Em mogwai:

O “surreal” Mogwai em session noise-viagem especialmente para a terra do grunge

>>

* Para uma banda de post-rock o ano tem sido surreal para o Mogwai. O distinto grupo escocês de noise viajante, digamos, que já frequentou gigs bem distintas também aqui no país, lançou em fevereiro seu décimo álbum, “As the Love Continues”.

O que não se esperava era que, na semana de lançamento, um mês atrás, o disco fosse parar em primeiro lugar na parada de mais vendidos no Reino Unido. Ainda que levando em conta que as paradas de hoje já não são como antigamente e que foi feito, na zoeira, uma campanha nas redes sociais para algumas celebridades ajudarem a promover o “As the Love Continues”. Mas ainda assim. Mogwai em primeiro lugar de mais vendidos com um décimo disco é “totalmente surreal” mesmo, como disse a banda.

E o agito do novo disco do Mogwai vai bem, ainda que nas paradas o primeiro lugar, óbvio, não se sustentou tanto. O álbum já não está nem entre os top 100.

O Mogwai apareceu nesta semana para entrevista e session na linda KEXP, rádio indie de Seattle que é uma das prediletas desta casa. Especialmente para sessions com entrevista.

Para a rádio da terra do grunge, o Mogwai mandou uma participação ao vivo com as músicas “Ceiling Granny”, “Dry Fantasy”, “How to Be a Werewolf”. As duas primeiras do novo álbum, a última de 2011.

Papo ótimo, session trip. Bom rolê com o Mogwai.

>>

Top 10 Gringo: A “nova” do Daft Punk pega o primeiro lugar. Mas um outro tipo de “a nova”. A Megan Thee Stallion, o Children Collide e o Alfie Templeman devolvem o ranking à normalidade

>>

* Semana de sabor esquisito por aqui. O Daft Punk acabou, a notícia doeu e a gente precisou abrir um espaço no nosso ranking de música nova para homenagear os caras da música do futuro, como se estivéssemos em 1995. Entende o rolê temporal? É nossa forma de agradecer por tantos anos de bons sons oferecidos pelo duo francês. Por isso que o primeiro lugar é deles. Mas isso não significa que estes dias de lançamentos não foram agitados. Quase todo o top 10 está reformulado. Mantivemos só a Claud e o slowthai, por razões de muito amor por esses discos deles.

daftquadrada

1 – Daft Punk – “Da Funk”
Resolvemos abrir uma exceção e celebrar no top 10 não um lançamento, mas um clássico. A notícia do fim do Daft Punk pegou a gente de surpresa, embora seja uma despedida até que alegre, já que é uma decisão da dupla com plena consciência. De tantas opções para esse nosso tributo à dupla, vamos de “Da Funk”, uma das peças fundamentais da estreia deles, “Homework”, de 1997. A música é um dos símbolos de quando a eletrônica saiu do underground para as massas. Quase no mesmo momento em que Prodigy e Chemical Brothers avançavam pelo gigantesco mercado norte-americano, o Daft Punk colocou a cena francesa no mapa – Air, Justice, Phoenix, o selo Kitsuné, por exemplo, devem tudo a eles.

2 – Children Collide – “Trampoline”
“Trampoline” é o single do primeiro álbum dos australianos do Children Collide em nove anos, “Time Itself”. Uma música nota 10 e que foi perfeitamente descrita pelo líder do trio, Johnny Mackay: “Soa como os Beatles no final de carreira misturado com o Smashing Pumpkins do começo”. Baita precisão. Além do musicão, vale lembrar que foi o Luiz Thunderbird que nos deu o toque deste som. O que fazer sem bons amigos, não é?

3 – Megan Thee Stallion – “Southside Forever Freestyle”
Megan Thee Stallion lançou um disco no ano passado e já soltou um single que não está nesse disco novo. “Southside Forever Freestyle”, uma homenagem à quebrada dela em Houston, no Texas, foi postada só no Youtube no dia do seu aniversário, como um autopresente, trazendo a seguinte mensagem: “Parabéns para mim mesma, #MeganMonday”. Autoestima é isso.

4 – Alfie Templeman – “Everybody’s Gonna Love Somebody”
Pensa em uma música “upbeat” fofa. Vídeo fofo. Tudo fofo. Esse é o rolê do Alfie Templeman aqui. Alfie, para quem ainda não conhece, tem 18 anos e é uma das revelações de um certo indie-R&B da música jovem inglesa. Sabe aquelas listas que rolam de promessas para 2021? O cara está em todas. E ainda nem soltou um álbum.

5 – Mogwai – “Ritchie Sacramento”
“As the Love Continues”, décimo álbum dos escoceses do Mogwai lançado na sexta-feira, a data que o primeiro single do grupo completou 25 anos, mantém o espírito experimental deles intacto. Mas a gente não deixa de ficar de cara com o espírito radiofônico de “Ritchie Sacramento”. Radiofônico para os nossos padrões, sim, ainda mais perto de canções de sete minutos e mais barulhentas. Legal um álbum que contemple esses dois aspectos.

6 – Cassandra Jenkins – “”Michaelangelo”
“An Overview on Phenomenal Nature”, segundo álbum da nova-iorquina Cassandra Jenkins, merece sua total atenção do começo ao fim. O disco todo dura uns 30 minutos em canções que se sucedem com extrema fluidez. Parece tudo uma coisa só. Tanto que parece sem sentido recomendar um som só, que não dá conta do todo. Por isso, escolhemos a faixa que abre o trabalho, “Michaelangelo”, que demostra um pouco da pegada da voz de Cassandra, da leveza que percorre as músicas do álbum sem deixar de dar espaço para uma eventual guitarra turbinada com fuzz.

7 – Katy Kirby – “Cool Dry Place”
Que tal mais um pouco de folk? A voz da vez é da texana Katy Kirby, que fez um tweet maravilhoso sobre seu álbum de estreia: “Grave um dsco ao longo de vários anos (…), beba meio copo de vinho 30 minutos antes de ser lançado e, então, veja o que acontece e o que você sente e quão perto você fica de começar a chorar”. Entendemos a ansiedade, mas desnecessário, Katy. Disco lindão. Aliás, outro exemplar de folk tranquilinho que sustenta espaço para barulheiras. A parte final desta “Cool Dry Place” é um absurdo.

8 – Claud – “Cuff Your Jeans”
Um dos discos indies mais aguardados do circuito independente americano, “Super Monster”, da cantora não-binária Claud, 21 anos, não decepcionou. A gente sempre acreditou nos singles. E o álbum é lindo, bem construído, cheio de belas melodias e letras tão simples quanto criativas em abordagens sobre se apaixonar (“Overnight”), não entender se a pessoa está a fim de você (“In or In-Between”) ou aquela distância quase inexplicável que surge entre bons amigos (“Cuff Your Jeans”). Escolhemos esta última, música perfeitinha.

9 – slowthai – “MAZZA” (feat. A$AP Rocky)
“TYRON”, o novo álbum marrento do rapper britânico slowthai, tem duas vibes escancaradas. Um lado A em maiúsculas e um lado B construído por minúsculas. Um lado que extravasa e um lado mais introspectivo. Uma face mais pessoal (o título “Tyron” é seu nome real), outra mais personagem, talvez? Ainda que o lado mais agitado do disco não toque necessariamente em assuntos leves. “MAZZA”, por exemplo, versa sobre drogas e questões de saúde mental. E tem o A$AP Rocky. Vamos com ela.

10 – Will Joseph Cook – “Be Around Me”
Will Joseph Cook é daqueles artistas que despontam muito cedo e vai se transformando disco a disco. Hoje com 23 anos, parece um veterano no pop britânico “mais inteligente”. Um “veterano” sem medo de encarar novos caminhos. “Be Around Me”, do ensolarado álbum “Something to Feel Good About”, por exemplo, ganhou uma versão extra em um dueto com a cantora e youtuber americana Chloe Moriondo – sim, o disco já tinha saído e tudo mais, mas quem disse que não se pode relançar um som recente remodelado logo em seguida?

***

***

* A imagem que ilustra este post é do duo francês Daft Punk.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>

Mogwai lança seu décimo disco amanhã. Veja, hoje, session ao vivo para rádio inglesa

>>

Captura de Tela 2021-02-18 às 1.15.20 PM

* A honorável banda escocesa Mogwai lança amanhã seu disco 10, chamado “As the Love Continues”, em data escolhida a dedo por ser o aniversário de 25 anos de seu primeiro single, “Turner/Lower”. Sim, o Mogwai, banda fidelíssima até hoje com seu post-rock de discos e shows que são uma viagem a um mundo bem gostoso, ainda que um pouco barulhento, é de 1995.

No meio das 11 faixas deste décimo álbum tem uma, “Ritchie Sacramento”, que a gente pode ouvir com a banda tocando ela ao vivo, graças a uma session que a especial emissora 6 Music, da BBC, acaba de subir no Youtube.

Junto com esse som do disco novo, da mesma session, a 6 Music revelou a absurda “How to Be a Werewolf”, clássica deles, inclusive de suas brilhantes performances ao vivo, tirada do discaço de nome lindo “Hardcore Will Never Die, but You Will”, de 2011.

Hoje é dia de agradecer. Valeu 6 Music. Valeu, Mogwai.

***

* De bônus, tem uma outra performance para música do disco novo recém-colocada na internet que a gente faz aqui a conexão direta. É para a música “Ceiling Granny”, tirada de um show novo que eles botaram para streaming semana passada, gravado no Tramway, espaço enorme de artes e performances de Glasgow, a terra deles. Um lugar apropriado para uma apresentação do Mogwai.

>>

Top 10 Gringo: Sleaford Mods, Shame, Julien Baker, Mogwai e uma galera fora do eixo no ranking da semana

>>

* Já estão habituados ao nosso Top 10 Gringo? Acho que vale repetir qual é a nossa missão por aqui. Este ranking segue a filosofia do Top 50 de música brasileira que a gente costuma publicar às quartas-feiras de manhã aqui na Popload. Uma parada muito nossa, mais conceitual e de gosto do que de vendas/audições em streaming.

Então fizemos o Top 10 Gringo. Jogar nosso olhar torto, enviesado e parcial para a nova música internacional, ainda que não do tamanho do nosso ranking da cena. Só ara movimentar nossas terças. E render uma playlist boa.

Nesta semana tentamos ampliar o radar. Temos músicas da Nigéria, Chile, algumas coisas da Inglaterra, Estados Unidos. Tudo muito natural, nada forçado. E tem o “contestado” Sleaford Mods” em primeiro lugar. É o nosso jeitinho.

Escute tudo na nossa playlist e comenta com a gente. Enlouquecemos?

WhatsApp Image 2021-01-18 at 18.32.21

1 – Sleaford Mods – “Nudge It”
A gente já elogiou e conversou bastante sobre o novo álbum do Sleaford Mods por aqui. “Spare Ribs” é um discaço, já anota aí para a lista de melhores de 2021. Entre seus 13 sons, vale destacar a ótima “Nudge It”, uma senhora cutucada em artistas, que de acordo com o Sleaford se apropriam de lutas que não são as suas. E tem a Amy Taylor na parada. Só aí já justifica bem o trono.
2 – Shame – “Water in the Well”
Se tornar adulto tem dessas. Será questão de se acostumar com a nova pegada do Shame? Em “Drunk Tank Pink”, seu segundo álbum, a banda parece optar por um som mais calculado que a energética estreia. Ainda que dê uma leve saudade dos momentos anteriores, a banda anda para frente. Coisa de que tem futuro. Mesmo que o futuro seja agora. Como diriam os avôs do Shame.
3 – Julien Baker – “Hardline”
Não tem como não colocar de novo a Julien por aqui. Ela liderou na semana passada e seu novo single não fica devendo em nada. Mais uma amostra de que seu próximo álbum, “Little Oblivions”, deve alcançar uma maturidade nas letras e explorar um novo som dentro da carreira da cantora/compositora – agora mais envolta da participação de outros instrumentistas.
4 – New Radicals – “You Get What You Give”
Eles vão voltar só para tocar na posse do Biden e as possibilidades dessa música retornar ao radar de todos está em alta. Aproveite ou fuja. Em qualquer um dos dois casos, lembre-se sempre: a gente avisou.
5 – Flo Milli – “Roaring 20s”
A rapper norte-americana Flo Milli chegou aos 21 aninhos e comenta aqui sobre os nossos recentes e amalucados anos 20. Daqueles nomes para ficar de olho. Saque a mixtape que ela soltou ano passado, “Ho, Why Is You Were?”. Bem bom.
6 – Mogwai – “Ritchie Sacramento”
Segundo single do próximo álbum do graaaaaaaaande Mogwai, “As the Love Continues”, mantém a tradição do grupo – erra pouco sempre. Musicão. E só nós achamos ela extremamente radiofônica? Mogwai para tocar no rádio? Que lindo isso.
7 – Kora – “Marte”
Ainda não descobrimos direito quem é a Kora, se é que é uma pessoa real. Aparentemente, sim. Talvez da Espanha? O Instagram dela pouco revela. A certeza é que um som bem bom. Delícia. A descrição do vídeo da música no YouTube também é enigmática: uma letra de música do Paulinho Moska.
8 – Humboldt e Javiera Parra – “Tu Isla”
Esta vem do Chile. Um rock suave do Humboldt com leves toques de Tame Impala e a participação de Javiera Parra, neta de Violeta Parra, talvez o maior nome da música folk latina.
9 – Tems – “Free Mind”
A nigeriana Tems lançou ano passado seu primeiro álbum/EP. De “For Broken Ears” sacamos “Free Mind”. Um R&B nota dez.  
10 – Foo Fighters – “Shame Shame”
Alguém empolgado para mais um álbum do Foo Fighters com a mão pesada do superprodutor pop Greg Kurstin? Hum, não sei. Dos três singles lançados até agora, “Shame Shame” é a mais interessante. Vamos dar esse voto de confiança para o Dave.

***

***

* A imagem que ilustra este post é do duo inglês Sleaford Mods.
** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>

Mogwai ressurge com single novo e vídeo para nos conectar com flores de um planeta distante. Ok?

>>

Captura de Tela 2020-10-29 às 1.13.14 PM

* Veterana banda escocesa de alta-cultura indie, 25 anos de estrada e contando, a querida Mogwai anunciou hoje que seu décimo álbum, com o bonito nome de “As The Love Continues”, sai em 19 de fevereiro do ano que vem. Chega em várias cores e formatos, incluindo digital, CD, vinil duplo, uma caixa de edição especial que inclui o CD, LP de vinil duplo colorido, prensagem especial de vinil único com cinco faixas demo do álbum e um álbum de fotos. Belo pacote Mogwai.

Stuart Braithwaite, vocalista e guitarrista da banda post-rock de Glasgow, diz seriamente brincando que espera que essa nova coleção de músicas do Mogwai transporte quem a escuta para um
outro lugar, diferente de onde se está. Famosa viagem sonora. “A menos que você já esteja em um lugar realmente incrível. Mas daí então por que está ouvindo uma música estranha como essa?”

Para dar a largada para a espera de “As The Love Continues”, o grupo revelou o primeiro single do disco, a especial “Dry Fantasy”, uma pequena obra sonora assim explicada pela banda: “É uma faixa celestial centrada em uma repetição de sintetizador em reverb, que atinge um estado de grandeza onírica conforme guitarras e baixo entram e saem da faixa. A trilha é acompanhada por um vídeo que desenha imagens intercaladas de flores desabrochando com as superfícies retorcidas de um planeta distante”.

Não explicaríamos melhor essa “Dry Fantasy”. E nada pode ser mais Mogwai do que isso. Ah, pode sim. Quando a pandemia deixar o Mogwai tocar essa ao vivo.

>>