (8)
14 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (9)
15 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (10)
16 – FEBEM – “Crime” (11)
17 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (12)
18 – Boogarins – “Supernova” (13)
19 – Moons – “Love Hurts” (14)
20 – BaianaSystem – “Brasiliana” (15)
21 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (16)
22 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (17)
23 – Jair Naves – “Vai” (18)
24 – FEBEM – “México” (19)
25 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (20)
26 – Carmem Red Light – “Faith No More” (21)
27 – Jadsa – “Olho de Vidro” (22)
28 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (23)
29 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (24)
30 – Yannick Hara – “Raça Humana” (25)
31 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (26)
32 – Uana – “Mapa Astral” (27)
33 – Mayí – “Sedenta” (28)
34 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (29)
35 – Jadsa – “Sem Edição” (30)
36 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (31)
37 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (32)
38 – FBC – “Gameleira” (33)
39 – Rico Dalasam – “Última Vez” (34)
40 – Mbé – “Aos Meus” (37)
41 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (37)
42 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (39)
43 – Djonga – “Eu” (40)
44 – LEALL – “Pedro Bala” (41)
45 – Filipe Ret – “F* F* M*” (43)
46 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (44)
47 – Ale Sater – “Peu” (46)
48 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
49 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do Rashid.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Popnotas – Luedji Luna encontra o Tiny Desk que encontrou o Afropunk. A H.E.R. e o Oscar. A H.E.R. e o single novo. A “Lady” do Marvet. E a pistolada do sex pistol

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– CENA – Um delicioso episódio especial da plataforma de shows apertadinhos Tiny Desk foi ao ar sexta, envolvendo a marca Afropunk, famoso selo de mobilizações musicais ligado à cultura negra. Rolou o “Tiny Desk Meets Afropunk“, com uma série de apresentações por quase uma hora de duração, com uma escalação que tinha o trio colombiano ChocQuibTown, a cantora portuguesa de 18 anos Nenny, a porto-riquenha Calma Carmona e a brasileira Luedji Luna (foto na home). A cantora baiana, amiga de Popload Festival, foi a terceira a ter sua performance de três músicas mostrada. Toda de vermelho, dela rolaram “Lençois”, “Erro” e “Chororô”, começando pouco depois do minuto 27.

– Na parte que nos toca deste Oscar 2021, teve a incrível Glenn Close fazendo twerking, o Trent Reznor e o Atticus Ross ganhando por melhor trilha sonora com “Soul” e o longa “Som do Siléncio” ganhar por “melhor som” muito pela ausência de som e pelo ator Riz Ahmed usar no filme a camiseta do histórico grupo de noise alemão Einstürzende Neubauten, com fortes ligações com o Nick Cave. E teve também a pomposa performance na cerimônia da ótima H.E.R., nome de “guerra” da californiana com traços de sangue filipino Gabriella Wilson, 23 anos. Foi num evento do Oscar transmitido antes da premiação em si. H.E.R. acabou levando a estatueta de melhor canção original pelo filme “Judas e o Messias Negro”, de Shaka King. E, em sua apresentação, para variar, ela começa a música, que fez especialmente para o filme, tocando bateria.

H.E.R., parte dois. A oscarizada cantora filipino-americana, que já tocou no Rock in Rio e no Super Bowl, lançou sexta passada uma música nova, “Come Through”, com participação do rapper, dançarino, ator e amigo Chris Brown. A música, um R&B preguiçosamente gostoso, deve compor o próximo disco da cantora, que em 2019 lançou seu último disco, o campeão “I Used to Know Her”. Que fase da H.E.R.

CENA – Nesta terça-feira o carioca Marvet lança o single “Lady”, parte de uma série de movimentações suas chamada “Projeto Três Rios”, para chamar a atenção para a cena artística de sua cidade, que fica no interior do Rio de Janeiro. Já temos o vídeo oficial da música aqui.. Três Rios fica na região de Petrópolis e é um conhecido polo cultural e arquitetônico. “Lady” é o segundo single de um álbum a ser lançado em 11 de maio, exatamente com o nome de “Três Rios”. O disco, gravado ao vivo, tem a produção do conhecido cantor alagoano Wado. Dentro desse “Projeto Três Rios”, além do disco, Marvet colocará no ar, via Youtube, um documentário que abordará não só seu primeiro trabalho solo mas também a cena de Três Rios, com o foco em artistas e produtores locais.

– Treta à vista no seriado dos Sex Pistols que está sendo filmado, com previsão de exibição ainda para este ano (Netflix?). Dirigida por Danny Boyle (“Trainspotting”) e com o nome de “Pistol”, a produção de seis episódios está sendo ameaçada de parar por ninguém menos do que o “trumpista” e ex-vocalista dos Pistols, o podrão Johnny Rotten, ou John Lydon, como queira. Em entrevista à edição de domingo do jornalaço inglês “The Times”, Lydon, trumpista assumido (ok, não vem ao caso. Não?) disse que não foi consultado para ser um consultor (né?) da série, contratado e tals, e achou isso uma afronta. E promete entrar na justiça contra Boyle. Por sua vez, o diretor escocês soltou comunicado dizendo que Lydon não retornou suas últimas mensagens, tentando contado com o pistola dos Pistols. A série é baseada no livro de memórias do ex-guitarrista da banda, Steve Jones, o “Lonely Boy – Tales from a Sex Pistol”, de 2016, lançada dentro das comemorações de 40 anos do punk.

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