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Top 50 da CENA – Rico Dalasam volta ao topão. Karol Conká emplaca o segundo. Saskia se classifica para o terceiro lugar

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* Rico Dalasam no topo de novo. Agora com seu miniálbum ao vivo, a gente se certificou de que estávamos certos em dar novo destaque para músicas que já tivemos uma megaatenção no ano passado. Renovadas ao vivo com o canto da plateia (lembre-se de que estamos falando de um álbum que saiu na pandemia), “DDGA” tem sua força e sentidos multiplicados pela multidão. Primeiro lugar sem mais conversa em uma semana que ainda tem o retorno da Karol Conká aos álbuns, mais um aquecimento da Saskia em direção ao seu novo disco e um início da nossa pesquisa sobre a música do Piauí a partir de uma playlist muito especial que encontramos. Chega junto que a música brasileira não para de soltar as brabas.

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1 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah (Ao Vivo no Encontro DDGA)” (Estreia)
“Foda, né”, alguém da plateia comenta em um intervalo entre os versos. Essa cena conta um pouco do clima intimista que está presente no EP ao vivo “Encontro DDGA”, registro de uma apresentação de Rico Dalasam em São Paulo. No disco todo a plateia canta tão alto quanto Rico em parte do repertório de seu disco mais recente “Dolores Dala Guardião do Alívio”. A mensagem está nessa recepção do público. É mais forte que um hit, sem dúvida. Outra conexão. Muito interessante que o disco seja tão curtinho… Sabe aqueles ao vivo antigos quando duas horas não cabiam em um LP?

2 – Karol Conká – “Fuzuê” (Estreia)
Massa ver que após o barulho do BBB e todas as tretas que rolaram por lá a música de Karol volte a falar mais alto. Ela manda bem demais para ser menos conhecida pela música do que por um programa de TV chato a beça. Ela voltou. Deixa a música falar.

3 – Saskia – “Quartas de Final aos 45 do Segundo Tempo” (Estreia)
A Saskia escreveu no seu Instagram: “Esta musica é sobre o amor e o fim/ É sobre estar impedida no campo e ter que voltar para reverter o placar”. No Bandcamp, abriu mais ainda o jogo: “O amor acaba quando o arbitro apita? Rolou um empate e ninguém decidiu nada nos pênaltis. Todos somos campeões e perdedores de corações”. Falar em metáforas futebolísticas é ganhar uns pontos com a gente, sem dúvida. Estamos ansiosos pelo disco dela que chega logo mais pela Balaclava, ainda que o jogo já esteve ganho, sem dúvidas.

4 – Florais da Terra Quente – “Suco de Umbu” (com Chapéu de Palha) (Estreia)
5 – Narcoliricista – “Bem Pertin” (Estreia)

Coisas que acontecem no Spotify. Semana passada a gente deu o quinto lugar para o Valciãn Calixto (número 9) e foi dar uma fuçada em outras playlists que tinham relacionamento com ele. Caímos em uma montada por Noé Filho, só com músicas do Piauí. É uma seleção com nove horas de bandas e artistas incríveis, vários com lançamentos recentes, tudo muito interessante. A gente resolveu trazer estes dois sons só para começar esse ensaio de um mergulho mais profundo na música do Piauí. Procure saber, viu?

6 – Marina Sena – “Temporal” (Estreia)
No Lollapalooza, a Marina Sena deu um papo de que ama “Temporal”, mas tem poucas chances de apresentar ela por aí porque é uma das músicas menos conhecidas de “De Primeira”, sua estreia solo. Bom, a gente vai tentar dar uma força, tá? Vem hit.

7 – LAZÚLI – “Pomba Gira” (1)
Ju Strassacapa, uma das integrantes do Francisco, El Hombre, adotou um novo nome para sua experiência solo, que casa com seu processo de encontro de um novo nome artístico não binário. A mudança também é sonora, a brisa aqui é bem outra da que Ju despenha na banda, ainda que não tão distante a ponto de causar estranhamento aos fãs. No belo álbum de estreia, “Da Lua”, a música de LAZÚLI cumpre um papel de cura que tem a ver com o processo que inspirou Ju em sua criação. Escute o álbum completo, mas se tiver com presa, escuta também “Me Aconteci”.

8 – Maglore – “A Vida É uma Aventura” (2)
Dá para dizer que os baianos da Maglore encerram um ciclo em quando em 2019 lançaram um álbum ao vivo após quatro de estúdio. Veio a pandemia, alguns singles, teve também o disco solo do vocalista Teago Olivera e agora a banda ensaia o início de uma nova fase, que pelo visto vai investigar muitas das possibilidades dentro da música brasileiras, experimentando como elementos que estão fora do arranjo instrumental básico de uma banda de rock, como esse single já entrega ao remeter muito a coisas dos anos 70.

9 – Valciãn Calixto – “Aquele Frejo” (5)
O incrível músico romântico e macumbeiro piauiense vai lançar em agosto seu novo álbum, que está sendo produzido em Minas Gerais, dada as conexões ricas que se dá na música brasileira atual. Nessas, para preparar nossos corações, Valciãn remexe seu caldeirão de saborosas influências para trazer agora este single de um reggae quase-brega, sempre-gingado, boa para tocar nas rádios que prestem e se prestem à urgência da música nova da CENA. “Aquele Frejo” fala de um relacionamento que nunca existiu, mas deixou marcas. “Eu acho ótimo esse termo e me remete a algo da infância. As mães e as tias da gente quando reclamavam, sempre falavam alguma coisa como: ‘Parem com esse fole, deixem de frejo aí, se não vão tudin apanhar’”, segundo o cantor. “Aquela confusão” seria uma das traduções, mas com o maravilhoso molho nordestino.

10 – Helo Cleaver – “Café com Leite” (4)
Olha a Helo aí. A gente que conhece (e você também, imagino) conhece ela desde sua participação no podcast Vamos Falar Sobre Música e do período que tocou na banda da BRVNKS, fora todo seu rolê no mundo da música independente, fica muito feliz em ver ela assumindo essa posição de colocar para jogo as suas próprias músicas, seu rolê que ela conta que ficou por muito tempo só em rascunhos, culpa da “Priguis”, que dá título ao EP. Ainda bem que ela reagiu e colocou esses sons na rua. Tudo super bonito, a gente merecia escutar.

11 – Messias – “Avenida Contorno” (3)
12 – Labaq – “Dóidóidói” (6)
13 – Pabllo Vittar e Rina Sawayama – “Follow Me” (7)
14 – Jota.pê – “Preta Rainha” com Kabé Pinheiro e Marcelo Mariano (8a)
15 – Dududa – “Vou Seu” (9)
16 – Luneta Mágica – “Além das Fronteiras” (10)
17 – Vanguart – “Amor” (21)
18 – HENRI – “Coração de Plástico” (13)
19 – Agnes Nunes – “Não Quero – A COLORS SHOW” (14)
20 – Diogo Strausz – “Deixa a Gira Girar” (15)
21 – Zudizilla – “Oya” (16)
22 – Terno Rei – “Aviões” (17)
23 – Coruja BC1 – “Auxílio Emergencial do Rap” (19)
24 – Duda Beat – “Dar uma Deitchada” (20)
25 – Larissa Luz – “Brinco Só” (21)
26 – Monna Brutal – “Hashtag (com Mu540)” (22)
27 – Afrocidade – “Toma” (23)
28 – B.art – “Mamba Negra” (com Zilladxg) (24)
29 – Urias – “Foi Mal” (25)
30 – Wado – “Aquele Frevo Axé (com Patrícia Marx)” (26)
31 – Gab Ferreira – “faking it” (27)
32 – Luedji Luna – “Banho de Folhas” (Raze Mix) (28)
33 – Febem – “Champions” (29)
34 – Jambu – “Sem Rumo” (30)
35 – Otto – “Peraí Seu Moço” (31)
36 – Ava Rocha – “Papais Panacas” (com Iara Rennó e Saskia) (32)
37 – Bruno Morais – “Onironauta” (33)
38 – Black Alien – “Pique Peaky Blinders” (34)
39 – Supervão – “Primeiro Date” (35)
40 – Julia Mestre – “Meu Paraíso” (com Lux & Tróia) (36)
41 – FBC – “Se Tá Solteira Breaking Beattz remix” (com Mac Júlia) (37)
42 – Bala Desejo – “Lambe Lambe” (38)
43 – brvnks – “holy motors” (39)
44 – China – “Carnaval Infinito” (40)
45 – Walfredo em Busca da Simbiose – “Traumas de Estimação” (41)
46 – Mc Hariel – “Pirâmide Social” (42)
47 – Gloria Groove – “BONEKINHA” (43)
48 – Do Amor – “A Morte do Amor” (44)
49 – Francisco, el Hombre e Sebastianismos – “Um Dia por Vez” (45)
50 – Gabriel Ventura – “O Teste” (46)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Rico Dalasam.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Lazúli emplaca solo em primeiro, sem o Francisco. Maglore se aventura em segundo. E encontramos o Messias, sumido

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* Fomos buscar um disco que saiu há semanas, um EP, alguns singles. Será que o pessoal tá na ressaca do Lollapalooza? Até a gente atrasou aqui na entrega do Top 50, mas a nossa afirmação semanal de que a música brasileira vive sua melhor e mais criativa frase se prova até em semana de maré mais tranquila. Vários sons lindos, em um período de muitas músicas falando sobre cura e sobre lidar com as coisas de forma mais leve. Interessante.

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1 – LAZÚLI – “Pomba Gira” (Estreia)
Ju Strassacapa, uma das integrantes do Francisco, El Hombre, adotou um novo nome para sua experiência solo, que casa com seu processo de encontro de um novo nome artístico não binário. A mudança também é sonora, a brisa aqui é bem outra da que Ju despenha na banda, ainda que não tão distante a ponto de causar estranhamento aos fãs. No belo álbum de estreia, “Da Lua”, a música de LAZÚLI cumpre um papel de cura que tem a ver com o processo que inspirou Ju em sua criação. Escute o álbum completo, mas se tiver com presa, escuta também “Me Aconteci”.

2 – Maglore – “A Vida É uma Aventura” (Estreia)
Dá para dizer que os baianos da Maglore encerram um ciclo em quando em 2019 lançaram um álbum ao vivo após quatro de estúdio. Veio a pandemia, alguns singles, teve também o disco solo do vocalista Teago Olivera e agora a banda ensaia o início de uma nova fase, que pelo visto vai investigar muitas das possibilidades dentro da música brasileiras, experimentando como elementos que estão fora do arranjo instrumental básico de uma banda de rock, como esse single já entrega ao remeter muito a coisas dos anos 70.

3 – Messias – “Avenida Contorno”
Outro patrimônio da música baiana, o grande Messias, que um dia liderou o Brincando de Deus, vê agora música lindona que lançou em 2009, que nem está nas plataformas, ganhar um vídeo caprichadíssimo, dirigido por Alex Coléman, filminho contemplativo que traz imagens antigas de Messias e sua banda. Que este vídeo sirva pelo menos para estimular que as músicas solo do cantor ou a obra do noventista Brincando de Deus seja colocado nas plataformas. A música independente brasileira merece.

4 – Helo Cleaver – “Café com Leite” (Estreia)
Olha a Helo aí. A gente que conhece (e você também, imagino) conhece ela desde sua participação no podcast Vamos Falar Sobre Música e do período que tocou na banda da BRVNKS, fora todo seu rolê no mundo da música independente, fica muito feliz em ver ela assumindo essa posição de colocar para jogo as suas próprias músicas, seu rolê que ela conta que ficou por muito tempo só em rascunhos, culpa da “Priguis”, que dá título ao EP. Ainda bem que ela reagiu e colocou esses sons na rua. Tudo super bonito, a gente merecia escutar.

5 – Valciãn Calixto – “Aquele Frejo” (Estreia)
O incrível músico romântico e macumbeiro piauiense vai lançar em agosto seu novo álbum, que está sendo produzido em Minas Gerais, dada as conexões ricas que se dá na música brasileira atual. Nessas, para preparar nossos corações, Valciãn remexe seu caldeirão de saborosas influências para trazer agora este single de um reggae quase-brega, sempre-gingado, boa para tocar nas rádios que prestem e se prestem à urgência da música nova da CENA. “Aquele Frejo” fala de um relacionamento que nunca existiu, mas deixou marcas. “Eu acho ótimo esse termo e me remete a algo da infância. As mães e as tias da gente quando reclamavam, sempre falavam alguma coisa como: ‘Parem com esse fole, deixem de frejo aí, se não vão tudin apanhar’”, segundo o cantor. “Aquela confusão” seria uma das traduções, mas com o maravilhoso molho nordestino.

6 – Labaq – “Dóidóidói” (Estreia)
Em Portugal há dois anos, a brasileira Labaq ficou esse tempo sem soltar novidades. E nesse período muita coisa rolou. Ela escreve: “DÓIDÓIDÓI é minha jornada de volta pra criar, é lamber a ferida pra sarar – enquanto outras abrem e a gente vai lidando como dá […] é um resumo meu, desses dois anos de vida em Portugal, de um ano e pouco me entendendo como não binárie, de partilhar a vida com pessoas que amo muito, de saudades do Brasil e das minhas pessoas daí”. No final desse texto postado no Instagram, vem a pergunta sobre o que a gente achou da música? De uma beleza, Labaq. Manda mais?

7 – Pabllo Vittar e Rina Sawayama – “Follow Me” (Estreia)
Quem viu o show da Pabllo no Lollapalooza até o finalzinho viu o bandeirão do Lula que… Quer dizer, teve um gostinho do seu novo single com a nipo-britânica Rina Sawayama – que para quem não conhece também faz um pop malucaço bem na linha do que a Pabllo produz por aqui. Tanto que não é o primeiro diálogo das duas, Pablo participou do remix de “Comme Des Garçons” da Rina.

8 – Jota.pê – “Preta Rainha” com Kabé Pinheiro e Marcelo Mariano (Estreia)
“Preta Rainha” é uma música querida pelos fãs de Jota.pê e que circulava pela internet em diferentes versões ao vivo. E isso tem tempo, mas nada dele registrar ele oficialmente. Agora finalmente, como ele mesmo escreveu no YouTube, a música ganhou uma versão de estúdio que garante sua presença nas plataformas de streaming. Agora sim e para chegar mais longe, com certeza.

9 – Dududa – “Vou Seu”
Projeto “diferente” do veterano rocker Chuck Hipólitho e a jovem Duda Maiolino, da catarinense Horney Band, que virou um single duplo. Um nada forgotten boy e uma rising girl experimentando uma eletrônica elaboradamente simples, que dá um caldo novo para a carreira dos dois, cada um em seu momento. Que venham mais coisas daqui.

10 – Luneta Mágica – “Além das Fronteiras” (2)
Muito especial a abordagem que esta banda de Manaus escolhe em seu terceiro e conceitual álbum, “No Paiz das Amazonas”. O instrumental de banda de rock clássico (baixo, bateria e guitarra) é preenchido por outras paisagens sonoras. Como eles próprios argumentam, há um avanço de olho no krautrock alemão do final da década de 60 e na percussão experimental brasileira, além de referências à música popular do Amazonas, como o Gambá de Maués e o Boi Bumbá de Parintins. Inspiração do disco, é como se o grupo refizesse o caminho proposto pelo cineasta Silvino Santos em seu filme “No Paiz das Amazonas”, lançado há 100 anos e que exibiu a floresta e suas relações para o mundo de maneira inédita.

11 – Rico Dalasam – “Braille” (Ao Vivo no Encontro DDGA) (1)
12 – Vanguart – “Amor” (3)
13 – HENRI – “Coração de Plástico” (4)
14 – Agnes Nunes – “Não Quero – A COLORS SHOW” (5)
15 – Diogo Strausz – “Deixa a Gira Girar” (6)
16 – Zudizilla – “Oya” (7)
17 – Terno Rei – “Aviões” (8)
18 – Saskia – “Quarta Trave” (9)
19 – Coruja BC1 – “Auxílio Emergencial do Rap” (10)
20 – Duda Beat – “Dar uma Deitchada” (11)
21 – Larissa Luz – “Brinco Só” (12)
22 – Monna Brutal – “Hashtag (com Mu540)” (13)
23 – Afrocidade – “Toma” (14)
24 – B.art – “Mamba Negra” (com Zilladxg) (15)
25 – Urias – “Foi Mal” (16)
26 – Wado – “Aquele Frevo Axé (com Patrícia Marx)” (17)
27 – Gab Ferreira – “faking it” (18)
28 – Luedji Luna – “Banho de Folhas” (Raze Mix) (19)
29 – Febem – “Champions” (20)
30 – Jambu – “Sem Rumo” (21)
31 – Otto – “Peraí Seu Moço” (22)
32 – Ava Rocha – “Papais Panacas” (com Iara Rennó e Saskia) (23)
33 – Bruno Morais – “Onironauta” (24)
34 – Black Alien – “Pique Peaky Blinders” (25)
35 – Supervão – “Primeiro Date” (26)
36 – Julia Mestre – “Meu Paraíso” (com Lux & Tróia) (27)
37 – FBC – “Se Tá Solteira Breaking Beattz remix” (com Mac Júlia) (28)
38 – Bala Desejo – “Lambe Lambe” (29)
39 – brvnks – “holy motors” (30)
40 – China – “Carnaval Infinito” (32)
41 – Walfredo em Busca da Simbiose – “Traumas de Estimação” (33)
42 – Mc Hariel – “Pirâmide Social” (34)
43 – Gloria Groove – “BONEKINHA” (35)
44 – Do Amor – “A Morte do Amor” (36)
45 – Francisco, el Hombre e Sebastianismos – “Um Dia por Vez” (37)
46 – Gabriel Ventura – “O Teste” (38)
47 – Baco Exu do Blues – “Lágrimas” (39)
48 – Autoramas – “Nóias Normais” (40)
49 – Fernando Catatau – “Nada Acontece” (43)
50 – Assucena – “Parti do Alto” (44)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o cantora “francisca” Lazúli.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

POPNOTAS CENA – O Do Sol volta hoje. Letrux está sozinha junto com todo mundo. Sophia Chablau e Jadsa no Blue Noite. Maglore no Cine Joia. O “Menino” do RRocha

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– O gigantesco festival independente brasileiro Do Sol, que acontece desde Natal, RN, um dos mais tradicionais do calendário de eventos brasileiro, volta a ser presencial a partir de hoje e em duas etapas: uma agora em dezembro, que vai desta noite até domingo e é considerado um “aquecimento”. E o festival mesmo em janeiro, chamado Jardim do Sol, que rola nos sábados 15, 22 e 29 e terá como destaques os baianos do Àttooxxá, a mineira hype Marina Sena e o duo Ferve e Bixarte, entre outros. O Do Sol warm-up de agora será na Casa da Ribeira e o Do Solzão de janeiro é na Capitania das Artes. Toda a info de programação e ingresso aqui.

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– A cantora carioca Letrux soltou novo single, de nome ótimo (em inglês e strokiano). “We’re All Alone Together” chegou hoje aos streamings gerais, mas foi composta em 2013, para quem acha que é uma canção pandêmica. Recentemente Letrux soltou quatro singles que estavam “guardados” há algum tempo, para aproveitar a temporada forçosamente parada. O lançado hoje mais “I’m Trying To Quit” (de 2013), “Isso Aqui é um Campo Minado” (de 2008) e “Sai da Minha Cabeça” (2007). A melhor parte desta ótima “We’re All Alone Together” é quando ela vem com seus textos em português, recitados. Recentemente, Letrux ainda divulgou o vídeo para “Cuidado, Paixão”, de seu segundo disco, “Letrux aos Prantos”, lançado na virada do mundo para a pandemia, em março de 2020. Mas agora vêm os shows do disco. Letrux se apresenta nesta sexta, sábado e domingo no Sesc Pompéia, em SP. Hummmmm.

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– Dobradinha muito esperta de shows indies acontece neste domingo, 12, no aconchegante palco do Blue Note, na Avenida Paulista. A ótima banda paulistana Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo e a não menos ótima guitarrista baiana Jadsa se apresentam dentro do projeto On Stage Talks – O Futuro é Agora, promovido pela conhecida On Stage Lab. Sophia e sua linda gangue toca músicas de seu recente primeiro álbum homônimo (selo Risco) às 19h30. Uma hora depois, é a vez de Jadsa (foto abaio) mostrar ao vivo as canções de seu elogiadíssimo álbum “Olho de Vidro” (selo Balaclava), um dos melhores discos deste ano tanto quanto o da Sophia. Ingressos, em mesa, como bem funciona o Blue Note, podem ser comprados aqui.

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– O gaúcho RRocha, nome artístico de Rafael Rocha, ex-Wannabe Jalva, lançou em agosto um livro e um filme que também era um disco, o EP “Conterrâneos Estrangeiros” (selo Bananada), seu primeiro trabalho solo inteiro, digamos. Hoje, ele revela o vídeo da faixa “Menino”, deste EP. Diferentemente de outros vídeos, cujo foco eram de imagens gaúchas, desta vez RRocha traz uma obra visual que mostra a comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro. A faixa traz a participação especial do rapper carioca Ramonzin.

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– A banda baiana Maglore, do guitarrista e vocalista Teago Oliveira, é atração desta sexta-feira no Cine Joia, na Liberdade. É o reencontro do quarteto com o público em quase dois anos. O show será especialíssimo para os maglores grupo estará acompanhado de um trio de metais, apresentando clássicos dos 12 anos de carreira. Podemos adiantar que, pelo que já vendeu de ingresso, o Joia vai estar bem bonito para o rolê do Maglore. Ingressos aqui.

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GIO, ex-Giovani Cidreira, reúne “quase” a CENA toda em seu novo disco solo

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* Ainda que nas plataformas de streaming a gente siga achando ele por Giovani Cidreira, sabemos que seu nome agora ele é GIO. E GIO lançou seu aguardado segundo álbum solo. “Nebulosa Baby” é mais uma parceria do baiano de Salvador com Benke Ferraz, guitarrista do Boogarins nas vezes de produtor, ele que já tinha colaborado com GIO nos EPs “MixStake”, solo, e “Mano*Mago”, encontro de GIO com Mahal Pita.

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Antes de qualquer outra palavra sobre “Nebulosa Baby”, vale ressaltar a primeira coisa que deixa a gente de cara neste disco, da capa acima. As participações do álbum são quase que uma retrospectiva dos nomes que mais elogiamos no Top 50 da CENA desde sua criação. Saca só a lista: Alice Caymmi, Jadsa, Luiza Lian, Josyara, Jup do Bairro, Ava Rocha, Dinho do Boogarins, Maglore, Obinrin Trio e Luê. Sério, tá mais fácil pensar quem ficou de fora. Concorreu aí com o Kanye West, quem consegue a melhor lista de feats. da história.

Mas exagero nosso à parte, a bela obra vem acompanhada ainda de um parte visual, elaborada por GIO com Edvaldo Raw, cineasta de Salvador – essa luxuoso adendo imagético não traz o álbum completo, mas parte da produção em 14 minutos de uma história que busca “uma manifestação diversa e expandida da realidade”. E olha, está tudo lindão. Se liga:

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* A foto de GIO, que ilustra a chamada deste post na home da Popload, é de Alex Oliveira.

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Top 50 da CENA: E a liderança do ranking é do primeiro grande hino de 2021. Que na real é de 2017. Sabe qual?

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* Um som de 2017 na liderança de um ranking que puxa as novidades da semana (de 2021, no caso)? Talvez essa seja a pergunta que está na sua cabeça neste momento. Está na nossa também, haha. Mas fazer o quê?

Alguém não acredita que “Bum Bum Tam Tam” é a música do ano até aqui? Além do mais, o Top 50 não existia naquela época. Então a gente pode agora dar uma reajeitada na linha do tempo e oferecer um primeiro lugar justo e merecido ao MC Fioti e seu “Melô da Vacina”.

Mas, sim, temos espaço para as novidades costumeiras também no nosso ranking semanal. Mas só algumas. É que o ano ainda segue devagar.

Cadê as músicas novas, pessoal?

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1 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (Estreia)
“Bum Bum Tam Tam” é a trilha sonora da vacina, é questão do ENEM, é o funk brasileiro mais popular no YouTube – 1,5 bilhão de plays. É um som histórico. Leandro Aparecido Ferreira, o MC Fioti, representa exatamente o que é “do it yourself” do funk brasileiro. A voz da música foi gravada no celular. A produção e um sample de Bach foram construídos em seu notebook “cheio de vírus”. Gênio é uma palavra que cabe aqui, ainda que numa concepção nada tradicional.

2 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (Estreia)
Integrantes da banda da Letrux andam revendo o repertório do álbum “Aos Prantos”, no que deve formar um EP chamado “Aos Prantos Pandêmicos”. Nas mão de Martha V, “Dorme Com Essa” ganhou ares acústicos e vozes adicionais. Outro clima mesmo. Tão bom quanto o original.

3 – MC Carol –  “Levanta Mina” (Estreia)
Reclamar que o funk, ou só o funk, é um gênero machista é uma imprecisão. Todos os outros gêneros musicais do país sofrem do problema. E, no funk, a luta por canções feministas está bem ativa. “Levanta Mina” é um som para levantar, mesmo, a autoestima de todas as minas. Petardado da sempre excelente MC Carol.

4 – Marrakesh – “To Comprehend” (Estreia)
Aqui um som do Marrakesh que já circulou nessa listinha quando saiu em single. É que a banda reuniu três singles do ano passado em um EP, “Knots”, lançado semana passada por selo gringo e que traz duas inéditas – que são bem boas também. Esta “To Comprehend” tem um clima irresistível demais. Dá uma chance, se não conhece ainda.

5 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (1)
Nosso disco favorito de funk em 2020. Sim, disco. E conceitual. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”. Um álbum que passeia por misturas do funk com outros ritmos apresentando diversos pontos de vistas de uma noite pelas quebradas de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.

6 – Criolo – “Fellini” (2)
30 anos de rap não é para qualquer um. E a experiência parece só fazer bem a Criolo. “Fellini” é em parte isso. Uma intersecção interessante de experiência e experimentação. Como em um filme de Fellini, Criolo consegue dar sentido a diversas pontas soltas, narrativas e ideias. Aparentemente, não há um sentido claro na letra. E, ainda que os ouvintes tirem mil conclusões diferentes, todas parecem friamente calculadas pelo compositor. Trabalho nível grande mestre.

7 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (3)
“quem soul eu” é um som conhecido do pessoal que viu a Linn no palco durante os shows de Trava Línguas, sua experimentação no palco ao lado de BadSista que vai dar em álbum neste ano. BadSista escreveu que criar uma versão definitiva de som que mudava cada vez que rolava ao vivo foi um desafio. A gente devolve que esse desafio foi cumprido com sucesso.

8 – Cambriana – “Induction Bread” (Estreia)
Vacilamos em não dar atenção no ano passado ao novo disco da Cambriana, banda esperta de Goiânia. Também eles não ajudaram – soltaram a novidade no final de dezembro. Mas já estamos apaixonados por essa canção cheia de diferentes climas, momentos, ritmos. Ezra Koenig do Vampire Weekend ligou com invejinha.

9 – Kamau – “Pensei” (4)
Por falar em experiência no rap, parece que “Pensei”, do Kamau, é uma boa reflexão sobre seu trabalho. Sempre calculando, refletindo. Na calma e seriedade de quem não transforma a obra em um mero produto, que nasce pronto para ser consumido e esquecido.

10 – IVYSON – “Trilho” (5)
Bem bonito e delicado o trabalho desse jovem compositor de Recife. No caso desta “Trilho”, do EP “Retalhos”, é uma mera canção cotidiana sobre a morte. Mas, delicadíssima, não cita a “maldita” uma vez sequer.

11 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (6)
12 – Wry – “Absoluta Incerteza” (7)
13 – Silva e Criolo – “Soprou” (8)
14 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (9)!
15 – YMA – “White Peacock” (10)
16 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (11)
17 – Edgar – “Também Quero Diversão” (12)
18 – Luedji Luna – “Chororô” (13)
19 – Black Alien – “Chuck Berry” (14)
20 – Vovô Bebê – “Bolha” (15)
21 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (16)
22 – The Baggios – “Mantrayam” (17)
23 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (18)
24 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (19)
25 – Zé Manoel – “História Antiga” (21)
26 – Liniker – “Psiu” (22)
27 – Ítallo – “O Time da Mooca” (23)
28 – Tuyo – “Sonho da Lay” (24)
29 – Carabobina – “Pra Variar” (26)
30 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (27)
31 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
32 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
33 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
34 – BK – “Movimento” (33)
35 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
36 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
37 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
39 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
40 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
41 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
42 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
43 – Don L – “Kelefeeling” (42)
44 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
45 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
46 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
47 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
48 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
49 – Jhony MC – F.A.B. (48)
50 – Djonga – “Procuro Alguém (16)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora carioca Letrux.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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