Em “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos”:

Boogarins – Banda goiana tem lançamento mundial do segundo disco. New York Times, Folha e Guardian que o digam

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* A banda psychobrasileira, mais que isso, goiana Boogarins tem hoje seu nome falado em vários lugares do mundo, por causa do lançamento do seu segundo álbum, “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos”, que tem selo americano, distribuição europeia e, enfim, sai no Brasil no mesmo dia, corrigindo o erro histórico de ter ignorado o disco de estreia, “Plantas Que Curam”, que ganha lançamento brasileiro tardio junto à chegada do “second come” deles.

À pedido da Ilustrada, caderno de cultura da Folha de S.Paulo, escrevi um material sobre a chegada do “Manual”, o qual reproduzimos aqui embaixo, em versão maior e atualizada.

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No episódio anterior, temporada 2013/2014, vimos dois amigos de escola de Goiânia atravessar a adolescência compondo musiquinhas, para depois produzir por conta própria um disco. Eles tinham um nome para a banda, Boogarins, mas o grupo mesmo, para apresentações ao vivo, nem havia sido formado, porque um de seus integrantes gastava o tempo trancado em seu quarto, ou aprimorando a edição das canções feitas, ou as mandando aleatoriamente para seus blogs de rock independente favoritos, em geral americanos e ingleses.

Nessa, o álbum chamou a atenção de um selo americano, que ouviu uma das canções em um blog de música dos EUA e dois dias depois já estava conversando com o rapaz goiano pelo Facebook. Logo, o disco “As Plantas Que Curam” ganhava lançamento nos EUA, era distribuído na Europa e puxou o Boogarins, já um quarteto, para uma extensa turnê mundial, o que incluiu festivais importantes, como o South by Southwest no Texas e o Primavera Sound em Barcelona. No Brasil não houve interessados em lançar o álbum.

O episódio de hoje marca a estreia da temporada 2015/2016. Nesta sexta-feira, com produção americana, gravado na Espanha e lançamento garantidíssimo no Brasil, o Boogarins vê chegar às lojas seu segundo álbum, “Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos”, em CD e depois, mais para o final do ano ou no começo do próximo, em vinil. Tudo pela Skol Music.

Na última sexta-feira, há exata uma semana, “Manual” teve seu áudio antecipado em streaming, na íntegra e com exclusividade requisitada, pelo site do jornal “New York Times”, um dos principais diários do planeta. Ontem, outro jornalaço, o britânico “The Guardian”, se antecipou em dar a resenha do disco, fazendo conexões com Tropicalia e Copa do Mundo e dando três estrelas no final.

Ainda ontem, à noite, a banda de Goiás iniciou em Londres outra turnê mundial, que circula pela Europa até o final de novembro, shows não divulgados no Brasil até o Carnaval, EUA depois disso Europa novamente, no verão de lá. O Boogarins, quando sair do país no começo de 2016, não sabe quando volta para casa.

O grupo é criação dos guitarristas e vocalistas Benke Ferraz e Dinho Almeida. A banda é completada por Raphael Vaz, baixista, e o baterista Ynaiã Benthroldo, ex-integrante do grupo matogrossense Macaco Bong, que assumiu as baquetas goianas com a turnê do primeiro álbum em pleno vapor.

Conexão Goiás-Austrália-Inglaterra, o Boogarins, quando apareceu no final de 2013, estava em sintonia com uma certa cena jovem mundial de guitarras viajantes e temáticas coloridas cantadas por um quase miado de gato em forma de vocais. Um zeitgeist psicodélico cuja banda nova australiana Tame Impala era a parte mais reluzente lá fora. E a velha Mutantes, daqui, era a real inspiração.

Filhos de um estado que respira música sertaneja e de uma capital que jovens menos “agroboys” buscam o “antídoto” no indie rock mais pesado, o Boogarins passou rapidinho a pertencer à casta de bandas como a mineira Sepultura ou a paulistana Cansei de Ser Sexy, que construíram seu nome no mercado internacional de um modo mais sólido até que o reconhecimento nacional.

Tanto que só agora o Brasil lança o primeiro álbum, “As Plantas Que Curam”, quase na mesma data em que sai esse “Manual”, o segundo. O disco de estreia versão brasileira, para compensar, traz três faixas bônus: duas inéditas gravadas em Los Angeles e uma ao vivo, tirada de show no festival Bananada, em Goiânia.

Parafraseando a letra do primeiro single de “Manual”, a já conhecida em shows “Avalanche”, na pegada do pensamento psicodélico, a propagação do eco provocado pelo Boogarins está derrubando prédios e permitindo à banda ver o sol.

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