Em Morrissey:

Olha ele aí. Morrissey anuncia o melhor album da vida, depois do pior ano da vida

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* Na calada do domingo, o polêêêêêmico gênio maldito Morrissey, ex-Smiths e talvez ex-Morrissey em um sentido, anunciou em seu site detalhes de seu novo disco, “Bonfire of Teenagers”, a ser lançado ainda neste ano.

O controverso toda-vida Morrissey, ainda por conta de acusações de declarações xenófobas e racistas e opiniões políticas zoadas, o botou no meio de um processo de “cancelamento” geral, o que levantou voz de gente como Billy Bragg (a favor do cancelamento, digamos) e Nick Cave (que o defendeu, pedindo separação de seu imenso legado de seus pensamentos políticos).

Num episódio dos Simpsons em abril, chamado “Panic on the Streets of Springfield”, um personagem inspiradíssimo no cantor, Quilloughby, líder da banda The Snuffs e com voz do ator Benedict Cumberbatch, virou melhor amigo imaginário da Lisa Simpson, fez show e deu declarações escrotas no palco, o que foi reprovado por Lisa. Até uma música inédita zoeira de Morris… de Quilloughby surgiu deste episódio e foi lançada oficialmente: “Everyone Is Horrid Except Me (And Possibly You)”.

No meio dessa saraivada de repercussão negativa, Morrissey vem com “Bonfire of Teenagers”, disco com 11 faixas, algumas de nomes maravilhosos (veja abaixo), tipo “I Am Veronica”, “Ha Ha Harlem”, “Rebels without Applause” e “I Ex-Love You”. A cara dele.

O disco novo, o décimo-quarto de sua carreira solo desde o final dos anos 80, quando acabou com os Smiths, vai ser o primeiro fora da BMG, a gravadora com quem teve uma relação conturbada e que saiu brigado no ano passado, no comecinho da pandemia, quando lançou o sintomático “I Am Not a Dog on a Chain”.

“O pior ano da minha vida acabou no melhor álbum da minha vida”, disse Morrissey, que vai lançar “Bonfire of Teenagers” de forma independente.

Já temos a capa e o tracklist completo.

Podemos falar que estamos ansiosos ou melhor não?

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* O tracklist de “Bonfire of Teenagers”
1. ‘I Am Veronica’
2. ‘Rebels without Applause’
3. ‘Kerouac Crack’
4. ‘Ha Ha Harlem’
5. ‘I Live in Oblivion’
6. ‘Bonfire of Teenagers’
7. ‘My Funeral’
8. ‘Diana Dors’
9. ‘I Ex-Love You’
10. ‘Sure Enough, the Telephone Rings’
11. ‘Saint in a Stained Glass Window’

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Apenas. Rapper-problema A$AP Rocky confirma relacionamento com a Rihanna e diz que vai lançar disco novo com participação do… Morrissey

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* É tanta coisa que nem sabemos por onde começar, haha. O complicaaaado rapper americano A$AP Rocky aparece lindão na capa da nova edição da revista americana “GQ” de junho/julho, capa maravilhosa aliás (veja abaixo), cujo título é “O Cara Mais Bonito Vivo”. Esta edição da “GQ” é um especial sobre corpo, “body issue”, e chega às bancas na semana que vem.

O rapper do Harlem, NYC, que já desmarcou um Popload Gig no passado depois de anunciado, porque sim, e vai estrelar no final de setembro o megafestival Governors Ball (também em NYC) ao lado de Billie Eilish e Post Malone, chega posudo às bancas perto de lançar seu quarto disco, previsto para sair agora em junho, batizado de “All Smiles”. Se é que vai sair mesmo em junho. Se é também que vai se chamar “All Smiles”.

Mas esse próximo disco, Rocky disse à revista, vai ter participação da extrafamosa cantora Rihanna e do polêêêmico cantor Morissey, acredite.

Rihanna, que anda sumidaça, é sua nova namorada, contou Rocky. Foi a primeira menção pública desse relacionamento de superstars. “The love of my life”, falou o rapper cantor ator produtor. O disco inteiro teria sido feito “com Rihanna”, saiu na publicação.

Sobre a participação do ex-Smiths, A$AP Rocky diz não ligar para o, digamos, aspecto controverso de Morrissey, zoado até em um episódio recentíssimo dos Simpsons por suas declarações sociopolíticas recentes, o rapper afirmou que “tudo o que você precisa que ele faça, ele vai lá e faz”. Hummm.

A$AP Rocky, com todo esse melê, promete um próximo disco diferente dos outros de sua carreira, com outros direcionamentos sonoros. “Algo mais maduro, tipo uma história de amor do gueto”, ele disse. O músico não lança nada desde “Testing”, álbum de 2018.

Ainda para a “GQ”, ele contou sobre seus dias em uma prisão sueca por conta de uma briga numa rua de Estocolmo em 2019, em que ele foi considerado culpado pelas agressões. E o envolvimento do ex-presidente Donald Trump na tentativa de livrar sua cara das acusações, que permitisse que ele voltasse aos EUA.

“Não foi o Trump que me libertou da cadeia. Mas, sim, sei que ele fez efetivamente esforços para me ajudar, no qual sou grato.” A$AP Rocky chegou a fazer uma ligação particular ao Trump, para agradecê-lo. “Ele não precisava ter feito isso por mim, mas fez, quando ninguém mais apareceu para pelo menos entender o que estava se passando comigo.”

A$AP Rocky revelou ainda que conhece Rihanna desde 2013, quando abriu a turnê mundial dela em 2013. E que passou parte da pandemia isolado e ainda cruzando o país sozinho, num ônibus, no meio de 2020, para se “reencontrar”. E tomando uns ácidos e fazendo suas próprias roupas.

Abaixo, a próxima edição da “GQ” com o elegante A$AP Rocky na capa.

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Popnotas – A música nova dos “Smiths” (nos “Simpsons”). Disco novo da Sleater Kinney. Weezer leva o metal para a TV. O disco ao vivo em estúdio do Big Thief. E as cores do Coldplay ao vivo

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– Provavelmente você viu ou ouviu falar do episódio dos Simpsons com um personagem sensível bem parecido com o Morrissey, líder de uma banda sensível bem parecida com os Smiths, que se torna a obsessão da Lisa (foto na home). E, quando ela vai ver um show da reunião da banda dos seus sonhos, descobre que o vocalista virou um racista que detesta imigrantes – um piada dos Simpsons com um processo que rolou não só com o Morrissey, mas é bem comum entre roqueiros aqui no Brasil também. A novidade é que a música que Lisa e o Morrissey fake do episódio cantam, “Everyone Is Horrid Except Me”, foi lançada. Benedict Cumberbatch, o ator de Sherlock Holmes, que fez a voz do “suposto” Moz no episódio, também é o dono da voz muito similar a do cantor dos Smiths na música – na real, um pastiche de Smiths descarado e era para ser mesmo assim. Acho que alguém vai ficar furioso de novo com essa história…

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– Das bandas mais importantes e queridas, a americana Sleater Kinney, atualmente uma dupla formada por Carrie Brownstein e Corin Tucker, está de disco novo programa para junho. “Path of Wellness” será o décimo álbum da banda e o terceiro desde que as meninas retomaram as atividades em 2014. Com produção delas mesmas, o álbum feito em Portland (a cidade eternizada na série de Carrie) carrega a agitação social dos Estados Unidos, incêndios e a pandemia, ainda que o primeiro single “Worry with You”, seja sobre amor, se entendemos bem.

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– No rolê de divulgação de seu segundo disco de 2021, o metaleiro “Van Weezer”, lançado na sexta passada, a banda de Rivers Cuomo foi ao Jimmy Fallon ontem à noite, enquanto em outro canal a Billie Eilish tava em outro late show falando de suas fotos, recordes, livro, música no deserto etc.. “All the Good Ones” foi a faixa escolhida do Weezer para a performance gravada e enviada ao Fallon. Esta aí embaixo.

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– Quem tem tempo para escutar todos os discos dos King Gizzard & The Lizard Wizard? A banda australiana, que lança em média sempre dois discos por ano, às vezes três (em 2017 foram 5!), vem aí com seu segundo álbum de 2021. “Butterfly 3000” chega em julho e não ganhou single, capa, nada, só sabemos que terá dez músicas. Sim, eles gostam de ser diferentes e tudo bem. O disco novo é definido pela banda como “melodic + psychedelic”. Tá?

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– Saiu um EP bem legal ao vivo do Big Thief, grupo americano das nossas preferidos. “Live at the Bunker Studio” é um registro de 2019, ano em que a banda do Brooklyn, NYC, lançou “U.F.O.F” e “Two Hands”, seus discos mais conhecidos. É nessa session que está a versão emocionante de “Not”, que bombou em vídeo no YouTube, acumulando mais de meio milhão de views. Agora dá para se emocionar com as músicas ao vivo do Big Thief nas plataformas de streaming. Ah, a banda já tinha liberado duas amostras audiovisuais daquela apresentação. Agora temos todas.

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– Então. O Coldplay fez uma apresentação ao vivo que abriu agora há pouco na Inglaterra a noite de premiação meio xoxa do Brit Awards 2021. Aconteceu no gigantesco O2 Arena, em Londres, com público de 4 mil pessoas. Amanhã a gente traz os melhores poucos momentos. Mas aqui deixamos com a preza do Coldplay para o prêmio, tocando do lado de fora da arena, em meio a cores, dancinhas, agitos alegres, como a música apresentada, a nova “High Power”, a dos ETs. E, sim, eles apareceram na gravação do Coldplay para o Brit. Abaixo, também, tem a performance deles para a mesma música, anteontem, no programa “American Idol”. Bom proveito.

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Popnotas 2 – O filme do Joey Ramone. Wolf Alice orquestrado. Fiona Apple fazendo a Sharon Van Etten. E os Smiths nos Simpsons!!!!

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– Punk está é a bola da vez no audiovisual. Em breve vamos ter um seriado sobre os Sex Pistols e agora vem aí um filme sobre Joey Ramone. No dia em que lamentamos os 20 anos de sua morte, rolou o anúncio de “I Slept with Joey Ramone”, um longa baseado no livro publicado pelo irmão do vocalista dos Ramones, Mickey Leigh. A produção é da Netflix. Quem fará o papel de Joey é o comediante e ator Pete Davidson, que em outro filme da plataforma, desta vez sobre o Mötley Crüe, interpretou o empresário que descobre a banda. Quem gosta do SNL já deve ter visto o garoto por lá. Ah, mas tem uma música da Ariana Grande sobre ele, não é? Siiiim.

– A gente ficou de cara aqui quando o Wolf Alice, banda inglesa liderada pela Ellie Rowsell, soltou a baladaça linda “The Last Man on Earth”, single do terceiro álbum do grupo inglês, “Blue Weekend”, a ser lançado dia 11 de junho. E ficamos de cara mais uma vez agora que a banda soltou uma versão deste som ao vivo e com um toque orquestral – quase uma vibe acústico MTV anos 90, porém eletrizada. Coisa linda. Pensa ver isso da plateia…

– E, do belo disco de covers da edição especial de dez anos de “Epic”, da americana Sharon Van Etten – que terá nomes como Lucinda Williams, IDLES, Shamir e St. Panther relendo o clássico da Sharon, sendo que várias dessas já estão online por aí -, chegou a vez de adiantar a releitura que a grande Fiona Apple fez de “Love More”. Está preparado?

– Meu Deus do céu! Vai ter The Smiths nos Simpsons neste final de semana. Coincidência ou efeito do filminho independente sobre a banda inglesa que fez bastante barulho há algumas semanas, quando lançado de repente? “Panic on the Streets of Springfield” é o genial nome do episódio, que vai ao ar domingo. Segundo o roteiro, a Lisa, claro, vai ficar obcecada por um “cantor inglês depressivo dos anos 80”. Pareeeeeeece que quem faz a voz do Morrissey não é ele próprio, mas sim o ator Benedict Cumberbatch. Bom, quero este episódio na minha mesa no máximo na segunda bem cedinho.⁠ Tááá, divido aqui com vcs.

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Twitter discute o tal “filme dos Smiths”. Uma pequena revolução se fez. Morrissey e Johnny Marr cederam as músicas. História é lenda urbana de Denver

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* Só melhora o buchicho em torno de “Shoplifters of the World”, o filme independente americano dos Smiths que estreou de repente só nos EUA na sexta-feira e a Inglaterra não assimilou muito bem, ao ter contato com o trailer via redes sociais.

A gente deu aqui na Popload na segunda-feira e o bicho pegou para nosso lado também.

Contamos a história. O filme se passa em 1987 em Denver, no Colorado, quando quatro ardorosos fãs americanos dos Smiths recebem a notícia de que a sempre polêêêmica banda inglesa tinha acabado. E daí o mundo deles parece ter acabado junto.

Inconsolável, um dos quatro adoradores do grupo de Morrissey resolve tomar uma medida desesperada. De posse de uma arma, invade a rádio rock local, Kiss 101, que estava começando na noite uma maratona de heavy metal, comandada pelo figuraça DJ Full Metal Mickey. O menino carregava com ele uma caixa de vinis dos Smiths e a ideia era que o “sequestrado” DJ metaleiro tocasse a noite toda a obra de Morrissey/Marr, sob o risco de levar bala em caso de recusa.

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O mundo inteiro ficou tão dividido/alarmado/surpreso, até entre os que não assistiram a “Shoplifters of the World” mas como mexia com os Smiths queriam dar sua opinião, que resolvemos fazer um “O Melhor do Twitter” especial e menor e fora de época para registrar o fuzuê que o filme causou.

Sobre o longa, é assim: é uma graaaaande obra cinematográfica? Óbvio que não. Mas é uma “sessão da tarde” que lembra o “Alta Fidelidade” (filme baseado no livro do Nick Hornby) divertido para quem tem a mínima relação com Morrissey e sua banda famosa, ele cancelado ou não ultimamente.

Divertido, mesmo, para quem até pode não gostar da banda “sensível”, que carregava todo o “peso do mundo” nas costas e formou gerações de fãs assim. Basta até ter um pouco a dimensão histórica que os Smiths causou no rock inglês e mundial nos anos 80 e além da música, como por exemplo o fato de a notável Universidade de Cambridge ter uma cadeira em literatura que estuda as letras do cantor, que um dia foi considerado numa premiação séria-bizarra como a pessoa mais maravilhosa do mundo. Ou o maior inglês vivo. Grandes tempos.

Acontesse que, mesmo “Shoplifters of the World” sendo considerado por muitos um filme bobinho, ele traz 20 (VINTE) músicas dos Smiths durante sua 1h30 de duração. Muitas nunca mostradas/tocadas em filme ou mesmo na TV.

E as famosas letras de Morrissey pontuam boa parte da fala dos quatro amigos no filme, fãs dos Smiths, o que torna a coisa mais legal de tão… bobinha.

O roteiro é cheio de pequenas maravilhas. O menino fã transtornado com o fim dos Smiths invade a rádio com uma caixa de vinil de discos dos Smiths bem na hora que está tocando a grande “Bark at the Moon”, clássico solo da lenda metal Ozzy Osbourn.

O rapaz, com a arma apontada ao DJ da rádio, ordena que ele interrompa a música e toque Smiths, o que provoca a incredulidade do sujeito, que duvida que o menino esteja falando sério. Ele atira, para o lado, e a bala disparada explode uma caneca com a figura do Gene Simmons, do Kiss.

O DJ metaleiro, o Full Metal Mickey, vivido espertamente pelo ator Joe Manganiello (que fez um dos lobisomens da famosa série extinta “True Blood), fica chocado: “Você acabou de atirar na cara do Gene Simmons. Isso não se faz”. O menino, vendo que finalmente o cara percebeu que ele tinha uma séria missão naquela noite”, joga um compacto dos Smiths em cima do DJ e ordena: “Agora toque o lado B”.

A tensão que vai virando amizade entre o DJ metaleiro e o menino amargurado e sensível fã dos Smiths, talvez seja a melhor coisa do filme.

“Toque esta aqui, agora”, fala o rapaz, que é balconista de loja de disco em Denver no filme e na vida real é Ellar Coltrane, que viveu o personagem principal de “Boyhood”, famoso longa de Richard Linklater que levou 12 anos para ser filmado e conta exatamente essa passagem do tempo do personagem.

“É sério isso”, responde o DJ, ao ver o nome da música que seria obrigado a botar no ar. “Quem escreve uma canção com o nome de ‘This Charming Man’?”

Pelo que entendi, Manganiello e o irmão produtor são responsáveis por “Shoplifters of the World” existir. Ele chegou a dizer em entrevista que tanto Morrissey quanto o guitarrista Johnny Marr receberam o roteiro e gostaram. E teriam liberado as músicas para serem tocadas no filme. Morrissey até demonstrou saber que alguém um dia contou para ele uma história parecida. E que ele adorava mesmo que não passasse de uma lenda urbana. Estamos investigando isso, hahaha.

Duas das minhas passagens favoritas em “Shoplifters of the World”, envolvendo a turminha de fãs dos Smiths de Denver, é quando três deles vão numa festa, na noite em que um dos amigos está sequestrando a rádio rock local. Inclui aí um casal cujo menino decidiu não fazer mais sexo com a namorada, quando passou a ouvir Smiths e saber que o Morrissey pregava o não-sexo e a não-carne. O rapaz não deixava a namo nem comer um hamburguinho.

Uma outra adoradora dos Smiths é abordada por um menino desses imbecis na festa, querendo passar a cantada nela. “O Bryan Adams [famoso músico canadense mainstream, popularíssimo] vai tocar aqui em Denver na semana que vem e tenho um ingresso sobrando. Quer ir comigo? A menina chega ao pé do ouvido do moço e fala: “Eu preferiria ir ao meu próprio funeral do que ir num show do Bryan Adams com você”.

Agora chega. Veja “Shoplifters of the World”, posicione-se hahaha e fique atento ao ruído causado por este filmeco independente que mexe com uma das bandas mais imexíveis e complicadas da música pop da história. Desconfio que ainda vamos voltar muito a esta história.

E, aqui embaixo, veja um pouco da repercussão louca que o filme está tendo, através dessa pequena edição especial d”O Melhor do Twitter”.

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