Em madonna:

Saiu o disco club da Dua Lipa, na era off-club. E começa com o Joe Goddard (Hot Chip)

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* Deve ser o time mais estrelado para contribuir para um disco de uma artista mais que estrelada. Saiu hoje, enfim, a versão ultradançante do bombado mais recente disco da britânica Dua Lipa, “Future Nostalgia”, lançado no começo da pandemia, em março.

O delicioso “Club Future Nostalgia” é uma combinação da popice esperta de Dua Lipa associada à eletronices de ponta comandada por Blessed Madonna (na foto acima com a Dua Lipa), que chamou gente da linha Joe Goddard (Hot Chip), do underground criativo da canadense Jayda G, Dimitri from Paris, Jacques Lu Cont e nomes pomposos como Madonna, Mark Ronson, Missy Elliiott e até as meninas da banda coreana BLACKPINK, entre outres.

É botar para rolar e a balada começar. Até porque quem começa é o Joe Goddard. Daí…

“Hey, this is Dua Lipa and you’re listening to Club Future Nostalgia with the Blessed Madonna.”

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Supermulheres, ativar: Saiu agora o novo single-vídeo “épico” da Dua Lipa. E já causou polêmica. Inclusive por causa do novo cabelo

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* É muita informação para um vídeo só. A musa pop britânica Dua Lipa lançou hoje o vídeo para “Levitating”, mas a “Levitating” da versão remix, não a “Levitating” da versão do delicioso e ultrapop disco dela, “Future Nostalgia”, o segundo álbum da Lipa, que saiu no finalzinho de março, no calor do início da pandemia (na Europa e aqui).

Esse remix é um dos que formarão o novo álbum dela, “Club Future Nostalgia. The Remix Album”, que será lançado logo mais, dia 28 de agosto, e trará remixes de várias músicas do disco, cheio de participações especiais poderosas. Esses remixes já vêm acompanhando os singles lançados e alguns estão até incluídos em chinfras bônus no lançamento do disco “normal” no Japão e Coreia, por exemplo. E, ainda por exemplo, o da faixa Physical vem com Mark Ronson e Gwen Stefani tornando a faixa, tanto quanto o disco de remix todo, “mistura de house dos anos 1990 e pop de 2020”.

Daí que hoje, então, chegamos com este single remix de “Levitating”, música que tem as presenças das divas Madonna e Missy Elliott. A primeira não está no vídeo bombástico da música. A segunda, Elliott, sim. O remix em si é da maravilhosa The Blessed Madonna, a DJ ex-Black Madonna, que resolveu mudar de nome por conta de… bem, você sabe.

O vídeo chegou como uma bomba nuclear nas redes sociais, Twitter em particular, óbvio. Muitos fãs odiaram, muitos fãs amaram. Tem de “Estragou a música e nunca mais quero ouvir Dua Lipa” (estou exagerando) a “Melhor faixa dance que eu ouvi em muitos anos” (nada exagerado aqui). Tem reclamação e longas discussões por que a Madonna não está no vídeo. E muitas e muitas sobre o novo visual da Dua Lipa, de cabelo vermelho.

Escolha suas brigas, mas ouça o remix, veja o vídeo.

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Já viu? Os melhores momentos do incrível documentário do Coachella

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* Neste último final de semana, naquele mundo que conhecíamos e não existe mais, era para ter acontecido a “segunda perna” da edição 2020 do grandioso Coachella Festival, no deserto da Califórnia, um dos festivais mais lindos e bem-organizados do planeta, embora nos últimos anos tenha virado uma “outra coisa” em relação ao que era nos anos 2000, musicalmente e “frequentadoramente” falando.

Por 15 dias, até ontem, domingo, até hoje, no pós, o mundo musical estaria vendo, ouvindo, falando, espalhando memes, fotos, comentários, impressões “definitivas” sobre o que rolou no maior encontro de música, arte e pessoas dos EUA. Mas quá…

Não teve nada disso, mas tem isto: há exatos dez dias tem facinho no Youtube o maravilhoso “Coachella: 20 Years in the Desert”, documentário da série Youtube Originals. O filme, quase duas horas de duração, estreou exatamente na sexta da semana passada, o dia em que o Coachella 2020 iria aontecer em seu primeiro final de semana, com a melhor escalação dos últimos anos. Desde seu lançamento de lançamento vi o documentário três vezes. And counting.

A cena de Los Angeles pré-Coachella, desde os anos 80. Como o festival era no começo, como ficou até ser cancelado neste mundo cancelado. Toda sua construção e ideias malucas, a intenção original de sair de Los Angeles (o festival era para acontecer em Palm Springs) e levar algo além de rave eletrônica para o meio do deserto. A feliz cooperação do novo rock ajudando o festival a se consolidar (e se ajudando). O desastroso Woodstock 99 atrapalhando e transformando a concepção de novos festivais uma péssima ideia. Todas as voltas de bandas clássicas incentivadas pelo Coachella até seus planos de inovação na linha show-de-artista-morto-em-holografia e de repetir o line-up em dois finais de semana seguidos. O mundo pré-Coachella para sua produtora em particular, a por pouco falida (duas vezes) e hoje gigante Goldenvoice (que até 1999 promovia eventos punks e de hip hop nas quebradas de Los Angeles e num país de quase nenhum festival). E, claro, cenas das lendárias performances feitas em seus muitos palcos e tendas.

A Popload listou alguns dos principais momentos do documentário, que, se num primeiro momento conta a história particular do Coachella Festival, revela em sua totalidade a história da música nos últimos 20 anos. A gente, que frequentou muito o Coachella, se permite ir além do documentário em alguns momentos. Assim:

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* Um dos fundadores do Coachella e donos da Goldenvoice, o produtor Gary Tovar, achava que produzir shows de bandas como Nirvana, Chili Peppers e Jane’s Addiction não dava dinheiro, então aumentou seu desempenho como traficante de maconha na Califórnia, o que o levou à cadeia. Goldenvoice, o nome da empresa, representava a qualidade da “high quality” maconha traficada por Tovar, que dava a sensação ao usuário de falar com os anjos. Os federais estavam de olho no produtor tinha quatro anos, até o prenderem em 1991. Foi o histórico ano em que “the punk broke” na música, do Nirvana, do grunge, do “rock alternativo” americano das college radios, do Lollapalooza itinerante e da MTV, que bombava master. Foi nesse cenário que a Goldenvoice, pensando em criar um festival para ir além da produção de shows em casas, “achou” o campo de pólo de Índio. Neste ano, experimentaram fazer um show do Pearl Jam no meio do deserto e juntaram lá 25 mil pessoas, no conhecido “show dos sapatos”. Essa história toda é bem contada no documentário. O Coachella mesmo, como festival, teria sua primeira realização muitos anos depois, em 1999.

* No filme, quando o foco é o primeiro Coachella, de 1999, aparece o Morrissey cantando bom trecho da fantástica “November Spawned a Monster”, vestindo uma camiseta do time inglês West Ham e com a galera subindo ao palco emocionada para abraçá-lo. Quando o Morrissey era um ser maravilhoso por completo.

* O Coachella 99, que teve Rage Against the Machine, Beck, Tool e Chemical Brothers como atrações principais, foi realizado para 35 mil pessoas “só” com cinco palcos e em dois finais de semana. E não teria a edição do ano seguinte, porque a Goldenvoice perdeu tipo 1 milhão de dólares na empreitada inicial e a empresa quebrou. Ou quase. E pela segunda vez (a primeira foi quando o trafica-fundador foi preso). Não quebrou meeesmo porque o Rage e o Beck deram um bom desconto em seus cachês, na hora em que o Coachella apresentou as contas e disse que não ia dar para pagar o combinado. E também porque uns produtores do Lollapalooza, amigos, apareceram para ajudar financeiramente a Goldenvoice, na linha “toma aqui e devolva quando puder”.

* O surgimento de um parceiro milagroso e inesperado fez o Coachella voltar a ser realizado em 2001, apesar do caminhão de dinheiro perdido na primeira edição. E um dos headliners foi exatamente o brother Perry Farrell e seu Jane’s Addiction, reformado exclusivamente para o Coachella daquele ano (último show oficial mesmo tinha sido em 1991, apesar de algumas tentativas de reunião que não levaram a banda à frente). “Pobre”, o festival teve apenas um dia de realização e deu prejuízo de novo, mas desta vez numa quantia “controlável”, segundo a Goldenvoice. Logicamente o número de público foi menor que o do primeiro festival: 30 mil pessoas. Mas fazer o festival em 2001 fez a roda do Coachella realmente começar a girar. E a pequena revolução do novo rock, Strokes e a cena de Nova York + White Stripes, quem diria, ia dar uma grande contribuição à sustentação do Coachella.

* Imagens maravilhosas de shows antigos: Bjork cantando grávida ao vento em 2002; e os maravilhosos The Rapture (na tenda Mojave) e White Stripes (no palco principal) em 2003 são de fazer chorar de nostalgia. E eis que chega 2004, o primeiro ano em que eu fui ao festival, e o Coachella passa a dar lucro. Também, com o line-up daquele ano…

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* A estupenda volta dos Pixies (acima), Radiohead e Kraftwerk são as estrelas do primeiro dia do Coachella 2004, o sábado. Com The Cure encabeçando o domingo, muita gente saiu de Los Angeles rumo ao deserto para ver esta edição. Tem imagens lindas do Radiohead mas os Pixies ganham um “capítulo” lindo no documentário.

* A brincadeira da “banda que volta” pegou, e o Coachella fez o lendário grupo pós-punk inglês Bauhaus reformar e ser um dos grandes nomes da edição 2005. O doc traz a espetacular cena de Peter Murphy entrando como um morcego no palco, pendurado de cabeça para baixo por um cabo de aço, cantando a mítica “Bela Lugosi’s Dead”. É impagável a banda contando que a ideia original era soltar centenas de morcegos no começo do show. Mas que, ainda bem, optaram pelo cabo. Mas aí tinha um outro problema: uma pessoa, eles disseram, só aguenta 15 minutos de cabeça para baixo antes de desmaiar. E a música era longa. Coldplay era o headliner deste sábado. Nine Inch Nails liderava o domingo.

* Trechos de shows lindos do LCD Soundsystem, da saudosa Amy Winehouse, Rage Against the Machine – A volta (2007), MGMT (2014), MIA crescendo no festival (cada um de seus três shows do Coachella foi em palcos diferentes), Kendrick Lamar mais recentemente.

* A história de botar a Madonna no Coachella indie é muito boa e está no documentário. E ainda fazê-la tocar/cantar/dançar na tenda dance (na real eletrônica) parecia muita loucura. Mas o Coachella foi lá e fez, em 2006. Massive Attack era o headliner daquele dia. Depeche Mode estrelava o outro. O Coachella virava um festival gigantesca e passava a gerar dezenas de festivais pelos EUA, que até então era pouco ou nada representativo nessa categoria “inglesa” de evento.
O que não tem no documentário, mas a gente conta: enquanto Madonna provocava loucuras na tenda dance, no mesmíssimo horário o brasileiro Seu Jorge se apresentava em um dos outros palcos do festival. E foi estimado que 30 mil pessoas ficaram lotando dentro e as imediações da tenda da Madonna, cuja capacidade real era de 12 mil pessoas. Imagina o fervo.

* Agora megafestival, o Coachella 2007, o do Rage, show que eu quase morri (conto outra hora), foi para três dias de realização, acrescentando a sexta-feira. Exatamente essa sexta incluída, teve a volta do Jesus & Mary Chain, Interpol e o primeiro grande show no deserto da Califórnia do Arctic Monkeys, tudo debaixo da headliner Bjork. Que dia para se estar vivo e no deserto. O sábado marcou tambem a ascensão dos canadenses Arcade Fire rumo ao status de headliner (já tinham feito a espetacular estreia em 2005 e seriam atração principal em 2011, no famoso show das bolas). O Coachella foi para “outros lugares” em 2007, botando o DJ Tiesto no palco principal.

* O documentário do festival dedica um capítulo inteiro para a colossal tenda eletrônica, a Sahara, e como o mito do DJ, aliado à popularização das raves na Califórnia e a EDM tomando conta de tudo, caminhou junto com o evento. No meio dessa construção tem uma apresentação lendária do duo francês Daft Punk em 2006 (pulei aí em cima de propósito). Toda a cena eletrônica, os indies e até o pessoal do hip hop falam dessa performance da dupla de robôs, que antes de entrar no palco botou o tema do “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” para ecoar por alguns minutos e a expectativa da aparição deles no palco ficar insuportável. Um show do outro mundo. O cenário da apresentação era o da pirâmide, que viria para o Brasil no Tim Festival. O famosão Steve Aoki disse que Daft Punk no Coachella 2006 mudou sua vida para sempre.

* Obviamente tem o capítulo do Coachella e o hip hop. Desde que o Invisibl Skratch Piklz, do incrível A-Trak, tocou na primeira edição numa tendinha, no Coachella 1999. Entre outras coisas, tem a primeira vez do Kanye West no festival, em 2006, com o rapper perdendo 20 minutos de seu show porque estava “no trânsito”. Sua banda já estava fazendo um som no palco, aleatório. Kanye chegou já cantando, esbaforido, e quis continuar a apresentação além de seu tempo, mas não deixaram. Ele voltaria em 2011 como atração principal e com um show gigantesco.

* 2011 aliás teve o “encontro” de Kanye West com Strokes como headliner do domingo. Este Coachella em especial ficou sold out em menos de uma semana. Além do Arcade Fire (sábado), o grupo Kings of Leon foi o outro headliner (sexta). A bombação era tanta que em 2012 fizeram a loucura de botar o mesmo line-up de um fim de semana para repetir no seguinte. E deu certo.

* Em 2012, Dr. Dre e Snoop Dogg se juntaram para fazer um show “all-stars” de hip hop, recebendo o falecido Tupac Shakur em holograma. Seria histórico? Seria de gosto duvidoso? O Coachella foi lá e fez. O Obama citou, virou desenho do South Park. Bingo! Fora que a parada foi sensacional e estranha na mesma medida.

* Chegamos à terceira evolução do Coachella, para a música de hoje, Travis Scott, Tyler the Creator, Billie Eilish, os shows transmitidos no Youtube e tal. A industrialização do Coachella como espaço para selfies de influencers com viagem bancada por marcas. A invasão chinesa.

* Vai tudo até os shows da Beyoncé em 2018, a primeira mulher negra a ser headliner do festival, que talvez feche uma era rica para o Coachella falido de 1999. E comece outra, porque em 2019 o festival deu grande destaque para as Black Pink, grupo de meninas do k-pop. Fodeu?

* Se você ainda não viu esse documentário do Coachella no Youtube, pare o que está fazendo e vá ver.

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David Byrne se mistura com coral urbano e canta David Bowie e Madonna

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Olha só o David Byrne sendo lindo as always. O cultuado músico, que vai lançar disco novo em março e tocar no Lollapalooza Brasil, se juntou ao coral canadense Choir! Choir! Choir! e prestou uma homenagem a dois ídolos/amigos.

Antes de tudo, vale ressaltar o trabalho do Choir! Choir! Choir!. O projeto é liderado pelos canadenses Davved Goldman e Nobud Adilman e tem como mote reeditar, como um coral, canções populares. O mais interessante é que o projeto é aberto a qualquer um que queira cantar nas sessions constantes do grupo, que acontecem semanalmente nos fundos de um bar de Toronto.

Pois bem. Byrne é fã do projeto e resolver ser “mais um” a participar de um show do coral. A dobradinha aconteceu no sábado passado, em Nova York, dentro do festival Under the Radar.

Byrne participou de reedições de “Heroes”, do David Bowie, e de “Borderline”, canção de Madonna lançada em 1984. Tudo foi registrado pelo grupo e pode ser conferido no fim do post. O ex-Talking Heads vai lançar dia 9 de março seu novo álbum “American Utopia”, o seu primeiro disco cheio desde 2004.

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Apenas: Madonna evoca Elliott Smith e toca “Between the Bars”, sua canção favorita

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O mundo se despediu de Elliott Smith há 14 anos, mas até hoje é comum vermos inúmeras homenagens a um dos caras mais talentosos do indie nas últimas décadas.

A mais recente lembrança da memória de Smith veio por parte da… Madonna. Ela, a rainha do pop, simplesmente foi para seu Twitter na madrugada e postou um vídeo cantando um trecho de “Between the Bars”, sua música favorita (nas palavras dela).
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O som foi lançado no seminal “Either/Or”, disco pontual da carreira de Elliott, que saiu em 1997 e foi relançado no início deste ano, 20 anos depois, em versão de luxo que conta com cinco canções ao vivo registradas em um show em 1997, no Yo Yo A Go Go Festival, em Olympia, Estados Unidos, incluindo “My New Freedom”, nunca lançada oficialmente até então.

A releitura da Madonna pode ser conferida abaixo.

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