Em luiza brina:

Top 50 da CENA – Céu chega ao céu. FBC emplaca outra. Papo reto de Coruja BC1 vai ao pódio

1 - cenatopo19

* A cada semana a gente tenta surpreender. Uma coisa que fica fácil tendo a CENA brasileira como material de trabalho. Então, é assim: um Top 50 que tem em primeiro lugar uma composição de um dos maiores: João Gilberto. Sim, João chega ao topo do nosso ranking indie pela voz de Céu, que teve a manha de selecionar uma rara composição do baiano para ser relida em seu primeiro álbum exclusivamente de interprete. Na lista, ainda cabe pós-punk indie, pop de uma ex-BBB e um trampo que resgata a sonoridade do funk consciente das antigas. Olha a versatilidade da música brasileira atual!

ceutopquadrada

1 – Céu – “Bim Bom” (Estreia)
Em seu disco de interprete, “Um Gosto de Sol”, Céu apresenta sua visão para uma ampla gama de composições que marcaram sua vida. Canções que você conheceu através de Fiona Apple, Rita Lee, Revelação, Nina Simone. Se destaca a aventura por uma das raras composições de João Gilberto, a balançada (e até pouco lembrada, já que ganhou poucos covers) “Bim Bom”.

2 – FBC – “Se Tá Solteira” (Estreia)
Voltamos a dar um superdestaque para a sacada genial da dupla FBC e VHOOR em usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô para criar uma nova gama de hits. Ao recuperar que funk e rap têm um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos, FBC talvez tenha não só feito um belo trabalho de resgate cultural como também acertado potenciais grandes hits – “Se Tá Solteira” tem cara de que vai explodir no Tik Tok, se é que já não explodiu.

3 – Coruja BC1 – “Aconteceu (part. Larissa Luz)” (Estreia)
“E a quem diz fechar com gueto nos publi do Instagram/ E nos bastidores negocia com membros da Ku Klux Klan.” Esse é só um dos muitos bons versos de “Aconteceu”. No bom “Brasil Futurista”, novo álbum do rapper Coruja, aqui é a hora em que ele, bem acompanhado por Larissa Luz, mira na turma que se engaja na luta antirracista das maneiras mais tortas possíveis atrasando a luta. “No mundo virtual todo mundo é desconstruído”, ele avisa. Um papo necessário em tempos onde muitas ações parecem mais questão de relações-públicas do que mudanças efetivas de problemas sérios.

4 – Fresno – “Casa Assombrada” (1)
“Vou Ter Que Me Virar” parece ser a segunda parte de uma trilogia que a Fresno começou em 2019 com “sua alegria foi cancelada”. Palavra do próprio Lucas, vocalista da banda. Se a primeira parte parecia adivinha o que vinha pela frente no Brasil arrasado por um governo terrível, a segunda parte se balança entre momentos de esperança e outros nem tanto assim, como é o dia comum de um brasileiro. Na nova coleção de boas músicas, o primeiro destaque é esse olhar para dentro que Lucas lança a partir de suas experiências na terapia. É quase uma música que revê muitas outras músicas da Fresno (“Desculpa por eu sempre ser assim/Uh, terceirizando a minha dor/Confundindo carência com amor”). Não é todo artista que tem a manha de se criticar tão abertamente na própria obra.

5 – Duda Brack – “Oura Lata” (2)
De Porto Alegre, Duda arrebenta em seu segundo álbum. Entre tantos bons momentos, vale a redescoberta que ela lança aqui ao sacar uma bela música de Alzira E e Itamar Assumpção em arranjo meio “Rubber Soul”. Coisa linda.

6 – Wry – “Where I Stand” (Estreia)
Se tem uma banda que não falha na entrega, essa é o Wry. Na retomada dos sorocabanos, que já tinha rendido um álbum ano passado, eles voltam em 2021 com toda a força em um álbum de inéditas de configuração um pouco não usual. Ainda que tenha sido gravadas agorinha, todas as canções são composições que ficaram pelo caminho na trajetória da banda – aquelas que ficavam no quase a cada álbum e EP.

7 – Manu Gavassi – “Gracinha (part. Tim Bernardes e Amaro Freitas)” (Estreia)
Em seu novo álbum, Manu Gavassi reúne Amaro Freitas, um dos maiores pianistas brasileiros e dono de um dos discos do ano, e Tim Bernardes, dO Terno, para uma música sua. Resultado: pop em alto nível. Se você costuma torcer o nariz ao se aventurar por álbuns mais pops, considere dar uma escutada aqui e reavaliar as coisas.

8 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (Estreia)
E-mails que não ganham resposta, insônia após um dia de trabalho exaustivo, FOMO e outras questões modernas. A sociedade do cansaço ganhou um hino nessa parceira das três compositoras. Nas palavras da Sara, “um pop cansado com pé no pagodão baiano”.

9 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (3)
Vuto é um rapper de Salvador que a gente acabou de descobrir e já está de cara. Habilidoso na escrita, na batida e no flow. Tudo é bem original e marcante. Fiquem espertos com o som dele.

10 – Primitivo – “Pretos de Classe como Marighella (part. THC das Ruas e Camarada Janderson)” (4)
Repara, as menções a Marighella no rap nacional explodem a partir do momento em que Mano Brown resolve dar sua versão da história do baiano. Da citações posteriores a do Brown é difícil encontra outra que honre tanto seu legado quanto a menção dessa turma, que realmente propõe uma revolução brasileira na letra. Música só no Youtube, por enquanto.

11 – Gab Ferreira – “Karma” (5)
12 – Serapicos – “Caminhei, Caminhei, Caminhei” (6)
13 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (9)
14 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (10)
15 – Jennifer Souza – “Amanhecer” (11)
16 – brvnks – “as coisas mudam” (12)
17 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (13)
18 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (15)
19 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (16)
20 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (17)
21 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (18)
22 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (19)
23 – Alice Caymmi – “Serpente” (21)
24 – Juçara Marçal – “Ladra” (22)
25 – Criolo – “Cleane” (23)
26 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (26)
27 – Marina Sena – “Pelejei” (27)
28 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
29 – Liniker – “Mel” (29)
30 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
33 – Majur – Ogunté (33)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
35 – GIO – “Sangue Negro” (35)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
42 – Jadsa – “Mergulho” (42)
43 – FEBEM – “Crime” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

****

****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Céu.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>

Top 50 da CENA – Que disco é esse, Fresno? Que disco é esse, Duda Brack? E aí chega o Vuto e pá!

1 - cenatopo19

* Aqui na nosso querido ranking brazuca a gente teve semanas de olhar para artistas mais velhos. E tem semanas como esta, que está recheada de jovens artistas – Vuto, Primitivo, Gab Ferreira. E, mesmo que Fresno e Duda Beat não sejam exatamente novatos da CENA, brilha em seus trabalhos recentes um frescor e pique de quem está começando. Já se ligaram nas novidades da melhor CENA do mundo? Chega na nossa playlist.

top50quadrado

1 – Fresno – “Casa Assombrada” (Estreia)
“Vou Ter Que Me Virar” parece ser a segunda parte de uma trilogia que a Fresno começou em 2019 com “sua alegria foi cancelada”. Palavra do próprio Lucas, vocalista da banda. Se a primeira parte parecia adivinha o que vinha pela frente no Brasil arrasado por um governo terrível, a segunda parte se balança entre momentos de esperança e outros nem tanto assim, como é o dia comum de um brasileiro. Na nova coleção de boas músicas, o primeiro destaque é esse olhar para dentro que Lucas lança a partir de suas experiências na terapia. É quase uma música que revê muitas outras músicas da Fresno (“Desculpa por eu sempre ser assim/Uh, terceirizando a minha dor/Confundindo carência com amor”). Não é todo artista que tem a manha de se criticar tão abertamente na própria obra.

2 – Duda Brack – “Oura Lata” (Estreia)
De Porto Alegre, Duda arrebenta em seu segundo álbum. Entre tantos bons momentos, vale a redescoberta que ela lança aqui ao sacar uma bela música de Alzira E e Itamar Assumpção em arranjo meio “Rubber Soul”. Coisa linda.

3 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (Estreia)
Vuto é um rapper de Salvador que a gente acabou de descobrir e já está de cara. Habilidoso na escrita, na batida e no flow. Tudo é bem original e marcante. Fiquem espertos com o som dele.

4 – Primitivo part. THC das Ruas e Camarada Janderson – “Pretos de Classe como Marighella” (Estreia)
Repara, as menções a Marighella no rap nacional explodem a partir do momento em que Mano Brown resolve dar sua versão da história do baiano. Da citações posteriores a do Brown é difícil encontra outra que honre tanto seu legado quanto a menção dessa turma, que realmente propõe uma revolução brasileira na letra. Música só no Youtube.

5 – Gab Ferreira – “Karma” (Estreia)
A vibe é quase Top 10 Gringo, mas Gab é de Santa Catarina (ou atualmente quase paulistana). “Karma” é o primeiro single de sua nova mixtape, três anos após sua estreia em “Lemon Squeeze”. Agora parte da Balaclava, um dos selos mais responsas do país, é ver o que ela vai aprontar no futuro próximo. Pelo pacote inteiro, música e vídeo, promete.

6 – Serapicos – “Caminhei, Caminhei, Caminhei” (Estreia)
É muito especial o olhar bem-humorado que Serapicos traz em suas canções. Você vai se pegar sorrindo em alguns momentos tamanho acerto e verve. Aqui ele apresenta uma visão nada convencional do que seria o céu – um ambiente com péssimas condições de trabalho, uma suposta “liberdade” de imprensa e altos níveis de depressão. E o arremate é outra piada, lógico: “Só imagina como o inferno deve ser”.

7 – FBC e VHOOR – “Delírios (feat. Djair Voz Cristalina)” (1)
A sacada de usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô, que inspiraram o mineiro FBC na sua adolescência, funciona bem demais por aqui, lembrando que funk e rap tem um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos. É uma mudança na carreira do rapper e tem cara de hit daqueles que furam a bolha do gênero. A gente aposta nisso.

8 – Luiza Brina e Ana Frango Elétrico – “Somos Só” (2)
E Luiza Brina continua convidando colegas para relerem canções de sua estreia solo, “A Toada Vem É pelo Vento”, que completa 10 anos. E que parceria é esta, com a Ana Frango! Pela semelhança das vozes, até parecem que elas não são sós, mas são uma só.

9 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (3)
A grande jornalista e radialista Debora Pill escreveu sobre esse novo single de Alessandra, que antecipa seu próximo álbum, “Acesa”. “É escolha subversiva pelo sim. E pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Uau. Fica até difícil escrever algo depois disso, A potência poética de Alessandra está nessa opção por valorizar o corpo pulsante como estratégia de sobrevivência, como ela escreveu em seu Instagram. Aliás, Instagram onde encontramos outra bela frase dela: “Nesse meu corpo/ Sou quem fui e quem serei”

10 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (4)
Projeto de Jadsa e João Milet, o Taxidermia avisou que logo vem o “Outro Volume”, sequência do trabalho lançado pela dupla no ano passado. Nesse próximo disco vai ter uma faixa que chama Taxidermia e que tem uma letra em diálogo direto com este single. Seria a versão punk dela? Se a gente entendeu alguma coisa errada, João e Jadsa, avisem a gente. Em todo caso, gostamos do que ouvimos.

11 – Jennifer Souza – “Amanhecer” (5)
12 – brvnks – “as coisas mudam” (6)
13 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (7)
14 – Jadsa – “Run, Baby” (8)
15 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (9)
16 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (10)
17 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (11)
18 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (15)
19 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (16)
20 – Céu – “Chega Mais” (17)
21 – Alice Caymmi – “Serpente” (18)
22 – Juçara Marçal – “Ladra” (19)
23 – Criolo – “Cleane” (20)
24 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (21)
25 – Sant – “Prantos” (22)
26 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (23)
27 – Marina Sena – “Pelejei” (24)
28 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
29 – Liniker – “Mel” (29)
30 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
33 – Majur – Ogunté (33)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
35 – GIO – “Sangue Negro” (35)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
42 – Jadsa – “Mergulho” (42)
43 – FEBEM – “Crime” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o trio Fresno.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>

Top 50 da CENA – FBC leva o topo para o rap e para Minas Gerais. Luiza Brina “duela” com Ana Frango Elétrico. Alessandra Leão acende o novo álbum

1 - cenatopo19

* Semana de boa renovação no nosso Top 50. Ou pelo menos do top 10 dentro do Top 50. Minas, Pernambuco, Bahia, Goiás/São Paulo. Vamos passeando pelo Brasil atrás das melhores coisas que a nossa CENA anda fazendo nestes dias. E fica até a pergunta: estamos esquecendo de algum estado neste panorama semanal? Tem alguém ficando de lado? Reclamem nos comentários que vamos corrigir qualquer problema desse tipo. O país é grande e o trabalho em dupla tem suas limitações, ainda que os amigos estejam sempre escrevendo. Vamos garantir a manutenção da melhor playlist para acompanhar a CENA. Bora então para a destes últimos dias

fbctop50quadrada


1 – FBC e VHOOR – “Delírios (feat. Djair Voz Cristalina)” (Estreia)
A sacada de usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô, que inspiraram o mineiro FBC na sua adolescência, funciona bem demais por aqui, lembrando que funk e rap tem um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos. É uma mudança na carreira do rapper e tem cara de hit daqueles que furam a bolha do gênero. A gente aposta nisso. Tanto que olha onde ele veio parar.

2 – Luiza Brina e Ana Frango Elétrico – “Somos Só” (Estreia)
E Luiza Brina continua convidado colegas para relerem canções de sua estreia solo, “A Toada Vem É Pelo Vento”, que completa 10 anos. E que parceria é esta, com a Ana Frango! Pela semelhança das vozes, até parecem que elas não são sós, mas são uma só.

3 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (Estreia)
A grande jornalista e radialista Debora Pill escreveu sobre esse novo single de Alessandra, que antecipa seu próximo álbum, “Acesa”. “É escolha subversiva pelo sim. E pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Uau. Fica até difícil escrever algo depois disso, A potência poética de Alessandra está nessa opção por valorizar o corpo pulsante como estratégia de sobrevivência, como ela escreveu em seu Instagram. Aliás, Instagram onde encontramos outra bela frase dela: “Nesse meu corpo/ Sou quem fui e quem serei”

4 – Taxidermia – “Taxidermia Punk”
Projeto de Jadsa e João Milet, o Taxidermia avisou que logo vem o Outro Volume, sequência do trabalho lançado pela dupla no ano passado. Nesse próximo disco vai ter uma faixa que chama Taxidermia e que tem uma letra em diálogo direto com este single. Seria a versão punk dela? Se a gente entendeu alguma coisa errada, João e Jadsa, avisem a gente. Em todo caso, gostamos do que ouvimos.

5 – Jennifer Souza – “Amanhecer” (Estreia)
“Sorte eu te encontrar” é um verso que se repete na bonita e climática canção da mineira Jennifer Souza, que talvez você conheça da carreira solo ou das bandas Tranmissor ou Moons. Quem ainda não teve a sorte de escutar a delicada voz da Jennifer tem sua chance, enfim. Dos mais belos trabalhos que escutamos neste ano, sem dúvida.

6 – brvnks – “as coisas mudam” (Estreia)
E a brvnks segue apresentando sua nova fase, cheia de mudanças. A mais perceptível é que temos Bruna agora em português nos vocais – ela já tinha escrito um título de música em português, mas a letra não era. As coisas mudam, e como a própria Bruna escreveu no Instagram, “ainda bem”.

7 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (1)
Nus já na capa. E que capa. Jards e João. João e Jards. Juntos. Pela primeira vez. Em músicas inéditas, essa parceria de homens de diferentes gerações parece que sempre existiu. É uma sensação que bate de cara: “Jards e João? Escutei tudo”, como se já existissem vários álbuns da dupla. Tudo soa natural, belo e pronto por aqui. É a habilidade dos dois mestres. “Côco Táxi”, por exemplo, é um veículo cubano que ambos usaram em diferentes momentos da vida em visitas a Cuba. É a metáfora perfeita para o álbum.

8 – Jadsa – “Run, Baby” (Estreia)
Uma das crítica mais fortes e diretas de “Olho de Vidro” está em “Run, Baby”, onde Jadsa (olha ela de novo aqui no Top 50, hoje!) aborda a apropriação das religiões de matriz africana por brancos que se apegam à cultura sem profundidade e comprometimento. Ainda que crítica, a música é da doçura de um conselho. Resgatamos ela aqui, porque acabou de sair um belo vídeo dela com roteiro de Jadsa em parceria com Rei Lacoste, que já esteve por aqui em um Popload Entrevista. Procure saber. É só riqueza, por todo lado.

9 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (3)
O duo Rabo de Galo (formado por Peu Araujo e Bruno Komodo) e o DJ Ubunto vai regrar o álbum “Atrás do Pôr do Sol” (1988) de Lazzo Matumbi, artista de Salvador e uma das vozes mais importantes da cidade. O primeiro single deste trabalho traz duas regravações de oito, tem a clássica “Me Abraça e Me Beija”, com participação de Luedji Luna no voz. A ideia de retrabalhar um álbum quase perdido na história da música brasileira, ausente no Spotify, por exemplo, tem essa missão de resolver essa injustiça. Vamos escutar “Atrás do Por do Sol”?

10 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (4)
Rapper de longa estrada, ainda que com trabalho solo recente, Stefanie chega muito bem ao lado do companheiro em uma homenagem as vítimas da Covid. Ambos tiveram perdas pessoais na pandemia e a música fala disso, mas também fala das perdas de todos. Na segunda metade, quando o beat fica mais pesado, o recado passa a ser aos que ainda estão por aqui e que estão dando bobeira, um alerta sobre.

11 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (5)
12 – Pluma – “Transbordar” (6)
13 – Chapéu de Palha – “Domingo” (7)
14 – Francisco, El Hombre – “Loucura” (8)
15 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (9)
16 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (10)
17 – Céu – “Chega Mais” (11)
18 – Alice Caymmi – “Serpente” (12)
19 – Juçara Marçal – “Ladra” (13)
20 – Criolo – “Cleane” (14)
21 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (15)
22 – Sant – “Prantos” (16)
23 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (2)
24 – Marina Sena – “Pelejei” (18)
25 – Felipe S – “Violento Monumento” (19)
26 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (20)
27 – The Baggios – “Barra Pesada” (22)
28 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (26)
29 – Liniker – “Mel” (27)
30 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (28)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
33 – Majur – Ogunté (33)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
35 – GIO – “Sangue Negro” (35)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
42 – Jadsa – “Mergulho” (42)
43 – FEBEM – “Crime” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

***

***

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper mineiro Fabricio Soares, o FBC.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>

Popnotas – As Dobradinhas cariocas, um r.i.p. Titus, Big Thief e o disco diferente, Wry para dançar e tchau, Coachella?

>>

– De onde os integrantes do quarteto americano Big Thief tiram tanta energia? Dois álbuns da banda em 2019, discos solos de três integrantes na sequência e um single do grupo ainda no ano passado. Tem espaço para mais? Em entrevista à “Guitar.com”, Buck Meek, guitarrista da banda, dá a dica que em breve teremos um novo disco do Big Thief, que já está pronto. E “diferente”, segundo ele. Hummm.

– Integrante da primeira formação da banda Titus Andronicus, de New Jersey, o tecladista Matt “Money” Miller morreu aos 34 anos. O anúncio foi feito pela própria banda em texto no Twitter assinado por Patrick Stickles, único presente em todas as formações e primo de Matt. Nas palavras dele, Matt era seu amigo mais querido. Ainda que tenha deixado a banda antes de ela começar a gravar, ele participou de alguns álbuns, sendo até o vocalista principal em um som do EP “Home Alone on Halloween”, de 2018.

– Sem Coachella? Sim, provavelmente por mais um ano o festival não deve rolar. Cancelado em 2020, a expectativa de uma edição 2021 é rejeitada por fontes entrevistadas pela revista “Variety”, que estipulam que o evento só tenha chances de voltar a ser realizado no ano que vem. A princípio, o Coachella está marcado para acontecer em outubro. Mas deve ir para abril de 2022, seu mês original de realização. Entre as alegações reveladas na revista, a principal razão é que o tamanho do Coachella pede por muito dinheiro e prazo. E, embora a situação da vacinação em massa nos EUA tenha acelerado bastante, ainda as incertezas em relação à pandemia e o tamanho colossal do festival tornam muito difícil sua realização.

dobra

CENA – Uma boa notícia para animar ainda mais a ótima CENA do Rio de Janeiro e um pequeno grande festival para se ter perto mesmo à distância é o carioca Dobradinhas, que volta depois de cinco anos de hiato e acontece neste sábado, a partir das 15h, no canal de Youtube do evento. Seguindo sua vocação em promover encontros musicais, fazendo jus ao nome do festival que em edições passadas já deu suas dobras a nomes como Ava Rocha, Letrux, Cícero e Mahmundi, entre outros.
Os encontros de amanhã, com show de 40 minutos num quintal no Santo Cristo, são:
Ana Frango Elétrico e Luís Capucho + Joana Queiroz
Dora Morelenbaum e Luiza Brina + Aline Gonçalves
Juliana Linhares e Maíra Freitas + Diogo Gomes
Clara Anastácia e Joca + Rodrigo Maré

– CENA 2 – O veterano grupo sorocabano Wry (foto na home, de Ana Érica), agora na fase bilíngue, lançou hoje o single “Man in the Mirror”, faixa do bom álbum “Noites Infinitas”, lançado no ano passado. A música chega a este single de duas formas: “normal” remasterizada e, aqui é o brilho, num remix ultradance tipo Manchester anos 90, de autoria do DJ Electropaulo, lá de Londres. Uma terceira faixa comparece ao single, essa da música “In the Hell of My Head”, hit de show do Wry, feito por Evandro Flanicx, de São Paulo. Dança aí.

>>

TOP 50 DA CENA – Dá licença que a Ana Frango Elétrico chegou no ranking revoltado e viajante. Um oferecimento de D2, Iggor e Gordo. Pá!!!

1 - cenatopo19

* A gente quase botou aqui no ranking a música em que o Tim Bernardes canta uma parte, em português, no disco do grupo americano Fleet Foxes. Ficamos pensando se seria forçar demais a amizade, emboooooora fique aqui registrado o maior crossover de CENAs que se tem notícias. Acabamos deixando de fora, mas achamos justo que incluir a música, pelo menos, na playlist, como uma faixa bônus.
Se bem que o caráter “internacional” da globalizada CENA brasileira já esteja representado com a presença da carioca Ana Frango Elétrico no topo do Top, que está concorrendo ao Grammy Latino. Solta a Frango e vem com a gente (sdd, Bonde do Rolê!). E pela Sartør, cantora brasileira fazendo electrotrap maneiro em Los Angeles. Porque a CENA tá tão boa que não cabe mais só aqui no Brasil.
Marcelo D2, João Gordo e Iggor Cavalera em altos postos nos cheira a espírito teen. E tudo bem também. Anos 90 mandando recado aos anos 20.
Tudo isso num top 10 que ainda tem o Matuê, anos 20, mandando Charlie Brown Jr., o recado aos anos 00.
Que viagem (no tempo)!!!

2 - 960x960_AnaFrango

1 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (Estreia)
Ana vai conquistar o mundo. A gente já sabia e o mundo agora parece que está sendo informado. Indicação ao Grammy, livro e um novo single que deixa a gente com a certeza de que a sua produção segue afiada em um som que ela explica assim: “Pensei numa melodia que pudesse ser cantada para plantas e bebês, trazendo timbres que têm me interessado, como a flauta, órgão e violão, misturando elementos da bossa-nova, chamber-pop e soft-eletro-indie. Quis explorar efeitos, estéreos e repetições trazendo elementos em comum ao ‘Little Electric Chicken Heart’, como dobras, coros, metais, e divergindo em outros aspectos, como forma e timbres”.
2 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (Estreia)
Em um beat inspirado do Kamau, Rodrigo Ogi deixa mais uma letra nota dez em um disco que não é o seu este ano – o outro exemplo é o som que escreveu pra Kiko Diinucci. Marcelo D2 em uma track sua soa quase como participação de luxo, consequência de sua ideia de montar um superálbum gravado e escrito remotamente durante a pandemia por muitas vozes e canetas. Que sacada e que generosidade com os mais novos.
3 – Revolta – “Hecatombe Genocida” (Estreia)
Nosso “We Are the World” do mundo invertido. “Cem mil mortos entupindo o poço da escuridão/ A justiça vai caindo/ Facistas na contramão/ O terror em forma de governo/ Misturado com ódio e veneno/ Extermina toda a razão/ Patriotas de pele mais clara/ Mundo podre da corrupção”, diz a letra da banda que tem em suas fileiras “apenas” João Gordo (Ratos de Porão), Prika Amaral (Nervosa), Guilherme Miranda (Entombed AD e Krow), Moyses Kolesne (Krisiun), Castor (Torture Squad) e Iggor Cavalera (Cavalera Conspiracy e Mixhell).
4 – Carne Doce – “Hater” (1)
Single a single eles foram conquistando espaço em um disco que firma a banda em outros níveis da música brasileira, se é que existem outros níveis além de onde eles já estão. A banda está fazendo grandes músicas. Cada vez maiores. E, veja bem, “Interior”, o álbum, mostra o Carne Doce muito além de “apenas” ser a “banda da Salma”
5 – Leveze – “Aurora” (Estreia)
Ex-Cabana Café e Parati, o Leveze foi por anos a “viagem secreta” de Lanfranchi, que agora toma uma forma mais escancarada e não menos delicada. É só começar a ouvir o delicioso “Aclimação12-20” (Cavaca Records), álbum recém-lançado da melhor chillwave com guitarrinha doce, para entender de primeira.
6 – Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D`água” (Estreia)
Música que vai dar o nome ao disco cheio, seu segundo, que sai em outubro, foi composta por ela em parceria com François Muleka. Um som sobre afeto, sobre respeitar o tempo do outro, o ritmo do outro, segundo a cantora. Vem disco bom por aí.
7 – SARTØR – “NEVER COMING HOME” (Estreia)
Em maiúsculas, como um grito, esse som afasta SARTØR de Isadora Sartor, seu nome pessoa física. O single apruma o caminho que a paulistana radicada em LA escolheu para pautar sua vida e sua música. De ex-guitarrista de um duro death metal a produtora de um pop maleável e moderno.
8 – Rohmanelli – “Toneaí” (Reestreia)
O hit ácido/crítico/carnavalesco de Rohmanelli volta ao top 50. O single está incluindo no bom álbum “Brazil’ejru, Vol 1”, seu primeiro trabalho 100% em português.
9 – Autoramas – “Dinâmica de Bruto” (2)
Repare. A gente ainda precisa de banda como os Autoramas. “Dinâmica de Bruto”, nome ótimo, está no mesmo EP a ser lançado pela banda neste mês, em vinil, pela gravadora espanhola Family Spree Recordings. A música tem um viés político e um vídeo beatlemaníaco, por assim dizer. É ver para entender.
10 – Matuê – “Máquina do Tempo” (3)
Será que agora o trap nacional rompe sua já gigante bolha de popularidade e alcança os números do mainstream brasileiro? Vale acompanhar a esperta pegada do Matuê neste som do seu primeiro álbum. Um trap acelerado e divertido que dá um leve aceno para o pop em um bem sacado sample de uma linha de baixo do Charlie Brown Jr. Este som já irritou youtubers conservadores, algo que sempre é saudável.
11 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (Estreia)
12 – The Baggios – “Hendrixiano” (4)
13 – JP – “Eu Quero Perder Você” (5)
14 – Nobat – “Cárcere” (6)
15 – Gabrre – “De Noite Eh Dia de Sair” (7)
16 – Cat Vids – “Ash Ketchum” (8)
17 – PLUMA – “Leve” (9)
18 – Luiza Lian – “Geladeira” (10)
19 – Bruno Del Rey – “O Amigo Que Esperava” (11)
20 – BK – “Movimento” (12)
21 – Nana – “Independência ou Morte” (13)
22 – O Cientista Perdido – “Não Cabe Em Você” (15)
23 – Terno Rei – “São Paulo (Acústico)” (16)
24 – Vivian Kuczynski – “Pele” (17)
25 – Boogarins – “Cães do Ódio” (19)
26 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (20)
27 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (21)
28 – Luiza Brina – “Oração 12” (22)
29 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (23)
30 – Yannick Hara – “Eu Quero Mais Vida Pai” (24)
31 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (26)
32 – Wry – “Travel” (28)
33 – Letrux – “Vai Brotar” (30)
34 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (31)
35 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (32)
36 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (33)
37 – Rincon Sapiência – “Malícia” (31)
38 – Marcelo Perdido – “Bastante” (34)
39 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (36)
40 – Don L – “Kelefeeling” (38)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (39)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (40)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (41)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (43)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

***

***

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é de Ana Frango Elétrica, em foto de Hick Duarte.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>