Em mark ronson:

Top 10 Gringo – Tyler, the Bombator é o líder. Parquet Courts volta sem voltar. Pom Pom Squad pega o pódio e não larga

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* Uau. Semana braba nos lançamentos, hein? Vários nomes grandões e/ou legais chegaram juntos desta vez – e até uma estreia daquelas, muito aguardada. Nem é uma novidade, mas vamos contar esse segredo: não conseguimos escutar tudo que queríamos entre sexta e segunda. Vamos ter que seguir trabalhando ao longo da semana para apurar certinho as coisas que nos pareceram interessantes. Complicado ranquear desse jeito, mas bolamos algo aqui. Por ora, ficamos assim:

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1 – Tyler, The Creator – “Wusyaname”
Este novo álbum do Tyler, The Creator, “Call Me If You Get Lost”, tem vários potenciais números 1 para o nosso top 10. Escolhemos este hit que parece ter sido a primeira que caiu no gosto do povo. Um Tyler apaixonado por uma garota que ele ainda nem sabe o nome, mas parece que ela já tem namorado, maior confusão. Lembra um texto manjado, mas Tyler capricha nos versos e no todo da música, acertada demais na produção. Daquelas que vai para o repeat sem nem a gente pensar.

2 – Parquet Courts – “Plant Life”
Essa não tem no Spotify (ainda), a gente arrumou para vocês, hein? É o primeiro sinal de vida do Parquet Courts desde 2018 e a banda chega com uma pegada dance. Ou mais dance que as dance anteriores. Um som que nasceu de um recorte de uma improvisação de 40 minutos. Imagina a viagem.

3 – Pom Pom Squad – “Drunk Voicemail”
Não tem como não gostar da vibe Hole que percorre todas as músicas do Pom Pom Squad, ainda que não seja só a banda de Courtney Love que escoe por ali, até porque talvez Courtney nunca tenha escrito um romance adolescente em suas letras, como é o caso de “Drunk Voicemail”. Mas é por aí. Aliás, já fica uma sugestão. Procura no Spotify pela playlist Squad Songs da vocalista da banda, a Mia Berrin. Por acaso, tem duas do Hole na playlist.

4 – Sault – “London Gags”
Segue o mistério. Quem será que está por trás do Sault? Para adicionar mais mistério nessa questão, a banda resolve lançar um disco que vai ficar disponível para streaming e download por 99 dias. Então, corre aí, porque, para variar, o álbum está cheio de músicas incríveis.

5 – Unknown Mortal Orchestra – “Weekend Run”
Uma música toda sobre fins de semana e o quanto eles passam rápido. Repara na letra e na estrutura musical elaborada aqui por Ruban Nielson. As partes mais tortuosas da música são as descrições dos dias da semana comuns, da vida comum, lentas e tediosas com trabalho. Progressivamente a música vai se animando com a chegada da sexta e do sábado até um refrão delicioso que é todo um domingo de curtição. Que no fim passa rápido demais.

6 – Lucy Dacus – “Brando”
A caneta da Lucy Dacus é boa de lembrar histórias doloridas da adolescência, especialmente as que envolvem personagens masculinos, dos quais ela sabe tirar um bela onda hoje em dia. Em “Brando”, ela se recorda de um colega até que legal, que lhe apresentou muita coisa em termos de filmes e músicas, mas que depois parecia só usar ela como figurante de seu próprio filme, em suas palavras. Ele contava por aí que conhecia muito ela, mas ela sacou que na real não era bem assim. Enfim…

7 – Faye Webster – “Overslept”
A querida Faye consegue traduzir bem seus sentimentos em suas músicas. Nesse papo sobre dormir mais do que veria dá para sentir uma preguiça em cada verso, no vocal. São tão bem transmitidos os sentimentos que o trecho em japonês cantado pela cantora e guitarrista Mei Ehara parece dispensar tradução.

8 – Modest Mouse – “Back to Middle”
É massa o jeito que essa música nos engana. Ela vem toda bonita no começo, melódica, leve. Com paradinhas nos versos dando um clima e tudo. Até que a banda pesa mão logo após cada verso. De estourar os fones de ouvido. Modest Mouse em boa forma.

9 – Foo Fighters – “Making a Fire (Mark Ronson Re-Version)”
Quando o Foo Fighters prometeu um disco dançante foi um pouco decepcionante ver que “Medicine at Midnight” era bem pouco radical em sua proposta. Não entregou. Nessa releitura, Mark Ronson ajuda a banda a honrar um pouco o combinado e deixa “Making a Fire” bem mais suingada. Sem dúvidas, Ronson abraçou uma cópia do “Screamadelica”, do Primal Scream, por horas e encontrou um jeito de dar um “Movin Up” nesse som do Foo Fighters. Ficou bem bom.

10 – Little Simz – “Rollin Stone”
E o que dizer de uma música que começa com os versos “Eu estava em São Paulo”? Essa primeira linha de “Rollin Stone” foi por nossa causa, porque ela veio para tocar no nosso festival. Logo temos já uma parte dentro da obra da nossa rapper britânica predileta. Primeiro lugar semana passada e mais uma semana no nosso top 10, lógico.

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* A imagem que ilustra este post é do rapper americano Tyler, The Creator.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – Arcade Fire está com saudade de você. Mark Ronson requebrando o Foo Fighters. Salma e Mac botando sua intimidade em EP. E finalmente uma música nova do Unknown Mortal Orchestra

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– Bem quietinho desde que a pandemia se abateu sobre nós, o adorado grupo canadense Arcade Fire anunciou em seu Instagram que, enquanto não rolar shows ao vivo, para matar a saudade do palco e de seus fãs vai lembrar nos próximos meses em seu canal de Youtube algumas de suas apresentações passadas. Tm uma hashtag para isso: #AFPastLives. Há dois dias, postaram esta performance para a marcante “No Cars Go”, ao vivo no festival espanhol Primavera Sound, de 2017. Assim eles matam a saudade do palco e a gente mata a saudade deles.

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– Óbvio, tem novidades do Foo Fighters, como se passassem três dias alguma vez sem a gente as tê-las. Pintou uma nova versão, agora, da música “Making a Fire”, retrabalhada pelo produtor inglês renomadaço, o Mark Ronson. “Making a Fire” é uma das melhores músicas do disco dez, o último que a banda de Dave Grohl lançou há alguns meses, o “Medicine at Midnight”. Baita versão do britânico. “Making a Fire (Mark Ronson Re-Version)” ganhou uma suingada boa, com backing vocal de Violet Grohl, a filha do homem. Para a sonoridade requebrada, Ronson usou uma galera de bandas como Antibala e Budos Band, entre outros. Ó que belezinha. Pode parecer exagero, mas pelo som desta “Making a Fire” retrabalhada parece que a música pertence ao “Screamadelica”, a obra-prima do Primal Scream. Dsclp por isso:

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Salma e Mac, o casal da banda goiana Carne Doce, lançaram um delicadíssimo porque íntimo EP voz e violão com sete músicas, chamado exatamente “Salma e Mac”. O projeto não é propriamente uma novidade, porque era assim que a dupla marido-e-mulher faziam a música antes de fundarem a Carne Doce, há dez anos. Das canções acústicas presentes em “Salma & Mac”, três delas são inéditas, as outras versões de músicas que estão em discos do grupo que deu fama ao duo. Tudo encharcado de MPB com levadas de bossa nova. Isso é que podemos chamar de versão caseira. Abaixo, neste formato casal apaixonado, uma inédita de Salma e Mac e uma versão de clássica da Carne Doce.

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* A banda neozelandesa Unknown Mortal Orchestra, vizinha da Lorde, resolveu aparecer em 2021 para compartilhar seu novo single, “Weekend Run”. A faixa, cinco minutos de uma sonoridade beeeem UMO, representa ainda a primeira música oficial desde o disco “Sex & Food”, de 2018. A brincadeira com a vizinhança da Lorde na Oceania é só isso mesmo, uma brincadeira, pois a banda há tempos está baseada em Portland, mas agora seu líder, Ruban Nielson, está vivendo no deserto da Califórnia. E é incrível como a sonoridade do Unknown Mortal Orchestra está geograficamente representado em toda sua trajetória, como esta “Weekend Run”. Não sente um cheiro de Coachella nesta “Weekend Run”? O vídeo, pelo que entendemos, mostra um dia ordinário pandêmico na vida de Nielson.

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Popnotas – A série do Mark Ronson. O crush da Faye Webster. A fragilidade do Damon Albarn. E as demos cinquentonas da Joni Mitchell

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– Já que estamos na onda de seriados e filmes sobre música, vem aí mais. “Watch the Sound with Mark Ronson” vai trazer, veja só, o espertíssimo produtor britânico explorando, ao lado de gente sincera como Paul McCartney, Questlove, King Princess, Dave Grohl, Ad-Rock e Mike D (Beastie Boys) e Charli XCX, questões tecnológicas que mudaram os rumos das gravações. Como Ronson lembra no trailer, são essas tecnicidades que separaram meras boas músicas de boas gravações, aquele conjunto da obra que pesa tanto no fim. Em cada episódio, Ronson se desafia a criar uma música nova a partir dessas técnicas – reverberação, sintetizadores, auto-tune, sequenciadores de ritmo, samples e distorção. Interessante! A série vai passar na Apple TV+ e estreia, pelo menos no anúncio gringo, no dia 30 de julho.

– Só aumenta nossa ansiedade para o novo álbum da Faye Webster, cantora americana de 23 aninhos e já três álbuns lançados. “I Know I’m Funny Haha”, que tem risadinha no nome, saí nesta sexta já, mas ela aproveitou para mandar um novo single e vídeo poucas horas antes do lançamento. De novo, um título engraçado: “A Dream with a Baseball Player”, som que tem um balanço e tanto. Na explicação de Webster, é sobre um crush dela. No caso, por jogadores de baseball.

– Não dá para dizer que o grande Damon Albarn esteve parado neste anos todos. É um homem de muuuitos projetos paralelos, além mesmo de Gorillaz e Blur, mas disco sozinho, com seu nome mesmo estampado na capa assumindo toda a bronca, não rolava desde sua estreia no distante 2014. “The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows”, seu segundo solo oficial, chega em novembro a partir de uma proposta ousada de Damon. “Originalmente concebida como uma peça orquestrada inspirada nas paisagens da Islândia, este último ano rendeu um retorno à música, uma vez em lockdown, e a desenvolver o trabalho para 11 faixas, explorando mais temas de fragilidade, perda, emergência e renascimento”, escreve em nota sobre o disco. A faixa título, já disponível, dá conta de explicar esse tom que o álbum deve ter. E o mullet do Albarn, conforme vimos na edição online do Glastonbury e na foto da home da Popload, continua firme.

1. The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows
2. The Cormorant
3. Royal Morning Blue
4. Combustion
5. Daft Wader
6. Darkness to Light
7. Esja
8. The Tower of Montevideo
9. Giraffe Trumpet Sea
10. Polaris
11. Particles

– Faça um favor a si mesmo e ouça agora as demos que a inesquecível Joni Mitchell liberou do clássico “Blue”, que completa 50 anos neste ano (e ela, 78). São cinco canções que chegaram de surpresa em um simpático EP. A cantora e guitarrista canadense (e pianista e ativista e pintora) também postou um vídeo muito fofo no Twitter, celebrando que “finalmente” o Blue anda recebendo boas críticas. Quem falou mal desse disco lá em 1971 teve coragem, hein?

King Princess usa Strokes para turbinar o single novo, “House Burn Down”. De música “velha”

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* A princesa indie King Princess, que também é rei na outra ponta que é rainha o Josh Homme (ai), lançou sexta passada o single novo “House Burn Down”. Single novo, música velha. Porque essa bacana “House Burn Down”, que agora ganha lançamento oficial e devidamente bem produzida, ficou de fora do álbum de estreia dela, “Cheap Queen”, de 2019, mas já era tocada ao vivo e virou queridinha das meninas que a seguem pelos palcos.

A música é um pop rock bem a cara de King Princess, onde destaca o que ela tem de melhor: sua voz. Ficou encorpadaça (a canção) e nela a cantora e guitarrista está muito bem acompanhada. Nesta versão para valer de “House Burn Down”, os brothers Fabrizio Moretti e Nikolai Fraiture, ambos daquela banda lá The Strokes, participam, obviamente o primeiro na bateria, o segundo tocando baixo. Para completar o luxo novo da não-binaria Mikaela Mullaney Straus, a King Princess, que se diz 49% se achar mulher a ponto de às vezes até admirar seus peitos, o produtor bambam inglês Mark Ronson cuidou disso mesmo, da produção.

A letra, principalmente no começo, ainda mais cantada no jeitinho King Princess, causa gritinhos das fãs até entrar o peso legal da música:

Had me in the palm, had me in the palm of your hand
You used to throw me down to see how I land
And I’m the type of bitch running ‘till my next heartbreak
But you still pull me ‘round to see what I’ll take

Oh woah-oh, and I’m just waiting for this house to burn down
Oh woah-oh, and I’m just waiting for my luck to run out
Oh woah-oh, and if you tell me that you’re leaving
I’ma need a better reason than you hate the way I’m being, oh oh

“House Burn Down” está aí embaixo, na nova roupagem e numa versão ao vivo de três anos atrás. Que demais essa King Princess.

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Saiu o disco club da Dua Lipa, na era off-club. E começa com o Joe Goddard (Hot Chip)

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* Deve ser o time mais estrelado para contribuir para um disco de uma artista mais que estrelada. Saiu hoje, enfim, a versão ultradançante do bombado mais recente disco da britânica Dua Lipa, “Future Nostalgia”, lançado no começo da pandemia, em março.

O delicioso “Club Future Nostalgia” é uma combinação da popice esperta de Dua Lipa associada à eletronices de ponta comandada por Blessed Madonna (na foto acima com a Dua Lipa), que chamou gente da linha Joe Goddard (Hot Chip), do underground criativo da canadense Jayda G, Dimitri from Paris, Jacques Lu Cont e nomes pomposos como Madonna, Mark Ronson, Missy Elliiott e até as meninas da banda coreana BLACKPINK, entre outres.

É botar para rolar e a balada começar. Até porque quem começa é o Joe Goddard. Daí…

“Hey, this is Dua Lipa and you’re listening to Club Future Nostalgia with the Blessed Madonna.”

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