Em Nevermind:

NEVERMIND 30 ANOS – Thunderbird faz cover de “Something in the Way”, do Nirvana

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* Testemunha ocular da bagunça generalizada que o “Nevermind” causou na vida das pessoas que curtiam música em 1991, o roqueiro e ex-VJ da MTV Luiz Thunderbird foi o responsável por lançar, à época, o vídeo de “Smells Like Teen Spirit” na emissora musical brasileira. O famoso vídeo em questão, ainda mais com a força que tinha a MTV à época, não só no Brasil, ajudou muito a catapultar a banda à fama estratosférica.

A pedido da Popload, Thunder, que segura o primeiro disco cheio solo dele para algum momento menos pandêmico, prestou sua contribuição para o nosso especial “Nevermind” com sua versão para a lindaça “Something in the Way”, talvez a música mais, digamos, “pausada” do segundo álbum do banda de Kurt Cobain, o aniversariante do dia.

Abaixo, o depoimento do Thunder lembrando a chegada de “Smells Like Teen Spirit” à MTV e o dia da morte de Cobain.

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Nevermind 30 Anos – Jornalista que mergulhou na alma de Kurt Cobain analisa o segundo álbum do Nirvana

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* Conheci o jornalista Marcelo Orozco no começo dos anos 90 exatamente no olho do furacão do Nirvana e mais exatamente ainda nisso aí mesmo, no ambiente jornalístico. Estávamos juntos quando os primeiros “boatos” de que o roqueiro tinha tirado a própria vida chegaram, deixando de ser “boatos” a cada hora para virar realidade sem aspas alguma.

Nos papos musicais do dia-a-dia, era difícil não falar de música. E Nirvana, “Nevermind” etc vira e mexe vinha pontuar alguma conversa nossa e da galera musicalmente boa que estava junto a nós. Afinal, estávamos vivendo os “nosso Beatles”, na questão “revolução na cara”.

Pouco depois, Marcelo Orozco se enfiou no estudo das letras que Kurt Cobain escreveu para o Nirvana para construir um interessantíssimo livro sobre a banda de Seattle, dos centenas escritos desde aquela época.

Claro, as letras do “Nevermind” estavam ali no livro editado em 2002 para marcar um pré e talvez adiantar um pós-momento de tudo que aconteceu na mente de um cara brilhante e ao mesmo tempo vítima circustancial num espaço de dois anos e pouco, do mero segundo álbum de sua banda até então normal até sua automorte. E que à época foi tudo tão brutal para o bem e para o mal, e aconteceu tudo tão rápido, que se para nós admiradores era difícil entender, imagine para o Cobain.

Então fui saber do Orozco, nestes muitos anos depois da tempestade que causou o “Nevermind”, como ele, um dos caras que considero mais entender de Nirvana no planeta, ainda vê aquele segundo disco lá, daquela banda lá, comandada por aquele cara lá. Com os olhos de 2021.

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por Marcelo Orozco
“Nevermind”, o segundo álbum do Nirvana, foi lançado há exatos 30 anos neste 24 de setembro, mas não ouvi o disco inteiro há 30 anos.

Vi o vídeo de “Smells Like Teen Spirit” na MTV Brasil quando começou a rodar na emissora, mas a obra completa mesmo, o álbum todo em si, só fui ouvir meses depois, já em 1992, quando o vinil saiu aqui no Brasil – na época, eu praticamente não comprava importados em nenhum formato e a internet inexistia.

A partir daí, a banda de Kurt Cobain teve um enorme efeito em mim. Minha banda nos anos 1990. Não foi a última de que gostei, mas foi a que mais me pegou. A ponto de, anos depois, publicar meu único livro, que trazia traduções das letras, análises da relação pessoal do cantor-guitarrista com aquelas músicas, contexto de época etc. Era “Kurt Cobain: Fragmentos de uma Autobiografia”, publicado pela Conrad Editora em abril de 2002.

Um trabalho que me levou a um mergulho de seis meses de pesquisa e escrita dedicada, mais três meses de editoração – um total de nove meses, uma gravidez. Hoje o livro está fora de catálogo há anos. Só em sebos. E não vislumbro uma reedição atualizada.

Mergulhar na psicologia complexa de Cobain requer muita coisa pessoalmente. Minha vida e minha motivação para escrever essa obra eram outras em 2001/02. Estou diferente hoje, não digo melhor nem pior, mas essa investida numa personalidade – apesar de um senso de humor refinado – engolida por drogas, depressão e, infelizmente, suicídio exige muito e desgasta, mesmo que você não queira. Acho que não estou mais a fim de passar por isso outra vez.

Chega de falar de mim e voltemos ao que interessa, o “Nevermind”. Nesta época em que o rock é quase um cachorro morto, em segundo plano em relação ao que a massa ouve aqui e lá fora e (com muitas exceções, mas….) parece ter virado um gênero musical e cultural reacionário, talvez seja difícil entender o efeito daquela união de peso e pop.

Música feita por um bandleader que era ao mesmo tempo bonito, inteligente, louco por música, feminista, progressista, irônico, sarcástico, contestador, sensível. Um “poster boy” com conteúdo é difícil de achar.

O importante é a música. “Nevermind” estourou (1º lugar na parada americana na época e 30 milhões de cópias vendidas até hoje) porque é quase irretocável – só não simpatizo muito com as faixas “Stay Away” e “Lounge Act”, mais fraquinhas que o resto para meu gosto.

É explosivo em “Smells Like Teen Spirit”. É lírico em “Something in the Way”. É porrada em “Territorial Pissings”. É sinistro em “Polly”. É reflexivo em “Lithium”. É apaixonado em “Drain You”. É Beatles e punk e metal e muito mais ao mesmo tempo. Rico. E por isso, 30 anos depois, merece que ainda se fale de um mero álbum de rock.

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Nevermind 30 Anos – ELLA from the Sea recria “Something in the Way”

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* Uma das novas vozes da música independente brasileira, ainda que cantando em inglês, ELLA from the Sea nasceu em 22 de janeiro de 1993, exatamente em um belo dia em que Kurt Cobain estava no Brasil. Na data, o líder do Nirvana ensaiava para se apresentar no Hollywood Rock na etapa carioca do festival (o trio de Seattle faria o famoso show no Rio transmitido pela Globo no dia seguinte, 23).

Pode ser que no momento em que Gabriella, a ELLA, veio à luz, saindo da barriga da mãe, Cobain estivesse trancado em segredo no estúdio em Botafogo gravando o terceiro álbum da banda, “In Utero”, o sucessor do revolucionário “Nevermind”, que hoje completa 30 anos e está recebendo esse especial-tributo aqui na Popload.

O festivo segundo disco do Nirvana, portanto, é pouco mais de 1 ano mais velho que ELLA, o que mesmo assim não impediu ELLA de ter um “K” tatuado na pele, em homenagem a Kurt Cobain. Então imagina a felicidade dela quando foi convidada a fazer uma versão de música do “Nevermind”, da banda do K da Ella. Veio a sensível “Something in the Way”.

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Antes, ELLA nos fala como ela enxerga o Nirvana, mesmo não tendo vivido o Nirvana.

“O Nirvana sempre me despertou liberdade. Foi uma das últimas bandas que começaram no alternativo, atraindo uma galera mais masculina que curtia som pesado, e logo conseguiram unir no mainstream grupos de todas as etnias, sexos e classe sociais. E é isso que me inspira neles. É sobre isso que a música deveria ser: união.
Sempre ouvi Nirvana, desde criança, e sempre me lembro de estar sentada na sala de TV vendo o vídeo de “Smells Like Teen Spirit”. Para mim era tudo tão surreal, poder dar aquela causada na escola.
É por causa do grito de liberdade de Kurt Cobain há 30 anos depois, eu com 28 anos, carrego um minúsculo ‘k’ tatuado no meu braço.
‘Nevermind’ fez parte de todo um processo que me ajudou a me transformar em cantora e compositora.Thanks, Kurt e Nirvana.”

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* ELLA from the Sea lançou seu disco de estreia, “The Moon”, no ano passado. No meio de outubro agora ela vai revelar um novo single, “I Reach You”, que estará em seu próximo disco, um EP chamado “Forever Unknown”, a sair em novembro.

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Nevermind 30 Anos – Chuck Hipólitho convoca Duda e armam versão intimista da porradeira “Lounge Act”, do Nirvana

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* É muito natural que o Nirvana tenha passado como um furacão (também) na vida do roqueiro Chuck Hipólitho, de tantas bandas, parcerias musicais, estúdio de som próprio, disco solo, produção para outros artistas independentes e trabalho de destaque na “época boa” da MTV.

Tudo ambientes e funções que foram marcados sem dó pela banda de Kurt Cobain e principalmente por seu segundo disco, o “Nevermind”, que faz 30 anos hoje, e quando lançado pegou o jovem Chuck lá em Pirassununga começando a querer se aventurar no rock, não entendendo nada e depois entendendo tudo por causa do álbum que está sendo homenageado hoje aqui na Popload durante esta sexta-feira.

Chuck, hoje 43, chamou a jovem Duda Maiolini, da espertíssima banda catarinense Horney, para comporem juntos uma versão e vídeo para “Lounge Act”, faixa “violenta” do “Nevermind”, mas numa versão mais… digamos… artsy, tranquila.

Duda tem 19 anos, o que equivale a dizer que ela nasceu quando a edição especial de 10 anos do “Nevermind” já estava na loja, disco remasterizado e tal. Ela é um exemplo de como a obra-prima punk pop da banda de Kurt Cobain ainda impacta jovens músicos hoje em dia.

Chuck conta sobre Duda. E depois nos fala, em vídeo-depoimento, como o “Nevermind” o “pegou”, lá em 1991, aos 13 anos.

“Conheci a Duda porque mixei o primeiro EP que a banda dela soltou. A banda se chama Horney e são de Joinville. A Duda tem 19 anos e é, como eu, fã de Nirvana. Temos experimentado fazer música juntos e pretendemos lançar um trabalho em breve, um tipo de música mais sintética que tenho experimentado. Numa dessas achei que era uma boa ideia aproveitar as boas vibrações e regravar ‘Lounge Act’ com ela para o aniversário de 30 anos do ‘Nevermind’, a pedido da Popload. Ouça a Horney, ouça o ‘Nervermind’ e ouça nossa versão de Lounge Act'”

Lembrando que Chuck Hipólitho lançou no final do ano passado o álbum solo “Mais ou Menos Bem”, gravado em momentos punks da quarentena de 2020 e cheio de homenagens a seus ídolos, em interpretações próprias. Entre elas, a faixa muito boa “Tem Cheiro de Espírito Adolescente”, que não é exatamente uma cover de “Smells Like Teen Spirit”, o hit master do Nirvana e do “Nevermind”, mas é um tipo de agradecimento à música de Cobain. E a Cobain em si.

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Nevermind 30 Anos – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo faz cover de “Lithium”, do Nirvana

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* Banda em que os integrantes têm em média 22 anos de idade, o quarteto paulistano Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo é, portanto, muito mais nova que o álbum “Nevermind”, do Nirvana, que hoje completa 30 anos e ganha especial na Popload. O mundo musical tinha virado, Cobain já tinha se matado e Sophia e seus amigos não eram nem projeto de vida de seus pais, provavelmente.

Então se torna maravilhoso que uma banda assim faça, com todo esse distanciamento temporal, aceite e se entregue ao máximo para fazer sua leitura em cover de uma banda daquela. Captando a essência, a energia, a fúria do “teen spirit” de forma tão pura até na feitura do vídeo, que tem umas partes congeladas em conceito.

Dá até uma emoção a Popload publicar essa cover especial do “hino dentre os hinos” que é “Lithium”, faixa do “Nevermind”, por parte de Sophia, Téo, Theo e Vicente. Daria no Kurt Cobain, certeza.

Na sequência, os quatro SCUEPDT dão seu depoimento sobre como o Nirvana entrou na vida deles e a relação atual de fã de cada um dos membros da banda novinha com a lendária banda antiga.

Lembrando que o ótimo “Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo”, o disco de estréia do quarteto, saiu em abril.

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