Em marisa monte:

Top 50 da CENA – Amarante traz seu “Tango” para a liderança do ranking. Zopelar eletroniza nossa história. Bonifrate não larga do topo

1 - cenatopo19

* Tem um clássico da produção do nosso Top 50 da CENA em trocas de mensagem: “Achei que a semana está fraca de lançamentos” seguido de um “Peraí, vou olhar direito”. E invariavelmente a gente cai no meio de muita coisa boa. Nesta semana, em que estavávamos considerando umas três ou quatro músicas de destaque, alcançamos nove verdadeiros achados. Mais um prova do nosso mantra aqui: a CENA brasileira é talentosa. E nós, às vezes, nem tanto.

amarantetopquadrada

1 – Rodrigo Amarante – “Tango” (Estreia)
Uau. Agora só aumenta a expectativa pelo segundo disco solo do Rodrigo Amarante que saí nesta sexta, dia 16. Em “Tango”, a letra usa as instruções da dança para descrever um relacionamento onde existe confiança e parceria. Musicalmente aponta para uma leveza e alegria que lembra as faixas mais bem-humoradas de Amarante tanto nos Los Hermanos quanto no Little Joy. Não é um passo nostálgico, longe disso, ainda que leve a gente novamente para alguns verões de carnavais possíveis. Ouvimos outras do disco, tão boas quanto, adiantamos. Mas não vamos atropelar os processos e vamos com esta primeirona do Top aqui, por ora.

2 – Zopelar – “Jump” (Estreia)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

3 – Bonifrate – “Cara de Pano” (13)
Voltamos a levantar esse som do músico carioca Bonifrate por aqui porque, primeiro, a gente curtiu bem e, segundo, finalmente chegou o seu novo álbum solo, “Corisco”, que celebramos single a single neste mesmo espaço. Discaço.

4 – Criolo – “Fellini” (Re-Estreia)
A gente já tinha ficado de cara que, em “Fellini”, Criolo usava os recursos narrativos do cineasta italiano para contar uma história múltipla. As mil faces geniais dessa conversa criada pelo rapper cantor agora ganharam um supervídeo que novamente dialoga com a obra do famoso diretor de cinema. Era obrigatório que esse som voltasse ao Top 50.

5 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (Estreia)
Mais uma da Marisa, especialmente por conta de uma reflexão rápida. A gente já elogiou ela por aqui, hora de reverenciar um de seus parceiros no disco. Se destacam na obra as faixas dela com Chico Brown, filho de Carlinhos, neto de Chico Buarque, um sobrinho de João Gilberto. É com Chico os melhores momentos de Marisa no álbum “Portas”. “Medo do Perigo”, por exemplo, revela que ele está cumprindo a promessa de juntar as peças do quebra-cabeça deixado por João.

6 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (Estreia)
Duas pragas da vida digital são o alvo em mais um trabalho quase cyberpunk do rapper oriental-paulistano Yannick. Se a estrutura musical não fosse tão eletrônica poderia ser fácil uma letra do Ratos de Porão, saca?

7 – Lucas Ranke – “Alucina” (Estreia)
Ranke, uma referência do rock gaúcho, reuniu outras referências do rock gaúcho para uma série de compactos que celebram sensações. O primeiro tema é a mente, e daí que o título “Alucina” é bem apropriado. A banda desta faixa reúne Marcelo Gross (Cachorro Grande), Giovanni Caruso (Faichecleres, Escambau), Eduardo Dolzan (Identidade, Júpiter Maçã, Wander Wildner) e Tuba Caruso (Faichecleres)

8 – ATR – “Intro’ (Estreia)
Aqui a gente não fala exatamente de uma música só, por isso optamos pela introdução de uma ideia incrível que o ART teve. A banda paulista resolveu criar sua própria trilha sonora para “Encouraçado Potemkin”, clássico do Eisenstein. E, melhor, não é preciso muito esforço para ver o filme com a nova trilha, porque está tudo disponível no YouTube da banda.

9 – Rubel – “O Homem da Injeção II” (Estreia)
Rubel lançou aqui um samba politizado sobre a vacina – onde uma revolta contra o pancrácio que rege o país deixa apenas o “rei” vestido. E em estúdio conseguiu reunir um dos times mais brilhantes de música brasileiros. Pega só: tem Arthur Verocai no arranjo de cordas, Antonio Neves nos arranjo de metais e uma banda com Esguleba e Jaguara na percussão, Mauro Diniz no cavaquinho, Carlinhos 7 Cordas no violão, Teo Lima na bateria e Jorge Helder no baixo. Caramba!

10 – Amaro Freitas – “Sankofa” (1)
Amaro Freitas, pianista de Recife escreveu bastante e bem sobre sua proposta no álbum “Sankofa” e a gente pirou na ideia: “Trabalhei para tentar entender meus ancestrais, meu lugar, minha história, como homem negro. O Brasil não nos disse a verdade sobre o Brasil”. A expressão “sankofa” é justamente sobre esse tipo de processo, visitar o passado para possibilitar novas compreensões e futuros. Uma busca, que como revela Amaro, apresenta as inconsistências do que temos em nossas mãos atualmente. Muita coisa foi contada errado, muita coisa foi apagada e isso é um dos motivos de termos problemas de imaginar futuros novos. Sem dúvida, um mundo trilhado por esse álbum de Amaro não dá chance para fascistas, por exemplo. Essa é a energia aqui.

11 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (2)
12 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (3)
13 – 2DE1 – “Emersão” (4)
14 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (5)
15 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (6)
16 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (7)
17 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (8)
18 – Nill – “Singular” (9)
19 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (10)
20 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (11)
21 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (12)
22 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (18)
23 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (14)
24 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (15)
25 – Nelson D – “Algo Em Processo” (16)
26 – Ella from the Sea – “Lonely” (17)
27 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (18)
28 – GIO – “Joias” (19)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (20)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (25)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (26)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (27)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico Rodrigo Amarante.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

Top 50 da CENA – Um piano tira a Pabllo do nosso topo. Amaro Freitas lidera, seguido pelo MC Rodrigo Brandão. Mas o terceirão é dela, sim

>>

* Na semana passada nosso primeiro lugar foi talvez um dos trabalhos mais pop da nossa história, né, Pabllo? Nesta semana aqui, jazz e música de improviso fazem um dobradinha no topo da nossa lista. É o universo reequilibrando as coisas. Pode reclamar, a gente esquece muita coisa, não dá conta de outras, mas não damos margem para dizerem que nós não tentamos escutar um pouco de tudo de lindo que é feito neste país hoje em dia na música, para criar nossa radiografia do que acontece de melhor por aí, hein? Dito isso, toma esta!

amarotop50quadrada

1 – Amaro Freitas – “Sankofa” (Estreia)
Quem lê sempre nosso Top 50 já reparou que a gente ama quando o próprio músico traz palavras inspiradas sobre o que pensou para a canção em destaque. Parece um passo lógico, mas não é todo mundo que se arrisca a pelo menos traçar uma linha sobre o que acabou de entregar. O Amaro Freitas, pianista de Recife, por sua vez, escreveu bastante e bem sobre sua proposta no álbum “Sankofa” e a gente pirou na ideia: “Trabalhei para tentar entender meus ancestrais, meu lugar, minha história, como homem negro. O Brasil não nos disse a verdade sobre o Brasil”. A expressão “sankofa” é justamente sobre esse tipo de processo, visitar o passado para possibilitar novas compreensões e futuros. Uma busca, que como revela Amaro, apresenta as inconsistências do que temos em nossas mãos atualmente. Muita coisa foi contada errado, muita coisa foi apagada e isso é um dos motivos de termos problemas de imaginar futuros novos. Sem dúvida, um mundo trilhado por esse álbum de Amaro não dá chance para fascistas, por exemplo. Essa é a energia aqui.

2 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (Estreia)
Quem já viu uma sessão de improviso do Rodrigo Brandão sabe a força que reside ali. Força de inspiração e criação afiada de um dos principais MCs da música brasileira faz tempo. Seu segundo trabalho solo é mais uma experimentação nesse sentido de composição em tempo real tocada por Marshall Allen, líder da Sun Ra Arkestra, com participação de um timaço de músicos nacionais (Tulipa Ruiz e Juçara Marçal, os saxofonistas Thiago França e Thomas Rohrer, o percussionista Paulo Santos (Uakti) e mais um par de integrantes do Hurtmold, Guilherme Granado e Marcos Gerez), além de três membros da Sun Ra (Knoell Scott, o brasileiro Elson Nascimento, e Danny Ray Thompson). Este álbum foi gravado em 2019, mas chega agora em 2021. Aguardemos.

3 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (1)
Ao optar em reler clássicos do tecnobrega e do forró que foram a trilha de sua adolescência em um contexto que respeita os gêneros e ainda absorve elementos da música pop atual, Pabllo enriquece sua já boa mistura e aproxima seu trabalho das experiências de hyperpop tocadas por artistas como Sophie e Charlie XCX. É uma inversão inteligente do senso comum que ronda o pop nacional. Em vez de deixar o pop mundial informar a música brasileira, aqui a música brasileira informa o pop do planeta. Não é um movimento simples, não. O Primavera Sound vai ver só.

4 – 2DE1 – “Emersão” (2)
Emersão, segundo um dicionário online, é tanto o movimento de um corpo que sai de um fluido no qual estava mergulhado quanto a reaparição de um astro que eclipsara. Significativo que esse seja o som de uma retomada após um relativo silêncio. E, bom, basta reparar na letra para sacar que a intenção dos gêmeos Fernando e Felipe Soares passa por uma aceitação de si mesmo e de assumir uma luta para alterar os aspectos que estão danificando o universo ao redor.

5 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (Estreia)
Em seu belo novo trabalho, Marisa escolheu uma coleção de velhas e novas parcerias. Ao lado de figuras batidas, como Nando Reis e Arnaldo Antunes, aparecem agora nomes como Chico Brown, Marcelo Camelo e os irmãos Silva, Lucas e Lúcio. Conectado com a obra de Marisa em uma esfera bem próxima (Silva dedicou um disco às canções dela), parece lógico que a parceria Silva/Marisa soe tão bem e seja a música que mais chame a atenção em uma primeira edição. “Totalmente Seu” é nível hit da Marisa que pode tocar por um ano, fácil fácil, em rádios e novelas.

6 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (Estreia)
Vício é foda. Bebida, cigarro, um relacionamento. Letrux acerta um monte em resgatar essa letra escrita em 2013 e que seguiu tão boa ao longo destes anos. Como ela bem escreveu, ali foi o começo do fim do mundo. Não? Pela promessa, esse single é a abertura de uma série de mais três lançamentos individuais.

7 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (Estreia)
Parte do seu álbum mais recente, “III”, Giovanna resolveu expandir a música “Rosalía” em um single que reapresenta sua bela música acompanhada de uma versão demo e outra que é descontrução da própria canção, indo atingir com ela um outro gênero. Se entendemos bem, isso é o que costumávamos ter com um bom lançamento de single.

8 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (Estreia)
A dupla sergipana Gabriel Galvão e Alexandre Damasceno segue a apresentação da piração que veremos em seu álbum “Memorandos”. Que a gente, não sei se eles repararam, adivinhou o nome por aqui quando achou uma mensagem cifrada em morse no Bandcamp da banda. Ninguém valoriza nossos momentos de Sherlock?

9 – Nill – “Singular” (3)
Participação da Ana Frango Elétrico, sample do Paramore. Que som que o Nill lançou aqui para abordar as questões e inseguranças de dentro da sua mente. E a faixa é tão curtinha que pede por uns três replays a cada escutada.

10 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (4)
E, por falar na Ana, um elogio a ela aqui por soltar um vídeo para um som seu do “distante” 2019. Esse jeito de trabalhar um álbum em slow motion é um ajuda e tanto para nós, jornalista, sobrecarregados por tanta coisa a escutar. Mirem-se no exemplo.

11 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (5)
12 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (6)
13 – Bonifrate – “Cara de Pano” (7)
14 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (8)
15 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (9)
16 – Nelson D – “Algo Em Processo” (10)
17 – Ella from the Sea – “Lonely” (11)
18 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (12)
19 – GIO – “Joias” (13)
20 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (14)
21 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (15)
22 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (16)
23 – Bonifrate – “Casiopeia” (17)
24 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (18)
25 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (19)
26 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (21)
28 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (22)
29 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (23)
30 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (24)
31 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (25)
32 – Supervão – “Amiga Online” (26)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (28)
34 – Jadsa – “Mergulho” (29)
35 – Mulungu – “A Boiar” (30)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (31)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (32)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (33)
39 – Zé Manoel – “Como?” (35)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o pianista pernambucano Amaro Freitas.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

Popnotas CENA – Como a Vivian Kuczynski foi parar no disco da Pabllo Vittar. A Marisa Monte abrindo portas na Popload. E os shows da primeira vida de Vitor Bara

>>

– Um desses projetos pessoais que viram livro, prática altamente recomendada para quem tem a oportunidade, “A Primeira Vida em 50 Shows”, do jornalista Vitor Bara, lista 50 shows que ele viu no primeiro capítulo de sua existência, a grande maioria deles em São Paulo. Em 2019, Vitor sofreu um gravíssimo e bizarro acidente de carro na Patagônia, Argentina, “fraturando tudo o que havia para ser fraturado no corpo”, nível 9 em caso de gravidade de zero a 10, o que lhe rendeu meses de recuperação e algumas cirurgias, inclusive uma plástica para reconstituir parte do rosto. Nessa parada forçada (acrescida “estrategicamente” pelo tempo da pandemia), e apaixonado por música, mexendo em casa em sua coleção de ingressos de shows ele teve a ideia de contar sobre sua “primeira vida”, suas conquistas e derrotas pessoais, através dos concertos a que atendeu. Desde o festival Monsters of Rock de 1995 (Ozzy Osbourne, Alice Cooper, Faith No More, Megadeth) no Pacaembu até setembro de 2019, Rock in Rio, no dia do Bon Jovi e Dave Matthews Band. No mês seguinte, começaria a parte dois de sua vida. Vitor, que até banda já teve, a Ascolt Dery, e com a música norteando sua trajetória, narra tipo Nick Hornby seus amores e caminhos profissionais pelos shows que viu, incluindo ainda o de bandas ou artistas como Roxette, Midnight Oil, Eddie Vedder, U2, Metallica e Faith No More. Até André Matos e Far from Alaska aparecem na sua boa narrativa pessoal, em uma esperta condução literária graças ao jornalista e historiador que é. Na real, foram mais de 200 shows assistidos no período de sua primeira existência, mas os selecionados para contar a história e sua história são 50. O texto da contracapa de “A Primeira Vida em 50 Shows” é assinado pela cantora e violonista “carioca” Badi Assad, uma de suas “personagens” no livro. A editora da obra é a UICLAP, plataforma gratuita de autopublicação. É vendido na loja online da editora (R$ 31,40). Nesse show em que transformou sua vida, contada no livro, Bara diz que uma das três coisas que consegue lembrar ao chegar incrivelmente vivo e um pouco consciente ao hospital argentino pós-acidente, além de pedir para alguém passar algodão molhado em sua boca superressecada, foi solicitar ao assustado pai, já que a viagem estava estragada mesmo, que ele tentasse ingressos para ele ver o show do King Crimson, que se apresentaria por aqueles dias no Espaço das Américas, na Barra Funda.

showssld

– Gente, corre que ela está sem o Carlinhos Brown e o Arnaldo Antunes… Quebrando uma reclusão de dez anos, a caMarisa Monte lançou em evento internético na quinta tarde da noite seu oitavo disco de estúdio. “Portas” era para ser gravado em maio de 2020 e a ideia dela era gravar uma parte no Rio e formar uma segunda banda em NY com direção do Arto Lindsay. Mas veio a pandemia e com ela vieram gravações remotas orquestradas via Zoom. Daí nasceram duas músicas: o single já com cara de hit “Calma” e a faixa que dá nome ao disco, “Portas”. Aliás, um álbum um tanto quanto internacional com as pontes RJ/NY/Los Angeles (com vozes de Flor, filha de Seu Jorge) e gravações remotas de Lisboa com arranjos do hermano Marcelo Camelo, que também assina duas faixas (“Sal e “Você Não Liga”), além de entregar para Marisa gravar “Espaçonaves” (única faixa do disco em que ela não divide autoria). “Portas” é um álbum solar, apesar dos tempos estranhos em que vivemos e com parcerias que resistem: tem Arnaldo Antunes (ops.), Nando Reis e, no lugar do tribalista Carlinhos Brown (ops.), seu filho Chico Brown. E ainda tem álbum visual e um vídeo assinado pelo criativo (mesmo!) Giovanni Bianco, amigo da Madonna, aquele mesmo que ajudou a mudar a direção da carreira de Anitta quando assinou o vídeo do hit “Bang”. O vídeo, bem bonito e combinando bem letra, cenário e figurino, você vê aqui embaixo. O vídeo é tão bonito que a Marisa ganha até sua primeira foto na home da Popload, olha só (imagem de Fernando Tomaz).

– Neste domingo rolou ao vivo o POPLOAD ENTREVISTA com a especialíssima Vivian Kuczynski, cantora, instrumentista e hoje disputada produtora, sem contar fazer participações especiais em disco da Pabllo Vittar, essas coisas “normais”. Foi na Popload TV, nosso canal no Youtube. Parece que a curitibana Vivian, agora “paulistana”, tem uns 25 anos de carreira, e não 18 de idade. Na conversa, com a Popload, conduzida por mim e pelo Vinicius Felix, os responsáveis pelo TOP 50, Vivian contou os preciosos bastidores que a botaram no disco da Pabllo, falou se prefere mais ser produtora dos outros ou lançar os próprios discos, confessou nunca ter ouvido a mais internacional banda indie curitibana, entre outros babados. E falou do disco novo dela, o segundo, que não necessariamente traz grandes notícias ao seu selo, a Balaclava Records. Confira o delicioso papo com a incrível Vivian Kuczynski.

>>

Especial Popload: 20 discos essenciais de 1994

>>

especialpopload94_4

* Ontem contamos a história que fez de 1994 um dos anos mais importantes de lançamentos de discos dos últimos tempos no exterior e aqui também, na revelação de novas bandas, novas cenas, reafirmações de nomes já de alguma forma conhecidos. Tudo na colheita do plantio sonoro da revolução de 1991. Ouvimos até participantes da cena brasileira.

Neste especial 1994 temos mais dois posts, que entram no ar hoje. O primeiro segue agora. Soltamos, abaixo, a lista que, no nosso entender, dá conta dos 20 discos mais importantes lançados há 20 anos, neste bendito 1994, o tema de nossa efeméride.

A ideia foi tentar equilibrar entre lançamentos internacionais e no Brasil, com uma leve pendência a favor do primeiro grupo, por motivos óbvios.

E, acredite, se no caso nacional a gente acha que varreu os álbuns mais importantes lançados, do lado gringo deixamos muito lançamento bom de fora. Pelo menos mais uns bons 10 discos relevantes para o ano, para o momento.

Então ficamos assim:

oasis_dm

* Oasis – “Definitely Maybe”
Primeiro álbum dos irmãos Liam e Noel Gallagher, “Definitely Maybe” bateu o recorde de disco de estreia com venda mais rápida no mercado inglês, retomou o britpop que os Stone Roses tinham ameaçado emplacar e virou por alguns anos a principal banda do planeta.

beastieboys_ill

* Beastie Boys -“Ill Communication”
Quarto registro de estúdio do trio de Nova York, o álbum foi responsável por posicionar o chamado “rap branco” num mercado maior, mais… branco. O disco é puxado pelo super hit “Sabotage”, single que ganhou um famoso e premiado vídeo produzido por Spike Jonze e ajudou a MTV a ser relevante.

raimundos

* Raimundos – “Raimundos”
O disco de estreia dos Raimundos tomou de assalto a música brasileira com o inovador forró-core, mistura do popular forró com som hardcore, pesado. Foi lançado pelo lendário selo Banguela Records, dos Titãs em parceria com o produtor Carlos Eduardo Miranda. E fez meu sobrinho deixar de ouvir bobagem para se interessar por rock. Foi daqui para Nirvana e Ramones. Tudo bem que ele se perdeu de novo, depois, haha.

chicozumbi


* Chico Science & Nação Zumbi – “Da Lama ao Caos”

Obra-prima do rico e curto catálogo de Chico Science, o primeiro álbum da Nação Zumbi foi o pontapé inicial para o movimento manguebeat. Mescla de rock pesado com funk e música regional, é considerado por muitos como um dos melhores discos nacionais de todos os tempos. Psicodelia extraída do maracatu. Música brasileira com ideia e com conceito.

beck

* Beck – “Mellow Gold”
Um dos pontos altos da carreira do cantor, compositor e instrumentista norte-americano, “Mellow Gold” é o terceiro álbum de estúdio de Beck e puxado por um dos maiores hinos do indie: “Loser”. Música que, numa era em que Kurt Cobain queria que o mundo e o dinheiro e a fama o deixassem em paz e Beavis & Butt-head davam cara a uma geração, fez todo o sentido do mundo.

skank

* Skank – “Calango”
Maior revelação da música mineira desde o famoso movimento Clube da Esquina, o Skank despontou no cenário nacional com uma nova proposta sonora que misturava rock, ska e reggae. Com o segundo disco, “Calango”, os mineiros venderam mais de um milhão de cópias, passaram a ser falados além-MG e, mais que isso, se tornaram uma das bandas mais populares do país.

greenday

* Green Day – “Dookie”
Espécie de respiro neopunk no início dos anos 90, o Green Day viveu um grande dilema ao lançar o ótimo “Dookie”, seu terceiro álbum, considerado o mais comercial da banda até então. Dilema mas que rendeu $$$$$ e botou a cena do “novo punk” na ordem do dia. Polêmicas à parte, o disco fez o grupo explodir, a cena explodir e chegou a ganhar o Grammy de “Melhor Disco de Música Alternativa” da época. Foi o maior resultado de Malcolm McLaren sem ser uma banda que tivesse qualquer coisa a ver com o Malcom McLaren.

marisa

* Marisa Monte – “Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão”
Provavelmente o melhor álbum da carreira de Marisa Monte, seu terceiro. E o primeiro produzido pela cantora, esperta, trabalhando em conjunto com o famoso Arto Lindsay. Um dos mais vendidos e premiados da época, o disco autoral também possui versões de músicas de Jorge Ben Jor e Lou Reed.

portishead

* Portishead – “Dummy”
Álbum de estreia da banda de Bristol, “Dummy” foi uma das obras responsáveis por consolidar o estilo trip hop no mercado. O disco venceu a aclamada premiação inglesa “Mercury Prize” como melhor disco do ano.

notorius


* Notorious B.I.G. – “Ready to Die”

Álbum de estreia do rapper norte-americano, em caráter quase autobiográfico, “Ready to Die” conta as aventuras do rapper enquanto um jovem criminoso. Foi o único disco que Notorious B.I.G. lançou em vida, já que ele foi assassinado poucos dias antes do lançamento de seu segundo registro, “Life After Death” (1997).

cassia

* Cássia Eller – “Cássia Eller”
Prestes a pedir demissão de sua gravadora na época, (Polygram), devido ao desempenho ruim de seus dois primeiros álbuns, Cássia resolveu gravar o terceiro disco sem que a própria gravadora soubesse (e interferisse). Daí… O álbum foi feito na época em que ela se tornou mãe, fato que se tornou uma das grandes inspirações da cantora.

mundolivre

* Mundo Livre S/A – “Samba Esquema Noise”
Mistura de sons eletrônicos, batidas de maracatu, samba e rock, o Mundo Livre S/A foi um dos expoentes do movimento manguebeat ao lado de Chico Science e a Nação Zumbi. O álbum de estreia do MLSA também foi lançado pelo Banguela Records, junto com o primeiro dos Raimundos.

prodigy

* The Prodigy –“Music for a Jilted Generation”
Segundo disco do grupo inglês que surgiu como grande novidade na eletrônica dos anos 90, misturando batidas de pista com pegada quase punk. O Prodigy, através deste álbum, foi um dos responsáveis por começar a levar a música eletrônica para grandes arenas, a cultura rave para o mainstream.

blur

* Blur – “Parklife”
Ao lado do Oasis, o Blur foi responsável por aquecer o até então morno mercado britânico, que se preparava para a avalanche do britpop. O petardo sonoro de Damon Albarn rendeu sucessos como “Girls & Boys”, “This Is a Low” e a faixa que deu título ao álbum.

racionais


* Racionais MC’s – “Racionais MC’s”

Compilação que é considerada o terceiro álbum da maior banda do rap nacional, o disco homônimo, surgiu para dar uma forma conjunta e mais forte aos pequenos hits de alcance periférico, literalmente. A coletânea é marcado pela faixa “Homem Na Estrada” (93), um dos pontos altos da carreira do grupo. O disco tem o mérito de tirar do gueto do hip hop paulistano para um público mais diversificado e mostrar as crônicas líricas de Mano Brown sobre a vida na cadeia ou, o que pode ser pior por mais incrível que possa parecer, fora dela.

weezer

* Weezer – “Weezer”
Também conhecido como “Disco Azul”, o álbum homônimo revelou o Weezer para o mundo. Dele, surgiram vários hits como “Buddy Holly” e “Say It Ain’t So”, sem mencionar a fantástica, mas algo datada “Undone – The Sweater Song”. A produção foi assinada por Ric Ocasek, ex-vocalista da banda The Cars.

offspring

* Offspring – “Smash”
Um dos expoentes do neopunk americano ao lado do Green Day, o Offspring entrou para a história com “Smash”, álbum lançado pela Epitaph Records e que virou, atenção, “o disco mais vendido em todos os tempos comercializado por uma gravadora independente”.

orappa

* O Rappa – “O Rappa”
Um som eclético, engajado e com letras de cunho político. Foi assim que o Rappa balançou o cenário pop do país em 1994. O álbum de estreia do grupo de Marcelo Yuka e Falcão contou com a participação especial de Bezerra da Silva na faixa “Candidato Caô Caô”.

soundgarden


* Soundgarden – “Superunknown”

A banda já tinha três álbuns na bagagem, mas foi com “Superunknown” que o Soundgarden alcançou fama mundial, em pleno “velório” do grunge por causa da morte de Cobain. Os singles “Spoonman” e “Black Hole Sun” foram premiados no Grammy. E o grunge ganhou uma sobrevida.

nin

* Nine Inch Nails – “The Downward Spiral”
Considerado por parte da crítica e dos fãs como melhor álbum da banda, o terceiro disco do grupo chocou a cena independente, fertou com o mainstream, mesmo Trent Reznor querer fugir cada vez mais de algo “palatável”. O disco é extremamente conceitual e sinistro, mas vendeu 5 milhões de cópias. Fez do difícil Reznor um dos principais nomes do rock independente (e além). Nele encontra-se um dos maiores sucessos do NIN, “Closer”.

>>