Em Manic Street Preachers:

Top 10 Gringo – Lorde cava seu primeiro lugar no papo. Pastel chama a atenção para a neopsicodelia inglesa. E o Migos começa sua avalanche de hits. Mais ou menos isso no nosso ranking

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* Temos um primeiro lugar para lá de polêmico. A gente acha, né? Porque nem a gente concordou muito com a própria escolha. Mas tem um papo nessa opção que vale levantar. E tudo isso em uma semana de boas músicas, a maioria provocativa com homens. Merecido tamanha incompetência masculina. Da veterana dupla americana Sleater-Kinney, de olho em homens que se fazem de feministas, até a Marina, a britânica, que está cansada de viver no mundo dos homens. E, se for mesmo a fundo, até nosso 10º lugar “diferente” trata desse tema. Ficamos satisfeitos com o ranking. Mais ainda com a playlist que o acompanha e sonoriza perfeitamente nossos pensamentos imperfeitos.

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1 – Lorde – “Solar Power”
Será que a gente gostou mesmo deste som? Parece uma música um tanto aquém das coisas que Lorde fez até aqui. A pergunta segue no ar, mas vale ir além da música e dizer que “Solar Power” nos fisgou também como um movimento da Lorde. A gente acompanha ela desde o começo e é notável que a neozelandesa assuma o risco de virar até meme ao colocar novas tonalidades em sua música, nos vídeos e na capa que causou agitos nas redes na hora – e nessa hora, no caso, os brasileiros capricharam, para variar. Se daqui a pouco a gente esquecer essa música, fica o meme. Mas nõa deixamos de saudar a volta da Lorde. E, se você pensar bem, é cultura pop, não?

2 – Pastel – “Blu”
Será a volta de Madchester? Estamos de olho nessa ainda pequena banda inglesa que revive os tempos do britpop mais doidão, indie psicodélico, que seria demolido pelo grunge e na sequência, em alguma medida, pelo estouro do Oasis, que eles mesmos foram precursores. Uma cena para se acompanhar. E nossa “ajuda” para esta boa música é dar um lugar alto no nosso ranking.

3 – Migos – “Avalanche”
Por aqui, o trio americano Migos segue sua toada certeira de construir hits gigantescos. Em “Culture III”, adiado por conta da pandemia, mas que está sendo retomado agora com lançamento recente, a música não peca em ser enorme, como todo o álbum novo do Migos, cheio de hits e participações especiais, que vão de Cardi B, a Bieber e a Drake. Já vemos alguns bilhões de streams por aí. No caso desta “Avalanche”, a brincadeira começa com referências ao hino “Papa Was a Rolling Stone”. Eita!

4 – Sleater-Kinney – “Complex Female Characters”
A gente saltou direto nessa faixa do novo álbum da Sleater-Kinney pelo título curioso. E não deu outra. É uma musicão que bate em cheio nos homens que amam um discurso de que curtem mulheres complexas na ficcão, enquanto sonham com um mulher real que pegue (bem) leve com eles – sempre regulando o quanto uma mulher pode ser ou deixar de ser. E as Kinney botam as coisas em seu lugar, por meio de uma boa música.

5 – Garbage – “Starman”
A gente ainda vai dar uma atenção para o disco do Garbage, “No Gods No Masters”, que acabou de sair. Acontece que ele vem acompanhado de um segundo disco, de covers, maravilhosos, que incluí só uma das melhores músicas de todos os tempos. Sim, “Starman”, do Bowie.

6 – Marina – “Man’s World”
Em uma estrofe, Marina (ex-with the Diamonds) dá o recado mais direto sobre o que a luta feminista busca, neste single de maio que puxa seu disco novo, lançado sexta passada. Coisa do tipo “Se você não entender agora, não entende mais”. Assim:
“Se você tem uma mãe, filha ou amiga
Talvez seja a hora, hora de compreender
Que o mundo em que você vive não é o mesmo que o delas
Então não me puna por não ser um homem.”
Precisa de mais?

7 – Pom Pom Squad – “Crying”
“Crying” traz a espertíssima Mia Berrin, vocalista e guitarrista do Pom Pom Squad, enfrentando sua própria escuridão em um banho de distorção guitarrística. Em contraste com o vídeo, que lembra filmes do anos 40 e 50, a coisa fica ainda mais divertida. Talvez “divertida”, para alguém que está chorando, não seja a palavra certa. Mas você entendeu.

9 – José González – “Head On”
Nosso sueco favorito fez uma das músicas mais antidepressivas do ano. “Head On” é um chamada para encararmos qualquer questão de frente, com a cabeça erguida, como diz o título. É até engraçado que a música começa quase bobinha, listando coisas tranquilas, até que de repente o grande sueco de nome latino nos chama a encarar de cabeça erguida desde um inquilino abusivo, corruptos e o nepotismo. É sensacional. E que violão hipnotizante. Grande volta, señior González.

9 – Manic Street Preachers – “Orwellian”
Tem um verso polêmico aqui nesta música do velho Manics. “We live in Orwellian times/ It feels impossible to pick a side”. Em tradução livre, “Vivemos em tempos orwellianos/ Parece impossível escolher um lado”. Se não for um papo do tipo “tomar ou não vacina e outras dúvidas que não deveriam existir”, esse tema universal atual, a gente entende que a música é um belo recado para a confusão geral que virou este mundo hiperconectado, onde nada parece ter validade. Mas pareceu um pouco dúbio. Será mesmo impossível decidir bem algumas coisas? Vamos acompanhar. Ao som do Manic Street Preachers.

10 – Bo Burnham – “How the World Works”
Em seu especial de comédia do Netflix, o americano Bo Burnham tira sarro de si e de muitos privilégios brancos em forma de música, em diversas canções. Nesta aqui, direcionada às crianças, ele tenta contar a história do mundo, que é impecável até que um personagem criado por ele resolve dar a real sobre genocídio, exploração do homem pelo homem e outros abusos. Vale escutar para ver como a história termina. Uma música diferente no ranking, ok. Mas ainda assim uma música.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora neozelandesa Lorde.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – O melhor disco solo de um ex-beatle, de novo. King Gizzard lança álbum, de novo. O misterioso disco do Tyler The Creator. E a música nova do Manic Street Preachers

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– “All Things Must Pass”, talvez o melhor álbum solo de um beatle, completou 50 anos lá em 2020 – sim, chegamos à época em que mais nenhum disco dos Beatles vai comemorar 50 anos, agora só os discos solos. Mas, no caso deste lindo álbum do saudoso George Harrison (foto do joinha na home), é em 2021 que ele ganha uma merecida edição especial de aniversário com uma nova remixagem. Como uma boa edição festeira, são várias versões, uma para cada bolso – vamos detalhar aqui alguns mimos da edição mais chique e cara, a limitada Uber Deluxe Edition conta com um livreto de 96 páginas editadas pela viúva Olivia Harrison, uma réplica em 1/6 de George e os gnomos da capa, uma réplica do pôster original do álbum, uma ilustração de Klaus Voorman e as 70 músicas, sendo 47 demos, session outtakes e jams, 42 delas são completamente inéditas. Chique. Um single já adianta a versão outtake de “Run of the Mill”.

– A banda que mais lança álbuns neste mundo, os australianos do King Gizzard and the Lizard Wizard, catapulta agora seu segundo disco de 2021. “Butterfly 3000” já pode ser ouvido no Bandcamp da banda. Experimentais e doidões como sempre, o grupo da absurda Melbourne conta que este álbum é “um conjunto de dez canções que começaram como loops arpejados compostos em sintetizadores modulares, antes de serem transformados em um dream pop otimista e totalmente sedutor tocado pelo sexteto”.

– Parece que já começou a divulgação misteriosa do próximo disco do rapper americano Tyler The Creator, um dos nossos prediletos e um daqueles que a gente sonhava ver no cancelado Lolla de 2020. Os fãs acreditam que o site CallMeIfYouGetLost.com e um outdoor com a mesma arte são a dica. Na ilustração tem um número de telefone que um fã teria postado no Instagram e tomado uma remoção por infração de direitos autorais – ou seja, já seria um som do disco este tal áudio. É esperar para ver.

– E tem single novo do Manic Street Preachers. É o som “Orwellian”, primeira música revelada do próximo álbum da banda galesa, “The Ultra Vivid Lament”, que chega em setembro. De acordo com Nicky Wire, baixista e letrista do grupo, a faixa é sobre a disputa pelos fatos nas arenas virtuais que nos levam a uma guerra cultural sem fim. Um assunto que está na pauta do Brasil e do mundo, com bem sabemos. Interessante. E já tem vídeo.

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Popnotas: Taylor Swift encara Michael Jackson na “Billboard”, Sex Pistols via Danny Boyle, Ariel Pink demitido e um vídeo de dEUS

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– A gente comentou por aqui quando a Taylor Swift perdeu seu post de número 1 na lista de álbuns da revista americana “Billboard”, que dita as paradas por lá. Mas ela retomou o posto nesta semana e ainda alcançou uma marca e tanto. Agora Taylor e Michael Jackson têm o mesmo tanto de semanas no posto máximo da lista: 51. A ex-diva-country-pop-hoje-indie precisa daqui para a frente brigar com outros gigantes: The Beatles, 132 semanas, Elvis Presley, 67, e Garth Brooks, 52. Este último parece molezinha. Go, Taylor.

– Promete ser interessante essa “Pistol”, a série dirigida pelo Danny Boyle sobre os Sex Pistols, mais precisamente do ponto de vista de Steve Jones, já que o texto vai ser baseado nas memórias do ex-guitarrista da banda.
“Lonely Boy – Tales from a Sex Pistol”, de 2016, lançada dentro das comemorações de 40 anos do punk, foi considerado à época um dos livros do ano. Na lista de atores, talvez a mais conhecida é Maise Williams, a Ayra de “Game of Thrones”. Ela fará o papel da famosíssima e loucaça Jordan, uma das personagens fascinantes da época que ajudou a moldar o visual do punk. Jordan trabalhou na butique da estilista Vivienne Westwood, a SEX, onde tuuuuuuuuuuuuudo começou.

– Aquele rolê zoado, para dizer o mínimo, que o Ariel Pink deu no Capitólio americano na semana passada trouxe suas devidas consequências para a música indie. A Mexican Summer, sua gravadora atual, resolveu encerrar seus trabalhos com o artista. Ariel Pink devidamente foi cancelado geral.

– O grupo galês Manic Street Preachers deu um sinal de trabalho no Instagram, postando parte do que já desenvolveram no estúdio. Disco novo em breve.

– Você anda chamando tanto Deus que ele apareceu, mas na forma de dEUS, a banda. O canal de TV alemão Rockpalast subiu em seu Youtube nesta semana um show da cultuadíssima banda belga de 2015, no Haldern Pop Festival, que acontece desde 1984 em linda região perto do rio Reno, no lado ocidental da Alemanha. O vídeo tem deliciosa 1 hora e 15 min, com 14 músicas de uma das bandas mais interessantes fora-do-eixo UK-US.

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Com raridades e remixes de Mogwai e Massive Attack, Manic Street Preachers vai relançar disco clássico que completa 20 anos

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Uma das bandas mais populares do rock britânico nas últimas décadas, o Manic Street Preachers anunciou para 7 de dezembro o relançamento de um de seus melhores discos, “This Is My Truth Tell Me Yours”, que completa 20 anos neste ano.

O relançamento englobará uma edição de luxo com CD triplo, incluindo o álbum original remasterizado, uma coletânea de demos e registros de ensaios, além de uma seleção de remixes que incluem o “If You Tolerate This Your Children Will Be Next” feita pelo Massive Attack, e “You Stole the Sun from My Heart” com trato do Mogwai.

No verão do ano que vem, o grupo galês sairá em turnê para tocar o disco na íntegra em seus shows pelo Reino Unido, começando dia 12 de maio, em Dublin.

“This Is My Truth Tell Me Yours” – Limited Edition Deluxe 3CD book set / digital
CD 1 – Remastered original album
1 The Everlasting
2 If You Tolerate This Your Children Will Be Next
3 You Stole the Sun from My Heart
4 Ready for Drowning
5 Tsunami
6 My Little Empire
7 I’m Not Working
8 You’re Tender and You’re Tired
9 Born a Girl
10 Be Natural
11 Black Dog On My Shoulder
12 Prologue To History
13 S.Y.M.M.

CD 2 – Demos & Live Rehearsals
1 The Everlasting
2 If You Tolerate This Your Children Will Be Next (Dave Bascombe Mix)
3 You Stole the Sun from My Heart
4 Ready for Drowning
5 Tsunami
6 My Little Empire
7 I’m Not Working
8 You’re Tender and You’re Tired
9 Born A Girl
10 Be Natural
11 Black Dog On My Shoulder
12 Prologue To History
13 S.Y.M.M.
14 Nobody Loved You

CD3 – Remixes & B Sides
1 If You Tolerate This Your Children Will Be Next (Massive Attack Remix)
2 If You Tolerate This Your Children Will Be Next (David Holmes Remix)
3 The Everlasting (Deadly Avenger’s Psalm 315)
4 The Everlasting (Stealth Sonic Orchestra Remix)
5 You Stole the Sun from My Heart (David Holmes Remix)
6 You Stole the Sun from My Heart (Mogwai Remix)
7 Tsunami (Cornelius Remix)
8 Tsunami (Stereolab Remix)
9 Montana/ Autumn/78
10 Black Holes For The Young
11 Valley Boy
12 Socialist Serenade
13 Buildings For Dead People

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NME, 60. Semanário britânico lança edição histórica de aniversário e oferece cópia da edição #1

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Uma das principais bíblias da música desde que a música passou a ser notícia, o semanário inglês New Musical Express completa 60 anos de publicação neste ano e vem, com frequência, trabalhando pautas especiais que destacam sua vasta e rica história.

Suas famosas listas ganham conotação especial com o “60”. Recentemente, a publicação fez enquetes e listou, por exemplo, as 60 melhores músicas dos últimos 60 anos, além dos 60 maiores ícones da música em seis décadas, também, edição que rendeu capa a John Lennon na semana passada.

Nesta semana, a NME bolou um esquema todo especial de capas alternativas. No total, são 8 capas diferentes para a edição “histórica”, termo que está sendo divulgado pela própria publicação. Estrelam as capas nomes importantes da música ao longo das últimas décadas, segurando edições em que foram destaques. Estão lá os veteranos Paul Weller, John Lydon e Patti Smith, os 90’s Manic Street Preachers, Liam e Noel Gallagher (separados) e os “recentes” The Killers e Arctic Monkeys. Fora isso, a NME diz que preparou essa edição durante meses e que histórias internas da revista serão contadas.

Em anexo à edição, será oferecida uma cópia da issue #1 da revista, publicada em março de 1952!

A NME é uma das poucas publicações que conseguiu migrar com sucesso seu “nome” do conteúdo impresso para a internet na década passada. O NME.com é o site mais visitado no mundo quando o assunto é cultura pop (7 milhões de views/mês). Já a revista, em tempos de internet, circula em numeração bem menor se comparada a quatro décadas atrás, quando vendia cerca de 300 mil exemplares por semana. A tiragem atual é de mais ou menos 30 mil.

Vamos falar mais da NME nos próximos dias.