Em Morrissey:

Morrissey on fire. Uma música perdida, uma foto fofa do seu gato, um site novo, e (mais) algumas palavras polêmicas

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A metralhadora Morrissey continua intacta. Ele, que agora e enfim tem um site oficial, andou dando mais declarações polêmicas sobre política.

Acusado de ter feito comentários racistas contra Sadiq Khan, prefeito de Londres que tem raízes árabes, Moz soltou o verbo. Na ocasião de seus comentários, o ex-Smiths disse, entre outras coisas, que Sadiq sequer sabia pronunciar as palavras “mental health” (saúde mental) e que Londres estava degradada.

A repercussão fez com que Moz caísse em um terreno ainda mais espinhoso agora. Ao tentar contra-argumentar as acusações, o cantor e compositor britânico chegou a citar Hitler. “No que diz respeito ao racismo, a moderna extrema esquerda parece esquecer que Hitler era de esquerda. Mas, é claro, somos todos chamados de racistas agora, e a palavra realmente não tem sentido. É só uma forma de mudar de assunto. Quando alguém te chama de racista, o que eles estão dizendo é ‘hmm, você realmente tem razão, e eu não sei como responder’. Então talvez se eu te distrair chamando você de intolerante, nós dois esqueceremos quão iluminado o seu comentário foi”, disparou.

Quanto às partes que realmente importam, Morrissey liberou uma “canção perdida” chamada “By the Time I Get To Wherever I’m Going” e divulgou uma foto fofa do seu gato.

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Os Smiths vivem (do jeito deles). Poucos meses depois de Morrissey, Johnny Marr também vai lançar um novo disco

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Enquanto o Smiths não volta (ou seja, nunca), seus ex-integrantes continuam por aí livres, leves e soltos em suas carreiras solo. Poucos meses depois de Morrissey lançar um disco, chegou a vez de Johnny Marr anunciou o seu.

O virtuoso guitarrista, que também manda bem cantando, vai colocar no mercado dia 15 de junho seu novo álbum “Call the Comet”. O projeto inclusive ganhou o primeiro single, “The Tracers”, bem bom inclusive.

“Call the Comet” é o terceiro disco solo de Marr e o primeiro em quatro anos, sucessor de Playland.

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Lembra quando…: a Popload entrevistou o Morrissey?

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É #tbt que chama, né? Estreamos hoje uma seção especial, um “flashback” pessoal da Popload. Uma viagem ao túnel de posts, entrevistas marcantes, vídeos, sessions, matérias que chocaram a Cena (hehe), descobertas que sim, você ouviu aqui primeiro e muito mais.

Porque muito antes das redes sociais e dos compartilhamentos e da viralização de vídeos de gatinhos, quem sabe até mesmo antes de você ter idade legal para ir a um show, a Popload estava aqui. Ou lá, no papel, em forma de coluna semanal em grande jornal brasileiro. É bom reviver tudo isso ou até se envergonhar um pouco, claro, afinal, a gente também “cresceu” e tem direito a mudar de opinião sobre ~certas coisas~. O passado condena, mas diverte também.

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Entrevista do Moz publicada na na Ilustrada em 2012 e na Popload

Para estrear esta seção nostalgia, a Popload compartilha aqui uma entrevista com o polêmico (e atualmente um tanto intolerante) Morrissey. A vida não está fácil para o fã do ex-Smiths. Cada vez que ele abre a boca é uma bomba. A repercussão da última entrevista a um jornal alemão em que ele decide opinar de Kevin Spacey à imigração gerou tanto auê que Moz prometeu não dar entrevistas nunca mais. Ufa.

Há exatamente seis anos, em fevereiro de 2012, a Popload batia um papo com o cantor para a Ilustrada, caderno de cultura do jornal Folha de São Paulo. Moz estava de volta ao país depois de doze anos. A matéria completa, com entrevista, você lê abaixo:

Nem tão indie, nem tão cult

LÚCIO RIBEIRO
COLUNISTA DA FOLHA
São Paulo, segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Na primeira e única ocasião que esteve no Brasil para shows, em 2000, o cantor inglês Morrissey concedeu entrevista a este jornalista em um hotel em Curitiba. Embora estivéssemos no mesmo lugar, Morrissey não quis descer do quarto e a entrevista foi feita por telefone. Ele na cama, eu no saguão, conversa via ramal interno. “Desculpe-me. Acordei agora e não estou com uma aparência digna de oferecer às pessoas. Vou poupá-lo”, disse ele, numa justificativa à la Morrissey.

Doze anos depois, o cantor volta ao país para três novas apresentações, desta vez em Belo Horizonte, Rio e São Paulo, respectivamente nos dias 7, 9 e 11 de março. E aceitou dar nova entrevista.

“Mas tem que ser por e-mail, no máximo quatro perguntas e nada de falar sobre os Smiths”, veio o aviso.

Morrissey -poeta pop e vocalista singular que um dia liderou o fundamental The Smiths, nos anos 80, e montou uma sólida carreira solo na virada para os anos 90, levando, para onde quer que vá, um verdadeiro séquito de adoradores que se mantém até hoje- continua o mesmo.

O que mudou foi a música em torno dele. Com um disco pronto desde o ano passado, Morrissey não tem gravadora disposta a lançá-lo, mesmo lotando shows em qualquer parte do planeta.

Sobre isso, sobre a indústria musical em geral e sobre o Brasil, o senhor Morrissey, quase 53 anos, tem quatro respostas a dar.

Lúcio – Existe algo especial em voltar ao Brasil neste momento de sua carreira? Lembra-se dos shows de 2000?

Morrissey – Fiquei surpreso em saber que vendi tantos ingressos para esta turnê no Brasil. E fiquei completamente perplexo com a repercussão da última vez em que estive no país. Você sabe o quanto os EUA e a Inglaterra acham que são o centro do mundo. Então, é difícil saber como as coisas são no Brasil.

Eu me dou bem nos EUA e na Europa, mas meu alcance na mídia lá é quase sempre invisível. Então, fica implícito que todo grande sucesso vem das pessoas de quem você ouve falar… O que não é o meu caso! Acho que sou confuso demais ou muito provocador para a mídia lidar comigo, porque eu não sou uma pessoa simples. Então, é sempre uma surpresa.

Baseado na grande repercussão que foi o anúncio de seus shows, a impressão que temos é que, no Brasil, você ainda mantém um intocável status de artista cult, mesmo entre o público mais jovem. Acredita que isso é fruto da internet?

Não sei ao certo o que significa ser cult. Sempre achei que significasse que poucas pessoas se interessam por você. Há muito tempo me chamam de “artista cult” e “indie”, mas nenhum desses termos é verdadeiro. Eu simplesmente não sou uma puta da mídia, que faz qualquer coisa para aparecer. Acho que todo mundo está deprimido com essa nova era da música porque parece que ela só se interessa por músicas sem sentido.

Em todo o lugar que você vá, ouvirá músicas inexpressivas -tocam techno-dance em todas as lojas de departamentos, lojas de sapatos e elevadores, porque ninguém está realmente ouvindo aquilo. Você nunca vai ouvir uma canção com conteúdo social num salão de beleza ou na TV.

Se você perguntar a uma vendedora de loja como ela consegue ouvir aquela música alta o dia todo, ela vai sempre responder: “Ah, eu me desligo”. É assim a música moderna. Você não tem a permissão de escolher a canção que quer escutar. Você é bombardeado na cabeça com música que outros escolhem para você ouvir. E assim ela se torna insignificante.

Como faz para manter a sua carreira viva sem um contrato com um selo para lançar um CD e vivendo na era do download gratuito? Ainda se sente relevante para a música?

Eu me sinto triste porque nenhuma gravadora quer assinar comigo. Isso diz muito sobre a indústria da música nos dias de hoje. Ela está efetivamente morta agora.

Não é que ela esteja morrendo: já morreu! As gravadoras a mataram ao bagunçar as paradas de sucesso e por assinarem contratos com moleques de 15 anos que ficariam emocionados em fazer tudo isso sem um contrato.

Sigo porque gosto de cantar e, até o momento, tenho um público que quer minhas músicas. Mas minhas razões para continuar não significam nada para as gravadoras.

Você ouve música nova, bandas novas?

Acabo ouvindo de tudo, mas a maioria dos novos artistas matam a música. E a imprensa musical -o que sobrou dela!- vai sempre “hypar” seus amigos, escrever sobre os amigos e inventar premiações para os amigos, mês sim, mês não. Mas, no fundo, acho que não existe uma só pessoa neste planeta que ache que haja esperança para a música moderna.

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Nostalgia ou cascata? The Smiths anuncia uma quase reunião. Sem o Morrissey e o Marr…

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Foi (quase) anunciada no dia de hoje uma das reuniões mais esperadas da história da música. O baterista Mike Joyce, o baixista Andy Rourke e o guitarrista Craig Gannon anunciaram que farão alguns shows com clássicos dos Smiths. Faltaram “só” o Morrissey e o Johnny Marr no auê. Mas vai que…

O trio vai se juntar para três shows no Reino Unido no meses de junho e julho nas cidades de Manchester, Londres e Edimburgo. Eles serão acompanhados da Manchester Camerata Orchestra e irão tocar, além de canções famosas do grupo, outras faixas mais obscuras nunca tocadas ao vivo antes.

No fim do ano, serão anunciada uma nova turnê pelo Reino Unido e, quem sabe, fora de lá. Os Smiths chacoalharam o mundo da música nos anos 80 e a banda chegou ao fim em 1987, após lançarem quatro discos de estúdio.

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Na última década, especialmente, foram diversos os boatos de que o grupo estaria preparando um retorno com sua formação original, mas as tensões entre Morrissey e Johnny Marr, as duas principais figuras da banda, sempre foram mais forte.

Morrissey, inclusive, chegou a contar que eles receberam uma proposta indecente para tocar no Coachella há alguns anos. E que, também, em outra oportunidade, reencontrou Marr em um bar e eles quase selaram o acordo por uma volta.

Por enquanto, a gente fica com o “Classically Smiths”.

Turnê
28/06 – Manchester, England – O2 Apollo
29/06 – London, England – O2 Academy, Brixton
02/07 – Edinburgh, Scotland – Usher Hall

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O mundo contra Morrissey. As recentes polêmicas envolvendo o (ex?) maior britânico vivo

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Um dos seres humanos mais idolatrados de todos os tempos, Steven Patrick Morrissey viu seu conceito diminuir nas últimas semanas devido às diversas novas polêmicas em que se envolveu, fato comum em sua carreira de quase quatro décadas, mas agora com desdobramentos algo mais profundos.

O grande reclame da sociedade em cima do cantor e compositor britânico de 58 anos se deu a partir de uma entrevista publicada no jornal alemão Der Spiegel, para o qual Moz, entre outras declarações, teria dito que o ator Kevin Spacey estava sendo “atacado desnecessariamente” pelo grande público em decorrência das denúncias de assédio sexual que ele teria cometido ao longo dos anos.

Na mesma matéria, Morrissey teria dito que, pela segurança da humanidade, “mataria Donald Trump”, presidente dos Estados Unidos. Algumas semanas depois, enfim, o inglês utilizou suas redes oficiais para se pronunciar.

Moz negou que tenha falado neste tom sobre os dois assuntos em questão e começa, na nota, dizendo que “cometeu um erro” ao permitir que a publicação alemã entrasse em sua vida. E finaliza informando que nunca mais dará entrevista para o que ele chama de “imprensa escrita”. O cantor ainda informou que solicitou o áudio não editado ao jornal, mas teve o pedido recusado.

“Será que eu mataria Donald Trump? Não, nunca.
Será que eu apoiaria as inclinações privadas de Kevin Spacey? Não, nunca.
Será que eu apoiaria o abuso de crianças? Não, nunca.
Será que eu apoiaria o assédio sexual? Não, nunca.
Será que eu apoiaria a violação? Não, nunca.
Será que o Der Spiegel reproduziu corretamente os meus pontos de vista? Não, nunca.
Será que eu voltarei a falar para a imprensa escrita? Não, nunca”.

Em meio às polêmicas com a entrevista ao Der Spiegel, Morrissey também tem enfrentado a ira de parte dos seus fãs americanos. É que recentemente, o cantor cancelou/adiou ao menos três apresentações nos Estados Unidos, algo que se tornou frequente nesta década.

No início de novembro, por exemplo, o cantor inglês cancelou uma apresentação em Paso Robles, na Califórnia, alegando que o sistema de aquecimento do anfiteatro local (já com grande público) não estava funcionando e que, com a temperatura de 10 graus, seria impossível realizar a apresentação.

Na semana passada, alegando problemas de saúde de alguém da sua equipe, sem detalhar quem, Moz cancelou apresentações na Filadélfia e em Boston. Dias depois, fez o mesmo e cancelou um dia antes um show de Natal para a rádio KROQ, em Los Angeles, cidade onde vive. No mesmo evento, o Killers se arriscou e fez uma cover de “This Charming Man” em homenagem ao cantor. Ou à ausência dele.

Um levantamento feito pelo site Consequence of Sound aponta que, nos últimos cinco anos, Morrissey cancelou ou adiou ao menos 127 shows. Vale lembrar que neste meio tempo o Brasil foi afetado, em 2013. E vale lembrar, ainda, que Morrissey passou por diversos problemas de saúde, incluindo uma úlcera considerada grave e um câncer no esôfago, em 2014.

Para 2018, Morrissey tem passagem aguardada pelo Brasil e América do Sul no mês de abril. Ele retoma seus shows em fevereiro, quando fará uma turnê em arenas no Reino Unido, começando por Aberdeen. Isso se…

De notícia boa mesmo, apenas o vídeo de “Jacky’s Only Happy When She’s Up on the Stage”, single de seu mais recente álbum, “Low In High School”, lançado mês passado, em que Moz faz o que sabe de melhor: encantar com sua arte.

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