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Top 50 da CENA – Parada desta semana é quase temática, entenda! No topo, temos a Linn Da Quebrada quebrando a banca com seu segundo disco. Amarante e Tagore brilhan no pódio

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* Semana quase temática de lançamentos de segundos discos – sem querer, mas rolou. Linn Da Quebrada, Rodrigo Amarante, Rodrigo Brandão, Fusage. Todos esses artistas se aventuram pela complicada segunda missão de apresentar um conjunto de músicas com começo, meio e fim. Lógico, também trabalhamos com singles e outros papos. O que não muda é qualidade da playlist que dá a temperatura atual da CENA brasileira, invariavelmente quente.

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1 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (27)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

2 – Rodrigo Amarante – “Maré” (Estreia)
Um outro segundo disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia solo. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

3 – Tagore – “Capricorniana” (Estreia)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

4 – Zopelar – “Jump” (2)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

5 – Bonifrate – “Cara de Pano” (3)
Voltamos a comentar (pela segunda semana) esse som do músico carioca Bonifrate por aqui. Porque, primeiro, a gente curtiu bem; e, segundo, finalmente e recentemente, chegou o seu novo álbum solo, “Corisco”, que celebramos single a single neste mesmo espaço. Discaço.

6 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix)
Por aqui Nelson D abraça suas raízes brasileiras indígenas e sua posterior cidadania europeia em um som sobre união, empatia e equidade. Vale sempre lembrar, ele nasceu por aqui, mas após ser abandonado em um orfanato foi criado por italianos. Não por acaso, esse retorno ao Brasil nomeia seu álbum, “Em Sua Própria Terra”. A música original é bem boa, mas caiu no nosso gosto meeesmo a segunda versão da canção, um remix de L_cio que ressalta a questão eletrônica na obra de Nelson e sua proposta no futurismo indígena. Música carregada de história. E histórias.

7 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (11)
É sublime a força de Rodrigo de criar de improviso um segundo álbum solo (estamos em uma série de segundas incursões solo, acho que você já percebeu). Por aqui, ele se une a Marshall Allen, líder da Sun Ra Arkestra, com participação de um timaço de músicos nacionais (Tulipa Ruiz e Juçara Marçal, os saxofonistas Thiago França e Thomas Rohrer, o percussionista Paulo Santos, do Uakti, e mais um par de integrantes do Hurtmold, Guilherme Granado e Marcos Gerez), além de três membros da Sun Ra (Knoell Scott, o brasileiro Elson Nascimento, e Danny Ray Thompson). Tudo que está ali no disco é pura improvisação.

8 – Criolo – “Fellini” (4)
A gente já tinha ficado de cara que, em “Fellini”, Criolo usava os recursos narrativos do cineasta italiano para contar uma história múltipla. As mil faces geniais dessa conversa criada pelo rapper cantor ganharam recentemente um supervídeo que novamente dialoga com a obra do famoso diretor de cinema. Era obrigatório que esse som voltasse ao Top 50.

9 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (Estreia)
As bruxas são Virginie Boutaud (Metrô), Érika Martins (Autoramas), Lovefoxxx (Cansei de Ser Sexy) , Apolônia Alexandrina (Anvil FX), Maria Paraguaya (Cigarras, Escambau), Camila Costa e Emilie Ducassé. Esse timaço que se divide pelo mundo se reuniu virtualmente para cantar uma canção composta por Virginie, afim de expressar a revolta de todos com o cenário de terror pelo qual passa o Brasil atualmente. Hora de gritar.

10 – Fusage – “Fearless Soul” (Estreia)
E estamos mesmo em uma semana de segundos álbuns. Os paranenses do Fusage e seu stoner rock também estão de volta após a estreia em 2017. Este é o primeiro single de “Outburst Desert”, elaborada remotamente durante a pandemia. Classe.

11 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (5)
12 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (6)
13 – Lucas Ranke – “Alucina” (7)
14 – ATR – “Intro’ (8)
15 – Rubel – “O Homem da Injeção II” (9)
16 – Amaro Freitas – “Sankofa” (10)
17 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (12)
18 – 2DE1 – “Emersão” (13)
19 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (14)
20 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (15)
21 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (16)
22 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (17)
23 – Nill – “Singular” (18)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (19)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (20)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (21)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (23)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (24)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora e atriz Linn Da Quebrada.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Nelson D atira algumas flechas em direção à música brasileira: uma folk, outra eletrônica

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* Mais uma flechada na CENA brasileira vem forte do arco musical do produtor, cantor e DJ italo-brasileiro Nelson D, cujo lado brasileiro, o visual e o tema de suas canções deixam notável seu perfil mais latente. A de ser um artista indígena.

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A faceta europeia de Nelson D e indígena de Nelson D se confundem e enriquece uma a outra porque ele nasceu em Manaus, foi abandonado na rua por sua família indígena, adotado por um casal italiano num orfanato, virou cidadão italiano e fez faculdade de artes voltado à música. Decidiu voltar ao Brasil há alguns anos para se conectar com suas raízes e chapou na cena brasileira. E por aqui ficou.

Nelson D agora apresenta o segundo single de seu segundo álbum, que sai em 27 de agosto para suceder seu belo disco de estreia, “Em Sua Própria Terra”, lançado no ano passado, trabalho que revelou para nós o que ele considera ser um futurismo indígena musicado.

“Nossa Flecha”, o novo single do novo disco, que terá lançamento pelo selo indie Balaclava Records, vem à tona de dois jeitos. O primeiro, em forma de uma balada que mistura flauta e sons de tambor, que vai crescendo à medida que Nelson D utiliza seu synth marcante. A letra é sobre utlizar a flecha como arma de reconstrução.

A flecha a que se refere Nelson D nem é tão óbvia assim. Ela não só representa a luta indígena contra a demarcação exploratória de suas terras como pode ser vista como uma representação da seringa, simbolizando a consciência da vacinação do povo brasileiro como um todo, coisa que pode tirar o país de um buraco sanitário no qual já se encontra enterrado.

“Soa sempre um pouco demagógico falar de união, empatia e equidade. Mas no Brasil por enquanto nunca será desnecessário”, afirma Nelson D, sobre falar, cantar e musicais problemas gerais do país, seja no microcosmo indígena ou na nação inteira.

O segundo jeito em que “Nossa Flecha” aparece, além da versão normal do álbum, é mais à maneira eletrônica de ser de Nelson D, seu “core” digamos, mas espichada ao limite por um remix de autoria do tarimbadíssimo DJ e produtor L_cio, figurinha carimbada da noite paulistana, que pode facilmente ser encontrado nos principais electrofestivais do Brasil e exterior, assim como nas festas e bares mais importantes para manter a modernidade da música eletrônica. L_cio é encantado com o som e a história de Nelson D.

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* As imagens de Nelson D, a deste post e a da home da Popload, são de Filipa Aurelio.

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TOP 50 da CENA – Pabllo brilha no topo (do mundo). Gêmeos do R&B segue a onda. Rapper Nill estreia no pódio

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* Na semana em que a Pabllo Vittar resolveu sacudir as estruturas sulistas do pop brasileiro e começou a mostrar ao pop mundial o valor do som do Norte do Brasil, nem precisamos matutar muito para encontrar nosso primeiro lugar. Lógico que a CENA não facilitou. 2DE1 lançou talvez a melhor música que o duo (em um) já fez na carreira, Nill chegou com uma mixtape espetacular e a Ana Frango ainda divulga seu disco de 2019 na maior calma, na maior contundência. E isso tudo é só uma parte da nossa lista de melhores da semana. Pensa na playlist que vai dar.

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1 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (Estreia)
Ao optar em reler clássicos do tecnobrega e do forró que foram a trilha de sua adolescência em um contexto que respeita os gêneros e ainda absorve elementos da música pop atual, Pabllo enriquece sua já boa mistura e aproxima seu trabalho das experiências de hyperpop tocadas por artistas como Sophie e Charlie XCX. É uma inversão inteligente do senso comum que ronda o pop nacional. Em vez de deixar o pop mundial informar a música brasileira, aqui a música brasileira informa o pop do planeta. Não é um movimento simples, não. O Primavera Sound vai ver só.

2 – 2DE1 – “Emersão” (Estreia)
Emersão, segundo um dicionário online, é tanto o movimento de um corpo que sai de um fluido no qual estava mergulhado quanto a reaparição de um astro que eclipsara. Significativo que esse seja o som de uma retomada após um relativo silêncio. E, bom, basta reparar na letra para sacar que a intenção dos gêmeos Fernando e Felipe Soares passa por uma aceitação de si mesmo e de assumir uma luta para alterar os aspectos que estão danificando o universo ao redor.

3 – Nill – “Singular” (Estreia)
Participação da Ana Frango Elétrico, sample do Paramore. Que som que o Nill lançou aqui para abordar as questões e inseguranças de dentro da sua mente. E a faixa é tão curtinha que pede por uns três replays a cada “escutada”.

4 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (Estreia)
E, por falar na Ana, um elogio a ela aqui por soltar um vídeo para um som seu do “distante” 2019. Esse jeito de trabalhar um álbum em slow motion é um ajuda e tanto para nós, jornalista, sobrecarregados por tanta coisa a escutar. Mirem-se no exemplo.

5 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (Estreia)
Bom o passeio dos mascarados Mineiros da Lua neste segundo álbum, que consegue juntar psicodelia, rap, música eletrônica. Em “Armadilha”, por exemplo, tem uma estrutura interessante: estrofe + sessão instrumental + estrofe + sessão instrumental em que a música vai se quebrando. Refrão é para os fracos.

6 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (Estreia)
Uma música que homenageia Ava Rocha já mereceria todo destaque, mesmo que não fosse lá muito inspirada. Não é o caso aqui, lógico. Iara capricha em criativos versos para homenagear sua amiga. “Sua cara vira tela, mas a luz é dela” é uma bela tradução da força única da Ava.

7 – Bonifrate – “Cara de Pano” (Estreia)
Bonifrate segue explorando seus tecladinho. Aqui a jovem guarda manda um alô na faixa mais pop, entre os singles lançados até aqui, de “Corisco”, seu novo álbum, que chega logo mais.

8 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (Estreia)
No aquecimento do seu novo álbum, “Véspera”, a cantora paulistana lança seu melhor single. Uma linda reflexão sobre a força feminina que rege o universo, aquilo tudo que a gente não vê. Por que será? A letra é complementar à delicada música que vai envolvendo a gente ao longo da escuta com pequenos detalhes, pequenas informações, aquilo tudo que a gente não percebe até ouvir a música um monte de vezes. E então dá aquele sorriso, satisfeita.

9 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (1)
Olha o time. Composição de Romulo, Gui Held e Jards Macalé com letra de Nuno Ramos em homenagem a Jards – repare que alguns versos são apropriados de canções do Macau -, “Baby Infeliz” acabou rejeitada pelo próprio homenageado. Para que a canção não entrasse em um limbo, Romulo resolveu resgatá-la em seus dois novos álbuns de repertórios iguais e sonoridades bem diferentes – “Aquele Nenhum” (voz e violão) e “Ó Nois” (colagens). E não é que o Jards, quando escutou a música de novo, já na leitura do Romulo, perguntou por que ele, Romulo, não tinha oferecido a ele, Jards, gravar a canção? Perdeu um musicão, Jards. Mas achamos que o Romulo te empresta ela de novo, sim.

10 – Nelson D – “Algo Em Processo” (2)
Brasileiro de tribo indígena da Amazônia criado na Itália, Nelson D é a mais nova contratação de um dos nossos selos prediletos neste país, o Balaclava. E é de casa nova que ele dá sequência ao seu futurismo indígena já testado no disco do ano passado, “Em Sua Própria Terra”. A primeira canção dessa leva é um tratado sobre amizade. “Dedico essa musica a todas as pessoas que tiveram sorte de ter uma amizade importante nos momentos mais difíceis”, escreveu Nelson em suas redes. E nós tivemos sorte de ter uma música assim de tantos referenciais e sotaques na nossa CENA.

11 – Ella from the Sea – “Lonely” (3)
12 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (4)
13 – GIO – “Joias” (5)
14 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (6)
15 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (7)
16 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (8)
17 – Bonifrate – “Casiopeia” (9)
18 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (10)
19 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (11)
20 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (12)
21 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (13)
22 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (14)
23 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (15)
24 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (16)
25 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (17)
26 – Supervão – “Amiga Online” (18)
27 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (19)
28 – Jonathan Ferr – “Amor” (22)
29 – Jadsa – “Mergulho” (23)
30 – Mulungu – “A Boiar” (24)
31 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (26)
33 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (27)
34 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (28)
35 – Zé Manoel – “Como?” (29)
36 – Os Amantes – “Linda” (30)
37 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (31)
38 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (32)
39 – Salma e Mac – “Amiga” (33)
40 – Yung Buda – “Digimon” (34)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (37)
42 – FEBEM – “Crime” (38)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (39)
44 – Boogarins – “Supernova” (40)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (42)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (44)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é da cantora Pabllo Vittar.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Romulo Fróes chama Jards Macalé para o alto. Nelson D mostra algo em processo. Ella from the Sea canta a felicidade solitária. Este é o topo do nosso Top

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* Se a semana dos gringos foi devagar, aqui no nosso Brasil a coisa pegou. Daqueles dias em que a gente cogita o empate técnico para não magoar ninguém. Nem a nós mesmos. Semana de discos duplos, de artistas que gostamos assinando com selo que gostamos, de descobertas, de gente revelando novas vozes em suas obras. É quase um lugar comum, mas a CENA brasileira é a melhor CENA, temos que reforçar isso – e reforçamos – sempre. Chega ali na nossa playlist para ver. E ouvir. Em sua plenitude sonora.

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1 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (Estreia)
Olha o time. Composição de Romulo, Gui Held e Jards Macalé com letra de Nuno Ramos em homenagem a Jards – repare que alguns versos são apropriados de canções do Macau -, “Baby Infeliz” acabou rejeita pelo próprio homenageado. Para que a canção não entrasse em um limbo, Romulo resolveu resgatá-la em seus dois novos álbuns de repertórios iguais e sonoridades bem diferentes – “Aquele Nenhum” (voz e violão) e “Ó Nois” (colagens). E não é que o Jards, quando escutou a música de novo, já na leitura do Romulo, perguntou por que ele não tinha oferecido a ele, Jards, gravar a canção? Perdeu um musicão, Jards. Mas achamos que o Romulo te empresta ela de novo.

2 – Nelson D – “Algo Em Processo” (Estreia)
Brasileiro de tribo indígena da Amazônia criado na Itália, Nelson D é a mais nova contratação de um dos nossos selos prediletos neste país, o Balaclava. E é de casa nova que ele dá sequência ao seu futurismo indígena já testado no disco do ano passado, “Em Sua Própria Terra”. A primeira canção dessa leva é um tratado sobre amizade. “Dedico essa musica a todas as pessoas que tiveram sorte de ter uma amizade importante nos momentos mais difíceis”, escreveu Nelson em suas redes. E nós tivemos sorte de ter uma música assim de tantos referenciais e sotaques na nossa CENA.

3 – Ella from the Sea – “Lonely” (Estreia)
Gabriela Taketani, a tal Ella, escreve por aqui sobre solidão, mas não de um jeito triste. É sobre a liberdade de ser/estar sozinha. “É poder ter auto-satisfação em poder mudar esse sentimento de solidão triste”, escreve Gabi. Já ouviu esta música, David Lynch?

4 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (Estreia)
É um barato ler que a Linn quis fazer uma música que pudesse cair no gosto da própria mãe. E aqui temos ela sonoramente mais leve, mas com ideias ainda bem profundas. “Divagar mais, divulgar menos” ressoa em relacionamentos, carreira. É muita ideia em poucos versos. E ainda tem uma segunda coisa rolando que é uma junção da Linn com sua persona além do palcos, a Lina. Fora a tirada esperta do título. Bela música!

5 – GIO – “Joias” (Estreia)
E segue a mudança do Giovani Cidreira para seu novo nome artístico. “Joias” é o segundo single deste novo álbum produzido ao lado de Benke Ferraz do Boogarins, que deve sair em breve. Nos comentários do YouTube alguém mandou uma bela ideia: “Me lembrou as composições da Jadsa. Uma célula poética curta e pronto”. E não é que a Jadsa está na faixa com alguns backing vocals? Conexões. Se o álbum do Gio sair nível Jadsa, teremos um empate técnico ali pelo topo dos melhores do ano, achamos.

6 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (Estreia)
Sendo um dos nossos grandes rappers é um barato também o aspecto hardcore que ronda alguns trabalhos do BNegão. Daí que deu muita liga ele abraçar um cover da nossa melhor banda punk, Ratos de Porão. A adição gutural do Paulão King só dá um charme a mais na versão “made in Rio” de um rolê tão paulistano.

7 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (Estreia)
Mais um single bem interessante do próximo solo do Amarante, confirmando uma tendência indicada nos outros singles de que teremos um disco menos melancólico que o primeiro. Ainda que os temas sigam sempre cheio de possíveis interpretações. De acordo com o próprio Amarante, que listou umas quatro motivações para a música, a ideia dela é mostrar como liberdade é pertencimento, ao contrário do que muitos imaginam ao ligar independência com liberdade.

8 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (Estreia)
E a excelente Badsista, que tem suas mãos ali no quarto lugar da Linn da Quebrada, reaparece no nosso top 50 neste belo remix que só confirma e dá novos ares à fase eletrônica do ATR, antigo Aeromoças e Tenistas Russas. Se a gente não entendeu errado, aqui a Badsista faz um movimento até que raro em remixes: em vez de botar pressão na faixa original, ela deixou as coisas mais leves. Repara.

9 – Bonifrate – “Casiopeia” (1)
Quem lê nossos textos por aqui já deve ter sentido que temos uma obsessão por imaginação. Encontrar músicos que estão pensando e produzindo um novo mundo. E não é que o carioca Bonifrate resolveu escrever uma música inteira que se baseia nesse assunto? Isso se aproveitando de uma ideia certeira que o ex-Supercordas encontrou em uma entrevista do escritor uruguaio Eduardo Galeano, em que ele fala de “um mundo em gestação dentro do mundo presente, e de como é um parto difícil, mas que há de acontecer”. Não bastasse a boa ideia, temos aqui um mergulho saudável em guitarras em profusão e um velho teclado Cassio que dá nome à música.

10 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (2)
Eis que Mallu solta um álbum novo indo para um clima bossa nova morando na gringa, com parcerias estranhas mas tá valendo. Aqui temos a até que divertida e leve “Pé de Elefante” saltando rápida do disco nas primeiras audições, música que ainda brinca com sons invertidos. E a gente tem certeza que já escutou a introdução desta música em algum lugar.

11 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (3)
12 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (4)
13 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (5)
14 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (6)
15 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (7)
16 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (8)
17 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (9)
18 – Supervão – “Amiga Online” (12)
19 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (14)
20 – CESRV – “Soundbwoy Champion” (15)
21 – Taco de Golfe – “Pessoa Que Fala” (16)
22 – Jonathan Ferr – “Amor” (17)
23 – Jadsa – “Mergulho” (18)
24 – Mulungu – “A Boiar” (19)
25 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (20)
26 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (23)
27 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (24)
28 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (25)
29 – Zé Manoel – “Como?” (26)
30 – Os Amantes – “Linda” (27)
31 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (28)
32 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (31)
33 – Salma e Mac – “Amiga” (32)
34 – Yung Buda – “Digimon” (33)
35 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (35)
36 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (36)
37 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (37)
38 – FEBEM – “Crime” (38)
39 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (39)
40 – Boogarins – “Supernova” (40)
41 – Moons – “Love Hurts” (41)
42 – BaianaSystem – “Brasiliana” (42)
43 – Jair Naves – “Vai” (43)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (44)
45 – Yannick Hara – “Raça Humana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – FBC – “Gameleira” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do cantor e compositor paulistano Romulo Fróes.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

TOP 50 DA CENA – Nosso ranking sofreu um chacoalho bom nesta semana, um oferecimendo da TARDA, do Zé Manoel, da Giovanna Moraes, do Khalil, do Criaturas, do Supervão. Até o Djonga reapareceu

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* Semana boa no Top 50 da Popload. A CENA está se movimentando a toda velocidade. Imagina quando puder ter show…
Seis estreias e uma “re-estreia” empurraram as animadas músicas “top 10” da semana passada para baixo, trazendo de tudo: de reflexões sócio-políticas musicadas, sinergia com canções gringas e com gringas em si e pura ferveção sonora de escapismo, para citar alguns panoramas coloridos pelas dez mais desta semana.
Mas, posições à parte, o que interessa é o playlist agregador e ilustrativo que dá o tom lindo que nossa CENA tem em 50 músicas, supernovas, novas ou quase novas.
Misture aí umas mineirices, um pernambucano de voz absurda, um Khalil expansivo, uma Giovanna de energia explosiva, o Supervão lindo, o Criaturas trazendo a Nigéria a Curitiba. Acrescente a Luedji Luna e a Tuyo à fórmula, não esqueça uma pitada saboroso de Ítallo França. Por fim, resgate o Djonga para dar uma liquidificada nesta receita e pronto.
Você tem, pelo menos nas dez primeiras posições, a melhor playlist que você vai ouvir até quarta-feira que vem. Bom proveito!

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1 – TARDA – “Ninguém por Enquanto” (Estreia)
Uma alegria o soturno disco do coletivo TARDA (formado por Sara Não Tem Nome, Júlia Baumfeld, Victor Galvão, Paola Rodrigues e Randolpho Lamonier). Como diz o escritor, aquela luz que permite que vejamos quanta escuridão há ao redor.
2 – Zé Manoel – “História Antiga” (Estreia)
A delicadeza do piano e voz do pernambucano Zé Manoel por aqui lamentam uma história antiga de uma civilização antiga que ainda é a nossa. Esse choque temporal contrasta na canção com a alegria do passado, presente e futuro imaginado pelo povo negro e índigena no Brasil, que lutam desde sempre por um país mais justo. Uma luta que segue firme enquanto uns resistirem em serem tão antigos. Um discurso sempre importante, agora com uma lindíssima música para embalá-lo.
3 – Giovanna Moraes – “Singularidade” (Estreia)
A versão original desse som tinha uma pegada tipo MPB-eletrônica. Agora, Giovanna coloca guitarras em bom volume para dar um novo grau na música, levando ela para um outro lugar. Que acerto. A ideia é parte de “Rockin’ Gringa”, bom EP onde as canções do disco “Direto da Gringa” ganharam contornos pesados, digamos. Que peso, Giovanna!
4 – Khalil – “De Cara Pro Vento” (Estreia)
As manchetes sobre Khalil lembram suas semelhanças vocais com Caetano Veloso. Sim, rola isso, mas o menino mostra de cara que tem um talento bem do original em suas composições e situações que cria. “De Cara Pro Vento” é uma bom exemplo disso.
5 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (1)
Ainda mais apaixonados pelo disco novo da Luedji, lançado tem mais de mês, que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Ain’t I a Woman”, uma das muitas boas faixas, e que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
6 – Supervão – “Get Out” (Estreia)
Era uma vez uma banda gaúcha que nem de Porto Alegre é fazendo um sonzinho indie psicodélico de pegada propria, que tomou alguma água sulina batizada, viu alguma coisa que a gente não viu e hoje está buscando o colorido psicodélico dentro da eletrônica mais underground. Já ouviu o EP que eles lançaram, o “apropriado” “Depois do Fim do Mundo”? Então…
7 – Tuyo – “Sonho da Lay” (3)
Você anda sonhando? Ou já acorda apressado e perde o que sonhou? Vai ver a Lay Soares, parte do trio Tuyo, aprendeu com Sidarta Ribeiro, neurocientista que sabe tudo do assunto, a técnica de registrar os sonhos antes de eles sumirem na nossa mente. E transformou isso em canção. E que canção absurda de boa! Tuyo cada vez melhor. O som ainda tem a participação do cantor carioca Luccas Carlos.
8 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (8)
Itallo relembra em uma canção suingada suas lembranças sobre bater uma bola na infância com os colegas. A letra é tão simples quanto rica ao trazer a escalação do time e umas cenas que trazem lembranças: “E eu era a no 02/ de caneta riscada na farda/ a marca da lama da bola/ na parede parda/o pé cheio de ferida”.
9 – Criaturas – “Omalola” (Estreia)
Interessante o som da banda curitibana Criaturas. Esse aqui em especial é baseado em uma canção folclórica da nigeriana que foi passada para eles por uma enfermeira do país que cuidou de um tratamento do bebê da vocalista da banda. A canção é justamente sobre como deixar bebês felizes. Tipo nós?
10 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
Agora com vídeo oficial, relembramos uma das nossas favoritas do ano. No Top 50 há semanas, a canção de Djonga é um apaixonado escrito para sua filha mais nova. Que transborda em som aoos nossos ouvidos
11 – Luna França – “Minha Cabeça” (6)
12 – Chico Bernardes – “Em Seu Lugar” (2)
13 – Silva – “Passou Passou” (4)
14 – Wry – “Uma Pessoa Comum” (5)
15 – Carabobina – “Pra Variar” (7)
16 – Chuck Hipólitho – “Disincaine” (9)
17 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (10)
18 – Lauiz – “Corona Music for Corona People” (11)
19 – Nelson D – “Xenofunk” (12)
20 – Duda Brack – “Toma Essa” (13)
21 – Kiko Dinucci – “Habitual” (14)
22 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (16)
23 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (19)
24 – Pessoas Estranhas – “Rubens” (20)
25 – KL Jay – “Território Inimigo” (22)
26 – RAKTA – “Rubro Êxtase” (24)
27 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (25)
28 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (26)
29 – Carne Doce – “Hater” (27)
30 – Rohmanelli – “Toneaí” (28)
31 – PLUMA – “Leve” (29)
32 – Luiza Lian – “Geladeira” (30)
33 – BK – “Movimento” (31)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (32)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (33)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (34)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (35)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (36)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (37)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (38)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (39)
42 – Don L – “Kelefeeling” (40)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (41)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (42)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (43)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (44)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (45)
48 – Jhony MC – F.A.B. (47)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do músico pernambucano Zé Manoel.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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