Em Martin Scorsese:

Depois de “O Irlandês”, Martin Scorsese foca em documentário sobre a cena musical de NY nos anos 70

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Depois do lançamento de “O Irlandês” na Netflix nesta semana, filme que reúne Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, o astro Martin Scorsese já tem engatilhado num novo projeto em sua cultuada carreira.

O diretor agora está focado na produção de um documentário sobre a cena musical de Nova York nos anos 70, capitaneada pela produtora Imagine Entertainment, da dupla Ron Howard e Brian Grazer.

Este não seria o primeiro projeto de Martin relacionado ao mundo da música. Ele já dirigiu, por exemplo, a série “Vinyl”, para a HBO, com o auxílio de Mick Jagger. Scorsese também assinou um documentário sobre a The Band, a banda de Bob Dylan, chamado “The Las Waltz”.

Ainda não há informações sobre a distribuição da Imagine para a veiculação, que fechou recentemente um contrato com a Apple TV.

Abaixo, um trecho da extinta série Vinyl, da HBO.

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Vinyl “rouba” outro artista da Popload, destrói o rock progressivo e mostra show lindo do “Velvet Underground”

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* Entrou domingo à noite no looping de exibições o segundo episódio da ótima série Vinyl, dramatização dirigida por Martin Scorsese e idealizada por Mick Fucking Jagger sobre uma das combinações espaço/tempo mais eletrizantes da história do rock: a Nova York de 1973. Está ali, em ebulição, o resquício das revoluções dos anos 60, a chegada do hard rock britânico nos EUA, a encheção e esgotamento inevitável do rock progressivo, o nascimento do punk, da disco, do hip hop, tudo sob o olhar de um dono de gravadora chapadão, com questões familiares e filosóficas a resolver entre uma carreira e outra de cocaína, um filme e outro do Bruce Lee, uma zoada em alemães de ricos conglomerados que querem comprar seu negócio. Esse é o resumo “rápido” do espírito de “Vinyl”.

No segundo programa da série, a bonequinha Natalie Prass, destaque da nova música do Popload Festival de 2015, encarnou a frágil Karen Carpenter, vocal e bateria do extrafamoso Carpenters, duo que fazia com o irmão Richard, lançou uns 350 singles de sucesso e naquele “fatídico” ano de 1973 estourou mundialmente também com a conhecidérima “Yesterday Once More”, uma das músicas mais tocadas em rádios FM como Alfa e Antena 1 na história. Em “Vinyl”, Natalie apenas dá a cara a Karen (veja foto abaixo). A voz, interpretando a música, é da distinta cantora folk pop Aimee Mann.

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As incríveis citações musicais e as reinterpretações de nomes históricos com artistas de hoje são a marca do seriado. Logo no começo deste segundo episódio, o Velvet Underground “aparece” tocando, com a musa Nico e tudo. Nos é contado que o casal principal do seriado, o chefão Richie Finestra (Bobby Cannavale) e a lindona Devon (Olivia Wilde) se conheceram anos antes, mais precisamente em 1967, em um show do grupo de Lou Reed, produzido pelo artista Andy Warhol. A passagem é incrível e temos em vídeo, abaixo. Quem faz o papel de Lou Reed no Velvet Underground recriado é o ex-baterista do indie The Drums, o rapaz Connor Hanwick. Mas a voz que canta a climática “Venus in Furs” e a sensacional “Run Run Run”, ambas do histórico disco “The Velvet Underground & Nico”, o mitológico disco da banana cuja capa é um desenho de Andy Warhol, é do nosso amigo Julian Casablancas, dos Strokes. Julian Strokes e Connor Drums são de Nova York.

Neste episódio 2 de “Vinyl” surge forte o esgotamento da cena progressiva viagenzística colossal e rebuscada, que iria verter anos depois, na Inglaterra e nos EUA, na levada simples, cru e energética do punk. Isso é transpirado por “Vinyl”. Em uma sequência uma atrás da outra, Richie se vê tendo uma epifania, prefere usar uma camiseta do Black Sabbath a uma do Pink Floyd, diz que o rock precisa de energia e manda esquecer Yes e a porra do Emerson, Lake and Palmer, quebra um disco do Jethro Tull, demite um funcionário e manda o cara não se esquecer de levar o pôster do Jefferson Airplane com ele. Um massacre.

“Rock’n’roll é rápido, sujo e ‘smash into your head'”, clama Richie. “Tem que ser a canção que te faz cantarolar, te faz lembrar dela na manhã seguinte. Faz ligar para a rádio que tocou para perguntar que música era aquela. Faz arrepiar os pelos do corpo. Faz dançar, foder ou dar uma bica na bunda de alguém”.

No capítulo de ontem, reaparece em cena a banda punk do filho do Mick Jagger, James, outro que já apareceu por aqui para tocar em Popload Gig (o do James Murphy). Jagger Jr. é o vocalista da Nasty Bits (foto abaixo), banda desbocada em teste para ver se é contratada pela gravadora de Richie. O Nasty Bits, na real, usa músicas feitas por Lee Ranaldo, ex-guitarrista do Sonic Youth. Em “Vinyl”, a banda por trás de James Jagger é formada pelos caras da indie Beach Fossils, do Brooklyn.

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Tem muito mais referências em “Vinyl” que um simples post pode comportar. Quem é o menino que faz o Jerry Lee Lewis naquele inserto de “Breathless”?

Ah, quer ouvir como ficou os Carpenters em “Vinyl”, com a Aimee Mann?

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New York Dolls: o fim e o começo da estreia de “Vinyl”, a série

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* Estreou finalmente domingo e reverberou ontem, nos canais HBO e na internet, a bombadíssima série “Vinyl”, criação de Martin Scorsese sobre uma ideia do “produtor” Mick Jagger, dos Rolling Stones. A trama, se você ainda não você sabe a esta altura, se passa num dos epicentros mais importantes da história da música: a efervescente Nova York do começo dos anos 70, mais precisamente 1972/73, num momento em que o rock não só estava tentando entender o que havia acontecido de revolucionário ou não no final dos anos 60, o jeito que Beatles e Stones formaram a “indústria musical”, o impacto da bicho-grilagem de Woodstock etc. como estava se rearranjando para assimilar o hard rock cabeludo inglês que chegava, a androginia que florescia, o progressivo que se alastrava, o jornalismo musical e as rádios veiculadoras que ganhavam um poder extremo. E, o mais legal, como tudo isso ia dar, dali a poucos anos, na explosão punk, disco e hip hop, gêneros ou subgêneros embrionário que iam dominar a cena nova-iorquina e não só.

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Não era só isso e “Vinyl” promete mostrar em que a borbulhante era cultural nova-iorquina ia dar. O zeitgeist abusrdo da música também iria ser sentido nas criações artísticas, na moda, nas ruas. E iremos ver isso tudo em oito episódios que tentam se aproximar no mais puro espírito do “sexo, drogas e rock’n’roll”, através dos olhos de Richie Finestra (Bobby Cannavale), um exeutivo de gravadora em ebulição criativa, que quase não para em pé de tão contaminado por incertezas e epifanias a respeito do que está acontecendo, em crise no trabalho e com a mulher, negociando seu business com tubarões alemães ao mesmo tempo que procura uma banda que estoure e venda discos. De vinil, claro.

E no meio dessa bagunça de homens e ideias musicais mostrado por “Vinyl” tinha o New York Dolls, banda recém-formada, tocando num lugar recém-inaugurado e com aspecto decandente como o Mercer Arts Center, no Village, uma espécie de prédio ocupado da Trackers (São Paulo) da época, que virou o lugar para #diferentonas e #diferentoes daquele certo momento da cena nova-iorquina.

Os Dolls, ou sua representação na série do maneirista (para o bem e para o mal) Scorsese e que tem a “consultoria de luxo” de um dos “ícones da porra toda”, o roqueiro Mick Jagger, têm aparição de destaque no começo e no final do episódio piloto que foi ao ar no final de semana, de duas horas de duração. A banda dos míticos Johnny Thunder e David Johansen, uma formação que aglutina várias tendências num só grupo, funciona como uma espécie acidental de fio-condutor das primeiras horas de “Vinyl”, ainda por cima com “Personality Crisis” tocada ao fundo. Música mais indicada para tud da épocao. Sensacional.

Aqui, sete lindos minutos da representação de New York Dolls na série “Vinyl”, em cenas montadas no começo e no fim do episódio piloto.

No geral, “Vinyl”, pelo menos suas duas primeiras horas de um total de oito episódios, poderia ter virado um pastelão informativo mas se mostrou muito bem-resolvido nas mãos da turma de Scorsese. Aquela Nova York 1973 é uma época tão rica para ser representada que a série pode encantar e frustrar ao mesmo tempo. Mas o saldo, pelo menos para mim, é bem bom.

Alguns detalhes engraçados: no meio de seu elenco, “Vinyl” tem as presenças de Juno Temple e de James Jagger (foto abaixo). A primeira é a “garota dos sanduíches” (e das drogas) da gravadora de Finestra. E o filho do Mick Jagger é o líder da mais pura banda “punk” que “toca” em forma de arruaça em Nova York, segundo aprendemos com o seriado.

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James Jagger – Seu personagem é inspirado no lendário Richard Hell, figura pró-ativa do começo do punk, baixista da luminária banda Television, formada exatamente em 1973 na Nova York retratada por “Vinyl”. Muitos falam que Hell foi o “primeiro punk” real que se tem notícia. Ontem saiu uma entrevista com Richard Hell, no Stereogum, sobre o que ele tinha achado da citação, do filho de Jagger e da série de Scorsese no geral, em seu primeiro episódio. Hell odiou.

Juno Temple – A inglesa Juno Temple nasceu em 1989, muito depois da época retratada por “Vinyl”, mas deve ter ouvido várias histórias do tipo em casa, principalmente sobre o punk. Ela é filha de Julien Temple, cineasta e documentarista do punk e amigo muito próximo de David Bowie e dos Sex Pistols. Fez em 1980 o histórico documentário “The Great Rock’n’Roll Swindle”, retratando a cena punk britânica, os Sex Pistols como pano de fundo e o empresário Malcolm McLaren como o picareta mais genial da história da música. “Na verdade eu nunca dei bola para essas histórias do meu pai”, revelou Juno. “Na minha infância eu estava mais interessada em brincar com minha melhor amiga, uma boneca que eu tinha e que para mim tinha vida. Acho que foi por isso que eu me tornei atriz.”

cocaína – no começo do episódio, nosso herói, doidão, recebe a visita num beco esquisito em Manhattan de um cara que vendia droga. O preço combinado, em 1973, segundo a série, era de US$ 180 pelas “tabeladas” 3 gramas e meia de “sugar” (cocaína), as chamadas “eight ball of coke”. Em preços de 2016, a quantidade da droga, fizeram as contas e as atualizações, sairia por US$ 1000. Bom, o cara tava de Mercedes.

Saint Rich – David Johansen, o vocalista do New York Dolls, é representado em “Vinyl” por Christian Peslak, da banda indie Saint Rich, de New Jersey.

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Vem aí “Vinyl”, série de Scorsese e Jagger sobre o rock rápido, sujo e que achata sua cabeça. Veja o trailer

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* Saiu o trailer lindão para “Vinyl”, série musical dramatizada (é assim que fala?) armada pelo cineasta Martin Scorsese e pelo stone Mick Jagger, que estreia em janeiro na HBO.

O seriado será centrado na figura do ator Bobby Cannavale, que viverá Richie Finestra, sujeito que vai tentar fazer acontecer sua gravadora, a American Century, em meio à cena de Nova York sexo, drogas e rock’n’roll dos anos 70. Já está famosa a frase de Finestra no trailer: “That’s rock’n’roll. It’s fast, it’s dirty, it smashes you over the head”.

O trailer, liberado no final de semana, tem trilha de Iggy Pop berrando “I Wanna Be Your Dog” à frente de seus Stooges.

Nada a ver, mas tudo a ver. Mick Jagger vem ao Brasil em fevereiro com os Stones. Scorsese e Iggy Pop estarão agora em outubro aqui em São Paulo, o primeiro participando e sendo homenageado pela Mostra de Cinema e o segundo estrelando o (cóf cóf) Popload Festival.

Veja o trailer de “Vinyl”.

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O indie em 1920: ouça faixas do volume 2 da trilha de "Boardwalk Empire"

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Um dos grandes sucessos do canal de TV HBO, “Boardwalk Empire” vai ganhar um “volume 2” de sua trilha sonora, vencedora de um Grammy com o “volume 1”. A série, que se passa na década de 1920 e aborda o período de recessão nos Estados Unidos, é uma adaptação do livro de Nelson Johnson de mesmo título e foi escrita por Terence Winter, aclamado produtor e roteirista de “Os Sopranos”.

Outras duas boas curiosidades sobre a série são sua música tema, é “Straight Up and Down” de grande The Brian Jonestown Massacre, e a direção do primeiro episódio, que tem a assinatura de Martin Scorsese.

“Boardwalk Empire Volume 2” conta com um time de peso cantando músicas dos anos 20. Algumas figurinhas carimbadas da “nossa” música fazem parte do projeto, entre elas Patti Smith, Annie Clark-St. Vincent, Elvis Costello e Matt Berninger, do National.

A trilha será lançada dia 3 de setembro, mas já dá para ouvir algumas versões, tipo as da Annie Clark e do Matt National Berninger, abaixo.

* O tracklist completo.
1. David Johansen – Strut Miss Lizzie
2. Stephen DeRosa – Old King Tut
3. Elvis Costello – It Had To Be You
4. Vince Giordano & the Nighthawks – Everybody Loves My Baby
5. Liza Minnelli – You’ve Got To See Mama Ev’ry Night (Or You Can’t See Mama At All)
6. Leon Redbone – Baby Won’t You Please Come Home
7. St. Vincent – Make Believe
8. Pokey LaFarge – Lovesick Blues
9. Neko Case – Nobody Knows You When You’re Down And Out
10. Karen Elson – Who’s Sorry Now
11. Stephan DeRosa – You’d Be Surprised
12. Margot Bingham – I’m Going South
13. Vince Giordano & the Nighthawks – Sugarfoot Stomp
14. Rufus Wainwright – Jimbo Jambo
15. Kathy Brier – There’ll Be Some Changes Made
16. Margot Bingham – Somebody Loves Me
17. Chaim Tannenbaum – All Alone
18. Loudon Wainwright III – The Prisoner’s Song
19. Patti Smith – I Ain’t Got Nobody
20. Matt Berninger – I’ll See You In My Dreams