Em madonna:

Por esta você não esperava (nem nós). As novinhas do Wet Leg fazendo cover de “Material Girl”, da Madonna

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* A incrível banda nova inglesa Wet Leg, liderada pelas parças Rhian Teasdale e Hester Chambers, teve lançada hoje pela famosa rádio por satélite Sirius XM, americana, um áudio oriundo de uma session que o grupo da Ilha de Wight fez originalmente para a Sirius XMU, a emissora indie dentro da tonelada de canais que tem a Sirius.

Deve ter bem mais, óbvio, mas optaram por lançar hoje na conta do Youtube da rádio uma cover especial que elas fizeram para “Material Girl”, famoso clássico pop dos anos 80 da superestrela Madonna. E aí é que a coisa pega.

“Material Girl” é de uma época já questionadora de questões femininas principalmente porque saiu da boca da Madonna, mas trazida para estes ainda mais transformadores tempos de hoje, na voz de Rhian Teasdale ela ganhou um jeito soturno e desconstruído. O que era pop escrachado, virou um indie sinistro. Resumindo: o que era quase uma música-zoeira se transformou num testamento serião com Rhian Teasdale.

O resultado é demais.

“Some boys try, and some boys lie
But I don’t let them play, no way
Only boys that save their pennies make my rainy day
‘Cause we are living in a material world
And I am a material girl”

As Wet Leg costumam às vezes trazer uma versão ao vivo de “Psychokiller”, do Talking Heads, para engrossar seu ainda curto setlist (o primeiro disco delas só sai em abril). Essa cover da Madonna para a XMU da Sirius, se não estivermos errados, é a primeira vez que se tem notícia dela.

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Miley Cyrus canta hinos LGBTQ+ em show para o Pride, o mês do orgulho. Veja ela fazendo “Believe”, da Cher

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* Rockstar do momento, a intrépida Miley Cyrus promove amanhã um show especial para a causa LGBTQ+ no mês do Orgulho (Pride), em streaming. Gravado em Nashville no começo do mês em um auditório, e com participações especiais (o bombado rapper cantor Orville Peck é um deles), o evento online chamado Stand by You. A transmissão será feita na plataforma de vídeos por assinatura Peacock, do grupo Universal.

O show, de uma hora de duração, traz Miley Cyrus interpretando algumas músicas suas e vários hinos LGBTQ históricos, de unidade e empodeiramento. Alguns destes são: “True Colors”, de Cindy Lauper, “Heart of Glass”, do Blondie, “Dancing Queen”, do Abba, e um medley de músicas da Madonna (“Music”, “Express Yourself” e “Like a Prayer”.

Como o Peacock não é um serviço disponível para o Brasil, vamos ter que esperar esse show espirrar para o Youtube. De todo modo, para esquentar o rolê streamico, Miley subiu em sua conta a performance para a famosaça “Believe”, da cantora Cher, outro dos hinos da causa que ela vai botar no Stand by You.

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Saiu o disco club da Dua Lipa, na era off-club. E começa com o Joe Goddard (Hot Chip)

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* Deve ser o time mais estrelado para contribuir para um disco de uma artista mais que estrelada. Saiu hoje, enfim, a versão ultradançante do bombado mais recente disco da britânica Dua Lipa, “Future Nostalgia”, lançado no começo da pandemia, em março.

O delicioso “Club Future Nostalgia” é uma combinação da popice esperta de Dua Lipa associada à eletronices de ponta comandada por Blessed Madonna (na foto acima com a Dua Lipa), que chamou gente da linha Joe Goddard (Hot Chip), do underground criativo da canadense Jayda G, Dimitri from Paris, Jacques Lu Cont e nomes pomposos como Madonna, Mark Ronson, Missy Elliiott e até as meninas da banda coreana BLACKPINK, entre outres.

É botar para rolar e a balada começar. Até porque quem começa é o Joe Goddard. Daí…

“Hey, this is Dua Lipa and you’re listening to Club Future Nostalgia with the Blessed Madonna.”

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Supermulheres, ativar: Saiu agora o novo single-vídeo “épico” da Dua Lipa. E já causou polêmica. Inclusive por causa do novo cabelo

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* É muita informação para um vídeo só. A musa pop britânica Dua Lipa lançou hoje o vídeo para “Levitating”, mas a “Levitating” da versão remix, não a “Levitating” da versão do delicioso e ultrapop disco dela, “Future Nostalgia”, o segundo álbum da Lipa, que saiu no finalzinho de março, no calor do início da pandemia (na Europa e aqui).

Esse remix é um dos que formarão o novo álbum dela, “Club Future Nostalgia. The Remix Album”, que será lançado logo mais, dia 28 de agosto, e trará remixes de várias músicas do disco, cheio de participações especiais poderosas. Esses remixes já vêm acompanhando os singles lançados e alguns estão até incluídos em chinfras bônus no lançamento do disco “normal” no Japão e Coreia, por exemplo. E, ainda por exemplo, o da faixa Physical vem com Mark Ronson e Gwen Stefani tornando a faixa, tanto quanto o disco de remix todo, “mistura de house dos anos 1990 e pop de 2020”.

Daí que hoje, então, chegamos com este single remix de “Levitating”, música que tem as presenças das divas Madonna e Missy Elliott. A primeira não está no vídeo bombástico da música. A segunda, Elliott, sim. O remix em si é da maravilhosa The Blessed Madonna, a DJ ex-Black Madonna, que resolveu mudar de nome por conta de… bem, você sabe.

O vídeo chegou como uma bomba nuclear nas redes sociais, Twitter em particular, óbvio. Muitos fãs odiaram, muitos fãs amaram. Tem de “Estragou a música e nunca mais quero ouvir Dua Lipa” (estou exagerando) a “Melhor faixa dance que eu ouvi em muitos anos” (nada exagerado aqui). Tem reclamação e longas discussões por que a Madonna não está no vídeo. E muitas e muitas sobre o novo visual da Dua Lipa, de cabelo vermelho.

Escolha suas brigas, mas ouça o remix, veja o vídeo.

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Já viu? Os melhores momentos do incrível documentário do Coachella

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* Neste último final de semana, naquele mundo que conhecíamos e não existe mais, era para ter acontecido a “segunda perna” da edição 2020 do grandioso Coachella Festival, no deserto da Califórnia, um dos festivais mais lindos e bem-organizados do planeta, embora nos últimos anos tenha virado uma “outra coisa” em relação ao que era nos anos 2000, musicalmente e “frequentadoramente” falando.

Por 15 dias, até ontem, domingo, até hoje, no pós, o mundo musical estaria vendo, ouvindo, falando, espalhando memes, fotos, comentários, impressões “definitivas” sobre o que rolou no maior encontro de música, arte e pessoas dos EUA. Mas quá…

Não teve nada disso, mas tem isto: há exatos dez dias tem facinho no Youtube o maravilhoso “Coachella: 20 Years in the Desert”, documentário da série Youtube Originals. O filme, quase duas horas de duração, estreou exatamente na sexta da semana passada, o dia em que o Coachella 2020 iria aontecer em seu primeiro final de semana, com a melhor escalação dos últimos anos. Desde seu lançamento de lançamento vi o documentário três vezes. And counting.

A cena de Los Angeles pré-Coachella, desde os anos 80. Como o festival era no começo, como ficou até ser cancelado neste mundo cancelado. Toda sua construção e ideias malucas, a intenção original de sair de Los Angeles (o festival era para acontecer em Palm Springs) e levar algo além de rave eletrônica para o meio do deserto. A feliz cooperação do novo rock ajudando o festival a se consolidar (e se ajudando). O desastroso Woodstock 99 atrapalhando e transformando a concepção de novos festivais uma péssima ideia. Todas as voltas de bandas clássicas incentivadas pelo Coachella até seus planos de inovação na linha show-de-artista-morto-em-holografia e de repetir o line-up em dois finais de semana seguidos. O mundo pré-Coachella para sua produtora em particular, a por pouco falida (duas vezes) e hoje gigante Goldenvoice (que até 1999 promovia eventos punks e de hip hop nas quebradas de Los Angeles e num país de quase nenhum festival). E, claro, cenas das lendárias performances feitas em seus muitos palcos e tendas.

A Popload listou alguns dos principais momentos do documentário, que, se num primeiro momento conta a história particular do Coachella Festival, revela em sua totalidade a história da música nos últimos 20 anos. A gente, que frequentou muito o Coachella, se permite ir além do documentário em alguns momentos. Assim:

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* Um dos fundadores do Coachella e donos da Goldenvoice, o produtor Gary Tovar, achava que produzir shows de bandas como Nirvana, Chili Peppers e Jane’s Addiction não dava dinheiro, então aumentou seu desempenho como traficante de maconha na Califórnia, o que o levou à cadeia. Goldenvoice, o nome da empresa, representava a qualidade da “high quality” maconha traficada por Tovar, que dava a sensação ao usuário de falar com os anjos. Os federais estavam de olho no produtor tinha quatro anos, até o prenderem em 1991. Foi o histórico ano em que “the punk broke” na música, do Nirvana, do grunge, do “rock alternativo” americano das college radios, do Lollapalooza itinerante e da MTV, que bombava master. Foi nesse cenário que a Goldenvoice, pensando em criar um festival para ir além da produção de shows em casas, “achou” o campo de pólo de Índio. Neste ano, experimentaram fazer um show do Pearl Jam no meio do deserto e juntaram lá 25 mil pessoas, no conhecido “show dos sapatos”. Essa história toda é bem contada no documentário. O Coachella mesmo, como festival, teria sua primeira realização muitos anos depois, em 1999.

* No filme, quando o foco é o primeiro Coachella, de 1999, aparece o Morrissey cantando bom trecho da fantástica “November Spawned a Monster”, vestindo uma camiseta do time inglês West Ham e com a galera subindo ao palco emocionada para abraçá-lo. Quando o Morrissey era um ser maravilhoso por completo.

* O Coachella 99, que teve Rage Against the Machine, Beck, Tool e Chemical Brothers como atrações principais, foi realizado para 35 mil pessoas “só” com cinco palcos e em dois finais de semana. E não teria a edição do ano seguinte, porque a Goldenvoice perdeu tipo 1 milhão de dólares na empreitada inicial e a empresa quebrou. Ou quase. E pela segunda vez (a primeira foi quando o trafica-fundador foi preso). Não quebrou meeesmo porque o Rage e o Beck deram um bom desconto em seus cachês, na hora em que o Coachella apresentou as contas e disse que não ia dar para pagar o combinado. E também porque uns produtores do Lollapalooza, amigos, apareceram para ajudar financeiramente a Goldenvoice, na linha “toma aqui e devolva quando puder”.

* O surgimento de um parceiro milagroso e inesperado fez o Coachella voltar a ser realizado em 2001, apesar do caminhão de dinheiro perdido na primeira edição. E um dos headliners foi exatamente o brother Perry Farrell e seu Jane’s Addiction, reformado exclusivamente para o Coachella daquele ano (último show oficial mesmo tinha sido em 1991, apesar de algumas tentativas de reunião que não levaram a banda à frente). “Pobre”, o festival teve apenas um dia de realização e deu prejuízo de novo, mas desta vez numa quantia “controlável”, segundo a Goldenvoice. Logicamente o número de público foi menor que o do primeiro festival: 30 mil pessoas. Mas fazer o festival em 2001 fez a roda do Coachella realmente começar a girar. E a pequena revolução do novo rock, Strokes e a cena de Nova York + White Stripes, quem diria, ia dar uma grande contribuição à sustentação do Coachella.

* Imagens maravilhosas de shows antigos: Bjork cantando grávida ao vento em 2002; e os maravilhosos The Rapture (na tenda Mojave) e White Stripes (no palco principal) em 2003 são de fazer chorar de nostalgia. E eis que chega 2004, o primeiro ano em que eu fui ao festival, e o Coachella passa a dar lucro. Também, com o line-up daquele ano…

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* A estupenda volta dos Pixies (acima), Radiohead e Kraftwerk são as estrelas do primeiro dia do Coachella 2004, o sábado. Com The Cure encabeçando o domingo, muita gente saiu de Los Angeles rumo ao deserto para ver esta edição. Tem imagens lindas do Radiohead mas os Pixies ganham um “capítulo” lindo no documentário.

* A brincadeira da “banda que volta” pegou, e o Coachella fez o lendário grupo pós-punk inglês Bauhaus reformar e ser um dos grandes nomes da edição 2005. O doc traz a espetacular cena de Peter Murphy entrando como um morcego no palco, pendurado de cabeça para baixo por um cabo de aço, cantando a mítica “Bela Lugosi’s Dead”. É impagável a banda contando que a ideia original era soltar centenas de morcegos no começo do show. Mas que, ainda bem, optaram pelo cabo. Mas aí tinha um outro problema: uma pessoa, eles disseram, só aguenta 15 minutos de cabeça para baixo antes de desmaiar. E a música era longa. Coldplay era o headliner deste sábado. Nine Inch Nails liderava o domingo.

* Trechos de shows lindos do LCD Soundsystem, da saudosa Amy Winehouse, Rage Against the Machine – A volta (2007), MGMT (2014), MIA crescendo no festival (cada um de seus três shows do Coachella foi em palcos diferentes), Kendrick Lamar mais recentemente.

* A história de botar a Madonna no Coachella indie é muito boa e está no documentário. E ainda fazê-la tocar/cantar/dançar na tenda dance (na real eletrônica) parecia muita loucura. Mas o Coachella foi lá e fez, em 2006. Massive Attack era o headliner daquele dia. Depeche Mode estrelava o outro. O Coachella virava um festival gigantesca e passava a gerar dezenas de festivais pelos EUA, que até então era pouco ou nada representativo nessa categoria “inglesa” de evento.
O que não tem no documentário, mas a gente conta: enquanto Madonna provocava loucuras na tenda dance, no mesmíssimo horário o brasileiro Seu Jorge se apresentava em um dos outros palcos do festival. E foi estimado que 30 mil pessoas ficaram lotando dentro e as imediações da tenda da Madonna, cuja capacidade real era de 12 mil pessoas. Imagina o fervo.

* Agora megafestival, o Coachella 2007, o do Rage, show que eu quase morri (conto outra hora), foi para três dias de realização, acrescentando a sexta-feira. Exatamente essa sexta incluída, teve a volta do Jesus & Mary Chain, Interpol e o primeiro grande show no deserto da Califórnia do Arctic Monkeys, tudo debaixo da headliner Bjork. Que dia para se estar vivo e no deserto. O sábado marcou tambem a ascensão dos canadenses Arcade Fire rumo ao status de headliner (já tinham feito a espetacular estreia em 2005 e seriam atração principal em 2011, no famoso show das bolas). O Coachella foi para “outros lugares” em 2007, botando o DJ Tiesto no palco principal.

* O documentário do festival dedica um capítulo inteiro para a colossal tenda eletrônica, a Sahara, e como o mito do DJ, aliado à popularização das raves na Califórnia e a EDM tomando conta de tudo, caminhou junto com o evento. No meio dessa construção tem uma apresentação lendária do duo francês Daft Punk em 2006 (pulei aí em cima de propósito). Toda a cena eletrônica, os indies e até o pessoal do hip hop falam dessa performance da dupla de robôs, que antes de entrar no palco botou o tema do “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” para ecoar por alguns minutos e a expectativa da aparição deles no palco ficar insuportável. Um show do outro mundo. O cenário da apresentação era o da pirâmide, que viria para o Brasil no Tim Festival. O famosão Steve Aoki disse que Daft Punk no Coachella 2006 mudou sua vida para sempre.

* Obviamente tem o capítulo do Coachella e o hip hop. Desde que o Invisibl Skratch Piklz, do incrível A-Trak, tocou na primeira edição numa tendinha, no Coachella 1999. Entre outras coisas, tem a primeira vez do Kanye West no festival, em 2006, com o rapper perdendo 20 minutos de seu show porque estava “no trânsito”. Sua banda já estava fazendo um som no palco, aleatório. Kanye chegou já cantando, esbaforido, e quis continuar a apresentação além de seu tempo, mas não deixaram. Ele voltaria em 2011 como atração principal e com um show gigantesco.

* 2011 aliás teve o “encontro” de Kanye West com Strokes como headliner do domingo. Este Coachella em especial ficou sold out em menos de uma semana. Além do Arcade Fire (sábado), o grupo Kings of Leon foi o outro headliner (sexta). A bombação era tanta que em 2012 fizeram a loucura de botar o mesmo line-up de um fim de semana para repetir no seguinte. E deu certo.

* Em 2012, Dr. Dre e Snoop Dogg se juntaram para fazer um show “all-stars” de hip hop, recebendo o falecido Tupac Shakur em holograma. Seria histórico? Seria de gosto duvidoso? O Coachella foi lá e fez. O Obama citou, virou desenho do South Park. Bingo! Fora que a parada foi sensacional e estranha na mesma medida.

* Chegamos à terceira evolução do Coachella, para a música de hoje, Travis Scott, Tyler the Creator, Billie Eilish, os shows transmitidos no Youtube e tal. A industrialização do Coachella como espaço para selfies de influencers com viagem bancada por marcas. A invasão chinesa.

* Vai tudo até os shows da Beyoncé em 2018, a primeira mulher negra a ser headliner do festival, que talvez feche uma era rica para o Coachella falido de 1999. E comece outra, porque em 2019 o festival deu grande destaque para as Black Pink, grupo de meninas do k-pop. Fodeu?

* Se você ainda não viu esse documentário do Coachella no Youtube, pare o que está fazendo e vá ver.

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