Em noel gallagher:

Popnotas – Quem faturou o livro do Fábio Massari. Noel Gallagher vacinado meio a contra-gosto. O Coachella bancando sua edição 2022. E o vídeo da Jadsa

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– Vamos começar o Popnotas de hoje com prêmios. Saíram os vencedores do nosso sorteio de dois exemplares de “84 – O Álbum Inglês”, o incrível novo livro do camarada Fabio Massari, não por acaso conhecido como “Reverendo”, com muitos serviços prestados ao que ele mesmo sempre chamou de “bons sons”. “84 – O Álbum Inglês” é uma caprichadíssima publicação da Terreno Estranho, editora que salva a lavoura indie com livros musicais diversos. “84 – O Álbum Inglês”, azulzão, capa dura, vai para as seguintes pessoas que concorreram no sorteio da Popload: Luiz Pazini, de Florianópolis, e Marta Isaac, de Goiânia.

– Ainda que o nosso amigo Noel Gallagher tenha mantido uns papos bem estranhos relativos à pandemia, de comentários contrários ao uso de máscaras e até pelo direito de não se tomar vacina, lembrando que o fascismo começa assim (!!!), ele finalmente resolveu tomar sua primeira dose da vacina da Oxford, a Astrazeneca. De acordo com o próprio ex-Oasis em uma entrevista, seu médico fez o seguinte (e ótimo) comentário: “Se você não tomar, você é um idiota”. Que bom, Noel. Ou a gente ia precisar continuar te zoando por aqui?

– E segue a retomada dos eventos musicais pelos Estados Unidos. A da vez é a volta do gigante Coachella Festival. Após ser adiado em 2020, remarcado para 2021 e cancelado este ano, lá em abril, a promessa do festival é acontecer em 2022 na sua data clássica, em abril mesmo nos finais de semana de 15-17 e 22-24. As atrações ainda não foram divulgadas, se é que já estão fechadas. Mas é o Coachella, né? Quem estiver interessado, as vendas começam nesta semana, no famoso “escuro”. Vale lembrar que Frank Ocean, Rage Against the Machine e Travis Scott estavam entre os headlines da edição original cancelada.

CENA – Criado e produzido à distância, como parte do projeto “Trilha Visual” do Sesc Interlagos, “Mergulho” é o novo vídeo da cantora e guitarrista baiana Jadsa, a dona de um dos nossos discos prediletos da CENA no ano. Em stop-motion, Jadsa desenha uma guitarra em cartolina que vai se misturando a outros desenhos em sua própria atuação em animações que se unem às fotos de Alile Dara Onawale, fotógrafa de Salvador, dona de um trabalho bem lindo. Dá uma sacada aqui. E veja o vídeo.

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Blur ganha outra batalha contra o Oasis, desta vez no futebol. Chelsea, campeão da Champions League e time do Damon Albarn, zoa rival com as letras dos Gallagher

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* A cultura pop britânica é maravilhosa. Ainda mais associada ao futebol. A final do maior torneio de clubes do planeta, a europeia UEFA Champions League, aconteceu sábado passado com dois times ingleses como protagonistas: o Chelsea e o Manchester City.

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Assim que os dois finalistas foram conhecidos, apressadamente os britânicos já polarizaram a disputa, trazendo para o campo musical. Virou o time do Oasis contra o time do Blur. O Manchester City é o notório time dos irmãos Gallagher, Noel e Liam, que se odeiam mas são unidos pelo amor declarado constantemente pelo mesmo clube. Do lado do Blur, o vocalista Damon Albarn, que também é do Gorillaz, é um famoso torcedor do Chelsea.

No ano passado, os rivais do britpop Blur e Oasis comemoraram 25 anos da famooooosa batalha que aconteceu em agosto de 1995, quando as bandas, no auge de suas popularidades e da popularidade do movimento, lançaram um single no mesmo dia: “Roll with It”, no caso do Oasis, “Country House”, pelo Blur. Está tudo contado aqui.

Mas o negócio é que foi algo que dois grupos de porte grande dificilmente fazia: botar nas lojas singles e álbum no mesmo dia que o outro. Aí virou guerra. Das bandas, dos fãs, das vendagens. E, neste caso específico, o Blur ganhou.

E ganhou de novo no último sábado, desta vez no futebol, 26 anos depois então da batalha do britpop.

A partida decisiva entre Man City x Chelsea, do sábado, foi disputada em jogo único no Porto, em Portugal. E o mais-ou-menos azarão Chelsea fez 1 x 0 no timaço do supertécnico Guardiola.

DETALHE: como você pode ver aí embaixo, tanto Noel e Liam Gallagher como Damon Albarn viajaram a Portugal para ver a finalíssima da Champions League. No caso dos irmãos do Oasis, foram separados, claro.

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DETALHE 2: O Man City do Guardiola e do Noel/Liam vem ganhando títulos ultimamente e toda vez as canções do Oasis são cantadas no vestiário. Principalmente “Wonderwall”. Na última conquista da poderosa liga inglesa, faz uns dez dias, Guardiola fez um vídeo cantando o hino “Don’t Look Back in Anger” todo felizão e talvez um pouquinho alcoolizado haha. Quando Pep Guardiola chegou do Bayern de Munique para assumir o Manchester City em 2016, o time inglês preparou uma grande apresentação em que, para os jornalistas, Noel Gallagher recepcionou o treinador, com uma grande entrevista aberta.

DETALHE 3: Um dos times de Londres mais odiados pelos ingleses por conta de ser de um bairro rico, “de playboy”, o Chelsea é também um dos mais queridos por conta de seu passado musical. Foi o berço do punk inglês nos anos 70, quando nasceu dentro da loja da estilista Vivienne Westwood, a “loja dos Sex Pistols”, e era a banda dos integrantes do mitológico The Clash, que fizeram o seminal disco “London Calling” num estúdio numa das ruas perto do estádio do Chelsea.
Essa coisa playboy x galera da classe trabalhadora alimentou muito o britpop, porque o Blur foi montado em escola de arte e o Oasis, por moleques de rua de Manchester.

Enfim, o Chelsea ganhou a finalzaça da Champions League do City. Ou seja, o Blur ganhou mais essa do Oasis. E a zoeira da conta do Chelsea nas redes com memes que trazem letras da banda rival rolou forte. E maravilhosa.

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Top 10 Gringo – De emocionar: mulheres e guitarras nos três primeiros lugares. É o melhor Top 10 do ano sim ou certeza?

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* Semana “violenta” na música internacional. Até faltou espaço no ranking para tantas canções novas e “novas” que selecionamos. Tivemos que deixar coisas boas de fora. Uma semana de músicas fortes, mas tanto que resolvemos premiar uma garota que conseguiu fazer uma poesia leve e incluiu até uma risada no título da música – um jeito de mostrar outros caminhos e possibilidades. Sem invalidar, lógico, o trabalho de ninguém, nenhuma tendência de época. Apenas chamando a atenção para outras vertentes. Tanto que quase o resto do Top 10 segue por esses pontos mais sensíveis e delicados, cada um com seu tema, abordagem, motivações. E repare nas primeiras posições: só a mulherada. Aliás, quase todas as 10 posições são delas. E, no fim, dá nossa parte, optamos até em fazer uma graça irônica com o mala/querido do Noel “ex-Oasis” Gallagher, um dos músicos mais importantes dos anos 90 para cá. Mas birreeeeento.

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1 – Faye Webster – “I Know I’m Funny haha”
Estamos de cara com a habilidade desta jovem guitarrista de Atlanta de apenas 23 em conseguir construir imagens tão poéticas, despretensiosas e bonitas. Cenas de amor em locais tão improváveis. É um dom de observar e se permitir ser tão leve. Em contraste com uma linha indie que prefere tocar em temas delicados de maneiras mais cruas, várias delas por aqui e com sua importância, fica a sugestão de Faye de anotar um riso que seja no título da música. Perfeita.

2 – Olivia Rodrigo – “Brutal”
Quem esperaria de uma atual estrela da Disney um dos hinos de revolta adolescente de 2021? Com seu pop de arrastar multidões, é uma surpresa que Olivia comece seu álbum de estreia com guitarras e aos berros: “And I’m so sick of seventeen/ Where’s my fucking teenage dream?/ If someone tells me one more time/ Enjoy your youth, I’m gonna cry”. Frustração sem meias palavras em uma música sem redenção. Soou autentico. Fora que é o melhor começo de guitarra de uma música desde “What’s the Frequency, Keneth”, do REM. Ok… Efeito de linguagem. Mas sabemos que você vai entender. Perfeita 2.

3 – The Linda Lindas – “Racist, Sexist Boys”
É um barato acompanhar a ascensão da banda californiana The Linda Lindas, uma banda punk formada por garotas na faixa dos 14 anos. Elas arrebentam no filme “Moxie!” e voltaram a bombar com este petardo punk direcionado a um garoto que fez comentários racistas à baterista da banda, hoje com 10 anos. Agora elas estão sendo elogiadas por nomes como Tom Morello, Thurston Moore, além de já serem parças de longa data da Kathleen Hanna. Estouro. Lançando música ao vivo com recadinho. Vestindo camisetas do Bikini Kill. E está tudo certo. Perfeitas 3.

4 – Lil Nas X – “Sun Goes Down”
Nosso chapa Lil Nas X continua arrepiando ao saber abordar como poucos suas dores em relação ao racismo e homofobia em sua novas canções. Por aqui ele conta como foi enfrentar isso ainda criança, completamente deslocado do mundo sem entender por que criticavam tanto ele. Seriam seus lábios grandes ou as pessoas estavam lendo seus “pensamentos gays”? Quem achou que seu primeiro hit “Old Town Road” era uma tiração passageira, se liga que Lil Nas X desponta para ficar entre os grandes. Rapidinho.

5 – Chai – “Nobody Knows We Are Fun”
O mundo global não para de nos maravilhar, tipo esta Chai, banda de garotas de Nagoya, Japão, quatro cantoras e dançarinas e que tocam também. Assinadas com o lendário selo Sub Pop, colaboradoras do Gorillaz e fãs do nosso CSS. Pensa em tudo isso. Soltaram o disco novo agora, o terceiro álbum, “Wink”. Entre as muitas delícias deste electroindie bubblegum delas a gente sacou “Nobody Knows We Are Fun”, mas podiam ser várias outras.

6 – Lucy Dacus – “VBS”
Lucy Dacus segue apresentando aos poucos seu próximo disco e mantém a habilidade de juntar muitos assuntos em um som só. Aqui comenta tanto sobre a presença da religião imposta na sua infância/adolescência e faz um comentário sobre seu primeiro namoro, um metaleiro que ela encontra justamente em um desses acampamentos religiosos.

7 – Tigercub – “Funeral”
Estamos sentido que o “grunge inglês”, conceito que porcamente, confessamos, costumamos aprisionar o Tigercub, vai virar. Sem disco novo desde 2016, este segundo álbum que vem em breve promete. Um dos guitarristas do Pearl Jam até mandou um tweet oferecendo seu selo à banda. Meio de brincadeira, meio dando um toque de aprovação.

8 – Lana Del Rey – “Wildflower Wildfire”
Revoltada com a repercussão do seu recém-lançado álbum e com um novo disco na manga, Lana talvez há tempos não tenha soado tão sincera em uma canção sobre suas relações familiares e com a imprensa. Bem interessante e bonita esta música, Laninha. Somos fãs, não tem muito o que fazer aqui.

9 – Sharon Van Etten e Angel Olsen – “Like I Used To”
Daquela série de parcerias que sempre sonhamos e que não pareciam possíveis. Do nada, Sharon e Angel estão reunidas em um belo single que veio sem muito aviso prévio e sem pistas de que a dupla possa fazer mais juntas, no futuro. Lógico que todo mundo já está cobrando álbum, turnê e tudo mais. Digamos que ornou bonito este duo.

10 – Liam Gallagher – “Wonderwall”
Noel, você anda chatão, hein? Falar mal de “Wonderwall” a esta hora? De birra, a gente que deu seu single aqui semana passada vai de Liam nesta, que você também não cansa de esnobar, e a belíssima releitura acústica que ele fez para a “inacabada” Wonderwall em uma sessão para o Spotify. Sabemos ser birrentos também.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora americana Faye Webster.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Noel foi à TV britânica tocar seu novo single e falar que voltaria com o Oasis por 100 milhões de libras. Mas…

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* Nosso querido Noel Gallagher, o cara que disse não gostar do clássico “Wonderwall”, hit de sua ex-banda que não volta mais, o Oasis, foi à TV inglesa fazer uma performance de seu último single lindão. Foi a primeira performance ao vivo de “On Our Own Way Now”, lançada no final de abril.

A música é uma das “cerejas” inéditas de sua coletânea solo “Back the Way We Came: Vol 1 (2011-2021)”, que sai dia 11 de junho para comemorar os dez anos de seu projeto-banda High Flying Birds.

Noel foi tocar a canção sábado passado no programa do comediante-entrevistador Jonathan Ross. Na letra de “On Our Own Way Now”, ele faz um monte de graça com velhos sucessos do Oasis, tipo na parte “I hear the morning sun, doesn’t cast no shadow. You chose to drift away, but look at you now.”

Noel também conversou com Jonathan Ross, sobre ter recebido um dia a proposta de 100 milhões de libras para voltar com o Oasis mas que ele não acreditou por não achar possível, porque acredita não haver 100 milhões de libras (equivalente a R$ 750 milhões) no mercado da música total, hoje. E afirmou: “Se AGORA alguém me oferecer 100 milhões de libras mesmo, eu volto na hora com o Oasis”.

Noel continuou: “O mais engraçado é que o Liam acredita mesmo nisso”. E disse ainda que fala quase sempre com a mãe. E ela nunca perguntou se ele ia tocar de novo com Liam no mesmo palco.

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Toma esta, Liam. Noel Gallagher afirma que não gosta de “Wonderwall”, hino do Oasis

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* Hahahaha. Noel voltou a ficar bom, depois de uma fase, diríamos, desinteressante.

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O irmão mais velho do Oasis revelou, em entrevista para a nova edição da revista inglesa “Mojo”, que está indo às bancas, que acha o clássico “Wonderall”, cantada aos berros ainda hoje nos vestiários campeões do Manchester City, é o “menos interessante” dos hits do Oasis.

A Mojo, de junho/julho que traz a veterana cantora folk canadense Joni Mitchell, na capa, ainda arrumou uma manchete, na mesma capa, bem direcionada para essa confissão curiosa: “Noel knocks down ‘Wonderwall’!” Com exclamação e tudo.

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A entrevista de Noel Gallagher para a “Mojo” tem como fundo a chegada ao cinema do documentário do Oasis aos cinemas e lojas de streaming sobre os lendários shows que a banda fez em Knebworth, Inglaterra, em 1996, que está completando 25 anos. A gente falou bastante do doc e desses concertos em especial, aqui. Oasis em 1996 era tão fenômeno que, na correria pelos 250 mil ingressos (125 mil por dia), um número de fãs equivalente a 4% da população britânica encarou ou fila telefônica ou fila real de bilheteria para comprar suas entradas, na era pré-ingressos online.

“Wonderwall” foi gravada em maio de 1995, para ser o terceiro single do fenomenal segundo álbum da banda de Manchester, “(What’s the Story) Morning Glory?”, que sairia quebrando recordes de vendas em outubro daquele ano.

Noel disse agora à revista que não considera a música “finalizada”. Ele queria ter trabalhado mais nela, mas a pressa do estúdio para lançar o segundo disco teria atrapalhado todos os andamentos. Pensa.

“Aquele é o único disco do Oasis que não fizemos demos antes. Eu o compus durante a tour do primeiro disco e tinha planejado terminar algumas músicas quando entrasse em estúdio. Não consegui”, lembrou Noel. Além de “Wonderwall”, o líder da banda considera “Cast No Shadow” e “Morning Glory” outras canções do disco gravadas sem terem sido finalizadas. Para o guitarrista, sua música preferida do álbum é “Some Might Say”, o primeiro single.

Na “Mojo” também saiu a história de como outro estrondoso hit do Oasis, “Champagne Supernova”, também do (What’s the Story) Morning Glory?”, foi composta. “Fiz ela num hotel em Londres, depois de uma festa. Eu tava completamente maluco. Típica cena dos anos 90: todo mundo tinha ido embora, garrafas de champanhe vazias enfileiradas na mesa, e a música caiu pronta do céu, para mim. As canções costumavam cair do céu todo dia nos anos 90.”

Abaixo, misturando tudo, Oasis tocando “Wonderwall” nos dois desses shows de Knebworth que vai virar documentário para os cinemas. Foi no primeiro deles. 125 mil pessoas cantando junto, em cada dia.

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