Em mapa do rock:

O MAPA DO ROCK APRESENTA… CURITIBA

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Chegamos novamente ao Sul do país, desta vez em Curitiba. A capital paranaense, bem atuante na história indie nacional, ganha agora seu raio-x que atualiza a movimentação musical alternativa da cidade. O MAPA DO ROCK da Popload, que tem apoio da GOL Linhas Aéreas Inteligentes, chega à quinta edição. Estão atualizadas em suas vocações indies as cidades de Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e Belo Horizonte.

O MAPA DO ROCK é uma seção fixa da Popload que está mapeando a #CENA de algumas das principais cidades brasileiras. As bandas locais de destaque, seus principais palcos, os bares que apoiam a música, os festivais e festas que movimentam a coisa toda, os agitadores que fazem tudo acontecer, as apostas indie e, já que estamos in loco vendo a #CENA com os próprios olhos, algumas das nossas dicas do que fazer, onde comer, o que visitar e, principalmente, POR QUE ir até lá.

Curitiba: população de quase 2 milhões de habitantes na área metropolitana (2016), a oitava mais populosa do Brasil. Números de pessoas que atenderam o festival Coisarada, em 2015, com MacDemarco e O Terno: 750 pessoas.

Cópia de mapa curitiba Trajano

DESTINO: CURITIBA – CWB – CURITOBA

Conhecida no Brasil como berço do eletroindie, mas referenciada pelos locais como uma capital plural de estilos e referências musicais, Curitiba, além de gelada, sempre foi palco de grandes momentos da música alternativa no Brasil. Seu início no punk rock, logo depois no alternativo, reforçado por nomes como o icônico Relespública, acompanhado pela forte expressão do rockabilly e, em paralelo, da cena mod e shoegazer, foi dando espaço para os sintetizadores de nomes famosos do indie, para logo depois ganhar o mainstream com o pop e, um pouco mais tarde, voltar as ruas com o eletrônico underground. É arriscado confirmar, mas dizem que a história musical da cidade começou a partir da forte incidência de poetas na região que, com a aparição das guitarras e de todas as influências sonoras externas, começaram a formar as primeiras bandas na cidade e levaram essas letras para canções dos mais variados estilos. Entre eles, o indie rock. Curitiba ficou conhecida na cena indie brasileira por diversos motivos, mas um dos feitos principais tem nome e data. A cidade foi a única a receber um show do cultuado grupo americano Pixies em 2004, de grande importância nos anos 90 e que tinha acabado, para anos depois anunciar sua grande volta: no festival Coachella, na Califórnia, e no… Paraná. Foi no “lendário” Curitiba Pop Festival. E, se isso já não fosse suficiente, o evento curitibano ainda escalou o Teenage Fanclub para a line-up desse mesmo ano, para a alegria dos indies fervorosos. Pôsteres da data histórica e CDs autografados ainda circulam pelas paredes dos rockeiros indies com mais de 30. Passando por esses tempos áureos e talvez inimagináveis, a cena local da cidade que em 2004 estava na platéia desses shows decidiu assumir o seu posto de capital do indie nacional. Os filhos da cena punk, hardcore e shoegazer investiram em novas sonoridades e foram responsáveis por fundar nomes como o internacional Bonde do Rolê, Boss in Drama e, logo depois, Copacabana Club e Audac, lotando espaços conhecidos dos curitibanos, como o histórico, com mais de 15 anos, James, por muito tempo uma das casas mais simbólicas do indie brasileiro. Não havia chance de ir para Curitiba sem dar uma passada no James. Assim como as gerações foram trocando as guitarras por sintetizadores, os clubes locais foram deixando as bandas de lado para serem invadidos pelos DJs de pop, fazendo com que os lugares para receber shows ao vivo ficassem cada vez mais escassos. Ao mesmo tempo que Curitiba viu nascer e exportou fenômenos como a rapper Karol Conká. Esse processo foi algo pelo qual o saudoso James passou e ainda passa, mas que não tira a relevância da sua existência para uma história marcante na cena brasileira. Se para o indie as coisas ficaram complicadas, para o rockabilly tudo continuou andando bem e sem grandes mudanças, com bandas locais reconhecidas nacionalmente e festivais fortes como o Psycho Carnival. À margem desses movimentos, bandas surgiram e se tornaram peças principais da movimentação underground local, ajudando a cravar seus nomes na história da cena indie. Da viola caipira do Charme Chulo, até as paisagens sonoras do Ruído/mm e as guitarras da Uh La La, as bandas agitadoras (leia-se produtoras) foram peças marcantes para manter a noite curitibana em atividade. Ainda mais recentes, selos focados no indie rock e em todas as suas vertentes foram surgindo, criando seus próprios espaços para colocarem suas próprias bandas, inclusive abrindo caminho através da coletividade. Indie de turmas. Nessa, já há algum tempo, Curitiba viu, antes de outras cenas brasileiras, nascer um lado B do lado B da cena indie local. O indie do indie. Mais underground ainda. Uma cena que não necessariamente dialoga com a outra, fazem shows nos mesmo lugares etc. De outro lado, e tão transgressores quanto o rock, coletivos ligados à cena experimental e eletrônica também buscaram opções de espaços para criarem novas vias de representatividade na cidade, ocupando lugares incomuns e realizando eventos em casas e locações fora de ruas famosas. Todos essas movimentações mostram um pouco da riqueza da cena indie de Curitiba, cheia de diferentes ritmos, bandas, espaços e eventos incríveis acontecendo simultaneamente e crescendo em um ritmo acelerado, tão acelerado que não chega em sua maioria às vistas do resto do país.

** Quatro Bandas de Curitiba

MAPA_CURITIBA_RUIDOMM

MAPA_CURITIBA_KAROLCONKA

MAPA_CURITIBA_ABANDAMAISBONITA

MAPA_CURITIBA_CHARMECHULO

** Cinco apostas Popload

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** Outras bandas

Las Courtney Lovers
Audac
Polvo Nanquim
Katze Soundz
Memorial
Cãos
Uh La La
Horrorosas Desprezíveis
Faichecleres
Banda Gentileza
O Lendário Chucrobillyman
Escambau
Veenstra
Trombone de Frutas
Wi-Fi Kills
Farol Cego
Naked Girls and Aeroplanes
BRZLN AIR
Heavy Metal Drama
This Lonely Cloud
De Othersame
Estrela Leminski
Better Living Town
Tropical Doom
Lindberg Hotel
Suit & Bones
Flores Feias
E/OU
Ankou
Dunas
Iluminights
Jenni Mosello
Namorada Belga
Alpes
Pelebrói Não Sei
The Large Quasar Group
Enbourn
Lord Emon
Sick Sick Sinners
Nymfi
Selma
Floating Kid
Annie & The Malagueta Boys
Giant Gutter From Outer Space

** Por onde circular na cena de Curitiba

Cópia de Jockers

* Jokers *
r. São Francisco, 164 – Centro
Já foi palco de grandes apresentações nacionais e internacionais, mas divide seu público entre restaurante, pub e casa de shows, já que possui um bom espaço disponível.
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Cópia de Ópera de Arame 2

* Ópera de Arame *
r. João Gava, 874, Abranches
Ponto turístico bem bonito e local para shows de médio porte na região. Divide sua agenda entre apresentações nacionais, algumas internacionais, eruditos e também peças de teatro.
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Cópia de V.U.

* V.U *
av. Manoel Ribas, 146, São Francisco
Balada do rock ao queer, é o local em que a cena underground se encontra para ouvir DJs locais e clássicos de diferentes épocas.
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Cópia de James

* James *
al. Dr. Carlos de Carvalho, 680, Centro
Clássica balada curitibana, agora em novo endereço. Já foi responsável por grandes noites com banda, mas hoje tem o foco nas pistas pop e rock.
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Cópia de Lavanderia

* Lavanderia *
r. Padre Agostinho, 325, São Francisco
Casa cultural colaborativa, berço das bandas indie curitibanas e responsável por abrigar o indie, hardcore e experimental.
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Cópia de John Bull

* John Bull *
r. Mateus Leme, 2204, Centro Cívico
Casa oficial das bandas internacionais de hardcore. Mescla noites de bandas nacionais conhecidas a estreantes locais.
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Cópia de Pedreira

* Pedreira Paulo Leminski *
pq. das Pedreiras, r. João Gava, 970, Abranches
Afastada do centro, mas pronta para receber eventos de grande porte. É responsável por sediar shows internacionais imensos e festivais.
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Cópia de 92º

* 92 graus *
av. Manoel Ribas, 108, São Francisco
Clássica casa do rock pesado de Curitiba. Recebe shows locais e também nacionais de bandas de fora do estado. Também é pub.
(8)

Cópia de Vox

* Vox Bar *
r. Barão do Rio Branco, 418, Centro
Recebe shows esporadicamente e apresenta uma lotação favorável a bandas de médio porte, principalmente nacionais.
(9)

Cópia de Casinha

* Casinha *
r. Portugal, 54, São Francisco
Antigo espaço chamado de Wake Up Colab, a partir de 2017 assumiu nova direção e se mantém ativo com shows de bandas locais de diferentes estilos.
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** Para Comer e Beber em Curitiba

Cópia de Pizzaria Itália aberta

* Pizzaria Itália *
r. Dr. Luiz Losso Filho, 573, Novo Mundo
Altamente frequentado pelos moradores locais, a Pizzaria Itália é unanimidade em pizza na cidade. Há 47 anos só serve um sabor de pizza (Mussarela) no seu balcão, além de uma vitamina mista super clássica.
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Cópia de Shopping Hauer

* Shopping Hauer *
r. Cel. Dulcídio, 739, Batel
Localizado no conhecido bairro Batel, o conglomerado de micro-restaurantes aglomera centenas (até milhares) de curitibanos famintos todos os dias da semana, normalmente de terça até domingo. Opções de lanches não faltam.
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Cópia de Veg Veg

* Veg Veg *
r. Visconde de Nácar, 655, Mercês
Destino certo para veganos e defensores das causas animais. O cardápio do restaurante 100% sem produtos de origem animal, é um parque de diversões para quem gosta desse tipo de alimentação. De burger até coxinha de jaca.
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Cópia de Au-Au

* Au Au Hot Dog *
al. Dr. Carlos de Carvalho, 990, Centro
Clássico hot dog das madrugadas curitibanas. Já é conhecido não apenas na cidade, sendo um dos destinos certos para quem procura uma opção completa no meio da noite.
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Cópia de Gato Preto

* Gato Preto *
r. Des. Ermelino de Leão, 241, Centro
Localizado no centro de Curitiba, o bar Gato Preto é conhecido por sua costela assada servida durante toda a madrugada. É uma das poucas opções clássica abertas varando a noite na cidade.
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Cópia de Pastelaria Brasileira aberta

* Pastelaria Brasileira *
r. Cândido Lopes, 156, Centro
Outro conhecido ponto do centro da cidade, a Pastelaria Brasileira é famosa por ter o melhor pastel de Curitiba, terra das pastelarias. A “láurea” foi dada por voto popular em concurso do jornal local (foram mais de 4 mil votos). O pastel de carne e ovo é o tradicional.
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Cópia de Bar Mignon

* Bar Mignon *
r. XV de Novembro, 42, Centro
No coração da movimentada rua XV do centro, o Bar Mignon é um dos maiores clássicos históricos de Curitiba. Serve um bife acompanhado de maionese de batatas e farofa que é sucesso. Peça adicional de ovo frito e seja ainda mais feliz.
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Cópia de Al Sultan

* Al Sultan *
r. Professor Dário Veloso, 35, Vila Izabel
Com quatro unidades espalhadas pela cidade, o Al Sultan fica aberto até as 23 horas e oferece em seu cardápio diversas opções de comida árabe, entre elas um gostosíssimo Kebab vegetariano de faláfel.
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** Movimentações da Cena Curitibana

Conhecida nacionalmente pelo pop de Karol Conká, pelo eletroindie já extinto de Bonde do Rolê e Copacabana Club, pelas traquinagens dance do Boss in Drama, além do folk da Banda Mais Bonita da Cidade, Curitiba, atualmente, é musicalmente feita de muito mais do que aparenta, com uma cena plural e repleta de movimentos que existem sem necessariamente se conectarem. Indie rock, música experimental, emo, eletro, pop, rock, rockabilly, hardcore e música caipira, tudo que você pode imaginar está lá, mesmo não ultrapassando a fronteira do sul do país e chegando ao conhecimento grande público. // Do lado do indie mais recente, grande parte da movimentação existente na cidade esteve sempre atrelada a um dos clubes mais antigos e famosos da região, o James. A casa, que recentemente mudou de localização, iniciou a sua trajetória como um dos berços das bandas alternativas da cidade, abrindo suas noites para receber nomes locais e fomentar uma cena autoral. Com os anos, passando pela mesma transição de 99,9% das casas do Brasil, o James se rendeu ao pop e extinguiu, em 2011, o que chamava de James Sessions, basicamente, as noites com bandas. Daí para frente, o palco da casa começou a receber produtores das mais variadas vertentes da música pop, do pop comercial ao batidão, mantendo apenas a Quarta Rock como remanescente da era de ouro das guitarras, noite comandada pelos DJs residentes Alexandre Dantas e Renata Worst. // Se de um lado o James foi tomado pelo pop, as ruas estão ocupadas pelo eletrônico clandestino, alterando um pouco a lógica do que já acontecia nos clássicos clubes de música eletrônica da região e dando vida a um movimento quase que de resistência. Festas como a Índia, organizada pelo coletivo Wake Up Colab pelas ruas de Curitiba, e a itinerante Repulsa, produzida por Diogo Machado, Feko, Hudson Bruno e o coletivo visual 56, são capazes de representar um fragmento importante e necessário na noite da gélida capital. Ambos espaços abertos para os públicos que se sentem distantes da realidade das baladas da Vicente Machado, buscando representatividade na cor, na orientação sexual e também no estilo de som que trazem para ambas as festas, cada uma com seu formato, mas as duas focadas na experimentação. Grande parte dessa cena flerta com o que de mais novo está acontecendo em relação ao techno underground brasileiro, se espelhando em coletivos como o Mamba Negra, de São Paulo. // Também do eletrônico, o selo Sweetuf Records lança produtores locais de música eletrônica e experimental. // Paralelo e totalmente integrado, o coletivo Meia-Vida, fundado por Gustavo Paim e Aline Vieira, se mescla a essa mesma cena, porém trazendo o noise, industrial e pós-punk como base, lançando artistas em fita k7, organizando festas na singular casa Expelunca e mantendo uma agenda constante na região, sendo parte desse calendário a festa Vela Preta e o festival Perturbe. // Do outro lado do indie, se mantém um movimento forte de produções de médio e grande porte focadas na cena alternativa. Produtoras como a Zeropila garantem uma agenda interessante para a cidade, firmando parcerias com selos nacionais e outras produtoras de fora do estado, como a própria Popload. Essas parcerias já levaram shows de Mac DeMarco até Unknown Mortal Orchestra para CWB. // Na mesma linha, a Arnica Cultural e a Volcano também focam nesse nicho de shows em Curitiba. A Arnica com bandas nacionais conhecidas do público e shows lotados, como Liniker e Dingo Bells, já a Volcano, ainda recente em suas produções, levou o Carne Doce recentemente e investe em produções ainda mais indies. // Movimentando o punk e o hardcore, casas como o John Bull e o 92 Graus abrigam os shows do estilo na cidade, muitos deles produzidos pela Torino Entretenimento, uma das pontes para o estilo no estado. // Um pouco distante disso, mas caminhando pelos mesmos locais, se mantém ativa uma cena rockabilly da região formada por nomes que já percorrem o mundo como ícones da sua própria cena. Annie & The Malagueta Boys é um desses destaques, banda da cidade que já fez até turnê na gringa. // Do lado mais jovem, o Coletivo Atlas vem lançando bandas importantes da cena local e firmando parcerias com selos de outras localidades do Brasil. Lançamento em colaboração com Honey Bomb Records, do Rio Grande do Sul, e PWR Records, de Pernambuco, são exemplos disso. Suas bandas como Cora, Veenstra, Polvo Nanquim e outras movimentam uma agenda de show sediada por lugares como a Casinha, antigo Wake Up Colab, e a casa Lavanderia. Das bandas, algumas estão em Curitiba só de passeio, caso da Marrakesh, que levou sua psicodelia pós-moderna até o espanhol Primavera Sound por conta da parceria com o selo paulistano Balaclava Records. // Em paralelo a isso, a NapNap Records conecta o estado a outras regiões do país lançando novas bandas de lo-fi através da distribuição digital feita pelo selo e mantendo sua base em Curitiba através da figura Tim Fleming, estabelecendo conexão forte com cidades próximas, como é o caso de Maringá, berço de várias bandas superconectadas à proposta do selo e que não necessariamente circulam na capital.// A foto que abre este post é da rua Trajano Reis, no bairro São Francisco, movimentada rua de bares, restaurantes, cafés e lojas de Curitiba.

** Figuras da Cena de Curitiba

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1. Luciano Frank
Luciano é conhecido na cena desde a época forte de bandas shoegazer. Proprietário do lendário James, que já viveu dias mais inspirados a serviço da música independente curitibana, atualmente dirige um estúdio na região, responsável por gravar novas bandas locais. Além de atuar com seus dois empreedimentos, já tocou na clássica banda de eletro-rock ESS e atualmente tem um projeto de música eletrônica chamado Mootron. Ficou conhecido nacionalmente por ser guitarrista da banda curitibana Copacabana Club. Ele participou da fundação até a extinção da banda que hoje está em hiato. E viveu cada segundo do tempo áureo do que hoje está na história da cena da cidade.

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2. Marina Penny e Emil Stresser

O casal responsável pela banda eletro-indie-pop Subburbia, é uma das figuras importantes da cena underground curitibana. Produzindo seus próprios eventos em seu sebo de discos e livros, onde mantém um estúdio no andar superior, ainda tocam o selo Terry Crew, uma espécie de coletivo audiovisual, gravadora e selo artesanal que lança artistas do mundo inteiro em fita k7. Eles foram um dos primeiros do Brasil a voltarem com as tecnologias totalmente lo-fi para lançamentos musicais, o que os aproximou de cenas de outros estados do país. Além do sebo, banda, selo e produtora, eles são conhecidos na cidade por estarem conectados a uma espécie de lado B da cena indie curitibana, fora dos conhecidos clubes e casas de show de lá, mas ligada a coletivos que buscam olhares novos sobre a arte que está sendo produzida na capital paranaense. O agito da dupla já ultrapassou fronteiras, de colaborações pelo Subburbia com Adriano Cintra e produtores internacionais, até lyric vídeo feito pela Marina para a banda goiana Boogarins.

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3. Andreza Michel, Cibelle Gaidus, Silvia Lima
O trio de mulheres é quem dá a cara para a produtora Zeropila. Formada por fortes integrantes da cena local, as três movimentam a cidade com a realização de shows importantes para CWB e parcerias que ligam a cidade ao que de mais novo está acontecendo na música independente nacional. Suas parcerias com selos como Balaclava Records e produtoras de fora do sul do país viabilizaram turnês relevantes da cena indie, como a já comentada visita de Mac DeMarco, Unknown Mortal Orchestra, colaborações na recente tour de Devendra Banhart e de muitos outros nomes em seus poucos anos de existência. Entre as produtoras, Andreza Michel ainda é responsável por tocar na clássica banda local Uh La La! e na nova The Shorts.

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Cópia de mapa curitiba figuras aline:gustavo4. Aline Vieira e Gustavo Paim
Outra dupla de peso da cena curitibana, são os jovens Aline e Gustavo, ambos responsáveis pelo coletivo de música experimental Meia-Vida, pelo festival Perturbe e pela festa Vela Preta, todos eventos ligados ao gênero drone, noise, pós punk e experimental. Além de tocar o coletivo, festival e festa ao lado de Aline, Gustavo ainda é a cabeça por trás do projeto musical Cãos, colocado lá em cima como aposta do Popload para este mapa. Os dois são frequentemente citados entre os eventos mais undergrounds da cidade e figuras marcantes de um movimento novo e extremamente diferenciado na cidade, abrindo espaço para bandas, produtores e noites fora do convencional. Aline também é atuante na cena punk e transgressora da cidade, tocando alguns projetos importantes, entre eles o Flores Feias.

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5. Abonico Smith
Jornalista conceituado no meio indie curitibano, tem sua carreira fundada em cima da cena local. Já escreveu para veículos importantes da região e pesquisou momentos chave para as transformações culturais e, principalmente, musicais da cidade onde vive. Atuando como jornalista desde 87, fundou em 2002 o portal Mondo Bacana, cobrindo eventos e falando sobre artistas da região. Além disso, já escreveu na Gazeta do Povo do Paraná, co-fundando um dos primeiros cadernos de cultura da versão impressa do jornal. Abonico também possui grandes produções acadêmicas de pesquisa ligadas ao rock de Curitiba, criando um mapeamento em 12 capítulos extraído da sua tese de mestrado sobre o rock na cidade. Um resgate profundo e completo sobre cada etapa que fundou o que se conhece hoje como cena musical de CBW. Ainda mais imerso na música, foi produtor do primeiro álbum da banda Charme Chulo, em 2007, e de dois singles dos curitibanos do Terribillies.

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** PLAYLIST DA CENA

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A Popload agradece muito: Afonso de Lima, pelas reportagens e importantes insights deste MAPA de Curitiba, Alexandre Dantas, Marina Penny, Abonico Smith, Claudio Romanichen e Emil Stresser. Grande parte das fotos desta edição são de Marina Penny.

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* O Mapa do Rock é um projeto da Popload em parceria com a GOL Linhas Aéreas Inteligentes.

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O MAPA DO ROCK apresenta… BELO HORIZONTE

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A Popload orgulhosamente apresenta o MAPA DO ROCK, seção fixa que, a partir de hoje, irá mapear a #CENA de algumas das principais cidades brasileiras. As bandas locais de destaque, seus principais palcos, os bares que apoiam a música, os festivais e festas que movimentam a coisa toda, os agitadores que fazem tudo acontecer, as apostas indie e, já que estamos in loco vendo a #CENA com os próprios olhos, algumas das nossas dicas do que fazer, onde comer, o que visitar e, principalmente, POR QUE ir até lá.

O Mapa do Rock tem apoio da GOL Linhas Aéreas Inteligentes e bota seu primeiro foco na entusiasmante cena independente de BELO HORIZONTE. População: 2,5 milhões de habitantes (2016), a sexta mais populosa do Brasil. Estimativa de público no último festival No Ar Coquetel Molotov BH: 2.500 pessoas (outubro/2016).

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DESTINO: BELO HORIZONTE – BELORIS – BELORY HILLS

Belo Horizonte cresceu musicalmente exportando o Clube da Esquina à MPB dos anos 60, chegou forte ao pop rock nacional com Skank e Pato Fu nos anos 90 e virou a cidade mais empesteada por bandas cover do Brasil nos anos 2000. OK, o lugar deu ao mundo o Sepultura, uma das principais bandas de heavy (trash) metal da história e um dos nomes brasileiros mais reconhecidos internacionalmente na música “jovem”. Mas eis que no fim dos anos 90 Belo Horizonte se emancipou, graças ao valioso alimento cultural produzido pela grande agência Motor Music, que não só deu um gás na cena local como fez festas e festivais importantes nacionalmente com boas atrações internacionais. E constituiu um cenário propício para surgirem nomes como o do DJ Anderson Noise. Então, já em meados e final dos 2000, o inquieto andar de baixo de BH já tinha cravado no mapa indie brasileiro com relevantes bandas indies como Monno, Valv, Transmissor e Digitaria (rock eletrônico). E essas começaram a chamar a atenção inclusive gringa para a música mineira de guitarras independentes, muito além dos covers e da eterna tentativa de retroalimentação da tropicália de sotaque mineiro. Bandas essas que desencadearam em progressão geométrica a quantidade de grupos bons que têm formado o bom e abrangente cenário indie atual da cidade, que nos últimos anos têm botado a galera a atuar tanto no indie BH como no bombado Carnaval local, nas festas eletrônicas de ocupação de locais urbanos “inóspitos”, na grande safra atual de música instrumental e até no hip hop (Alô, Flavio Renegado!). Vem do hip hop belorizontino recente, inclusive, uma frase que bem define a capital mineira musical de hoje, que fala “bom demais”, “flagra”, “uai”, “sô” e chama todo mundo de “Zé”. BH é o Texas.

** Quatro bandas de BH

BH_CONGOCONGO

BH_DEADLOVERS

BH_GRAVEOLA

BH_YOUNGLIGHTS

** Quatro apostas Popload

BH_APOSTASATUALIZADO

** Tem muito mais bandas

** SARA NÃO TEM NOME

** DEVISE

** THE DEAD PIXELS

** PEQUENO CÉU

** EL TORO FUERTE

** JOTA QUÉRCIA

** SCI-FI

** INVISÍVEL

** JENNIFER SOUZA

** GRUPO PORCO DE GRINDCORE INTERPRETATIVO

** MIETTA

** LEONARDO MARQUES

** KILL MOVES

** MÉNAGE

** LAVA DIVERS (Uberlândia)

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** Por onde circula a cena de BH

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* A AUTÊNTICA *
rua Alagoas, 1172 – Savassi
Atual novo point bombado da cena mineira. A casa média que faltava para abrigar o crescimento da cena indie local e receber boas bandas de fora da cidade. O lugar, de som ótimo, abriga 400 pessoas em palco alto.
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* A OBRA *
rua Rio Grande do Norte, 1168 – Funcionários
Com o complemento de “Bar Dançante” no nome, o porão é o CBGB brasileiro e uma das mais famosas casas da cena indie nacional desde 1997, há 20 anos. Fundamental para o novo rock mineiro.
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* BENFEITORIA *
rua Sapucaí, 153 – Floresta
Galpão conhecido como Benfs, que fica em uma das ruas mais movimentadas e de melhor vista da cidade que entre festas, feiras, bar e simpósios, abriga a galera indie para ver shows.
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* A FÁBRICA *
av. dos Andradas, 1145 – Centro
Uma ex-fábrica que virou estacionamento e foi descoberto pela galera de eletrônica, o lugar agora é point para baladas e alguns shows.
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* CENTOEQUATRO *
pça. Ruy Barbosa, 104 – Centro
Outra ex-fábrica do Centro que virou um galpão de arte com café, cinema, espaço para festas. O festival indie No Ar Coquetel Molotov aconteceu aí, no final de 2016.
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** Para comer e beber em BH

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* Juramento 202 *
rua Juramento, 202 – Pompéia
É o excelente bar “roots” da cervejaria artesanal Viela, que fica a poucos metros dali. Os 10 bicos na parede oferecem cervejas e refrigerante artesanais (da casa ou de convidados), mate ou café gelado, tudo a preços razoáveis. Incluem-se a tábua de frios deliciosa e a trilha sonora de vinil do lugar, que também dá som à cena nova mineira.
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* REI DO PASTEL *
rua Fernandes Tourinho, 431 – Centro (tem mais dois endereços)
É ruim, mas é bom. Se a fome bate de madrugada, quando quase toda a cidade está dormindo, o ótimo pastel real é a solução. É também o lugar para a cerveja saideira.
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* CHÁ COMIGO *
rua Leopoldina, 634 – Santo Antônio
É a casa de chá mais cool do Sudeste. Tem deliciosos sanduíches com tudo no lugar e é embalada por som de vinil que você escolhe e espera a vez. A cena indie mineira frequenta.
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* OOP CAFÉ *
rua Fernandes Tourinho, 143 – Funcionários
Café de conhecedor com brunch compacto e delicioso nos finais de semana. Tem um ambiente de luz roxa e sofá para você escapar das agruras do cotidiano enquanto toma um macchiato.
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* ZONA LAST *
rua Pouso Alegre, 2952 – Santa Tereza
Bar que fica na zona leste de BH, no Horto (perto do estádio Independência). O bar em si é superpequeno, mas fica numa esquina e todo mundo fica em pé na rua. Tá sempre cheio.
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* GUAJA *
av. Afonso Pena, 2881 – Centro
Coworking-bar que fica numa casa supergostosa. Tem drinks e hambúrgueres maravilhosos. Durante o dia, aberto para a galera trabalhar com wifi e com espaço para eventos e cursos. De noite, bar. Às vezes tem show e DJs. Só às vezes.
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* TUDÃO *
rua Fernandes Tourinho, 363 – Funcionários
Botecão barato, na linha do Rei do Pastel, mas especializado em espetinhos. Quando tudo fecha, lá continua aberto. Sempre lotado, você toda hora encontra um conhecido por lá.
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** MOVIMENTAÇÕES DA CENA MINEIRA

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* Elo forte na cena rock de BH vem de uma galera de… eletrônico. O núcleo de festas MASTERPLANO fez reviver a forte cena eletrônica que deu fama a BH anos atrás, espalha festas por lugares novos e desocupados da cidade (foto acima) e promove o encontro de tribos musicais variadas em seus eventos. // O belo festival indie recifense NO AR COQUETEL MOLOTOV escolheu BH para ser uma de suas sedes para uma expansão nacional do evento. Em 2016, o Coquetel juntou 2500 pessoas no Centoequatro para misturar atrações locais como Congo Congo e Pequeno Céu com bandas da linha Boogarins e artistas como Ava Rocha. // O coletivo de produtores executivos QUENTE, capacitadores de mecanismos para fomentar e ampliar a cena de bandas e eventos de BH. É produtora, agência e selo de discos. Fizeram a produção do festival Coquetel Molotov (de Recife) em Belo Horizonte e o seminário-festival Sonâncias, ambos no fim de 2016, e estão lançando e gerenciando carreira, entre outras, das bandas Young Lights, Dibigode, Pequeno Céu e Oceania, esta última a reencarnação do Diesel. São os responsáveis pelas festas-projeto Tremor (nA Obra) e Música Quente (nA Autêntica) e já assinaram a assessoria de imprensa da Virada Cultural BH. // A produtora SHAKE SHAKE, em fase de mudanças de formação, é importante pilar da cena indie belorizontina, produzindo mini-festivais, shows em estacionamentos, casas, apartamentos e até na suntuosa Casa do Baile, na Pampulha. No começo deste ano, armaram parceria com a fundamental Casa do Mancha, de SP, para ocupar as casas A Autêntica e A Obra e realizar um festival que teve os locais Young Lights, Sara Não Tem Nome, Sci-Fi e Kill Moves (fora DJs de BH) com o grupo Carne Doce (Goiânia) e figuras do indie Brasil convidadas nas picapes, como o próprio Mancha e o Fabrício Nobre (capo do festival Bananada), entre outras coisas. // Festival anual que tangencia o mainstream mas faz sobrar bem para a camada debaixo da música independente local é o 53HC, que em novembro de 2016 misturou Young Lights, Lava Divers e El Toro Fuerte com bandas como Sepultura e Plebe Rude. // A ARREDA PRODUÇÕES, de Erika Ziller, está por trás tanto de eventos de jazz para crianças como shows indies. // Nada a ver mais tudo a ver com o rock local, o evento divertido e contestador ao mesmo tempo PRAIA DA ESTAÇÃO, que é um “mundo de gente” (foto abaixo, de Pedro Gontijo/O Tempo) de biquíni na Praça da Estação, no Centro da BH sem-praia, bebendo Catuçaí (catuaba + açaí, um clássico do Carnaval de BH). E aí eles chamam um caminhão pipa para molhar a galera. Toda a cena rock, eletrônica, MPB de Belo Horizonte frequenta.

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** FIGURAS DA CENA DE BH

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* Aniston Nest (1)
Espécie de faz-tudo da cena mineira, o DJ, músico, produtor e agitador cultural em várias instâncias Nest é uma das figuras carimbadas dos bons sons de BH, com serviços prestados há mais de 15 anos. Ex-integrante lá atrás da importante banda indie-eletrônica Digitaria, chegou a viver em Berlim, fez turnê europeia e tocou em grandes festivais e clubes por todo o país. Hoje está atuante como empreendedor na produtora QUENTE, um dos motores da cena independente belohorizontina. Nest é desses que, se preciso, gasta um dia ensaiando para virar até baterista de banda argentina em turnê pela cidade, tudo para o show acontecer.
* Carol Mattos (2)
É difícil pinçar uma pessoa de um coletivo importante, mas Carol Mattos, produtora e DJ, é persona das mais reluzentes num fomento criativo, eletrônico, social e econômico da cena plural de BH, à frente da festa MASTERp l a n o. Ou simplesmente Masterplano. A balada, que começou orgânica em apartamentos e depois em calçada em frente de boteco, para 20 pessoas, hoje ocupa a cidade desbravando lugares novos como galpões e fábricas abandonados e decrépitos da velha BH, se transformando depois em local de outras festas, shows e festivais até para o indie rock local. A Masterplano, no Carnaval deste ano, virou a MIKATRETA, com mais de 50 DJs reunidos de 17 coletivos de festas do Brasil. Carol, da Masterplano, ganhou residência também na importantíssima Mamba Negra, uma das mais importantes festas de São Paulo. Completamente descolada da fortíssima cena eletrônica de música e clubes de BH dos anos 80 aos 2000, Carol Mattos, atualíssima, é retrato puro da nova geração sonora brasileira.
* Guto Borges (3)
Guitarrista e vocalista de uma das grandes bandas indies belorizontinas faz um tempo, a Dead Lover’s Twisted Heart, Guto Borges virou “O Cara” do Carnaval da cidade, que uniu tribos diversas em torno do absurdo crescimento dos blocos de rua e tem como característica a forte diversidade de ritmos, com opções para quem gosta de rock, reggae, MPB, marchinha etc. Historiador de formação e professor engajado em causas sociais, Guto é o elo vivo da galera classe média roqueira (e eletrônica) de BH com a periferia. Foi o personagem central de um documentário chamado “Sobre Carnavais e Revoluções”, com roteiro de Mancha Leonel, da antro indie Casa do Mancha, de SP.
* Leonardo Marques (4)
Atual lapidador de som da cena indie de BH, Leo Marques toca o importante estúdio Ilha do Corvo, por onde passou, passa ou passará grande parte das bandas novas que importam na cidade. A trajetória de Leo começa lá atrás, como integrante do Diesel, que tocou no Rock in Rio, assinou com grande gravadora, tinha um público enorme. Leo mudou para Los Angeles, com o Diesel. Como o Diesel acabou não dando muito certo, ele ficou na Califórnia por um tempo e voltou a BH equipado. Montou o importante grupo Transmissor e construiu um estúdio caseiro fora de BH. Com a dispersão do Transmissor, assinou seu primeiro álbum solo em 2012, com o segundo, de 2015, tocou até no Japão. Junto com o belga Yannick Falisse, fundou o selo La Femme Qui Roule, que escoa atualmente o melhor da cena nova indie mineira, das guitarras à MPB “à la MG” e eletrônica. O dedo de Leo esta por toda parte na música nova de BH, hoje.

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** PLAYLIST DA CENA

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A Popload agradece muito: Laura Damasceno, Julia Abrahão, Rodrigo James, JP Cardoso e Cadu Doné.

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* O Mapa do Rock é um projeto da Popload em parceria com a GOL Linhas Aéreas Inteligentes.

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