Em Nick Cave:

Nick Cave não sabia que o Flaming Lips vai lançar um disco de covers de Nick Cave

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* Há alguns dias, a malucaça banda indie-psicodélica Flaming Lips, na voz de seu malucaço líder, o vocalista Wayne Coyne, anunciou que em breve vai lançar um álbum inteiro só com covers do músico australiano Nick Cave. Cantado por uma fã de 13 anos deles chamada Nell Smith. Nessas, soltou a primeira faixa desse projeto bizarro, uma versão para “Girl in Amber”, do álbum “Skeleton Tree”, de 2016.

O disco homenagem dos Lips para o Cave se chama “Where the Viaduct Looms” e sai no mês que vem, dia 25 de outubro. Só para efeito de conhecimento, três dias antes, 22/10, sai a parte dois de “B-Sides & Rarities”, do Nick Cave and the Bad Seeds.

Acontece que no site The Red Hand Files, onde Nick Cave aparece semanalmente para responder algumas perguntas de fãs (lembra Cave falando do bar paulistano Mercearia São Pedro recentemente?), um lá perguntou o que ele achava desse disco do Flaming Lips sobre músicas dele. Nick Cave não tinha ideia.

“Não sabia desse projeto. Valeu por me avisar sobre ele”, falou o australiano. A conversa continou com Nick Cave se revelando um fã ele do Flaming Lips desde que viu a banda tocar no Lollapalooza americano de 1994. Tanto Nick Cave e seus Bad Seeds quanto os Lips se apresentaram no festival, na época que era itinerante. Em 1994, o Nirvana seria o headliner, não fosse a crise pessoal de Kurt Cobain, que o levaria a morte por suicídio dias depois do Lolla 94.

Ao fã que perguntou, Nick Cave disse que “talvez” tenha cantado com eles no festival, além de ter escrito uma música para um dos discos do Flaming Lips.

“A música ficou linda”, disse ainda Cave, sobre a agora conhecida cover do Flaming Lips para “Girl in Amber”, com a pequena mas arrasadora Nell Smith, 13, nos vocais. “Eu ia dizer que Nell Smith mora nessa canção, mas isso seria errado. Ela se posiciona fora da música, de um modo que eu nunca conseguiria fazer. Eu sempre achei bem difícil me manter à parte dessa música em particular e cantar com o distanciamento necessário, mas sempre me perco nas palavras da letra. Nell mostra um admirável entendimento da música, de não-envolvimento, que ao mesmo tempo é bonito e frio. Amei.”

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Nick Cave lembra o pastel de queijo, as manhãs com o filho e as letras escritas na Mercearia São Pedro, na Vila Madalena. E se despede do bar, que vai ser demolido

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* A história do fechamento em São Paulo do bar Mercearia São Pedro, reduto boêmio cultural e esportivo da Vila Madalena e lugar do melhor pastel da cidade (o que é um fato muuuuuito importante), chegou ao músico gênio australiano Nick Cave.

O cantor e pianista morou em SP no começo dos 90 e foi frequentador do Mercearia, “para tomar um café de manhã ou uma cervejinha à tarde”. Nick Cave, óbvio, lembrou ainda dos pastéis de queijo que comeu no lugar.

nick cave sp 2018

Cave vivia a 300 m do Mercearia e virou amigo do Pedro, o proprietário. A relação de Cave e do bar paulistano foi tão marcante que não só o Mercearia foi parar no documentário “Straight to You”, de 1992, dirigido por Anton Corbijn, como ganhou uma visita do músico em 2018, quando ele voltou a São Paulo para tocar no (cóf cóf) Popload Gig, num show monumental no Espaço das Américas (foto acima).

No site Red Hand Files, em que Nick Cave mantém conversa com fãs que têm perguntas a ele, o australiano revelou que o Mercearia foi, a seu ver, “o bar mais legal do mundo”, em resposta a um fã escocês e outro brasileiro, Lucas, de Florianópolis, que perguntou diretamente sobre o que Nick achava de o Mercearia dar um lugar a um edifício de luxo.

Nick lembrou, em sua resposta no Red Hand Files, a temporada simples e boa que passou vivendo no Brasil, há cerca de 30 anos. Ele levava o filho Luke, na época com 2 anos, para passar um tempo no Merça, de manhã, enquanto lia e escrevia umas letras. O cantor citou que músicas como “The Ship Song” (1991), “Papa Won’t Leave You, Henry” (1992) e “Foi Na Cruz” (1990), que ele recorda terem sido escritas numa das mesas do bar da Vila Madalena.

“Mas boa parte do meu tempo no bar foi gasto sentando, fumando uns cigarros, bebendo uma cerveja e conversando com o Luke, enquanto ele chupava seu pirulito Chupa Chup e me ouvia.”

“Na hora em que acontecer a demolição do pequeno bar, um pedaço da alma da Vila Madalena vai se perder. E um pedaço da minha também. Então, eu digo adeus à Mercearia São Pedro, o maior bar do mundo, e digo obrigado ao Pedro, pelo carinho que ele sempre mostrou a meu filho Luke.”

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Bar Mercearia São Pedro, em São Paulo, ameaça fechar. Galera pede ajuda ao Nick Cave

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* Patrimônio histórico da boêmia paulistana, o bar Mercearia São Pedro, na Vila Madalena, vai fechar, ou PARECE que vai. Se isso for realmente verdade, porque as notícias estão desencontradas, vão-se embora as cervejas + azaração de pé, os PFs do domingo, o melhor pastel da cidade e, o mais dolorido, as memórias do Nick Cave frequentador do boteco.

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A notícia dominou o assunto nas redes sociais de quem sabe o que o fechamento de um bar assim significa (a perda de mais um clássico reduto etílico-cultural da cidade), mas aí depois de algumas horas apareceu uma galera ligada à casa desmentindo. O lugar, óbvio, sumiria para que erguessem um prédio desses empreendimentos gigantes e cafona. Inclusive rolou uma movimentação no Twitter, zoeira de galera, pedindo ajuda para o Nick Cave salvar o Merça.

Cave se apaixonou, ficou e morou em São Paulo no começo dos anos 90. Morador do bairro Vila Madalena, à época passou a frequentar o bar que se encontrava a apenas 300 m de sua casa: a Mercearia São Pedro, que costumava frequentar com o filho, nascido no Brasil. Para tomar um café de manhã, ou uma cervejinha à tarde, ou até mesmo assistir e sugerir filmes quando tinha projeções nas paredes do bar, Nick adorava o lugar. A ligação com a Mercearia era tão forte que o bar foi escolhido como locação no documentário “Straight to You” (1992), de Anton Corbijn.

Recentemente, o semi-Deus australiano, passou pelo local em sua última visita ao país, quando veio para o show histórico do Popload Gig, orgulhinho nosso.

Esperamos que os boatos sejam fake news. Se não, ficaremos com saudade. E Nick Cave também.

nick cave sp 2018

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Top 10 Gringo – Black Midi no topo com “baladinha”. As Bachelor na segundona. Girl in Red cata o terceiro posto. Tem para todo mundo

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* Semana com músicas para todos os gostos aqui no nosso Top 10. Tem aquele indie rock que é a preferência da casa, mas também trazemos lances experimentais, rap, R&B introspectivo… Até uma faixa de spoken word a gente incluiu, galera. E tem provocação para os Gallaghers, uma prática que a gente mantém sempre que temos a chance. Mas é amor. Ah, e como tudo fica lindo na nossa playlist. Leia a ouvindo. Ou ouça nos lendo. Você manda.

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1 – Black Midi – “Marlene Dietrich”
De tantas músicas intensas do novo álbum do Black Midi, vamos com a que começa com um violãozinho inesperado, ainda mais após a barulheira da faixa de abertura. Quem leu a nossa entrevista com Geordie Greep, o vocalista banda, aqui na Popload, descobriu que eles manjam de Egberto Gismonti e João Bosco. Repertório, gente.

2 – Bachelor – “Stay in the Car”
Ellen Kempner (Palehound) e Melina Mae Duterte (Jay Som) são duas garotas com uma boa estrada no mundo indie, com suas respectivas bandas. No Bachelor a dupla se reúne para um poderoso mix. É até complicado categorizar o som da dupla: tem guitarra, tem momentos mais climáticos, quase lo-fi, mas nem tanto assim. Sem dúvida uns dos discos mais interessantes da semana.

3 – Girl in Red – “Midnight Love”
Voltamos a este bom momento do álbum de estreia da norueguesa Girl In Red por conta de uma session dela na emissora americana Sirius XM, ao piano, que dá uma outra cara a essa música. Já era uma balada (ainda que com um certo groove) na versão do disco, mas que ainda mais em uma versão seca, só piano e voz.

4 – Sleater-Kinney – “High in the Grass”
Uma música que, se entendemos bem, é uma grande ode à curtição, aproveitar os momentos mesmo. E mais uma prova de que esse disco da dupla americana Sleater-Kinney que vem por aí, “Path of Wellness”, já é um sério concorrente na sua lista de favoritos do ano.

5 – Cola Boyy – “Don’t Forget Your Neighborhood”
A gente costuma olhar meio feio para o algoritmo do Spotify, mas temos que confessar que eles nos deram um presente nesst semana. Por seguirmos os australianos do Avalanches, a plataforma recomendou a participação deles neste som deste jovem multiinstrumentista californiano. E que vibe esse Cola Boyy é capaz de criar. Atenção nele. Já colamos no Cola.

6 – Nayana Iz – “Breaking Point”
Ouvidos no som dessa indiana que cresceu em Londres. Presença constante em lista de nomes que prometem, ela lançou ano passado um bom EP e chega a 2021 com um single bem interessante alternando seu talento para rimar em um flow irresistível e conduzir um refrão com sua voz doce. Do clubinho lindo da Little Simz e da Arlo Parks.

7 – Smino – “Rice & Gravy”
A gente deixou passar este bom single do rapper americano Smino, mas a bela session dele no COLOURS fez a gente se tocar que estava perdendo um musicão. Talvez seja um primeiro sinal do seu terceiro álbum, que ia rolar em 2020, mas ficou no ar para este ano.

8 – The Wombats – “Method to the Madness”
Queridinho grupo indie da década passada e relativamente sumidos mesmo quando andaram lançando disco (você nos entende…), o trio de Liberpool retomou bem os trabalhos com uma bela balada que anuncia a chegada de seu quinto álbum, o primeiro em três anos, ainda sem mais detalhes.

9 – Nick Cave – “Letter to Cynthia”
Spoken word pode? Do Nick Cave pode. De um carta que ele escreveu para um fã, a faixa traz uma ambiência musical para um texto poderoso do músico sobre conversarmos com as pessoas que perdemos. No pensamento de Cave, que admite conversar com seu filho, ele ressalta que ainda que seu filho não esteja lá, a ideia de sua presença é uma força humana que todos têm de cuidar. Ele aconselha: “Crie seus espíritos. Ligue para eles. Eles estarão vivos. Fale com eles”. Por enquanto só no Youtube. Mas está lá, profunda.

10 – Blur – “Out oF Time”
Na disputa futeboleira entre Chelsea e City, que remete ao duelo clássico do britpop Blur x Oasis, deu Chelsea. E por isso homenageamos aqui o ilustre torcedor da equipe de Londres com uma música do Blur que Damon Albarn resgatou em sua apresentação no Glastonbury virtual de uns dias atrás. Uma belezinha do álbum “Think Tank”, lá de 2003, que envelheceu magistralmente.

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* A imagem que ilustra este post é do agora trio inglês Black Midi.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – Radiohead no Peru. A volta do sergipano The Baggios. Nick Cave cantando o além. E os novos beats do Master San

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– Nessa coisa de subir shows antigos seus como se fosse now, o Radiohead botou para rodar com capricho restaurador e na íntegra, em seu canal de Youtube, a apresentação que fez em abril de 2018 aqui “pertinho”: em Lima, no Peru. A performance peruana, que começa com “Daydreaming” e termina com a trinta explosiva “Creep”, “Paranoid Android” e “Karma Police” no último bis, faz parte da turnê do disco “A Moon Shaped Pool”, lançado em 2016. Ela veio a SP (Allianz Parque) e Rio (Parque Olímpico) em forma de festival “Soundhearts”, que teve ainda o DJ e produtor Flying Lotus e as bandas Junun, do guitarrista Jonny Greenwood, e os paulistanos Aldo the Band. O show de Lima, abaixo, teve 25 músicas no setlist, que está informada com o tempo na legenda do vídeo. Curta.

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CENA – A tradicionalíssima banda indie sergipana The Baggios (foto na home) anunciou hoje que vai lançar seu quinto álbum em algum momento do segundo semestre, para terminar a brecha que existia desde o último disco do power-trio veterano, “Vulcão”, de 2019, que chegou até a ser indicado ao Grammy latino. O “recheio” deste anúncio veio em forma de um excelente single, que também é uma homenagem. Eles revelaram nesta segunda-feira a música “Baggios encontra Siba”, em referência à parceria com o importante músico pernambucano, nome forte do movimento manguebeat entre outras coisas por fazer parte da banda Mestre Ambrósio. A “segunda-feira de lançamento” do Baggios, em vez da tradicional e universal sexta-feira, tem uma razão. Hoje é aniversário de seu cantor e guitarrista, o grande Julio Andrade. E ele quis se dar um presente. Para nós também. Segundo Andrade, o rock enérgico desta “Baggios encontra Siba” versa sobre o imaginário e o palavreado do Nordeste. Com tudo envolvido, não teria como a música não ser boa.

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– Lá em abril a gente fez um post para contar uma história emocionante envolvendo o querido músico australiano Nick Cave. Ele tinha recebido uma carta de uma fã contando sobre como ela lidou com a morte de familiares, conversando com eles por sonhos, e perguntou se isso ocorria com Nick e sua esposa por conta do filho de 15 anos que eles perderam. Tocado pela pergunta, Cave escreveu uma longa resposta comentando o assunto. “Crie seus espíritos. Ligue para eles. Eles estarão vivos. Fale com eles”, Cave respondeu, considerando que ainda que a comunicação dele com o filho seja uma mera obra da mente, das ideias, ela é forte o bastante para o guiar e proteger. Essa carta ganhou uma versão musicada, um spoken word que só tinha saído em single em vinil até agora, mas que apareceu finalmente no mundo digital.

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CENA – Grande caçador das batidas perfeitas, o beatmaker, DJ, instrumentista e engenheiro de som Master San acaba de lançar seu mais novo trabalho, o envolvente “Soul Quantize”, álbum que chega às plataformas com 34 faixas inéditas trabalhadas em cima de bases de hip hop. Essa nova fornada de beats bons da fabriquinha de Master San é marcada pela alquimia do músico (que entre outros projetos toca na banda Liquidus Ambiento) em juntar loops, ecos, colagens, scratchs, timbres marcados acompanhados de riffs de guitarra, baixos eletroacústicos e valvulados, além de sintetizadores analógicos. Tudo isso forma este “Soul Quantize”, do qual revelamos aqui embaixo a orientalizada faixa “Confronto de Titãs”, que já traz um vídeo entregando exatamente isso: e se umas batidas fossem criadas para servir de trilha sonora para uma luta de samurais? Master San já a produziu, aqui.

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