Em Nirvana:

Apareceu uma session completa do Nirvana, de 1988, barulheira maravilhosa que não dá para ouvir direito

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Uma famosa apresentação do Nirvana, de quando o Nirvana nem era o Nirvana, apareceu em sua íntegra nesta semana, graças a um trabalho de rebusca do jornalista e colecionador de vídeos Mike Ziegler, da ex-revista atual site “Spin”.

A apresentação é datada de 24 de janeiro de 1988 e foi gravada em uma das lojas Radio Shack, em Aberdeen, Washington, terra deles no comecinho. Trechos dessa session já eram públicos havia algum tempo, mas a versão completa pintou só agora.

Na gravação, que dura 17 minutos e tem som zoado, Kurt Cobain e Krist Novoselic, com os instrumentos desplugados, têm a companhia de Dale Crover na bateria. A apresentação foi um dia depois que o Nirvana gravou sua primeira demo. O resto é história. Nem me lembro direito o que aconteceu com a banda e com a música mundial depois dessa session fuleira.

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E se Kurt Cobain tivesse sobrevivido àquele tiro?

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* Último dos grandes gênios do rock, o saudoso Kurt Cobain, o guitarrista e líder do Nirvana morto tragicamente em 1994, completaria 50 anos de idade hoje, se o tiro de espingarda que deu contra a própria cabeça fosse apenas um sonho ruim de qualquer indie do planeta que viu a música independente se confundir com a música pop por meio de um som punk heavy metal sujo e demente e virar uma revolução algo casual que sacudiu a indústria de um modo que não teve mais volta.

Kurt Cobain, segundo a agência americana Sachs Media Group, que criou a campanha Rock & Roll Heaven e “atualizou” a aparência de astros musicais mortos, teria essa cara hoje em dia, se vivo.

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Se no dia 8 de abril de 1994 seu corpo não tivesse sido encontrado no casarão da Lake Washington Boulevard pelo eletricista Gary, o que estaria fazendo hoje o senhor cinquentenário Kurt Cobain?

Pedi ao poploader de mente fértil Eduardo Palandi, nosso homem na Capital Federal, para me ajudar num rascunho do que seria um caminho musical para Kurt Cobain, caso o seu fim não tivesse sido seu fim. E Kurt Cobain, 50 e prejudicado na saúde pelas marcas de gênio da música, viveria assim este 2017.

Cobain em 2017

“Depois de errar o tiro e passar uns meses internado para se recuperar, com o mundo todo temendo que ele tivesse sequelas, Kurt teria alta no segundo semestre de 94. Grohl e Novoselic evidentemente pediriam um tempo para repensar o futuro da banda, que estava em suspenso, obviamente. O acústico da MTV seria empurrado para o começo de 1995, para o grupo ganhar um tempo. No final desse ano, a banda se reuniria para mais um disco, passariam 96 inteiro gravando e fariam um tour de festivais (evitariam que o Kula Shaker fosse headliner do V97, por exemplo) antes do lançamento do novo disco, em outubro de 97. Esse álbum seria para eles o que o “Down on the Upside” foi para o Soundgarden: um bom disco, de parto demorado, mas que sofreu com as comparações com a obra antiga. O Nirvana lançaria um disco de sobras em 1998 e, em meio a especulações sobre nova vinda ao Brasil, acabaria.

Numa época em que o vício de heroína já começaria a deixar o Kurt sequelado, ele teria gostado do “Good Morning Spider”, do Sparklehorse, odiado o Foo Fighters e viraria uma mistura de Arnaldo Baptista com J.D. Salinger ou seu ídolo, Daniel Johnston: viveria recluso e nem sempre falando coisa com coisa. Por volta de 2000/01, as músicas não aproveitadas desse disco de 1997, mais ou menos 20 delas, começariam a circular no Napster e seriam comparadas às “Basement Tapes” do Dylan.

Em 2001, com o retorno do Leonard Cohen, ele começaria a se sentir um pouco mais propenso a voltar, mas, como o Syd Barrett, isso não iria além de umas demos, igualmente compartilhadas furiosamente no Kazaa, Soulseek e, depois, torrents. De vez em quando, seria visto na rua pelos fãs, com uma garrafa de vodca na mão e dormindo numa caminhonete no estacionamento do Taco Bell… Isso até 2008, quando nenhuma outra notícia seria dada e Cobain passasse a viver num rancho fechado, fora de Portland.

Aí, agora em 2017, do nada espalharia-se o boato de que o ex-Nirvana faria um show-surpresa em algum lugar de Austin durante o South by Southwest 2017, em março, com o quarteto californiano Bleached, três garotas e um baterista homem, sendo sua banda-suporte. O Sxsw registraria o dobro de público da edição de 2016 por conta da expectativa. A boataria iria chegar à Inglaterra, com a notícia especulada que Cobain iria fazer um show solo e acústico “retrospectiva” de Nirvana no Glastonbury, ocupando o John Peel Stage, no mesmo horário do show do Foo Fighters no Pyramid Stage. Tumulto no Glasto. Em julho, o músico ia ser anunciado como headliner do Popload Festival, em São Paulo, no final do ano, dizendo que esse seria mesmo o último show de sua carreira. Gente do mundo todo ajudaria a abarrotar o Allianz Parque, em novembro, comprometendo o gramado para a final do Palmeiras na Libertadores. Menos mal que…”

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Com “voz de menina”, Dave Grohl relembra sua primeira música da carreira

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Apareceu uma raridade envolvendo o distinto Dave Grohl, da época que ele nem era do Nirvana ainda. Antes de entrar para a banda que marcou época na música com uma certa revolução, Dave fazia parte do Scream, uma banda hardcore de Virgínia, da qual era integrante até o início da década de 90.

O registro de “Gods Look Down” foi liberado pelo estúdio Laundry Room, do produtor do Foo Fighters, Barrett Jones, e contém trechos desta que foi a primeira canção escrita por Dave e a primeira em que ele gravou todos os instrumentos, em versão demo.

A faixa original apareceu no último disco do Scream, “Fumble”, que foi gravado em 1989 e só lançado quatro anos depois. A filmagem é uma sobra da série “Sonic Highways”, que foi ao ar na HBO no ano de 2014. Dave acompanha atentamente ao áudio e resume a obra dizendo que na época “ele soou como uma menina”. Haha.

Em uma entrevista para a “Rolling Stone” americana, há alguns anos, Dave chegou a dizer que nunca mais tinha ouvido as gravações daqueles tempos. O vídeo pode ser conferido abaixo.

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Uma session recente de um tal Nirvana. De 1989. E um desabafo 2016

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* A história é velha e já falei ou rocei o assunto algumas centenas de vezes aqui, mas como neste momento eu quero postar um Nirvana e estou sem muito “gancho” para tal, vou dar uma enrolada aqui. Encare como um “Dossiê Popload”. Ou um desabafinho de empolgado, mesmo.

Tem gente que adora Spotify, playlists recomendados, pendrive emprestado, dicas na linha “se você gosta disso, deveria ouvir aquilo”, e tudo streaming e tudo curado e tudo recomendado. Adoro tudo isso também. Todo instrumento que faz uma pessoa escutar uma música já está valendo. Tudo tem seu tempo, seu jeito, seu por quê. Se a música e quem a oferece tem uma contextualização então, me ganha na hora.

No final de semana alguém tava me explicando um negócio de música sertaneja feminina. Me mostrando uma música, me falando por que da letra (ótima), por que daquele ritmo e por que tinha chegado a “vez delas”. Achei bem legal e curioso tudo. Na segunda-feira, o UOL publicou um especial enorme sobre sertanejo feminino. Zeitgeist do sertão. Me empolgo com coisas assim, mesmo se eu não esteja nem aí com essa linha, digamos. Mas só para dizer que até para um gênero tosco e ruim como esse, hahahaha, como a música chega em você e qual história ela conta tem uma função muito importante. Daí chegamos ao que eu quero dizer. Talvez.

Nada como uma boa estação de rádio bacana para fazer você ter uma idade 20 anos menor, 10 anos menor, 5 anos menor, ou se sentir querer ser 10 anos mais velho para sentir-se contemporâneo a ela, fazê-la pertencê-la plena a seu tempo. Fazer você querer pular da cadeira para dançar uma música que de repente passaram a tocar, fazer querer sorrir, querer fazer chorar.

Você desenvolve um carinho pelo DJ, ele vira seu professor, seu irmão, melhor amigo, seu confidente. Usa um “adjetivo” para falar de uma música ou banda que te desmonta, porque você estava pensando a mesma coisa, mas nunca achava que o DJ de uma rádio importante (para você) fosse falar e tal.

Eu passo muito bem, diariamente, em casa, no trabalho e no carro, com algumas rádios prediletas. Tenho várias. Acesso com app no celular, app no iPad ou simplesmente abro o site no computador. Às vezes, quando vou ver, os três “jeitos” estão ativos. Minhas caixinhas de bluetooth devem me achar maluco.

Tenho sensações dessas descritas acima, diárias, e agradeço aos céus direto o fato de que o meu trabalho seja com música. Porque, se não fosse assim, eu ainda seria um devorador de músicas blablablá do mesmo jeito.

Por exemplo, ontem.

Passei o dia ouvindo a BBC 6 Music, a rádio online do grupo gigantesco britânico de várias mídias BBC. Dois momentos do dia (já chego no Nirvana):

** Um dos DJs que eu gosto, já não lembro qual, começou a falar dos 40 anos de punk neste ano, dizer que gosta dos punks ingleses atuais tipo Slaves e Fat White Family (amo os dois) e tocou uma música nova de uma banda x. Sei lá que eram. Amei do primeiro ao último acorde. Na hora me deu uma vontade de chorar de tão legal, hahaha. Já não sabia se era uma banda velha que eles estavam mostrando para aproveitar o gancho “40 anos” ou se era um grupo de hoje, dessa safra maravilhosa nova. Fui pesquisar. A banda se chamava Eat Fast, quatro moleques novinhos de Newcastle, e a música era seu novo single, chamado “Public Display of Affection”. Aprendi mais: o Eat Fast foi incluído recentemente (novembro) num especial do jornalzaço inglês “The Guardian” entitulado apenas “The Most Exciting Independent Artists in the World”. E também que eles tocaram num evento especial do festival The Great Escape (também em novembro) chamado “The Soundtrack to Your Future”.

** Ainda ontem, por nada, do nada, o cara tocou no meio de tantas coisas legais, novidades muitas, uns indies antigos outros, um… Belle & Sebastian. Em session na BBC anos atrás. A canção: a deslumbrante “The Stars of Track and Field”, musiquinha de fases que começa tipo silenciosa. Quando você acha que pode se emocionar ainda, depois de tuuuuuudo, com um Belle & Sebastian aleatório em momento x no meio de um playlist de rádio? Eu, ontem! Isso é rádio. Acabou a música, a seleção de duas ou três, e o DJ disse o que tinha tocado e jogou assim, meio rápido, um “fascinating Belle & Sebastian” na descrição da sequência. E eu ali, fascinado. Como ele sabia? Ele sabia. E olha que eu adoro essa música, mas tem muitas outras mais do B&S que me arrebataria. Sei lá.

** Aí, finalmente, chegamos ao Nirvana. A própria BBC 6 Music, na semana passada, resolveu porque sim que o dia inteiro da programação (acho que sexta-feira) seria dedicado ao ano 1989!!!! Na verdade tudo tem um sentido. A 6 Music criou um especial chamado “My Generation” para tratar de anos importantes para a história da música jovem. E chegou-se a 1989, que assim de cabeça eu nem lembrava o quanto foi importante, quantas coisas relevantes aconteceram, o quanto o período foi “preparatório” para tudo que estava vindo. Daí teve o Nirvana.

O genial Steve Lamacq desenterrou inteira uma session que um noviiiiinho Nirvana, nem como Dave Grohl na bateria ainda, se apresentou em session para o saudoso John Peel, talvez o radialista mais importante de todos os tempos para esse tipo de música que eu e você curtimos.

O Nirvana havia acabado de lançar o seu primeiro álbum, o magnífico “Bleach”, em junho daquele ano. E em outubro já estava de rolê pela Inglaterra, onde foi cooptado pela Radio One para fazer uma das famosíssimas Peel Session. Ainda em status longe de virar o maior fenômeno da indústria mundial em coisa de menos de dois anos para a frente.

O Nirvana, que voltaria depois e em outro desse status para mais duas sessions para o John Peel, naquela de 1989 tocou “Love Buzz”, uma das músicas mais legais jamais feitas haha (NE: na minha humiiiiilde opinião, claro), o romance-metal lindo “About a Girl”, uma “Polly” versão mais crua da música que só entraria em álbum depois, num tal de “Nevermind”, e a esporrenta (não há palavra melhor) “Spanx Thru'”, famoso lado B de single que entrou em coletânea da Sub Pop de 1988.

Ouvindo essas sessions com o tratamento de uma rádio atualíssima como a BBC 6 Music, parece que foi hoje o dia em que o Nirvana tocou lá. Ou foi sexta-passada.

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A rádio é tão incrível que, como eles sabem usar a internet tão maravilhosamente bem, divulgaram no dia, no Instagram, uma foto do contratinho do novíssimo Nirvana para a Session do Peel (imagem acima), botaram uma fotos de 1989 dos DJs Steve Lamacq (na home da Popload) e da fofa Lauren Laverne, resgataram umas capas da “NME” daquele ano e ainda duas páginas de uma agenda 1989 do Lamacq, com shows do Buzzcocks e da Neneh Cherry anotadas. Gênios.

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Então, last but not least, a atualíssima Peel Session de 1989, de uma certa banda pequena americana chamada Nirvana. Me diz se não é de chorar.

E fim.

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Bebê da capa de “Nevermind” recria a foto 25 anos depois. De bermuda, claro

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No último sábado, 24 de setembro, um dos discos mais explosivos da história do rock completou seus festejados 25 anos. O álbum em questão é “Nevermind”, disco que estourou o Nirvana no mundo, fez a banda ficar maior que o grunge e provocou um caos na cultura pop ao chacoalhar um rock que andava careta há algum tempo, fora toda a revolução que causou na vida de que tinha tipo 20 anos de idade, um pouco menos ou um pouco mais.

Além do petardo sonoro que é, “Nevermind” ficou marcado por sua capa icônica, a de um bebê pelado mergulhado em uma piscina com uma nota de dólar. Tenho até um imã de geladeira do Bart Simpson reproduzindo a ação.

O bebê era Spencer Elden, àquela época com apenas 4 meses de idade, que protagonizou uma das fotos de bebês mais incríveis da história das fotos de bebês.

Daí que, para comemorar os 25 anos disso tudo, Elden recriou a capa do álbum em uma piscina do Rose Bowl Aquatics Center. Mas de bermuda, “porque as pessoas poderiam estranhar”.

A recriação é obra do fotógrafo John Chapple. Elden, o ex-bebê, tem uma tatuagem com a palavra “Nevermind”, mas nunca teve a oportunidade de conhecer os membros da banda. “A data significa algo para mim. É estranho pensar que eu fiz aquilo por cinco minutos, quando tinha apenas 4 meses de idade, e acabou se tornando uma imagem icônica”, contou ao “New York Post”, jornal que neste final de semana publicou as novas fotos. Well, whatever.

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