Em milton nascimento:

É hip hop. É indie. É MPB. Rashid solta vídeo de sua homenagem sensível para Milton Nascimento

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Você leu aqui recentemente que o grande Milton Nascimento, entidade respeitada da Música Popular Brasileira, recebeu uma homenagem que envolve o site Scream & Yell, do chapa Marcelo Costa, com curadoria de Pedro Ferreira. “Mil Tom” revisita os 50 anos de carreira do artista e os 40 do Clube da Esquina, movimento musical mais importante da história de Minas Gerais, que teve Milton e Lô Borges como principais cabeças.

O projeto “Mil Tom” reuniu diversos nomes da nova cena musical brasileira, de Vanguart a Los Porongas, do rock ao hip hop. E um dos representantes do hip hop na homenagem é Michel Dias Costa, melhor conhecido como Rashid, rapper, produtor e compositor paulistano que neste ano se apresentou até no South by Southwest, em Austin.

Rashid botou todo seu talento em cima de “Tudo Que Você Podia Ser”, uma das faixas mais incríveis do disco “Clube da Esquina”, de 1972. Acompanhado por uma banda de suporte e até gaita, Rashid soltou um vídeo delicado reeditando a canção, ou, na verdade, “recitando”, como o próprio fez questão de dizer. “Escolhi essa música não só por ser um clássico, mas por ela falar demais comigo. Recitá-la é como falar comigo mesmo em frente ao espelho”, comenta Rashid.

O resultado pode ser conferido abaixo. A coletânea “Mil Tom” pode ser ouvida e baixada aqui.

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Os indies e o Milton. A MPB já é coisa para se guardar debaixo de coletâneas

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* Quero falar uma coooooooooisa. Quem diria, o indie nacional foi se ver em… Milton Nascimento.

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Essa história é recente mas não é de hoje. E está tomando várias formas. Caetano Veloso cantou recentemente no festival goiano Bananada. O proprio Milton Nascimento fez turnê com o rapper-indie-MPB Criolo no ano passado e neste. Teve evento que juntou Tom Zé e O Terno. Essa mistura e junção de gerações ganhará sua maior forma, acredite, a partir de agora, com mais encontros do velho e do novo, festivais importantes (e grandes) nascendo só para o gênero, festivais históricos renascendo. Eye, eye!

No meio disso tudo, a cena independente teve a pachorra de fazer não um, mas DOIS discos dedicados à obra de Milton Nascimento, ícone da MPB mais… mais… mais… pura, carioca (não sabia!) que se diz mineiro-de-coração, que ajudou a fundar o Clube da Esquina em BH nos anos 70, um dos movimentos mais… mais… mais… puros da MPB nacional.

O projeto Mil Tom, de Pedro Ferreira para o site Scream & Yell, do brother Marcelo Costa, teve a mineirice de Pedro como catalisador, para lembrar os 50 anos de carreira do artista e os 40 do lançamento do álbum “Clube da Esquina”, disco coletivo capitaneado por Milton e Lô Borges, que deu origem à série de compositores mineiros.

A homenagem vai do rock ao hip hop de língua “brasileira”, inevitavelmente resvala na nova psicodelia indie que tem um pé na esquina mineira, mas se concentra obviamente na nova MPB. O harmonioso encontro geracional a que me referi, seja por afinidade, seja por sobrevivência. O resultado é, obviamente, como a maioria das coletâneas do gênero, irregular. Mas o que é bom chega a ser bem bom. A velha MPB nunca foi boba e traz hoje a nova para perto. Ou vai até à nova, o que é diferente. Enfim.

Reinterpretando a linguagem do Milton estão Vanguart, Selvagens à Procura da Lei, Karol Conka, Baleia, Banda Tereza, Rashid, Los Porongas, entre outros.

Abaixo, então, ficamos assim: abaixo destacamos a rapaziada psicodélica do Outs mexendo no totem “O Trem Azul”, uma das canções-símbolo do Clube da Esquina.

Aqui você pode ouvir na íntegra “Mil Tom Volume 2”, lançado nesta semana.
E, aqui, o volume 1.

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Belle & Sebastian arma canções para as madrugadas, lança vídeo novo e escala Lô Borges (e Milton Nascimento)

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* Sai hoje na Inglaterra o disco “Late Night Tales”, segunda compilação do famoso selo de mesmo nome a ser curada pela banda-fofura escocesa Belle & Sebastian. A notícia aqui são duas.

1. Para o disco, o Belle & Sebastian gravou uma cover da incrível banda inglesa Primitives. Eu amava Primitives. O Morrissey também, haha. Banda de Coventry, final dos anos 80, Tracy Tracy nos vocais. Sonzinho garagem lírico na frente, sujo de guitarra por trás, da turma de Jesus & Mary Chains, Wedding Present, My Blood Valentine e Primal Scream (do começo). Pérola indie. A música que o Belle & Sebastian ressuscitou é a incrível “Crash”, garagem pop grudenta que vendeu muito bem para uma musiquinha indie, na época, e teve uma sobrevida de bons anos porque saiu remixada, foi relançada, apareceu em filmes, em videogames. “Crash” tem “nananas” e um dos melhores começos de música da história, na letra, simplória: “Here you go/ Way to fast/ If don’t slow down you’re gonna crash”. Belezura.

A cover do Belle & Sebastian para “Crash” já circula faz umas semanas, mas o vídeo saiu hoje.

2. A série “Late Night Tales” chega a sua 27ª edição, a segunda manejada pelo B&S. O ano passado foi do MGMT. Já teve assinatura de Flaming Lips e Arctic Monkeys. Neste álbum que está sendo lançado hoje, trazendo na trilha Milton Nascimento & Lô Borges mandando “Tudo o Que Você Podia Ser”, tem as seguintes músicas:

Broadcast – Ominous Cloud
The Wonder Who? – Watch The Flowers Grow
Joe Pass – A Time For Us
Mulatu Astatke – Yekermo Sew (A Man Of Experience And Wisdom)
Milton Nascimento & Lô Borges – Tudo Que Você Podia Ser
Marie Laforêt- Et Si Je t’aime
Bonnie Dobson – Bird Of Space
Dorothy Ashby – Soul Vibrations
McDonald And Giles – Tomorrow’s People
Gold Panda – Quitters Raga
Broadcast – Chord Simple
The Pop Group – Savage Sea
Stan Tracey Quartet – Starless And Bible Black
The Lovin Spoonful – Darlin Be Home Soon
Belle And Sebastian – Crash
Roland Vincent – L.S.D. Partie
Toro Y Moi – Still Sound
Ce’cile – Rude Bwoy Thug Life
Remember Remember – Scottish Widows
Trees – Streets Of Derry
Blood, Sweat & Tears – Spinning Wheel
Pete Shelley – Homosapien (Dub)
Steve Parks – Still Thinking Of You
David Behrman – On The Other Ocean
Paul Morley – Lost For Words

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