Em Mahal Pita:

TOP 50 DA CENA – Nosso ranking sofreu um chacoalho bom nesta semana, um oferecimendo da TARDA, do Zé Manoel, da Giovanna Moraes, do Khalil, do Criaturas, do Supervão. Até o Djonga reapareceu

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* Semana boa no Top 50 da Popload. A CENA está se movimentando a toda velocidade. Imagina quando puder ter show…
Seis estreias e uma “re-estreia” empurraram as animadas músicas “top 10” da semana passada para baixo, trazendo de tudo: de reflexões sócio-políticas musicadas, sinergia com canções gringas e com gringas em si e pura ferveção sonora de escapismo, para citar alguns panoramas coloridos pelas dez mais desta semana.
Mas, posições à parte, o que interessa é o playlist agregador e ilustrativo que dá o tom lindo que nossa CENA tem em 50 músicas, supernovas, novas ou quase novas.
Misture aí umas mineirices, um pernambucano de voz absurda, um Khalil expansivo, uma Giovanna de energia explosiva, o Supervão lindo, o Criaturas trazendo a Nigéria a Curitiba. Acrescente a Luedji Luna e a Tuyo à fórmula, não esqueça uma pitada saboroso de Ítallo França. Por fim, resgate o Djonga para dar uma liquidificada nesta receita e pronto.
Você tem, pelo menos nas dez primeiras posições, a melhor playlist que você vai ouvir até quarta-feira que vem. Bom proveito!

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1 – TARDA – “Ninguém por Enquanto” (Estreia)
Uma alegria o soturno disco do coletivo TARDA (formado por Sara Não Tem Nome, Júlia Baumfeld, Victor Galvão, Paola Rodrigues e Randolpho Lamonier). Como diz o escritor, aquela luz que permite que vejamos quanta escuridão há ao redor.
2 – Zé Manoel – “História Antiga” (Estreia)
A delicadeza do piano e voz do pernambucano Zé Manoel por aqui lamentam uma história antiga de uma civilização antiga que ainda é a nossa. Esse choque temporal contrasta na canção com a alegria do passado, presente e futuro imaginado pelo povo negro e índigena no Brasil, que lutam desde sempre por um país mais justo. Uma luta que segue firme enquanto uns resistirem em serem tão antigos. Um discurso sempre importante, agora com uma lindíssima música para embalá-lo.
3 – Giovanna Moraes – “Singularidade” (Estreia)
A versão original desse som tinha uma pegada tipo MPB-eletrônica. Agora, Giovanna coloca guitarras em bom volume para dar um novo grau na música, levando ela para um outro lugar. Que acerto. A ideia é parte de “Rockin’ Gringa”, bom EP onde as canções do disco “Direto da Gringa” ganharam contornos pesados, digamos. Que peso, Giovanna!
4 – Khalil – “De Cara Pro Vento” (Estreia)
As manchetes sobre Khalil lembram suas semelhanças vocais com Caetano Veloso. Sim, rola isso, mas o menino mostra de cara que tem um talento bem do original em suas composições e situações que cria. “De Cara Pro Vento” é uma bom exemplo disso.
5 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (1)
Ainda mais apaixonados pelo disco novo da Luedji, lançado tem mais de mês, que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Ain’t I a Woman”, uma das muitas boas faixas, e que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
6 – Supervão – “Get Out” (Estreia)
Era uma vez uma banda gaúcha que nem de Porto Alegre é fazendo um sonzinho indie psicodélico de pegada propria, que tomou alguma água sulina batizada, viu alguma coisa que a gente não viu e hoje está buscando o colorido psicodélico dentro da eletrônica mais underground. Já ouviu o EP que eles lançaram, o “apropriado” “Depois do Fim do Mundo”? Então…
7 – Tuyo – “Sonho da Lay” (3)
Você anda sonhando? Ou já acorda apressado e perde o que sonhou? Vai ver a Lay Soares, parte do trio Tuyo, aprendeu com Sidarta Ribeiro, neurocientista que sabe tudo do assunto, a técnica de registrar os sonhos antes de eles sumirem na nossa mente. E transformou isso em canção. E que canção absurda de boa! Tuyo cada vez melhor. O som ainda tem a participação do cantor carioca Luccas Carlos.
8 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (8)
Itallo relembra em uma canção suingada suas lembranças sobre bater uma bola na infância com os colegas. A letra é tão simples quanto rica ao trazer a escalação do time e umas cenas que trazem lembranças: “E eu era a no 02/ de caneta riscada na farda/ a marca da lama da bola/ na parede parda/o pé cheio de ferida”.
9 – Criaturas – “Omalola” (Estreia)
Interessante o som da banda curitibana Criaturas. Esse aqui em especial é baseado em uma canção folclórica da nigeriana que foi passada para eles por uma enfermeira do país que cuidou de um tratamento do bebê da vocalista da banda. A canção é justamente sobre como deixar bebês felizes. Tipo nós?
10 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
Agora com vídeo oficial, relembramos uma das nossas favoritas do ano. No Top 50 há semanas, a canção de Djonga é um apaixonado escrito para sua filha mais nova. Que transborda em som aoos nossos ouvidos
11 – Luna França – “Minha Cabeça” (6)
12 – Chico Bernardes – “Em Seu Lugar” (2)
13 – Silva – “Passou Passou” (4)
14 – Wry – “Uma Pessoa Comum” (5)
15 – Carabobina – “Pra Variar” (7)
16 – Chuck Hipólitho – “Disincaine” (9)
17 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (10)
18 – Lauiz – “Corona Music for Corona People” (11)
19 – Nelson D – “Xenofunk” (12)
20 – Duda Brack – “Toma Essa” (13)
21 – Kiko Dinucci – “Habitual” (14)
22 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (16)
23 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (19)
24 – Pessoas Estranhas – “Rubens” (20)
25 – KL Jay – “Território Inimigo” (22)
26 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (24)
27 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (25)
28 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (26)
29 – Carne Doce – “Hater” (27)
30 – Rohmanelli – “Toneaí” (28)
31 – PLUMA – “Leve” (29)
32 – Luiza Lian – “Geladeira” (30)
33 – BK – “Movimento” (31)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (32)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (33)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (34)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (35)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (36)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (37)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (38)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (39)
42 – Don L – “Kelefeeling” (40)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
48 – Jhony MC – F.A.B. (47)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do músico pernambucano Zé Manoel.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Luedji Luna reina e a gente tenta explicar por quê. Mais: Chico Bernardes cresceu, o Wry português, Luna França e Ítallo França. O tudo a ver no nada a ver

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* Reparamos que a coisa está no seguinte pé: a cantora baiana Luedji Luna respira, mexe no top 5 do nosso Top 50. Agora ela lançou o discaço novo que ela já tinha lançado, mas desta vez foi para o Youtube (!!!!). Não entendemos nada, mas aceitamos demais. E isso, como é nossa bolsa de valores quando a situação econômica sofre algum abalo de qualquer nível, tem consequências diretas no nosso ranking. Está entendendo? Se tiver, explica para nós.
Nosso jovem Chico Bernardes cresceu, adulteceu. E que bela música ele fez para marcar essa passagem. De resto tem o Wry buscando protagonismo em português, a Luna França buscando protagonismo e ponto, e o Ítallo França (no relation) buscando protagonismo no time de futebol da quebrada dele lá em Arapiraca, Alagoas, mesmo sendo o camisa 2.
Que lindo tudo isso. Que linda nossa playlist da vez!

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1 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (4)
Ainda mais apaixonados pelo disco novo da Luedji, lançado há quase um mês, que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. Agora botamos ele no primeiro lugar, já que ela insiste em ficar nas primeiras posições do nosso ranking. “Ain’t I a Woman”, uma das muitas boas faixas, e que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
2 – Chico Bernardes – “Em Seu Lugar” (Estreia)
Com arranjos floreados, a sonoridade do single novo de Chico Bernardes lembra as suas referências, como Fleet Foxes, e traduz uma sensibilidade que vai muito além de seus 21 anos. Desde uma voz mais segura até um violão mais refinado.
3 – Tuyo – “Sonho da Lay” (1)
Você anda sonhando? Ou já acorda apressado e perde o que sonhou? Vai ver a Lay Soares, parte do trio Tuyo, aprendeu com Sidarta Ribeiro, neurocientista que sabe tudo do assunto, a técnica de registrar os sonhos antes de eles sumirem na nossa mente. E transformou isso em canção. E que canção absurda de boa! Tuyo cada vez melhor. O som ainda tem a participação do cantor carioca Luccas Carlos.
4 – Silva – “Passou Passou” (2)
Atualmente entre os gigantes da MPB, Silva visita com esse ska-MPB suas raízes indie. A letra, dele e do irmão Lucas, é uma fofura sem tamanho. Dentro da MPB a caminho do mainstream, Silva é a voz de esperança e de habilidade em seu sentido, porque parece que a música é de fim, mas é de recomeço. E tem um vídeo maravilhoso, em plano sequência. Parece Belle & Sebastian. Com ou sem Anitta envolvida.
5 – Wry – “Uma Pessoa Comum” (Estreia)
“Noites Infinitas”, novo disco do Wry, traz a banda cantando em português em metade das faixas. No caso, em 50% do disco, é o nosso grupo querido de sempre, mas em outra métrica, outra levada, quase uma outra banda. Talvez seja o costume de saber que é o Wry. Problema nisso? Nenhum. Tanto que uma das nossas prediletas está em português.
6 – Luna França – “Minha Cabeça” (Estreia)
Lançamento do selo CENA na área. A gente sempre avisa. Mas nem teria sentido a gente lançar algo que não bate com o nosso gosto, não é verdade? ”Minha Cabeça” muito tem a ver com o momento atípico que estamos vivenciando em 2020 e é um acerto de Luna, cantora, tecladista, compositora e produtora, que já tocou com Tiê, Rafael Castro e Papisa. Ela assume o protagonismo agora e faz bonito. O futuro, dela, é logo ali.
7 – Carabobina – “Pra Variar” (3)
Bem boa a brisa do casal Alejandra Luciani, engenheira de som de primeira, e Raphael Vaz, mais conhecido por Fefel do Boogarins. Um pop torto, eletrônico, ruídos lá e cá, que pega na produção acertada da Alejandra. Para fãs e não-fãs de Boogarins _ mas quem não é fã do Boogarins, hein?
8 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (Estreia)
Itallo relembra em uma canção suingada suas lembranças sobre bater uma bola na infância com os colegas. A letra é tão simples quanto rica ao trazer a escalação do time e umas cenas que trazem lembranças: “E eu era a no 02/ de caneta riscada na farda/ a marca da lama da bola/ na parede parda/o pé cheio de ferida”.
9 – Chuck Hipólitho – “Disincaine” (7)
A mão do Chuck para versões é assustadora. Ele pira em uma música e arrepia na sua versão. A da vez é a divertida “Disincaine”, de um outro ex-VJ da MTV, o senhor Gastão Moreira em sua banda R.I.P. Monsters. E o vídeo, feito e editado em pouco mais de uma hora, mostra o capricho audiovisual de Chuck, outra característica sua. Cara bom.
10 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (5)
Parte de uma narrativa multimídia que leva o nome de M8TADATAH, Mahal, que já colaborou com BaianaSystem, Afrocidade e Giovanni Cidreira no EP MANO*MAGO, lança este primeiro som que você só encontra no YouTube. É a porta de entrada de uma história que mescla o real e a ficção e reflete sobre alta tecnologia, extermínio da população negra e a noção de pós-morte.
11 – Lauiz – “Corona Music for Corona People”
12 – Nelson D – “Xenofunk” (6)
13 – Duda Brack – “Toma Essa” (8)
14 – Kiko Dinucci – “Habitual” (9)
15 – Marcelo Callado – “Borboletas” (10)
16 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (11)
17 – Supervão – “Fim de Nós/Fim do Sol” (12)
18 – Gabrre – “Elephants” (13)
19 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (14)
20 – Pessoas Estranhas – “Rubens” (15)
21 – Autoramas – “Carinha Triste” (16)
22 – KL Jay – “Território Inimigo” (17)
23 – Yannick Hara – “Necropolítica” (19)
24 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (23)
25 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (24)
26 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (25)
27 – Carne Doce – “Hater” (26)
28 – Rohmanelli – “Toneaí” (27)
29 – PLUMA – “Leve” (28)
30 – Luiza Lian – “Geladeira” (29)
31 – BK – “Movimento” (30)
32 – Vivian Kuczynski – “Pele” (31)
33 – Boogarins – “Cães do Ódio” (32)
34 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (33)
35 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (34)
36 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (35)
37 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (36)
38 – Letrux – “Vai Brotar” (37)
39 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (39)
40 – Don L – “Kelefeeling” (40)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
46 – Giovanna Moraes – “Futuros do Passado” (21)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do Silva.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Música nova da Tuyo é um sonho. Silva passa passando. Mais: a criação de Duda Brack e a recriação de Chuck Hipólitho

1 - cenatopo19

* Sonho e superação lideram nosso ranking, na semana louca da corrida presidencial americana. O que isso tem a ver? Pensa mais.
A banda Tuyo anda se arriscando, misturando. E acertando cada vez mais. Até em outras dimensões: oníricas, de estilo.
O já consagrado músico capixaba Silva também. Ele é amigo da Ivete Sangalo, mas é amigo do ska independente. E anda caminhando bem em qualquer seara que se apresente. Que ele apresente. E fez uma rádio. E fez um vídeo espertíssimo sobre superação, quando pode se imaginar que é sobre lamento. Quão nobre é esse rapaz?
A gaúcho-carioca Duda Brack lançou um vídeo que contém uma música, não o contrário. O paulista-paulistano Chuck Hipólitho lançou uma música de memória afetiva que contém o vídeo mais rápido de todos os tempos. E que ficou demais.
Nossa geografia musical é muito linda. Não vamos deixar que queimem ela.

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1 – Tuyo – “Sonho da Lay” (Estreia)
Você anda sonhando? Ou já acorda apressado e perde o que sonhou? Vai ver a Lay Soares, parte do trio Tuyo, aprendeu com Sidarta Ribeiro, neurocientista que sabe tudo do assunto, a técnica de registrar os sonhos antes de eles sumirem na nossa mente. E transformou isso em canção. E que canção absurda de boa! Tuyo cada vez melhor. O som ainda tem a participação do cantor carioca Luccas Carlos.
2 – Silva – “Passou Passou” (Estreia)
Atualmente entre os gigantes da MPB, Silva visita com esse ska-MPB suas raízes indie. A letra, dele e do irmão Lucas, é uma fofura sem tamanho. Dentro da MPB a caminho do mainstream, Silva é a voz de esperança e de habilidade em seu sentido, porque parece que a música é de fim, mas é de recomeço. E tem um vídeo maravilhoso, em plano sequência. Parece Belle & Sebastian. Com ou sem Anitta envolvida.
3 – Carabobina – “Pra Variar” (1)
Bem boa a brisa do casal Alejandra Luciani, engenheira de som de primeira, e Raphael Vaz, mais conhecido por Fefel do Boogarins. Um pop torto, eletrônico, ruídos lá e cá, que pega na produção acertada da Alejandra. Para fãs e não-fãs de Boogarins _ mas quem não é fã do Boogarins, hein?
4 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (4)
Seguimos aqui apaixonados pelo disco novo da Luedji. “Ain’t I a Woman”, uma das muitas boas faixas, e que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
5 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (Estreia)
Parte de uma narrativa multimídia que leva o nome de M8TADATAH, Mahal, que já colaborou com BaianaSystem, Afrocidade e Giovanni Cidreira no EP MANO*MAGO, lança este primeiro som que você só encontra no YouTube. É a porta de entrada de uma história que mescla o real e a ficção e reflete sobre alta tecnologia, extermínio da população negra e a noção de pós-morte.
6 – Nelson D – “Xenofunk” (2)
Nelson D coloca seu Futurismo Indígena para dialogar com o funk em uma música com diferentes climas e momentos. Parece até um filme. Na letra, um papo sobre xenofobia e a força das diferenças. Afinal, o que temos em comum? As diferenças.
7 – Chuck Hipólitho – “Disincaine” (Estreia)
A mão do Chuck para versões é assustadora. Ele pira em uma música e arrepia na sua versão. A da vez é a divertida “Disincaine”, de um outro ex-VJ da MTV, o senhor Gastão Moreira em sua banda R.I.P. Monsters. E o vídeo, feito e editado em pouco mais de uma hora, mostra o capricho audiovisual de Chuck, outra característica sua. Cara bom.
8 – Duda Brack – “Toma Essa” (Estreia)
A voz da Duda Brack sempre arrepiando em uma música daquelas de fim de relacionamento. O refrão escrito por Bruna Caram já é invejado em diversas pistas do país. Ganhou um filme, como vídeo.
9 – Kiko Dinucci – “Habitual” (Estreia)
10 – Marcelo Callado – “Borboletas” (Estreia)
Ava Rocha aparece nessas duas músicas. Com Kiko, faz a capa do single e as vozes em uma letra do músico cantandoo cotidiano repetitivo dos nossos anos 20 tensos. Com Marcelo, a parceria é na composição na canção de um longa e incansável busca por amor.
11 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (3)
12 – Supervão – “Fim de Nós/Fim do Sol” (5)
13 – Gabrre – “Elephants” (6)
14 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (7)
15 – Pessoas Estranhas – “Rubens” (8)
16 – Autoramas – “Carinha Triste” (9)
17 – KL Jay – “Território Inimigo” (10)
18 – Marrakesh – “Tripin’” (11)
19 – Yannick Hara – “Necropolítica” (12)
20 – Compositor Fantasma – “Banjos e Demônios” (14)
21 – Giovanna Moraes – “Futuros do Passado” (15)
22 – Mulungu – “A Boiar” (17)
23 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (18)
24 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (20)
25 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (21)
26 – Carne Doce – “Hater” (22)
27 – Rohmanelli – “Toneaí” (23)
28 – PLUMA – “Leve” (25)
29 – Luiza Lian – “Geladeira” (26)
30 – BK – “Movimento” (27)
31 – Vivian Kuczynski – “Pele” (28)
32 – Boogarins – “Cães do Ódio” (29)
33 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (30)
34 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (31)
35 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (32)
36 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (33)
37 – Letrux – “Vai Brotar” (34)
38 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (36)
39 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (37)
40 – Don L – “Kelefeeling” (40)
41 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
42 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
43 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
44 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
45 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do Silva.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – O que está acontecendo? Outro índio entra em primeiro. Agora temos dois músicos indígenas, um compositor fantasma e um mascarado no topo. E a Karen Jonz

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* Que coisa mais incrível é a CENA brasileira atual. Na semana passada, um rapper indígena saindo de uma tribo da periferia de São Paulo chapou o primeiro lugar do nosso ranking com um hip hop emocionante versado em tupi-guarani.
Nesta semana, um outro índio brasileiro com uma trajetória bem diferente pega para ele o topo deste Top 50, com um admirável som de base eletrônica em direção a uma redescoberta de sua origem. Ou do que fazer de bom com a musicalidade dela.
Quem me avisou desse disco peculiar de um tribal de Manaus que foi adotado por italianos, teve educação artística europeia e volta ao Brasil para trabalhar nos últimos anos suas ancestralidades sonoras foi ninguém menos que Iggor Cavalera, lá de Londres, que em áureos tempos de Sepultura já se envolveu com indígenas para fazer o melhor disco de sua famosa ex-banda.
Olha as voltas que esta CENA dá.
E, veja, a semana está especialmente incrível e temática por aqui, se jogarmos uma luz apenas nos dez primeiros deste ranking. Tem dois índios, tem compositor fantasma, tem cantor mascarado, tem um músico que de perdido só tem o nome, tem a estreia da Karen Jonz no nosso Top 10.
E, claro, tem ela, a razão de tudo. Uma linda playlist com as 50 músicas da semana escolhidas por nós, na humildade. E na diversidade.

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1 – Nelson D. – “A Grande Revolta” (Estreia)
Nelson D é DJ e produtor de certa rodagem já, mas de pouco tempo para cá quis assumir um protagonismo musical como cantor. A base sonora é o que aprendeu na Europa, onde viveu e estudou. A alma sonora é a que nasceu: a de índio. Soltou agora em maio seu primeiro álbum, “Em Sua Própria Terra”, disco que propõe o que ele chama de Futurismo Indígena. David Bowie ficaria feliz ouvindo “A Grande Revolta”.
2 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Forest Warrior)” – (1)
Kunumi MC é o nome artístico de Werá Jeguaka Mirim, índio de uma aldeia em Parelheiros, zona sul de São Paulo, a Krukutu. Ele é o primeiro rapper solo indígena do Brasil. Sua nova música fala sobre um guerreiro que nascerá das águas e “levará o seu povo a uma nova existência” após os anos de tanta exploração dos homens brancos. E, para além dos conceitos oportunos, que música emocionante!
3 – Compositor Fantasma – “Não Sabendo Que Era Impossível” (Estreia)
O alter-ego do produtor musical Gabriel Serapicos revive as músicas de “um compositor que desapareceu deixando para trás incontáveis letras e partituras”. Tem poucos dias que ele lançou a ótima “Não Sabendo Que Era Impossível”. Vale reparar no trecho: “Você se convenceu das melhores intenções de um canibal”.
4 – ABC Love – “Flertes” (Re-estreia)
A deliciosa “Flertes” retorna a nossa parada por ser um dos destaques do EP “Back to Love”, lançado na semana passada. É a fase de Gevard du Love que agora quer recriar o lance de joguinhos amorosos de verão carioca dos anos 80, aqui com vocais emprestados de Gab Ferreira e Yma. Bom ter você de volta, Flertes.
5 – Marcelo Perdido – “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” (Estreia)
Perdido e seu single “Não Tô Aqui pra Te Influenciar” adiantam o primeiro lançamento de um tal de selo CENA. Será que é isso que você pensou? Leia mais a Popload, se estiver em dúvida. Por enquanto, olho nessa canção bem bonita com um vídeo “premonitório” idem. Na playlist, ela entra sexta-feira, quando será lançada.
6 – Karen Jonz – “O Grande Excesso” (Estreia)
O EP solo de Karen Jonz que sai na sexta-feira é uma mixtape e tanto. Quase dez minutos de músicas bem conectadas, escritas durante sua quarentena. Fiquemos com “O Grande Excesso”. Na playlist, entra sexta-feira, quando será lançada.
7 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (24)
Olha quem também voltou às dez mais, à luz do lançamento do álbum cheio. Uma das nossas favoritas, é a união de Jup do Bairro, Rico Dalasam e Linn Da Quebrada, que vem a ser o tipo de feat que queríamos que fosse mais de uma música. E os versos “Vou colocar uma música/ espero que não se importe/Vamo ouvir Sampa Crew/ talvez Bjork?” já estão na história.
8 – Don L – “Kelefeeling” (2)
Don L não quer só mudança. Esqueça o abstrato. Ele propõe a mudança. É a mudança. A vida é a obra, certo? Em um verso livre, opta em não repetir vícios até na forma de organizar a letra no Rap Genius, na escolha dos produtores, de quem faz o vídeo. O novo jogo não pode contar com as velhas regras, talvez nem ser chamado de jogo. No limite da contradição, ele deve estar certo. Kelefeeling de volta.
9 – Thunderbird – “A Obra” (3)
Parece Morphine cantado por um adolescente louco. E talvez esssa afirmação seja mais literal do que parece. Afinal, estamos falando do querido Luiz Thunderbird, eterno ex-VJ, já eterno agitador das várias mídias novas. Das almas mais apaixonadas por música. seja falando sobre ou aqui, em plena ação. Sabedoria e punk rock em doses corretas faz muito bem. E um disco inteiro ainda está por sair. Oba!
10 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (4)
Em seu mais recente disco, Marcela Mahmundi encontra em velhos timbres um som que é totalmente novo. Seja para ela, seja para o mundo. Novo mundo. O que é o violão dessa faixa? Gravado em fita, ele transporta a gente aos anos 60, 70, enquanto todo o resto nos deixa em 2020. E bem acompanhados por Mahmundi, arrepiando em termos de voz e letra. Uau!
11 – Sessa – “Sereia Sentimental” (22)
12 – Mulungu – “No Ar” (5)
13 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (6)
14 – Jair Naves – “Irrompe” (7)
15 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (8)
16 – Black Pantera – “I Can’t Breath” (9)
17 – Paulo Nazareth e Nic Medeiros – “A Volta Que o Mundo Deu” (Estreia)
18 – TARDA – “Breath” (10)
19 – ÀIYÉ – “Pulmão” (11)
20 – Silva – “Aquele Frevo Axé” (ao vivo) (12)
21 – Vanguart – “Encontro Adiado” (13)
22 – As Bahias e a Cozinha Mineira – “Forasteira” (14)
23 – Wado – “Nina” (15)
24 – The Raulis – “Distante Desejo” (16)
25 – Lila – “Lunação” (17)
26 – Arthur Melo – “Tempo Após um Contratempo” (20)
27 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (23)
28 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (25)
29 – Carne Doce – “A Caçada” (26)
30 – Tagua Tagua – “Inteiro Metade” (27)
31 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (29)
32 – Tagore feat. Boogarins – “Drama” (30)
33 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (31)
34 – Edgar – “Carro de Boy” (32)
35 – Douglas Germano – “Valhacouto” (33)
36 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (37)
37 – Kiko Dinucci – “Veneno” (38)
38 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (39)
39 – Duda Brack – “Pedalada” (40)
40 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (35)
41 – Rohmanelli – “Toneaí” (41)
42 – Jhony MC – F.A.B. (42)
43 – Cícero – “Às Luzes” (43)
44 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (44)
45 – Djonga – “Procuro Alguém (45)
46 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (46)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (47)
48 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (48)
49 – Troá! – “Bicho” (49)
50 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico e produtor indígena Nelson D.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Primeiro lugar do nosso ranking é rap indígena. Don L chega mudando tudo. Mulungu chega fazendo esperar. Mahmundi e Thunder seguem quentes. Que ranking!

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* Outra semana bem recheada de lançamentos. São oito novidades, se contamos certinho. Boas novas musicais de Ceará, Recife, Salvador, São Paulo. No caso de São Paulo, de uma aldeia indígena da capital!!! Isso é muito bom e mostra a grandeza variada da nossa CENA.

Isso dito, fica difícil tirar da lista algumas músicas que já consideramos as melhores do ano. Será que alguém já reparou nessas nossas favoritas? Elas estão por aí na lista, nas playlists.

A nossa recomendação de sempre: olhar menos as posições do ranking cujo único critério é como e o quanto escutamos as músicas assim que as recebemos, trombamos com elas ou vamos atrás, na nossa eterna pesquisa musical. Olhar mais, ouvir mais, mesmo, as viagens da nossa playlist, nesse panorama diverso e bonito que ela cria, até incidentalmente, revelando uma magnitude global incrível. Ou local, até. Que seja para você como é para nós: um passeio de horas pela melhor CENA musical do mundo, ou sem qualquer dúvida a mais ampla.

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1 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Forest Warrior)” – (Estreia)
Kunumi MC é o nome artístico de Werá Jeguaka Mirim, índio de uma aldeia em Parelheiros, zona sul de São Paulo, a Krukutu. Ele é o primeiro rapper solo indígena do Brasil. Sua nova música fala sobre um guerreiro que nascerá das águas e “levará o seu povo a uma nova existência” após os anos de tanta exploração dos homens brancos. E, para além dos conceitos oportunos, que música emocionante!
2 – Don L – “Kelefeeling” (Estreia)
Don L não quer só mudança. Esqueça o abstrato. Ele propõe a mudança. É a mudança. A vida é a obra, certo? Em um verso livre, opta em não repetir vícios até na forma de organizar a letra no Rap Genius, na escolha dos produtores, de quem faz o vídeo. O novo jogo não pode contar com as velhas regras, talvez nem ser chamado de jogo. No limite da contradição, ele deve estar certo. Kelefeeling de volta.
3 – Thunderbird – “A Obra” (2)
Parece Morphine cantado por um adolescente louco. E talvez esssa afirmação seja mais literal do que parece. Afinal, estamos falando do querido Luiz Thunderbird, eterno e-VJ, já eterno agitador das várias mídias novas. Das almas mais apaixonadas por música. seja falando sobre ou aqui, em plena ação. Sabedoria e punk rock em doses corretas faz muito bem. E um disco inteiro ainda está por sair. Oba!
4 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (1)
Em seu mais recente disco, Marcela Mahmundi encontra em velhos timbres um som que é totalmente novo. Seja para ela, seja para o mundo. Novo mundo. O que é o violão dessa faixa? Gravado em fita, ele transporta a gente aos anos 60, 70, enquanto todo o resto nos deixa em 2020. E bem acompanhados por Mahmundi, arrepiando em termos de voz e letra. Uau!
5 – Mulungu – “No Ar” (Estreia)
Boa nova de Recife, com um cheiro de Natal. O projeto Mulungu, formado pelos pernambucanos Jáder e Guilherme Assis com o potiguar Ian Medeiros, é um promessa. Primeira amostra do tripo, que ainda neste 2020 turbulento vai chegar com o disco de estreia que já estamos esperando bastante.
6 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (Estreia)
A união de duas forças da música brasileira desse potencial variado só poderia dar em boa coisa. Uma bela decupagem das tradições e modernidades do som baiano, da canção caetânica ao hip hop e o trap.
7 – Jair Naves – “Irrompe” (4)
Single de um disco que está interrompido por “motivos óbvios”, de acordo com o compositor, a faixa é uma reflexão dos novos tempos. Em um mundo zuado, qual a nossa responsabilidade com os problemas? O quanto nos permitimos ir além de um script imaginado por outras pessoas? Esta forte canção, “dramática” com todas as boas características que envolvem uma música de Jair Naves, foi feita no ano passado. Se já fazia sentido em 2019, imagina agora no meio disto tudo?
8 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (5)
“Mudou Como?” pode ser lida como uma música sobre um relacionamento que desandou e que ainda mexe bastante com os personagens. Quando Rico avisa que a música é sobre os “trágicos efeitos da ordem colonial”, os sentidos da letra se ampliam para muito além de um relacionamento qualquer. Precisamos ouvir e reouvir a música, uma produção de Mahal Pita pesadíssima.
9 – Black Pantera – “I Can’t Breath” (8)
Uma música emergencial para tempos emergenciais. A frase que marca os assassinatos de tantos jovens negros pela polícia é lembrada pela banda em um vídeo tão simples como forte. Letra seca, direta ao ponto, sob a égide do metal.
10 – TARDA – “Breath” (6)
Sara Não Tem Nome, Júlia Baumfeld, Victor Galvão, Paola Rodrigues e Randolpho Lamonier formam este belo supergrupo de poucas canções lançadas, mas de ótimas canções lançadas. “Breath” é pura delicadeza e realmente serve de respiro no aperto em dias complicados. Sabe quais?
11 – ÀIYÉ – “Pulmão” (7)
12 – Silva – “Aquele Frevo Axé” (ao vivo) (9)
13 – Vanguart – “Encontro Adiado” (10)
14 – As Bahias e a Cozinha Mineira – “Forasteira” (3)
15 – Wado – “Nina” (Estreia)
16 – The Raulis – “Distante Desejo” (Estreia)
17 – Lila – “Lunação” (Estreia)
18 – Felipe Cordeiro – “Arrasta Pra Cima” (Estreia)
19 – ATR – “Qué Tá Mirando?” (11)
20 – Arthur Melo – “Tempo Após um Contratempo” (12)
21 – Abc Love – “Catwalk” (13)
22 – Sessa – “Sereia Sentimental” (14)
23 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (15)
24 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (16)
25 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (17)
26 – Carne Doce – “A Caçada” (18)
27 – Tagua Tagua – “Inteiro Metade” (19)
28 – Meu Nome Não É Portugas e Apeles – “Eterno Azul” (20)
29 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (21)
30 – Tagore feat. Boogarins – “Drama” (22)
31 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (23)
32 – Edgar – “Carro de Boy” (24)
33 – Douglas Germano – “Valhacouto” (25)
34 – Rincon Sapiência – Quarentena (28)
35 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (29)
36 – YMA – “No Aquário” (31)
37 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (34)
38 – Kiko Dinucci – “Veneno” (35)
39 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (37)
40 – Duda Brack – “Pedalada” (38)
41 – Rohmanelli – “Toneaí” (39)
42 – Jhony MC – F.A.B. (42)
43 – Cícero – “Às Luzes” (43)
44 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (44)
45 – Djonga – “Procuro Alguém (45)
46 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (46)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (47)
48 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (48)
49 – Troá! – “Bicho” (49)
50 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (50)

***

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Don L.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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