Em no rome:

Popnotas – O resgate do Cold War Kids, a Brittany Howard num santuário, o vídeo animado do No Rome e amigos você-sabe-quem. E o Tiny Bieber

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– Vale nestes tempos ficar de olho na Current, rádio indie de Minneapolis, Minnesota, que a gente gasta um tempo sempre que dá e tem umas sessions bem cabulosas. Como a produção nesta era pandêmica caiu bastante, eles têm rebuscado nos arquivos passagens de bandas ótimas pela emissora, como esta que eles postaram ontem no canal de Youtube deles. A banda Cold War Kids, ótima porém poderia ter ido mais longe, passou pela Current em 2017 para uma session de duas músicas, que a gente traz aqui. O grupo indie-soul, que havia explodido no novo rock uns dez anos antes, ia lançar seu sexto álbum, o “L.A. Divine” naquele abril de 2017 e umas semanas antes ia fazer um show esgotadaço em Minneapolis. Daí aproveitaram e mandaram “Love Is Mystical” e o hit “First”, do disco anterir, de 2014, nos estúdios da Current. Repara a missa acústica.

– Então. Se você quiser encarar, entrou agora há pouco na nobre série online Tiny Desk, da NPR, uma apresentação do… Justin Bieber, ele-mesmo. O rapaz canadense, brother do Drake e de muita gente boa do hip hop americano por suposto, vai lançar nesta sexta mais um disco, seu sexto, chamado “Justice”. Em seu Tiny Desk, num ambiente tiny mesmo, até, Bieber tocou algumas músicas de seu novo álbum, abrindo a história com “Holy”, parceria sua com o Chance The Rapper. Ainda teve “Peaches”, “Hold On”e “Anyone”, tudo do disco que sai depois de amanhã. Tudo aqui, para sua apreciação. Se pans.

– Na possibilidade de encontrar a galera para gravar vídeo, vamos de animação. Foi o que o talentoso músico filipino novinho, por ora inglês, No Rome fez para dar visual à esperta canção que lançou recentemente, muito bem acompanhado. No Rome, como demos aqui, armou tipo um supergrupo com Charli XCX e The 1975 para o single “Spinning”. Que, parece, vai virar grupo meeeeesmo. Dizem. Mas, de todo modo, o álbum próprio do No Name está sendo planejado para sair em novembro deste ano. Estamos esperando já.

– No maior gerador de som ao vivo diárias da história da música, os programas de entrevistas noturnos, ontem foi a vez de termos Brittany Howard (foto na home) tocando para o Jimmy Kimmel. Aqui cabe falarmos que o conceito de “ao vivo” nos dias de hoje não significa “ao viiiiiiivo”, propriamente. É o tal de gravamos ao vivo e enviamos para você. Nessas, o Jimmy Kimmel chamou a brilhante Brittany, muito conhecida por ser a cantora do Alabama Shakes, para mandar sua participação solo, que foi exibida na noite passada. Ela cantou ” Short and Sweet”, canção lindaça de seu primeiro disco fora do Alabama Shakes, sob seu nome, de lááá de 2019, chamado “Jaime”. Uma maravilha gravada em um santuário no Tennessee.

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Top 10 Gringo: Semana da mulher tem a St. Vincent em primeirão e a girl in red na cola. Bonito. Kings of Leon pede bom espaço e o Drake chega mansinho

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* Semaninha boa lá fora, no agito dos lançamentos musicais, com reflexo direto no nosso top 10 internacional. Tem a St. Vincent com promessa de discão, tem a promessa girl in red cada vez mais perto de se tornar fenômeno, um retorno e tanto (e inesperado) do Kings of Leon, entre outros auês sonoros. Um mundo pop mais agitado nos cantos onde a pandemia deixa a cada dia mais de ser uma realidade, privilégio deles, incompetência nossa. E la nave va.

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1 – St. Vincent – “Pay Your Way in Pain”
St. Vincent voltou. E voltou com tudo. Gemidos acompanhados de um piano antigo, um riff sintetizado junto de uma bateria analógica. Universos misturados em uma letra sobre o preço que pagamos em dor e vergonha da nossa existência atual. Ou como explicou melhor à revista inglesa NME a própria Annie Clark: “É também sobre como não há nada que eu tenha feito na minha vida que não envolva algum tipo de luta”.
2 – girl in red – “Serotonin”
Billie Eilish europeia ainda por explodir – ou uma nova Lorde talvez -, a norueguesa Girl in Red (ou girl in red, tudo em minúsculos, um jeito significativo da nova geração de se expressar…) promete com seu álbum de estreia “if i could make it go quiet” (as minúsculas…). “Serotonin”, seu novo single, começa superindie nas guitarras e entra num quase hip hop pop (hip pop) e recebe a volta das guitarras às vezes. E tem “A LETRA” para o movimento indie-mental health que assola a música hoje, no Brasil e fora dele: “I’m burnin’ up on serotonin/ Chemical unbalance got me twisting things/ Stay blessed with medicine”. O que mais ou menos seria “Minha serotonina está bombando. O desequilíbrio químico me atrapalha toda. Fico plena com remédios”. Pesado. E leve depois dos remédios tomados.
3 – Kings of Leon – “Stormy Weather”
A gente está na turma que gostou do novo álbum do Kings of Leon. “When You See Yourself”, oitavo disco, recupera o fôlego perdido em alguns lançamentos qualquer-nota da banda nos últimos anos – onde andaram cada vez mais distantes do bom primeiro álbum e dos três seguintes que eram respeitáveis. Aqui as coisas funcionam bem. Temos boas guitarras, protagonistas, e uma bateria que vai da simplicidade de saber se fazer presente quando precisa. E um punhado de canções inspiradas, como o caso de “Stormy Weather”, que pede uma estrada, um rolê lá pelas quatro da manhã a procura de alguma coisa perdida que ninguém sabe ao certo o que é. Só quer ver se acha.
4 – No Rome, Charlie XCX e The 1975 – “Spinning”
Deu muita liga essa união entre o relativamente desconhecido No Rome e os gigantescos em popularidade (cada um na sua) Charlie XCX e The 1975. Daquelas canções que vão tocar infinitamente em qualquer rádio do mundo – das mais alternativas até as mais pops. Pegajosa demais. A Charlie comentou algo de supergrupo. A gente imagina que, se esse trio quiser lançar mais coisas juntos, não vamos reclamar.
5 – Drake – “What’s Next”
Talvez “What’s Next” não seja mais um hit nos portes que acostumamos a ver do Drake, mas é um bom som – até por ser um Drake mais rimador, um lado que de vez em quando ele deixa de lado demais e que ele sabe como poucos. E o refrão aceleradíssimo é um acerto e tanto: “I’m makin’ a change today”. Bora pro disco, Drakão.
6 – Amy Winehouse – “Valerie” (Live in London)
O disco ao vivo da Amy Winehouse que pintou nos streamings não é exatamente uma novidade – ele já rolava em DVD há um bom tempo e até em vinil. Mas ter uma acesso fácil a esse registro espetacular e no auge da Amy é algo que não dá para desprezar jamais. Um pouco antes do estouro mundial de “Back to Black”, ela está cantando tudo o que sabe, com o melhor repertório possível, banda afiada. Vale escutar todas, fomos de “Valerie” porque, além de ser maravilhosa (e na real ser uma cover do estupendo The Zutons), vale sacar a versão mais suingada que ela fazia ao vivo em relação à que está no álbum solo do Mark Ronson, o produtor-magia.
7 – Nick Cave – “Carnage”
Nick Cave em um trabalho escrito e gravado durante a pandemia, com o parceiro de tantas Warren Ellis, que começa com os versos: “There are some people trying to find out who/There are some people trying to find out why/There are some people who aren’t trying to find anything/But that kingdom in the sky”. Cave trabalha em outro patamar, como a gente gosta de dizer aqui no Brasil. E mais uma semana dele aqui no Top 10 porque, no nosso ritmo de trabalho frenético, é preciso de muito mais do que o tempo do mundo pop para sacar um Nick Cave.
8 – Julien Baker – “Faith Healer”
A expectativa boa que tínhamos quanto ao álbum de banda da Julien Baker se cumpriu. Que discão da cantora e multiinstrumentista. Nossa favorita segue, no entanto, uma que já conhecíamos enquanto single. “Faith Healer” é um tratado sobre vícios que vai além do problema do vício em drogas e avança sobre a questão do escapismo, que alguns encontram na política, na religião. Formas de lidar com a dor que talvez evitem a cura da própria quando confiamos em pessoas não muito bem intencionadas. Um musicão que prima na dinâmica, uma habilidade que já existia na obra de guitarra e voz de Julien, mas que está amplificada agora que ela é acompanhada por uma banda que pode dar mais corpo a suas ideias.
9 – Wolf Alice – “The Last Man on Earth”
Que bom é termos de volta o Wolf Alice. A banda inglesa da Ellie Rowsell chegou ainda quieta, quase, com este single, para anunciar que vem aí o terceiro álbum. “Blue Weekend” vai ser lançado no dia 11 de junho e já estamos reservando alguns lugares por aqui para suas canções, neste humilde ranking. “The Last Man on Earth”, a música, tem sequência dramática até entrar numa sinfonia à lá Beatles no final. E vale sacar o vídeo da música, simples na ideia e execução, mas ainda assim maravilhoso.
10 – Tigercub – “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)”
Banda inglesa de Brighton que sempre parece que vai “acontecer” mas não deslancha, a Tigercub tem a chance de decolar agora com seu segundo álbum. Para puxar “As Blue as Indigo”, o disco, a ótima “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)” até começa meio Alt-J brincando com os silêncios, mas depois descamba num Muse heavy metal bem bom.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora e guitarrista St. Vincent.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – O filminho do Shame, as 87 músicas do Lennon, No Rome+Charli XCX+1975, Sharon van Épica e ele… sim… o Foo Fighters

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* A banda punk inglesa Shame, famosa por suas poderosas apresentações ao vivo, soltou ontem à noite no Youtube um filme chamado “Live in the Flesh”, cheio de chinfras de bastidores, para mostrar “por dentro” como um show do Shame funciona, desde a chegada da banda ao lugar da performance. Claro, tem um quê teatral engraçado, a cara do Shame (foto na home). Na parte do vamos-ver, mesmo, a banda tocando, são sete faixas de seu mais recente disco, “Drunk Tank Pink”, o segundo deles, lançado em janeiro. O filme foi gravado no Brixton Electric, no sul de Londres, área deles. E, como todo show do Shame, é intenso e vale o livestreaming.

* Featuring de peso. O músico Guendoline Rome Viray Gomez, mais conhecido pelo seu nome artístico No Rome, conseguiu reunir Charli XCX e The 1975 na mesma faixa. É o single “Spinning”. Charli chegou a escrever um tweet que mencionava estar ansiosa em formar um supergrupo com No Rome e o 1975. Se o trio ainda vai ter mais músicas em parceria é quaaaase um mistério. Mas, pelo que entregou Charli…

* “Plastic Ono Band”, primeiro álbum solo de John Lennon, lançado após o rompimento dos Beatles, vai ganhar uma edição de luxo caprichada em abril. Esta “Ultimate Collection Box Set” lembra os moldes do que rolou com “Imagine” em 2018, ou seja seis CDs, blu-ray, livro e tudo o mais – são nada menos que 87 gravações inéditas entre outtakes, demos, jam sessions e a gravação ao vivo completa de Yoko Ono/Plastic Ono Band, seu álbum-irmão – ou irmã, talvez caiba melhor no caso.

* Sharon Van Etten anunciou um disco chamado “epic Ten”, um álbum duplo que vai celebrar os 10 anos de “epic”, seu segundo trabalho. Terá uma reedição do original acompanhando de um disco onde artistas como Fiona Apple, Lucinda Williams, Big Red Machine, Courtney Barnett e Idles fazem uma releitura da obra decana. Já temos um gostinho do primeiro cover, a versão do Big Red Machine para “A Crime”, faixa que abre o álbum. Quando chega tudo? Abril.

* O Foo Fighters participou ontem do “Late Late Show” do figura James Corden. Mais uma das milhares de divulgações de seu novo álbum, “Medicine at Midnight”, lançado tem um mês. Tocaram a mesma “Waiting on a War” que já tinha rolado no programa do Jimmy Fallon e em outros cem lugares, seja TV, rádio, internet. Sempre com o Foo Fighters gravando sua performance e a enviando aos veículos. Quem aguenta tanto do mesmo? Sendo talvez a única banda de rock que ainda consegue chamar a atenção de todos os programas de entretenimento do mundo, fica evidente também alguns efeitos da pandemia no mundo da música. Pouca gente trabalhando, falta de assunto, clima e eventos extremamente iguais. Quando a banda não inova no repertório ou é um pouco mais radical na filmagem, tudo soa meio cansado. Bom, Dave. Desculpa o trato. Só estamos ficando cada vez mais mau-humorados com tudo… De todo modo, o vídeo está aqui abaixo. Pelo menos foi gravado de um outro ângulo, com o Dave Grohl olhando para a esquerda.

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