Em moral fibre:

Popload em Londres – O show dos Strokes, né? A Pixx procurando sua alma (a dela, não a sua). E o LIFE chamando todo mundo de “Mijão”

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* London calling to the faraway towns, tipo a minha.

* Tem uma banda bem legal aqui em Londres, dessa onda punk post-Brexit de bandas legais, chamada LIFE. Som rápido, explosivo, vocal entre Mark E Smith (sempre) e Johnny Rotten, que tem uma música, o primeiro single do aguardado segundo álbum, bombando por aqui. É da turma do Idles e tudo.

Ouvi na rádio a porrada e já fui louco procurar sobre ela. O som chama “Moral Fibre”, fibra moral, e tem 1 minuto e meio de duração. O LIFE é encanado em zoar a indústria da música e essa canção nova é seu mais bem acabado produto nessa direção. O primeiro disco deles, de 2016, para dar uma ideia, chama “Popular Music”.

“Moral Fibre” volta à carga. Considerada uma “reflexão” sobre o tipo de música “bege” que rege as paradas hoje, a troca de favores por cocaína que regula a indústria de bandas hoje e a galera que prega verdades e posturas por trás de um teclado. Vige.

Tudo isso em 1.5 minuto de música. Ainda recheada com um refrão que diz “Pissants… Whoooooooooo”. Coisa fina.

** Affe, que delícia essa “Andean Condor”, groove da garota difícil Pixx, outra que não segura a língua para dar seus recados em música, só que ao contrário do LIFE o veículo que ela usa é o da dance music. Pixx tinha seu rosto espalhado em cartazes por vários murinhos do festival All Points East, graças a seu segundo disco, “Small Mercies”, que será lançado semana que vem.

“Eu dei minha alma por esse disco e agora quero minha alma de volta”, tuitou ela nestes dias, “convidando” seus fãs a fazer já uma pré-ordem de compra do disco. É o jeitinho dela.

Pixx bota seu som em programação na linha pós-punk, descambando para o dance quando dá. Os dois singles “menos ensolarados” mas bons também, já divulgados, são “Bitch”, bem guitarreira, e “Disgrace”. Respeita a mina.

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** Ah, os Strokes. Já desisti deles e voltei para eles tantas vezes… Foram muitos shows bons e o mesmo número de ruins, proporcionais aos seus discos bons e ruins. Mas lá estava numa distância confortável, tranquilinha, copo de cerveja na mão, na apresentação da banda no All Points East. Quando “Heart in a Cage” teve seu primeiro acorde tocado e de repente eu já me encontrava na frente do palco, sem nem ideia onde tinha ido parar a cerveja, no meio de um redemoinho de pessoas que iam para frente, para trás, para esquerda e para direita. A força que as músicas da boa fase, durante o revolucionário período do outrora chamado “novo rock” (que completam 18 anos!!!!), mantém-se incrivelmente intacta quando a banda “acerta a mão”, mesmo que naquele tipão “estamos desinteressados de tudo, de vocês, de nós mesmos, de novos discos, de fazer música nova, mas, hey, estamos aqui em cima e vamos tocar algumas canções para vocês”. Foi lindo, Ju! Você arrasou, Fab! Vamos torcer para eles acertarem a mão no Brasil, no ano que vem!!!

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