Em Nick Cave & The Bad Seeds:

O maior espetáculo da Terra. Nick Cave ontem em Los Angeles, primeiro show pós-Brasil

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* Enquanto a gente fica aqui com um vazio musical-existencial que incomoda, o músico Nick Cave e sua bandaça The Bad Seeds deram sequência à turnê mais famosa do rock nos últimos anos e se apresentaram neste domingo no Forum, em Los Angeles.

Mais três shows derradeiros pela América do Norte (Washington, Brooklyn e Toronto) e finito. Diz ele que vai parar dois anos.

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Ontem, na Califórnia, foi o de sempre, tipo o que aconteceu semana passada em São Paulo, pelo Popload Gig. “Show da vida”, “Easily one of the best concerts I’ve ever seen” e “Absolutely phenomenal performance from all involved” foi alguns dos depoimentos colhidos no Twitter.

Pelo que li, 18 mil pessoas foram ver Nick Cave em LA, mais de 10 mil do que aqui no Espaço das Américas e 7 mil a mais que show recente da cantora pop Shakira no mesmo lugar.

A gente vai continuar seguindo o Nick Cave nestes últimos shows de sua turnê. Continuar atentos a suas preces em forma de música. Suas canções de amor/desamor, vida/morte.

Tipo estas abaixo, “colhidas” do show ontem nos EUA.

** As fotos usadas neste post e na home da Popload são de @RichFury, especiais para divulgação do local do show, The Forum.

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A menos que seja o Nick Cave. O show do ano, domingo passado, por um olhar assim, meio gonzo

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* JP Cardoso é um jovem promissor, um músico bom e latente para se autodescobrir, com aquelas inquietudes que o levam a se enfiar em tudo, vasculhar tudo, viver, experimentar. Daí o cara me pede para escrever “um texto livre” sobre o show do Nick Cave em São Paulo, domingo passado, pelo Popload Gig. Um artista sobre o qual ele era mais curioso do que conhecedor.
Ok, escreve aí. Resolvi deixar, porque sabia que eu mesmo não teria condições de escrever. Talvez porque foi um Popload Gig, talvez porque era sobre o Nick Cave.

E ele foi e escreveu mesmo!
Está aqui embaixo.
E é exatamente assim:

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O músico australiano celebra sua missa no lotadaço Espaço das Américas, em São Paulo. Foto de cima, de Rodolfo Yuzo. A de baixo, de Fabrício Vianna.

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Meio Osho, meio Lúcifer

por JP Cardoso

É engraçado como estes dias estão com um gosto latente de que o Brasil está prestes a pegar fogo (se é que já não está pegando). E, nestes momentos, as coisas sempre acabam ficando um pouco mais extremas, não? Dá uma vontade de viver um pouco mais, de empurrar o limite um pouco mais longe, enquanto ainda pode. Enquanto dá.

Domingo foi um dia muito único em São Paulo. Já começou de um jeito especial, pelo menos para mim e para todo um público jovem, animado, dançante, sendo feliz, se permitindo superar uma infinitude de medos, cada um com os seus (alguns mais corriqueiros, tipo ‘será que vai chover hoje’; outros mais preocupantes, tipo ‘será que eu vou poder ser eu mesmo no taxi?’). Domingo amanheceu bonito, com o DJ e produtor l_cio tocando um remix incrível de Chico Buarque às 5 e tanto da manhã no Vale do Anhangabaú, no último show do SP na Rua.

Tanta coisa precisa dar certo para isso poder acontecer! Tantos privilégios que a gente nem percebe. E eu não vou nem entrar no mérito de ter algum apoio de algum governo para fazer uma festa na rua com um mínimo de organização (obrigado, Karen!). Eu estou falando de coisas mais básicas, tipo poder beber em público. Tipo poder reunir pessoas na rua para fazer uma festa. Tipo poder sair na rua vestido como quiser. Tipo poder fazer qualquer tipo de música sobre qualquer tipo de assunto e tocar isso em qualquer lugar. Não sei você, mas eu dancei naquela vez como se fosse a última.

E nem foi. A gente pediu mais uma e ele tocou “Estrelar”. Verão chegando, quem não se endireitar não tem lugar ao sol.

Domingo é dia de um ti-ti-ti a mais, olha que profecia. Vai ter um show incrível mais tarde. Vem comigo?

Corta para a Barra Funda, 13 horas depois. Um cigarro de palha suspeito da banca da esquina enquanto uma fila enorme de gente tentava entrar no Espaço das Américas, todos muito ansiosos. Não reconheço nenhum dos companheiros da pista do amanhecer. Quem são essas pessoas? Onde bebem, de que se alimentam? Não tenho visto elas nos shows, e olha que eu vou em bastante show?

Entro só. Cheio, hein? Logo encontro um amigo e reconheço nele o mesmo olhar dessas pessoas que eu ainda não conhecia – os olhos de um fã, desesperado para ver um dos seus maiores ídolos ao vivo. Pega outro drink, vamos mergulhar. Mal sabia eu que tava prestes a ser convertido para essa religião também.

Não é fácil colocar mais de 7 mil pessoas em transe no segundo em que você pisa no palco. A menos que você seja um guru indiano. Ou um ditador coreano. Ou..

A menos que você seja o Nick Cave.

Aquilo não foi um show. Foi uma missa. Foi um ritual.

Foi um culto pagão a um deus vivo, obscuro, pulsante, misterioso, que já morou em São Paulo, que entende a doideira e a correria e a realidade da galera que estava ali para ver ele, e, por isso, sofre, grita, chora, canta junto. Encosta. Chega na beira do palco. Segura na mão, olha no olho. Traz para perto, desce do palco, sobe na galera, puxa o coro, mete um #elenão, bate palma, volta ao palco, puxa para o palco, puxa palma, dirige, ensina a letra, assina o disco, reza, bate, assopra, queima, beija, abraça, reza, benze, arrebata. Meio Osho, meio Lúcifer.

De vez em quando eu me pergunto se a gente sabe que está vendo um dos melhores shows da nossa vida enquanto ele acontece. Isso aconteceu mais de uma vez, entre a hora em que ele tocou “Into My Arms” dizendo com calma que ia cantar uma prece para o Brasil e a hora em que ele falou que ia tocar uma música que a gente estava precisando ouvir e meteu “Jubilee Street” (“All those good people down on Jubilee Street, they ought to practice what they preach”) e começou outra viagem em direção a uma catarse visceral.

I’m transforming. I’m vibrating. Look at me now.

Estou vendo, Nick. Estou vendo você e os Bad Seeds tocando o terror com gosto enquanto todo mundo a minha volta grita e pula e chora de emoção. Estou vendo Warren Ellis debulhando aquela mustanguinha de quatro cordas (que, diga-se, ele que inventou), depois chacoalhando um violino distorcidíssimo com menos cerimônia com que o Sonic Youth esfregava as guitarras no chão.

Estou vendo uma das melhores bandas do mundo quase quebrando todos os seus instrumentos de tanta intensidade no final de cada música, uma erupção depois da outra, desenhando o seu próprio microuniverso paralelo em cada compasso, uma realidade alternativa em que as coisas são um pouco mais tortas e um pouco mais certas, em que ser intenso é legal, ninguém tem medo do escuro e tudo bem se a gente sofrer e chorar um pouco mais porque isso tudo vale a pena.

Nessa realidade, as crianças aprendem a tocar guitarra na escola, o submundo é a superfície, este show é o acontecimento do ano, você aceitou o meu convite, o Nick Cave é o Roberto Carlos.

Não sei você, mas eu moraria nesse lugar.

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Um guia com 23 tópicos para amar NICK CAVE. E não perder o show dele domingo de jeito nenhum. Porque, né…

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** Atenção. Este post contém os vencedores do livro lindo “The Sick Bag Song”, edição de luxo, recém-lançado no Brasil pela editora Terreno Estranho. E ainda o vídeo do show completo do Nick Cave em São Paulo em 1989. Agora, é o seguinte:

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Crédito: Andbud Photography

Faltam DOIS dias para o show das nossas vidas.

Neste domingo, São Paulo recebe o visceral (não achei outra definição à altura, desculpe) NICK CAVE & THE BAD SEEDS para uma apresentação única no Brasil, em turnê que lotou estádios, arenas e casas de shows pela Europa e América Latina. E chega agora para você, pelas mãos do Popload Gig, para fazer a mesma coisa que tem feito por onde passa: lotar espaços, emocionar. Para dizer o mínimo.

Nick Cave volta a São Paulo depois de quase 30 anos! Em abril de 1989, o cantor se apresentou no Rio de Janeiro e em São Paulo, em duas noites já lendárias no Projeto SP (este show completo existe no YouTube com um áudio decentíssimo e está logo abaixo!). O resto é história: por aqui Nick se apaixonou, ficou e morou no começo dos anos 90.

Nick Cave & the Bad Seeds – Live @ Projeto SP 15/04/1989

Muitas vidas depois, ele hoje acumula projetos paralelos, discos (só com o Bad Seeds são 16, sendo o último, de 2016, Skeleton Tree), roteiros, trilhas sonoras, livros e filmes. A turnê atual, a mais emocionante de todas, vem arrancando títulos exagerados (tudo verdade!) nas resenhas unânimes: não há hoje um show como este. Estamos avisando. É um culto, uma missa, uma experiência quase que religiosa, uma transformação. O Espaço das Américas vai ficar pequeno no domingo.

A POPLOAD preparou um pequeno guia para você que ainda não se decidiu se vai ou fica. Ou, então, para você que não conhece muito a obra ou a persona de Cave, mas que gosta de uma música aqui ou ali. Ou para você, que apesar de estar aqui, lendo um post deste site, não tem IDEIA de quem eu esteja falando. Sem problema: nunca é tarde para ser fã de Nick Cave!

23 Fatos sobre um dos maiores nomes do rock hoje:

>> E para você chegar no Popload Gig com tudo na ponta da língua, fizemos uma playlist no Spotify Brasil, nosso player oficial, com as músicas mais tocadas nos shows recentes da banda:

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PROMOÇÃO LIVRO “The Sick Bag Song”


Os nomes dos dois ganhadores do livraço acima, que teve sorteio anunciado aqui dias atrás e saiu agora no país pela editora Terreno Estranho, são:

– Irina Borges
– Alcides Fortunato

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Popload Gig com Nick Cave & the Bad Seeds

Data: 14 de outubro (domingo)
Local: Espaço das Américas
Endereço: R. Tagipuru, 795 – Barra Funda, São Paulo

Horários: Abertura da casa 18h || Início do show 20h

Ingressos: www.ticketload.com

Ponto de venda: Cine Joia @ Praça Carlos Gomes, 82 (próximo ao Metrô Sé e Liberdade). Funcionamento de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 14h e das 15h às 18h.

Parcelamento em até 3x: Elo, Visa, Diners, Amex e Mastercard.

Classificação etária: 18 anos

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Nick Cave e a música mais tensa do ano

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O Record Store Day continua rendendo bons materiais nesta semana. Depois de toda a história genial do Jack White com sua cabine old school, apareceu a contribuição honrosa do grande Nick Cave e seu The Bad Seeds para a data.

O cultuado cantor soltou um vinil de 7” com uma única música, “Animal X”, faixa tensa gravada durante as sessões de “Push The Sky Away”, que ficou fora da seleção final. Especula-se que o som foi inspirado em um documentário exibido pelo canal de variedades Discovery no final dos anos 90, que tem o mesmo nome.

E o vinil não é do The XX, bom avisar.

Aumenta o som porque ficou incrível: Cold War Kids fazendo Nick Cave

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Um dos grupos mais amados pela Popload, o ótimo Cold War Kids, espécie de indie-blues-cristão, com shows que parecem verdadeiras celebrações messiânicas, que chega a ser comovente de tão feliz, vai lançar no mês que vem seu novo álbum.

“Dear Miss Lonelyhearts” é a quarta obra de estúdio da banda californiana e sucede “Mine Is Yours”, lançado em 2011. No início deste ano, eles soltaram a boa “Miracle Mile”. Mas enquanto o disco não chega – será lançado dia 1º de abril – o grupo do Nattan Willett tirou um tempinho para gravar uma cover excelente de “Opium Tea”, faixa clássica da carreira brilhante de Mr. Nick Cave com seu The Bad Seeds. Barulho bom.