Em luziluzia:

CENA – E atenção, o Bananada “começa” hoje

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* Popload desbravando Goiânia.

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Vista do Palco Chilli Beans, o segundo maior do Bananada, em show de Orquestra Sinfônica de Goiás, no dia gratuito do festival. Foto de Ariel Martini, do I Hate Flash

Depois de muito shows bons em casas legais, desde segunda à noite, mais o “teste” ontem com orquestra e o internacional Boogarins no enorme Centro Cultural Oscar Niemeyer, a sede oficial do evento, o festival Bananada 2017 realmente começa hoje à noite numa área com cinco palcos e quase 30 atrações.

O bombadão Baianasystem é a grande atração do primeiro dia, que ainda vai ter Céu, Ventre, Plutão Já Foi Planeta, Jaloo, Luziluzia e a bagunça disco dance da dupla Selvagem.

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O lugar, cheio de edifícios geométricos, tem num canto dele uma deliciosa área com dois espaços de shows, longe dos dois palcos enormes. Um que reproduz a Casa do Mancha, de São Paulo, lugar para bandas indies do indie (Raça, Luziluzia, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante e Hierofante Púrpura tomam conta do palco, e um outro com uma que tem bandas até 23h (The Baggios toca ali), depois vira palco dance com performance e DJs (Jaloo, Selvagem). Uma parede gigante branca, toda mapeada, dá o tom de qual hora é hora por ali.

Esse bonito parque de diversões indie projetado pelo Niemeyer, que tem até pista de skate no meio, recebe o público a partir das 18h. Os shows começam 19h e só terminam 5h. Ainda tem ingressos, disponíveis para a compra no site do festival.

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CENA – Indies no parque. Como a Picnik movimenta de modo psicodélico a música em Brasília

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A CENA indie brasileira bomba tanto que o bicho alternativo está pegando até na Barra da Tijuca, no Rio. Isso você leu por aqui. E é empolgante saber que em Brasília, terra de contrastes, a coisa-causa indie está ainda mais… mais… colorida. Se em São Paulo tem shows em bancas de jornais e lavanderias e Natal (RN) tem talvez o maior festival de música independente do mundo, dá para dizer que esse desastroso 2016 não foi tão ruim para a música. Principalmente a brasileira e indie.

A festa também festival candanga de lugares incríveis, o Picnik, instituição indie brasileira que recebeu minha visita em loco no ano passado, teve uma linda realização neste ano numa praça gigante que é mais um parque e que abriga um prédio que lembra a URSS e serve de hotel de trânsito de oficiais do exército. Como não pude ir, a Popload foi representada pelo “funcionário” Eduardo Palandi, nosso correspondente na capital federal.

E a visão dele sobre o indie em BSB e sobre a Picnik em particular está aqui abaixo, para seu deleite. Segura o referencial do Palandi, que não é fácil mas faz muito sentido.

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Festival Picnik, Brasília

Festa itinerante mais famosa de Brasília, realizada a cada três meses, a Picnik, pelo menos uma vez por ano, junta às atividades de sempre (desfile de moda, praças de alimentação, brechós, lojas de discos, espaço para a criançada, entre outras), alguns nomes emergentes da cena brasiliense e bota a galera local para tocar-interagir com bandas de outros cantos do país e, até, do mundo.

No ano passado, o doidão Mac DeMarco encerrou sua turnê brasileira levando o Parque da Cidade à loucura. Neste ano, não podia ser diferente. E não foi: no sábado dia 10 de dezembro a Picnik voltou a trazer qualidade indie pop para o Planalto Central.

A última edição da festa em 2016 foi em um lugar bem inusitado: a Praça dos Cristais do Setor Militar Urbano, tão grande que parece mesmo um parque. Do lado do QG do Exército, o prédio de arquitetura mais soviética de Brasília. Dá para ser mais psicodélico que isso?

Esse é o modo como a Picnik movimenta a cultura independente em BSB. O lugar foi um achado: acesso fácil, segurança irretocável, jardins, espaço para a criançada. Zero treta. E, se houvesse alguma, seria culpa de São Pedro: choveu no horário de almoço e se temia que caísse um pé d’água durante a tarde – estamos numa das duas estações brasilienses, a das monções, e o risco era grande.

Nuvens cinzas no céu e cangas no chão, hora de ouvir o banquete sonoro da Picnik. A dupla Tiju, primeira da tarde, é como se o Cazuza encontrasse o Young Marble Giants e eles se trancassem em estúdio em Pirenópolis (cidade serrana de Goiás) com o Jamie do XX produzindo o disco: é MPB com reverberação, minimalismo a serviço de boas canções. Meio tilelê, mas é bom: ouça “Sorriso Supernova” e tente não se lembrar de “Faz Parte do Meu Show”.

Sobre Bolhazul e Tertúlia na Lua, que tocaram logo depois, a certeza: o futuro da cena brasiliense passa pelo Gama, cidade-satélite a 30 quilômetros do Plano Piloto, terra das duas bandas. O Bolhazul é pós: mistura o pós-rock da turma do Slint ao pós-punk; ao vivo, isso deu algo climático, uma delícia de se ouvir. Ao mesmo tempo, era suave e denso. O Tertúlia é um papo diferente: outro trio, mas de artesãos da loucura. Da blaxploitation ao progressivo brasileiro dos anos 1970 (Vímana? Módulo 1000?), todo tipo de pop de doidão se encontra nas viagens do trio, que funcionam bem tanto ao vivo quanto nos fones de ouvido. Os moradores de Brasília podem até achar uns grooves bad vibe no meio, como se fosse coisa das bruxas do Vale do Amanhecer (vilarejo esotérico nos arredores da capital), mas é impressão. Sério. Ainda falaremos mais da psicodelia do Tertúlia na Lua, pode ficar tranquilo.

A quarta banda a tocar no palco principal da Picnik foi o Traveling Wilburys goiano e chapado, mais conhecido como Luziluzia: metade do Carne Doce e metade do Boogarins, minha gente, só pode mesmo ser um supergrupo. O som não esconde as bandas de origem da galera, o que é excelente: a galera sacou isso e, em poucos minutos, mais que dobrou a plateia que assistia ao festival. Com guitarras em quantidade e volume maiores que os de estúdio, o Luziluzia funciona ainda melhor ao vivo, pelo que a Popload torce para que tenham gravado a apresentação e ela apareça na internet.

A essa altura do campeonato, os que acompanhavam o palco principal da Picnik já percebiam um denominador comum a todos os artistas que ali se apresentaram: o psicodelismo. Teria sido de propósito? Pode apostar que a intenção é esta: fazer um festival de pop psicodélico no meio de um evento com atrações para todos os gostos. Uma versão um pouco menor e mais família do Levitation, festival psicodélico texano que já se espalhou para a França.

E o tema continuou: a paranaense Samira Winter, que mora em Boston, subir ao palco à frente do quarteto que leva seu sobrenome e pega o psicodélico pelo lado shoegaze. Um pouco de Lush, um pouco de My Bloody Valentine, distorção e eco à vontade. O show começou meio morno, mas foi crescendo e melhorando, com direito a música em português no bis. A plateia adorou: meia hora depois, Samira e sua turma ainda posavam para fotos junto com os fãs, enquanto o Holydrug Couple já se apresentava.

Holy quem? Uma dupla chilena que também tem um lado shoegazer, meio Slowdive ou Spacemen 3. Músicas longas, pedal flanger, sintetizador. O instrumental é matador, mas o vocalista, um cara não muito afinado, pedia insistentemente para que o volume de seu microfone fosse aumentado. Foi um bom show, mas, se o vocal ficasse mais baixo e discreto, à la Kevin Shields, o som ficaria ainda melhor. Mas não importa: para a Popload, o Holydrug Couple já é, ao lado do mago Valdivia, uma das coisas mais legais do Chile.

A Popload perdeu o início do show dos gaúchos do Catavento para conferir, no palco secundário, a dupla californiana Summer Twins, formada pelas irmãs Chelsea e Justine Brown (e engrossada, nesse show, pelo baixista da Winter). Pop gostoso, redondinho, para cantar junto: se isso te interessa, procure “Limbo”, o mais novo disco das Summer Twins, e seja feliz. Pode ter certeza de que quem viu o grupo em Brasília foi feliz por pouco mais de meia hora. De volta ao palco principal, o Catavento é o psicodelismo sob forma de confusão. Mudanças de andamento, viradas repentinas e uma vibe meio Jimi Hendrix fazem parte do universo sonoro do sexteto gaudério, que é bem difícil explicar. Tem um disco novo dos caras, “Chá”, mas a Popload não sabe dizer qual o sabor que explica melhor a mistura; o que se sabe é que ela funciona bem ao vivo. Grosso modo, dá para dizer, que, sim, eles são “nosso Tame Impala” mais que o Boogarins (!).

Fechando a noite, o trio Gipsydelica foi o psicodelismo em versão Europa Ocidental: um búlgaro, um inglês e um turco entraram num festival (não, não é a piada em que entram num bar) e mostram que até o folk étnico pode ser uma viagem. As músicas têm nomes impronunciáveis e o trio, que tocou no Glastonbury de 2015, tem impressionante presença de palco. Pode lembrar o Gogol Bordello para alguns, mas a Popload achou ainda melhor. Acredite.

No final das contas, foi isso: festival bem organizado, bandas legais e um monte de outras atrações. Se você quer psicodelismo, fique de olho no que rola em Brasília, em suas praças e parques: o festival da Picnik continuará dando barato colorido em 2017!

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** As imagens deste post e a da home da Popload são do fotógrafo John Stan.

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CENA – Winter “is coming” para nossa primavera psicodélica. E o Summer Twins também

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* A cena independente brasileira segue seus agitos nesse frutífero 2016. Olha essa movimentação: um selo indie de psicodelia de CAXIAS DO SUL, RS, cooptou duas bandas americanas para uma turnê brasileira com dez shows marcados, começando sexta-feira agora em São Paulo e só acabando no dia 18 de dezembro, em Curitiba, sempre com nomes do indie nacional envolvidos.

O selo, o Honey Bomb Records, estabeleceu uma espécie de parceria com os grupos Winter, de Boston, e o Summer Twins, da Califórnia, para espalhar psicodelia pelo Brasil. O selo gaúcho é lar das “viajantes” bandas Catavento, de Caxias mesmo, e Bike, de SP, entre outros destacáveis nomes de seu belo cast.

O Winter é a banda da curitibana Samira Winter, filha de pai americano e mãe brazuca, que montou o grupo de psicodelia etérea (!) (ou dream pop) em 2012 numa college de Boston. College rock aqui, tentáculo da nossa CENA, haha. No ano passado, o Winter da Winter, enquanto quarteto, lançou seu primeiro álbum, “Supreme Blue Dream”, que também saiu no Brasil pelo Honey Bomb Records de Caxias.

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Summer Twins (acima) é o duo formado pelas irmãs twins Chelsea e Justine Brown, a primeira guitarrista, a outra baterista, as duas cantando. A levada rock das meninas lembra sol, seja pelo nome e de onde vêm, como anos 60. Ao vivo, conta com reforços de dois rapazes, para encorpar a psicodelia “dreamie”: um baixista e outro guitarrista. No ano passado elas lançaram o bombadinho disco “Limbo”, que fez a banda ir mais longe. Tipo até o Brasil.

Winter e Summer na primavera brasileira (me deixa!!!), juntando a armada nacional, vai sair bonito como se segue.

Sexta-feira, dia 2
Breve, São Paulo
Nevilton, Winter e Summer Twins.

– Sábado, dia 3
Sensorial Discos, São Paulo
Firefriend, Winter, Summer Twins

– Domingo, dia 4
Beco das Garrafas, Sorocaba
Winter, Summer Twins, Justine Never Knew The Rules

– Sexta, dia 9
Breve, São Paulo
Honey Bomb Mini Fest
Winter, HolyDrug Couple (Chile)

– Sábado, dia 10
Praça dos Cristais, Brasília
Picnik Festival
Winter, Summer Twins, Catavento, Holy Drug Couple, Luziluzia, Gipsydelica, Tertúlia na Lua, Bolhazul, Tiju, Travelling Wave, The Mugris

– Domingo, dia 11
Diablo Pub, Goiânia
Festival Lalonge
Winter, Summer Twins, Luziluzia, Catavento

– Quarta, dia 14
Margot, Porto Alegre
Winter, Summer Twins

– Quinta, dia 15
Casa de Cultura Vaca Profana, Passo Fundo (RS)
Winter, Summer Twins, HOME

– Sexta, dia 16
Paralela, Caxias do Sul
Paralela Colmeia Fest
Winter, Summer Twins, Nevoar, Abelha Rainha DJset

– Domingo, dia 18
Arnica Cultural, Curitiba
Festival Escola Fantástica
Winter, Summer Twins, Trem Fantasma e Catavento

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CENA – Do k-7 aos shows internacionais. Selo indie Lalonge anuncia seu primeiro festival

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* No princípio, era uma fitinha k-7. Agora, um festival com bandas gringas. A entidade Lalonge, que se autodefine como “um selo de música, artes e lazeres diversos” e movimenta os últimos lançamentos da fervente cena goiana (não só de música), anuncia para o próximo dia 11 de dezembro o seu primeiro festival.

Chamado Ataque Lalonge, o evento do selo importa para Goiânia, no elenco do festival, a banda americana Winter, da cantora Samira Winter, que é brasileira, além do grupo chileno Holydrug Couple, que é um sexteto (foto abaixo). Ou três “couples” se preferir. O caso aqui, como gosta de dizer o Lalonge, é música de talentos “realmente” independentes.

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O grupo psicodélico Catavento, de Caxias do Sul, de ótimo show ao vivo, mais os locais Kastelijns e Luziluzia, nomes do selo tanto do cast quanto da propriedade Lalonge, participarão também do festival. Outros nomes estão para serem divulgados.

Os shows acontecerão no Diablo Pub, local carimbado dos novos sons goianos, indies ou pesados. O Ataque Lalonge está previsto para ir das 16h à 0h. Os ingressos têm preços de R$ 20 (antecipados) ou R$ 30 (no dia).

Acompanhe as movimentações do festival e do selo em si no Facebook do Lalonge.

** Na home da Popload, foto de Samira Winter, curitibana de pai americano, mãe brasileira, dona da banda Winter.

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CENA – Conexão “Goiânia-SP” tem Luziluzia dando “Tchau Tchau”

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* A fervente cena goiana deu as caras em bando aqui em São Paulo, no final de semana. No sábado, o Boogarins botou sua psicodelia a serviços de visuais idem no lado de fora do Auditório do Ibirapuera, como parte da programação do SP-Urban, festival multimídia que ainda está em curso na cidade.

Ontem, domingo, ainda dentro do SP-Urban, a bela banda Carne Doce tocou no topo do Mirante 9 de Julho para uma escadaria lotada, que não se intimidou com a chuvarada do começo da noite, que inclusive molhou a banda. Na foto abaixo, o Carne Doce nos visuais do Urban e com a avenida Nove de Julho ao fundo.

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Centro-Oeste na zona oeste. Pouco depois, outros dois expoentes do indie participava do final de semana de inauguração “soft” da nova casa de shows indie da cidade, a Breve, no bairro da Pompeia.

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O menino Kastelijns e a ótima Luziluzia se apresentaram no lugar. Na foto acima, Kastelijns enquanto DJ, antes de subir ao palco para disparar seus noise experimentais ao vivo. No vídeo abaixo, o Luziluzia, que é metade do Boogarins, tocando a música “Tchau Tchau”, do EP “1 (Concerto pra Caixas Pequenas)”, lançado em gravação lo fi pelo selo LaLonge, divulgador das causas sonoras goianas.