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CENA – Uma Noite em Paris, com o Noporn

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* O mercado brasileiro de shows ainda está fechado? No problem! O duo brasileiro electrocool Noporn se mandou para se apresentar ao vivo na França e Portugal, com uma turnê de dez shows, alguns esgotados.

Na real, a tour da ótima cantora-faladora Liana Padilha com seu parceiro synth Lucas Freire é quase toda ela portuguesa. A França apenas recebeu o Noporn sábado passado, numa primeira parada europeia, em apresentação no Gambetta Club, em Paris. Hoje a dupla inicia o giro luso no núcleo A70, em Lisboa.

Sobre o rolê parisiense, temos imagens da festinha do Noporn. Mas, antes, Liana Padilha conta como foi essa “Uma Noite em Paris” do Noporn.

“Era um clubinho pequeno, inferninho, a capacidade máxima permitida era de 200 pessoas e teve gente que ficou ouvindo de fora. Desse púbilco, 33 eram brasileiros. E teve gente que veio de outros lugares da Europa. Uma galera de Berlim, Amsterdam, Istambul, segundo a nossa agência aqui na Europa, a @umquartoclub. Eu ria muito de felicidade de estar fazendo um show depois de tanto tempo e foi emocionante o primeiro show ser em Paris.

“As pessoas muito animadas e querendo cantar as músicas. Foi quase um boiler room (que é o meu formato preferido pro Noporn), porque tinha gente na frente e atrás de nós. Fizemos muita experimentações e foi muito livre tudo, um público bem jovem e montado.

Ah, depois que viemos para Portugal já fizemos uma miniquarentena e todos os testes deram negativos. Aqui em Portugal tem que apresentar o QRcode também, e já tem um aplicativo no celular que vê todas as suas vacinas e testes. Então as pessoas já chegam para os shows com esse passaporte digital também.

Você deve imaginar a nossa felicidade depois de um ano e blau sem show e vir para cá fazer essa tour de um mês. E ver que o mundo vai reagir e se reconfigurar.”

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Top 50 da CENA – FEBEM lidera o ranking (de novo), Aquino e a Orquestra Invisível devolve a leveza ao top 3 e o Boogarins não larga de ser lindo. E podia ser Moons, NoPorn e Jair Naves que estaria tudo bem

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* No episódio desta semana do TOP 50 da CENA, a gente ainda mostra uma certa obsessão pelo disco novo do rapper FEBEM e volta a premiá-lo com o topo usando mais uma faixa do seu grande álbum “Jovem OG”. Voltamos também a se espantar com as conexões indies que andam deixando paulistas com cara de carioca e vice-versa. Voltamos novamente a nos derreter pelo Boogarins e seu trabalho de sobras onde sobram tesouros a serem garimpados. Mas, olha só, também desbravamos novos territórios, já que não gostamos de ficar na mesma, não.

topaquinoquadrada

1 – FEBEM – “Crime” (Estreia)
Quantos jovens estariam encarcerados no Brasil se lidássemos com a questão das drogas de uma maneira mais inteligente que o combate violento que extermina parte da nossa juventude, especialmente periférica e negra? Quando FEBEM comenta “Dizem que cometemos crime” ele pensa essa perspectiva ao sentir que sua existência é criminalizada – por isso que ele começa o refrão com os versos “Uns finge, outros vive o crime”. Como responder a uma violência dessas desde o berço? “Na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir.”

2 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (Estreia)
Cara, o que acontece no Rio de Janeiro que a CENA local não para de dar bons frutos, hein? E o mais doido é que é tudo um som meio estranho que lembra muito coisas paulistanas. Um Rio mais da cidade do que da praia. Um Rio mais cinza. Mais de falar do que (se) mostrar. Nessas entra o som desse trio tijucano que consegue aliar uma longa narrativa de solidão com um dos refrões mais melancólicos e bonitos do ano.

3 – Boogarins – “Supernova” (4)
No disco de sobras e sonhos do Boogarins, eis uma música que poderia estar fácil em um dos álbuns oficiais dos meninos. Talvez caiba numa lista de melhores deles? É muito? “Supernova” é bonitaça demais, por onde se olhe. Na letra, na dinâmica que vai se alterando sutilmente pelos versos, na voz suave do Dinho. E na mensagem da música: “Se tudo está pronto, que resta eu inventar? O novo é qualquer lugar”.

4 – Moons – “Love Hurts” (Estreia)
Mal lançaram um bom EP, os mineiros do Moons resolveram soltar um single que é dos melhores trabalhos da banda. A gente imagina aqui um Jeff Buckley pirando nesse som superclimático que vai crescendo, ali numa das montanhas próximas a Belo Horizonte, onde nem um café quentinho vai aplacar essa ferida de amor.

5 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (Estreia)
O mítico electrosexy duo NoPorn adaptado aos novos tempos. Instituição das melhores festas paulistanas, a dupla hoje formada por Liana Padilha e Lucas Freire leva a pista para outro lugar, um mais íntimo, seu quarto, nosso quarto, de quem estiver disposto a aceitar o convite charmoso do duo enquanto pandemias e lockdowns ou meio-lockdowns perdurar. Sabe a onda de cantar falando, Florence Shaw? Dá uma ligada na Liana.

6 – Jair Naves – “Vai” (Estreia)
Na dolorida e talvez de amplos sentidos “Vai”, Jair consegue reunir um som que soa quase “estragado” – tanto que faz a gente checar se o computador não está travando – com talvez o que seja uma de suas canções mais “certinhas”, com a melodia vocal e instrumental se encaixando docemente. Bonito. E a gente fica na dúvida, aqui. Será que ele está mesmo comentando um relacionamento aí?

7 – FEBEM – “México” (1)
Se na música lá de cima FEBEM comenta a dualidade da palavra “crime” no Brasil, “México” tem a esperta sacada em inverter um lugar comum do rap – em linhas gerais, não temos um rapper versando sobre o crime, mas o inverso. Ou quase, já que o final da música adiciona um mistério sobre o narrador e nubla as ideias. Para pegar o filme completo, só escutando o disco todo. O que não é nenhum trabalho, acredite.

8 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (2)
Mais algumas conexões da CENA carioca atual com a CENA paulistana de outrora, tudo junto e misturado e fazendo o maior sentido. Mas aqui no sentido contrário da coisa, já que temos uma banda de paulistas, herdeiros do grupo Rumo, soando muito como os novos cariocas que soam como paulistas do grupo Rumo, para completar o interessante rolê geográfico-temporal. Entende?

9 – Carmem Red Light – “Faith No More” (Estreia)
Carmem Red Light, artista trans brasileira radicada na Europa há mais de 20 anos, mexe com muitas coisas em seu neste single. Ela, que nasceu em Cajazeiras, no interior da Paraíba, e hoje é cidadã londrina, assume um lado “Marilyn Manson encontra David Bowie” e ainda mexe com religião e sexualidade. O som é soturno? Sim, mas por que não seria, dadas as circunstâncias todas?

10 – Jadsa – “Olho de Vidro” (3)
Quantas semanas de Jadsa já no Top 10?

11 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (8)
12 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (5)
13 – Yannick Hara – “Raça Humana” (6)
14 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (7)
15 – Uana – “Mapa Astral” (9)
16 – Mayí – “Sedenta” (10)
17 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (11)
18 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (12)
19 – Jadsa – “Sem Edição” (13)
20 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (14)
21 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (15)
22 – FBC – “Gameleira” (16)
23 – Rico Dalasam – “Última Vez” (17)
24 – YMA – “White Peacock” (18)
25 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (19)
26 – Mbé – “Aos Meus” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (21)
28 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (22)
29 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (23)
30 – Jadsa – “Lian” (24)
31 – Djonga – “Eu” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (26)
33 – LEALL – “Pedro Bala” (27)
34 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (29)
35 – Filipe Ret – “F* F* M*” (30)
36 – Jadsa – “Raio de Sol” (31)
37 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (32)
38 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (33)
39 – Ale Sater – “Peu” (34)
40 – Jupiter Apple – “AJ1” (35)
41 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (36)
42 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (37)
43 – Rohmanelli – “Viúvo” (38)
44 – Boogarins -“Far and Safe” (39)
45 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (40)
46 – Monna Brutal – “Neurose” (41)
47 – Luna França – “Terapia” (42)
48 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (43)
49 – Ale Sater – “Nós” (44)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda carioca Aquino e a Orquestra Invisível.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – NoPorn chega ao novo álbum com saudade do que a noite inspira. Ouça “SIM”, com exclusividade

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* Eu adoro cantoras que falam nas músicas. Faladoras seria o correto? Não, não seria. Há um cantar nas falas de maravilhosas artistas novas, tipo a inglesa Florence Shaw (do Dry Cleaning) e a irlandesa Sinéad O’Brien, para citar a nova geração de intérpretes discursivas.

Liana Padilha, do duo brasileiro NoPorn, faz o que as citadas fazem há muito tempo. Não no indie, em outra praia, a eletrônica cool, classuda. E num outro lugar do mundo, digamos.

O NoPorn, instituição de pista das melhores festas paulistanas, agora de Liana e Lucas Freire, está lançando “SIM”, seu novo álbum, amanhã. O disco, o terceiro da dupla, que você vai poder ouvir antes na Popload, assim que acabar este texto, é NoPorn puro. Significa dizer que “SIM” chega com saudade da noite e de tudo que uma noite inspira: “energia dos corpos em movimento, o misticismo dos amantes, os clubinhos sujos e decadentes, luzes, brilhos e fumaça”. Para o NoPorn, a dança precisa continuar viva, mesmo que a “festa” seja no quarto.

NoPorn - SIM_CAPA

Esse discurso adaptado às mudanças dos novos tempos soam poesia eletrônica na voz de Liana, como alguém que está conversando com você, no ouvido. E, mesmo que às vezes possa soar melancólico, aponta para lembranças gostosas e principalmente esperança que virão dias melhores. Noites melhores.

Mesmo com as mudanças de nossas vidas de março de 2020 para cá e mesmo com as mudanças do NoPorn que não tem mais Lucas Lauri, faço nossas as palavras da jornalista, produtora, agitadora e outras mil coisas Erika Palomino, que escreveu a apresentação de “SIM” para a imprensa, “o NoPorn continua deixando na gente que é fã o gosto pela contravenção, pela subversão, pela celebração de outros devires e outras formas de existir. Traz um romantismo não-açucarado, urbano e debochado – e muito sensual. E traz o risco. Mais maduro, o NoPorn – que é do rolê – descobriu que ninguém morre de ficar em casa: ‘A pista é a exceção’.”

Ouça, em primeira mão, o novo disco do incrível NoPorn, “SIM”, que sai às plataformas amanhã.

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CENA – Já que o mundo está em pane, o NoPorn lança a trilha do caos. Ouça e veja “Circuit Break”

1 - cenatopo19

* Substituição na instituição clubística de pista NoPorn. Saiu Luca, entrou Lucas. A mestre-de-cerimônia do duo continua a mesma, thankyouverymuch. A incrível Liana Padilha, que “fala música” sobre batidas eletrônicas, segue trazendo um frescor estiloso de narrativa que cabe num livro de poesia, numa falação de ouvido numa noite na pista de dança, num microfone, numa música do NoPorn.

O NoPorn, de Liana e agora Lucas Freire, banda que influenciou de Cansei de Ser Sexy a Letrux, enquanto Luca Lauri segue afastado para estudar, lança nesta sexta-feira o bombástico novo single, “Circuit Break”, outra das trilhas sonoras perfeitas para este mundo covidado, de enclausuramentos ou riscos. Deu pane no mundo.

Captura de Tela 2020-11-26 às 1.42.44 AM

“Seu mundo vai acabar”, fala-canta Liana, na faixa que tem um vídeo que promove um caos visual que representa bem a música e 2020 em si, que foi dirigido pelos artistas cariocas Duda Casoni e Anthonio Andreazza, do estúdio Duto. É um recorte e cole de imagens de notíciários antigos e novos, de incêndios do MAM nos anos 70 e do Museu Nacional, há dois anos. A atualidade fica por conta de imagens do Black Lives Matter americano e os protestos LGBTQIA+ poloneses. Porrada.

“Circuit Break”, a música, também vai às plataformas à meia-noite desta sexta em uma versão remix exatamente do DJ e produtor Luca Lauri, o elemento ausente da atual formação do NoPorn.

Comece pelo impacto do vídeo. Aguarde pelo duplo impacto do áudio. NoPorn é coisa muito séria.

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CENA – Boca na boca, pau na mão. Veja o vídeo novo do NoPorn

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* Se você ainda não morreu de tanto ouvir o disco da dupla brasileira NoPorn, lançado sexta-feira, electroindiesexyfashion, ou simplesmente poesia eletrônica para pistas, duas (outras) boas notícias.

Primeiro que Luca Lauri e Liana Padilha lançam hoje, e você vê por aqui agora, o vídeo da deliciosa “Boca”, faixa que abre o excelente “Boca”, o álbum do NoPorn. Dirigido por Lipp Sant’angelo, o vídeo traz os modelos Karen Tribess e Bernardo Branco no papel das bocas (e mãos (e além)). Chic.

Captura de Tela 2016-10-20 às 9.23.45 AM

Segundo que o NoPorn fará neste próximo sábado, no novíssimo clube Jerome, em São Paulo, um pocket show de lançamento do disco, que incluirá ainda DJ sets de Luca Lauri, Marina Dias e Márcio Vermelho. Chic 2.

É bom ver essa volta do duo NoPorn, com os olhos cheios de sexo. Os deles e os nossos.

Veja o vídeo de “Boca”, do NoPorn.

* A imagem de still da home da Popload é de Pri Vilariño.

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